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terça-feira, janeiro 21, 2014

Bairro da Biquinha - recomeço das obras

Depois de a CDU ter questionado a Junta da União das Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, na Assembleia de 30 de Dezembro de 2013, sobre o motivo que levou à paragem das obras de demolição no Bairro da Biquinha, durante mais de três meses, após um incidente que denunciámos na altura, as obras recomeçaram na semana passada. 
 
Trabalho, Honestidade, Competência.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

2.ª Assembleia da União das Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira (ordinária)

Teve lugar nos dias 27 e 30 de Dezembro, às 21h30, no edifício da JF de Leça da Palmeira a primeira Assembleia Ordinária da União das Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, com a seguinte ordem de trabalhos:

1. Aprovação da acta da sessão anterior;

2. Aprovação da inscrição da freguesia na ANAFRE;

3. Aprovação do Regulamento de Taxas e Licenças;

4. Apreciação e votação das Opções do Plano e da proposta de Orçamento para 2014;

5. Informações do Presidente da Junta de Freguesia, nos termos da alínea e) do nº 2 do artº 9º da Lei 75/2013 de 12 de Setembro.


DUAS SESSÕES
A Assembleia decorreu em duas sessões, uma vez que houve membros da Assembleia que alegaram não ter recebido a documentação adequada dentro dos prazos legais, supostamente, devido a problemas no correio electrónico. Desta forma, e para evitar possíveis impugnações futuras, que chegaram a ser aventadas em alguns círculos, optou-se por dar a palavra ao público e continuar os trabalhos apenas na segunda-feira.

Nota pessoal sobre a interrupção da sessão
Evidentemente, nunca me oporia a uma interrupção por haver alegados atrasos na entrega da documentação. No entanto, na segunda parte da sessão, no dia 30, caiu-me mal que PS e PSD optassem por não propor quaisquer alterações ao Plano e Orçamento, embora estejam no seu pleno direito. Afinal, foi precisamente para que os documentos pudessem ser estudados que a sessão foi interrompida e adiada, causando transtornos a todos, tanto ao público presente como aos eleitos. Recebi os documentos na noite de 23 de Dezembro, pelo que tivemos apenas a véspera de Natal, o dia de Natal, 26 e 27 de Dezembro para estudar os mesmos e apresentar novas propostas de alteração, para além das que enviámos ao abrigo do Estatuto da Oposição, coisa que PS e PSD não fizeram. Se a ideia de PS e PSD era não apresentarem quaisquer propostas, justificando ambos que a eleição recente do executivo da UF deveria permitir-lhe elaborar o Plano e Orçamento sozinho, considero lamentável que se tenha procedido ao adiamento da Assembleia.

ORDEM DE TRABALHOS
O Ponto 3 refere-se ao Regulamento de Taxas e Licenças da UF. Os valores apresentados apresentam aumentos para a população residente em Matosinhos e uma ligeira diminuição para os residentes em Leça da Palmeira. Neste ponto, que se encontra em período de discussão pública - os documentos estão disponíveis na Junta da UF - a CDU apresentará propostas de alteração que minimizem os transtornos causados. Os aumentos em Matosinhos devem-se ao facto de o Regulamento de Taxas e Licenças não ser revisto desde 2006. No entanto, tendo em conta o momento que o país vive, os sacrifícios impostos à população, o desemprego e a pobreza galopante serão obviamente considerados nas propostas a apresentar pela CDU.

O Ponto 4 - Apreciação e votação das Opções do Plano e da proposta de Orçamento para 2014 - mereceu diversas considerações por parte da CDU.

A CDU considerou que o Plano, sendo ambicioso, não tem cabimento orçamental para que possa ser cumprido. Dos 888.000 euros orçamentados, na prática, cerca de 450.000 estão disponíveis para o cumprimento do mesmo.

No debate, a CDU apresentou novas propostas de alteração e pediu alguns esclarecimentos, tendo sido impossibilitada de fazer mais considerações, devido aos constrangimentos de tempo, decorrentes do Regimento que dá à CDU apenas 4 minutos para intervir nas sessões ordinárias e 8 quando está em discussão o Plano e Orçamento. A CDU solicitou a cedência de alguns minutos por outros grupos que não iriam intervir, mas a sra. Presidente da Assembleia referiu que era a própria a controlar os tempos.*

O que a CDU propôs e os esclarecimentos que solicitou:

Propostas:
 

  • No que respeita ao Plano, a CDU propôs, para além das matérias que foram incluídas no documento, a criação de um grupo de trabalho com as freguesias por onde passa o Rio Leça tendo em vista um plano para a sua despoluição;
  • A inclusão da Terapia Ocupacional nos programas de intervenção com crianças com NEE, bem como de fisioterapeutas nos casos dos programas de apoio a idosos;
  • A utilização do Centro Hípico para sessões de hipoterapia e equitação terapêutica para crianças com NEE;
  •  A realização de uma gala de artes marciais e não de apenas um open de desportos de combate;Levar a prática de artes marciais às escolas da UF;

(ACTUALIZAREI COM MAIS INFORMAÇÕES)

Perguntas:
A CDU pretendeu ver esclarecidas algumas questões relativas ao Plano e Orçamento:
  • A figura do "Guardião da Escola": Para que serve e quem será? Para a CDU, esta figura não faz sentido, uma vez que existem funcionários, professores, directores e associações de pais que têm o dever de zelar pelo normal funcionamento das escolas, bem como das instalações: SEM RESPOSTA.
  •  A figura do "Zelador da Freguesia": Para que serve e quem será? SEM RESPOSTA.
     
  • 40.000 euros para aquisição de viaturas (20.000 em 2014 e 20.000 em 2015), de quantas viaturas dispõe neste momento a UF e quantas terá no final de 2015: O presidente da UF informou que a famosa carrinha Strakar 4x4 adquirida em 2009 pela JF de Matosinhos será vendida e adquirida outra viatura mais adequada. Sobre o número de viaturas que a UF possui e quantas terá no final de 2015: SEM RESPOSTA.
  • 95.000 euros recebidos do IEFP e a inclusão de apenas metade da verba nos projectos de emprego inserção e inserção+: Para que projectos será canalizada a verba restante? SEM RESPOSTA.
  • Ausência de qualquer referência à Quinta da Conceição e Parque de Real no Plano: SEM RESPOSTA.
     
  • Dinamização do comércio local: A CDU apoiará qualquer medida que vise beneficiar o comércio tradicional mas relembrou que a UF se encontra cercada por grandes superfícies e que ainda recentemente o Executivo da CMM aprovou, com o voto contra do vereador da CDU, a ampliação do NorteShopping. 
     
