O filme da Câmara Municipal de Lisboa chegou ao fim, mas parece estar já na forja uma nova novela. Helena Roseta, apoiante de Manuel Alegre nas presidenciais e co-fundadora do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), deverá candidatar-se à presidência da autarquia, à margem do seu partido.
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quinta-feira, maio 10, 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
Na Madeira ganhou o caruncho
A pérola do Atlântico ainda vai levar, por mais uns tempos, com o João Jardim.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
terça-feira, abril 24, 2007
Eu, Ronco
Fantástico.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
quinta-feira, abril 19, 2007
Olá desqualificação
Manuel Alegre já veio criticar a campanha "Novas Oportunidades", lançada pelo governo do seu partido. De acordo, a mensagem é passada de uma forma infeliz, denegrindo a dignidade de algumas profissões.
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
segunda-feira, abril 16, 2007
105.3
Os olhos semi-cerrados pela força do sol, logo de manhã, fazem-me pegar nos óculos pretos, riscados, que me turvam a vista, enquanto os Sinais, do Fernando Alves, vão-me guiando pelo meio do trânsito caótico.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
quinta-feira, abril 12, 2007
Regresso ao passado
quarta-feira, abril 11, 2007
Público-Alvo
Hoje foi um dia histórico para a justiça e jornalismo portugueses. Ficámos todos a saber que a verdade é crime.
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
terça-feira, abril 03, 2007
All - á é grande!
O ministro Manuel Pinho conta já com a minha pessoa entre os seus milhares de fãs.
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
segunda-feira, março 26, 2007
Grande português
A escolha do grande português só vem provar que somos, realmente, um país de gente pequena.
Disse.
Disse.
terça-feira, março 13, 2007
Haja respeito!
Não tenho especial apreço por aves e afins. Mas respeito-as, como respeito todos os animais. Nunca, nos meus tempos de ganapo eu peguei numa arma de chumbos e atirei aos pardais.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
segunda-feira, março 12, 2007
Silêncio
Não gosto muito do silêncio. Deixa-me nervoso.
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
quinta-feira, março 08, 2007
Dia D(elas)
Não foi hoje, o Dia D(elas).
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Para sempre, Zeca! - Menina dos Olhos Tristes
E voltas em mim, a mim, 20 anos depois de teres partido.
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Perdido nas Maldivas
Introdução e conclusão:
As Maldivas são uma seca e Leça da Palmeira é que é bom.
Maldivas é um pequeno país - Leça da Palmeira é uma grande freguesia e uma cidade ainda maior.
Maldivas tem como única fronteira real o estado das Laquedivas, na Índia - Leça da Palmeira tem fronteiras reais com Matosinhos, Santa Cruz do Bispo e Perafita.
Malé é a capital das Maldivas - Leça da Palmeira é capital de si própria.
O presidente das Maldivas chama-se Maumoon Abdul Gayoom - O presidente da freguesia de Leça da Palmeira chama-se Pedro.
O hino das Maldivas chama-se Gavmii mi ekuverikan matii tibegen kuriime salaam - O hino de Leça chama-se Hino do Leça.
Maldivas também pode chamar-se Divehi Rajjeyge Jumhuria - Leça da Palmeira chama-se Leça da Palmeira.
Maldivas tem uma palmeira no símbolo do país - Leça da Palmeira não tem qualquer maldiva na sua bandeira.
É em Leça da Palmeira que se localizam dois equipamentos de importância nacional: a Refinaria da Petrogal e o recinto de feiras da Exponor - Não há registo de quaisquer equipamentos de importância nacional nas Maldivas.
Maldivas tem cerca de 1.100 ilhas e apenas 200 são habitadas - Leça da Palmeira tem todas as ilhas habitadas: Ilha do Volta, Ilha do Cunha dos Cães, Ilhas do Sardoal, Ilha da Avenida...
Aqui ficam listadas possíveis comparações entre Leça da Palmeira e Maldivas. Para quem defende que as Maldivas um local mais atractivo do que Leça da Palmeira, aí está a resposta.
Dedicado à Margarida, que, entre outras actividades, escreve coisas para depois um senhor dizer.
As Maldivas são uma seca e Leça da Palmeira é que é bom.
Maldivas é um pequeno país - Leça da Palmeira é uma grande freguesia e uma cidade ainda maior.
Maldivas tem como única fronteira real o estado das Laquedivas, na Índia - Leça da Palmeira tem fronteiras reais com Matosinhos, Santa Cruz do Bispo e Perafita.
Malé é a capital das Maldivas - Leça da Palmeira é capital de si própria.
O presidente das Maldivas chama-se Maumoon Abdul Gayoom - O presidente da freguesia de Leça da Palmeira chama-se Pedro.
O hino das Maldivas chama-se Gavmii mi ekuverikan matii tibegen kuriime salaam - O hino de Leça chama-se Hino do Leça.
Maldivas também pode chamar-se Divehi Rajjeyge Jumhuria - Leça da Palmeira chama-se Leça da Palmeira.
Maldivas tem uma palmeira no símbolo do país - Leça da Palmeira não tem qualquer maldiva na sua bandeira.
É em Leça da Palmeira que se localizam dois equipamentos de importância nacional: a Refinaria da Petrogal e o recinto de feiras da Exponor - Não há registo de quaisquer equipamentos de importância nacional nas Maldivas.
Maldivas tem cerca de 1.100 ilhas e apenas 200 são habitadas - Leça da Palmeira tem todas as ilhas habitadas: Ilha do Volta, Ilha do Cunha dos Cães, Ilhas do Sardoal, Ilha da Avenida...
Aqui ficam listadas possíveis comparações entre Leça da Palmeira e Maldivas. Para quem defende que as Maldivas um local mais atractivo do que Leça da Palmeira, aí está a resposta.
