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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Protestos indignos - o medo do Zeca

Parece que os protestos dos últimos dias deixaram muita gente incomodada. Gente da direita no poder, pois claro e por motivos óbvios, e da direita que não está no poder, como Francisco Assis e Augusto Santos Silva, a que se juntam fazedores de opinião independentes. Tão independentes como Marques Mendes, Carlos Abreu Amorim, Silva Pereira, Lobo Xavier, Marcelo. Todos descomprometidos com o poder.

Consta que não é aceitável, legítimo, democrático, um atentado à liberdade de expressão. Um mau exemplo, ao que parece, que os dois últimos protestos não foram realizados em locais apropriados.

Parece que o melhor Povo do mundo passou a ser, outra vez, como nos anos da governação de Sócrates, o PCP. Percebe-se o incómodo de Santos Silva, o que gosta de malhar na esquerda, no PCP, e de Assis, ex-líder parlamentar do PS. Eles próprios viram do que o melhor Povo do mundo é capaz e saíram, entregando o país ao PSD-CDS e FMI, três dias depois de os banqueiros terem dito que era preciso "ajuda" externa. Eles assinaram o memorando, PSD e CDS colocaram-no pior do que já era. E continuam sem perceber que o melhor Povo do mundo já não aguenta mais, ao contrário do que diz o amigo Ulrich.

Por um lado, o PSD já teve a sua Beatriz Talejón em Duarte Marques - dois farsolas - que se até se manifestou aquando da "Geração à Rasca". Era preciso sair à rua com os jovens. No ano passado, a foi a vez de a Juventude Socialista sair à rua, na primeira manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika. É também a isto que deve chamar-se alternância democrática, em versão protesto.

Sejamos objectivos: a constante desvalorização das enormes manifestações que se verificaram em Portugal nos últimos anos levam a lutas mais contundentes. O que ouvíamos do governo do PS é o mesmo que ouvimos do governo PSD-CDS. "As manifestações são um direito democrático", ponto. É isto que retiram de milhares de pessoas que se manifestam. Mas prosseguem o saque.

O Povo não quer esta política nem este governo. E podem apresentar as sondagens que quiserem. Façam sondagens à porta dos centro de emprego. Façam uma com os milhares de jovens e não só que estão desempregados, com os que emigraram, com os trabalhadores precários, com quem viu a sua reforma roubada, com os que viram as suas pensões reduzidas, com os que não podem pagar taxas moderadoras, com os pais das crianças que desmaiam com fome, com todos os que sofrem com o caminho de miséria para onde aquela gente nos empurra.

Com a posição demonstrada por Assis e Santos Silva, o PS prova que aprendeu nada. Distanciar-se destes protestos mostra que continua a não ser alternativa e apenas alternância. E alguns incomodam-se mesmo com a Grândola. Talvez porque saibam que Zeca Afonso tinha intervenção política na música e fora dela e que, hoje, o que fazem os que protestam não é homenageá-lo, é defendê-lo. Para que viva. Para que viva sempre.

Fica um excerto da entrevista de Zeca Afonso à RTP, em 1984, tão actual. E é também por isto que o Zeca os assusta tanto:

"Os jovens, e eu digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles - que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que agora estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, não só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens.
Os jovens deparam-se problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos, o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade. 


 

Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos, nós refiro-me à minha geração, de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos, é, de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus-banqueiro que é imposta aos jovens de hoje.
Tal como nós, eles têm que a combater, que a destruir, que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente que não é, com certeza - estou convencido -  a sociedade de hoje
".

terça-feira, abril 12, 2011

Pensar o futuro.

O domínio socrates2011.com foi registado em Fevereiro.

De acordo com o blog Snapshots, já em Fevereiro o PS se preparava para eleições antecipadas.

Cai por terra a teoria de que Sócrates não queria o FMI nem eleições antecipadas. Ou então é uma visão de futuro tremenda.

quinta-feira, abril 07, 2011

O meu reino por uma lata de sardinhas

No mesmo dia em que José Sócrates, "com seu ar grave e sério" - desculpa, Carlos Tê, merecias melhor - anunciou o que tinha desmentido há três dias, houve um episódio curioso, no Lidl que fica ao lado do bairro, ali para os lados de Leça.