  • Por que motivo a Junta da UF pretende que a avaliação dos funcionários seja feita por uma entidade externa, com os custos daí inerentes?
*Perguntas não colocadas por falta de tempo: A CDU pretendia recordar o Executivo que a criação do Portal da Freguesia já foi uma ideia apresentada em 2009 pelo actual presidente da UF para  JF de Leça da Palmeira, algo que nunca veio a concretizar-se.

(ACTUALIZAREI COM MAIS INFORMAÇÕES)

Outras questões:
A CDU questionou o presidente da UF sobre se aquilo a que chamou na sessão anterior o início da requalificação do Bairro da Bataria era a colocação de dois fogareiros e dos bancos, num bairro que possui um parque infantil desadequado, árvores raquíticas, não tem passeios e onde os arbustos do "jardim" tapam as janelas das casas.

A CDU questionou o corte de duas árvores na Av. Dr. Fernando Aroso, tendo o presidente informado que estas se encontravam doentes.


A CDU questionou a situação no Bairro da Biquinha, onde teve lugar uma derrocada nas obras de demolição de parte de um dos blocos no dia 16 de Outubro, sendo que desde então os trabalhos se encontram parados, colocando em causa a segurança das populações e afectando fortemente a qualidade vida de quem ali mora (fotos em baixo). O presidente informou que esteve no local no dia 21 de Dezembro, tendo contactado a MatosinhosHabit e a CMM.




(ACTUALIZAREI COM MAIS INFORMAÇÕES)

Público
No público intervieram Luís Santos, José Modesto, Aníbal Araújo e Aurélio Gonçalves, com assuntos relevantes para a União de Freguesias.


MOÇÕES
Na sessão, a Moção apresentada pela CDU em defesa das freguesias foi aprovada com os votos contra do PSD e a abstenção do PS, que pretendia uma alteração ao texto no sentido de retirar a responsabilidade do PS na referida reforma, prevista no Pacto de Agressão com o FMI, UE e FEEF.


Foi apresentada uma Moção pelo Grupo de Cidadãos Por Matosinhos (Guilherme Pinto) que pretendia louvar o trabalho do Executivo da UF nos primeiros 2 meses de mandato, algo que a CDU considerou incompreensível e extemporâneo, precisamente por estarem decorridos apenas dois meses. A moção foi aprovada com os votos a favor da maioria e contra da CDU, PS e PSD.

*No Regimento original constavam apenas 3 minutos de intervenção para a CDU. A CDU propôs 5, tendo o Movimento Por Matosinhos (Guilherme Pinto) cedido num minuto, com o acordo do PSD, que passa de 4 para 5, em cada ponto da Ordem de Trabalhos. Assim, a CDU passa a ter 4 minutos. No entanto, foi proposto, recorrendo ao Regimento da UF de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo a passagem de 30 para 60 minutos para discussão dos pontos da Ordem da Trabalhos, o que permitia que cada grupo parlamentar pudesse usufruir de mais tempo. No caso, a CDU ficaria com 10 minutos, o PSD com 12, o PS com 18 e MPM-GP com 22. Na prática, nenhum grupo seria obrigado a utilizar todos os minutos, mas também muito dificilmente algum poderia ficar sem tempo para intervir. Assim, tal não se verifica. A proposta não foi aceite.

sexta-feira, maio 24, 2013

Vinha da Costa e a corrupção

Há oito dias, decorreu em Custóias – Matosinhos – um debate organizado pela Junta de Freguesia que pretendia debater o papel dos partidos na crise actual. O evento foi moderado pelo presidente da Junta organizadora e foram convidados membros de todos os partidos com assento parlamentar. Pelo PS esteve um jovem bastante confuso, cujo nome me escapa e que não conheço, pelo PSD esteve Vinha da Costa, pela CDU esteve José Pedro Rodrigues – ambos candidatos à Câmara de Matosinhos -, pelo Bloco disseram que estariam mas não estiveram e, no CDS, ninguém respondeu.

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segunda-feira, março 25, 2013

Só o PS é de esquerda

A resposta a este post da Mariana, que conheço e de quem gosto muito, será no tom mais suave possível, precisamente por esse motivo. No entanto, há uma série de questões a que responderei em forma de post, porque um mero comentário não chegaria para apresentá-las e explicá-las.

Para começar, a "tentativa de reescrever a história" é directamente devolvida, pelo simples facto de que o governo do PS de Sócrates não foi demitido. Demitiu-se. E as verdades sobre o PEV IV, mais este anexo em inglês, que tanto incomodaram o PS, são factuais, não há quem as desminta. O PEC IV, dado o enorme sucesso que haviam tido os três anteriores, aprovados em conjunto com o PSD.

E, se hoje temos PSD e CDS no poder, é porque o PS assim o quis, pois foi com eles que andou de braço dado na aprovação de Orçamentos de Estado e dos PEC. E, se alguém tirou o tapete ao PS, foram os seus parceiros da coligação informal que estava instituída. O PCP não alterou o seu sentido de voto em qualquer dos PEC, o PSD fê-lo e o PS sabia que seria assim. O PEC IV não seria solução.

Mais: depois de na semana passada, na quinta-feira, o PS ter votado contra um projecto de resolução do PCP que recomenda a demissão do governo, da forma violenta que Jorge Lacão o fez, demonstra bem quem é o adversário de quem. Numa iniciativa que pretendia fragilizar o governo, o alvo do PS foi o PCP, deixando Álvaro, o ministro, com uma tarde tranquila no Parlamento. Um dia depois, o PS anuncia uma moção de censura, para um dia destes, depois da Páscoa, lá para Abril, porque, afinal, qual é a pressa? E, para quem acompanhou os debates de quinta e sexta-feira, o tom violento de Lacão em relação ao PCP contrastou de forma clara com a sonolência de Seguro, no dia seguinte, quando fez o grande anúncio.

Sobre a moção de censura, fica a insuspeita Ana Sá Lopes, hoje no i:

"Mas o sinal mais perturbador de todo este processo foi a cartinha para sossegar os representantes da troika. Em conjunto com o  anúncio da moção, Seguro decidiu enviar à Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI um texto a sossegar que o PS respeitará os “compromissos internacionais” e que a ruptura com o governo não é a ruptura com as verdadeiras centrais do poder em Portugal. A resistência de Seguro em romper com o Memorando da troika – como já tinha defendido Mário Soares há quase um ano – anuncia que um futuro governo PS tem todas as condições para se transformar num governo ao estilo Antonis Samaras". 