Dedicado à Margarida, que, entre outras actividades, escreve coisas para depois um senhor dizer.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
"Maria... la chiave!"
... disse o Roberto para impressionar a principessa.
Hoje vou construir estradas novas para o interior e levar comigos anos de chumbo depositados à beira mar, para equilibrar este país inclinado para poente.
Vou pegar no meu plano tecnológico, nos meus 150 mil empregos e enfiá-los no meio do terreno montanhoso de Trás-os-Montes e no deserto do Alentejo.
Levo a Educação comigo para os dormitórios das periferias e aceno com a segurança e com estudos para rentabilizar meios.
Mas faço as estradas para o interior e fecho os hospitais, as maternidades e as urgências. Aumento os rendimentos dos taxistas, porque não há transportes públicos. Nem tudo é mau. Os dois ou três taxistas que servem 15 aldeias ficam contentes. Quinze? Menos duas, dentro de pouco tempo, porque os velhos morrem e os novos fogem. Fogem para onde há hospitais e maternidades e urgências.
Faço-me à estrada nova e percebo que o alcatrão não trata os esgotos, nem dá electricidade, nem aumenta as reformas de miséria, porque se dou o caminho para o desenvolvimento, retiro o que o faz desenvolver.
Pego nos 150 mil empregos e retiro os nove mil que foram criados em dois anos. Faltam 141 mil, está quase.
Vou aos caixotes das periferias onde fui guardando vidas e tiro-lhes a polícia. Racionalizo meios que não tenho.
Hoje quis ser governante e fi-lo até agora. Tive a chave e fui fechando fábricas pela fechadura que a eleição me deu.
Hoje vou construir estradas novas para o interior e levar comigos anos de chumbo depositados à beira mar, para equilibrar este país inclinado para poente.
Vou pegar no meu plano tecnológico, nos meus 150 mil empregos e enfiá-los no meio do terreno montanhoso de Trás-os-Montes e no deserto do Alentejo.
Levo a Educação comigo para os dormitórios das periferias e aceno com a segurança e com estudos para rentabilizar meios.
Mas faço as estradas para o interior e fecho os hospitais, as maternidades e as urgências. Aumento os rendimentos dos taxistas, porque não há transportes públicos. Nem tudo é mau. Os dois ou três taxistas que servem 15 aldeias ficam contentes. Quinze? Menos duas, dentro de pouco tempo, porque os velhos morrem e os novos fogem. Fogem para onde há hospitais e maternidades e urgências.
Faço-me à estrada nova e percebo que o alcatrão não trata os esgotos, nem dá electricidade, nem aumenta as reformas de miséria, porque se dou o caminho para o desenvolvimento, retiro o que o faz desenvolver.
Pego nos 150 mil empregos e retiro os nove mil que foram criados em dois anos. Faltam 141 mil, está quase.
Vou aos caixotes das periferias onde fui guardando vidas e tiro-lhes a polícia. Racionalizo meios que não tenho.
Hoje quis ser governante e fi-lo até agora. Tive a chave e fui fechando fábricas pela fechadura que a eleição me deu.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
SIM e os testículos
SIM. Foi o que disse a maioria dos portugueses vontantes no referendo do dia 11.
Não foi vinculativo, infelizmente, mas obriga na mesma ao cumprimento da primeira promessa eleitoral da era socratista. Socrática, não. Isso é outra coisa, mais grega.
Depois de uma campanha cheia de coisas estranhas, desde os panfletos nas mochilas de crianças, aos vídeos do Marcelo Rebelo de Sousa no youtube. Ou o professor a conseguir dizer que a diferença de meios entre as campanhas do SIM e do NÃO foi enorme... Mas a favor do SIM. Certamente que o professor esteve muito tempo em casa a filmar os vídeos e não viu os milhares de outodoors espalhados pelo país, em que o "Não obrigada" foi rei e senhor.
E a questão é mesmo esta. A mulher continua a ser "Não obrigada" a abortar e os movimentos pela vida (?) podem continuar com o trabalho comunitário de apoio a grávidas que dizem fazer. Pena que não tenham apresentado números sobre as intervenções que fizeram desde 1998.
Jardim veio hoje lançar-se ao barulho. Falou nos testículos que faltam aos portugueses. Ao presidente do governo regional da Madeira não faltam os ditos. Tem-nos, certamente, juntinho ao cérebro, sendo essa a principal explicação para tamanha cara de cu...
Não foi vinculativo, infelizmente, mas obriga na mesma ao cumprimento da primeira promessa eleitoral da era socratista. Socrática, não. Isso é outra coisa, mais grega.
Depois de uma campanha cheia de coisas estranhas, desde os panfletos nas mochilas de crianças, aos vídeos do Marcelo Rebelo de Sousa no youtube. Ou o professor a conseguir dizer que a diferença de meios entre as campanhas do SIM e do NÃO foi enorme... Mas a favor do SIM. Certamente que o professor esteve muito tempo em casa a filmar os vídeos e não viu os milhares de outodoors espalhados pelo país, em que o "Não obrigada" foi rei e senhor.
E a questão é mesmo esta. A mulher continua a ser "Não obrigada" a abortar e os movimentos pela vida (?) podem continuar com o trabalho comunitário de apoio a grávidas que dizem fazer. Pena que não tenham apresentado números sobre as intervenções que fizeram desde 1998.
Jardim veio hoje lançar-se ao barulho. Falou nos testículos que faltam aos portugueses. Ao presidente do governo regional da Madeira não faltam os ditos. Tem-nos, certamente, juntinho ao cérebro, sendo essa a principal explicação para tamanha cara de cu...
terça-feira, dezembro 12, 2006
Carapaus de bacalhau
A sondagem da edição online do jornal "Público" trouxe-me à memória um episódio passado na Póvoa de Varzim, há quase dois anos.
A pergunta é muito simples: A sua ceia de Natal inclui bacalhau?
