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quinta-feira, outubro 04, 2012

Censura e Greve Geral - uma orgia em forma posta

Conta-se aqui que quando uma minhoca olha para um prato de esparguete pensa: "olha, uma orgia"!

O que sucedeu nos últimos dias foi mais ou menos uma orgia. CDS e PSD mais ou menos enrolados e o PS naquela situação confortável de "agarrem-se se não eu mato-os". Pelo meio, manifestações gigantescas, umas inorgânicas, outras convocadas pela CGTP. A segunda, levou a observações ao minuto e acompanhamento de tuiteiros de sofá que afirmavam que, segundo as imagens aéreas, a CGTP não tinha conseguido encher o Terreiro do Paço. Depois calaram-se, porque a realidade superou a ficção.

Entretanto, após a polémica da TSU, que o PS cavalgou para reclamar a vitória no recuo do governo - desvalorizando as acções de massas -; o PS voltou a ser igual a si próprio: o partido da rosa. De esquerda, só tem a mãozinha com que aparece nos boletins de voto.

Impressionante mesmo é a forma como, em duas semanas, a moção de censura que o PS colocou em cima da mesa deixou de fazer sentido, quando foram apresentadas outras duas, uma delas pelo PCP. Segundo o líder parlamentar Carlos Zorrinho, "as moções de censura só fazem sentido quando são para derrubar um governo". Portanto, Zorrinho acreditava mesmo que o CDS seria um partido com princípios e abdicaria dos lugares de governo. É enternecedor, mas também é de um a credulidade chocante vinda de alguém há tantos anos na vida política. 

Para o PS, o roubo de um salário só seria mau se fosse conseguido através da TSU. Uma moção de censura contra o roubo de mais de um salário através do IRS, do IMI, ficará para "análise depois de aprovado o Orçamento de Estado de 2013", segundo a eurodeputada Edite Estrela.

Sintomático do limbo em que se encontra o PS foi a sua abstenção (violenta?) nas moções. Mais; o PS doeu-se mais pela apresentação das moções do que o próprio governo. Apesar disso, nas intervenções durante a manhã de hoje, a bancada do PS teceu duras críticas ao governo. Mas depois absteve-se.

Refira-se que no texto da moção do PCP, apenas há duas referências ao PS, que passo a transcrever:

"O Governo PSD/CDS intensificou - a partir da aplicação do pacto de agressão que constitui o memorando assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira - uma violenta ofensiva contra os trabalhadores, o povo e o País, que se prepara para acentuar na proposta de Orçamento do Estado para 2013."

 (...)



"Os 36 anos de política de direita, aplicada por sucessivos Governos, mesmo depois de prometerem mudanças que nunca fizeram, levaram o País à situação em que se encontra. A aplicação do pacto de agressão - subscrito por PS, PSD e CDS com a troica, com o apoio cúmplice do Presidente da República – é o cerne da política do Governo. A rejeição do pacto de agressão, a derrota do Governo PSD/CDS são indispensáveis para abrir caminho a uma verdadeira mudança de política, que não se basta com a eliminação pontual de medidas ou com a alteração da forma como são apresentadas ou aplicadas."

Não sei se o PS pretenderia colocar-se à margem do memorando. Mas foi assinado pelo partido, pelo que qualquer referência ao mesmo obrigaria à inscrição da sua sigla. Antes não fosse assim. 

Surgiu pelo meio da confusão a reclamada e mais que justa greve geral da CGTP, à qual Proença e a sua central, UGT, disseram desde logo que não. O desemprego não lhe afecta a barriga, os baixos salários também não. O facto de os trabalhadores terem os seus rendimentos ao nível de 1999 não lhe faz confusão.

Já não espanta a mim, que vou a caminho das três décadas, deve espantar ainda menos os mais velhos e os mais atentos. Pode ser que volte a perder tempo com esta organização criminosa mais lá para a frente. Criminosa, sim, para com aqueles que tem o dever de defender.

Ficamos pois, com duas tarefas árduas, às quais já estamos habituados: combater a pressão dos patrões e a desinformação da UGT para que seja uma grande greve geral.

Uma palavra ainda para o CDS, que tenta a todo o custo passar por entre os pingos da chuva mas acabou com Paulo Portas encharcado, depois da intervenção de Honório Novo

Nós estamos a fazer história. E voltaremos a fazê-la no dia 14 de Novembro.

E só há dois lados nesta barricada. "Se o governo não ouvir os trabalhadores a bem, irá ouvir os trabalhadores a mal".

 
O nosso pai era um sindicalista,
Um dia serei também.
O patrão demitiu o meu pai,
O que vai a nossa família vai fazer?

Venham todos os trabalhadores,
temos uma boa notícia
Vou dizer-vos como o Sindicato 
está aqui de pedra e cal.

