Hoje, depois dos telejornais da hora de almoço, José Sócrates veio anunciar-nos publicamente o que já sabíamos: Vai voltar a roubar-nos. Vai aumentar o IVA, o imposto mais injusto de todos os impostos, que tributa de igual forma quem ganha 400 e quem ganha 40.000. Na verdade, não surpreende, menos ainda quando foi firmado um pacto pelo gang do bloco central. E por aqui, ainda alguém se lembra do Passos Coelho da ruptura, do rasgo ou da união, que não seja a união ao PS?
Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.
Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.
O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
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quinta-feira, maio 13, 2010
O Roubo - este não é um post sobre gravadores
terça-feira, maio 04, 2010
Homens ao mar!
Ando um bocado farto de discursos. De Cavaco a Aguiar Branco, passando por Sócrates, Gama, profetas da desgraça e optimistas militantes. Não, a situação não está fácil, mas nunca esteve. Aliás, desafio alguém - vivo - a dizer-me quando é que estivemos bem, sem crise, fosse do défice, fosse internacional, fosse financeira ou económica.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
terça-feira, abril 13, 2010
Um novo PSD igualzinho ao anterior, mas com boa imprensa
Já está. Conforme se previa aqui, Passos Coelho já é líder do PSD. Em 15 dias, o PSD realizou dois congressos e teve ainda tempo para umas directas, numa capacidade organizativa de fazer corar de inveja qualquer agência de eventos. Este foi o XXXIII congresso do PSD, quase tantos como anos de vida, numa belíssima imagem de estabilidade interna de um dos partidos que se diz alternativa de Governo.
Deste último congresso, segundo o que consegui ouvir nos intervalos do comentário político, saiu um novo PSD, um PSD renovado, com Miguel Relvas como secretário-geral pela terceira vez, com Rangel - sim, o mesmo que acusou Passos-Coelho de estar a fazer favores a Sócrates durante um debate - no Conselho Nacional e a Aguiar Branco, líder parlamentar de Ferreira Leite, caberá rever o programa do partido.
Nas propostas, encontramos menos estado, uma revisão constitucional, menos estado, mais privatizações, incluindo a RTP, menos estado, contenção salarial e menos estado.
Temos um PSD renovado, portanto.
Deste último congresso, segundo o que consegui ouvir nos intervalos do comentário político, saiu um novo PSD, um PSD renovado, com Miguel Relvas como secretário-geral pela terceira vez, com Rangel - sim, o mesmo que acusou Passos-Coelho de estar a fazer favores a Sócrates durante um debate - no Conselho Nacional e a Aguiar Branco, líder parlamentar de Ferreira Leite, caberá rever o programa do partido.
Nas propostas, encontramos menos estado, uma revisão constitucional, menos estado, mais privatizações, incluindo a RTP, menos estado, contenção salarial e menos estado.
Temos um PSD renovado, portanto.
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terça-feira, abril 06, 2010
Eu também estou solidário, Mexia
Fico sempre comovido quando alguém sai em defesa dos fracos e oprimidos. Hoje foi a vez do Paulo Ferreira, no Jornal de Notícias. O jornalista sai em defesa do pobrezinho do António Mexia, que vai receber um prémio de apenas 3,1 milhões de euros. O Paulo Ferreira não quer que os ricos paguem a crise e eu discordo. Por uma vez, só uma, acho que deviam, pelo menos, ajudar a pagá-la.
Para o Paulo Ferreira, a contestação ao prémio do Mexia é fruto da "inveja social", que considera ser "uma atávica característica dos portugueses". E quem fala assim, não só não é gago, como só pode ser estrangeiro. Claro que nunca é fácil criticar (algumas) figuras públicas, por isso, o autor esclarece que não é a inveja que move "move Seguro, Amaral, Neto e muitos dos que com eles concordam". Ficamos então sem perceber onde entra a inveja: Se nos portugueses todos ou apenas nos portugueses que não são ex-ministros, administradores ou ex-administradores.
O suprema explicação para o prémio de gestores como Mexia vem na conclusão, que por acaso é óbvia desde a primeira linha do artigo: "Portugal precisa como de pão para a boca é mesmo de gente com mérito e capacidade de trabalho". Deixo claro que concordo com o princípio. Portugal precisa de gente com mérito e capacidade de trabalho, mas não apenas de gestores e administradores com mérito e capacidade de trabalho.