Dois anos atrás, na bancada de Imprensa do Estádio do Varzim, comentávamos a fraca presença de público nas bancadas. O clube poveiro não deixa de ser um histórico do futebol nacional, apesar do momento delicado que atravessa.
Clube de gente de trabalho, famoso pelas mulheres da Póvoa, acérrimas defensoras dos "Lobos do Mar".
Apesar da fúria
Em conversa, continuámos a avançar possibilidades. O preço dos bilhetes, claro. Mas houve um camarada que foi mais longe. E disse o que todos pensávamos mas que não dizíamos, porque é daquelas realidades duras.
"As pessoas não têm dinheiro para o bacalhau, quanto mais para vir ao futebol!". Simples, claro e directo.
"A ceia de Natal vai ser com carapaus".
Carapaus de bacalhau, portanto, para os homens e mulheres que vão ao mar buscar o sustento. Já foi tempo. A Póvoa transformou-se num enorme centro turístico de betão que esconde por trás os tradicionais bairros piscatórios, que ainda hoje rivalizam como há décadas.
Bairros de gente humilde, que recusam o destino que a CEE, CE e, agora, UE, lhes foi impondo.
Na casa dos pescadores poveiros, os carapaus cheiram a um bacalhau de faz de conta.
A pergunta é muito simples: A sua ceia de Natal inclui bacalhau?
Dois anos atrás, na bancada de Imprensa do Estádio do Varzim, comentávamos a fraca presença de público nas bancadas. O clube poveiro não deixa de ser um histórico do futebol nacional, apesar do momento delicado que atravessa.
Clube de gente de trabalho, famoso pelas mulheres da Póvoa, acérrimas defensoras dos "Lobos do Mar".
Apesar da fúria
Em conversa, continuámos a avançar possibilidades. O preço dos bilhetes, claro. Mas houve um camarada que foi mais longe. E disse o que todos pensávamos mas que não dizíamos, porque é daquelas realidades duras.
"As pessoas não têm dinheiro para o bacalhau, quanto mais para vir ao futebol!". Simples, claro e directo.
"A ceia de Natal vai ser com carapaus".
Carapaus de bacalhau, portanto, para os homens e mulheres que vão ao mar buscar o sustento. Já foi tempo. A Póvoa transformou-se num enorme centro turístico de betão que esconde por trás os tradicionais bairros piscatórios, que ainda hoje rivalizam como há décadas.
Bairros de gente humilde, que recusam o destino que a CEE, CE e, agora, UE, lhes foi impondo.
Na casa dos pescadores poveiros, os carapaus cheiram a um bacalhau de faz de conta.
terça-feira, dezembro 05, 2006
Bandeira Nacional
Vermelho.
Trocamos o olhar indiferente ou o simples desviar dos olhos pelo sentimento de culpa quando paramos num semáforo e vemos alguém bater no vidro para pedir esmola.
Seja debaixo de chuva, vento ou frio.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Paramos nas montras e fazemos contas à vida. De preferência numa superfície comercial atafulhada de gente, com apelos à compra de tudo e mais alguma coisa.
Outra vez vermelho. Paramos e, por uns segundos, pensamos que estamos a fazer compras no dia 24 e que do outro lado do balcão está gente que também tem um dia 24, mas diferente.
Mas temos pressa, porque o dia 24 está a chegar ao fim.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Santa Catarina, mas não muito. Quando o sol começa a baixar, não convém ficar por lá. Os sem abrigo incomodam mais do que nos outros dias. Outra vez aquele sentimento de culpa. São velhos, novos, desempregados, toxicodependentes e alcoólicos. Todos num só. Fazemos uma bola gigante de plasticina de cores diferentes, misturamo-los a todos e ficamos com a cabeça cheia de penas. Atiramos uma moeda que ficou no bolso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Comprámos cartões da Unicef, ajudámos a Legião da Boa Vontade, as Casas do Caminho e a Fundação do Gil. Está a chegar ao fim o dia 24. Agradecemos aos VIPs que juntaram-se a uma ou outra iniciativa que proporcionaram uma noite de 24 um bocadinho melhor. Fazemos a digestão ao sono das batatas com a noção de dever cumprido. Passou mais um dia 24 e até ajudámos os mais necessitados.
Jantar sem televisão, por favor. Muito menos os telejornais. Já sabemos que vão abrir com uma vigília à porta de uma fábrica que fechou em Agosto e continua sem pagar aos empregados. Sem televisão, por favor.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
O dia 25 repete o ritual. Telefonemas de ocasião. Esqueci-me de um postal. Penitencio-me por isso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
VERDE. Passaram os dias 24 e 25.
VERDE. Seguimos em frente.
VERDE. Venham mais 363 dias para podermos ficar de olhos fechados.
Trocamos o olhar indiferente ou o simples desviar dos olhos pelo sentimento de culpa quando paramos num semáforo e vemos alguém bater no vidro para pedir esmola.
Seja debaixo de chuva, vento ou frio.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Paramos nas montras e fazemos contas à vida. De preferência numa superfície comercial atafulhada de gente, com apelos à compra de tudo e mais alguma coisa.
Outra vez vermelho. Paramos e, por uns segundos, pensamos que estamos a fazer compras no dia 24 e que do outro lado do balcão está gente que também tem um dia 24, mas diferente.
Mas temos pressa, porque o dia 24 está a chegar ao fim.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Santa Catarina, mas não muito. Quando o sol começa a baixar, não convém ficar por lá. Os sem abrigo incomodam mais do que nos outros dias. Outra vez aquele sentimento de culpa. São velhos, novos, desempregados, toxicodependentes e alcoólicos. Todos num só. Fazemos uma bola gigante de plasticina de cores diferentes, misturamo-los a todos e ficamos com a cabeça cheia de penas. Atiramos uma moeda que ficou no bolso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Comprámos cartões da Unicef, ajudámos a Legião da Boa Vontade, as Casas do Caminho e a Fundação do Gil. Está a chegar ao fim o dia 24. Agradecemos aos VIPs que juntaram-se a uma ou outra iniciativa que proporcionaram uma noite de 24 um bocadinho melhor. Fazemos a digestão ao sono das batatas com a noção de dever cumprido. Passou mais um dia 24 e até ajudámos os mais necessitados.
