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quinta-feira, julho 14, 2011

A culpa é nossa

Diz que é moda malhar na Moody's. Não há dia que não surja um novo vídeo com lixo para a Moody's. Estamos confortavelmente indignados com a Moody's; até crashamos o site deles sem precisar de sair das cadeiras. Foi uma iniciativa inédita, ao que parece lançada por um assessor da TAP, cuja indignação é de classe. Não há notícia de ataques ao site da Groundforce quando foram despedidas centenas de trabalhadores.
Somos tão patriotas quando nos dizem que somos lixo. É aquele orgulho saloio, que surgiu de repente quando percebemos que uma agência faz aquilo que sempre fez: especula. E a gigantesca campanha mediática contra esta agência em particular foi tão bem alimentada, que até o jornal i lançou uma petição dizendo que "A Europa não é um lixo", apoiada pelos líderes da JS e JSD.
Enquanto estávamos entretidos com este circo, surgiam outras ideias mais ou menos pioneiras, como a criação de uma agência de rating europeia. Pessoalmente, acho brilhante. Criticamos as agências de rating dos EUA para criarmos uma europeia, para que possamos, em vez de trash, ser considerados rubish. Pessoalmente, agrada-me, é verdade, que tenho um fascínio pelo british english. Portanto, não se muda o sistema, não se combate a especulação. Não, o que é preciso é que sejamos considerados lixo por alguém que nos seja um bocadinho próximo.

A nossa indignação é tão selectiva que até nos esquecemos, ou há quem nos queira fazer esquecer, o que diziam, até há umas semanas, gente do PS, PSD e CDS sobre as agências. Recordemos que a necessidade dos sucessivos PEC's era equilibrar as contas públicas para não assustar os mercados. A título de exemplo, o ministro Vespa, Pedro Mota Soares, dizia, a 13 de Julho de 2010, que "é um erro desconsiderar o que as agências nos vão dizendo". Menos de um ano depois, a 6 de Julho de 2011, o deputado do CDS, Nuno Magalhães, afirmava: As agências, sublinhou, "falharam" na notação que atribuíram "nas vésperas" da "crise internacional que começou nos Estados Unidos há cerca de três anos e meio".

Já pouca gente se lembra do FMI e do que significa a sua entrada para o país, a perda de soberania, a mesma que defendemos quando fomos considerados lixo. Por falar em FMI, que chegou à Grécia com tanto sucesso - Grécia: défice sobe 28% no primeiro semestre - a instituição segue à letra a ideia instituída de que os melhores gestores têm de ser melhor remunerados, aumentando o salário da nova presidente em 11% em relação ao que ganhava o inocente DSK. Mais quase meio milhão de dólares por ano, ou pentelhos, como diria Catroga.

Até Trichet passou de demónio a anjo, quando criticou a decisão da Moody's. No mesmo dia em que subiu as taxas de juro que farão aumentar as prestações dos créditos. Mas isso nem importa muito. Não podemos é ser lixo.

Vejamos que a crise é tão grande, que até os mais ricos estão mais ricos do que estavam em 2008, coitados. E aqui sim, a culpa é mesmo nossa. Para proteger esta gente de eventuais reacções populares que impliquem levantar as nádegas das cadeiras, hoje mesmo, Helena Matos, no Público, inicia o ataque aos sindicatos, realçando que Carvalho da Silva Está na CGTP desde 1986. Não lhe merece qualquer comentário que o poder económico - e cada vez mais por inerência, também o político - volte a estar nas mãos daqueles que, durante 48 anos e até 1974, exploraram milhões de portugueses. É a ofensiva de classe no seu esplendor. A culpa é nossa e é dos sindicatos. 

Enquanto a nossa indignação se vira para a Moody's, PSD e CDS, com uma ajudinha do PS, vão explicando a forma como vão roubar parte dos subsídio de Natal, sem mexer nas acções e nos juros. A riqueza financeira é então mais protegida do que a riqueza gerada pelo trabalho. Que se lixem as pessoas. O que é preciso é dar sinais aos mercados.

