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segunda-feira, março 25, 2013

Só o PS é de esquerda

A resposta a este post da Mariana, que conheço e de quem gosto muito, será no tom mais suave possível, precisamente por esse motivo. No entanto, há uma série de questões a que responderei em forma de post, porque um mero comentário não chegaria para apresentá-las e explicá-las.

Para começar, a "tentativa de reescrever a história" é directamente devolvida, pelo simples facto de que o governo do PS de Sócrates não foi demitido. Demitiu-se. E as verdades sobre o PEV IV, mais este anexo em inglês, que tanto incomodaram o PS, são factuais, não há quem as desminta. O PEC IV, dado o enorme sucesso que haviam tido os três anteriores, aprovados em conjunto com o PSD.

E, se hoje temos PSD e CDS no poder, é porque o PS assim o quis, pois foi com eles que andou de braço dado na aprovação de Orçamentos de Estado e dos PEC. E, se alguém tirou o tapete ao PS, foram os seus parceiros da coligação informal que estava instituída. O PCP não alterou o seu sentido de voto em qualquer dos PEC, o PSD fê-lo e o PS sabia que seria assim. O PEC IV não seria solução.

Mais: depois de na semana passada, na quinta-feira, o PS ter votado contra um projecto de resolução do PCP que recomenda a demissão do governo, da forma violenta que Jorge Lacão o fez, demonstra bem quem é o adversário de quem. Numa iniciativa que pretendia fragilizar o governo, o alvo do PS foi o PCP, deixando Álvaro, o ministro, com uma tarde tranquila no Parlamento. Um dia depois, o PS anuncia uma moção de censura, para um dia destes, depois da Páscoa, lá para Abril, porque, afinal, qual é a pressa? E, para quem acompanhou os debates de quinta e sexta-feira, o tom violento de Lacão em relação ao PCP contrastou de forma clara com a sonolência de Seguro, no dia seguinte, quando fez o grande anúncio.

Sobre a moção de censura, fica a insuspeita Ana Sá Lopes, hoje no i:

"Mas o sinal mais perturbador de todo este processo foi a cartinha para sossegar os representantes da troika. Em conjunto com o  anúncio da moção, Seguro decidiu enviar à Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI um texto a sossegar que o PS respeitará os “compromissos internacionais” e que a ruptura com o governo não é a ruptura com as verdadeiras centrais do poder em Portugal. A resistência de Seguro em romper com o Memorando da troika – como já tinha defendido Mário Soares há quase um ano – anuncia que um futuro governo PS tem todas as condições para se transformar num governo ao estilo Antonis Samaras". 

Quanto aos links para o insuspeito, factual e independente "Câmara Corporativa", posso esclarecer-te que:
  • O PCP votou contra o referendo para a despenalização do aborto, não obviamente, por ser contra, mas sim por entender que havia uma maioria na Assembleia da República mandatada para legislar sobre esta matéria, não sendo por isso necessária a realização da consulta popular. E, vais-me desculpar, nesta matéria o PCP está completamente à vontade: ainda o PS não estava na cabeça de Mário Soares e restantes amigos nacionais e internacionais e já Álvaro Cunhal defendia a sua despenalização. Estávamos em 1940.
  • O PCP é contra a Lei da Paridade por entender que ninguém deve ser obrigado a integrar a vida política. A participação cívica na política deve fazer-se em consciência e não por decreto. Sendo certo que, por motivos sociais, a participação das mulheres na política é condicionada, o PCP também é muito claro: é fundamental que haja igualdade entre homens e mulheres na sociedade, que possam usufruir dos mesmos direitos salariais, que possam conseguir conciliar a vida familiar com as actividades que pretendam desempenhar fora dela. E enquanto o PS aprovava a Lei da Paridade, aproveitava, com a UGT, para desregular horários laborais, acentuar desigualdades, facilitar despedimentos, incluindo de mulheres grávidas.
  • Quanto a este ponto não encontro fonte, que não seja esta. É disto que falas? repara na votação.
Ouvi toda a entrevista do Carlos Carvalhas e, sinceramente, não vejo lá nada de especial.