Quanto aos links para o insuspeito, factual e independente "Câmara Corporativa", posso esclarecer-te que:
  • O PCP votou contra o referendo para a despenalização do aborto, não obviamente, por ser contra, mas sim por entender que havia uma maioria na Assembleia da República mandatada para legislar sobre esta matéria, não sendo por isso necessária a realização da consulta popular. E, vais-me desculpar, nesta matéria o PCP está completamente à vontade: ainda o PS não estava na cabeça de Mário Soares e restantes amigos nacionais e internacionais e já Álvaro Cunhal defendia a sua despenalização. Estávamos em 1940.
  • O PCP é contra a Lei da Paridade por entender que ninguém deve ser obrigado a integrar a vida política. A participação cívica na política deve fazer-se em consciência e não por decreto. Sendo certo que, por motivos sociais, a participação das mulheres na política é condicionada, o PCP também é muito claro: é fundamental que haja igualdade entre homens e mulheres na sociedade, que possam usufruir dos mesmos direitos salariais, que possam conseguir conciliar a vida familiar com as actividades que pretendam desempenhar fora dela. E enquanto o PS aprovava a Lei da Paridade, aproveitava, com a UGT, para desregular horários laborais, acentuar desigualdades, facilitar despedimentos, incluindo de mulheres grávidas.
  • Quanto a este ponto não encontro fonte, que não seja esta. É disto que falas? repara na votação.
Ouvi toda a entrevista do Carlos Carvalhas e, sinceramente, não vejo lá nada de especial.

O gráfico da votação no PCP é como uma faca cravada no meu peito. Ah, não é. Não é pelo simples facto de que o PCP não se rege pelos gráficos de votações, não exulta com sondagens. Uma das grandes preocupações do PCP é de esclarecimento das populações e do povo. E bloqueio mediático a que o PCP está sujeito, a par da histeria que houve em torno do Bloco, torna a nossa tarefa mais difícil. Mas, se fosse fácil, não seríamos comunistas, estaríamos no PS... Exemplo prático? No comício de aniversário do PCP, no ano passado, no Porto, o JN, a voz do norte, não apareceu. Depois, há o MRPP, que, com a sua foice e martelo vai roubando votos ao PCP. Estou desde os 18 anos nas mesas de voto e passaram-me pelas mãos vários boletins com duas cruzes: no MRPP e na CDU. Recordemos que, em 2011, o MRPP ganhou direito a subvenção do Estado, por ter conseguido mais de 50.000 votos.

Acredites ou não, o PCP não pauta a sua acção pela conquista de votos. É, obviamente, importante, mas não é o nosso ponto principal. E é também esse o papel da esquerda, o de informar e formar os cidadãos, de dar-lhes novas perspectivas da realidade que nos rodeia, de dar-lhes outras alternativas que não as de comentadores/formatadores de opinião que entopem a cabeça daqueles que não têm sequer tempo para viver, ocupados que estão a sobreviver.

Mas, para terminarmos de forma parecida, podes sempre verificar as alianças governativas desde 1976. E não, não vais encontrar o PCP com o PSD.

sexta-feira, março 22, 2013

Qual é a pressa, não. Porquê a demora?


Parece que o PS vai apresentar uma moção de censura ao Governo, um dia depois de um ex-ministro de José Sócrates, O Regressado, ter voltado à primeira fila do parlamento para defender o governo PSD-CDS. Jorge Lacão considerou que a proposta de resolução do PCP, que não teria um efeito prático de demissão do governo mas daria um sinal de apelo ao bom-senso do PSD e CDS, bem como um novo desafio ao Presidente da República para a demissão desta catástrofe que nos liquida. Para além do mais, permitiu dar voz à exigência que é feita de forma transversal em toda a sociedade: demitam-se.

Obviamente, o PCP votará a favor de qualquer moção de censura a este governo, ao contrário do que fez o PS. Pelo simples facto de que a preocupação do PCP é o povo português e não a agenda política.

Mas tem sido constante, ao longo desta legislatura, de cada vez que o PCP apresenta qualquer proposta, porjecto ou recomendação ao governo, o PS ergue-se da cadeira e considera tudo como um ataque ao partido da mãozinha. Talvez seja peso na consciência pelo desastre desde 2005, e outros mais para trás, em que foi alternando no poder com o PSD e o CDS, quando não em conjunto com eles.

Vamos por partes e aos factos:

Ontem, o PCP, apresentou um projecto de resolução que visava a demissão do governo, de onde retiro a parte final (aqui na íntegra):

"A Assembleia da República considera indispensável e urgente a demissão do Governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas com vista a assegurar a imediata interrupção da atual política e garantir o regular funcionamento das instituições democráticas, no respeito pela Constituição.

Assembleia da República, em 20 de Março de 2013"

O que haveria aqui para o PS discordar de forma tão veemente, que o levaria a votar contra? Calculismo político, em lugar de responder aos anseios do povo português, depois de PSD e CDS terem perdido a sua base social de apoio.

Vamos então puxar o filme mais atrás e verificar o texto da moção de censura apresentado pelo PCP em 20 de Junho de 2012, na qual o PS se absteve violentamente, bem como as justificações do PS:

O que disse o PS: "Há muitas razões para censurar o Governo e a política que está a ser posta em prática não é uma boa política. O PS não está ao lado do Governo, mas é construtivo e a moção de censura do PCP não contribuiria em nada para resolver os problemas dos portugueses".

O que dizia a moção de censura do PCP (aqui na íntegra):

"Com a recessão agrava-se brutalmente o desemprego, a atingir mais de 1 milhão e 200 mil trabalhadores, sem perspetivas de real diminuição, agravado pela falta de proteção social que decorre, por exemplo, do facto de menos de 300 mil destes trabalhadores (menos de um quarto), terem acesso ao subsídio de desemprego.
A par disso, o custo de vida aumenta cada dia que passa, nos preços dos bens e serviços essenciais (água, eletricidade, gás, alimentação, transportes), nos impostos sobre os trabalhadores e a população, ou nas taxas cobradas pelos serviços públicos

Mas também nas funções sociais do Estado com: a desagregação em curso do Serviço Nacional de Saúde, o encarecimento e a crescente dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, através do aumento das taxas moderadoras, dos medicamentos, do pagamento dos transportes de doentes, da demora para exames, tratamentos e cirurgias, do encerramento de unidades e diminuição dos seus horários, entre outras medidas; o ataque à escola pública através do despedimento de professores e funcionários não docentes, da mega concentração das escolas e de um processo de empobrecimento curricular e pedagógico; a progressiva elitização do ensino superior, com o aumento das propinas e a ausência de uma verdadeira ação social escolar; a negação ou a diminuição de prestações sociais a centenas de milhares de pessoas, num caminho inverso ao das crescentes necessidades criadas pela crise e em que progressivamente se procura disfarçar a retirada de direitos com assistencialismo exacerbado, aliás de reduzido efeito concreto nos problemas sociais de fundo".