Felizmente, a icar já se pronunciou, dizendo que o corte no subsídio de Natal - note-se a ironia da coisa - é uma medida equilibrada.

E de quem é a culpa de tudo isto? É nossa. Que gastamos mais do que temos. Não é da desregulação do sistema financeiro, não é dos sucessivos retrocessos sociais que vivemos desde a Revolução de Abril. Não. É nossa. (E da Moody's).

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Carta a Hamad bin Khalifa, Emir do Qatar.

Caro senhor Khalifa:

Escrevo-lhe a partir de Leça da Palmeira para dar-lhe os parabéns pela escolha do Qatar para organizar o Mundial de 2022. Saúdo particularmente o facto de a generalidade da Imprensa não ter condenado a atribuição de tal evento a um país como o que V. Ex.ª tão democraticamente dirige, ao contrário do que aconteceu com os Jogos Olímpicos na China. Mas certamente que nos dez anos que nos separam do evento contará com uma onda de indignação patrocinada pela Amnistia Internacional, até agora tão sossegada.

Certamente que o facto de o país de V. Ex.ª ter petróleo e gás natural até dar c'um pau é mera coincidência, mesmo estando nós a falar de um país onde não há leis, para além da Lei de V. Ex.ª, regendo-se por uma Constituição provisória desde 1970, onde não são permitidos partidos políticos ou eleições. Confesso que me faz um bocadinho de espécie V. Ex.ª não permitir o amor através do rabinho, mesmo entre adultos e por mútuo consentimento. O amor não deve ser condicionado, seja sob que forma for.

Caro Khalifa, pá - vamos tornar isto um bocadinho mais pessoal, seu democrata -, apesar de seres dono e senhor de um país que está um bocadinho acima do Irão no Índice Democrático, safas-te por seres mais aberto que os vizinhos da Arábia Saudita. Ainda por cima não fazes parte do Eixo do Mal, seu sortudo, mesmo patrocinando o Hamas em 50 milhões de dólares.

Digo-te já que se não alterares aquela lei que controla o acesso ao álcool vais ter sérios problemas com os amantes do futebol. Isto para não falar no mulherio que por lá andará a pecar como se não houvesse amanhã. Por falar nisso, acho que devias reconsiderar a construção do Estádio Al-Khor, que tem a forma de, vá lá, uma pombinha. Ou de uma vagina, pronto, esse ponto do pecado que as mulheres transportam de um lado para o outro como se fosse delas.

Sei que vais construir 12 novos estádios e foi esse motivo que me levou a escrever-te. Temos em Portugal cinco estádios semi-novos que podes levar para a tua terrinha. Coimbra, Leiria, Faro, Bessa, Aveiro estão praticamente novos e por utilizar. Deste modo, pouparias umas esmolas com o pessoal que vai para o teu país com promessas de enormes salários mas que chega aí e é xulado à força toda.

Posto isto, tens sorte em não ser chinês e em não te afirmares comunista. Não procurei fotos tuas mas terás certamente uns lindos olhos, para que ainda, e apesar de tudo isto, não tenhas sido crucificado na praça pública. Crucificado sem ofensa, claro.

Fico a aguardar resposta ASAP.