O gráfico da votação no PCP é como uma faca cravada no meu peito. Ah, não é. Não é pelo simples facto de que o PCP não se rege pelos gráficos de votações, não exulta com sondagens. Uma das grandes preocupações do PCP é de esclarecimento das populações e do povo. E bloqueio mediático a que o PCP está sujeito, a par da histeria que houve em torno do Bloco, torna a nossa tarefa mais difícil. Mas, se fosse fácil, não seríamos comunistas, estaríamos no PS... Exemplo prático? No comício de aniversário do PCP, no ano passado, no Porto, o JN, a voz do norte, não apareceu. Depois, há o MRPP, que, com a sua foice e martelo vai roubando votos ao PCP. Estou desde os 18 anos nas mesas de voto e passaram-me pelas mãos vários boletins com duas cruzes: no MRPP e na CDU. Recordemos que, em 2011, o MRPP ganhou direito a subvenção do Estado, por ter conseguido mais de 50.000 votos.

Acredites ou não, o PCP não pauta a sua acção pela conquista de votos. É, obviamente, importante, mas não é o nosso ponto principal. E é também esse o papel da esquerda, o de informar e formar os cidadãos, de dar-lhes novas perspectivas da realidade que nos rodeia, de dar-lhes outras alternativas que não as de comentadores/formatadores de opinião que entopem a cabeça daqueles que não têm sequer tempo para viver, ocupados que estão a sobreviver.

Mas, para terminarmos de forma parecida, podes sempre verificar as alianças governativas desde 1976. E não, não vais encontrar o PCP com o PSD.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Já se acordava, não?

Depois dos vídeos surreais do Luís Fazenda, mais ali abaixo, volto às Presidenciais.

Ontem Sócrates juntou-se a Manuel Alegre em campanha. Num comício em Castelo Branco, com o candidato-poeta. Nem vou comentar muito do que se disse, apenas sublinhar estas declarações do homem apoiado pelo governo e pelo BE:

Alegre admira "coragem e determinação" de Sócrates

"Manuel Alegre manifestou ainda a sua satisfação por estar "lado a lado" com José Sócrates no comício.

"É para mim um momento de grande alegria e de grande alento ter aqui hoje o apoio claro, inequívoco, do secretário-geral do meu partido, o meu amigo e camarada José Sócrates", sublinhou.

Sobre isto, o que dirão os @derentes do Bloco? Estariam no público a aplaudir efusivamente o candidato da esquerda grande, de que tantas vezes fala Francisco Louçã? Pronto, sejamos justos, os bloquistas da FER vão contra o partido e já disseram que não votam Alegre e até apelam ao voto em branco ou em Francisco Lopes - por esta ordem. Esta cisão dentro da enorme confusão que é o BE parece ter passado ao lado da Imprensa, mas admito que pode ser uma falha minha.

Indo ao que interessa, a campanha de Alegre é pouco mais que absurda. Num dia está com Louçã, noutro está com Sócrates; num dia é um candidato que critica o governo, no dia seguinte é o candidato do governo. Se isto não surpreende no PS, no BE só surpreende os incautos, desatentos ou os que, estando atentos, fazem tudo por uns minutos de tempo de antena.

Louçã é um rato velho da política nacional. Ao contrário do que possa pensar-se, Louçã é o líder político que está há mais anos à frente de um Partido, entre PSR, BE e afins. Arrebanhou uma série de gente de grupelhos esquerdistas e foi levado ao colo pela Imprensa, numa tentativa de que viesse a roubar espaço ao PCP.

Evidentemente, tal não com aconteceu; o BE cresce eleitoralmente mas a CDU também. Depois destas Presidenciais, creio que tudo voltará ao normal dentro do BE. Remam uns para cada lado mas continuarão na moda.