Enquanto o Luís dizia de sua justiça sobre o melhor perfil de Sócrates, lá em casa comentava-se a situação do país, intervalada pelas tiradas da B. e do T., que ainda não percebem bem o que nos seduz nos noticiários e nas declarações do senhor que fala como se estivesse a dizer uma coisa que não lhe agrada.

Voltemos ao Lidl, que é mais barato e tem sempre promoções. Não, vamos antes ao FEEF, que mais não é do que o FMI e a UE juntos. Sócrates falou para desmentir o desmentido que o seu governo de gestão tinha feito durante a tarde a uma notícia do Financial Times. Portugal vai mesmo pedir "ajuda" externa. Mas foi a meio de uma semana difícil, compreende-se. Desde segunda-feira que os donos dos principais bancos, um a um, anunciaram que não emprestavam mais dinheiro ao Estado. O mesmo Estado que, não há muito tempo, havia criado um fundo para salvar o sistema bancário, mais a nacionalização dos prejuízos do BPN. Vem aí uma "ajuda" que exigirá cortes nos salários e possíveis supressões dos subsídios de férias e de Natal. São assim, as "ajudas" dos nossos irmãos europeus.

Horas antes. No Lidl. Uma senhora de idade, na casa dos 70, foi apanhada a roubar. Uma lata de sardinhas. O senhor segurança privado, orgulhoso, comentou com o senhor João: "Já a apanhámos". Não só a apanhou. Chamou a polícia. Sim, o segurança chamou a polícia por uma septuagenária ter roubado uma lata de sardinhas.

O senhor segurança há-de ter o que merece, agora, quando formos todos "ajudados". E quando ele próprio perceber no ridículo em que caiu - embora isso possa muito bem nunca acontecer.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Agora Escolha

Se prefere este Fazenda, ligue para o 000000*:


*"Os camaradas da Moção C inventaram até essa prodigiosa fantasia de que iríamos, eventualmente, ter um candidato às presidenciais em comum com o Governo. É caso para dizer que só contaram para vocês".

Se prefere este Fazenda, ligue para 1111111:*


*"Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda em entrevista ao esquerda.net, diz que o fórum será "um ponto de encontro e de troca de ideias" e dele sairá também um forte apelo à participação na jornada de luta de 29 de Setembro e um apoio vincado ao candidato presidencial Manuel Alegre."

Há um problema grave de seriedade, coerência e vergonha em alguns sectores da política nacional.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Agora a sério, feliz natal

As notícias de que os portugueses gastam milhares de milhões são cíclicas. Normalmente, aparecem por altura do Natal, juntamente com estudos que dizem que comer como se não houvesse amanhã não faz mal, o chocolate emagrece, o bolo-rei tem pouco açúcar e por aí fora.
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.

Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.

O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.

E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:

"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".

Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.

Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.

Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.

Feliz natal.



* tenho um leitor!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

De despedimento em despedimento, até ao despedimento final!

Soubemos ontem pelo patrão dos patrões que, umas horas mais tarde, o Conselho de Ministros aprovaria 50 novas medida de combate à crise. A UGT não desgosta da coisa, que inclui um valor máximo para o valor das indemnizações aos trabalhadores despedidos.
É preciso saber quem manda em quê e em quem.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Zombies em tempo de vampiros

Acordar vivo deve ser das melhores sensações que se tem. Continuar vivo ao ler aos jornais, nem sempre. Seja pelas notícias, seja pelas opiniões, quase invariavelmente as mesmas, com caras diferentes.

Hoje, chegou a mostarda ao nariz da jornalista Câncio, o que não é fácil, diga-se. Sem entrar em piadas fáceis - tipo, a Fernanda cância-me - a jornalista puxa dos galões de grande repórter e assume todo o seu ódio ao PCP, num artigo repleto de preconceito, mentiras e deturpações. Nada de novo, portanto, até porque é a própria que o assume no texto.

Assumindo a defesa das chefias das redacções, revela que os seus superiores não cortam os seus textos. Tem sorte. E nós cheios de azar. Não lhe passa pela cabeça denunciar, por exemplo, a precariedade reinante no meio onde trabalha. Não, porque o mundo visto a partir dos saltos altos da senhora tem outra perspectiva. Tão grave como isso, é afirmar claramente que há, nas redacções, um preconceito em relação ao PCP por parte dos seus - dela - camaradas* de redacção. Assume-se a voz de toda uma classe e revela que os jornalistas têm reservas em dar notícias sobre a actividade de um partido eleito na AR por terem espaço a mais nas páginas, dado que "não o levam a sério". Assim, sem perceber - o que não é fácil, já que sabe tudo sobre tudo -, Câncio confirma tudo o que nega no primeiro parágrafo.