Teu,

RMS

terça-feira, novembro 23, 2010

Fui à manif e safei-me

No sábado estive lá para os lados de Lisboa, na manif anti-NATO. Fui dos que participou ordeiramente na coisa, que, aliás, primou pelo civismo, para desagrado de alguns esquerdistas, radicais livres, ou L-Casei Imunitass, ou lá como é que se chama esta gente.
Sem o BE para dar-lhes boleia, os AdP, Activistas de Preto, optaram por desfilar sozinho, embora o Soeirinho tenha vindo depois ampará-los, não vá perder algum amigo que por lá ande ainda chateado pelo apoio bloquista ao candidato presidencial do Governo.
Sobre o que é dito no link acima, devo esclarecer o seguinte: A PAGAN e as centenas de outras organizações que a dita diz representar, não quiseram associar-se à CPPC na promoção da manif, avançando para uma própria.
Curiosamente, ou não, ao longo do texto, o Renato acusa a CGTP de não ter permitido à PAGAN integrar um desfile que a PAGAN não quis integrar. O Renato queria carros a arder, montras partidas, uma coisa assim da moda, como se vê nas televisões. E nada impedia a PAGAN de tê-lo feito, porque reparei que em Lisboa o que não falta são automóveis. E montras, senhores, ui, as montras!
Na verdade, o desfile decorreu com a normalidade possível, as duas dezenas de jovens que desceram do Liceu de Camões desfilaram onde entenderam, e não houve necessidade de recorrerem às orientações do líder do grupo que distribuía um jornal em formato "Expresso", na saída do metro do Rossio. Não foi preciso fugirem "para as ruas que atravessam a avenida, em caso de carga policial".

Mas que me intriga na PAGAN é esta simpatia pela resistência islâmica e pelas religiões. Não sei o que passou pela cabeça de quem escreveu a coisa. As religiões, sejam elas quais forem, são e sempre foram, ao longo da história, centros de estupidificação e subserviência dos Povos. Dizer que apoiam resistentes islamitas é cair num ridículo sem fundo.
Pela minha parte, apoio os movimentos de resistência populares em qualquer parte do Mundo, pela libertação dos Povos e contra todos os fundamentalismos, sejam os fundamentalistas da NATO, sejam os da Al-Qaeda. Defender o contrário é muito lindo mas é a milhares de quilómetros de distância, porque pimenta nos olhos dos outros não arde.

Indo ao que interessa, a manifestação cumpriu os seus objectivos: teve uma forte mobilização, decorreu sem incidentes que pusessem em causa a integridade física de quem pretendia manifestar-se.

Sobre a inevitável guerra de números, o Expresso resolveu a questão. Contratou um especialista em contar multidões! Fomos 8.000, segundo o especialista. Das duas, uma: ou este especialista tem tanto de especialista como eu de carpinteiro; ou a CGTP tem uma organização que apenas lhe permite mobilizar números redondos, já que na manif da Função Pública participaram apenas 10.000.

Eu, especialista em coisa nenhuma, aprecio a especialidade deste caramelo. A sério que sim.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Começou a campanha

Não é, ainda, a das presidenciais. Apesar de o eterno candidato Alegre - preso pela PIDE, blá, blá, blá - ter já vindo denunciar as bandeirinhas que Cavaco emprestou aos miúdos. Não se sabe se são os mesmos miúdos de escolas que foram beijar a mãe ao Pai-Sócrates nas distribuições do Magalhães, quando Alegre era ainda deputado eleito pelo partido que apoiava e apoia o Governo. Aliás, reza a história que, nesse tempo, o recurso era mais elaborado, com a contratação de figurantes.

A campanha que já começou foi outra. Depois de quatro anos de forte ataque aos funcionários públicos, esse exército de malandros pago a peso de ouro, que nada em direitos e se afoga em benefícios, o alvo passou a ser aqueles malandros dos desempregados. Esse bando de mandriões inúteis que nada quer fazer.

Há dias, na RTP1, em horário pós-Jornal da Noite, um empresário dos têxteis, coitado, queixava-se de não ter pessoas para trabalhar, quando lhes oferecia o valor astronómico de 475 euros mensais. Uma fortuna, nos dias que correm. Infelizmente, o empresário nunca disse quais os seus rendimentos, nem qual a parte da mais-valia criada revertia para quem produz o valor.

Simultaneamente, vêm ideias peregrinas de colocar os desempregados a limpar matas, como se o subsídio de desemprego não fosse a forma de o Estado assegurar a sobrevivência daqueles que perderam o emprego; como se estar desempregado fosse uma regalia social, que merece a pena de trabalhar a troco do que descontou.