Jantar sem televisão, por favor. Muito menos os telejornais. Já sabemos que vão abrir com uma vigília à porta de uma fábrica que fechou em Agosto e continua sem pagar aos empregados. Sem televisão, por favor.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
O dia 25 repete o ritual. Telefonemas de ocasião. Esqueci-me de um postal. Penitencio-me por isso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
VERDE. Passaram os dias 24 e 25.
VERDE. Seguimos em frente.
VERDE. Venham mais 363 dias para podermos ficar de olhos fechados.
quarta-feira, novembro 29, 2006
Cerco, ao Porto.
Invicta.
Invicta porque nunca foi conquistada. Resistiu a tudo e todos ao longo dos séculos. Cercos e tudo.
Mas há um que permanece há algumas décadas. Um Cerco por dentro, no coração da Invicta. Um Cerco decadente e degradado.
Em conversa com um amigo, uns dias depois das manifestações dos estudantes do secundário, contou-me que pelo espírito de liderança salientou-se entre os manifestantes um aluno do Cerco. Com consciência. Com razão.
Marcou presença na Praça porque estava ao lado das reivindicações que moveram milhares de alunos. Marcou presença na Praça porque o Cerco está cada vez mais isolado.
Não há investimentos, "porque somos pobres e vivemos num bairro degradado", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa, na crónica dominical em que vai dando, ou retirando, valores a tudo e todos, disse concordar com as manifestações dos estudantes, mas não perceber bem como é que se misturam as lutas do secundário com as faixas, envergadas por alunos, contra a co-incineração.
Não me espanta. Não pecebe, porque vai distribuindo os valores do alto da sua intelectualidade. Não percebe, porque já se esqueceu, ou nunca soube, que há muitas coisas muito erradas, e muitas delas são trazidas a público para que não sejam esquecidas.
Enquanto isso, o Cerco vai-se apertando em miséria, insegurança e sujidade humana e material. E a escola, bem no centro do Cerco, vai asfixiando, com as paredes cercadas pela ausência de perspectivas num futuro.
Não é um futuro melhor. É apenas um futuro.
Talvez Marcelo Rebelo de Sousa tenha dado nota negativa ao aluno do Cerco. Não faz mal. Não é algo a que ele já não esteja habituado.
E assim fica a Invicta, afinal conquistada a partir de dentro das muralhas, com o porto a olhar para dentro do Cerco apenas através da ameias, com medo de lá entrar.
Invicta porque nunca foi conquistada. Resistiu a tudo e todos ao longo dos séculos. Cercos e tudo.
Mas há um que permanece há algumas décadas. Um Cerco por dentro, no coração da Invicta. Um Cerco decadente e degradado.
Em conversa com um amigo, uns dias depois das manifestações dos estudantes do secundário, contou-me que pelo espírito de liderança salientou-se entre os manifestantes um aluno do Cerco. Com consciência. Com razão.
Marcou presença na Praça porque estava ao lado das reivindicações que moveram milhares de alunos. Marcou presença na Praça porque o Cerco está cada vez mais isolado.
Não há investimentos, "porque somos pobres e vivemos num bairro degradado", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa, na crónica dominical em que vai dando, ou retirando, valores a tudo e todos, disse concordar com as manifestações dos estudantes, mas não perceber bem como é que se misturam as lutas do secundário com as faixas, envergadas por alunos, contra a co-incineração.
Não me espanta. Não pecebe, porque vai distribuindo os valores do alto da sua intelectualidade. Não percebe, porque já se esqueceu, ou nunca soube, que há muitas coisas muito erradas, e muitas delas são trazidas a público para que não sejam esquecidas.
Enquanto isso, o Cerco vai-se apertando em miséria, insegurança e sujidade humana e material. E a escola, bem no centro do Cerco, vai asfixiando, com as paredes cercadas pela ausência de perspectivas num futuro.
Não é um futuro melhor. É apenas um futuro.
Talvez Marcelo Rebelo de Sousa tenha dado nota negativa ao aluno do Cerco. Não faz mal. Não é algo a que ele já não esteja habituado.
E assim fica a Invicta, afinal conquistada a partir de dentro das muralhas, com o porto a olhar para dentro do Cerco apenas através da ameias, com medo de lá entrar.
segunda-feira, novembro 13, 2006
Sindicatos fora de moda
Obsoletos.
Desde a Greve Geral que entrou no vocabulário de comentadores e de quem sei deixa comentarizar que os dirigentes sindicais estão obsoletos, referindo-se, mais precisamente, a Carvalho da Silva.
O João Proença nem tanto, ainda está só um bocadinho obsoleto.
Mas então, os governantes que há tantos anos estão à frente do destino do país, não estarão eles também obsoletos? Os economistas que todos os dias apresentam soluções já tiveram, a grande maioria, mais do que responsabilidades políticas, responsabilidades governativas. E, no entanto, passa a mensagem de que estão sempre actualizados.
Outra questão da moda, que sempre serve para afastar os holofotes do descontentamento com o Governo, é da ligação dos partidos de esquerda às centrais sindicais.
Mau será quando, um dia, os interesses dos sindicatos deixem de ser, também, os objectivos dos partidos da esquerda.
E, em relação ao PCP, convém que se decidam... Ou bem que está a definhar e a caminhar para o abismo; ou bem que tem uma capacidade de mobilização impressionante e consegue mobilizar gente para assobiar o Governo em todas as partes do país...