Resta saber o que dirão os milhares de portugueses que votaram no BE à espera de uma suposta nova esquerda, que marcha ao lado do PS mais à direita de sempre.

terça-feira, novembro 23, 2010

Fui à manif e safei-me

No sábado estive lá para os lados de Lisboa, na manif anti-NATO. Fui dos que participou ordeiramente na coisa, que, aliás, primou pelo civismo, para desagrado de alguns esquerdistas, radicais livres, ou L-Casei Imunitass, ou lá como é que se chama esta gente.
Sem o BE para dar-lhes boleia, os AdP, Activistas de Preto, optaram por desfilar sozinho, embora o Soeirinho tenha vindo depois ampará-los, não vá perder algum amigo que por lá ande ainda chateado pelo apoio bloquista ao candidato presidencial do Governo.
Sobre o que é dito no link acima, devo esclarecer o seguinte: A PAGAN e as centenas de outras organizações que a dita diz representar, não quiseram associar-se à CPPC na promoção da manif, avançando para uma própria.
Curiosamente, ou não, ao longo do texto, o Renato acusa a CGTP de não ter permitido à PAGAN integrar um desfile que a PAGAN não quis integrar. O Renato queria carros a arder, montras partidas, uma coisa assim da moda, como se vê nas televisões. E nada impedia a PAGAN de tê-lo feito, porque reparei que em Lisboa o que não falta são automóveis. E montras, senhores, ui, as montras!
Na verdade, o desfile decorreu com a normalidade possível, as duas dezenas de jovens que desceram do Liceu de Camões desfilaram onde entenderam, e não houve necessidade de recorrerem às orientações do líder do grupo que distribuía um jornal em formato "Expresso", na saída do metro do Rossio. Não foi preciso fugirem "para as ruas que atravessam a avenida, em caso de carga policial".

Mas que me intriga na PAGAN é esta simpatia pela resistência islâmica e pelas religiões. Não sei o que passou pela cabeça de quem escreveu a coisa. As religiões, sejam elas quais forem, são e sempre foram, ao longo da história, centros de estupidificação e subserviência dos Povos. Dizer que apoiam resistentes islamitas é cair num ridículo sem fundo.
Pela minha parte, apoio os movimentos de resistência populares em qualquer parte do Mundo, pela libertação dos Povos e contra todos os fundamentalismos, sejam os fundamentalistas da NATO, sejam os da Al-Qaeda. Defender o contrário é muito lindo mas é a milhares de quilómetros de distância, porque pimenta nos olhos dos outros não arde.

Indo ao que interessa, a manifestação cumpriu os seus objectivos: teve uma forte mobilização, decorreu sem incidentes que pusessem em causa a integridade física de quem pretendia manifestar-se.

Sobre a inevitável guerra de números, o Expresso resolveu a questão. Contratou um especialista em contar multidões! Fomos 8.000, segundo o especialista. Das duas, uma: ou este especialista tem tanto de especialista como eu de carpinteiro; ou a CGTP tem uma organização que apenas lhe permite mobilizar números redondos, já que na manif da Função Pública participaram apenas 10.000.

Eu, especialista em coisa nenhuma, aprecio a especialidade deste caramelo. A sério que sim.

quinta-feira, abril 01, 2010

Sindicalismo moderno

Há quase um ano, escrevi aqui que António Chora, sindicalista-modelo do Bloco de Esquerda, é ingénuo. Agora, é ingénuo e mais qualquer coisa. Repito: Este é o sindicalista modelo do Bloco, enfiado em reuniões secretas com administradores da Autoeuropa. A ler no Cantigueiro do Samuel.

quarta-feira, março 17, 2010

A casa dos outros

Nada tenho a ver com a vida interna do PSD, nem de outro qualquer partido que não seja o meu. No entanto, a impreparação e amadorismo dos três candidatos à liderança do PSD, mas também do restante aparelho, são anedóticas. Não é preciso ser um génio para perceber que a norma aprovada em congresso seria aproveitada politicamente pelo PS - de uma forma ainda mais absurda, levando o caso à AR.

Por isso, não deixa de ser curioso que ninguém no PSD, antes da aprovação - então uma hipótese que veio a verificar-se - se tenha lembrado de passar os olhos pelos estatutos do PS, e verificar o artigo 94.º. Não era preciso muito.