Esta campanha mediática de diabolização dos desempregados é só mais uma forma de dividir a sociedade. Atacar os desempregados sem abordar as causas do desemprego. Serve o Governo e serve o poder económico, que, a par do Estado, vai instituindo a precariedade como verdade absoluta e inalienável do progresso.

O desemprego é um drama, não é uma opção. E não são os desempregados que têm de pedir desculpa por estarem na situação em que estão. É a sociedade que deve pedir-lhes desculpa por continuar a acreditar neste modelo económico.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Zombies em tempo de vampiros

Acordar vivo deve ser das melhores sensações que se tem. Continuar vivo ao ler aos jornais, nem sempre. Seja pelas notícias, seja pelas opiniões, quase invariavelmente as mesmas, com caras diferentes.

Hoje, chegou a mostarda ao nariz da jornalista Câncio, o que não é fácil, diga-se. Sem entrar em piadas fáceis - tipo, a Fernanda cância-me - a jornalista puxa dos galões de grande repórter e assume todo o seu ódio ao PCP, num artigo repleto de preconceito, mentiras e deturpações. Nada de novo, portanto, até porque é a própria que o assume no texto.

Assumindo a defesa das chefias das redacções, revela que os seus superiores não cortam os seus textos. Tem sorte. E nós cheios de azar. Não lhe passa pela cabeça denunciar, por exemplo, a precariedade reinante no meio onde trabalha. Não, porque o mundo visto a partir dos saltos altos da senhora tem outra perspectiva. Tão grave como isso, é afirmar claramente que há, nas redacções, um preconceito em relação ao PCP por parte dos seus - dela - camaradas* de redacção. Assume-se a voz de toda uma classe e revela que os jornalistas têm reservas em dar notícias sobre a actividade de um partido eleito na AR por terem espaço a mais nas páginas, dado que "não o levam a sério". Assim, sem perceber - o que não é fácil, já que sabe tudo sobre tudo -, Câncio confirma tudo o que nega no primeiro parágrafo.

É desta coerência que é feita a massa media que suporta o governo Socrático. Acusa o Partido com mais vitalidade e capacidade de mobilização de ser um zombie, exactamente no mesmo dia em que um dirigente do PS acusou outro de aliciamento, num exemplo de como se passam as coisas nos corredores do poder.

Estes não são zombies, são vampiros.

E eu, ingénuo, certamente, prefiro ser zombie toda a vida do que vampiro por um dia.

*Camaradas de redacção era a designação usada entre jornalistas, pelo menos há 10 anos, quando pela primeira vez entrei numa redacção. Agora, em alguns jornais devem ser quiduxos de redacção, ou coisa parecida.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Quando for grande quero ter espaço

Quando for grande quero ser bombeiro, polícia, médico, futebolista. Era assim, pelo menos no meu tempo e, com ele, tudo muda. A ideia que tenho é que já não há profissões. Há formação focalizada em determinadas áreas, mas já ninguém é coisa alguma, excepção feita a uma elite que preenche jornais, rádios e televisões.

Esses são tudo e mais alguma coisa. Ganharam até o estatuto de especialistas. Há especialistas em futebol, economia, finanças, médio oriente, avançado oriente, extremo oriente, direito, torto, inclinado e tudo o mais que possa imaginar-se. São precisamente estes senhores e senhoras que roubam espaço à notícia.

Os dias de hoje querem fazer crer que já não precisamos de pensar, porque temos quem pense por nós. Não me refiro a programas específicos de opinião, legítimos, pois claro, mesmo quando a opinião é a mesma por palavras diferentes. Refiro-me ao espaço da notícia, que é cada vez menor, para ceder o lugar a tudo o que é especialista. De há uns anos a esta parte, os media encheram-se com opinião; mais grave ainda: com a mesma opinião. E a notícia, a reportagem, a proximidade entre consumidores de informação e o dever de informar - não dos jornalistas, mas dos órgãos - foi-se perdendo no meio de vaidades e interesses que valem os 15 minutos de fama ou os 2cmx2cm de foto na folha do jornal, com os devidos títulos honoríficos no final da prosa.

