Há coisas que me deixam revoltado, todo revoltado!
Eu, por acaso, nem tenho conta no BCP, nem simpatizo particularmente com o Jardim Gonçalves. Aliás, nem o conheço! E desconfio que, se ele me conhecesse, também não ia simpatizar comigo.
No entanto, o homem é pai e é um bom pai. Deu uns trocos ao filhote. E então? Depois perdoou. E então?
Só acho mal o senhor dizer que não tinha conhecimento. Um pai deve ser saber sempre o que andam a fazer os filhos.
Por isso não percebo este alarido todo à volta de umas coisas do BCP.
Sejam sensíveis: pai é pai!
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quarta-feira, outubro 17, 2007
terça-feira, outubro 16, 2007
Adriano, presente!
Há 25 anos, desapareceu.
Um absurdo, assim aos 40 anos e sem aviso.
Há coisas que gostava que ele soubesse e outras que não visse, ainda bem que não as vê. Tenho pena que não veja, mas acredito que tenha partido a saber que resistimos e estamos vivos. Com todos os erros, desvios, virtudes, de que todos fomos e somos vítimas e, ao mesmo tempo, causadores. Mas estamos cá.
Foi muito além da música para cantar a Coimbra negra num Portugal às escuras. Educou o Povo sem o saber, ou se calhar sabia-o, e há quem se lembre, só porque na memória ninguém manda, e porque a memória também se educa.
É um daqueles a quem devemos que Abril já fosse Abril, mesmo antes de o ser.
Um absurdo, assim aos 40 anos e sem aviso.
Há coisas que gostava que ele soubesse e outras que não visse, ainda bem que não as vê. Tenho pena que não veja, mas acredito que tenha partido a saber que resistimos e estamos vivos. Com todos os erros, desvios, virtudes, de que todos fomos e somos vítimas e, ao mesmo tempo, causadores. Mas estamos cá.
Foi muito além da música para cantar a Coimbra negra num Portugal às escuras. Educou o Povo sem o saber, ou se calhar sabia-o, e há quem se lembre, só porque na memória ninguém manda, e porque a memória também se educa.
É um daqueles a quem devemos que Abril já fosse Abril, mesmo antes de o ser.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Resposta cantada ao sociólogo Alberto
Resposta cantada ao sociólogo Alberto pelo brilhante artigo de opinião publicado no Diário de Notícias de 14 de Outubro.
Nota: Um exemplo claro do propósito da reformulação editorial que até deixou de contar com o contributo de Rúben de Carvalho.
Indignado com t-shirts,
Boinas e bonés,
Surge o sociólogo Alberto,
Assim em bicos de pés:
"Foi assassino louco, com torturas,
Verdadeiro psicopata ele era,
Iluminou à força as massas brutas",
Terá sido um pesadelo na terra
Disse o sociólogo Alberto,
Falando da gosma insultuosa verbal,
Proferindo o próprio insultos,
Indicadores de inércia mental
Fala de tudo e todos,
Mao, Estaline e Che,
Esquecendo - já dizia o poeta,
Que nem tudo o que parece, é
Chama carniceiro a Ernesto,
Esquece Batista e outros que tal,
Apologista do assassino colombiano,
Reconhece o Eixo do Mal
Ao sociólgo Alberto,
Digo daqui deste lado:
Para tanta imbecilidade junta,
Mais valia estar calado
Então o sociólogo Alberto,
Já assim perto do final,
Justifica a defesa de Che,
Com uma atracção (homos)sexual
Não me parece muito sério,
Numa discussão interessante,
Achar que quem admira Che,
Se senta sem que o outro se levante
Assim, e pra terminar,
Não o mando pra quem o pariu,
Vá antes de volta,
Ao intestino de onde saiu.
Nota: Um exemplo claro do propósito da reformulação editorial que até deixou de contar com o contributo de Rúben de Carvalho.