O Paulo Ferreira, acérrimo críticos de direitos laborais consagrados na Constituição, devia lembrar-se que há gente com mérito e capacidade de trabalho fora dos gabinetes dos administradores, empregados e assalariados que todos os dias dão o seu melhor e o prémio que recebem é, na maioria das vezes, o salário mínimo.
Mas pode o Paulo Ferreira ficar descansado, que Mexia receberá a remuneração justa, apesar das críticas. Hoje mesmo, a EDP anunciou que "António Mexia vê reduzido o prémio anual de 100% para 80% do salário, mas terá um bónus no final do mandato, em 2011, de cerca de 120% do salário fixo."
Está feita justiça.
PS: Dou de barato que o Paulo Ferreira duvide dos lucros astronómicos da banca. Afinal, o "astronómico" é subjectivo. Mas podia ser intelectualmente honesto e lembrar-se dos benefícios fiscais obscenos, insultuosos e injustificados daquele sector.
Para o Paulo Ferreira, a contestação ao prémio do Mexia é fruto da "inveja social", que considera ser "uma atávica característica dos portugueses". E quem fala assim, não só não é gago, como só pode ser estrangeiro. Claro que nunca é fácil criticar (algumas) figuras públicas, por isso, o autor esclarece que não é a inveja que move "move Seguro, Amaral, Neto e muitos dos que com eles concordam". Ficamos então sem perceber onde entra a inveja: Se nos portugueses todos ou apenas nos portugueses que não são ex-ministros, administradores ou ex-administradores.
O suprema explicação para o prémio de gestores como Mexia vem na conclusão, que por acaso é óbvia desde a primeira linha do artigo: "Portugal precisa como de pão para a boca é mesmo de gente com mérito e capacidade de trabalho". Deixo claro que concordo com o princípio. Portugal precisa de gente com mérito e capacidade de trabalho, mas não apenas de gestores e administradores com mérito e capacidade de trabalho.
O Paulo Ferreira, acérrimo críticos de direitos laborais consagrados na Constituição, devia lembrar-se que há gente com mérito e capacidade de trabalho fora dos gabinetes dos administradores, empregados e assalariados que todos os dias dão o seu melhor e o prémio que recebem é, na maioria das vezes, o salário mínimo.
Mas pode o Paulo Ferreira ficar descansado, que Mexia receberá a remuneração justa, apesar das críticas. Hoje mesmo, a EDP anunciou que "António Mexia vê reduzido o prémio anual de 100% para 80% do salário, mas terá um bónus no final do mandato, em 2011, de cerca de 120% do salário fixo."
Está feita justiça.
PS: Dou de barato que o Paulo Ferreira duvide dos lucros astronómicos da banca. Afinal, o "astronómico" é subjectivo. Mas podia ser intelectualmente honesto e lembrar-se dos benefícios fiscais obscenos, insultuosos e injustificados daquele sector.
quarta-feira, março 17, 2010
A casa dos outros
Nada tenho a ver com a vida interna do PSD, nem de outro qualquer partido que não seja o meu. No entanto, a impreparação e amadorismo dos três candidatos à liderança do PSD, mas também do restante aparelho, são anedóticas. Não é preciso ser um génio para perceber que a norma aprovada em congresso seria aproveitada politicamente pelo PS - de uma forma ainda mais absurda, levando o caso à AR.
Por isso, não deixa de ser curioso que ninguém no PSD, antes da aprovação - então uma hipótese que veio a verificar-se - se tenha lembrado de passar os olhos pelos estatutos do PS, e verificar o artigo 94.º. Não era preciso muito.
Noutra casa, noutro quadrante, decorre uma novela que passa ao lado dos media dominantes.
Logo que Alegre anunciou a candidatura à presidência, o Bloco anunciou o seu apoio. Pareceu-me, logo na altura, precipitado, mas, lá está, é na casa dos outros. Mais recentemente, Nobre apresentou também a sua candidatura, que agradou a muita gente do BE. Agora, um grupo de militantes pretende uma convenção extraordinária- um congresso, para quem não sabe - para rever a questão.