Refrão:
De que lado estás?
De que lado estás?

O meu pai era mineiro
e eu filho de mineiro sou
E estarei com o sindicato
até que todas as batalhas terminem.

Dizem que em Marlan não háneutralidade,
preferes ser um sindicalista,
ou um cão de fila para J.H Blair?

Trabalhadores, conseguem suportar isto?
Diz-me se serás um rato,
ou serás um homem?
 
Não creiam nos patrões,
Não ouçam as suas mentiras
Somos gente pobre,
não temos futuro 
se não nos organizamos.
 
 

quarta-feira, maio 11, 2011

O que esperar das eleições

Vamos outra vez para eleições, no próximo dia 5 de Junho. Desta vez, estranhamente, as habituais notícias sobre o custo das eleições surgiram logo após a demissão do Governo. Mais importante que isso, seria perceber o custo que o resultado das eleições terá para o Povo português, as implicações, o seu impacto no quotidiano de cada um de nós.

Também há os que já pedem a permanência indefinida do FMI, por considerarem que a culpa é "dos partidos", sejam eles quais forem, num argumento à Carlos Coelho. Pessoalmente, não tendo vivido os 48 anos de ditadura fascista, guardo com orgulho o património de luta do Povo português e do PCP em particular, que permitiu a conquista da democracia. E é por isso que tenho esta mania teimosa de defender o meu direito a escolher quem me representa na Assembleia da República, mediante o conhecimento dos projectos de cada um. E é isso que deixa de acontecer quando o FMI entra num país.

O que esperar, por isso, das eleições de dia 5?

Do PS, PSD e CDS espera-se a derradeira traição às conquistas de Abril, o ajuste de contas que tanto querem fazer, agora a cobro do FMI. Com pequenas diferenças entre eles, escolhem o mesmo caminho do desastre que levou a Grécia ao estado em que está - e que hoje vive mais uma greve geral, demonstrando assim a vantagem da intervenção externa. Mas há outros paralelismos entre Portugal e a Grécia. Os dois países seguiram, desde 1997, políticas de combate ao défice para cumprir metas irreais, que foram sendo alteradas ao longo dos anos, sempre para servir os interesses e a ineficácia dos países do centro da Europa, que controla as directivas da UE. Uma vezes conseguiu-se, outras não, mas sempre às custas da mesma receita: mais sacrifícios para os trabalhadores. E importa esclarecer que os desempregados também são trabalhadores, ao contrário do que às vezes se pretende fazer passar.

Entre PS e PSD, à parte do desastre Catroga e da cambalhota de Nobre, há pouco que os distinga. Programas fictícios, porque o verdadeiro foi o assinado com o FMI, à boleia do CDS, que fugiu da fotografia para continuar a capitalizar os descontentes do PSD e do PS.

O Bloco de Esquerda continua perdido no seu labirinto: entre o apoio à intervenção da NATO e a presença na manifestação contra a cimeira em Lisboa; entre o apoio à intervenção externa na Grécia e ser contra a intervenção em Portugal; entre a moção de censura que não era boa ao domingo e passou a ser fundamental na quarta-feira; entre o apoio a um candidato presidencial do PS e a rutura com as políticas do PS; entre as diversas correntes que defendem tudo e outras o seu contrário.

No entanto, o que mais me deixa curioso em relação ao Bloco é no que diz respeito às reformas laborais. Que posição assumirá o Bloco quando verificarmos que parte das medidas propostas pelo FMI são, afinal, aquelas que o bloquista Chora, o sindicalista-modelo, "conquistou" na Autoeuropa? Haverá espaço para mais cambalhotas no Bloco?

Resta a CDU, a única opção coerente e credível para quem quer dar, de vez, a volta a isto. E cabe a todos nós, militantes e activistas, fazer a nossa parte. Esclarecer o que é deturpado, mostrar o que é omitido, abrir novos horizontes a quem os últimos 35 anos de PS, PSD e CDS roubaram a esperança e as perspectivas de futuro.

Mostrar, por fim, que há alternativas. Critiquem-nas, concordem, discordem, mas conheçam-nas primeiro.


quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Quanto vale o espaço mediático?

Vale tudo.

Francisco Louçã acaba de anunciar uma moção de censura, depois de o PCP ter dito que esta seria uma possibilidade.

No entanto, no dia 6 de Fevereiro: "Sabemos que no dia em que estamos a discutir não tem qualquer utilidade prática a apresentação de uma moção de censura", disse Louçã.

Moção de censura sem «utilidade prática»

Depois das Presidenciais, o BE perdeu o norte, a vergonha e os princípios.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Esquerda a qualquer preço?