Indignado com t-shirts,
Boinas e bonés,
Surge o sociólogo Alberto,
Assim em bicos de pés:
"Foi assassino louco, com torturas,
Verdadeiro psicopata ele era,
Iluminou à força as massas brutas",
Terá sido um pesadelo na terra
Disse o sociólogo Alberto,
Falando da gosma insultuosa verbal,
Proferindo o próprio insultos,
Indicadores de inércia mental
Fala de tudo e todos,
Mao, Estaline e Che,
Esquecendo - já dizia o poeta,
Que nem tudo o que parece, é
Chama carniceiro a Ernesto,
Esquece Batista e outros que tal,
Apologista do assassino colombiano,
Reconhece o Eixo do Mal
Ao sociólgo Alberto,
Digo daqui deste lado:
Para tanta imbecilidade junta,
Mais valia estar calado
Então o sociólogo Alberto,
Já assim perto do final,
Justifica a defesa de Che,
Com uma atracção (homos)sexual
Não me parece muito sério,
Numa discussão interessante,
Achar que quem admira Che,
Se senta sem que o outro se levante
Assim, e pra terminar,
Não o mando pra quem o pariu,
Vá antes de volta,
Ao intestino de onde saiu.
Notas soltas
Não sei bem por onde começar, depois de tanto tempo de molho, por isso, vão só umas notas soltas:
1. Tenho pra mim que o PSD deixará de ter uma liderança microcéfala, não para ter uma bicéfala, mas sim acéfala.
2. O nosso país é tão educado, tão educado, que chamar mentiroso passou quase a ser crime, ainda antes de o ser. Mais, é quase crime pensar em chamar mentiroso, mas não é crime sê-lo.
3. Tendo em conta o ódio destilado pelo ilustre senhor mais-ou-menos engenheiro José Sócrates para com os sindicatos dos malvados da CGTP com... comn... comun... comunista; qual o tratamento para os inertes amigos governamentais da UGT?
4. O orçamento de estado é tão bom, tão bom, que o Governador socialista do Banco de Portugal teve de vir a correr pôr água na fervura, depois das previsões do FMI.
5. O FMI não constitui mais do que um espécie de colonialismo moderno em relação aos países menos desenvolvidos.
6. Não tenho conta nem créditos no BCP. Se tivesse, ia ver se podiam fazer um jeitinho e perdoar a minha dívida.
Por agora, acho que é tudo.
1. Tenho pra mim que o PSD deixará de ter uma liderança microcéfala, não para ter uma bicéfala, mas sim acéfala.
2. O nosso país é tão educado, tão educado, que chamar mentiroso passou quase a ser crime, ainda antes de o ser. Mais, é quase crime pensar em chamar mentiroso, mas não é crime sê-lo.
3. Tendo em conta o ódio destilado pelo ilustre senhor mais-ou-menos engenheiro José Sócrates para com os sindicatos dos malvados da CGTP com... comn... comun... comunista; qual o tratamento para os inertes amigos governamentais da UGT?
4. O orçamento de estado é tão bom, tão bom, que o Governador socialista do Banco de Portugal teve de vir a correr pôr água na fervura, depois das previsões do FMI.
5. O FMI não constitui mais do que um espécie de colonialismo moderno em relação aos países menos desenvolvidos.
6. Não tenho conta nem créditos no BCP. Se tivesse, ia ver se podiam fazer um jeitinho e perdoar a minha dívida.
Por agora, acho que é tudo.
quarta-feira, julho 11, 2007
Cavalos
Sempre que estou com a B. a ler um livro, ou a ver, uma vez que são mais as imagens do que as letras, tenho que fazer aqueles estalinhos com a língua, assim a fazer de conta que vou a trote, ao mesmo tempo que vou abanando a perna ao mesmo ritmo.
No entanto, gosto dos cavalos, da mesma forma que gosto da generalidade dos animais, com excepção de alguns racionais.
E acho mesmo que o facto de terem uma porta só para eles, faz dos cavalos animais especiais. Tão especiais que, nos dias de hoje, até o primeiro ministro as usa, como fez na Casa da Música e na inauguração da nova ponte, lá mais para o sul.
Há uns tempos, esta amiga usou a genial expressão "Rei dos Ministros". Ainda não lhe disse, mas vou dizer, que isto dos blogs chega a toda a gente e acho que temos que ter cuidado com as ideias que lançamos.
O Sócrates deve ter lido o post e, quando foi inaugurar a nova ponte, à boa maneira das cortes reais, houve duas cerimónias: uma para convidados, numa tenda, com direito a tacho e tudo. Outra, para o Povo, na rua, com danças e coisas do género. Só não há registo de torneios pela mão da bela donzela. Também não consta que tenha havido donzelas.