Desde a Greve Geral que entrou no vocabulário de comentadores e de quem sei deixa comentarizar que os dirigentes sindicais estão obsoletos, referindo-se, mais precisamente, a Carvalho da Silva.
O João Proença nem tanto, ainda está só um bocadinho obsoleto.
Mas então, os governantes que há tantos anos estão à frente do destino do país, não estarão eles também obsoletos? Os economistas que todos os dias apresentam soluções já tiveram, a grande maioria, mais do que responsabilidades políticas, responsabilidades governativas. E, no entanto, passa a mensagem de que estão sempre actualizados.
Outra questão da moda, que sempre serve para afastar os holofotes do descontentamento com o Governo, é da ligação dos partidos de esquerda às centrais sindicais.
Mau será quando, um dia, os interesses dos sindicatos deixem de ser, também, os objectivos dos partidos da esquerda.
E, em relação ao PCP, convém que se decidam... Ou bem que está a definhar e a caminhar para o abismo; ou bem que tem uma capacidade de mobilização impressionante e consegue mobilizar gente para assobiar o Governo em todas as partes do país...
sexta-feira, novembro 10, 2006
Sócrates errou nas horas
Que a máquina propagandística do Governo de Sócrates funciona quase na perfeição, ninguém duvida. Exemplo disso é a sondagem hoje revelada pela SIC/Expresso/Rádio Renasceça, mas nem vou por aí.
O que hoje falhou a Sócrates foi a sempre importante abertura dos telejornais. A Greve Geral da Função Pública foi a grande notícia do dia, apesar de o Governo a ter tentado desvalorizar ao máximo, apontando para os 11,78 por cento como a adesão do segundo dia. Não falo no primeiro, porque de certeza que os resultados, acertados até à segunda casa decimal, foram uma brincadeira, ou, talvez, mais um dia mau.
No entanto, José Sócrates optou por entrar no recinto onde decorre o Congresso do PS quando eram, pelo relógio da SIC Notícias, 20h02. Atirou ao lado, os três canais generalistas já estavam com as peças da greve em andamento. E, para azar do Governo, a acreditar nos 11,78 por cento de adesão, os canais televisivos devem ter acertado em cheio em todos os locais do país onde se fez greve.
Terá sido o trânsito a atrasar o nosso primeiro?
O que hoje falhou a Sócrates foi a sempre importante abertura dos telejornais. A Greve Geral da Função Pública foi a grande notícia do dia, apesar de o Governo a ter tentado desvalorizar ao máximo, apontando para os 11,78 por cento como a adesão do segundo dia. Não falo no primeiro, porque de certeza que os resultados, acertados até à segunda casa decimal, foram uma brincadeira, ou, talvez, mais um dia mau.
No entanto, José Sócrates optou por entrar no recinto onde decorre o Congresso do PS quando eram, pelo relógio da SIC Notícias, 20h02. Atirou ao lado, os três canais generalistas já estavam com as peças da greve em andamento. E, para azar do Governo, a acreditar nos 11,78 por cento de adesão, os canais televisivos devem ter acertado em cheio em todos os locais do país onde se fez greve.
Terá sido o trânsito a atrasar o nosso primeiro?
Picos do Pinho
Foi ontem a votação do Orçamento de Estado, na AR, aprovado pela maioria do Partido Socialista. Só.
Não merece grandes comentários, o descontentamento generalizado diz tudo.
Mas as palavras do ministro Manuel Pinho têm o condão de surgir sempre nas piores alturas. Depois do decreto do fim da crise, que afinal era só para animar a malta, veio dizer que os 40 e tal mil portugueses que conseguiram novos empregos devem estar felizes.
O ministro esqueceu-se, no entanto, que os números do desemprego são comparados por trimestre. Ou seja, não pode dizer-se, com rigor, que houve um decréscimo do desemprego sem comparar ou primeiro trimestre do ano anterior com o primeiro deste ano, e por aí fora. É, no mínimo, má fé, comparar o segundo com o terceiro trimestre, que engloba os meses de Julho Agosto e Setembro, época do ano em que o trabalho sazonal tem o seu pico.
Mas, no dia seguinte às declarações do ministro, a LEAR de Valongo anunciou que vai fechar e vão para a rua mais de 500 trabalhadores.
Manuel Pinho começa a provar que faz os melhores discursos quando está calado.
Não merece grandes comentários, o descontentamento generalizado diz tudo.
Mas as palavras do ministro Manuel Pinho têm o condão de surgir sempre nas piores alturas. Depois do decreto do fim da crise, que afinal era só para animar a malta, veio dizer que os 40 e tal mil portugueses que conseguiram novos empregos devem estar felizes.
O ministro esqueceu-se, no entanto, que os números do desemprego são comparados por trimestre. Ou seja, não pode dizer-se, com rigor, que houve um decréscimo do desemprego sem comparar ou primeiro trimestre do ano anterior com o primeiro deste ano, e por aí fora. É, no mínimo, má fé, comparar o segundo com o terceiro trimestre, que engloba os meses de Julho Agosto e Setembro, época do ano em que o trabalho sazonal tem o seu pico.
Mas, no dia seguinte às declarações do ministro, a LEAR de Valongo anunciou que vai fechar e vão para a rua mais de 500 trabalhadores.
Manuel Pinho começa a provar que faz os melhores discursos quando está calado.
terça-feira, novembro 07, 2006
Toma lá Democracia
O Governo dos EUA ameaçou hoje os eleitores da Nicarágua. Se Ortega vencer as eleições, acabam-se os apoios económicos.
É legítimo. O dinheiro é deles, dão-no a quem quiserem. O que não me parece muito legítimo é a ameaça, vinda da auto-intitulada maior democracia do Mundo.
Não percebo. A democracia dos EUA compra guerras para que os países se tornem livres e democráticos - pelo menos, é este o motivo oficial.