A direcção do Bloco - não sei se chama assim, mas não me apetece pesquisar o termo - ter-se-à pronunciado sobre a iniciativa, num comunicado que não encontro no site, que até já mereceu uma reacção contrária de um dos movimentos que esteve na origem do BE. O dono da blogosfera oficial bloquista já se pronunciou e faz de porta-voz da defesa da direcção. O link para o Arrastão surge apenas para que se perceba a história, tendo em conta a ausência de notícias. Ressalvo que deixei de visitar Arrastão aquando das mentiras que o dono do blog escreveu e jamais desmentiu.
O que aqui me preocupa não é a vida interna do Bloco. É antes o total silenciamento que esta questão está a merecer por parte da comunicação social. A única referência que vi surgiu numa breve do JN no sábado passado.
Na véspera de um dos actos eleitorais do ano passado, o Público divulgou uma notícia, que já não me lembro se foi manchete, mas que deu uma página inteira, com o abandono de um(!) militante do PCP, que, curiosamente, como veio a ser reconhecido, já estava longe política e ideologicamente do Partido. Qual é o critério da informação?
Esta não é uma questão menor. O BE tem cerca de 7.000 militantes e parece-me que são muito poucos para que esta divisão continue a passar ao lado de toda a imprensa. Se fosse num Partido que eu cá sei, a questão merecia outro tratamento, e é esse tratamento o objecto deste post.
Por isso, não deixa de ser curioso que ninguém no PSD, antes da aprovação - então uma hipótese que veio a verificar-se - se tenha lembrado de passar os olhos pelos estatutos do PS, e verificar o artigo 94.º. Não era preciso muito.
Noutra casa, noutro quadrante, decorre uma novela que passa ao lado dos media dominantes.
Logo que Alegre anunciou a candidatura à presidência, o Bloco anunciou o seu apoio. Pareceu-me, logo na altura, precipitado, mas, lá está, é na casa dos outros. Mais recentemente, Nobre apresentou também a sua candidatura, que agradou a muita gente do BE. Agora, um grupo de militantes pretende uma convenção extraordinária- um congresso, para quem não sabe - para rever a questão.
A direcção do Bloco - não sei se chama assim, mas não me apetece pesquisar o termo - ter-se-à pronunciado sobre a iniciativa, num comunicado que não encontro no site, que até já mereceu uma reacção contrária de um dos movimentos que esteve na origem do BE. O dono da blogosfera oficial bloquista já se pronunciou e faz de porta-voz da defesa da direcção. O link para o Arrastão surge apenas para que se perceba a história, tendo em conta a ausência de notícias. Ressalvo que deixei de visitar Arrastão aquando das mentiras que o dono do blog escreveu e jamais desmentiu.
O que aqui me preocupa não é a vida interna do Bloco. É antes o total silenciamento que esta questão está a merecer por parte da comunicação social. A única referência que vi surgiu numa breve do JN no sábado passado.
Na véspera de um dos actos eleitorais do ano passado, o Público divulgou uma notícia, que já não me lembro se foi manchete, mas que deu uma página inteira, com o abandono de um(!) militante do PCP, que, curiosamente, como veio a ser reconhecido, já estava longe política e ideologicamente do Partido. Qual é o critério da informação?
Esta não é uma questão menor. O BE tem cerca de 7.000 militantes e parece-me que são muito poucos para que esta divisão continue a passar ao lado de toda a imprensa. Se fosse num Partido que eu cá sei, a questão merecia outro tratamento, e é esse tratamento o objecto deste post.
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quinta-feira, março 04, 2010
Conversas por email
Toda a teoria económica fora do pensamento económico dominante se baseia em "ses". Não há forma de fugir a isso, porque não há forma de comprovar a teoria no contexto económico-social actual. Todas as tentativas de aplicar o pensamento económico marxista são sancionadas política e economicamente. E nem sequer a hipótese de pensar o marxismo é possibilitada nas mesmas circunstâncias que o pensamento dominante, como bem disse Paul Sweezy, já em 1973:
*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.
Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.
Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.
Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.
*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.
Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.
Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.
Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
O cair das máscaras
Felizmente, o país atravessa uma fase intensa politicamente e discute coisas incomensuravelmente mais importantes do que as lideranças do PSD. Noutros tempos, os laranjas andariam nas bocas do Mundo e ocupavam grande parte dos jornais e telejornais.