No entanto, gosto dos cavalos, da mesma forma que gosto da generalidade dos animais, com excepção de alguns racionais.
E acho mesmo que o facto de terem uma porta só para eles, faz dos cavalos animais especiais. Tão especiais que, nos dias de hoje, até o primeiro ministro as usa, como fez na Casa da Música e na inauguração da nova ponte, lá mais para o sul.
Há uns tempos, esta amiga usou a genial expressão "Rei dos Ministros". Ainda não lhe disse, mas vou dizer, que isto dos blogs chega a toda a gente e acho que temos que ter cuidado com as ideias que lançamos.
O Sócrates deve ter lido o post e, quando foi inaugurar a nova ponte, à boa maneira das cortes reais, houve duas cerimónias: uma para convidados, numa tenda, com direito a tacho e tudo. Outra, para o Povo, na rua, com danças e coisas do género. Só não há registo de torneios pela mão da bela donzela. Também não consta que tenha havido donzelas.
sexta-feira, julho 06, 2007
A cena deles
Texto publicado, originalmente, aqui.
É a primeira vez que escrevo neste espaço, apesar de já ter sido convidado há muito tempo.
No entanto, não podia deixar de tecer algumas considerações em relação ao comentário do Secretário de Estado, José Magalhães, no site "A nossa opinião", que mais não é do que a opinião deles.
Primeiro ponto: Foi apresentado como um blog, mas de blog tem muito pouco. É antes um apêndice ao site do MAI, em que, a acreditar nas assinaturas, os responsáveis falam na primeira pessoa. No entanto, nada de comentários para os visitantes. Por isso, é mesmo a opinião deles.
E foi por causa da opinião deles que foi apresentada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP, através do Conselho Europeu dos Sindicatos da Polícia (CESP), uma queixa no Conselho da Europa contra o Estado Português.
Assim, considero importante rebater o seguinte:
1 - Ao contrário do que é afirmado, não foi no dia 19 de Junho que o MAI foi questionado se tinha conhecimento de uma queixa apresentada pelo CESP. Segundo foi avançado pelo Jornal de Notícias do dia 14 de Junho, nesta data, o MAI não tinha sido notificado relativamente à queixa. Por isso, deve ter existido alguma falta de comunicação dentro do Ministério.
2 - No segundo parágrafo do Ponto 1, diz o secretário de Estado que "não tendo sido rejeitada liminarmente, foi declarada admissível no dia 21 de Maio subsequente...". Pois. Nós ainda temos um bocadinho de inteligência e percebemos todos que, por não ter sido rejeitada liminarmente é que foi declarada admissível. Mas o que quererá dizer José Magalhães quando afirma isto? Será que o Conselho da Europa fez um favor à ASPP/PSP e considerou a queixa admissível? No mesmo site onde a queixa pode ser encontrada, estão outras, até de outros organismos portugueses, que não foram consideradas admissíveis. Por isso, algum fundamento deve haver. Aguardemos.
Já no último parágrafo do Ponto 1, é afirmado que, em 2001, foi apresentada uma queixa, também pela ASPP/PSP, que foi declarada admissível e depois rejeitada. Certo. Sabemos todos que, formalmente, as reuniões são cumpridas. Meras audições dos sindicatos que resultam em nada a favor dos Profissionais da PSP. Aguardemos, então, pela resposta do Estado português e, depois, poderemos ver o que considera o CE. Mas voltarei a este tema mais adiante.
Ponto 2
Relativamente ao segundo parágrafo, a resposta é não. A negociação colectiva não é respeitada. Basta ao senhor secretário de Estado considerar as alíneas f do Artigo 35.º da Lei Sindical da PSP, onde deve ser discutida a "duração e horário de trabalho"; e h, no que diz respeito às condições de higiene, saúde e segurança no trabalho. Mais adiante, é afirmado, relativamente ao SAD/PSP, que o objectivo foi uniformizar o Serviço de Assistência na Doença da PSP com a ADSE. No entanto, a opção uniformizar por cima, aumentando a comparticipação dos Polícias para aquele serviço. Antes, o Governo optou por equiparar os Polícias aos restantes Funcionários Públicos, esquecendo a especificidade do serviço policial.