Há um ano, o PS não via qual era a pressa em derrubar este governo. Os motivos? Os motivos são a cumplicidade e a conivência. Recordemo-nos, por exemplo, da abstenção outra vez violenta na votação do orçamento de Estado para 2012 e do que dizia então Seguro: "António José Seguro reiterou que quer "evitar que Portugal passe pelo que a Grécia está a passar" e que nunca fará ao país "o que o líder da oposição grega está a fazer à Grécia", recusando entendimentos com o primeiro-ministro".

Este poderia ser um momento de consenso nacional, um PS que, finalmente, veria o povo na miséria em vez dos mercados. Mas não é. É apenas um PS que aprovou todos os tristemente célebres Pactos de Estabilidade e Crescimento (PEC) com o PSD. E depois, quando apresentou o PEC IV, estava à espera de ter o apoio do PCP. Não, não estava. E sabia-o porque o PEV IV não era mais do que um agravamento das condições de vida semelhante ao que agora vivemos.

Basta ver o documento entregue ontem na AR pelo PCP sobre as medidas constantes no PECIV:



PEC IV

TODA A VERDADE





PEC IV – março de 2011

Medidas adicionais para 2011:

- Corte total de 1360 milhões; saúde – 85 milhões; SEE -170 milhões; AP, incluindo FSA -170 milhões; segurança social -170 milhões; despesa de capital (investimento público) 595 milhões.

- Saúde – redução de custos com medicamentos, sendo que o balanço do ano de 2011 se traduziu de facto numa redução da despesa do Estado em 19,2% mas em paralelo num aumento de 9,3%, isto é mais 66 milhões de euros, de despesa para os utentes.

- Corte despesa SEE em 15%. Traduziu-se por exemplo em aumentos médios que segundo o Governo eram de 15%, mas que em muitos casos de passes e outros títulos de transportes muito utilizados chegou aos 20 ou 25%.

- Corte nos serviços públicos (administração direta e SFA – exceto SNS, CGA e ensino superior)

- Corte no investimento público, designadamente escolas, equipamentos coletivos e infra estruturas de transportes em 400 milhões de euros

- Aumento de receitas com concessões do jogo, comunicações e energia e também venda de património



Para 2012 e 2013 em concreto quadro II.2, página 15 e seguintes


Despesa:


- Redução da despesa em pensões 425 milhões de euros em 2012

- Redução de custos com medicamentos e subsistemas públicos de saúde 510 milhões em 2012 e 170 milhões em 2013, dos quais: acordo com a Apifarma de redução de 140 milhões em 2012 de que não se sabe exatamente o resultado, sabendo-se contudo do já referido aumento dos custos com medicamentos para os utentes em 66 milhões de euros; corte nos hospitais públicos de 5% em 2012 e 4% em 2013; corte na saúde dos trabalhadores da administração pública (ADSE e outros) de 170 milhões; agregação em centros hospitalares e agrupamentos de centros de saúde, corte de 10 milhões em 2012 e 20 milhões de 2013.

- Encerramento de escolas e outros cortes na educação, incluindo mega agrupamentos – redução de 340 milhões em 2012 e 170 milhões em 2013.

- Outros cortes na administração pública (“consumos intermédios”) 340 milhões em 2012 e 170 milhões em 2013, incluindo por exemplo “racionalização da rede de tribunais”, isto é, encerramento de tribunais equivalente ao corte de 60 milhões em 2012 e 2013.

- “Controlo da atribuição das prestações sociais”, isto é, agravamento da aplicação da condição de recursos nas prestações sociais, restrições ao acesso ao subsídio de desemprego e de doença, congelamento até 2013 do IAS com consequência em todas as prestações que lhe estão indexadas e em paralelo aumento de cobrança de contribuições aos trabalhadores no valor de 340 milhões em 2013.

- Reduções no SEE, designadamente indemnizações compensatórias (por exemplo no serviço público de rádio e televisão), planos de investimentos e custos operacionais (por exemplo investimentos em escolas, outros equipamentos e infraestruturas de transportes) 595 milhões em 2012 e 170 milhões em 2013.

- Corte regiões autónomas e autarquias 170 milhões em 2012.


Receitas:


- Redução das deduções e benefícios em IRS, isto é, aumento deste imposto, com aumento de receita (em conjunto com alterações ao IRC) de mais 680 milhões em 2012 e 170 milhões em 2013.

- Aumento do IRS para reformados e pensionistas (nivelamento por baixo da dedução específica) em 255 milhões de euros a partir de 2012.

- Alteração de taxas do IVA (“progressiva simplificação”) com um aumento de cobrança de receitas de 170 milhões em 2012 e 510 milhões em 2013.

- Aumento de outros impostos sobre o consumo em mais 255 milhões em 2012.



Entretanto o PEC IV vangloria-se de medidas já em curso (“reformas estruturais”) como a chamada “melhoria da flexibilidade e adaptabilidade do mercado de trabalho com uma revisão da legislação laboral que teve importantes reflexos, por exemplo, no indicador de flexibilidade do mercado de trabalho construído pela OCDE”. Trata-se afinal da conhecida revisão para pior, pela mão de Vieira da Silva, do código de Bagão Felix. Aliás com o PS tivemos: o fim do princípio do tratamento mais favorável; uma ainda maior generalização da precariedade por exemplo com um novo contrato de trabalho intermitente; a alteração do período experimental para 180 dias (depois declarada inconstitucional); a desregulamentação dos horários de trabalho com os bancos de horas, as adaptabilidades e medidas afins; facilitação do processo de despedimento e diminuição dos recursos de defesa dos trabalhadores; o ataque à contratação coletiva com a caducidade dos contratos; o ataque à liberdade de organização sindical e ao direito à greve, designadamente com a tentativa de instituição abusiva de regras de serviços mínimos.

Facto significativo também é o compromisso com a “antecipação do programa de privatização” face ao PEC III, prevendo-se um valor de 2.184, 2.255 e 1.145 milhões respetivamente em 2011, 2012 e 2013.

Posto isto, a questão que se coloca não é qual é a pressa, mas sim a que se deveu a demora? Pessoalmente, acho que se deveu à confiança abusiva na memória curta dos portugueses.

segunda-feira, março 18, 2013

Entrevista do Candidato da CDU à CM Matosinhos

José Pedro Rodrigues, candidato da CDU à Câmara Municipal de Matosinhos, 
em entrevista ao JN.


José Pedro Rodrigues é o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos. Com a responsabilidade de substituir um peso pesado comunista. 

