O Expresso deste sábado estava, particularmente, rico em informação. Para além da interessante entrevista com o atarefadíssimo Ribau Esteves, pude encontrar ainda uma abertura de página onde fiquei a saber que "seis dos sete presidentes de junta de CDU em Santarém estão ao lado de Luísa Mesquista; que o PCP ficou fora dos convites de Carvalho da Silva no lançamento do seu livro, e, no editorial, há ainda uma referência ao PCP para criticar o reconhecimento do Partido sobre os pontos positivos da Revolução de Outubro.
Pormenor: Semana em que foi aprovado o Orçamento de Estado.
Detalhe: Cinco linhas de uma coluna na última página para registar que Jerónimo de Sousa esteve presente na inauguração de uma rua com o nome de Álvaro Cunhal, em Coimbra.
Post it:
A Petrogal voltou hoje a assustar, em Leça da Palmeira. Mais umas explosões e uns fumos.
Nada a que a população de Leça não esteja habituada. Tenho é algumas dúvidas da adaptação dos que compraram as casas milionárias no Paço da Boa Nova, a 200 metros da refinaria, numa zona em que, à partida, era proibido construir, por dois motivos:
A proximidade da praia e a violação da distância de segurança da refinaria que o então presidente da autarquia do lado de lá da ponte assegurou que ia fechar.
Detalhe: Quer-me parecer que Fernando Rocha, um dos ilustres que escreve no Bússola, já fazia parte do executivo camarário que aprovou a construção do complexo habitacional de luxo. Era interessante, da parte dele, um post sobre este assunto.
Pormenor: Quem vive no Paço tem uma vantagem. Pode aproveitar a piscina no terraço para ter uma vista única sobre os incêndios.
Ah, e um rei mandar calar um Presidente de um país ex-colonizado merece um enorme olé para os tiques colonialistas dos vuestros hermanos.
Será assim que ele trata Zapatero?
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
segunda-feira, novembro 12, 2007
quarta-feira, novembro 07, 2007
Tentação
O título é nome de um filme português, bem menos falado e blogado do que o Corrupção.
Era mais ou menos um filme, com guião mais do que previsto, o que se esperava ontem na Assembleia da República, na apresentação do Orçamento de Estado para 2008.
Basicamente, a discussão das linhas que definirão o andamento do Estado, no próximo ano, ficou reduzida a uma luta homem-a-homem, responsabilidade dos próprios e com a enorme conivência da esmagadora maioria dos Órgãos de Comunicação Social.
Caíram na tentação de empolar um regresso ao passado em que só se alteraram os lugares dos oradores.
Quanto ao Orçamento, muito pouco foi referido. O Big Brother do menino-guerreiro e do engenheiro por correspondência levou a melhor sobre o que realmente importa aos portugueses.
POST-IT 1
Descansemos. Pacheco Pereira já disse ontem que não lhe faz diferença que seja criado um Museu a Salazar em Santa Comba. Mesmo sendo inconstitucional, vamos manter calma. Pacheco Pereira "não se importa nada".
POST-IT 2
Valha-nos esta boa notícia.
Era mais ou menos um filme, com guião mais do que previsto, o que se esperava ontem na Assembleia da República, na apresentação do Orçamento de Estado para 2008.
Basicamente, a discussão das linhas que definirão o andamento do Estado, no próximo ano, ficou reduzida a uma luta homem-a-homem, responsabilidade dos próprios e com a enorme conivência da esmagadora maioria dos Órgãos de Comunicação Social.
Caíram na tentação de empolar um regresso ao passado em que só se alteraram os lugares dos oradores.
Quanto ao Orçamento, muito pouco foi referido. O Big Brother do menino-guerreiro e do engenheiro por correspondência levou a melhor sobre o que realmente importa aos portugueses.
POST-IT 1
Descansemos. Pacheco Pereira já disse ontem que não lhe faz diferença que seja criado um Museu a Salazar em Santa Comba. Mesmo sendo inconstitucional, vamos manter calma. Pacheco Pereira "não se importa nada".
POST-IT 2
Valha-nos esta boa notícia.
segunda-feira, novembro 05, 2007
NEE, SEE
Hoje, a Comunicação Social está a divulgar que os alunos com Necessidades Eductaivas Especiais (NEE) estão a ficar sem apoios para que possam frequentar as aulas.
Dão o exemplo de Viseu, em que oito, numa escola, deixaram de ter condições para ir à escola, devido à falta de auxiliares. Curioso. Há uns meses, não muitos, penso que foi o Secretário de Estado da Educação (SEE), Valter Lemos, que anunciou que o número de terapeutas -ocupacionais, da fala e outros - a trabalhar nas escolas ia duplicar, precisamente, para pôr cobro a estes casos.
Não só não é verdade, como é bem mais grave. A verdade é que não só não há terapeutas, como o apoio prestado a estes alunos é, na esmagadora maioria dos casos, feito através de auxiliares, sem a formação adequada para este tipo de serviços.
Há um exemplo mesmo aqui ao lado. Na Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, há dois ou três alunos com NEE. Não há terapeutas e, como o número de auxiliares é insuficiente, para que seja prestado apoio a esses alunos, na deslocação, nas idas ao quarto-de-banho, na mudança de fraldas, etc., são as funcionárias, a.k.a. auxiliares, que fazem esse serviço. Sem formação e sem condições.
Ah! Como é evidente, como não há auxiliares suficientes, sempre que há necessidade de prestar apoio a estes alunos, os blocos ficam sem qualquer funcionário, durante o tempo necessário.
P.S.: No dia 17 de Outubro, um dia antes da colossal Manifestação da CGTP, a escola pediu à DREN - Direcção Regional de Educação do Norte - pelo menos mais um funcionário, para pôr cobro a esta situação.
A DREN assegurou que, em 24 horas, no dia 18, portanto, o caso estava resolvido.
Não está.
POST-IT
elsa. said...
Mais grave do que o número de terapeutas não ter duplicado, é o facto do número de professores e educadores destacados para dar apoio aos alunos com NEE ter sido reduzido sensivelmente para metade. Manter os alunos na escola sem os apoios? Assegurar uma integração apenas física e com condições muito aquém das desejadas? É isto que é preconizado na integração e inclusão dos alunos com NEE?
Dão o exemplo de Viseu, em que oito, numa escola, deixaram de ter condições para ir à escola, devido à falta de auxiliares. Curioso. Há uns meses, não muitos, penso que foi o Secretário de Estado da Educação (SEE), Valter Lemos, que anunciou que o número de terapeutas -ocupacionais, da fala e outros - a trabalhar nas escolas ia duplicar, precisamente, para pôr cobro a estes casos.
Não só não é verdade, como é bem mais grave. A verdade é que não só não há terapeutas, como o apoio prestado a estes alunos é, na esmagadora maioria dos casos, feito através de auxiliares, sem a formação adequada para este tipo de serviços.
Há um exemplo mesmo aqui ao lado. Na Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, há dois ou três alunos com NEE. Não há terapeutas e, como o número de auxiliares é insuficiente, para que seja prestado apoio a esses alunos, na deslocação, nas idas ao quarto-de-banho, na mudança de fraldas, etc., são as funcionárias, a.k.a. auxiliares, que fazem esse serviço. Sem formação e sem condições.
Ah! Como é evidente, como não há auxiliares suficientes, sempre que há necessidade de prestar apoio a estes alunos, os blocos ficam sem qualquer funcionário, durante o tempo necessário.
P.S.: No dia 17 de Outubro, um dia antes da colossal Manifestação da CGTP, a escola pediu à DREN - Direcção Regional de Educação do Norte - pelo menos mais um funcionário, para pôr cobro a esta situação.
A DREN assegurou que, em 24 horas, no dia 18, portanto, o caso estava resolvido.
Não está.