"Público, notório e atestado documentalmente é também que os sindicatos da PSP foram reiteradamente ouvidos e informados sobre as medidas a adoptar, em múltiplas sedes e de diversas formas", diz o secretário de Estado. Interessante conceito tem o MAI do que é uma negociação. Normalmente, uma negociação implica ouvir, ser ouvido e encontrar um entendimento. Era a isto que me referia mais atrás. As reuniões de "negociação" resumem-se a auscultar. Depois, dizem que não a tudo e fazem o que entendem, transformando o cumprimento da Lei em mera formalidade de cumprimento das reuniões previstas.
Já no fim, como diz José Magalhães, vamos aguardar para saber o que diz o CE.
Gratificante para todos os Profissionais da PSP e para os associados da ASPP/PSP, em particular, deve ser verificar que há um sindicato que obriga a Tutela a reagir, a falar e a dar a conhecer aquilo que pretende para as Forças de Segurança. Recordemos, ainda, que o blog (?) do MAI foi lançado pelo anterior ministro, António Costa, para, reagir, ainda antes do prazo previsto para a inauguração daquele espaço, a uma crónica de Vasco Pulido Valente.
O mesmo sucedeu ontem, com o actual ministro a ser confrontado com a manifestação agendada pela ASPP/PSP para 19 de Setembro.
É a primeira vez que escrevo neste espaço, apesar de já ter sido convidado há muito tempo.
No entanto, não podia deixar de tecer algumas considerações em relação ao comentário do Secretário de Estado, José Magalhães, no site "A nossa opinião", que mais não é do que a opinião deles.
Primeiro ponto: Foi apresentado como um blog, mas de blog tem muito pouco. É antes um apêndice ao site do MAI, em que, a acreditar nas assinaturas, os responsáveis falam na primeira pessoa. No entanto, nada de comentários para os visitantes. Por isso, é mesmo a opinião deles.
E foi por causa da opinião deles que foi apresentada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP, através do Conselho Europeu dos Sindicatos da Polícia (CESP), uma queixa no Conselho da Europa contra o Estado Português.
Assim, considero importante rebater o seguinte:
1 - Ao contrário do que é afirmado, não foi no dia 19 de Junho que o MAI foi questionado se tinha conhecimento de uma queixa apresentada pelo CESP. Segundo foi avançado pelo Jornal de Notícias do dia 14 de Junho, nesta data, o MAI não tinha sido notificado relativamente à queixa. Por isso, deve ter existido alguma falta de comunicação dentro do Ministério.
2 - No segundo parágrafo do Ponto 1, diz o secretário de Estado que "não tendo sido rejeitada liminarmente, foi declarada admissível no dia 21 de Maio subsequente...". Pois. Nós ainda temos um bocadinho de inteligência e percebemos todos que, por não ter sido rejeitada liminarmente é que foi declarada admissível. Mas o que quererá dizer José Magalhães quando afirma isto? Será que o Conselho da Europa fez um favor à ASPP/PSP e considerou a queixa admissível? No mesmo site onde a queixa pode ser encontrada, estão outras, até de outros organismos portugueses, que não foram consideradas admissíveis. Por isso, algum fundamento deve haver. Aguardemos.
Já no último parágrafo do Ponto 1, é afirmado que, em 2001, foi apresentada uma queixa, também pela ASPP/PSP, que foi declarada admissível e depois rejeitada. Certo. Sabemos todos que, formalmente, as reuniões são cumpridas. Meras audições dos sindicatos que resultam em nada a favor dos Profissionais da PSP. Aguardemos, então, pela resposta do Estado português e, depois, poderemos ver o que considera o CE. Mas voltarei a este tema mais adiante.
Ponto 2
Relativamente ao segundo parágrafo, a resposta é não. A negociação colectiva não é respeitada. Basta ao senhor secretário de Estado considerar as alíneas f do Artigo 35.º da Lei Sindical da PSP, onde deve ser discutida a "duração e horário de trabalho"; e h, no que diz respeito às condições de higiene, saúde e segurança no trabalho. Mais adiante, é afirmado, relativamente ao SAD/PSP, que o objectivo foi uniformizar o Serviço de Assistência na Doença da PSP com a ADSE. No entanto, a opção uniformizar por cima, aumentando a comparticipação dos Polícias para aquele serviço. Antes, o Governo optou por equiparar os Polícias aos restantes Funcionários Públicos, esquecendo a especificidade do serviço policial.