Pode, Nuno, claro que se pode mudar a esquerda. Para sermos verdadeiros e objectivos, ao longo dos anos, só a esquerda é que mudou. Na forma como aprendeu com erros - e houve alguns - ao longo da história, como avalia o mundo, como o interpreta, como pretende mudá-lo. O mesmo não pode dizer-se da direita, que mantém hoje, como ontem, os mesmos objectivos de sempre. O capital apátrida concentrado num punhado de gente e conquistado à custa dos povos e dos trabalhadores, da manipulação da verdade e da mentira.
Acredito convictamente que a esquerda há-de ser poder e veremos todos como teremos um mundo melhor, mais justo e solidário, mais fraterno e mais igual. Já não acredito, nem quero, é que o consiga a qualquer custo, sem princípios nem coerência, sem lealdade e sem objectivos claramente definidos.

A esquerda é a verdade, tem de representar a verdade e a honestidade intelectual. De outro modo, nunca será esquerda, ou sê-lo-á apenas nas páginas de jornais dedicadas a uma esquerda que vende bem. Em Portugal, nos dias de hoje, o apelo a uma união de esquerdas implicaria por si só o fim das esquerdas. Falando por mim, que jamais estaria ao lado de um projecto com alguém que tem este baixo nível intelectual ao falar da esquerda com que me identifico. Por um motivo óbvio: eu defendo o meu projecto de esquerda e não outro, é por ele que luto e que procuro mobilizar e esclarecer mais e mais gente.

Também seria necessário saber o que querem ao certo as outras esquerdas. No caso do BE, o que quer o BE? Quer a solidariedade internacionalista que até enviou o Soeiro à Grécia para acompanhar a contestação social, ou quer o apoio às medidas de austeridade para aquele país que votou na AR? O que se retira daqui? Qual é projecto para além do folclore?

E no PS quem será de esquerda? Quem haverá naquele partido que suporta o Governo que seja de esquerda e que entenda os cortes salariais, que entenda a redução na fórmula de cálculo das indemnizações por despedimento? Quem restará de esquerda e apoie um partido que, de Soares a Sócrates, desgraçou o país e fez nem mais nem menos aquilo que fariam PSD e CDS? A grande diferença, é que a esquerda tem as costas largas. E a cobro dela o PS desfez grande parte das conquistas de Abril.

A esquerda será poder quando o povo quiser ser esquerda. E não é a esquerda que tem de ser menos esquerda para que o povo assim queira. O trabalho de um militante de esquerda faz-se nas escolas, nos locais de trabalho, nos cafés e na web, com a apresentação de soluções alternativas, contra as fatalidades que nos impõem e a favor da verdade.

O problema da verdade é que, às vezes, é demasiado dura para que alguém queira ouvi-la. A esquerda, sendo a verdade, também. Mas a luta continua, sempre.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Já se acordava, não?

Depois dos vídeos surreais do Luís Fazenda, mais ali abaixo, volto às Presidenciais.

Ontem Sócrates juntou-se a Manuel Alegre em campanha. Num comício em Castelo Branco, com o candidato-poeta. Nem vou comentar muito do que se disse, apenas sublinhar estas declarações do homem apoiado pelo governo e pelo BE:

Alegre admira "coragem e determinação" de Sócrates

"Manuel Alegre manifestou ainda a sua satisfação por estar "lado a lado" com José Sócrates no comício.

"É para mim um momento de grande alegria e de grande alento ter aqui hoje o apoio claro, inequívoco, do secretário-geral do meu partido, o meu amigo e camarada José Sócrates", sublinhou.

Sobre isto, o que dirão os @derentes do Bloco? Estariam no público a aplaudir efusivamente o candidato da esquerda grande, de que tantas vezes fala Francisco Louçã? Pronto, sejamos justos, os bloquistas da FER vão contra o partido e já disseram que não votam Alegre e até apelam ao voto em branco ou em Francisco Lopes - por esta ordem. Esta cisão dentro da enorme confusão que é o BE parece ter passado ao lado da Imprensa, mas admito que pode ser uma falha minha.

Indo ao que interessa, a campanha de Alegre é pouco mais que absurda. Num dia está com Louçã, noutro está com Sócrates; num dia é um candidato que critica o governo, no dia seguinte é o candidato do governo. Se isto não surpreende no PS, no BE só surpreende os incautos, desatentos ou os que, estando atentos, fazem tudo por uns minutos de tempo de antena.

Louçã é um rato velho da política nacional. Ao contrário do que possa pensar-se, Louçã é o líder político que está há mais anos à frente de um Partido, entre PSR, BE e afins. Arrebanhou uma série de gente de grupelhos esquerdistas e foi levado ao colo pela Imprensa, numa tentativa de que viesse a roubar espaço ao PCP.

Evidentemente, tal não com aconteceu; o BE cresce eleitoralmente mas a CDU também. Depois destas Presidenciais, creio que tudo voltará ao normal dentro do BE. Remam uns para cada lado mas continuarão na moda.