POST-IT
elsa. said...
Mais grave do que o número de terapeutas não ter duplicado, é o facto do número de professores e educadores destacados para dar apoio aos alunos com NEE ter sido reduzido sensivelmente para metade. Manter os alunos na escola sem os apoios? Assegurar uma integração apenas física e com condições muito aquém das desejadas? É isto que é preconizado na integração e inclusão dos alunos com NEE?
sexta-feira, novembro 02, 2007
A norte, nada de novo
Um novo blog apareceu pronto a fazer estragos. Não gosto. Em primeiro lugar, porque o mote está errado. A bússola aponta sempre o norte, mas não aponta só o Porto.
Até agora, salvo uma ou duas honrosas excepções, o blog limita-se a ser mais uma arma de arremesso politico-clubístico.
Uns doem-se com a dores da bola, outros doem-se com as dores da bola...
É só mais uma extensão, não do Porto nortenho, mas do Porto portista, que os ilustres teimam em confundir. O ataque ao "Corrupção", o filme, é só mais uma vertente da confusão que lhes vai na alma.
Que o filme não presta, que não tem valor, blábláblá. Ok, pode ser verdade. Não sei, não estou a pensar em ir ver o filme.
O que me parece evidente é que a esmagadora maioria dos que vão ver, levam já uma ideia pré-concebida, para um lado ou para outro, e isso torna as apreciações mais apaixonadas do que apaixonantes.
De resto, dos 32 posts, 11 envolvem o FC Porto, directa ou indirectamente.
É pena. Há, naquele blog, uma série de gente ilustre, com obrigação de fazer muito melhor pelo norte.
Até agora, salvo uma ou duas honrosas excepções, o blog limita-se a ser mais uma arma de arremesso politico-clubístico.
Uns doem-se com a dores da bola, outros doem-se com as dores da bola...
É só mais uma extensão, não do Porto nortenho, mas do Porto portista, que os ilustres teimam em confundir. O ataque ao "Corrupção", o filme, é só mais uma vertente da confusão que lhes vai na alma.
Que o filme não presta, que não tem valor, blábláblá. Ok, pode ser verdade. Não sei, não estou a pensar em ir ver o filme.
O que me parece evidente é que a esmagadora maioria dos que vão ver, levam já uma ideia pré-concebida, para um lado ou para outro, e isso torna as apreciações mais apaixonadas do que apaixonantes.
De resto, dos 32 posts, 11 envolvem o FC Porto, directa ou indirectamente.
É pena. Há, naquele blog, uma série de gente ilustre, com obrigação de fazer muito melhor pelo norte.
Repetições
Hoje, que tanto se fala no estatuto do aluno, nas faltas, na retenção ou na falta dela, não se fala nos exames.
Somos um povo de baldas, de malta que só gosta de facilidades, e eu também.
Se não é assim, como é possível que as vítimas da Casa Pia tenham reprovado nos exames dos peritos que lhes foram feitos e vão ter de repeti-los?
Para isto a ministra não olha... Por mim está tudo reprovado!
Somos um povo de baldas, de malta que só gosta de facilidades, e eu também.
Se não é assim, como é possível que as vítimas da Casa Pia tenham reprovado nos exames dos peritos que lhes foram feitos e vão ter de repeti-los?
Para isto a ministra não olha... Por mim está tudo reprovado!
segunda-feira, outubro 29, 2007
Sem tempo
Não tenho tido tempo de passar por aqui, mas não posso deixar de apontar duas ou três coisitas:
Luis Filipe Menezes defendeu, na semana passada, a permanência dos padres nos hospitais. O argumento: Ficam mais baratos que os psicólogos.
Ando triste. Não tenho ouvido o Luís Delgado sem ser de passagem, na Antena 1, e o sociólogo Alberto ontem não escreveu no DN.
Tenho ouvido o Rádio Clube e, sinceramente, gosto.
Engraçada a reportagem da TSF na Mongólia.
Interessante a reportagem do Panorama BBC, na Sic Notícias, sobre as leis na Nigéria. Basicamente, rege-se por uma espécia de duas constituições: a Shari'a e o direito comum.
Volto logo que possível.
Luis Filipe Menezes defendeu, na semana passada, a permanência dos padres nos hospitais. O argumento: Ficam mais baratos que os psicólogos.
Ando triste. Não tenho ouvido o Luís Delgado sem ser de passagem, na Antena 1, e o sociólogo Alberto ontem não escreveu no DN.
Tenho ouvido o Rádio Clube e, sinceramente, gosto.
Engraçada a reportagem da TSF na Mongólia.
Interessante a reportagem do Panorama BBC, na Sic Notícias, sobre as leis na Nigéria. Basicamente, rege-se por uma espécia de duas constituições: a Shari'a e o direito comum.
Volto logo que possível.
terça-feira, outubro 23, 2007
Em terra
Os conhecidos pilotos comunistas da aviação civil estão em greve.
Ao que parece, há uma adesão de 100%. A explicação é simples, as empresas de trabalho temporário que furam as greves de outros sectores ainda não têm nos seus contactos oferta de serviços de pilotos de avião...
Ao que parece, há uma adesão de 100%. A explicação é simples, as empresas de trabalho temporário que furam as greves de outros sectores ainda não têm nos seus contactos oferta de serviços de pilotos de avião...
sexta-feira, outubro 19, 2007
Orgulho português
Hoje estou verdadeiramente feliz por ser português.
Hoje, mais do que feliz por ser português, estou feliz por não ser francês, holandês, inglês, alemão, italiano ou espanhol.
Estou feliz, particularmente, por não ser nem holandês nem francês. Votaram um referendo, que até teve um resultado - normalmente, é assim quando se vota: há resultados. Só que o resultado não agradou a quem os governa e a solução é simples: aprova-se o que foi rejeitado em referendo pela via parlamentar.
Não, não foi exactamente o mesmo. O que eles votaram não tinha como anexo os mais básicos direitos dos cidadãos - estavam integrados no texto.
Os restantes países, segundo várias sondagens, apontam para a vontade de que seja realizado um referendo.
Eu por cá estou à vontade. Sei que o engenheiro (?) Sócrates prometeu um referendo em campanha. Por isso, estou tranquilo, porque o engenheiro (?) não é mentiroso e daqui a algum tempo devemos ir às urnas votar o tratado.
Notas soltas
1. A eleição de Santana Lopes como líder parlamentar do PSD teve três votos nulos. Como é possível deputados da República fazerem do seu voto um voto nulo? A sério que não percebo.
2. Afinal, o fim das listas de espera na saúde não é para já. Nem se sabe muito bem para quando é, tendo em conta as notícias de hoje. Depois, mais tarde, quando o engenheiro (?) Sócrates tiver um tempinho para olhar para o país, o pessoal por cá agradece.
Hoje, mais do que feliz por ser português, estou feliz por não ser francês, holandês, inglês, alemão, italiano ou espanhol.
Estou feliz, particularmente, por não ser nem holandês nem francês. Votaram um referendo, que até teve um resultado - normalmente, é assim quando se vota: há resultados. Só que o resultado não agradou a quem os governa e a solução é simples: aprova-se o que foi rejeitado em referendo pela via parlamentar.
Não, não foi exactamente o mesmo. O que eles votaram não tinha como anexo os mais básicos direitos dos cidadãos - estavam integrados no texto.
Os restantes países, segundo várias sondagens, apontam para a vontade de que seja realizado um referendo.
Eu por cá estou à vontade. Sei que o engenheiro (?) Sócrates prometeu um referendo em campanha. Por isso, estou tranquilo, porque o engenheiro (?) não é mentiroso e daqui a algum tempo devemos ir às urnas votar o tratado.
Notas soltas
1. A eleição de Santana Lopes como líder parlamentar do PSD teve três votos nulos. Como é possível deputados da República fazerem do seu voto um voto nulo? A sério que não percebo.