Noutra casa, noutro quadrante, decorre uma novela que passa ao lado dos media dominantes.

Logo que Alegre anunciou a candidatura à presidência, o Bloco anunciou o seu apoio. Pareceu-me, logo na altura, precipitado, mas, lá está, é na casa dos outros. Mais recentemente, Nobre apresentou também a sua candidatura, que agradou a muita gente do BE. Agora, um grupo de militantes pretende uma convenção extraordinária- um congresso, para quem não sabe - para rever a questão.

A direcção do Bloco - não sei se chama assim, mas não me apetece pesquisar o termo - ter-se-à pronunciado sobre a iniciativa, num comunicado que não encontro no site, que até já mereceu uma reacção contrária de um dos movimentos que esteve na origem do BE. O dono da blogosfera oficial bloquista já se pronunciou e faz de porta-voz da defesa da direcção. O link para o Arrastão surge apenas para que se perceba a história, tendo em conta a ausência de notícias. Ressalvo que deixei de visitar Arrastão aquando das mentiras que o dono do blog escreveu e jamais desmentiu.

O que aqui me preocupa não é a vida interna do Bloco. É antes o total silenciamento que esta questão está a merecer por parte da comunicação social. A única referência que vi surgiu numa breve do JN no sábado passado.

Na véspera de um dos actos eleitorais do ano passado, o Público divulgou uma notícia, que já não me lembro se foi manchete, mas que deu uma página inteira, com o abandono de um(!) militante do PCP, que, curiosamente, como veio a ser reconhecido, já estava longe política e ideologicamente do Partido. Qual é o critério da informação?

Esta não é uma questão menor. O BE tem cerca de 7.000 militantes e parece-me que são muito poucos para que esta divisão continue a passar ao lado de toda a imprensa. Se fosse num Partido que eu cá sei, a questão merecia outro tratamento, e é esse tratamento o objecto deste post.

quinta-feira, junho 04, 2009

Tao amigos que eles são

Foi enternecedor ver a convergência entre o PS e o BE no programa Pontos de Vista, da RTPN*, de dia 23 de Março.

No debate, João Avelino, cabeça de lista da CDU à Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, fala sobre as eleições europeias e o trabalho levado a cabo pelos eleitos Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro. Resultados que, mesmo baralhados por uma edição do Expresso de há umas semanas, colocam os dois eurodeputados entre os que mais trabalharam.
João Avelino diz, e não poderia não o fazer, que, curiosamente, Francisco Assis - também no debate - é dos eurodeputados que menos trabalhou. Assis ficou ofendido e relativizou os números da actividade, secundado por - ó surpresa das surpresas - Alda Macedo, do BE.
Os dois entendem que é uma mera análise quantitativa. Resumindo, para PS e BE o trabalho dos eurodeputados não se mede pelas intervenções, relatórios e interpelações.

Mas então, mede-se por onde? Pelas entrevistas, textos em blogues, artigos de opinião? Qual é o critério para que os eleitores possam avaliar o trabalho e a competência daqueles que elegeram?

*Ver a partir dos 12,30 minutos

quarta-feira, junho 03, 2009

Opções. São mesmo.

Encontrei esta pérola no http://rupturavizela.blogs.sapo.pt/ que só pode ser para rir. Vinda de um bloquista, claro. Leia-se:


Comentando declarações da Ilda Figueiredo: "Queremos mais Deputados para a defesa dos interesses do nosso País. E os interesses dos trabalhadores espanhois, franceses, italianos, gregos...?" (sic)

Portanto, ficamos a saber que o BE não se candidata às eleições europeias para defender os interesses do país. Estranho não ter visto ainda o Miguel Portas a fazer campanha em Espanha, França, Itália e Grécia.

quinta-feira, maio 21, 2009

Agora, Chora!