Resta saber o que dirão os milhares de portugueses que votaram no BE à espera de uma suposta nova esquerda, que marcha ao lado do PS mais à direita de sempre.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Agora Escolha

Se prefere este Fazenda, ligue para o 000000*:


*"Os camaradas da Moção C inventaram até essa prodigiosa fantasia de que iríamos, eventualmente, ter um candidato às presidenciais em comum com o Governo. É caso para dizer que só contaram para vocês".

Se prefere este Fazenda, ligue para 1111111:*


*"Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda em entrevista ao esquerda.net, diz que o fórum será "um ponto de encontro e de troca de ideias" e dele sairá também um forte apelo à participação na jornada de luta de 29 de Setembro e um apoio vincado ao candidato presidencial Manuel Alegre."

Há um problema grave de seriedade, coerência e vergonha em alguns sectores da política nacional.

terça-feira, novembro 23, 2010

Fui à manif e safei-me

No sábado estive lá para os lados de Lisboa, na manif anti-NATO. Fui dos que participou ordeiramente na coisa, que, aliás, primou pelo civismo, para desagrado de alguns esquerdistas, radicais livres, ou L-Casei Imunitass, ou lá como é que se chama esta gente.
Sem o BE para dar-lhes boleia, os AdP, Activistas de Preto, optaram por desfilar sozinho, embora o Soeirinho tenha vindo depois ampará-los, não vá perder algum amigo que por lá ande ainda chateado pelo apoio bloquista ao candidato presidencial do Governo.
Sobre o que é dito no link acima, devo esclarecer o seguinte: A PAGAN e as centenas de outras organizações que a dita diz representar, não quiseram associar-se à CPPC na promoção da manif, avançando para uma própria.
Curiosamente, ou não, ao longo do texto, o Renato acusa a CGTP de não ter permitido à PAGAN integrar um desfile que a PAGAN não quis integrar. O Renato queria carros a arder, montras partidas, uma coisa assim da moda, como se vê nas televisões. E nada impedia a PAGAN de tê-lo feito, porque reparei que em Lisboa o que não falta são automóveis. E montras, senhores, ui, as montras!
Na verdade, o desfile decorreu com a normalidade possível, as duas dezenas de jovens que desceram do Liceu de Camões desfilaram onde entenderam, e não houve necessidade de recorrerem às orientações do líder do grupo que distribuía um jornal em formato "Expresso", na saída do metro do Rossio. Não foi preciso fugirem "para as ruas que atravessam a avenida, em caso de carga policial".

Mas que me intriga na PAGAN é esta simpatia pela resistência islâmica e pelas religiões. Não sei o que passou pela cabeça de quem escreveu a coisa. As religiões, sejam elas quais forem, são e sempre foram, ao longo da história, centros de estupidificação e subserviência dos Povos. Dizer que apoiam resistentes islamitas é cair num ridículo sem fundo.
Pela minha parte, apoio os movimentos de resistência populares em qualquer parte do Mundo, pela libertação dos Povos e contra todos os fundamentalismos, sejam os fundamentalistas da NATO, sejam os da Al-Qaeda. Defender o contrário é muito lindo mas é a milhares de quilómetros de distância, porque pimenta nos olhos dos outros não arde.

Indo ao que interessa, a manifestação cumpriu os seus objectivos: teve uma forte mobilização, decorreu sem incidentes que pusessem em causa a integridade física de quem pretendia manifestar-se.

Sobre a inevitável guerra de números, o Expresso resolveu a questão. Contratou um especialista em contar multidões! Fomos 8.000, segundo o especialista. Das duas, uma: ou este especialista tem tanto de especialista como eu de carpinteiro; ou a CGTP tem uma organização que apenas lhe permite mobilizar números redondos, já que na manif da Função Pública participaram apenas 10.000.

Eu, especialista em coisa nenhuma, aprecio a especialidade deste caramelo. A sério que sim.

quinta-feira, novembro 11, 2010

5Dias e uns feriados

Desde que me estreei nestas coisas da blogosfera que há blogues obrigatórios. Um deles é o 5Dias e não é de agora. Gosto dos debates que proporciona nos comentários, fui gostando do tom da maioria dos textos, mesmo não concordando com alguns, obviamente.
Há autores que acompanho invariavelmente, nomeadamente, o Nuno Ramos de Almeida, o Carlos Vidal e o Tiago Mota Saraiva.

Por afinidades políticas, certamente, dá-me especial gozo ler a sinceridade cáustica do Vidal, que vai espalhando pelos 5Dias aquilo que, às vezes, os meus camaradas têm algum receio de dizer, rompendo com o politicamente correcto.