2. Afinal, o fim das listas de espera na saúde não é para já. Nem se sabe muito bem para quando é, tendo em conta as notícias de hoje. Depois, mais tarde, quando o engenheiro (?) Sócrates tiver um tempinho para olhar para o país, o pessoal por cá agradece.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Flexissegurança - A mentira
Hoje é dia grande. Estou a ver em directo, na Sic Notícias, o ministro dos negócios estrangeiros da Eslováquia a cumprimentar o Sócrates.
Ao mesmo tempo, decorre a maior manifestação dos últimos 30 anos em Portugal. Alguma coisa sobre isso neste canal? Sim.
Logo no final da manhã, surgiu na tv um Ricardo Costa em estado orgásmico a anunciar que os parceiros sociais tinham chegado a um acordo sobre a flexissegurança - e não flexigurança ou, pior ainda, flexisegurança.
Anunciou o acordo - só não bateu palmas - e partiu para o condicionamento da gigantesca manifestação da CGTP. Que a Inter estava isolada em Portugal e na Europa e uma série de outras coisas.
Acho que o Ricardo Costa não conseguiu despir a pele de comentador-editor-director e exagerou nas funções de jornalista, que, penso, era a que deveria estar a desempenhar no momento.
No entanto, a verdade é que não foi assinado qualquer acordo sobre a flexissegurança em si, mas sim um acordo de princípio para a discussão da flexissegurança. E, para quem considera que a fonte CGTP não é credível, o presidente da CIP (patrões) veio afirmar o mesmo.
Depois disso, a Sic Notícias passou uns breves minutos pela cabeça da manif, por volta das 14h30, para dar a palavra a Carvalho da Silva. Mais? Nada.
17h30
Ligou a minha mãe. Está em Lisboa, na Manifestação. Só a esta hora saiu do ponto marcado para o início do desfile.
Tendo em conta o percurso, posso chegar a uma conclusão:
O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa não sabe contar. Não soube contar no dia 1 de Outubro, quando divulgou que estavam no Parque das Nações entre 700 a 800 polícias, numa manifestação.
Errou por cerca de 3.200.
Hoje, o mesmo Comando Metropolitano da PSP de Lisboa anuncia 150.000 manifestantes. Eu aposto para 250.000 pessoas. Um quarto de milhão de pessoas.
Conclusão:
Ena! Tantos comunistas!
Ao mesmo tempo, decorre a maior manifestação dos últimos 30 anos em Portugal. Alguma coisa sobre isso neste canal? Sim.
Logo no final da manhã, surgiu na tv um Ricardo Costa em estado orgásmico a anunciar que os parceiros sociais tinham chegado a um acordo sobre a flexissegurança - e não flexigurança ou, pior ainda, flexisegurança.
Anunciou o acordo - só não bateu palmas - e partiu para o condicionamento da gigantesca manifestação da CGTP. Que a Inter estava isolada em Portugal e na Europa e uma série de outras coisas.
Acho que o Ricardo Costa não conseguiu despir a pele de comentador-editor-director e exagerou nas funções de jornalista, que, penso, era a que deveria estar a desempenhar no momento.
No entanto, a verdade é que não foi assinado qualquer acordo sobre a flexissegurança em si, mas sim um acordo de princípio para a discussão da flexissegurança. E, para quem considera que a fonte CGTP não é credível, o presidente da CIP (patrões) veio afirmar o mesmo.
Depois disso, a Sic Notícias passou uns breves minutos pela cabeça da manif, por volta das 14h30, para dar a palavra a Carvalho da Silva. Mais? Nada.
17h30
Ligou a minha mãe. Está em Lisboa, na Manifestação. Só a esta hora saiu do ponto marcado para o início do desfile.
Tendo em conta o percurso, posso chegar a uma conclusão:
O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa não sabe contar. Não soube contar no dia 1 de Outubro, quando divulgou que estavam no Parque das Nações entre 700 a 800 polícias, numa manifestação.
Errou por cerca de 3.200.
Hoje, o mesmo Comando Metropolitano da PSP de Lisboa anuncia 150.000 manifestantes. Eu aposto para 250.000 pessoas. Um quarto de milhão de pessoas.
Conclusão:
Ena! Tantos comunistas!
quarta-feira, outubro 17, 2007
Insensíveis!
Há coisas que me deixam revoltado, todo revoltado!
Eu, por acaso, nem tenho conta no BCP, nem simpatizo particularmente com o Jardim Gonçalves. Aliás, nem o conheço! E desconfio que, se ele me conhecesse, também não ia simpatizar comigo.
No entanto, o homem é pai e é um bom pai. Deu uns trocos ao filhote. E então? Depois perdoou. E então?
Só acho mal o senhor dizer que não tinha conhecimento. Um pai deve ser saber sempre o que andam a fazer os filhos.
Por isso não percebo este alarido todo à volta de umas coisas do BCP.
Sejam sensíveis: pai é pai!
Eu, por acaso, nem tenho conta no BCP, nem simpatizo particularmente com o Jardim Gonçalves. Aliás, nem o conheço! E desconfio que, se ele me conhecesse, também não ia simpatizar comigo.
No entanto, o homem é pai e é um bom pai. Deu uns trocos ao filhote. E então? Depois perdoou. E então?
Só acho mal o senhor dizer que não tinha conhecimento. Um pai deve ser saber sempre o que andam a fazer os filhos.
Por isso não percebo este alarido todo à volta de umas coisas do BCP.
Sejam sensíveis: pai é pai!
terça-feira, outubro 16, 2007
Adriano, presente!
Há 25 anos, desapareceu.
Um absurdo, assim aos 40 anos e sem aviso.
Há coisas que gostava que ele soubesse e outras que não visse, ainda bem que não as vê. Tenho pena que não veja, mas acredito que tenha partido a saber que resistimos e estamos vivos. Com todos os erros, desvios, virtudes, de que todos fomos e somos vítimas e, ao mesmo tempo, causadores. Mas estamos cá.
Foi muito além da música para cantar a Coimbra negra num Portugal às escuras. Educou o Povo sem o saber, ou se calhar sabia-o, e há quem se lembre, só porque na memória ninguém manda, e porque a memória também se educa.
É um daqueles a quem devemos que Abril já fosse Abril, mesmo antes de o ser.
Um absurdo, assim aos 40 anos e sem aviso.
Há coisas que gostava que ele soubesse e outras que não visse, ainda bem que não as vê. Tenho pena que não veja, mas acredito que tenha partido a saber que resistimos e estamos vivos. Com todos os erros, desvios, virtudes, de que todos fomos e somos vítimas e, ao mesmo tempo, causadores. Mas estamos cá.
Foi muito além da música para cantar a Coimbra negra num Portugal às escuras. Educou o Povo sem o saber, ou se calhar sabia-o, e há quem se lembre, só porque na memória ninguém manda, e porque a memória também se educa.
É um daqueles a quem devemos que Abril já fosse Abril, mesmo antes de o ser.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Resposta cantada ao sociólogo Alberto
Resposta cantada ao sociólogo Alberto pelo brilhante artigo de opinião publicado no Diário de Notícias de 14 de Outubro.
Nota: Um exemplo claro do propósito da reformulação editorial que até deixou de contar com o contributo de Rúben de Carvalho.