"Público, notório e atestado documentalmente é também que os sindicatos da PSP foram reiteradamente ouvidos e informados sobre as medidas a adoptar, em múltiplas sedes e de diversas formas", diz o secretário de Estado. Interessante conceito tem o MAI do que é uma negociação. Normalmente, uma negociação implica ouvir, ser ouvido e encontrar um entendimento. Era a isto que me referia mais atrás. As reuniões de "negociação" resumem-se a auscultar. Depois, dizem que não a tudo e fazem o que entendem, transformando o cumprimento da Lei em mera formalidade de cumprimento das reuniões previstas.
Já no fim, como diz José Magalhães, vamos aguardar para saber o que diz o CE.
Gratificante para todos os Profissionais da PSP e para os associados da ASPP/PSP, em particular, deve ser verificar que há um sindicato que obriga a Tutela a reagir, a falar e a dar a conhecer aquilo que pretende para as Forças de Segurança. Recordemos, ainda, que o blog (?) do MAI foi lançado pelo anterior ministro, António Costa, para, reagir, ainda antes do prazo previsto para a inauguração daquele espaço, a uma crónica de Vasco Pulido Valente.
O mesmo sucedeu ontem, com o actual ministro a ser confrontado com a manifestação agendada pela ASPP/PSP para 19 de Setembro.
terça-feira, julho 03, 2007
Os Silvas
Há uns dias, foi o presidente Cavaco a falar na importância do mar para Portugal. Deduzo eu, que tenho a mania destas coisas, que estivesse a falar nas potencialidades do mar em relação à pesca e aos recursos. Claro que não falou no número absurdo de embarcações que todos os anos são abatidas. Setenta, anualmente, só no Algarve. O resto, ou é espanhol ou marroquino.
Hoje, foi a vez do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Perante os protestos dos pescadores na Docapesca de Matosinhos, aproveitando a raras visitas de um governante fora do tempo eleitoral, a resposta do ministro: "Não gostam, peçam para sair [da União Europeia]".
Não sei bem qual o adjectivo para o descrever. Arrogante, é de certeza. Ou, se calhar, foi só para inchar o peito ao lado do responsável da União Europeia pelo sector das pescas.
Vale aos pescadores não serem funcionários públicos e poderem, por isso, soltar os desabafos que entenderem sobre o ministro Jaime Silva; podem também colar entrevistas do ministro nas paredes e brincar com elas; e têm ainda a sorte de a correspondência que lhes é dirigida não ser entregue nas embarcações, podendo ser aberta por algum mestre.
O socratismo no seu melhor.
Hoje, foi a vez do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Perante os protestos dos pescadores na Docapesca de Matosinhos, aproveitando a raras visitas de um governante fora do tempo eleitoral, a resposta do ministro: "Não gostam, peçam para sair [da União Europeia]".
Não sei bem qual o adjectivo para o descrever. Arrogante, é de certeza. Ou, se calhar, foi só para inchar o peito ao lado do responsável da União Europeia pelo sector das pescas.
Vale aos pescadores não serem funcionários públicos e poderem, por isso, soltar os desabafos que entenderem sobre o ministro Jaime Silva; podem também colar entrevistas do ministro nas paredes e brincar com elas; e têm ainda a sorte de a correspondência que lhes é dirigida não ser entregue nas embarcações, podendo ser aberta por algum mestre.
O socratismo no seu melhor.
quinta-feira, junho 28, 2007
São Berardo
Ele (t)OPA tudo. BCP, PT, SLB, um museu e até manda directores embora por causa de uma bandeira (será?).
Joe Berardo, naquele madeirês americanizado, entreteve o país na última semana, ocupando horas e espaço de informação, numa altura em que Sócrates se prepara para aumentar a electricidade - mas só em Janeiro, porque agora vai descer -, acabar com a legislação laboral, alterar o regime jurídico das instituições de ensino superior e fazer passar por baixo da mesa o Tratado Europeu, ou Constituição Europeia, ou Pequeno Tratado Europeu, ou Carta de Recomendação Europeia, entre outros nomes que possam ser escolhidos.
Com Berardo, os 20.000 postos de trabalho que o norte do país perdeu em três meses, as 1.200 embarcações de pesca que vão ser abatidas passaram quase ao lado de tudo e de todos.