Presumindo que o objetivo é voltar a eleger um vereador, como é que um desconhecido se propõe substituir um deputado mediático como Honório Novo?

Pudemos contar com Honório Novo enquanto autarca e candidato durante 12 anos. O que coincidiu com o período em que assumi responsabilidades na Assembleia Municipal. Considerou-se que esta seria a solução indicada para encabeçar uma candidatura que proporcione uma alternativa. 


Honório Novo já não era capaz de proporcionar essa alternativa?

Certamente que seria capaz. Mas achou-se, nesta altura, que eu seria a pessoa indicada, com um compromisso baseado nos mesmos princípios de candidatos anteriores. 

Insisto, é um desconhecido para a esmagadora maioria dos matosinhenses. Isso não será um problema?

Assumindo que a população não me conheça tão bem, tentaremos provar com o nosso programa que têm razões mais que suficientes para confiarem na CDU e nos seus candidatos. 

Como sabe, os cidadãos mais do que em programas e listas, votam em pessoas, sobretudo nas autárquicas. 

A minha intervenção enquanto eleito em Matosinhos, vai para 12 anos – e não me sinto muito confortável a falar de mim -, não perdeu em termos de qualidade, capacidade e ativismo com nenhuma outra bancada. Quem vê caras não vê corações. Vamos tentar que esse eventual desconhecimento se transforme em confiança. 



Apesar do seu otimismo, os últimos resultados autárquicos da CDU jogam contra si: perderam cerca de metade dos votos. 

A disputa de poder entre Narciso Miranda e Guilherme Pinto acabou por transformar as eleições numa disputa emocional. Não era uma disputa de programas, nem de projetos ou ideias diferentes, era uma disputa de poder. 

Na apresentação da sua candidatura fez um apelo: “Não permitam que a decisão racional seja prejudicada pela disputa emocional”. Não está com isso a menorizar a capacidade dos eleitores?

Houve um discurso que chantageou os matosinhenses nas últimas eleições. A disputa de poder no PS foi degradando a vida política no concelho. O que se passou há quatro anos foi um combate político sem nível, degradante, insultuoso.

Mas nestas eleições vai acontecer exatamente a mesma coisa: duas candidaturas da área do PS. A escolha voltará a ser emocional?

Tendo percebido as consequências, esperamos que os matosinhenses possam perceber que a alternativa não está no PS oficial ou no PS independente. Este PS tem sido incapaz de fazer frente à tragédia social e económica de que o concelho sofre. Boa parte da sua intervenção aquando do lançamento da candidatura foi dedicada à situação política nacional. 


Vai fazer uma campanha centrada na crise a nível nacional, em vez de uma campanha centrada na autarquia?

Estas eleições enquadram-se nummomento muito complicado da vida do país. O problemapresente na cabeça das pessoas neste momento é chegar ao fim do mês. 

Mas vai orientar a sua campanha para a situação de crise a nível nacional ou para as questões particulares do município de Matosinhos? Não são abordagens iguais.

Mas são convergentes. Matosinhos era um dos concelhos mais industrializados do distrito do Porto. Gerou-se a ideia que Matosinhos era um concelho onde se habitava e onde se trabalhava no setor dos serviços e que as fábricas eram uma realidade do passado. Somos contra essa conceção. O país perdeu, entre 2006 e 2010, 24% das suas empresas transformadoras, Matosinhos perdeu 35%. 

Mas isso é da responsabilidade da autarquia ou tem a ver com a crise nacional?

O encerramento de empresas mais acelerado em Matosinhos do que no país deve-se ao facto de não haver umapolítica que favoreça a implantação industrial. 

O PCP já acusou os responsáveis autárquicos de terem trocado fábricas por prédios, referindo-se a Matosinhos-Sul. Eu diria que a Câmara trocou barracões abandonados por prédios. 

A Câmara foi privilegiando, na suareorganização do território, um urbanismo à la carte, transformando as zonas mais apetecíveis em aglomerados habitacionais. 

Foi a Câmara que transformou ou foi a atividade económica que morreu, obrigando à reconversão? As câmaras não podem manter fábricas abertas à força.

Não atribuo à Câmara a responsabilidade pelo encerramento das conserveiras. Mas houve sempre uma pressa muito grande em transformar espaços vazios em zonas de especulação imobiliária. A opção foi sempre demolir e construir habitação.  




A Câmara privilegia os interesses dos promotores imobiliários e empreiteiros?

Esta Câmara privilegia um urbanismo descontrolado, com níveis de construção acima do que era razoável, sem ter a capacidade de terminar um PDM que agregasse as redes viárias, a malha industrial e os equipamentos estratégicos que existem no concelho. Matosinhos está no coração do Noroeste Peninsular e perdeu para a Galiza a primazia na implementação da plataforma logística intermodal.

A Galiza tem um Governo regional, Matosinhos é só um concelho.

Sendo só um concelho, tem o Aeroporto do Porto ao lado, tem o porto de Leixões, tem redes viárias que o ligam a todo o Norte e à Galiza e não foi capaz de aproveitar essas condições, porque não existe uma política de desenvolvimento industrial, não foi capaz de criar parques que pudessem fixar emprego ematividades industriais transformadoras. E as opções erradas refletem-se hoje no facto de Matosinhos ter um desemprego jovem que é o dobro da média nacional. Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2013, o desemprego jovem cresceu 26% no país, 27% no Norte, e 56% em Matosinhos. Há cada vez menos trabalho e essa escassez está a refletir-se no agravamento da situação social, com casos de fome e de miséria. 

A Câmara não tem preocupações sociais?

A Câmara investe em resolver as coisas a jusante. Enquanto o problema não for enfrentado a montante, enquanto não se criarem condições para recuperar o dinamismo industrial, estes problemas vão agravar-se. 

Está a defender que se desvie dinheiro do apoio social [a jusante] para o investimento [a montante]?

Não pode deixar de se prestar apoio social. Não é daí que o dinheiro deve ser desviado. Mas pode ser desviado de muitas outras coisas. 

Por exemplo?

A Câmara de Matosinhos gastou mais de meio milhão de euros em pareceres jurídicos externos e trabalhos de consultadoria externos. Em propaganda e publicidade gasta mais de um milhão de euros por ano. Foi apoiando esporadicamente uma ou outra empresa que se instalou em Matosinhos. Estamos a falar de muitos milhões de euros que a Câmara, ao longo dos anos, foi partilhando com algumas empresas.


quarta-feira, março 06, 2013

sexta-feira, março 01, 2013

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Protestos indignos - o medo do Zeca

Parece que os protestos dos últimos dias deixaram muita gente incomodada. Gente da direita no poder, pois claro e por motivos óbvios, e da direita que não está no poder, como Francisco Assis e Augusto Santos Silva, a que se juntam fazedores de opinião independentes. Tão independentes como Marques Mendes, Carlos Abreu Amorim, Silva Pereira, Lobo Xavier, Marcelo. Todos descomprometidos com o poder.