Indignado com t-shirts,
Boinas e bonés,
Surge o sociólogo Alberto,
Assim em bicos de pés:
"Foi assassino louco, com torturas,
Verdadeiro psicopata ele era,
Iluminou à força as massas brutas",
Terá sido um pesadelo na terra
Disse o sociólogo Alberto,
Falando da gosma insultuosa verbal,
Proferindo o próprio insultos,
Indicadores de inércia mental
Fala de tudo e todos,
Mao, Estaline e Che,
Esquecendo - já dizia o poeta,
Que nem tudo o que parece, é
Chama carniceiro a Ernesto,
Esquece Batista e outros que tal,
Apologista do assassino colombiano,
Reconhece o Eixo do Mal
Ao sociólgo Alberto,
Digo daqui deste lado:
Para tanta imbecilidade junta,
Mais valia estar calado
Então o sociólogo Alberto,
Já assim perto do final,
Justifica a defesa de Che,
Com uma atracção (homos)sexual
Não me parece muito sério,
Numa discussão interessante,
Achar que quem admira Che,
Se senta sem que o outro se levante
Assim, e pra terminar,
Não o mando pra quem o pariu,
Vá antes de volta,
Ao intestino de onde saiu.
Nota: Um exemplo claro do propósito da reformulação editorial que até deixou de contar com o contributo de Rúben de Carvalho.
Indignado com t-shirts,
Boinas e bonés,
Surge o sociólogo Alberto,
Assim em bicos de pés:
"Foi assassino louco, com torturas,
Verdadeiro psicopata ele era,
Iluminou à força as massas brutas",
Terá sido um pesadelo na terra
Disse o sociólogo Alberto,
Falando da gosma insultuosa verbal,
Proferindo o próprio insultos,
Indicadores de inércia mental
Fala de tudo e todos,
Mao, Estaline e Che,
Esquecendo - já dizia o poeta,
Que nem tudo o que parece, é
Chama carniceiro a Ernesto,
Esquece Batista e outros que tal,
Apologista do assassino colombiano,
Reconhece o Eixo do Mal
Ao sociólgo Alberto,
Digo daqui deste lado:
Para tanta imbecilidade junta,
Mais valia estar calado
Então o sociólogo Alberto,
Já assim perto do final,
Justifica a defesa de Che,
Com uma atracção (homos)sexual
Não me parece muito sério,
Numa discussão interessante,
Achar que quem admira Che,
Se senta sem que o outro se levante
Assim, e pra terminar,
Não o mando pra quem o pariu,
Vá antes de volta,
Ao intestino de onde saiu.
Notas soltas
Não sei bem por onde começar, depois de tanto tempo de molho, por isso, vão só umas notas soltas:
1. Tenho pra mim que o PSD deixará de ter uma liderança microcéfala, não para ter uma bicéfala, mas sim acéfala.
2. O nosso país é tão educado, tão educado, que chamar mentiroso passou quase a ser crime, ainda antes de o ser. Mais, é quase crime pensar em chamar mentiroso, mas não é crime sê-lo.
3. Tendo em conta o ódio destilado pelo ilustre senhor mais-ou-menos engenheiro José Sócrates para com os sindicatos dos malvados da CGTP com... comn... comun... comunista; qual o tratamento para os inertes amigos governamentais da UGT?
4. O orçamento de estado é tão bom, tão bom, que o Governador socialista do Banco de Portugal teve de vir a correr pôr água na fervura, depois das previsões do FMI.
5. O FMI não constitui mais do que um espécie de colonialismo moderno em relação aos países menos desenvolvidos.
6. Não tenho conta nem créditos no BCP. Se tivesse, ia ver se podiam fazer um jeitinho e perdoar a minha dívida.
Por agora, acho que é tudo.
1. Tenho pra mim que o PSD deixará de ter uma liderança microcéfala, não para ter uma bicéfala, mas sim acéfala.
2. O nosso país é tão educado, tão educado, que chamar mentiroso passou quase a ser crime, ainda antes de o ser. Mais, é quase crime pensar em chamar mentiroso, mas não é crime sê-lo.
3. Tendo em conta o ódio destilado pelo ilustre senhor mais-ou-menos engenheiro José Sócrates para com os sindicatos dos malvados da CGTP com... comn... comun... comunista; qual o tratamento para os inertes amigos governamentais da UGT?
4. O orçamento de estado é tão bom, tão bom, que o Governador socialista do Banco de Portugal teve de vir a correr pôr água na fervura, depois das previsões do FMI.
5. O FMI não constitui mais do que um espécie de colonialismo moderno em relação aos países menos desenvolvidos.
6. Não tenho conta nem créditos no BCP. Se tivesse, ia ver se podiam fazer um jeitinho e perdoar a minha dívida.
Por agora, acho que é tudo.
quarta-feira, julho 11, 2007
Cavalos
Sempre que estou com a B. a ler um livro, ou a ver, uma vez que são mais as imagens do que as letras, tenho que fazer aqueles estalinhos com a língua, assim a fazer de conta que vou a trote, ao mesmo tempo que vou abanando a perna ao mesmo ritmo.
No entanto, gosto dos cavalos, da mesma forma que gosto da generalidade dos animais, com excepção de alguns racionais.
E acho mesmo que o facto de terem uma porta só para eles, faz dos cavalos animais especiais. Tão especiais que, nos dias de hoje, até o primeiro ministro as usa, como fez na Casa da Música e na inauguração da nova ponte, lá mais para o sul.
Há uns tempos, esta amiga usou a genial expressão "Rei dos Ministros". Ainda não lhe disse, mas vou dizer, que isto dos blogs chega a toda a gente e acho que temos que ter cuidado com as ideias que lançamos.
O Sócrates deve ter lido o post e, quando foi inaugurar a nova ponte, à boa maneira das cortes reais, houve duas cerimónias: uma para convidados, numa tenda, com direito a tacho e tudo. Outra, para o Povo, na rua, com danças e coisas do género. Só não há registo de torneios pela mão da bela donzela. Também não consta que tenha havido donzelas.
No entanto, gosto dos cavalos, da mesma forma que gosto da generalidade dos animais, com excepção de alguns racionais.
E acho mesmo que o facto de terem uma porta só para eles, faz dos cavalos animais especiais. Tão especiais que, nos dias de hoje, até o primeiro ministro as usa, como fez na Casa da Música e na inauguração da nova ponte, lá mais para o sul.
Há uns tempos, esta amiga usou a genial expressão "Rei dos Ministros". Ainda não lhe disse, mas vou dizer, que isto dos blogs chega a toda a gente e acho que temos que ter cuidado com as ideias que lançamos.
O Sócrates deve ter lido o post e, quando foi inaugurar a nova ponte, à boa maneira das cortes reais, houve duas cerimónias: uma para convidados, numa tenda, com direito a tacho e tudo. Outra, para o Povo, na rua, com danças e coisas do género. Só não há registo de torneios pela mão da bela donzela. Também não consta que tenha havido donzelas.
sexta-feira, julho 06, 2007
A cena deles
Texto publicado, originalmente, aqui.
É a primeira vez que escrevo neste espaço, apesar de já ter sido convidado há muito tempo.
No entanto, não podia deixar de tecer algumas considerações em relação ao comentário do Secretário de Estado, José Magalhães, no site "A nossa opinião", que mais não é do que a opinião deles.
Primeiro ponto: Foi apresentado como um blog, mas de blog tem muito pouco. É antes um apêndice ao site do MAI, em que, a acreditar nas assinaturas, os responsáveis falam na primeira pessoa. No entanto, nada de comentários para os visitantes. Por isso, é mesmo a opinião deles.
E foi por causa da opinião deles que foi apresentada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP, através do Conselho Europeu dos Sindicatos da Polícia (CESP), uma queixa no Conselho da Europa contra o Estado Português.
Assim, considero importante rebater o seguinte:
1 - Ao contrário do que é afirmado, não foi no dia 19 de Junho que o MAI foi questionado se tinha conhecimento de uma queixa apresentada pelo CESP. Segundo foi avançado pelo Jornal de Notícias do dia 14 de Junho, nesta data, o MAI não tinha sido notificado relativamente à queixa. Por isso, deve ter existido alguma falta de comunicação dentro do Ministério.