Berardo tem sido um verdadeiro santo para Sócrates, inundando a informação com OPAs e tudo o resto. Se calhar, só vamos pagar a factura daqui a dez anos, quando o milionário decide se fica ou não com a colecção do museu.
Joe Berardo, naquele madeirês americanizado, entreteve o país na última semana, ocupando horas e espaço de informação, numa altura em que Sócrates se prepara para aumentar a electricidade - mas só em Janeiro, porque agora vai descer -, acabar com a legislação laboral, alterar o regime jurídico das instituições de ensino superior e fazer passar por baixo da mesa o Tratado Europeu, ou Constituição Europeia, ou Pequeno Tratado Europeu, ou Carta de Recomendação Europeia, entre outros nomes que possam ser escolhidos.
Com Berardo, os 20.000 postos de trabalho que o norte do país perdeu em três meses, as 1.200 embarcações de pesca que vão ser abatidas passaram quase ao lado de tudo e de todos.
Berardo tem sido um verdadeiro santo para Sócrates, inundando a informação com OPAs e tudo o resto. Se calhar, só vamos pagar a factura daqui a dez anos, quando o milionário decide se fica ou não com a colecção do museu.
quarta-feira, junho 20, 2007
Nomes
O que eu acho mesmo mal, mesmo mal, é não podermos mudar o nome para um do nosso agrado. Ou melhor, chegarmos aos 16 ou 18 anos e sermos obrigados a mudar de nome.
Eu mudava já, para um mais original. Isto dos nomes não tem segredo: de tempos a tempos, há uma série de nomes que se acham muito lindos e que pouca gente tem e, depois, repara-se que são mais que as mães.
Não será o caso do senhor Jacinto Leite Capelo Rego, um dos nomes que recebeu um recibo por ter doado dinheiro ao CDS. Não é um nome comum, e muito menos comum é 4.000 pessoas efectuarem donativos que perfazem um total de 1.000.000 de euros. Certinhos.
Já mais normal é o conhecido Passos Dias Aguiar Mota, muito conhecido ali nos lados de Faro, pelo menos durante uma concentração que atrai milhares de pessoas.
Ou o próprio Adolfo Dias Fonseca Galhão.
A verdade é que dos dois últimos pouco de sabe. Do primeiro, sabe-se que milita no CDS-PP.
Eu mudava já, para um mais original. Isto dos nomes não tem segredo: de tempos a tempos, há uma série de nomes que se acham muito lindos e que pouca gente tem e, depois, repara-se que são mais que as mães.
Não será o caso do senhor Jacinto Leite Capelo Rego, um dos nomes que recebeu um recibo por ter doado dinheiro ao CDS. Não é um nome comum, e muito menos comum é 4.000 pessoas efectuarem donativos que perfazem um total de 1.000.000 de euros. Certinhos.
Já mais normal é o conhecido Passos Dias Aguiar Mota, muito conhecido ali nos lados de Faro, pelo menos durante uma concentração que atrai milhares de pessoas.
Ou o próprio Adolfo Dias Fonseca Galhão.
A verdade é que dos dois últimos pouco de sabe. Do primeiro, sabe-se que milita no CDS-PP.
terça-feira, junho 12, 2007
10 de Junho - Dois anos e dois dias depois
Fez no dia 10 de Junho de 2007, dois anos e dois dias que escrevi assim, noutro blog:
"Percebi!
Sim, é verdade, cheguei a uma conclusão.
Há uns dias percebi, finalmente, por que é que estes senhores que nos governam jamais conseguirão mudar o rumo deste país.
Há três ou quatro semanas, num domingo à noite, desloquei-me à doca de Matosinhos para tentar perceber as sensibilidades dos pescadores em relação à crise que enfrentam.
Não podem pescar, porque o peixe que trazem para terra é demasiado pequeno. Se continuarem a pescar, correm o risco de, daqui a uns tempos, deixar de haver peixe.
Estava um vento gélido, junto ao mar, mas o calo fez daqueles homens imunes às adversidades do clima, e as camisolas de manga curta contrastavam com as minhas camisolas e casaco.
Os pescadores estavam divididos por um motivo muito simples: A necessidade é maior do que a moral.