Mais vale tarde que nunca. O sindicalista-modelo do BE descobriu ontem que os patrões - administradores é mais fashion - da Autoeuropa estavam de má-fé no processo negocial com os trabalhadores - colaboradores. Depois de, nos últimos anos, ter passado o tempo a assinar de letra tudo o que era determinação dos donos da empresa para flexibilizar direitos e remunerações, o sindicalista parece que teve uma viragem qualquer, positiva, diga-se.
Como é evidente, os tempos de crise favorecem a exploração dos assalariados por parte de quem possui os meios de produção. E as cedências dos assalariados perante os desígnios do patronato não são mais do que negar a luta de classes, na medida em que os interesses das duas camadas são bem diferentes.
A Comissão de Trabalhadores (CT), liderada pelo António Chora, cedeu em todas as frentes, com uma ingenuidade que já não se usa, depois do que nos ensina a história do sindicalismo e das lutas dos trabalhadores. Aliás, a CT demonstrou ontem mesmo ser mais papista que o Papa, dizendo que os patrões não disseram aquilo que, passados dois minutos, disseram através de uma carta enviada a todos os trabalhadores.
A lição está dada. O capital não perdoa deslizes. Quando os trabalhadores cedem, a exploração avança. Seja a cobro da crise, da deslocalização ou da lei da oferta e da procura. Humanizar o capitalismo é o mesmo que humanizar uma pedra. Podemos esculpi-la de maneira a ganhar forma humana, mas continuará a ser isso mesmo: uma pedra. Mantendo todas as características que a fazem ser o que é.

terça-feira, maio 05, 2009

1.º de Maio - Lisboa - Ontem sim, hoje sim. Mesmo sabendo que é mentira. V

A ver se ficamos por aqui:



Se, num dia, o DO consegue atribuir ao PCP a responsabilidade por actos de algumas pessoas numa manifestação, uns dias depois tem - ou não - espinha para escrever o seguinte, num comentário a um comentário:

"ou então há pessoas que, com mais facilidade do que outras, fazem papel de bufos. Por mim, como já disse, reconheci mais algumas pessoas nas imagens. E isso fica para mim. Aprendi (por acaso numa familia comunista) que a bofaria é coisa feia. Mesmo que dê jeito. Ou sobretudo quando dá jeito".



Podemos então concluir que o Daniel Oliveira, ao reconhecer algumas pessoas nas imagens, ter-lhe-ão escapado pelo menos duas. Curiosamente duas do seu partido. Não vamos brincar aos ingénuos. Não vamos ver quem é que desconversa mais. Eu acredito que os protagonistas dos incidentes com o Vital Moreira tinham várias sensibilidades políticas. Mas, ao contrário do DO, eu não imputo responsabilidade a qualquer Partido, nem aproveito para dar mais uma malha no Bloco.

Se identificou várias pessoas nos incidentes, então, foi faccioso na análise de um acontecimento que sabia à partida que incluiu membros do seu próprio partido, mas omitiu-o.

Não consigo compreender - ou se calhar até consigo - é este modo de estar na política, cada vez mais ao estilo do ministro malhante, de cada vez que se trata de qualquer questão relacionada com o PCP. Ou não relacionada, como é o caso.

segunda-feira, maio 04, 2009

1.º de Maio - Lisboa - Não se deve mijar contra o vento IV

As supostas agressões físicas - que ninguém viu - a Vital Moreira deram, e estão a dar, pano para mangas na blogosfera. Logo durante a tarde, as rádios, tv's e jornais online avançavam que o candidato do PS atribuía, implicitamente, responsabilidades ao PCP pelo sucedido.


Síndrome Manuel Alegre
Não está em causa, obviamente, o direito de Vital Moreira participar numa manifestação da CGTP. Logo ele, que até "comemorava o 1.º de Maio clandestinamente". Pessoalmente, acho que seria bem mais interessante o candidato revelar em quantas comemorações do 1.º de Maio participou nos últimos 20 anos, mais especificamente, ao lado da CGTP.

