«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quarta-feira, maio 23, 2007
Desemprego e Pinho, Lda.
Antes de mais, começo por agradecer a quem usa o servidor da Secretaria-Geral da Presidência da República para visitar este humilde blog.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
quinta-feira, maio 17, 2007
Tanta coisa, tão pouco tempo...
Portanto, vamos por números, sem ordem, em jeito de telegrama...
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
sexta-feira, maio 11, 2007
Papa(s) para malucos
A visita de Bento XVI ao Brasil demonstra bem como a instituição "igreja" está desajustada da realidade.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
quinta-feira, maio 10, 2007
Roseta dos ventos
O filme da Câmara Municipal de Lisboa chegou ao fim, mas parece estar já na forja uma nova novela. Helena Roseta, apoiante de Manuel Alegre nas presidenciais e co-fundadora do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), deverá candidatar-se à presidência da autarquia, à margem do seu partido.
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
segunda-feira, maio 07, 2007
Na Madeira ganhou o caruncho
A pérola do Atlântico ainda vai levar, por mais uns tempos, com o João Jardim.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
terça-feira, abril 24, 2007
Eu, Ronco
Fantástico.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
quinta-feira, abril 19, 2007
Olá desqualificação
Manuel Alegre já veio criticar a campanha "Novas Oportunidades", lançada pelo governo do seu partido. De acordo, a mensagem é passada de uma forma infeliz, denegrindo a dignidade de algumas profissões.
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
segunda-feira, abril 16, 2007
105.3
Os olhos semi-cerrados pela força do sol, logo de manhã, fazem-me pegar nos óculos pretos, riscados, que me turvam a vista, enquanto os Sinais, do Fernando Alves, vão-me guiando pelo meio do trânsito caótico.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
quinta-feira, abril 12, 2007
Regresso ao passado
quarta-feira, abril 11, 2007
Público-Alvo
Hoje foi um dia histórico para a justiça e jornalismo portugueses. Ficámos todos a saber que a verdade é crime.
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
terça-feira, abril 03, 2007
All - á é grande!
O ministro Manuel Pinho conta já com a minha pessoa entre os seus milhares de fãs.
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
segunda-feira, março 26, 2007
Grande português
A escolha do grande português só vem provar que somos, realmente, um país de gente pequena.
Disse.
Disse.
terça-feira, março 13, 2007
Haja respeito!
Não tenho especial apreço por aves e afins. Mas respeito-as, como respeito todos os animais. Nunca, nos meus tempos de ganapo eu peguei numa arma de chumbos e atirei aos pardais.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
segunda-feira, março 12, 2007
Silêncio
Não gosto muito do silêncio. Deixa-me nervoso.
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
quinta-feira, março 08, 2007
Dia D(elas)
Não foi hoje, o Dia D(elas).
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Para sempre, Zeca! - Menina dos Olhos Tristes
E voltas em mim, a mim, 20 anos depois de teres partido.
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
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