Contudo, não quis deixar passar esta pérola do candidato Paulo Rangel, publicada no i, sob o título "Aos 12 anos as crianças podem aprender uma profissão". Por entre uma série de disparates menos objectivos, Ana Sá Lopes entrevista o ainda eurodeputado - esse mesmo, o que só sairia de lá morto - que viveu "intensamente o 25 de Abril". O facto de, na época, ter apenas cinco anos, não parece ser entrave à intensidade.
A foto mostra Paulo Rangel de fato e gravata e nunca na entrevista é referido que terá mudado a indumentária para a farda da Mocidade, enquanto tecia elogios ao sistema educativo do fascismo. Eu duvido que não o tenha feito.
Tenho para mim que o facto de Rangel ser candidato à liderança do PSD mais atacado pelo PS, trata-se de um caso de psicologia invertida. Fazer crer aos militantes - ou sócios ou accionistas ou lá como se chamam - do PSD que é o melhor por ser o mais visado pelo PS, para que possa mesmo chegar à liderança dos laranjas.
Nem tudo é mau. Há o outro lado: se Rangel tivesse sido educado segundo o que advoga para os filhos dos outros, poderíamos hoje, em vez de um mau político, ter um bom electricista.
Contudo, não quis deixar passar esta pérola do candidato Paulo Rangel, publicada no i, sob o título "Aos 12 anos as crianças podem aprender uma profissão". Por entre uma série de disparates menos objectivos, Ana Sá Lopes entrevista o ainda eurodeputado - esse mesmo, o que só sairia de lá morto - que viveu "intensamente o 25 de Abril". O facto de, na época, ter apenas cinco anos, não parece ser entrave à intensidade.
A foto mostra Paulo Rangel de fato e gravata e nunca na entrevista é referido que terá mudado a indumentária para a farda da Mocidade, enquanto tecia elogios ao sistema educativo do fascismo. Eu duvido que não o tenha feito.
Tenho para mim que o facto de Rangel ser candidato à liderança do PSD mais atacado pelo PS, trata-se de um caso de psicologia invertida. Fazer crer aos militantes - ou sócios ou accionistas ou lá como se chamam - do PSD que é o melhor por ser o mais visado pelo PS, para que possa mesmo chegar à liderança dos laranjas.
Nem tudo é mau. Há o outro lado: se Rangel tivesse sido educado segundo o que advoga para os filhos dos outros, poderíamos hoje, em vez de um mau político, ter um bom electricista.
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domingo, fevereiro 14, 2010
Das liberdades
Vai por aí uma enorme confusão. Depois do que foi divulgado nas duas últimas edições do Sol, estourou uma polémica que até já conseguiu a proeza de juntar numa manifestação alguns dos rostos que, na blogosfera e não só, mais debitam e debitaram contra o direito de manifestação dos trabalhadores. A vida dá mesmo muitas voltas...
Parece-me que importa distinguir, mesmo nas discussões mais inflamadas, o que é liberdade de imprensa e liberdade de expressão. E sim, as duas estão em causa. Mas não é de agora.
Há muito que a liberdade de expressão está condicionada.
Muitos dos que agora se mostram preocupados com ela estiveram na linha da frente dos ataques à liberdade de expressão, não na minha liberdade de dizer o que bem entendo, onde entendo e como entendo: A liberdade de expressão começou a ser condicionada com os entraves legislativos às manifestações, nos condicionamentos do direito ao protesto. A liberdade de expressão é posta em causa todos os dias nos limites à liberdade sindical dos trabalhadores que não se sindicalizam com medo de represálias, ou nos que não autorizam o pagamento da quota directamente do salário para que os patrões não saibam que são sindicalizados. A liberdade de expressão está condicionada nas faculdades e nas escolas com a perda de participação dos alunos nos órgãos respectivos.
A liberdade da imprensa é outra coisa e, surpresa, também está condicionada e não é de agora. Está condicionada, por exemplo, na ingerência das administrações nas redacções, na precariedade laboral que afecta os jornalistas e no estatuto do jornalista. Aliás, no estatuto do jornalista está também colocada em causa o direito à informação do leitor, com a transferência da propriedade intelectual do jornalista para o grupo económico detentor do título. Na prática, assistimos à imposição da interpretação única dos factos em vários títulos, que teve um exemplo claro, há dias, com a publicação mesma reportagem do enviado especial da Controlinveste ao Haiti no DN e JN.