O PCP, as costas largas, e o título desta posta
Queria o candidato, e aquela esquerda mais fashion, que o PCP pedisse desculpa pelos actos isolados de alguns manifestantes. Vindo do candidato, não me espanta. Mas confesso que fui surpreendido por aquele pessoal que até é adepto da desobediência civil e dos Verdes Eufémais. Escreveu o DO, na arrastadeira do costume: "Na verdade, este tipo de comportamento, apesar de ser isolado (não foram os manifestantes, mas apenas alguns deles, que agrediram Vital Moreira), corresponde a um ambiente cada vez mais crispado com tudo o que não seja PCP e se atreva a participar em manifestações que, recorde-se, não são do PCP. E ele é alimentado por esta direcção do partido, a mais sectária que o PCP teve desde o 25 de Abril. Não é por acaso que o insulto que Vital Moreira mais ouviu foi o de “traidor”."

Foi uma posta quentinha, escrita logo no próprio dia. Não deixa de ser impressionante como DO, mesmo tendo estado na manif, conseguiu identificar os intervenientes como ligados ao PCP. E o sempre atento Pedro Vieira até dedica um rabisco ao sucedido.

Mas, afinal, parece que dos manifestantes que o DO conseguiu identificar como ligados ao PCP, escapou-lhe um, por acaso dirigente partidário e por acaso do BE. O (a?) Salvo Conduto notou, e bem, que um dos que chamou "traidor" - o tal insulto mais ouvido - a Vital Moreira foi, curiosamente, esse dirigente, um rapaz bem parecido, loirinho e tudo, como mostra a RTP. Parece que se move lá para os lados de Coimbra.

Vale tudo. Venha do PS ou do BE, o que importa é malhar. Só que às vezes, nos intervalos dos malhanços, dá.nos aquela vontade enorme de aliviar a bexiga. Por aqui, recomendo que se evite fazê-lo contra o vento...

Nota: Às 18h00 de hoje, o rabisco continua online.

1.º de Maio - Lisboa - O sindicalismo independente e democrático da UGT III

Na noite de quarta-feira, uma brigada Brejnev* da UGT colocava pendões de apelo à participação nas comemorações do 1.º de Maio daquela central. Ao mesmo tempo, os sindicalistas independentes e democratas do PS retiravam a propaganda da CDU para as europeias.



O 5Dias aborda a questão e ilustra-a com fotos.




O mesmo sucede no site da CDU. E, entretanto, os pendões da CDU já foram recolocados.

*Brigadas Brejnev foi o nome escolhido para caracterizar os seus supostos agressores.

1.º de Maio - Porto - O PCP a dividir os trabalhadores II

Antes de mais, devo dizer que este deve ter sido a maior desfile do 1.º de Maio em que participei. Muita gente, mesmo. Bonito de ver os Aliados pintados de protesto, luta e confiança. À parte disso, mais ou menos uma hora antes chegou um grupo de supostos precários, vindos de uma outra manifestação/concentração organizada pelos próprios. Fizeram o seu próprio circo, devidamente afastados dos restantes participantes no desfile, organizado pela União de Sindicatos do Porto.

Quando se aproximava o início da marcha, os jovens colocaram-se na cauda da manif, por trás da faixa do BE. Diga-se que o BE continua a ser o único partido que utiliza o Dia do Trabalhador para distribuir propaganda partidária, sendo, ao mesmo tempo, o único que se apresenta com uma faixa com o logo do boneco vermelho.

Ora, como, hoje em dia, há a necessidade legal de, quando se convocam manifestações, haver responsáveis que, em caso de desacatos são responsabilizados, a organização é cada vez mais fundamental nestas situações.

Mesmo assim, os jovens precários e o precário Soeiro quiseram desfilar e fizeram-no, atrás da faixa do Bloco, apenas não tendo sido permitido a entrada no desfile de um carro de som. Esse mesmo carro, que antes havia pensado na hipótese de deslocar-se para a Rua de Ceuta e, de lá, furar para integrar o desfile, chegou mesmo a avançar contra um dos elementos da organização, devidamente identificado. O incidente agradou a alguns dirigentes bloquistas, que davam ordens a um jovem para que filmasse tudo, "mas de forma natural".