Ao longo do tempo, o 5Dias foi-se modificando, com novos autores, e novos grafismos. Hoje está diferente. Não sei se pior ou melhor, sei que diferente. Sei que alberga agora gente que precisa, primeiro, de perceber do que fala, para não cair no ridículo do radicalismo que tanta vezes tem sido alvo - e certeiro - de outros bloggers de uma suposta esquerda moderna, que apoia o candidato do Governo numas eleições. Mas centremo-nos no que interessa, que isto das presidenciais há-de dar letra a outras postas.

Eu não conheço a Diana Dionísio, por isso vou procurar não fazer juízos de carácter sobre ela em relação a esta posta, que seria brilhante se fosse irónica, mas, nos muitos comentários que proporcionou (71 a esta hora) percebe-se que não é.

Pergunta a Diana se "Está marcada alguma concentração / manifestação para o dia 24? É que ainda não dei por isso. Alguém me pode esclarecer? Alguma estrutura dessas que tenta organizar as massas está a pensar marcar alguma coisa? Encontramo-nos nalgum lado para dar uns gritos"?

Por partes:
A esmagadora maioria das estruturas representativas dos trabalhadores já aderiu, pelo que as massas deverão estar organizadas não só para aderir à greve, como também para mobilizar e esclarecer os restantes camaradas, através das centenas de plenários e de piquetes que hão-de realizar-se por todo o país.

Não sei que noção terá a Diana do que é uma manifestação. Já fui a muitas - é uma pena não verem o meu orgulho ao dizer isto - e nunca lá fui só para dar uns gritos com a malta. Quando preciso de desanuviar, bato com a cabeça na parede, exercito umas tíbias e por aí fora. É este tipo de ligeireza quando se fala numa manifestação que não beneficia em nada o momento que vivemos. Esta tentativa de redução do verdadeiro significado de uma manifestação é precisamente o que interessa à opinião publicada. Que de cada vez que os trabalhadores, estudantes, reformados, empregados, desempregados saem à rua é para dar "uns gritos". Nunca o fiz. Nem nos meus tempos de estudante nem enquanto trabalhador. Sempre que fui a uma manifestação foi para marcar uma posição e gritar palavras de ordem a plenos pulmões. Nunca fui a uma manif por não ter algo mais interessante para fazer ou porque é giro ir a manifs.

Este esvaziamento do que representa uma manifestação, seja ela de quem for, pode colher dividendos dentro de alguns sectores, mas certamente que não contribui para o êxito das lutas de massas que hão-de vir neste e no próximo ano, seja com o PS ainda no Governo, seja com o PSD, isto se o Povo não acordar a tempo.

Sobre a manifestação em dia de Greve Geral:
Evidentemente que não há manifestação numa Greve Geral. Isso implicaria que, para transporte dos manifestantes, os trabalhadores dos transportes públicos, por exemplo, não estivessem em greve, tal como os das empresas de aluguer de autocarros ou os das bombas de gasolina ou os das estações de serviço. A bicicleta pode sempre ser um bom meio - que até é simpático para alguns autores do 5Dias - mas ir de Leça a Lisboa a pedalar ainda é um esticão.

A ideia de que uns podem trabalhar para levar os outros é tão absurda como a do jornalista que não faz greve porque alguém tem de a noticiar. É simplesmente a negação do protesto.

Uma Greve Geral é uma Greve Geral. Não é uma greve-só-um-bocadinho-geral-porque-a-malta-quer-ir-dar-uns berros.

E já agora, quando se fala nos grandes protestos de França, repare-se na quantidade deles que teve lugar precisamente nos locais onde se concentravam os piquetes. Mas não vale a pena comparar realidades distintas.

Com ou sem estas ideias iluminadas, que nada têm de novo - lá vem a doença infantil do comunismo outra vez à baila -, a Greve Geral de 24 de Novembro há-de ser um enorme êxito, assim o queiram os trabalhadores.

E um agradecimento ao Carlos Vidal por esta posta.

quinta-feira, abril 15, 2010

Outra vez Alegre

Há por este humilde espaço uma série de posts sobre Manuel Alegre, escritos ao longo da penosa e eterna campanha presidencial em que o poeta decidiu lançar-se há uns anos. Não há muito mais que possa dizer, para além de reiterar que não votarei Alegre. Aliás, mais depressa votaria em Manuel João Vieira.

Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.

Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.

Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.

Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.

quinta-feira, abril 01, 2010

Sindicalismo moderno

Há quase um ano, escrevi aqui que António Chora, sindicalista-modelo do Bloco de Esquerda, é ingénuo. Agora, é ingénuo e mais qualquer coisa. Repito: Este é o sindicalista modelo do Bloco, enfiado em reuniões secretas com administradores da Autoeuropa. A ler no Cantigueiro do Samuel.

quarta-feira, março 17, 2010

A casa dos outros

Nada tenho a ver com a vida interna do PSD, nem de outro qualquer partido que não seja o meu. No entanto, a impreparação e amadorismo dos três candidatos à liderança do PSD, mas também do restante aparelho, são anedóticas. Não é preciso ser um génio para perceber que a norma aprovada em congresso seria aproveitada politicamente pelo PS - de uma forma ainda mais absurda, levando o caso à AR.