Então, por que não aceitar a legitimidade do povo nicaraguano na escolha do seu novo líder?
Estranha forma de democracia.
É legítimo. O dinheiro é deles, dão-no a quem quiserem. O que não me parece muito legítimo é a ameaça, vinda da auto-intitulada maior democracia do Mundo.
Não percebo. A democracia dos EUA compra guerras para que os países se tornem livres e democráticos - pelo menos, é este o motivo oficial.
Então, por que não aceitar a legitimidade do povo nicaraguano na escolha do seu novo líder?
Estranha forma de democracia.
Saudinha, S.A.!
Um estudo divulgado hoje veio revelar que os Hospitais, S.A., gastam mais do que os hospitais não S.A., o que pode, obviamente, aumentar o défice.
É uma chatice ter de pagar balúrdios a adminstradores para cortarem nas despesas que os ordenados dos próprios acabam por gerar, e não consigo perceber muito bem como isso é possível.
Mas isto vai mudar, mais não seja, pelo pagamentos das Taxas Moderadoras, que vão dar uma mãozinha para equilibrar as contas que os nossos impostos deviam suportar. Os nossos, sim, não os das grandes empresas, porque essas precisam de ter impostos baixinhos, para não se deslocalizarem...
É uma chatice ter de pagar balúrdios a adminstradores para cortarem nas despesas que os ordenados dos próprios acabam por gerar, e não consigo perceber muito bem como isso é possível.
Mas isto vai mudar, mais não seja, pelo pagamentos das Taxas Moderadoras, que vão dar uma mãozinha para equilibrar as contas que os nossos impostos deviam suportar. Os nossos, sim, não os das grandes empresas, porque essas precisam de ter impostos baixinhos, para não se deslocalizarem...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sem penas
O Iraque está, mais uma vez, na ordem do dia.
Desta vez por causa de Saddam Hussein, que foi condenado à morte por enforcamento. Portanto, o Iraque deixou de ser um regime tirano que condenava à morte os opositores ao regime laico, para passar a ser um regime tirano islâmico que condena continua a condenar à morte.
Segundo Bush, é "um enorme passo passo para a jovem democracia iraquiana". Não admira, tendo em conta a velha democracia do Texas.
Sócrates também falou, ainda que timidamente, para dizer que os direitos humanos estão no "coração de todos os [norte] americanos.
Não diria bem de todos. Duvido que a lei que impede os julgados por crime de terrorismo de falarem sobre os métodos dos interrogatórios a que foram submetidos sejam revelados, seja um acto que partiu do coração dos norte-americanos.
Saddam foi condenado pela morte de 148 xiitas. Ficaram, assim, sem pena, os milhares de curdos e militantes de esquerda que também foram assassinados.
E os turcos? E os presos políticos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que continuam presos e torturados no aliado estratégico dos EUA na região? Para esses não há pena: nem dos tribunais, nem de compaixão.
Já agora, se depois da mentira das armas iraquianas, o motivo da invasão do Iraque passou, subitamente, a ser a deposição de um regime autoritário e sanguinário por parte dos EUA, para quando uma intervenção no Darfur?
Desta vez por causa de Saddam Hussein, que foi condenado à morte por enforcamento. Portanto, o Iraque deixou de ser um regime tirano que condenava à morte os opositores ao regime laico, para passar a ser um regime tirano islâmico que condena continua a condenar à morte.
Segundo Bush, é "um enorme passo passo para a jovem democracia iraquiana". Não admira, tendo em conta a velha democracia do Texas.
Sócrates também falou, ainda que timidamente, para dizer que os direitos humanos estão no "coração de todos os [norte] americanos.
Não diria bem de todos. Duvido que a lei que impede os julgados por crime de terrorismo de falarem sobre os métodos dos interrogatórios a que foram submetidos sejam revelados, seja um acto que partiu do coração dos norte-americanos.
Saddam foi condenado pela morte de 148 xiitas. Ficaram, assim, sem pena, os milhares de curdos e militantes de esquerda que também foram assassinados.
E os turcos? E os presos políticos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que continuam presos e torturados no aliado estratégico dos EUA na região? Para esses não há pena: nem dos tribunais, nem de compaixão.
Já agora, se depois da mentira das armas iraquianas, o motivo da invasão do Iraque passou, subitamente, a ser a deposição de um regime autoritário e sanguinário por parte dos EUA, para quando uma intervenção no Darfur?
sexta-feira, novembro 03, 2006
Era uma vez um partido
O Partido Nova Democracia, de Manuel Monteiro, está com vida difícil. Não conseguiu qualquer dos objectivos: fazer frente ao PP, aproveitar margens de descontentes do PSD e abarcar novos militantes, até então afastados da vida política.
O partido continuou a viver da imagem do seu líder, com aparições esporádicas e, na maioria das vezes, inconsequentes. Redundou num enorme falhanço, não conseguindo chamar a si o elevado número de descontentes com Ribeiro e Castro e os indiferentes do PSD à actuação de Marques Mendes.
Mas o grande culpado da crise do PND é o Partido Socialista. Com o engenheiro Sócrates à cabeça, a direita, em geral, não tem espaço como oposição e, por outro lado, não quer admitir que o actual Governo está a fazer exactamente o que a direita faria se estivesse no poder.
A direita vive agora, em Portugal, um período semelhante ao vivido pelos partidos de esquerda logo após o 25 de Abril, quando havia muitos partidos de esquerda.
Há direita a mais. Temos o PS, o PSD, o PP, o PND e os fascistas - pelo menos os mais claramente fascistas - do PNR.
Ofertas a mais para eleitorado a menos.
O partido continuou a viver da imagem do seu líder, com aparições esporádicas e, na maioria das vezes, inconsequentes. Redundou num enorme falhanço, não conseguindo chamar a si o elevado número de descontentes com Ribeiro e Castro e os indiferentes do PSD à actuação de Marques Mendes.