Assim foi o 1.º de Maio no Porto, para este grupo de jovens precários, que, pelos vistos, não se identifica com os trabalhadores - não se consideram tal - nem se vê representado nos sindicatos. Por isso, não deixa de ser curioso que um dirigente bloquista tenha ostentado o pin da CGTP, para legitimar a sua presença no desfile - como se ser sindicalizado fosse condição obrigatória para integrar o desfile do 1.º de Maio.

Afinal, quem divide os trabalhadores?

1.º de Maio - Porto - O maygay? I

Não sei muito bem o que dizer do MayDay no Porto. Meia centena de jovens, devidamente enquadrados pelo ex-deputado Soeiro, do BE. O cartaz que fez vista: "Sou bicha mas sei trabalhar". Sobre qual a mensagem precária que pretende passar, fica a dúvida...

segunda-feira, março 09, 2009

Tiro os patos

"O MIC não tem intuito de se constituir em partido político." - Carta de intenções do Movimento de Intervenção e Cidadania.

No sábado, no Expresso:

"... continuo a lutar por mudar as coisas no PS, na esquerda, na democracia - que está a ser confiscada por gente medíocre que se apoderou dos partidos". Fantástico. Quem o diz é o fundador do MIC, que se candidatou às presidenciais contra os aparelhos partidários, para, logo a seguir, ser ainda mais claro: "P - Se os movimentos de cidadãos pudessem candidatar-se ao Parlamento avançava com o MIC já nas próximas legislativas?
R - Avançava
".

A ver se percebo: Os partidos políticos, se tiverem esta designação, deixam de ser movimentos de cidadãos e passam a ser, sei lá, movimentos de beringelas, pronto. Mas, para Alegre, se pudessem concorrer a eleições, seriam, ao que parece, uma mais-valia. Faz sentido. Um dia, quando o MIC não o quisesse como candidato à presidência da Associação de Tiro aos Patos de uma aldeola qualquer, Alegre podia sempre insurgir-se contra a lógica aparelhística dos movimentos de cidadãos.

Mas a pérola vem depois: "Os partidos não esgotam a democracia. Até a podem estragar. Sempre fui renitente em relação à lógica partidária". Palavras de Manuel Alegre, fundador do PS, deputado desde sempre em democracia.

domingo, fevereiro 08, 2009

Ui, se fosse no PCP...

Joana Amaral Dias ficou de fora da lista para a mesa nacional do Bloco.

A apoiante de Mário Soares é assim corrida do órgão decisor nacional da esquerda tolerante.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Juntar forças?

Começa hoje o congresso do Bloco, que espalhou pelos principais centros urbanos do país outdoors sob o lema "juntar forças". Percebe-se que a enorme manta de retalhos que é o BE, com uma política de agregar tudo o que mexe fora de partidos, tenha um lema como aquele.

De onde vem o dinheiro para este tipo de propaganda política - outdoors -, é uma incógnita, tendo em conta os baixos índices de militância que são apontados numa das moções que será derrotada, mas isso é outra história.

Como é sabido, eleições legislativas e autárquicas têm dinâmicas diferentes e os factores que levam as populações a votar neste ou naquele candidato para o poder local são bem diferentes. Por isso, há situações pontuais em que as coligações podem existir. Aconteceu entre o PS e a CDU em Lisboa; com o PS e o BE em Lisboa.

No concelho de Matosinhos as autárquicas serão uma batalha difícil e a seguir com toda a atenção e interesse, tendo em conta a entrada de Narciso Miranda em campo, como independente. Em Leça da Palmeira, o actual presidente da Junta não será candidato do PS, já que se aproximou do "senhor de Matosinhos".

Com a dispersão de votos, estariam reunidas as condições para analisar a possibilidade de coligações. Mas com quem?

A Assembleia de Freguesia de Leça reúne ordinariamente quatro vezes por ano. Entre 2006 e 2008 ocorreram, portanto, 12 assembleias ordinárias. O eleito do Bloco faltou a 6, mais a sessão solene do 25 de Abril, sem nunca nomear o segundo da lista para estar presente.