É desta coerência que é feita a massa media que suporta o governo Socrático. Acusa o Partido com mais vitalidade e capacidade de mobilização de ser um zombie, exactamente no mesmo dia em que um dirigente do PS acusou outro de aliciamento, num exemplo de como se passam as coisas nos corredores do poder.

Estes não são zombies, são vampiros.

E eu, ingénuo, certamente, prefiro ser zombie toda a vida do que vampiro por um dia.

*Camaradas de redacção era a designação usada entre jornalistas, pelo menos há 10 anos, quando pela primeira vez entrei numa redacção. Agora, em alguns jornais devem ser quiduxos de redacção, ou coisa parecida.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Da rua do contador para a rua do ouvidor

Que me perdoe o António Torrado, ídolo da minha infância, o roubo descarado de um livro dele para este espaço de podridão, por entre zeros e uns e outros.

Ouvi há pouco um dos maiores contadores de histórias dos novos tempos, Teixeira dos Santos, afirmar que as reformas laborais, nomeadamente no que respeita à maior facilidade dos despedimentos, ajudou a enfrentar a crise. E terá ajudado, ainda que não os mais de 600.000 desempregados que existem actualmente, aos quais podemos acrescentar os muitos milhares de precários.

Devidamente suportado pela OCDE, o contador sugere um aumento de impostos. Do IVA e do IMI, para acrescentar que uma das medidas propostas por aquele organismos é "manter baixos os salários da função pública para conseguir um ajustamento generalizado dos ordenados".

Portanto, não há necessidade de aumentar os salários para estimular o consumo, sempre com o reforço da produção nacional, mais vale nivelar tudo por baixo. Faz sentido. Tanto sentido como tentar vender anzóis a minhocas.

Na rua do contador não deve haver muitos desempregados, nem idosos com pensões de miséria, nem jovens sem perspectivas de encontrar trabalho. Na rua do contador, que passa por ela no banco de trás do seu topo de gama, com os vidros, fumados, à sombra de um puro.

Na rua do ouvidor as coisas são diferentes. Não há passeios, sequer, nem vidros fumados, tirando o SG Gigante, o Ritz ou o Ventil. E vamos ouvindo e encolhendo os ombros, como se tudo isto fosse tão inevitável como o sol que nasce todos os dias.

E quando percebermos que não é pode ser que as coisas mudem. Até lá, levamos com eles.

quarta-feira, junho 02, 2010

Portugal, o Chile dos pequeninos

Ontem surgiu a notícia do fecho de mais escolas do primeiro ciclo. Coisa pouca, umas 900, a somar às 2.000 que os governos de Sócrates já conseguiram fechar. Evidentemente, a maioria está localizada no norte e no interior do país. De acordo com estes dados, os governos do PS já conseguiram fazer baixar de o número de 8.888 escolas básicas para 6.297 até 2008. Agora, são menos 900. Ficam, portanto, 5.397 escolas. Na prática, em meia dúzia de anos, as políticas educativas conseguiram fechar quase 50% das escolas. Um feito notável no que respeita à poupança.

Com este tipo de medidas, a juntar aos SAP, urgências e maternidades, Portugal está a transformar-se num pequeno Chile. Este país da América do Sul tem 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura. Nós não chegamos a tanto, devemos estar mais ou menos com uns 50km de largura e quase 800 de comprimento.

Tudo isto tem um preço. Poupa-se hoje mas, amanhã, teremos um país ainda mais desertificado fora das grandes cidades do litoral. A retirada constante de serviços do interior conduzirá a um fluxo ainda maior para o litoral - que irá ser agravada com a privatização dos CTT, por exemplo.