2 - No segundo parágrafo do Ponto 1, diz o secretário de Estado que "não tendo sido rejeitada liminarmente, foi declarada admissível no dia 21 de Maio subsequente...". Pois. Nós ainda temos um bocadinho de inteligência e percebemos todos que, por não ter sido rejeitada liminarmente é que foi declarada admissível. Mas o que quererá dizer José Magalhães quando afirma isto? Será que o Conselho da Europa fez um favor à ASPP/PSP e considerou a queixa admissível? No mesmo site onde a queixa pode ser encontrada, estão outras, até de outros organismos portugueses, que não foram consideradas admissíveis. Por isso, algum fundamento deve haver. Aguardemos.
Já no último parágrafo do Ponto 1, é afirmado que, em 2001, foi apresentada uma queixa, também pela ASPP/PSP, que foi declarada admissível e depois rejeitada. Certo. Sabemos todos que, formalmente, as reuniões são cumpridas. Meras audições dos sindicatos que resultam em nada a favor dos Profissionais da PSP. Aguardemos, então, pela resposta do Estado português e, depois, poderemos ver o que considera o CE. Mas voltarei a este tema mais adiante.
Ponto 2
Relativamente ao segundo parágrafo, a resposta é não. A negociação colectiva não é respeitada. Basta ao senhor secretário de Estado considerar as alíneas f do Artigo 35.º da Lei Sindical da PSP, onde deve ser discutida a "duração e horário de trabalho"; e h, no que diz respeito às condições de higiene, saúde e segurança no trabalho. Mais adiante, é afirmado, relativamente ao SAD/PSP, que o objectivo foi uniformizar o Serviço de Assistência na Doença da PSP com a ADSE. No entanto, a opção uniformizar por cima, aumentando a comparticipação dos Polícias para aquele serviço. Antes, o Governo optou por equiparar os Polícias aos restantes Funcionários Públicos, esquecendo a especificidade do serviço policial.
"Público, notório e atestado documentalmente é também que os sindicatos da PSP foram reiteradamente ouvidos e informados sobre as medidas a adoptar, em múltiplas sedes e de diversas formas", diz o secretário de Estado. Interessante conceito tem o MAI do que é uma negociação. Normalmente, uma negociação implica ouvir, ser ouvido e encontrar um entendimento. Era a isto que me referia mais atrás. As reuniões de "negociação" resumem-se a auscultar. Depois, dizem que não a tudo e fazem o que entendem, transformando o cumprimento da Lei em mera formalidade de cumprimento das reuniões previstas.
Já no fim, como diz José Magalhães, vamos aguardar para saber o que diz o CE.
Gratificante para todos os Profissionais da PSP e para os associados da ASPP/PSP, em particular, deve ser verificar que há um sindicato que obriga a Tutela a reagir, a falar e a dar a conhecer aquilo que pretende para as Forças de Segurança. Recordemos, ainda, que o blog (?) do MAI foi lançado pelo anterior ministro, António Costa, para, reagir, ainda antes do prazo previsto para a inauguração daquele espaço, a uma crónica de Vasco Pulido Valente.
O mesmo sucedeu ontem, com o actual ministro a ser confrontado com a manifestação agendada pela ASPP/PSP para 19 de Setembro.
É a primeira vez que escrevo neste espaço, apesar de já ter sido convidado há muito tempo.
No entanto, não podia deixar de tecer algumas considerações em relação ao comentário do Secretário de Estado, José Magalhães, no site "A nossa opinião", que mais não é do que a opinião deles.
Primeiro ponto: Foi apresentado como um blog, mas de blog tem muito pouco. É antes um apêndice ao site do MAI, em que, a acreditar nas assinaturas, os responsáveis falam na primeira pessoa. No entanto, nada de comentários para os visitantes. Por isso, é mesmo a opinião deles.
E foi por causa da opinião deles que foi apresentada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP, através do Conselho Europeu dos Sindicatos da Polícia (CESP), uma queixa no Conselho da Europa contra o Estado Português.
Assim, considero importante rebater o seguinte:
1 - Ao contrário do que é afirmado, não foi no dia 19 de Junho que o MAI foi questionado se tinha conhecimento de uma queixa apresentada pelo CESP. Segundo foi avançado pelo Jornal de Notícias do dia 14 de Junho, nesta data, o MAI não tinha sido notificado relativamente à queixa. Por isso, deve ter existido alguma falta de comunicação dentro do Ministério.
2 - No segundo parágrafo do Ponto 1, diz o secretário de Estado que "não tendo sido rejeitada liminarmente, foi declarada admissível no dia 21 de Maio subsequente...". Pois. Nós ainda temos um bocadinho de inteligência e percebemos todos que, por não ter sido rejeitada liminarmente é que foi declarada admissível. Mas o que quererá dizer José Magalhães quando afirma isto? Será que o Conselho da Europa fez um favor à ASPP/PSP e considerou a queixa admissível? No mesmo site onde a queixa pode ser encontrada, estão outras, até de outros organismos portugueses, que não foram consideradas admissíveis. Por isso, algum fundamento deve haver. Aguardemos.
Já no último parágrafo do Ponto 1, é afirmado que, em 2001, foi apresentada uma queixa, também pela ASPP/PSP, que foi declarada admissível e depois rejeitada. Certo. Sabemos todos que, formalmente, as reuniões são cumpridas. Meras audições dos sindicatos que resultam em nada a favor dos Profissionais da PSP. Aguardemos, então, pela resposta do Estado português e, depois, poderemos ver o que considera o CE. Mas voltarei a este tema mais adiante.
Ponto 2
Relativamente ao segundo parágrafo, a resposta é não. A negociação colectiva não é respeitada. Basta ao senhor secretário de Estado considerar as alíneas f do Artigo 35.º da Lei Sindical da PSP, onde deve ser discutida a "duração e horário de trabalho"; e h, no que diz respeito às condições de higiene, saúde e segurança no trabalho. Mais adiante, é afirmado, relativamente ao SAD/PSP, que o objectivo foi uniformizar o Serviço de Assistência na Doença da PSP com a ADSE. No entanto, a opção uniformizar por cima, aumentando a comparticipação dos Polícias para aquele serviço. Antes, o Governo optou por equiparar os Polícias aos restantes Funcionários Públicos, esquecendo a especificidade do serviço policial.
"Público, notório e atestado documentalmente é também que os sindicatos da PSP foram reiteradamente ouvidos e informados sobre as medidas a adoptar, em múltiplas sedes e de diversas formas", diz o secretário de Estado. Interessante conceito tem o MAI do que é uma negociação. Normalmente, uma negociação implica ouvir, ser ouvido e encontrar um entendimento. Era a isto que me referia mais atrás. As reuniões de "negociação" resumem-se a auscultar. Depois, dizem que não a tudo e fazem o que entendem, transformando o cumprimento da Lei em mera formalidade de cumprimento das reuniões previstas.
Já no fim, como diz José Magalhães, vamos aguardar para saber o que diz o CE.
Gratificante para todos os Profissionais da PSP e para os associados da ASPP/PSP, em particular, deve ser verificar que há um sindicato que obriga a Tutela a reagir, a falar e a dar a conhecer aquilo que pretende para as Forças de Segurança. Recordemos, ainda, que o blog (?) do MAI foi lançado pelo anterior ministro, António Costa, para, reagir, ainda antes do prazo previsto para a inauguração daquele espaço, a uma crónica de Vasco Pulido Valente.
O mesmo sucedeu ontem, com o actual ministro a ser confrontado com a manifestação agendada pela ASPP/PSP para 19 de Setembro.
terça-feira, julho 03, 2007
Os Silvas
Há uns dias, foi o presidente Cavaco a falar na importância do mar para Portugal. Deduzo eu, que tenho a mania destas coisas, que estivesse a falar nas potencialidades do mar em relação à pesca e aos recursos. Claro que não falou no número absurdo de embarcações que todos os anos são abatidas. Setenta, anualmente, só no Algarve. O resto, ou é espanhol ou marroquino.