E nós, a massa bruta, engolimos a sabedoria que os "sotôres" nos servem de bandeja, porque pensar está fora de moda. Aliás, pensar sempre foi um perigo. Desde sempre que pensar pode ser sinónimo de perceber. E perceber pode ser das coisas mais perigosas que há.

segunda-feira, julho 05, 2010

Linda Lovelace, desta vez em forma de manchete

Passou de moda a discussão sobre a liberdade dos media e a manipulação a que estão sujeitos. Temos férias, Verão, crimes e a comissão de inquérito ao caso PT-TVI deu em coisa nenhuma. Continuo a defender que o que sempre esteve em causa não é a liberdade de expressão, mas antes as liberdades de informar e de ser informado.
Hoje, o Público faz manchete com os nossos empresários, coitadinhos, que não aproveitam as facilidades do código laboral para despedir. O Público ajuda estes inocentes uma semana depois de Portugal ficar a conhecer uma taxa de desemprego - oficial - que está perto dos 11%. Sem contar com os milhares que vão desaparecendo dos ficheiros do IEFP.
Esta notícia do Público é tudo menos inocente - em época de crise, a flexibilização laboral vem sempre à baila - e o futuro provará que este tipo de peças encomendadas renderá cada vez menos dividendos aos media mainstream. Porque se há uns anos era preciso ir ao arquivo em papel para encontrar o Teixeira dos Santos a dizer o mesmo, hoje basta um clique, ou dois, pronto, do novo menino d'oiro da Comunicação Social, Pedro Passos-Coelho.

Não sou dos que defende que a era dos computadores acabará com os jornais diários em papel - dizia-se o mesmo sobre os gratuitos e ainda na semana passada fechou um. Terão sempre um leitor, pelo menos, que sou eu. Que gosto de os sentir e de os cheirar. Mas terão de defender a sua credibilidade. E os meios de informação alternativos, sejam sites, blogues ou redes sociais ajudam a desmontar agendas e interesses mais ou menos escondidos que só enganam os incautos. A minha geração, como as que se seguirão, só não será mais e melhor informada se não quiser. E os jornais têm de estar cada vez mais atentos a isto.

Há, no entanto, um lado positivo: A manchete de hoje, no Público, não descredibiliza o jornalismo, antes pelo contrário ajuda a distinguir o que é informação daquilo que, há uns anos, se chamava broche.

terça-feira, abril 06, 2010

Eu também estou solidário, Mexia

Fico sempre comovido quando alguém sai em defesa dos fracos e oprimidos. Hoje foi a vez do Paulo Ferreira, no Jornal de Notícias. O jornalista sai em defesa do pobrezinho do António Mexia, que vai receber um prémio de apenas 3,1 milhões de euros. O Paulo Ferreira não quer que os ricos paguem a crise e eu discordo. Por uma vez, só uma, acho que deviam, pelo menos, ajudar a pagá-la.

Para o Paulo Ferreira, a contestação ao prémio do Mexia é fruto da "inveja social", que considera ser "uma atávica característica dos portugueses". E quem fala assim, não só não é gago, como só pode ser estrangeiro. Claro que nunca é fácil criticar (algumas) figuras públicas, por isso, o autor esclarece que não é a inveja que move "move Seguro, Amaral, Neto e muitos dos que com eles concordam". Ficamos então sem perceber onde entra a inveja: Se nos portugueses todos ou apenas nos portugueses que não são ex-ministros, administradores ou ex-administradores.

O suprema explicação para o prémio de gestores como Mexia vem na conclusão, que por acaso é óbvia desde a primeira linha do artigo: "Portugal precisa como de pão para a boca é mesmo de gente com mérito e capacidade de trabalho". Deixo claro que concordo com o princípio. Portugal precisa de gente com mérito e capacidade de trabalho, mas não apenas de gestores e administradores com mérito e capacidade de trabalho.