Todos sabem que não podem ir ao mar porque vão acabar com o que lhes dá o pão. Mas ouvi, da boca de um dos mais novos: "Vamos ao mar. Sempre dá para trazer 10 euros e a caldeirada".
Dez euros. Para que servem 10 euros? Menos do que se paga numa discoteca da moda, voam num ápice. Mas dez euros são, para muitos - e cada vez mais -, uma questão de sobrevivência. É assim a vida destes homens que recebem ao dia em função daquilo que o mar lhes quer dar. É muito simples. A faina é fraca, não há dinheiro.
É isto que os senhores que governam e governaram Portugal não conhecem. Só conhecem a realidade dos pescadores de visitarem as lotas em tempo de campanha. Não percebem que a vida destes homens e de muito outros se faz de acções concretas e não de promessas, nem de boas vontades.
Narciso Miranda, a pensar nos pescadores, tomou já uma medida. Vai erguer um monumento a quatro naufrágios que ocorreram em 1947 e retiraram a vida a 150 homens do mar. Acho muito bem. Mas e os vivos...? É esta a prioridade do presidente da câmara?".
Passados dois anos e dois dias, Cavaco virou-se para o mar e decidiu apelar a que aproveitemos todas as potencialidades.
Mas virados para o mar já nós estamos e cada vez mais. Virados para os condomínios de luxo, à beira mar, que quase nos fazem sombra na areia.
Cavaco lembrou-se do mar que esqueceu enquanto foi Primeiro-ministro, como se lembra agora de quase tudo. Das dezenas e dezenas de fábricas de conserva que fecharam, só no concelho de Bouças, a.k.a Matosinhos.
Falou na nossa Zona Economica Exclusiva, uma das maiores, mas esqueceu-se da União Europeia e daquilo que (não) deixam pescar.
A memória de Cavaco é, afinal, como a da generalidade de todos nós, portugueses: Curta.
"Percebi!
Sim, é verdade, cheguei a uma conclusão.
Há uns dias percebi, finalmente, por que é que estes senhores que nos governam jamais conseguirão mudar o rumo deste país.
Há três ou quatro semanas, num domingo à noite, desloquei-me à doca de Matosinhos para tentar perceber as sensibilidades dos pescadores em relação à crise que enfrentam.
Não podem pescar, porque o peixe que trazem para terra é demasiado pequeno. Se continuarem a pescar, correm o risco de, daqui a uns tempos, deixar de haver peixe.
Estava um vento gélido, junto ao mar, mas o calo fez daqueles homens imunes às adversidades do clima, e as camisolas de manga curta contrastavam com as minhas camisolas e casaco.
Os pescadores estavam divididos por um motivo muito simples: A necessidade é maior do que a moral.
Todos sabem que não podem ir ao mar porque vão acabar com o que lhes dá o pão. Mas ouvi, da boca de um dos mais novos: "Vamos ao mar. Sempre dá para trazer 10 euros e a caldeirada".
Dez euros. Para que servem 10 euros? Menos do que se paga numa discoteca da moda, voam num ápice. Mas dez euros são, para muitos - e cada vez mais -, uma questão de sobrevivência. É assim a vida destes homens que recebem ao dia em função daquilo que o mar lhes quer dar. É muito simples. A faina é fraca, não há dinheiro.
É isto que os senhores que governam e governaram Portugal não conhecem. Só conhecem a realidade dos pescadores de visitarem as lotas em tempo de campanha. Não percebem que a vida destes homens e de muito outros se faz de acções concretas e não de promessas, nem de boas vontades.
Narciso Miranda, a pensar nos pescadores, tomou já uma medida. Vai erguer um monumento a quatro naufrágios que ocorreram em 1947 e retiraram a vida a 150 homens do mar. Acho muito bem. Mas e os vivos...? É esta a prioridade do presidente da câmara?".
Passados dois anos e dois dias, Cavaco virou-se para o mar e decidiu apelar a que aproveitemos todas as potencialidades.
Mas virados para o mar já nós estamos e cada vez mais. Virados para os condomínios de luxo, à beira mar, que quase nos fazem sombra na areia.
Cavaco lembrou-se do mar que esqueceu enquanto foi Primeiro-ministro, como se lembra agora de quase tudo. Das dezenas e dezenas de fábricas de conserva que fecharam, só no concelho de Bouças, a.k.a Matosinhos.
