A convenção do Bloco de Esquerda, que decorreu no passado fim-de-semana, foi (mais) um verdadeiro exercício mediático do padre Louçã e dos seus acólitos.
O carácter social-democrata de supostos revolucionários veio ao de cima, com as críticas à Greve Geral de 30 de Maio. Alinharam ao lado da direita e do Governo, procurando colar a decisão da CGTP às alegadas pressões do PCP. Para o BE não importa, por isso, que quase 1,5 milhões de portugueses tenham estado em greve, sem contar com muitos outros gostariam de a ter feito, mas não puderam, por pressões do patronato ou por motivos pessoais. O BE negou tudo isto e apontou baterias ao PCP.
Há cerca de 100 anos, estes senhores tinham um nome, eram mencheviques, e o seu grande objectivo era combater a Esquerda Revolucionária, deixando caminho livre para a propaganda burguesa. Sem o perceber (será que não percebe mesmo?), o Bloco vai dando argumentos ao Governo e aos detentores do poder económico para que questionem o movimento sindical.
Hoje, como há 100 anos, a burguesia chique-revolucionária ataca a esquerda e eleje-a como principal alvo. Exemplo mais claro é a festa para assinalar a reentrada no ano político. Uma iniciativa que, se não é para procurar rivalizar com a Festa do Avante!, para pouco mais servirá.
A Luta continua. A Festa, também.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quarta-feira, junho 06, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
Jogada de mestre
O Irão está prestes a avançar, pela primeira vez na sua história, com um plano de racionamento dos recursos petrolíferos. Pode parecer absurdo, mas não é. O Irão é um país exportador de petróleo mas tem enormes dificuldades no que respeita à refinação.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
segunda-feira, junho 04, 2007
Galicia - Hasta la victoria!
A manchete do Jornal de Notícias de hoje, pelo menos a ediçao para o norte, é tão verdadeira que chega quase a deprimente.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
quarta-feira, maio 30, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
B.
A B. nasceu há quase um ano. Faltam cerca de 60 dias.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
quinta-feira, maio 24, 2007
As centopeias, Ota vez...
Diz-se delas que têm 100 patas, ou 100 pés, como preferirem.
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
quarta-feira, maio 23, 2007
Desemprego e Pinho, Lda.
Antes de mais, começo por agradecer a quem usa o servidor da Secretaria-Geral da Presidência da República para visitar este humilde blog.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
quinta-feira, maio 17, 2007
Tanta coisa, tão pouco tempo...
Portanto, vamos por números, sem ordem, em jeito de telegrama...
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
sexta-feira, maio 11, 2007
Papa(s) para malucos
A visita de Bento XVI ao Brasil demonstra bem como a instituição "igreja" está desajustada da realidade.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
quinta-feira, maio 10, 2007
Roseta dos ventos
O filme da Câmara Municipal de Lisboa chegou ao fim, mas parece estar já na forja uma nova novela. Helena Roseta, apoiante de Manuel Alegre nas presidenciais e co-fundadora do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), deverá candidatar-se à presidência da autarquia, à margem do seu partido.
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
segunda-feira, maio 07, 2007
Na Madeira ganhou o caruncho
A pérola do Atlântico ainda vai levar, por mais uns tempos, com o João Jardim.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
terça-feira, abril 24, 2007
Eu, Ronco
Fantástico.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
quinta-feira, abril 19, 2007
Olá desqualificação
Manuel Alegre já veio criticar a campanha "Novas Oportunidades", lançada pelo governo do seu partido. De acordo, a mensagem é passada de uma forma infeliz, denegrindo a dignidade de algumas profissões.
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
segunda-feira, abril 16, 2007
105.3
Os olhos semi-cerrados pela força do sol, logo de manhã, fazem-me pegar nos óculos pretos, riscados, que me turvam a vista, enquanto os Sinais, do Fernando Alves, vão-me guiando pelo meio do trânsito caótico.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
quinta-feira, abril 12, 2007
Regresso ao passado
quarta-feira, abril 11, 2007
Público-Alvo
Hoje foi um dia histórico para a justiça e jornalismo portugueses. Ficámos todos a saber que a verdade é crime.
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
terça-feira, abril 03, 2007
All - á é grande!
O ministro Manuel Pinho conta já com a minha pessoa entre os seus milhares de fãs.
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
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