O Paulo Ferreira, acérrimo críticos de direitos laborais consagrados na Constituição, devia lembrar-se que há gente com mérito e capacidade de trabalho fora dos gabinetes dos administradores, empregados e assalariados que todos os dias dão o seu melhor e o prémio que recebem é, na maioria das vezes, o salário mínimo.

Mas pode o Paulo Ferreira ficar descansado, que Mexia receberá a remuneração justa, apesar das críticas. Hoje mesmo, a EDP anunciou que "António Mexia vê reduzido o prémio anual de 100% para 80% do salário, mas terá um bónus no final do mandato, em 2011, de cerca de 120% do salário fixo."

Está feita justiça.

PS: Dou de barato que o Paulo Ferreira duvide dos lucros astronómicos da banca. Afinal, o "astronómico" é subjectivo. Mas podia ser intelectualmente honesto e lembrar-se dos benefícios fiscais obscenos, insultuosos e injustificados daquele sector.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ridículo

Não me ocorre outra palavra. O que se passou na audição do Mário Crespo na Assembleia da República foi dos episódios mais absurdos de que há memória. Sim, incluindo os corninhos do Manuel Pinho.
Mário Crespo conseguiu, em pouco tempo, dar os maiores argumentos aos seus detractores, expondo-se ao ridículo de fomentar o circo em torno de um assunto que até poderia ser sério.
O espectáculo da distribuição das fotocópias, antes da divulgação sórdida da t-shirt com que dorme, a par da exibição desta, conseguiu desviar as atenções do essencial para o acessório. Objectivamente, acredito que o Mário Crespo é provido de inteligência, é jornalista e tem obrigação de saber que até podia ter dito as coisas mais relevantes do Mundo - e não o fez - que passariam para segundo plano.
Distribuir fotocópias com uma crónica editada em livro, batida e que toda a gente conhece porque afirma não ter um jornal para publicá-la é absurdo. Há centenas de jovens jornalistas desempregados que não têm onde publicar o que escrevem. Alguns fazem-nos em blogues e é o meu conselho para Mário Crespo. Fica mais barato e é mais ecológico.
A autocomparação ao jornal Avante! - que comemorou na passada segunda-feira 79 anos de vida, a maioria em ditadura - é um exercício populista e insultuoso para com os muitos milhares que foram presos pela PIDE pelo simples facto de lerem um jornal. Mário Crespo distribuiu fotocópias de algo que toda a gente conhece na casa da Democracia, por deus! - diria eu, se fosse crente. Dá para perceber a imbecilidade da coisa?
Não é para ir ao Snob "dizer mal dos políticos e dos colegas" que os jornalistas precisam de ser bem pagos, ou pagos sequer. É mesmo para que possam informar com rigor e isenção, para que não passem recibos verdes e possam ter os direitos laborais consagrados na lei. É só para que se cumpra a legalidade.
Nem colocar em causa os Conselho de Redacção porque o do JN não lhe deu razão, dizendo que "são facilmente manipuláveis", é ético ou demonstra, sequer, solidariedade com aqueles que Mário Crespo possivelmente achará que defendeu.
A vaidade tem limites. E quando não é sustentada em factos é absurda. O que se passa no país é demasiado grave há demasiado tempo (ver post abaixo), mas Mário Crespo não é certamente exemplo disso.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal, enganei-me