Mas o grande culpado da crise do PND é o Partido Socialista. Com o engenheiro Sócrates à cabeça, a direita, em geral, não tem espaço como oposição e, por outro lado, não quer admitir que o actual Governo está a fazer exactamente o que a direita faria se estivesse no poder.
A direita vive agora, em Portugal, um período semelhante ao vivido pelos partidos de esquerda logo após o 25 de Abril, quando havia muitos partidos de esquerda.
Há direita a mais. Temos o PS, o PSD, o PP, o PND e os fascistas - pelo menos os mais claramente fascistas - do PNR.
Ofertas a mais para eleitorado a menos.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Frases e factos
"É preciso aproveitar ao máximo os estudos, estudar muito, fazer os deveres, fazer um esforço para ser inteligente, para ter êxito (...) caso contrário, acaba-se enfiado no Iraque".
Foi esta frase de John Kerry que fez com que os conservadores tomassem as dores dos soldados e acusassem o senador de ter insultado as tropas americanas. Mas até que ponto não será verdade?
O recrutamento de soldados nos EUA faz-se, muitas vezes, porta a porta, nos bairros e zonas mais degradados e problemáticos. Assim, aproveitando o elevado nível de abandono escolar, que também se deve ao modelo educacional norte-americano, responsáveis do exército acenam com regalias e futuros promissores aos jovens menos esclarecidos. Da mesma forma que era feito durante a guerra do Vietname.
Até que ponto é mentira que são os jovens menos formados que integram as fileiras do exército norte-americano?
No entanto, sem retirar alguma razão ao senador John Kerry, há um perigo maior para que não estuda muito... Pode chegar a presidente dos EUA!
Foi esta frase de John Kerry que fez com que os conservadores tomassem as dores dos soldados e acusassem o senador de ter insultado as tropas americanas. Mas até que ponto não será verdade?
O recrutamento de soldados nos EUA faz-se, muitas vezes, porta a porta, nos bairros e zonas mais degradados e problemáticos. Assim, aproveitando o elevado nível de abandono escolar, que também se deve ao modelo educacional norte-americano, responsáveis do exército acenam com regalias e futuros promissores aos jovens menos esclarecidos. Da mesma forma que era feito durante a guerra do Vietname.
Até que ponto é mentira que são os jovens menos formados que integram as fileiras do exército norte-americano?
No entanto, sem retirar alguma razão ao senador John Kerry, há um perigo maior para que não estuda muito... Pode chegar a presidente dos EUA!
terça-feira, outubro 31, 2006
À espera que a Zita Se abra
A agora deputada do PSD esteve ontem no programa "Prós e Prós", da RTP. Confesso que não vi. Não tenho grande paciência para a Zita Seabra. Vi umas imagens de 1982, acho eu, com a deputada a defender o direito ao aborto, então na bancada do PCP.
Hoje, aparece do outro lado da barricada, como defensora incondicional dos que são contra a IVG.
Vi e ouvi a sua intervenção na Assembleia da República, quando o PS propôs um referendo que Sampaio chumbou. Tem fraca argumentação e não parece segura no que diz. Dá ideia de ser apenas um porta-voz de uma ala social-democrata que não quer dar a cara. E o papel fica-lhe mal. Parece que esconde alguma coisa, ou que não diz o que pensa e tem um enorme trabalho para pensar no que diz.
É pena. Fico à espera que a Zita Se abra...
Hoje, aparece do outro lado da barricada, como defensora incondicional dos que são contra a IVG.
Vi e ouvi a sua intervenção na Assembleia da República, quando o PS propôs um referendo que Sampaio chumbou. Tem fraca argumentação e não parece segura no que diz. Dá ideia de ser apenas um porta-voz de uma ala social-democrata que não quer dar a cara. E o papel fica-lhe mal. Parece que esconde alguma coisa, ou que não diz o que pensa e tem um enorme trabalho para pensar no que diz.
É pena. Fico à espera que a Zita Se abra...
Ministra do Diálogo
Maria de Lurdes Rodrigues quebrou o protocolo e acedeu a participar numa reunião informal, extra-agenda, com alunos que protestavam à porta de uma escola de Vila do Conde. Ao contrário dos professores, que andam há que tempos a penar por serem ouvidos pela ministra, os alunos tiveram mais sorte.
Não sei qual terá sido a reacção de Sócrates, que já fez questão de afirmar que ignora os protestos, numa espécie de birra que berra mais alto do que as reivindicações dos docentes; fazendo doer os ouvidos à opinião pública em geral e a alguns sectores do partido do Governo em particular.
Desconfio das verdadeiras intenções das ministra. Talvez estivesse à espera de encontrar meia-dúzia de "baldas" que aproveitaram a deslocação da responsável pela educação em Portugal para não terem aulas. Parece que não foi bem assim.
Por outro lado, os professores tiveram um azar enorme. Logo num dia em que não acompanharam a agenda da ministra, ela decidiu encontrar-se com uma delegação dos manifestantes. Será que a ministra tem medo de argumentar com os professores? Será que só recebe delegações de contestatários às segundas de manhã?
Mas nem tudo foi mau. A ministra acabou por dar a mão à palmatória e revelar aquilo que as aulas de substituição não devem ser.
Por outro lado, também não disse o que devem ser.
O impasse continua. A luta dos professores, alunos, pessoal não docente e pais também.
Não sei qual terá sido a reacção de Sócrates, que já fez questão de afirmar que ignora os protestos, numa espécie de birra que berra mais alto do que as reivindicações dos docentes; fazendo doer os ouvidos à opinião pública em geral e a alguns sectores do partido do Governo em particular.