Deste modo, com estas políticas meramente economicistas, as auto-estradas para o interior deveriam passar a ser feitas apenas num sentido, o que traz. Porque ninguém quer ir para um deserto. E não, não estou a falar da margem sul.

quinta-feira, maio 13, 2010

O Roubo - este não é um post sobre gravadores

Hoje, depois dos telejornais da hora de almoço, José Sócrates veio anunciar-nos publicamente o que já sabíamos: Vai voltar a roubar-nos. Vai aumentar o IVA, o imposto mais injusto de todos os impostos, que tributa de igual forma quem ganha 400 e quem ganha 40.000. Na verdade, não surpreende, menos ainda quando foi firmado um pacto pelo gang do bloco central. E por aqui, ainda alguém se lembra do Passos Coelho da ruptura, do rasgo ou da união, que não seja a união ao PS?

Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.

Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.

O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.

quinta-feira, maio 06, 2010

Do desnorte ao sentimento de impunidade vai um Ricardo Rodrigues de distância

Já se disse quase tudo sobre o episódio miserável que envolveu o deputado socialista Ricardo Rodrigues. É um deputado do PS, eleito pelo círculo dos Açores que, ironia das ironias, foi incumbido da tarefa de intervir no Parlamento para criticar a suposta falta de liberdade dentro de um partido que não o dele, como aqui se pode confirmar, no célebre episódio da Lei da Rolha que os socialistas decidiram levar a plenário. Estamos a falar do deputado que roubou dois gravadores a dois jornalistas durante uma entrevista, sem sequer ter a inteligência de levar também a câmara de filmar.

O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.

Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.

Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.

quinta-feira, abril 15, 2010

Outra vez Alegre

Há por este humilde espaço uma série de posts sobre Manuel Alegre, escritos ao longo da penosa e eterna campanha presidencial em que o poeta decidiu lançar-se há uns anos. Não há muito mais que possa dizer, para além de reiterar que não votarei Alegre. Aliás, mais depressa votaria em Manuel João Vieira.

Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.

Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.

Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.

Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.

terça-feira, abril 06, 2010

Serviço Público - Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva tem no 5Dias um extenso dossiê sobre os escandalosos ajustes directos da empresa Parque Escolar. Simultaneamente, decorre esta petição, que já assinei, e apelo a todos os visitantes - todos os 3, sim - que assinem também!

terça-feira, março 30, 2010

O estranho silêncio dos pecadores

Não faço generalizações, como acusa hoje o Ferreira Fernandes, no DN. Tudo bem, não me acusa directamente, que o senhor não me conhece, mas acusa um bocadinho.
O que (ainda?) choca na pedofilia na igreja católica é o papel que desempenha(?) como representante da moral, do apontamento dos erros dos outros, do perdão a troco de duas velas, da salvação. Sou orgulhosamente pecador e esclareço desde já que não procuro nem quero salvação. Até porque o meu Tio-João-Padre, jesuíta, há-de arranjar qualquer coisa quando chegar a altura.

A igreja é assassina hoje como foi no passado. Desaconselhar o uso do preservativo é criminoso, como é criminoso ver as mulheres como parideiras de potenciais crentes. E nem vale a pena lançar agora a discussão do celibato, porque não é o fim do celibato que acaba com a pedofilia.

Sobre este assunto, a "esquerda democrática e fracturante" no poder, junto com os seus acólitos da blogosfera, anda estranhamente sossegada. Um post aqui, outro acolá. Dos mesmos apaixonados pró-aborto e pró-casamento homossexual, que tanto ajudaram, e bem, nas duas causas. E nem o laico Mário Soares aborda claramente o assunto, também no DN de hoje.

A "esquerda" do PS português é um fenómeno. São os reflexos de terem transformado, há uns anos, casos semelhantes em luta política. Nesta matéria, como noutras, rabos de palha, pois claro, e todos sabemos quais os motivos.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O baile da Madeira

Sócrates é inteligente mediaticamente e sabe que Jardim é detestado no continente. Por isso, pretendia apostar num confronto directo com ele para forçar eleições, logo que fossem possíveis, criando um spin que seria perfeito quando estivesse aprovado o OE e já não houvesse grande memória sobre congelamentos salariais. E sabemos todos como este PS é exímio a criar não-notícias para distrair sobre o essencial.

Vamos aos factos: Digo, desde já, que considero que o resultado estatísco encontrado através da média é SEMPRE enganador, sendo apenas utilizado por ser o que tem um cálculo mais fácil: PIB/nºde habitantes e temos a média. No entanto, o mais representativo da realidade seria a MODA, ou seja, o número que aparece mais vezes nas parcelas que levam ao resultado do PIB....