Pronto, passou uma semana após o acordo entre professores e Governo. Uma semana parece-me tempo mais que suficiente para que tudo o que se disse durante todo o processo seja pesado e avaliado. De todos os ataques miseráveis aos sindicatos e sindicalistas, com o endeusamento de uma ministra que nem o PS quis, como se viu, recordo-me de alguém que se fartou de malhar nos sindicatos e no Mário Nogueira.
O director da TSF, Paulo Baldaia, caiu no ridículo de ser mais socratista que Sócrates e, depois do que disse na rádio que dirige, na Sic Notícias, na RTPN e no JN, esqueceu-se de tudo como se nada tivesse dito. O artigo de opinião "Nogueira com sabor a eucalipto", publicado no auge da luta dos professores - que desapareceu, por mistério, do site do JN -, não era mais que um ataque pessoal ao secretário-geral da FENPROF.
O acordo da passada semana provou que, afinal, o defeito não estava nos sindicalistas, mas sim na intransigência de uma ministra sem as mínimas condições para estar na política, muito menos num Governo - mas que lá arranjou um job foir the girl na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Provou ainda que vale sempre a pena lutar, quando a luta é justa.
Voltando ao que interessa; como o acordo foi conseguido há uma semana e o director da TSF escreve aos sábados no JN, achei que o assunto do texto, seria, obviamente, sobre uma matéria que defendeu com tanto afinco. Assim, quando abri o jornal, no sábado, e li o título desta crónica, "Afinal, enganei-me", fiquei contente. Nem tudo estaria perdido.
Mas sou um ingénuo. Admito-o sem problemas. Afinal, eu também me enganei sobre o engano do Paulo Baldaia. E o assunto fica assim encerrado, como ficam muitos outros. Não sei se será defeito dos tempos em que vivemos. É, de certeza, defeito das pessoas que temos.

terça-feira, agosto 18, 2009

Novo jornal cá na terra - vícios antigos

Chegou-me hoje às mãos o número zero de um novo jornal mensal, o Notícias de Matosinhos. Nesta edição, entra em grande, ou de pé em riste, como costuma dizer-se. Logo na primeira página, três fotos. Guilherme Aguiar, Guilherme Pinto e Narciso Miranda. Lá dentro, a apresentação do candidato do BE à câmara.
Ainda na primeira página, a manchete pergunta "Quem vai ganhar a Câmara de Matosinhos?", remetendo para a página oito, onde consta um anúncio de página inteira do colégio Anjos do Saber. O mesmo colégio que passa de publicidade a notícia, na página 12, sob o título: "Colégio proporciona actividades extra-curriculares".
Na página 11, dedicada à Economia, anuncia o aniversário de uma escola de condução, que - ó surpresa - tem direito a publicidade na página 13.
Na página 6, entrevista ao presidente da Junta de Freguesia de Lavra. Na página 14, anúncio de página inteira às festas em honra do Divino Salvador... de Lavra, pois claro.
Resumindo, isto promete.

P.s.: No estatuto editorial escreve-se que "a publicação insistente de determinados assuntos - do crime e do sexo às baixezas da vida política e económica. - poderia aumentar as vendas..." Nada de especial, não fosse este um jornal que se apresenta como gratuito, com uma edição de 20.000 exemplares. Decidam lá isso...

quarta-feira, abril 01, 2009

Prós e Prós

Acho que poucos foram o que perceberam o que quer que seja do Prós e Prós desta semana, supostamente sobre segurança interna.


Sem entrar no detalhe da expressão "director da polícia nacional", usada e abusada pela apresentadora, voltou a suceder a transformação do debate, urgente e necessário, numa luta política de esgrimir números e estatísticas. Não é segredo: os números dizem o que nós quisermos que digam.


O mito do rácio de habitantes por polícia é um absurdo. Se é verdade que 10.000.000 de habitantes divididos por 46 mil PSP e GNR resulta em 217 habitantes por polícia, não é preciso ser muito inteligente para chegarmos à conclusão que a distribuição demográfica da população no país não tem um valor constante. Acredito até que em algumas zonas do interior o rácio desce ainda mais. Mas façamos as contas às duas áreas metropolitanas, à população que abrangem, e ao efectivo dos dois comandos metropolitanos da PSP.

Voltando ao programa, foi mais uma infeliz tanga. Sem as duas principais estruturas representativas da PSP e GNR, que deveriam assistir, sem intervir, ao programa. São critérios editoriais, claro está.

sexta-feira, março 20, 2009

Vergonha

O spot publicitário da Antena1, com locução da autora do livro oficial do menino-luz do regime, é algo - ainda mais - impensável numa rádio pública, do Estado e não do governo.