Consta que não é aceitável, legítimo, democrático, um atentado à liberdade de expressão. Um mau exemplo, ao que parece, que os dois últimos protestos não foram realizados em locais apropriados.

Parece que o melhor Povo do mundo passou a ser, outra vez, como nos anos da governação de Sócrates, o PCP. Percebe-se o incómodo de Santos Silva, o que gosta de malhar na esquerda, no PCP, e de Assis, ex-líder parlamentar do PS. Eles próprios viram do que o melhor Povo do mundo é capaz e saíram, entregando o país ao PSD-CDS e FMI, três dias depois de os banqueiros terem dito que era preciso "ajuda" externa. Eles assinaram o memorando, PSD e CDS colocaram-no pior do que já era. E continuam sem perceber que o melhor Povo do mundo já não aguenta mais, ao contrário do que diz o amigo Ulrich.

Por um lado, o PSD já teve a sua Beatriz Talejón em Duarte Marques - dois farsolas - que se até se manifestou aquando da "Geração à Rasca". Era preciso sair à rua com os jovens. No ano passado, a foi a vez de a Juventude Socialista sair à rua, na primeira manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika. É também a isto que deve chamar-se alternância democrática, em versão protesto.

Sejamos objectivos: a constante desvalorização das enormes manifestações que se verificaram em Portugal nos últimos anos levam a lutas mais contundentes. O que ouvíamos do governo do PS é o mesmo que ouvimos do governo PSD-CDS. "As manifestações são um direito democrático", ponto. É isto que retiram de milhares de pessoas que se manifestam. Mas prosseguem o saque.

O Povo não quer esta política nem este governo. E podem apresentar as sondagens que quiserem. Façam sondagens à porta dos centro de emprego. Façam uma com os milhares de jovens e não só que estão desempregados, com os que emigraram, com os trabalhadores precários, com quem viu a sua reforma roubada, com os que viram as suas pensões reduzidas, com os que não podem pagar taxas moderadoras, com os pais das crianças que desmaiam com fome, com todos os que sofrem com o caminho de miséria para onde aquela gente nos empurra.

Com a posição demonstrada por Assis e Santos Silva, o PS prova que aprendeu nada. Distanciar-se destes protestos mostra que continua a não ser alternativa e apenas alternância. E alguns incomodam-se mesmo com a Grândola. Talvez porque saibam que Zeca Afonso tinha intervenção política na música e fora dela e que, hoje, o que fazem os que protestam não é homenageá-lo, é defendê-lo. Para que viva. Para que viva sempre.

Fica um excerto da entrevista de Zeca Afonso à RTP, em 1984, tão actual. E é também por isto que o Zeca os assusta tanto:

"Os jovens, e eu digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles - que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que agora estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, não só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens.
Os jovens deparam-se problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos, o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade. 


 

Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos, nós refiro-me à minha geração, de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos, é, de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus-banqueiro que é imposta aos jovens de hoje.
Tal como nós, eles têm que a combater, que a destruir, que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente que não é, com certeza - estou convencido -  a sociedade de hoje
".

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Ascensão e queda de Beatriz

Beatriz Talegón tornou-se viral na internet com o vídeo abaixo e fez feliz uma série de gente. Uma série de verdades ditas por alguém do PSOE que deviam fazer corar de vergonha qualquer partido que tenha estado na reunião da Internacional "socialista".

Confesso que o que mais me fez pensar no discurso de Beatriz foi o que leva alguém a estar num partido que pratica o contrário do que um militante defende. Entendamos: há sempre espaço para divergências dentro dos partidos. Há no qual milito e, creio, haverá também nos outros. Mas há questões de fundo, de princípio de que não abdico. E, como tal, não percebo a Beatriz. Como poderia eu estar, por exemplo, num partido que defende na opinião pública o aumento do salário mínimo mas que, no Parlamento, na casa da Democracia, rejeita duas propostas nesse sentido, considerando-as demagogas e populistas?


Falo agora directamente para a Beatriz, que é quase da minha idade e fala como se fosse minha camarada - e ela não há-de importar-se, que não me lerá. Não podemos defender o que não praticamos. Podemos. Afinal podemos. Mas isso é o PSOE, como cá é o PS. E se a tua prática não vai além das palavras - do que agora se chama, pomposamente, soundbites - então, estás no lugar certo.

Já sabemos que estiveste no Parlamento Europeu, onde ganhavas 3.000 euros por mês, se dividirmos o teu salário global por 14 meses. E bem. Todos pudessem ganhar o mesmo. Mas eras funcionária do PSOE e, daqui, podemos tirar duas confusões: uma, demonstraste uma coragem notável ao afrontar assim o teu patrão. Outra, foste na onda dos soundbites e criaste um fait-diver. Daqueles para enganar, dos que faz um partido parecer aquilo que não é aos olhos dos mais incautos. E dos que dão mau nome aos partidos, daqueles existem para servir e não para servir-se

Uma espécie daquilo que em Portugal se chama "a ala esquerda" do PS, como se fosse possível um partido verdadeiramente socialista não ser todo ele de esquerda. A partir do momento em que não é, deixa de ser socialista e passa a ser perpetuador de tudo aquilo que criticaste - e bem - a partir de um hotel de 5 estrelas em Cascais.

Há outra Beatriz nesta história. A minha. Tem seis anos e há-de ser o que quiser. Mas procurarei sempre fazer com que seja fiel a ela própria. E que seja verdadeira, genuína, que assuma os erros e virtudes que há-de cometer e ter. Que não tenha duas caras. Que seja sempre frontal e directa, mesmo quando a necessidade é maior do que a moral.

De acordo com o teu ex-colega no PSOE, Julián Jiménez, não o foste e ele explica os motivos que o levam a tecer a carta aberta publicada no La Republica. Eu não sei se, como ele, terás percebido e assumido os erros que cometeste e vais ser consequente com o que defendeste nos 10 minutos da tua intervenção.

"Pero cuando hacemos que nos hemos equivocado de “boquilla” pero no en nuestros actos, corremos el riesgo de aparentar lo que no somos. Por ello no creo tus palabras. Porque si fueran sinceras ¿Por qué no te has ido del PSOE?¿Donde dormiste tú cuando criticabas el hotel de lujo en el que os reuníais los “socialistas del mundo mundial”? ¿Dónde está tu carta de renuncia de tus responsabilidades? ¿Donde esa carta para unirte sinceramente posteriormente a quienes llevan años en la calle protestando?"