O Rendimento Per Capita da Madeira: Para efeitos internos, o RPC da Madeira contabiliza os mais de 4 mil milhões de euros que circulam no off-shore, levando os incautos a assumir que na RAM só vivem ricos. No entanto, na UE, esses mais de 4 mil milhões não são contabilizados, para que, desta forma, a RAM possa receber mais apoios europeus. Já agora, este governo do PS, preocupado com o despesismo, prepara-se para perdoar fiscalmente 1,4 mil milhões de euros aos capitais que circulam no off-shore.

Há dois meses, no OE rectificativo, e só neste, o mesmo PS concedeu 73 milhões de euros à RAM, sem contar nos 60 milhões do OE09, pelo que seria incompreensível, não fosse o que escrevi atrás, esta postura do PS. Este acordo de toda-a-oposição-toda estabelece um tecto de 50 milhões para as duas regiões autónomas.

E até que ponto seria uma perda para o país se aquele que foi considerado o pior ministro das finanças da UE se demitisse realmente?

terça-feira, janeiro 26, 2010

Bruxo?

Em 9 de Janeiro de 2009:

São ciclos

Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.

Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.

Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.

Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

A intervenção-felácio

A intervenção-felácio é um género de intervenção política que entrou mais em voga na Assembleia da República durante o primeiro mandato de maioria absoluta de José Sócrates, com a introdução dos debates (?) quinzenais. Consiste no lançamento de um tema previamente combinado entre o partido que suporta o Governo e o Primeiro Ministro, que tem como objectivo o auto-elogio e o anúncio propagandista de algo que, muitas vezes, fica morto à nascença. Na anterior legislatura era ao actual ministro da Justiça que cabia a tarefa, Alberto Martins, agora é a Francisco Assis.

Na Assembleia de Freguesia de Leça da Palmeira a coisa funciona de forma diferente: Depois do período de antes da ordem do dia, cabe ao público intervir e é do público que sai a intervenção-felácio, havendo alguém que faz o papel de Assis. Os mesmos propósitos, os mesmos métodos. Nem bom nem mau, antes pelo contrário.

sexta-feira, novembro 20, 2009

No país das maravilhas. É tudo normal.

Quem nos viu preocupados com a malta da bola lá para os lados da Bósnia, mais o relvado e o clima de lá, ó, o clima. Que miséria. E os selvagens bósnios! Ó, os selvagens bósnios!
Claro que não temos em Portugal relvados como o de Paços de Ferreira, o de Oliveira de Azeméis ou mesmo o de Alvalade, não sendo por isso algo a que os nossos virtuosos do chuto na bola estejam habituados. Nem há uns dias a polícia teve que dispersar a tiro uns civilizados adeptos de um clube.
É quase enternecedor ver o nosso país, onde não se passa grande coisa. No espaço de dias, passamos de irracionais a mestres nos bons costumes.
É tudo normal, neste rectângulo inclinado para o mar que se vai mantendo à tona, vá lá saber-se como. Tudo normal. Licenciaturas ao domingo, assinaturas de projectos alheios, Freeport, escutas, acusações de espionagem política a entidades do Estado.
Estamos anestesiados, talvez efeito secundário de uma vacina que procuramos culpar por uma realidade filha da puta que acontece, em média, 300 vezes por ano.
Não há escutas que resistam à vontade de abafar tudo o que pode mexer com o que resta da dignidade de um político moribundo, que continua a ver a luz quando se olha ao espelho. E a horda segue feliz, nas media alinhados, não percebendo que está a caminhar de escândalo em escândalo, até ao escândalo final. Hão-de perceber que o principal factor de instabilidade governativa não é o novo desenho parlamentar, mas sim no líder que vê o jogo na bancada central da Assembleia da República.

terça-feira, junho 02, 2009

As coisas são como são

O desemprego aumentou para 9,3 por cento nos países do euro, Portugal está nos 9,2. Atrás de Portugal só Hungria, Irlanda, Estónia, Eslováquia, Letónia, Lituânia e Espanha. Num ano - entre Abril de 2008 e Abril de 2009 -, a taxa de desemprego aumentou 1,7 por cento.
Em números líquidos, quantos faltam para os 150.000 empregos?