Hoje, foi a vez do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Perante os protestos dos pescadores na Docapesca de Matosinhos, aproveitando a raras visitas de um governante fora do tempo eleitoral, a resposta do ministro: "Não gostam, peçam para sair [da União Europeia]".
Não sei bem qual o adjectivo para o descrever. Arrogante, é de certeza. Ou, se calhar, foi só para inchar o peito ao lado do responsável da União Europeia pelo sector das pescas.
Vale aos pescadores não serem funcionários públicos e poderem, por isso, soltar os desabafos que entenderem sobre o ministro Jaime Silva; podem também colar entrevistas do ministro nas paredes e brincar com elas; e têm ainda a sorte de a correspondência que lhes é dirigida não ser entregue nas embarcações, podendo ser aberta por algum mestre.
O socratismo no seu melhor.
Hoje, foi a vez do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Perante os protestos dos pescadores na Docapesca de Matosinhos, aproveitando a raras visitas de um governante fora do tempo eleitoral, a resposta do ministro: "Não gostam, peçam para sair [da União Europeia]".
Não sei bem qual o adjectivo para o descrever. Arrogante, é de certeza. Ou, se calhar, foi só para inchar o peito ao lado do responsável da União Europeia pelo sector das pescas.
Vale aos pescadores não serem funcionários públicos e poderem, por isso, soltar os desabafos que entenderem sobre o ministro Jaime Silva; podem também colar entrevistas do ministro nas paredes e brincar com elas; e têm ainda a sorte de a correspondência que lhes é dirigida não ser entregue nas embarcações, podendo ser aberta por algum mestre.
O socratismo no seu melhor.
quinta-feira, junho 28, 2007
São Berardo
Ele (t)OPA tudo. BCP, PT, SLB, um museu e até manda directores embora por causa de uma bandeira (será?).
Joe Berardo, naquele madeirês americanizado, entreteve o país na última semana, ocupando horas e espaço de informação, numa altura em que Sócrates se prepara para aumentar a electricidade - mas só em Janeiro, porque agora vai descer -, acabar com a legislação laboral, alterar o regime jurídico das instituições de ensino superior e fazer passar por baixo da mesa o Tratado Europeu, ou Constituição Europeia, ou Pequeno Tratado Europeu, ou Carta de Recomendação Europeia, entre outros nomes que possam ser escolhidos.
Com Berardo, os 20.000 postos de trabalho que o norte do país perdeu em três meses, as 1.200 embarcações de pesca que vão ser abatidas passaram quase ao lado de tudo e de todos.
Berardo tem sido um verdadeiro santo para Sócrates, inundando a informação com OPAs e tudo o resto. Se calhar, só vamos pagar a factura daqui a dez anos, quando o milionário decide se fica ou não com a colecção do museu.
Joe Berardo, naquele madeirês americanizado, entreteve o país na última semana, ocupando horas e espaço de informação, numa altura em que Sócrates se prepara para aumentar a electricidade - mas só em Janeiro, porque agora vai descer -, acabar com a legislação laboral, alterar o regime jurídico das instituições de ensino superior e fazer passar por baixo da mesa o Tratado Europeu, ou Constituição Europeia, ou Pequeno Tratado Europeu, ou Carta de Recomendação Europeia, entre outros nomes que possam ser escolhidos.
Com Berardo, os 20.000 postos de trabalho que o norte do país perdeu em três meses, as 1.200 embarcações de pesca que vão ser abatidas passaram quase ao lado de tudo e de todos.
Berardo tem sido um verdadeiro santo para Sócrates, inundando a informação com OPAs e tudo o resto. Se calhar, só vamos pagar a factura daqui a dez anos, quando o milionário decide se fica ou não com a colecção do museu.
quarta-feira, junho 20, 2007
Nomes
O que eu acho mesmo mal, mesmo mal, é não podermos mudar o nome para um do nosso agrado. Ou melhor, chegarmos aos 16 ou 18 anos e sermos obrigados a mudar de nome.
Eu mudava já, para um mais original. Isto dos nomes não tem segredo: de tempos a tempos, há uma série de nomes que se acham muito lindos e que pouca gente tem e, depois, repara-se que são mais que as mães.
Não será o caso do senhor Jacinto Leite Capelo Rego, um dos nomes que recebeu um recibo por ter doado dinheiro ao CDS. Não é um nome comum, e muito menos comum é 4.000 pessoas efectuarem donativos que perfazem um total de 1.000.000 de euros. Certinhos.
Já mais normal é o conhecido Passos Dias Aguiar Mota, muito conhecido ali nos lados de Faro, pelo menos durante uma concentração que atrai milhares de pessoas.
Ou o próprio Adolfo Dias Fonseca Galhão.
A verdade é que dos dois últimos pouco de sabe. Do primeiro, sabe-se que milita no CDS-PP.
Eu mudava já, para um mais original. Isto dos nomes não tem segredo: de tempos a tempos, há uma série de nomes que se acham muito lindos e que pouca gente tem e, depois, repara-se que são mais que as mães.
Não será o caso do senhor Jacinto Leite Capelo Rego, um dos nomes que recebeu um recibo por ter doado dinheiro ao CDS. Não é um nome comum, e muito menos comum é 4.000 pessoas efectuarem donativos que perfazem um total de 1.000.000 de euros. Certinhos.
Já mais normal é o conhecido Passos Dias Aguiar Mota, muito conhecido ali nos lados de Faro, pelo menos durante uma concentração que atrai milhares de pessoas.
Ou o próprio Adolfo Dias Fonseca Galhão.
A verdade é que dos dois últimos pouco de sabe. Do primeiro, sabe-se que milita no CDS-PP.
terça-feira, junho 12, 2007
10 de Junho - Dois anos e dois dias depois
Fez no dia 10 de Junho de 2007, dois anos e dois dias que escrevi assim, noutro blog:
"Percebi!
Sim, é verdade, cheguei a uma conclusão.
Há uns dias percebi, finalmente, por que é que estes senhores que nos governam jamais conseguirão mudar o rumo deste país.
Há três ou quatro semanas, num domingo à noite, desloquei-me à doca de Matosinhos para tentar perceber as sensibilidades dos pescadores em relação à crise que enfrentam.
Não podem pescar, porque o peixe que trazem para terra é demasiado pequeno. Se continuarem a pescar, correm o risco de, daqui a uns tempos, deixar de haver peixe.
Estava um vento gélido, junto ao mar, mas o calo fez daqueles homens imunes às adversidades do clima, e as camisolas de manga curta contrastavam com as minhas camisolas e casaco.
Os pescadores estavam divididos por um motivo muito simples: A necessidade é maior do que a moral.
Todos sabem que não podem ir ao mar porque vão acabar com o que lhes dá o pão. Mas ouvi, da boca de um dos mais novos: "Vamos ao mar. Sempre dá para trazer 10 euros e a caldeirada".
Dez euros. Para que servem 10 euros? Menos do que se paga numa discoteca da moda, voam num ápice. Mas dez euros são, para muitos - e cada vez mais -, uma questão de sobrevivência. É assim a vida destes homens que recebem ao dia em função daquilo que o mar lhes quer dar. É muito simples. A faina é fraca, não há dinheiro.
É isto que os senhores que governam e governaram Portugal não conhecem. Só conhecem a realidade dos pescadores de visitarem as lotas em tempo de campanha. Não percebem que a vida destes homens e de muito outros se faz de acções concretas e não de promessas, nem de boas vontades.
Narciso Miranda, a pensar nos pescadores, tomou já uma medida. Vai erguer um monumento a quatro naufrágios que ocorreram em 1947 e retiraram a vida a 150 homens do mar. Acho muito bem. Mas e os vivos...? É esta a prioridade do presidente da câmara?".