Façam chegar a vossa indignação:

rdp.antena1@rtp.pt
antena1.direccao@rtp.pt;

quarta-feira, março 04, 2009

Greve

Os trabalhadores do JN, DN, 24 Horas e O Jogo estão hoje em greve. As razão são conhecidas e, quem as quiser saber, pode procurar aqui mais para baixo neste humilde espaço.

Diz a imagem que a Controlinveste é uma marca que fica, e sê-lo-á, com certeza, para os 119 despedidos - eram 122, mas três foram reintegrados.

A 15 de Janeiro de 2009, surgia no site da Controlinveste o seguinte comunicado:

"A evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector impõem (...) É hoje impossível ignorar a profunda retracção dos mercados de media, que se tem vindo a agravarnos últimos meses, particularmente na área da imprensa, no quadro de uma crise global cujos efeitos directos e indirectos já atingem todos os sectores económicos".

A 29 de Fevereiro de 2009, no mesmo site, podem ler-se dados comparativos das vendas de jornais em 2007 e 2008. O título: "Jornais Controlinveste vendem mais".

Há aqui qualquer coisa que não bate certo, ou é só impressão minha?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Faz sentido?

Por norma, faço zapping radiofónico quando ando de automóvel, principalmente nos dias úteis. Entre a TSF, a Antena 1 e o RCP, vou ouvindo o que mais me interessa. No RCP, deparo, muitas vezes, com profundas as análises económicas do Camilo Lourenço.

O jornalista protagoniza o programa "Money Box", que, ao que me parece, vai sendo reeditado ao logo do dia. Não raraz vezes, o jornalista/comentador/especialista em assuntos económicos, utiliza o espaço para promover as virtudes do trabalho em call-centers e o cada vez maior grau de qualificação que é exigido para lá trabalhar como uma prova de como é bom trabalhar num call-center.

Ora, o recrutamento para trabalhar nos call-centers é, na sua esmagadora maioria, feito através de empresas de trabalho temporário, que cobram uma comissão por cada trabalhador que colocam. Há dias, ao final da tarde, Camilo Lourenço entrevistava uma senhora que destacava a enorme oportunidade de futuro que é trabalhar num call-center.

Essa senhora é uma responsável pela Select, que é, julgo, a maior empresa de trabalho temporário em Portugal.

Por uma coincidência tremenda, o programa de Camilo Lourenço é patrocinado por esta mesma empresa. Como se diferencia, neste caso, a publicidade do jornalismo?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Serviço Público

Como o silêncio dos media formais - e, incompreensivelmente, da blogosfera mais visitada -, continua em relação aos despedimentos na Controlinveste, vale a pena ir visitando o espaço do Hélder Robalo para estar minimamente actualizado.

No dia daquela espécie de flash mob que decorreu no Porto, ouvi um trabalhador, que julgo ser gráfico, dizer qualquer coisa como:

"Com esta idade já é difícil encontrar trabalho, mais ainda quando o patrão que me despede é dono de 80 por cento do mercado".

E onde está a AdC? E a ERC?

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Prioridades

Ontem, o maior - não o mais plural - espaço de debate da televisão pública discutia o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Hoje entra em vigor o novo Código Laboral.

Post it: À mesma hora, um canal do cabo passava um filme com a Salma Hayek. E eu, que sou um gajo com prioridades, vi de relanço as meias roxas da Fernanda Câncio e fiquei colado no Hollywood.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Títulos obviamente inocentes e sem qualquer espécie de tiques de pré-campanha da agência noticiosa de todos nós

"Sócrates dá tolerância de ponto na 3ª feira de Carnaval".

Na Lusa.

Outras hipóteses de bons títulos:

Sócrates empresta assinaturas para que engenheiros em dificuldades possam assinar projectos.

Sócrates envia exame por fax para poupar instalações da Uni.