Desconfio das verdadeiras intenções das ministra. Talvez estivesse à espera de encontrar meia-dúzia de "baldas" que aproveitaram a deslocação da responsável pela educação em Portugal para não terem aulas. Parece que não foi bem assim.
Por outro lado, os professores tiveram um azar enorme. Logo num dia em que não acompanharam a agenda da ministra, ela decidiu encontrar-se com uma delegação dos manifestantes. Será que a ministra tem medo de argumentar com os professores? Será que só recebe delegações de contestatários às segundas de manhã?
Mas nem tudo foi mau. A ministra acabou por dar a mão à palmatória e revelar aquilo que as aulas de substituição não devem ser.
Por outro lado, também não disse o que devem ser.
O impasse continua. A luta dos professores, alunos, pessoal não docente e pais também.
segunda-feira, outubro 30, 2006
Por falar nele...
Nem de propósito. O comentador de tudo e todos, Luís Delgado, na sua coluna de opinião no Diário de Notícias, sob o título "Decomposição de Fidel", brinda-nos com algumas pérolas históricas. Este homem sabe tudo. Desde política a história, passando por tácticas militares, economia e finanças.
Logo no terceiro parágrafo, o comentador polivalente avança com acusações que têm como base, segundo o próprio, uma biografia não autorizada, da autoria de um jornalista francês.
"...foi afastando ou eliminando todos os que a seu lado lutaram, de Camilo Cienfuegos a Che Guevara.". Afastado será, alegamente, Ernesto Guevara de La Serna, o argentino internacionalista que, depois de consumada a revolução em Cuba, partiu numa demanda para África, onde constatou o evidente: Era, e é, um continente repartido por fronteiras estabelecidas de acordo com os interesses colonizadores. Por isso, a divisão de tribos em lados opostos das linhas dos mapas, acabou por banalizar as guerras num continente riquíssimo. Mas isso é um lugar-comum.
Deduz-se, portanto, que o "eliminado" terá sido Camilo Cienfuegos. No mínimo surreal.
"Fidel Castro foi a maior mentira do século, mas alimentada por uma elite europeia e latino-americana que se devia envergonhar, por uma vez, da cobertura que foi dando, e ainda dá, a um ditador cruel que destruiu um país e reprimiu milhões de cidadãos.". Talvez. Talvez o Homem nem tenha pisado a lua. Talvez o Bush não tenha vencido as primeiras eleições. Talvez o Santana Lopes tenha sido um bom chefe de Governo. Talvez a retoma esteja mesmo aí.
O que não levanta grande discussão é que Cuba, para um país destruído, tem um sistema de saúde que faz inveja ao construído Portugal. O sistema educativo idem. As liberdades pessoais e colectivas são discutíveis é certo.
Mas, e há sempre um mas, Luís Delgado devia provar factualmente o que era bom em Cuba no tempo de Fulgêncio Baptista. Como era a liberdade de expressão, a liberdade sindical e a pluralidade partidária. Entre outros.
Logo no terceiro parágrafo, o comentador polivalente avança com acusações que têm como base, segundo o próprio, uma biografia não autorizada, da autoria de um jornalista francês.
"...foi afastando ou eliminando todos os que a seu lado lutaram, de Camilo Cienfuegos a Che Guevara.". Afastado será, alegamente, Ernesto Guevara de La Serna, o argentino internacionalista que, depois de consumada a revolução em Cuba, partiu numa demanda para África, onde constatou o evidente: Era, e é, um continente repartido por fronteiras estabelecidas de acordo com os interesses colonizadores. Por isso, a divisão de tribos em lados opostos das linhas dos mapas, acabou por banalizar as guerras num continente riquíssimo. Mas isso é um lugar-comum.
Deduz-se, portanto, que o "eliminado" terá sido Camilo Cienfuegos. No mínimo surreal.
"Fidel Castro foi a maior mentira do século, mas alimentada por uma elite europeia e latino-americana que se devia envergonhar, por uma vez, da cobertura que foi dando, e ainda dá, a um ditador cruel que destruiu um país e reprimiu milhões de cidadãos.". Talvez. Talvez o Homem nem tenha pisado a lua. Talvez o Bush não tenha vencido as primeiras eleições. Talvez o Santana Lopes tenha sido um bom chefe de Governo. Talvez a retoma esteja mesmo aí.
O que não levanta grande discussão é que Cuba, para um país destruído, tem um sistema de saúde que faz inveja ao construído Portugal. O sistema educativo idem. As liberdades pessoais e colectivas são discutíveis é certo.
Mas, e há sempre um mas, Luís Delgado devia provar factualmente o que era bom em Cuba no tempo de Fulgêncio Baptista. Como era a liberdade de expressão, a liberdade sindical e a pluralidade partidária. Entre outros.
By The Way...
Os caminhos escolhidos são sempre os correctos, mas nem sempre os melhores.
Uma frase daquelas poéticas, ambíguas, mas fica bem e parece cheia de sabedoria, embora possa dizer coisa nenhuma. É mais ou menos uma especie de Luís Delgado, mas em frase. Ou de Pacheco Pereira, mas sem barba.
É a minha estreia no mundo do Blogger.com, depois algumas tentativas noutros mundos que ficaram sem efeito, por falta de tempo e paciência.
Mas hoje é segunda-feira e apetece-me escrever, por isso, pelo menos até amanhã, isto deve estar no ar.
Uma frase daquelas poéticas, ambíguas, mas fica bem e parece cheia de sabedoria, embora possa dizer coisa nenhuma. É mais ou menos uma especie de Luís Delgado, mas em frase. Ou de Pacheco Pereira, mas sem barba.
É a minha estreia no mundo do Blogger.com, depois algumas tentativas noutros mundos que ficaram sem efeito, por falta de tempo e paciência.
Mas hoje é segunda-feira e apetece-me escrever, por isso, pelo menos até amanhã, isto deve estar no ar.
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