Falou na nossa Zona Economica Exclusiva, uma das maiores, mas esqueceu-se da União Europeia e daquilo que (não) deixam pescar.
A memória de Cavaco é, afinal, como a da generalidade de todos nós, portugueses: Curta.
quarta-feira, junho 06, 2007
São os loucos de Lisboa...
Mas este não podia deixar de publicar:
Intervenção do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa - 1 de Março de 2005 sobre o Parque Mayer:
Intervenção do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa - 1 de Março de 2005 sobre o Parque Mayer:
Convencionados
A convenção do Bloco de Esquerda, que decorreu no passado fim-de-semana, foi (mais) um verdadeiro exercício mediático do padre Louçã e dos seus acólitos.
O carácter social-democrata de supostos revolucionários veio ao de cima, com as críticas à Greve Geral de 30 de Maio. Alinharam ao lado da direita e do Governo, procurando colar a decisão da CGTP às alegadas pressões do PCP. Para o BE não importa, por isso, que quase 1,5 milhões de portugueses tenham estado em greve, sem contar com muitos outros gostariam de a ter feito, mas não puderam, por pressões do patronato ou por motivos pessoais. O BE negou tudo isto e apontou baterias ao PCP.
Há cerca de 100 anos, estes senhores tinham um nome, eram mencheviques, e o seu grande objectivo era combater a Esquerda Revolucionária, deixando caminho livre para a propaganda burguesa. Sem o perceber (será que não percebe mesmo?), o Bloco vai dando argumentos ao Governo e aos detentores do poder económico para que questionem o movimento sindical.
Hoje, como há 100 anos, a burguesia chique-revolucionária ataca a esquerda e eleje-a como principal alvo. Exemplo mais claro é a festa para assinalar a reentrada no ano político. Uma iniciativa que, se não é para procurar rivalizar com a Festa do Avante!, para pouco mais servirá.
A Luta continua. A Festa, também.
O carácter social-democrata de supostos revolucionários veio ao de cima, com as críticas à Greve Geral de 30 de Maio. Alinharam ao lado da direita e do Governo, procurando colar a decisão da CGTP às alegadas pressões do PCP. Para o BE não importa, por isso, que quase 1,5 milhões de portugueses tenham estado em greve, sem contar com muitos outros gostariam de a ter feito, mas não puderam, por pressões do patronato ou por motivos pessoais. O BE negou tudo isto e apontou baterias ao PCP.
Há cerca de 100 anos, estes senhores tinham um nome, eram mencheviques, e o seu grande objectivo era combater a Esquerda Revolucionária, deixando caminho livre para a propaganda burguesa. Sem o perceber (será que não percebe mesmo?), o Bloco vai dando argumentos ao Governo e aos detentores do poder económico para que questionem o movimento sindical.
Hoje, como há 100 anos, a burguesia chique-revolucionária ataca a esquerda e eleje-a como principal alvo. Exemplo mais claro é a festa para assinalar a reentrada no ano político. Uma iniciativa que, se não é para procurar rivalizar com a Festa do Avante!, para pouco mais servirá.
A Luta continua. A Festa, também.
terça-feira, junho 05, 2007
Jogada de mestre
O Irão está prestes a avançar, pela primeira vez na sua história, com um plano de racionamento dos recursos petrolíferos. Pode parecer absurdo, mas não é. O Irão é um país exportador de petróleo mas tem enormes dificuldades no que respeita à refinação.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
segunda-feira, junho 04, 2007
Galicia - Hasta la victoria!
A manchete do Jornal de Notícias de hoje, pelo menos a ediçao para o norte, é tão verdadeira que chega quase a deprimente.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
quarta-feira, maio 30, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
B.
A B. nasceu há quase um ano. Faltam cerca de 60 dias.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
quinta-feira, maio 24, 2007
As centopeias, Ota vez...
Diz-se delas que têm 100 patas, ou 100 pés, como preferirem.
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
quarta-feira, maio 23, 2007
Desemprego e Pinho, Lda.
Antes de mais, começo por agradecer a quem usa o servidor da Secretaria-Geral da Presidência da República para visitar este humilde blog.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
quinta-feira, maio 17, 2007
Tanta coisa, tão pouco tempo...
Portanto, vamos por números, sem ordem, em jeito de telegrama...
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
Subscrever:
Mensagens (Atom)