O que te pede o teu ex-colega é apenas que sejas consequente. Que, como dizes no texto, deixes o hotel de 5 estrelas e te juntes à rua com os cidadadãos que sofrem, no teu país como no meu, com as políticas levadas a cabo pelo teu partido e pelo seu partido-irmão, aqui em Portugal. Estamos sempre a tempo de mudar. Eu serei o primeiro a fazê-lo se o meu Partido deixar de ser aquilo que é.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

O miúdo veste o quê?


O Tiago já deixou aqui uma compilação dos artigos dedicados pelos opinadores do Expresso ao XIX Congresso do PCP. Se as respostas dadas por mim e pelo Francisco respondem ao Daniel Oliveira e ao Henrique Monteiro, vi hoje um novo artigo relacionado com o Centro de Trabalho Vitória.

Com o sugestivo título "O PCP veste Prada... e Gucci!", o miúdo ali em cima, de nome João Lemos Esteves, debita uma série de lugares-comuns e factos errados que, tendo em conta o facto de escrever num blog do Expresso, poderá valer-lhe um grande futuro no grupo de Balsemão.

Por pontos, o escriba dedica-se a especular sobre os comunistas; o que são, os seus Centros de Trabalho, como vivem e o que vestem. Vamos, assim, responder ponto por ponto.

Ponto 1 - "As crenças de criança" estão em todo o artigo. O autor ignora o facto de o PCP, quando adquire um imóvel, não poder controlar a vizinhança. É mais ou menos como nos blogs. Eu não controlo, e ainda bem, porque me divertem, os disparates que se escrevem noutros blogs. O "partido marginal" no panorama político e social é mais uma "crença de criança" do miúdo.

Ponto 2 - O PCP convive na Avenida da Liberdade com quem passou a existir ao seu lado. Sem qualquer preconceito que os preconceituosos anti-comunistas acham que os comunistas têm. Ao "luxuoso edifício" iremos mais à frente.

Ponto 3 - O miúdo acha que os Centros de Trabalho do PCP não devem ter televisão, menos ainda Sport TV. Pode parecer-lhe estranho, mas os Centros de Trabalho do PCP até têm - imagine-se - computadores com internet! Os Centro de Trabalho que reúnem condições para tal são espaços onde os militantes e não-militantes convivem. Não, ao contrário do que pensa o miúdo, a vida dos comunistas não se resume ao Partido. Até porque o Partido está em tudo o que os seus militantes fazem. No futebol também. Pode passar pela Catedral da Luz e por lá verá artigos de comunistas sobre - espante-se - futebol.

Ponto 4 - O miúdo delira.

Ponto 5 - O miúdo gostava que assim fosse.

Ora, voltando ao CT Vitória, a ignorância do miúdo é algo de tão atroz que serve para explicar tudo o mereceu ser replicado acima - pontos houve que só existem na cabeça do autor. Assim, aqui fica para informação:

Adquirindo o edifício em 1984 (graças à campanha «60 mil contos para o Vitória»), o PCP empreendeu desde então diversas obras de recuperação e reintegração do edifício no seu desenho original, bastante degradado sobretudo a partir dos anos 60. Nas obras dos anos 80 é feito um restauro de toda a fachada, repondo a pala circular sobre a entrada, que fora destruída, e reconstruindo a pérgola do terraço, que ruíra no sismo de 1969. Nas obras dos anos 90 todo o piso térreo é recuperado na base dos elementos decorativos de origem. Com a passagem a Centro de Trabalho Vitória o edifício não só ganhou uma nova e intensa vida, como recuperou toda a dignidade de um dos mais singulares edifícios da cidade de Lisboa.

Ou seja, no PCP não há Somagues, Modernas, sobreiros, submarinos, financiamentos que passam pelo Brasil, Tecnoformas, etc. O PCP votou contra a Lei dos Partidos por entender que estes devem viver através da militância e empenho dos seus membros, com receitas próprias.

Por fim, alguém diga ao miúdo que o PCP não só tem um Centro de Trabalho na Avenida da Liberdade, em Lisboa, como tem outro na Avenida da Boavista, no Porto, e, pasme-se, uma quinta na Amora!

Aprender, aprender... sempre!

O Daniel não percebe

O Daniel Oliveira, que era há uns tempos a vanguarda da esquerda livre e democrática na blogosfera, não percebe como é que o PCP pode começar um congresso a uma sexta-feira, sendo um dia de semana. Ou melhor, percebe e conclui:

"Só de uma forma: se uma parte significativa desses delegados trabalharem para o partido, forem eleitos para cargos políticos com disponibilidade a tempo inteiro ou forem assalariados de organizações que lhe são próximas".

Há muita coisa que o Daniel Oliveira não percebe, mas, centrando-me apenas nesta, eu explico:

É possível começar com o exemplo da Festa do Avante!. Como podem os comunistas construir uma evento político, cultural, artístico daquela dimensão? Pela lógica do Daniel, seria através de funcionários do Partido ou de organizações que lhe são próximas. Qualquer pessoa que conheça a Festa do Avante! sabe que tal seria impossível. Então, como se faz?

Chama-se militância. É encarado como dever dos comunistas logo que aceitam o Programa e Estatutos do Partido. Eu utilizo dias de férias para ajudar a construir a Festa do Avante!, como fazem centenas de outros camaradas meus. Da mesma forma, muita gente utilizou um ou mais dias de férias para poderem estar no XIX Congresso.

Parecerá estranho ao Daniel que o tempo de cada um seja utilizado da forma que pretende, no caso, para participar num acto de cidadania que é a militância política activa?

Explica-se assim, de forma simples, uma mentira absoluta tida como verdade certa pelo Daniel.

Já agora, como foi possível organizar tantas assembleias e reuniões para que fossem discutidos o programa, estatutos e teses? Eu explico também. Por milhares de trabalhadores, estudantes, reformados que consideram importante estar na discussão do que queremos que seja o Partido.

Não era preciso ser muito inteligente para perceber isto. Mas estamos a falar do Daniel Oliveira.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Censura e Greve Geral - uma orgia em forma posta

Conta-se aqui que quando uma minhoca olha para um prato de esparguete pensa: "olha, uma orgia"!

O que sucedeu nos últimos dias foi mais ou menos uma orgia. CDS e PSD mais ou menos enrolados e o PS naquela situação confortável de "agarrem-se se não eu mato-os". Pelo meio, manifestações gigantescas, umas inorgânicas, outras convocadas pela CGTP. A segunda, levou a observações ao minuto e acompanhamento de tuiteiros de sofá que afirmavam que, segundo as imagens aéreas, a CGTP não tinha conseguido encher o Terreiro do Paço. Depois calaram-se, porque a realidade superou a ficção.