Por isso, não deixa de ser curioso que ninguém no PSD, antes da aprovação - então uma hipótese que veio a verificar-se - se tenha lembrado de passar os olhos pelos estatutos do PS, e verificar o artigo 94.º. Não era preciso muito.

Noutra casa, noutro quadrante, decorre uma novela que passa ao lado dos media dominantes.

Logo que Alegre anunciou a candidatura à presidência, o Bloco anunciou o seu apoio. Pareceu-me, logo na altura, precipitado, mas, lá está, é na casa dos outros. Mais recentemente, Nobre apresentou também a sua candidatura, que agradou a muita gente do BE. Agora, um grupo de militantes pretende uma convenção extraordinária- um congresso, para quem não sabe - para rever a questão.

A direcção do Bloco - não sei se chama assim, mas não me apetece pesquisar o termo - ter-se-à pronunciado sobre a iniciativa, num comunicado que não encontro no site, que até já mereceu uma reacção contrária de um dos movimentos que esteve na origem do BE. O dono da blogosfera oficial bloquista já se pronunciou e faz de porta-voz da defesa da direcção. O link para o Arrastão surge apenas para que se perceba a história, tendo em conta a ausência de notícias. Ressalvo que deixei de visitar Arrastão aquando das mentiras que o dono do blog escreveu e jamais desmentiu.

O que aqui me preocupa não é a vida interna do Bloco. É antes o total silenciamento que esta questão está a merecer por parte da comunicação social. A única referência que vi surgiu numa breve do JN no sábado passado.

Na véspera de um dos actos eleitorais do ano passado, o Público divulgou uma notícia, que já não me lembro se foi manchete, mas que deu uma página inteira, com o abandono de um(!) militante do PCP, que, curiosamente, como veio a ser reconhecido, já estava longe política e ideologicamente do Partido. Qual é o critério da informação?

Esta não é uma questão menor. O BE tem cerca de 7.000 militantes e parece-me que são muito poucos para que esta divisão continue a passar ao lado de toda a imprensa. Se fosse num Partido que eu cá sei, a questão merecia outro tratamento, e é esse tratamento o objecto deste post.

terça-feira, outubro 06, 2009

Mais valia uma sondagem...

O programa da CDU para Matosinhos já está online no site há alguns dias e mereceu uma análise do Eugénio Queirós, no seu O Porto de Leixões. O blogger que mais sondagens publica por byte quadrado decidiu folhear o programa e apresenta, como primeira conclusão, uma alegada obsessão pelo BE.

Ora, parece que há a ideia geral de que pode criticar-se tudo e todos, menos o BE, que são uma espécie de vacas sagradas da política. E eu, pouco dado às coisas sagradas, repito o que já há uns tempos aqui escrevi, mais coisa menos coisa. O BE vive, a nível autárquico, da projecção que tem a nível nacional e da simpatia que goza pelos media em geral. Ou de que gozou até há bem pouco tempo, quando os mesmos que o levaram ao colo perceberam que a génese do BE, que seria acabar com a CDU e com o PCP, acabou por retirar votos ao PS; afinal, a CDU continua a crescer. A manchete do Expresso no fim-de-semana antes das legislativas é bem um exemplo disso mesmo. Uma manchete descabida, mas que ilustra bem o tiro saído pela culatra dos que colocaram o BE nos píncaros.

Mais especificamente em Leça da Palmeira, o BE esteve apresente apenas em 6 das Assembleias de Freguesia realizadas ao longo dos quatro anos de mandato. Será um detalhe, talvez, mas acho que os eleitores deviam ter consciência disso mesmo. E é uma pena que os jornais cá do burgo não façam um levantamento da assiduidade de cada um dos eleitos.

quinta-feira, junho 04, 2009

Tao amigos que eles são

Foi enternecedor ver a convergência entre o PS e o BE no programa Pontos de Vista, da RTPN*, de dia 23 de Março.

No debate, João Avelino, cabeça de lista da CDU à Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, fala sobre as eleições europeias e o trabalho levado a cabo pelos eleitos Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro. Resultados que, mesmo baralhados por uma edição do Expresso de há umas semanas, colocam os dois eurodeputados entre os que mais trabalharam.
João Avelino diz, e não poderia não o fazer, que, curiosamente, Francisco Assis - também no debate - é dos eurodeputados que menos trabalhou. Assis ficou ofendido e relativizou os números da actividade, secundado por - ó surpresa das surpresas - Alda Macedo, do BE.
Os dois entendem que é uma mera análise quantitativa. Resumindo, para PS e BE o trabalho dos eurodeputados não se mede pelas intervenções, relatórios e interpelações.