Passados dois anos e dois dias, Cavaco virou-se para o mar e decidiu apelar a que aproveitemos todas as potencialidades.
Mas virados para o mar já nós estamos e cada vez mais. Virados para os condomínios de luxo, à beira mar, que quase nos fazem sombra na areia.
Cavaco lembrou-se do mar que esqueceu enquanto foi Primeiro-ministro, como se lembra agora de quase tudo. Das dezenas e dezenas de fábricas de conserva que fecharam, só no concelho de Bouças, a.k.a Matosinhos.
Falou na nossa Zona Economica Exclusiva, uma das maiores, mas esqueceu-se da União Europeia e daquilo que (não) deixam pescar.
A memória de Cavaco é, afinal, como a da generalidade de todos nós, portugueses: Curta.
"Percebi!
Sim, é verdade, cheguei a uma conclusão.
Há uns dias percebi, finalmente, por que é que estes senhores que nos governam jamais conseguirão mudar o rumo deste país.
Há três ou quatro semanas, num domingo à noite, desloquei-me à doca de Matosinhos para tentar perceber as sensibilidades dos pescadores em relação à crise que enfrentam.
Não podem pescar, porque o peixe que trazem para terra é demasiado pequeno. Se continuarem a pescar, correm o risco de, daqui a uns tempos, deixar de haver peixe.
Estava um vento gélido, junto ao mar, mas o calo fez daqueles homens imunes às adversidades do clima, e as camisolas de manga curta contrastavam com as minhas camisolas e casaco.
Os pescadores estavam divididos por um motivo muito simples: A necessidade é maior do que a moral.
Todos sabem que não podem ir ao mar porque vão acabar com o que lhes dá o pão. Mas ouvi, da boca de um dos mais novos: "Vamos ao mar. Sempre dá para trazer 10 euros e a caldeirada".
Dez euros. Para que servem 10 euros? Menos do que se paga numa discoteca da moda, voam num ápice. Mas dez euros são, para muitos - e cada vez mais -, uma questão de sobrevivência. É assim a vida destes homens que recebem ao dia em função daquilo que o mar lhes quer dar. É muito simples. A faina é fraca, não há dinheiro.
É isto que os senhores que governam e governaram Portugal não conhecem. Só conhecem a realidade dos pescadores de visitarem as lotas em tempo de campanha. Não percebem que a vida destes homens e de muito outros se faz de acções concretas e não de promessas, nem de boas vontades.
Narciso Miranda, a pensar nos pescadores, tomou já uma medida. Vai erguer um monumento a quatro naufrágios que ocorreram em 1947 e retiraram a vida a 150 homens do mar. Acho muito bem. Mas e os vivos...? É esta a prioridade do presidente da câmara?".
Passados dois anos e dois dias, Cavaco virou-se para o mar e decidiu apelar a que aproveitemos todas as potencialidades.
Mas virados para o mar já nós estamos e cada vez mais. Virados para os condomínios de luxo, à beira mar, que quase nos fazem sombra na areia.
Cavaco lembrou-se do mar que esqueceu enquanto foi Primeiro-ministro, como se lembra agora de quase tudo. Das dezenas e dezenas de fábricas de conserva que fecharam, só no concelho de Bouças, a.k.a Matosinhos.
Falou na nossa Zona Economica Exclusiva, uma das maiores, mas esqueceu-se da União Europeia e daquilo que (não) deixam pescar.
A memória de Cavaco é, afinal, como a da generalidade de todos nós, portugueses: Curta.
quarta-feira, junho 06, 2007
São os loucos de Lisboa...
Mas este não podia deixar de publicar:
Intervenção do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa - 1 de Março de 2005 sobre o Parque Mayer:
Intervenção do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa - 1 de Março de 2005 sobre o Parque Mayer:
Convencionados
A convenção do Bloco de Esquerda, que decorreu no passado fim-de-semana, foi (mais) um verdadeiro exercício mediático do padre Louçã e dos seus acólitos.
O carácter social-democrata de supostos revolucionários veio ao de cima, com as críticas à Greve Geral de 30 de Maio. Alinharam ao lado da direita e do Governo, procurando colar a decisão da CGTP às alegadas pressões do PCP. Para o BE não importa, por isso, que quase 1,5 milhões de portugueses tenham estado em greve, sem contar com muitos outros gostariam de a ter feito, mas não puderam, por pressões do patronato ou por motivos pessoais. O BE negou tudo isto e apontou baterias ao PCP.
Há cerca de 100 anos, estes senhores tinham um nome, eram mencheviques, e o seu grande objectivo era combater a Esquerda Revolucionária, deixando caminho livre para a propaganda burguesa. Sem o perceber (será que não percebe mesmo?), o Bloco vai dando argumentos ao Governo e aos detentores do poder económico para que questionem o movimento sindical.
Hoje, como há 100 anos, a burguesia chique-revolucionária ataca a esquerda e eleje-a como principal alvo. Exemplo mais claro é a festa para assinalar a reentrada no ano político. Uma iniciativa que, se não é para procurar rivalizar com a Festa do Avante!, para pouco mais servirá.
A Luta continua. A Festa, também.
O carácter social-democrata de supostos revolucionários veio ao de cima, com as críticas à Greve Geral de 30 de Maio. Alinharam ao lado da direita e do Governo, procurando colar a decisão da CGTP às alegadas pressões do PCP. Para o BE não importa, por isso, que quase 1,5 milhões de portugueses tenham estado em greve, sem contar com muitos outros gostariam de a ter feito, mas não puderam, por pressões do patronato ou por motivos pessoais. O BE negou tudo isto e apontou baterias ao PCP.
Há cerca de 100 anos, estes senhores tinham um nome, eram mencheviques, e o seu grande objectivo era combater a Esquerda Revolucionária, deixando caminho livre para a propaganda burguesa. Sem o perceber (será que não percebe mesmo?), o Bloco vai dando argumentos ao Governo e aos detentores do poder económico para que questionem o movimento sindical.
Hoje, como há 100 anos, a burguesia chique-revolucionária ataca a esquerda e eleje-a como principal alvo. Exemplo mais claro é a festa para assinalar a reentrada no ano político. Uma iniciativa que, se não é para procurar rivalizar com a Festa do Avante!, para pouco mais servirá.
A Luta continua. A Festa, também.
terça-feira, junho 05, 2007
Jogada de mestre
O Irão está prestes a avançar, pela primeira vez na sua história, com um plano de racionamento dos recursos petrolíferos. Pode parecer absurdo, mas não é. O Irão é um país exportador de petróleo mas tem enormes dificuldades no que respeita à refinação.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
Por isso, acabaram os preços baixos. Embora a gasolina sem chumbo 95 não deva chegar a 1,40 euro o litro.
No entanto, não deixa de ser uma jogada de mestre. Com este racionamento, que deverá gerar enorme descontentamento na população iraniana, Mahmoud Ahmadinejad ganha novas armas para defender o recurso às energias alternativas, particularmente, a nucluear.
Assim, retira argumentos aos sectores mais resistentes ao fomento do armamento nuclear, principalmente internacionais, e tem uma nova desculpa para apostar na criação de centrais. É ou não uma jogada de mestre?
Paz Fria
Quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, chega uma espécie de Paz Fria, com a ameaça de Putin sobre a Europa ocidental. A grande diferença: Há 20 anos, as ameaças tinham por base projectos sociais e políticos incompatíveis; hoje, têm por base caprichos pessoais. Entre esta paz e a outra guerra, venha a guerra.
segunda-feira, junho 04, 2007
Galicia - Hasta la victoria!