Juntar forças com quem? Com quem não está?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Pensamento do dia

Se não é mentira que o CDS se assume como muleta do PSD em Lisboa, não é menos verdade que também o justiceiro Sá Fernandes foi bengala para o BE nas últimas autárquicas.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Um Toninho aos saltos

Raismapartam se eu não tinha pensado neste gajo, mesmo hoje de manhã, quando lia que o Manuel Alegre já não diz que disse o que disse, no seu habitual nem sim nem não, antes pelo contrário.

A histeria maratonista louçaniana de uma alternativa que vá a votos, saída da boca de Manuel Alegre, contrasta com o BE a concorrer sozinho às legislativas, como disse o seu líder numa entrevista à RTP. Isso passou tudo a secundário. Mesmo com todas as contradições inerentes às duas figuras, que não são mais que as contradições evidentes de quem não tem uma linha de rumo ou um fio condutor por onde possa pegar-se. Alegre pode bem falar no milhão de votos, que não terá ao lado de Louçã, e Louçã iludir-se com mais um agregado, que ao BE apenas trará ainda menos coerência e credibilidade. E as franjas - tão queridas ao BE - jamais votarão Alegre por tudo o que ele representa em três décadas de Parlamento: nada.

Se pessoalmente me deixa fulo da vida o tom Eduardo Sá com que às vezes fala comigo, também é verdade que Rock me proporciona momentos interessantes de debate. Para quem não conhece, é mais ou menos como aquele gajo que deixa o porto numa caravela para chegar à Índia mas, quando vai a ver, percebe que chegou às Berlengas - e justifica: As Berlengas também são um continente, só que em pequenino.

Não deixes é cair o R à Revolução, nem subestimes o poder da rua. Tira-te algum brilho e a história mais ou menos recente vai-te provando o contrário. Para além de deixar-te demasiado parecido com quem concebeu estes outdoors, em 2004, lembras-te?


A terminar, meu caro, as revoluções são como o amor: eternas enquanto duram. E eu, que nem sou um romântico, acredito que há amores que podem ser para toda a vida.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Quem faz mesmo, mesmo, mas mesmo falta?

No último dia de campanha, José Sá Fernandes e o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles estiveram nas instalações da Docapesca para denunciar aquilo que chamam de "plano secreto" para a frente ribeirinha, que as candidaturas de António Costa e Carmona Rodrigues se recusam a revelar antes de domingo.



O novo executivo da Câmara Municipal de Lisboa, liderado pelo socialista António Costa, toma posse esta quarta-feira e, de acordo com um comunicado do Partido Socialista enviado aos órgãos de comunicação social, foi conseguido um acordo entre o Bloco de Esquerda e o PS para a autarquia.



Contudo, constata-se que "o estado de execução do acordo de políticas estabelecido para a CML é de grande atraso em diversos aspectos centrais para uma mudança na cidade". Critica-se o executivo por não travar a batalha por uma política anti-especulativa para a habitação, pelo "atraso irreparável" na reestruturação das empresas municipais, ou por ser conivente com a "concessão sem concurso de uma extensão do prazo de negócio da Liscont/Mota-Engil no terminal de Alcântara", demonstrando "uma grave cedência aos interesses económicos que colonizam a cidade de Lisboa."

quinta-feira, outubro 30, 2008

Está tudo louco!

Soares e Alegre, dois putos nestas coisas da política, vêm afirmar a necessidade de repensar a Esquerda. Não é preciso muito, meus caros. Esquerda. Estão a ver? Esquerda...
Vamos lá então explicar: Esquerda é aquela coisa que é precisamente o contrário do partido que fundaram e do qual são militantes.


Post-it: Então não é que um dirigente de um partido de extrema-direita, nacionalista, anti-emigração, mais-ou-menos-anti-imigração e, por acaso, ex-emigrante, é líder de uma rede de emigração ilegal que recrutava trabalhadoras brasileiras especializadas na área do sexo?