Mas então, mede-se por onde? Pelas entrevistas, textos em blogues, artigos de opinião? Qual é o critério para que os eleitores possam avaliar o trabalho e a competência daqueles que elegeram?

*Ver a partir dos 12,30 minutos

quarta-feira, junho 03, 2009

Opções. São mesmo.

Encontrei esta pérola no http://rupturavizela.blogs.sapo.pt/ que só pode ser para rir. Vinda de um bloquista, claro. Leia-se:


Comentando declarações da Ilda Figueiredo: "Queremos mais Deputados para a defesa dos interesses do nosso País. E os interesses dos trabalhadores espanhois, franceses, italianos, gregos...?" (sic)

Portanto, ficamos a saber que o BE não se candidata às eleições europeias para defender os interesses do país. Estranho não ter visto ainda o Miguel Portas a fazer campanha em Espanha, França, Itália e Grécia.

quinta-feira, maio 21, 2009

Agora, Chora!

Mais vale tarde que nunca. O sindicalista-modelo do BE descobriu ontem que os patrões - administradores é mais fashion - da Autoeuropa estavam de má-fé no processo negocial com os trabalhadores - colaboradores. Depois de, nos últimos anos, ter passado o tempo a assinar de letra tudo o que era determinação dos donos da empresa para flexibilizar direitos e remunerações, o sindicalista parece que teve uma viragem qualquer, positiva, diga-se.
Como é evidente, os tempos de crise favorecem a exploração dos assalariados por parte de quem possui os meios de produção. E as cedências dos assalariados perante os desígnios do patronato não são mais do que negar a luta de classes, na medida em que os interesses das duas camadas são bem diferentes.
A Comissão de Trabalhadores (CT), liderada pelo António Chora, cedeu em todas as frentes, com uma ingenuidade que já não se usa, depois do que nos ensina a história do sindicalismo e das lutas dos trabalhadores. Aliás, a CT demonstrou ontem mesmo ser mais papista que o Papa, dizendo que os patrões não disseram aquilo que, passados dois minutos, disseram através de uma carta enviada a todos os trabalhadores.
A lição está dada. O capital não perdoa deslizes. Quando os trabalhadores cedem, a exploração avança. Seja a cobro da crise, da deslocalização ou da lei da oferta e da procura. Humanizar o capitalismo é o mesmo que humanizar uma pedra. Podemos esculpi-la de maneira a ganhar forma humana, mas continuará a ser isso mesmo: uma pedra. Mantendo todas as características que a fazem ser o que é.

terça-feira, maio 05, 2009

1.º de Maio - Lisboa - Ontem sim, hoje sim. Mesmo sabendo que é mentira. V

A ver se ficamos por aqui:



Se, num dia, o DO consegue atribuir ao PCP a responsabilidade por actos de algumas pessoas numa manifestação, uns dias depois tem - ou não - espinha para escrever o seguinte, num comentário a um comentário:

"ou então há pessoas que, com mais facilidade do que outras, fazem papel de bufos. Por mim, como já disse, reconheci mais algumas pessoas nas imagens. E isso fica para mim. Aprendi (por acaso numa familia comunista) que a bofaria é coisa feia. Mesmo que dê jeito. Ou sobretudo quando dá jeito".



Podemos então concluir que o Daniel Oliveira, ao reconhecer algumas pessoas nas imagens, ter-lhe-ão escapado pelo menos duas. Curiosamente duas do seu partido. Não vamos brincar aos ingénuos. Não vamos ver quem é que desconversa mais. Eu acredito que os protagonistas dos incidentes com o Vital Moreira tinham várias sensibilidades políticas. Mas, ao contrário do DO, eu não imputo responsabilidade a qualquer Partido, nem aproveito para dar mais uma malha no Bloco.

Se identificou várias pessoas nos incidentes, então, foi faccioso na análise de um acontecimento que sabia à partida que incluiu membros do seu próprio partido, mas omitiu-o.

Não consigo compreender - ou se calhar até consigo - é este modo de estar na política, cada vez mais ao estilo do ministro malhante, de cada vez que se trata de qualquer questão relacionada com o PCP. Ou não relacionada, como é o caso.

segunda-feira, maio 04, 2009

1.º de Maio - Lisboa - Não se deve mijar contra o vento IV

As supostas agressões físicas - que ninguém viu - a Vital Moreira deram, e estão a dar, pano para mangas na blogosfera. Logo durante a tarde, as rádios, tv's e jornais online avançavam que o candidato do PS atribuía, implicitamente, responsabilidades ao PCP pelo sucedido.