Nada do que hoje se passa é novo. Aliás, há uns dois anos, quando 50.000 militantes do PCP se manifestaram contra a degradação da Democracia, quase ninguém nos media reparou nisso.
Sejamos objectivos: Nem tudo foi mau na divulgação das escutas. Pelas páginas do Sol, ficámos a saber que há jovens jornalistas a fazer perguntas incómodas ao poder. E esse é o maior elogio que lhes pode ser feito.
Parece-me que importa distinguir, mesmo nas discussões mais inflamadas, o que é liberdade de imprensa e liberdade de expressão. E sim, as duas estão em causa. Mas não é de agora.
Há muito que a liberdade de expressão está condicionada.
Muitos dos que agora se mostram preocupados com ela estiveram na linha da frente dos ataques à liberdade de expressão, não na minha liberdade de dizer o que bem entendo, onde entendo e como entendo: A liberdade de expressão começou a ser condicionada com os entraves legislativos às manifestações, nos condicionamentos do direito ao protesto. A liberdade de expressão é posta em causa todos os dias nos limites à liberdade sindical dos trabalhadores que não se sindicalizam com medo de represálias, ou nos que não autorizam o pagamento da quota directamente do salário para que os patrões não saibam que são sindicalizados. A liberdade de expressão está condicionada nas faculdades e nas escolas com a perda de participação dos alunos nos órgãos respectivos.
A liberdade da imprensa é outra coisa e, surpresa, também está condicionada e não é de agora. Está condicionada, por exemplo, na ingerência das administrações nas redacções, na precariedade laboral que afecta os jornalistas e no estatuto do jornalista. Aliás, no estatuto do jornalista está também colocada em causa o direito à informação do leitor, com a transferência da propriedade intelectual do jornalista para o grupo económico detentor do título. Na prática, assistimos à imposição da interpretação única dos factos em vários títulos, que teve um exemplo claro, há dias, com a publicação mesma reportagem do enviado especial da Controlinveste ao Haiti no DN e JN.
Nada do que hoje se passa é novo. Aliás, há uns dois anos, quando 50.000 militantes do PCP se manifestaram contra a degradação da Democracia, quase ninguém nos media reparou nisso.
Sejamos objectivos: Nem tudo foi mau na divulgação das escutas. Pelas páginas do Sol, ficámos a saber que há jovens jornalistas a fazer perguntas incómodas ao poder. E esse é o maior elogio que lhes pode ser feito.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
O baile da Madeira
Sócrates é inteligente mediaticamente e sabe que Jardim é detestado no continente. Por isso, pretendia apostar num confronto directo com ele para forçar eleições, logo que fossem possíveis, criando um spin que seria perfeito quando estivesse aprovado o OE e já não houvesse grande memória sobre congelamentos salariais. E sabemos todos como este PS é exímio a criar não-notícias para distrair sobre o essencial.
Vamos aos factos: Digo, desde já, que considero que o resultado estatísco encontrado através da média é SEMPRE enganador, sendo apenas utilizado por ser o que tem um cálculo mais fácil: PIB/nºde habitantes e temos a média. No entanto, o mais representativo da realidade seria a MODA, ou seja, o número que aparece mais vezes nas parcelas que levam ao resultado do PIB....
O Rendimento Per Capita da Madeira: Para efeitos internos, o RPC da Madeira contabiliza os mais de 4 mil milhões de euros que circulam no off-shore, levando os incautos a assumir que na RAM só vivem ricos. No entanto, na UE, esses mais de 4 mil milhões não são contabilizados, para que, desta forma, a RAM possa receber mais apoios europeus. Já agora, este governo do PS, preocupado com o despesismo, prepara-se para perdoar fiscalmente 1,4 mil milhões de euros aos capitais que circulam no off-shore.
Há dois meses, no OE rectificativo, e só neste, o mesmo PS concedeu 73 milhões de euros à RAM, sem contar nos 60 milhões do OE09, pelo que seria incompreensível, não fosse o que escrevi atrás, esta postura do PS. Este acordo de toda-a-oposição-toda estabelece um tecto de 50 milhões para as duas regiões autónomas.