Entretanto, após a polémica da TSU, que o PS cavalgou para reclamar a vitória no recuo do governo - desvalorizando as acções de massas -; o PS voltou a ser igual a si próprio: o partido da rosa. De esquerda, só tem a mãozinha com que aparece nos boletins de voto.

Impressionante mesmo é a forma como, em duas semanas, a moção de censura que o PS colocou em cima da mesa deixou de fazer sentido, quando foram apresentadas outras duas, uma delas pelo PCP. Segundo o líder parlamentar Carlos Zorrinho, "as moções de censura só fazem sentido quando são para derrubar um governo". Portanto, Zorrinho acreditava mesmo que o CDS seria um partido com princípios e abdicaria dos lugares de governo. É enternecedor, mas também é de um a credulidade chocante vinda de alguém há tantos anos na vida política. 

Para o PS, o roubo de um salário só seria mau se fosse conseguido através da TSU. Uma moção de censura contra o roubo de mais de um salário através do IRS, do IMI, ficará para "análise depois de aprovado o Orçamento de Estado de 2013", segundo a eurodeputada Edite Estrela.

Sintomático do limbo em que se encontra o PS foi a sua abstenção (violenta?) nas moções. Mais; o PS doeu-se mais pela apresentação das moções do que o próprio governo. Apesar disso, nas intervenções durante a manhã de hoje, a bancada do PS teceu duras críticas ao governo. Mas depois absteve-se.

Refira-se que no texto da moção do PCP, apenas há duas referências ao PS, que passo a transcrever:

"O Governo PSD/CDS intensificou - a partir da aplicação do pacto de agressão que constitui o memorando assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira - uma violenta ofensiva contra os trabalhadores, o povo e o País, que se prepara para acentuar na proposta de Orçamento do Estado para 2013."

 (...)



"Os 36 anos de política de direita, aplicada por sucessivos Governos, mesmo depois de prometerem mudanças que nunca fizeram, levaram o País à situação em que se encontra. A aplicação do pacto de agressão - subscrito por PS, PSD e CDS com a troica, com o apoio cúmplice do Presidente da República – é o cerne da política do Governo. A rejeição do pacto de agressão, a derrota do Governo PSD/CDS são indispensáveis para abrir caminho a uma verdadeira mudança de política, que não se basta com a eliminação pontual de medidas ou com a alteração da forma como são apresentadas ou aplicadas."

Não sei se o PS pretenderia colocar-se à margem do memorando. Mas foi assinado pelo partido, pelo que qualquer referência ao mesmo obrigaria à inscrição da sua sigla. Antes não fosse assim. 

Surgiu pelo meio da confusão a reclamada e mais que justa greve geral da CGTP, à qual Proença e a sua central, UGT, disseram desde logo que não. O desemprego não lhe afecta a barriga, os baixos salários também não. O facto de os trabalhadores terem os seus rendimentos ao nível de 1999 não lhe faz confusão.

Já não espanta a mim, que vou a caminho das três décadas, deve espantar ainda menos os mais velhos e os mais atentos. Pode ser que volte a perder tempo com esta organização criminosa mais lá para a frente. Criminosa, sim, para com aqueles que tem o dever de defender.

Ficamos pois, com duas tarefas árduas, às quais já estamos habituados: combater a pressão dos patrões e a desinformação da UGT para que seja uma grande greve geral.

Uma palavra ainda para o CDS, que tenta a todo o custo passar por entre os pingos da chuva mas acabou com Paulo Portas encharcado, depois da intervenção de Honório Novo

Nós estamos a fazer história. E voltaremos a fazê-la no dia 14 de Novembro.

E só há dois lados nesta barricada. "Se o governo não ouvir os trabalhadores a bem, irá ouvir os trabalhadores a mal".

 
O nosso pai era um sindicalista,
Um dia serei também.
O patrão demitiu o meu pai,
O que vai a nossa família vai fazer?

Venham todos os trabalhadores,
temos uma boa notícia
Vou dizer-vos como o Sindicato 
está aqui de pedra e cal.

Refrão:
De que lado estás?
De que lado estás?

O meu pai era mineiro
e eu filho de mineiro sou
E estarei com o sindicato
até que todas as batalhas terminem.

Dizem que em Marlan não háneutralidade,
preferes ser um sindicalista,
ou um cão de fila para J.H Blair?

Trabalhadores, conseguem suportar isto?
Diz-me se serás um rato,
ou serás um homem?
 
Não creiam nos patrões,
Não ouçam as suas mentiras
Somos gente pobre,
não temos futuro 
se não nos organizamos.
 
 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Do 8 ao 80 em 5Dias

Há 5Dias assim. Há 5 dias, o Renato e a Raquel davam como exemplo a plataforma 15O para a democracia mais pura, os amanhãs que cantavam para um Povo dividido entre precários, não precários, sindicalizados e não sindicalizados, onde a CGTP incorpora os demónios, ao que parece, porque os militantes do PCP são eleitos pelos seus pares para cargos de direcção na Intersindical

Ao que parece, a CGTP tem seguranças que não deixam as pessoas participarem livremente nas suas manifestações e ainda está de braço dado com os malvados polícias, fazendo cordões à volta de manifestantes que só na cabeça destas duas almas são indesejados.


No sábado, a plataforma 15O não repetiu os feitos anteriores no que respeita à mobilização. É assim que funciona quando a imprensa não nos leva ao colo ou passa 15 dias a falar sobre a coisa.

Curiosamente, no sábado ficámos a saber que a plataforma 15O também tem seguranças e, pasme-se, veda o acesso à manif a um conjunto de cidadãos com recurso aos malvados polícias. Entenda-se que fizeram bem. Eu também não estaria numa manifestação com fascistas, o que leva a duas perguntas:

Quem garante que nas outras manifs não estariam as mesmas pessoas, não identificadas, já que, pelo menos nas primeiras, não havia um fio condutor de linha política, uma alternativa ou um plano de acção claro e ideológico?



Agora que a plataforma 15O assumiu que tem seguranças e que recorre à polícia para circunscrever manifestantes a um espaço delimitado, qual será o argumento para atacar a CGTP, para além do PCP que, ao que parece, é um alvo crónico de um movimento tão agregador?

Na sexta, comentei o texto acima linkado avisando que “todos juntos, lado a lado, cada um com a sua política (e o seu pensamento) nas mãos. E se o logramos certamente também com uma garrafa de champagne, para celebrar a vitória" era uma afirmação perigosa. Todos é muita gente. Como se provou, cuspir para o ar em dias em que não há vento pode ser um problema.