Síndrome Manuel Alegre
Não está em causa, obviamente, o direito de Vital Moreira participar numa manifestação da CGTP. Logo ele, que até "comemorava o 1.º de Maio clandestinamente". Pessoalmente, acho que seria bem mais interessante o candidato revelar em quantas comemorações do 1.º de Maio participou nos últimos 20 anos, mais especificamente, ao lado da CGTP.

O PCP, as costas largas, e o título desta posta
Queria o candidato, e aquela esquerda mais fashion, que o PCP pedisse desculpa pelos actos isolados de alguns manifestantes. Vindo do candidato, não me espanta. Mas confesso que fui surpreendido por aquele pessoal que até é adepto da desobediência civil e dos Verdes Eufémais. Escreveu o DO, na arrastadeira do costume: "Na verdade, este tipo de comportamento, apesar de ser isolado (não foram os manifestantes, mas apenas alguns deles, que agrediram Vital Moreira), corresponde a um ambiente cada vez mais crispado com tudo o que não seja PCP e se atreva a participar em manifestações que, recorde-se, não são do PCP. E ele é alimentado por esta direcção do partido, a mais sectária que o PCP teve desde o 25 de Abril. Não é por acaso que o insulto que Vital Moreira mais ouviu foi o de “traidor”."

Foi uma posta quentinha, escrita logo no próprio dia. Não deixa de ser impressionante como DO, mesmo tendo estado na manif, conseguiu identificar os intervenientes como ligados ao PCP. E o sempre atento Pedro Vieira até dedica um rabisco ao sucedido.

Mas, afinal, parece que dos manifestantes que o DO conseguiu identificar como ligados ao PCP, escapou-lhe um, por acaso dirigente partidário e por acaso do BE. O (a?) Salvo Conduto notou, e bem, que um dos que chamou "traidor" - o tal insulto mais ouvido - a Vital Moreira foi, curiosamente, esse dirigente, um rapaz bem parecido, loirinho e tudo, como mostra a RTP. Parece que se move lá para os lados de Coimbra.

Vale tudo. Venha do PS ou do BE, o que importa é malhar. Só que às vezes, nos intervalos dos malhanços, dá.nos aquela vontade enorme de aliviar a bexiga. Por aqui, recomendo que se evite fazê-lo contra o vento...

Nota: Às 18h00 de hoje, o rabisco continua online.

1.º de Maio - Porto - O PCP a dividir os trabalhadores II

Antes de mais, devo dizer que este deve ter sido a maior desfile do 1.º de Maio em que participei. Muita gente, mesmo. Bonito de ver os Aliados pintados de protesto, luta e confiança. À parte disso, mais ou menos uma hora antes chegou um grupo de supostos precários, vindos de uma outra manifestação/concentração organizada pelos próprios. Fizeram o seu próprio circo, devidamente afastados dos restantes participantes no desfile, organizado pela União de Sindicatos do Porto.

Quando se aproximava o início da marcha, os jovens colocaram-se na cauda da manif, por trás da faixa do BE. Diga-se que o BE continua a ser o único partido que utiliza o Dia do Trabalhador para distribuir propaganda partidária, sendo, ao mesmo tempo, o único que se apresenta com uma faixa com o logo do boneco vermelho.

Ora, como, hoje em dia, há a necessidade legal de, quando se convocam manifestações, haver responsáveis que, em caso de desacatos são responsabilizados, a organização é cada vez mais fundamental nestas situações.

Mesmo assim, os jovens precários e o precário Soeiro quiseram desfilar e fizeram-no, atrás da faixa do Bloco, apenas não tendo sido permitido a entrada no desfile de um carro de som. Esse mesmo carro, que antes havia pensado na hipótese de deslocar-se para a Rua de Ceuta e, de lá, furar para integrar o desfile, chegou mesmo a avançar contra um dos elementos da organização, devidamente identificado. O incidente agradou a alguns dirigentes bloquistas, que davam ordens a um jovem para que filmasse tudo, "mas de forma natural".

Assim foi o 1.º de Maio no Porto, para este grupo de jovens precários, que, pelos vistos, não se identifica com os trabalhadores - não se consideram tal - nem se vê representado nos sindicatos. Por isso, não deixa de ser curioso que um dirigente bloquista tenha ostentado o pin da CGTP, para legitimar a sua presença no desfile - como se ser sindicalizado fosse condição obrigatória para integrar o desfile do 1.º de Maio.

Afinal, quem divide os trabalhadores?

1.º de Maio - Porto - O maygay? I

Não sei muito bem o que dizer do MayDay no Porto. Meia centena de jovens, devidamente enquadrados pelo ex-deputado Soeiro, do BE. O cartaz que fez vista: "Sou bicha mas sei trabalhar". Sobre qual a mensagem precária que pretende passar, fica a dúvida...