E até que ponto seria uma perda para o país se aquele que foi considerado o pior ministro das finanças da UE se demitisse realmente?
Vamos aos factos: Digo, desde já, que considero que o resultado estatísco encontrado através da média é SEMPRE enganador, sendo apenas utilizado por ser o que tem um cálculo mais fácil: PIB/nºde habitantes e temos a média. No entanto, o mais representativo da realidade seria a MODA, ou seja, o número que aparece mais vezes nas parcelas que levam ao resultado do PIB....
O Rendimento Per Capita da Madeira: Para efeitos internos, o RPC da Madeira contabiliza os mais de 4 mil milhões de euros que circulam no off-shore, levando os incautos a assumir que na RAM só vivem ricos. No entanto, na UE, esses mais de 4 mil milhões não são contabilizados, para que, desta forma, a RAM possa receber mais apoios europeus. Já agora, este governo do PS, preocupado com o despesismo, prepara-se para perdoar fiscalmente 1,4 mil milhões de euros aos capitais que circulam no off-shore.
Há dois meses, no OE rectificativo, e só neste, o mesmo PS concedeu 73 milhões de euros à RAM, sem contar nos 60 milhões do OE09, pelo que seria incompreensível, não fosse o que escrevi atrás, esta postura do PS. Este acordo de toda-a-oposição-toda estabelece um tecto de 50 milhões para as duas regiões autónomas.
E até que ponto seria uma perda para o país se aquele que foi considerado o pior ministro das finanças da UE se demitisse realmente?
terça-feira, janeiro 26, 2010
Bruxo?
Em 9 de Janeiro de 2009:
São ciclos
Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.
Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.
Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Eu conto já o resto
Afinal, parece que a decisão de chamar ao tribunal os elementos das assembleias de voto não partiu de qualquer candidatura, mas sim do juiz, que terá ficado desagradado com o facto de os votos terem permanecido na junta cerca de quatro horas. Entretanto, numa das mesas, vai aferir-se por que motivo uma acta regista menos 6 votos para a CDU do que os que resultaram da contagem. Eu conto já o resto. Tribunal às 14h30.
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quarta-feira, outubro 07, 2009
Debate Autárquico na RTPN
terça-feira, outubro 06, 2009
Contas em dia - I
A sério que não percebo o que quer dizer o PSD/CDS com o lema "Um presidente tranquilo", que exibe nos seus cartazes com candidatos às juntas.
Agradece-se a quem puder esclarecer.
PS: Já agora, solicita-se à coligação que faça o favor de retirar o cartaz em frente à Secundária da Boa Nova, para que as mesas possam abrir sem atrasos no domingo.
Agradece-se a quem puder esclarecer.
PS: Já agora, solicita-se à coligação que faça o favor de retirar o cartaz em frente à Secundária da Boa Nova, para que as mesas possam abrir sem atrasos no domingo.
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quarta-feira, setembro 30, 2009
Antes o bolo-rei!
Cavaco voltou ontem a demonstrar que pode ser muito bom em muita coisa, mas é um político desastrado. É um político que vive de silêncios e, quando fala, opta por dizer coisa nenhuma. Ou dizer um monte de coisas, baralhando "imeiles" pessoais com a segurança das comunicações da Presidência, acrescentando mais combustível a um incêndio que não dá mostras de abrandar.
Falou ao país não para explicar o que sucedeu, mas para dar a sua opinião pessoal sobre o que poderá ter acontecido.
Foi uma trapalhada que não devia ter acontecido. E, agora, aguarda-se que Cavaco diga o que não disse na comunicação aos jornalistas.
Ao acrescentar suspeição à suspeição, Cavaco entrou num conflito com o partido que governou até agora e que formará governo para os próximos 4(?) anos.
Post-it: Vai ser uma semana em grande para os politólogos, uns mais governólogos, outros mais presidenciólogos, mas será em grande para todos. E têm um ponto em comum: acham que somos todos analfabetos. Por mais que uma vez, comentadores afirmaram que "isto é claro para nós, que acompanhamos estas coisas e estamos informados, mas a generalidade das pessoas não percebe". Ora, posto isto, recomenda-se um mínimo de humildade: os comentadores perceberam exactamente o mesmo que o resto das pessoas; Cavaco não explicou coisa alguma.
Falou ao país não para explicar o que sucedeu, mas para dar a sua opinião pessoal sobre o que poderá ter acontecido.
Foi uma trapalhada que não devia ter acontecido. E, agora, aguarda-se que Cavaco diga o que não disse na comunicação aos jornalistas.
Ao acrescentar suspeição à suspeição, Cavaco entrou num conflito com o partido que governou até agora e que formará governo para os próximos 4(?) anos.
Post-it: Vai ser uma semana em grande para os politólogos, uns mais governólogos, outros mais presidenciólogos, mas será em grande para todos. E têm um ponto em comum: acham que somos todos analfabetos. Por mais que uma vez, comentadores afirmaram que "isto é claro para nós, que acompanhamos estas coisas e estamos informados, mas a generalidade das pessoas não percebe". Ora, posto isto, recomenda-se um mínimo de humildade: os comentadores perceberam exactamente o mesmo que o resto das pessoas; Cavaco não explicou coisa alguma.
segunda-feira, maio 25, 2009
São modas, senhores, são modas...
Um dia depois de os media terem colocado a circular que os comícios estão fora de moda e que o que está a der são os blogues, facebook, twitter e outros primos, a CDU levou às ruas de Lisboa bem mais de 80.000 pessoas.
Eu percebo que com o desastre que têm sido ao longo dos anos PS, PSD e CDS apenas consigam mobilizar os seus boys e girls que foram agregando ao longo dos tempos. Mas isso não faz com que os comícios estejam fora de moda. E mesmo Obama, ícone que agora tudo e todos comparam a tudo e todos, o fez por várias vezes em várias cidades. Por isso, se as ideias de dos partidos que nos governaram até agora não cativam, que o assumam, não dêem é desculpas esfarrapadas para tal.
Se mesmo a jogar em casa o professor-doutor-de-Coimbra-meu-deus, mais o engenheiro, mais o reforço que foi buscar a Madrid não conseguiram encher um pavilhão em Coimbra, terão de pensar no que terá levado a tal, e não esconder a cabeça na areia e fazer de conta que estamos a falar de modas.
Em breve colocarei aqui fotos da grandiosa Marcha da CDU.
Post It: Considero-me um democrata e gosto de jogar limpo, pelo que, mesmo estando nos antípodas do que é o CDS, informo que quando se vai a uma feira, convém que seja no dia em que ela se realiza. Vão ver que resulta muito melhor...
Eu percebo que com o desastre que têm sido ao longo dos anos PS, PSD e CDS apenas consigam mobilizar os seus boys e girls que foram agregando ao longo dos tempos. Mas isso não faz com que os comícios estejam fora de moda. E mesmo Obama, ícone que agora tudo e todos comparam a tudo e todos, o fez por várias vezes em várias cidades. Por isso, se as ideias de dos partidos que nos governaram até agora não cativam, que o assumam, não dêem é desculpas esfarrapadas para tal.
Se mesmo a jogar em casa o professor-doutor-de-Coimbra-meu-deus, mais o engenheiro, mais o reforço que foi buscar a Madrid não conseguiram encher um pavilhão em Coimbra, terão de pensar no que terá levado a tal, e não esconder a cabeça na areia e fazer de conta que estamos a falar de modas.
Em breve colocarei aqui fotos da grandiosa Marcha da CDU.
Post It: Considero-me um democrata e gosto de jogar limpo, pelo que, mesmo estando nos antípodas do que é o CDS, informo que quando se vai a uma feira, convém que seja no dia em que ela se realiza. Vão ver que resulta muito melhor...
terça-feira, fevereiro 10, 2009
PPC-PSD
O título parece ser inevitável. Lá se vai o PPD-PSD que Santana Lopes, naquele jeito meloso de conquistador tuga, apregoava no palanque - e lá se vai, também, Santana Lopes?
É cada vez mais evidente que só Pedro Passos Coelho trará paz ao PSD. Marques Mendes não foi corrido, foi sendo corrido; Menezes foi mesmo corrido e Ferreira Leite é tudo menos uma líder. E só não é corrida pelo estatuto que tem dentro e fora do PSD.
Menezes, o tal que ia ficar calado depois das eleições, tem maior visibilidade agora do que quando liderava o PSD, em que cada gás que soltava se tornava num assunto em torno da sua credibilidade e capacidade de liderança.
Para além do que dizem o especialista em PCP, Pacheco Pereira e o prof. da Nação, Marcelo, os militantes do PSD ainda não perceberam que o seu partido só terá paz interna quando ceder à vontade de elementos externos. Passos Coelho soube rodear-se das pessoas certas - ou as pessoas certas escolheram-no a ele, não sei bem.
Mas a projecção mediática que tem só se compreende com uma nova preparação do terreno para ser de novo candidato. E, se não ganhar, ficará tudo na mesma, nem que o líder do PSD seja o Papa.
É cada vez mais evidente que só Pedro Passos Coelho trará paz ao PSD. Marques Mendes não foi corrido, foi sendo corrido; Menezes foi mesmo corrido e Ferreira Leite é tudo menos uma líder. E só não é corrida pelo estatuto que tem dentro e fora do PSD.
Menezes, o tal que ia ficar calado depois das eleições, tem maior visibilidade agora do que quando liderava o PSD, em que cada gás que soltava se tornava num assunto em torno da sua credibilidade e capacidade de liderança.
Para além do que dizem o especialista em PCP, Pacheco Pereira e o prof. da Nação, Marcelo, os militantes do PSD ainda não perceberam que o seu partido só terá paz interna quando ceder à vontade de elementos externos. Passos Coelho soube rodear-se das pessoas certas - ou as pessoas certas escolheram-no a ele, não sei bem.
Mas a projecção mediática que tem só se compreende com uma nova preparação do terreno para ser de novo candidato. E, se não ganhar, ficará tudo na mesma, nem que o líder do PSD seja o Papa.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Pensamento do dia
Se não é mentira que o CDS se assume como muleta do PSD em Lisboa, não é menos verdade que também o justiceiro Sá Fernandes foi bengala para o BE nas últimas autárquicas.
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be,
cds,
olha tantas esquerdas,
psd
quarta-feira, janeiro 07, 2009
São ciclos
Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.
Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.
Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.
Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.
Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.
Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.
Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.
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governo,
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sexta-feira, novembro 28, 2008
curiosidades
Curioso foi ver ontem o Corredor do Poder. Não foi curioso o acto de ver, porque acho foram poucas ou nenhumas as vezes que perdi o programa, mas antes o que vi:
- A moderadora - uma espécie de suporte para o representante do PS - a afirmar que "aquilo que os portugueses questionam, neste momento é para que serve uma comissão parlamentar" [sobre o caso BPN], dirigindo-se a Margarida Botelho [PCP], com quem consegue ser tão arrogante como era com o Soeiro [BE] - independentemente de eu achar que ele não tem uma presença credível, principalmente em discussão directa com o Nuno Melo [CDS].
- A resposta da Margarida Botelho - que tem melhorado muito desde o início do programa - sobre o que realmente faz os portugueses questionarem-se: Como foi possível a supervisão do BP ter falhado desta forma e o critério do Governo para segurar empresas. Financia a banca e esquece o resto. Os exemplos: 20.000.000.000.000 de euros para recuperar a banca. Não tem 6.000.000 de euros para aguentar a Ceres de Coimbra ou um valor semelhante, que é o necessário para as minas de Aljustrel.
- O Marco António [PSD], de imperador, só mesmo o nome. Estava assim murchito, a falar do BPN, vá lá saber-se os motivos...
- Ver o Marco Perestrelo [PS], que, como disse acima, safa-se mais devido ao auxílio da moderadora do que pelo mérito próprio, deixar Ana Drago [BE] sem resposta ao acusá-la de mentir, fundamentando devidamente os motivos. Acho que foi a primeira vez que vi a menina do Bloco demonstrar nervosismo e desorientação.
Post it: Não sei bem por que motivo, mas o Poker Alho saiu ali do lado. As minhas desculpas ao gajo que parece que até faz anos ou hoje. E parabéns.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Tu queres ver...?
Pelo que disse ontem, Manuela Ferreira Leite arrisca-se a ser a próxima ministra da Educação deste Governo...
Post-it: Piada fácil: Caiu-lhe a máscara!
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