A manchete do Jornal de Notícias de hoje, pelo menos a ediçao para o norte, é tão verdadeira que chega quase a deprimente.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
O norte de Portugal continua a perder competitividade, comparado com a Galiza, mesmo aqui por cima. O salário médio dos galegos é de 1240 euros; dos nortenhos é de 635. Dói, não dói?
Praticamente, o dobro. E, surpresa das surpresas - ou não - resulta, em grande parte, do investimento na indústria. A mesma indústria que foge de Portugal todas as semanas, por vários motivos, mas que não são, de certeza, os salários mais baixos. A mesma indústria que o Estado português foi revendendo aos exilados pós-Abril, então regressados para o ajuste de contas com a Revolução.
Enquanto o desemprego cresce em Portugal, e no norte em particular, atingindo máximos históricos em mais de duas décadas. Na Galiza, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 25 anos.
Sócrates não mentiu. Disse que criaria 150.000 empregos. Pode criá-los. Segundo o próprio, criou já 40.000. Não mentiu, porque não disse que por cada emprego criado, três iriam para o desemprego.
A verdade não tem apenas uma face.
quarta-feira, maio 30, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
B.
A B. nasceu há quase um ano. Faltam cerca de 60 dias.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
Foi o melhor que aconteceu na minha vida. Mesmo com tudo o que envolve, o que ela envolve, e que me envolve a mim, sempre, esteja ou não perto dela.
A educação dela preocupa-me e procuro fazer o melhor que posso e sei. Mesmo agora, quando a B. chama "Bu" à Bloo e ri-se com o canino que afinal não o é. Vejo a educação dela fora do âmbito familiar como fundamental para a formação. Dela e minha, para ver o que mudou, se alguma coisa mudou.
Hoje já não há reguadas e isso deixa-me feliz. Não há o perigo de os erros nos ditados serem contados por outras tantas reguadas. Assim, a B. não precisa de estar sentada na carteira, feliz por ter levado calças de ganga onde pode esfregar as mãos, aquecê-las e iludir a dor.
Espero que, quando a B. entrar na escola pelo primeiro dia, ainda tenha professores motivados, que a estimulem, mais do que a aprender, a compreender. Que façam dela, como eu procuro fazer, a melhor pessoa do Mundo.
Espero que a B. ainda tenha uma escola onde não precisa de chegar às 7h30 e sair às 19h30, mesmo não estando em aulas, só porque uma qualquer ministra, que daqui a cinco anos não será, espero, a mesma, decidiu que a escola onde ela andará é para fechar.
Espero que os salários dos professores do ensino básico deixe de ser pago pelas autarquias - como vai passar a ser -, para que eles não estejam dependentes de orçamentos minúsculos, que variam consoante o município. Para que possam, os professores, ensinar a B. a Ser e não apenas a Estar.
To B.
quinta-feira, maio 24, 2007
As centopeias, Ota vez...
Diz-se delas que têm 100 patas, ou 100 pés, como preferirem.
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
Pessoalmente, não lhes acho grande piada. Mas acontece o mesmo com a generalidade dos insectos. Nem sei se é uma classe inserida nos parasitas. Pode muito bem sê-lo.
O Governo de José Sócrates - não, não vou chamar-lhe centopeia que pode andar por aí a directora da DREN - precisava de ter tantos pés como as centopeias, tal o volume e frequência com que dá tiros nos pés.
Depois da delação de que foi vítima um professor - e será que foi o único? -, surge o ministro Mário Lino a catalogar a Margem Sul como sendo um deserto.
Até tenho uma solução: em vez de Setúbal, passe a chamar-se Setub-All. Parece que os turistas gostam e sabe-se como os desertos da Tunísia e de Marrocos têm sucesso entre os viajantes.
Mas não foi essa a opção. A Margem Sul não tem hospitais, escolas e tudo o resto que o ministro disse. Até pode ser verdade. Mas se não tem, a responsabilidade é dele e dos seus compadres, que foram fechando tudo o que havia na Península.
Gente, cidades, comércio, hotéis, indústrias, hospitais e escolas.
Se não há, quem os tirou?
quarta-feira, maio 23, 2007
Desemprego e Pinho, Lda.
Antes de mais, começo por agradecer a quem usa o servidor da Secretaria-Geral da Presidência da República para visitar este humilde blog.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
Era pior se fosse a Procuradoria-Geral da República. É que, tal como aquele professor da DREN, eu também insulto muitas vezes o primeiro-ministro; às vezes em voz alta, outras em voz muito alta. E preciso muito dos empregos que tenho.
Mas não posso deixar de agradecer também ao ministro Manuel Pinho o contributo que dá para os meus posts.
Desta vez foi directamente de Bruxelas para o Mundo. Afirmou que os 500 trabalhadores que vão ser despedidos da Delphi da Guarda tinham emprego assegurado um bocadinho mais ao lado. Tão ao lado como aquilo que o ministro disse. É que os 500 empregos de que Manuel Pinho falava já foram criados e já estão ocupados...
Por isso, devemos todos agradecer ao ministro Manuel Pinho o empenho e atenção com que segue as actividades das multinacionais em Portugal. Não admira que tenha optado por não comentar o aumento histórico do desemprego.
Provavelmente, ainda está a estudar os números para depois vir dizer que os 500.000 desempregados já têm trabalho assegurado...
Obrigado, sr. ministro.
quinta-feira, maio 17, 2007
Tanta coisa, tão pouco tempo...
Portanto, vamos por números, sem ordem, em jeito de telegrama...
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
4 - Helena Roseta acha que o Tribunal Constitucional devia tê-la avisado de que há um prazo para contestar a decisão da marcação do dia das eleições em Lisboa. Mas, como neste momento, a arquitecta é apenas um cidadã com visibilidade pública que pretende candidatar-se, suponho que todos os eleitores de Lisboa tivessem de ser avisados. Afinal, não há só uma cidadã nem uma cidadania...
35 - Helena Roseta é contra os aparelhos partidários - antes ou depois de ter-se oferecido ao PS como candidata?
79 - Rui Pereira é novo ministro da Administração Interna. Onde estava? No Tribunal Constitucional. Em que acreditamos todos? Na separação de poderes.
23 - A República Checa adoptou o novo sistema de pagamento de portagens inventado em Portugal. O Mundo já não nos ignora. O Mundo odeia-nos!
45 - Na Bélgica, uma candidata ao Senado promete fazer 40.000 felácios para conquistar eleitores. Gondomar está em festa. Espera-se um aumento do fabrico de alfinetes de peito na capital da filigrana.
12 - Greve Geral. Dia 30. Alguém leu, viu ou ouviu mais alguma coisa sobre isso nos media?
sexta-feira, maio 11, 2007
Papa(s) para malucos
A visita de Bento XVI ao Brasil demonstra bem como a instituição "igreja" está desajustada da realidade.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
O ex-cardeal Ratzinger foi ao Brasil para apelar à castidade, ao sexo só após o casamento e à fidelidade. Estamos de acordo no último.
Mas ir ao calor brasileiro e apelar à castidade é como ir à Somália e aconselhar dietas, ou como ir ao Iraque e pedir a paz. Ou como pedir ao Carmona Rodrigues que vá embora de vez.
O pecado do sexo consiste na negação da prevenção das DST pela igreja católica. A dimensão do ser humano enquanto animal passa, também, pelas práticas sexuais. De preferência com consentimento mútuo e longe dos explos de Boston
Daqui, um grande sieg heil para o senhor Papa.
A verdadeira imoralidade está ali em Fátima e no preço da nova catedral, que até foi paga a pronto. Um verdadeiro paralelo entre o sexo e a igreja: os dois podem ser obscenos.
quinta-feira, maio 10, 2007
Roseta dos ventos
O filme da Câmara Municipal de Lisboa chegou ao fim, mas parece estar já na forja uma nova novela. Helena Roseta, apoiante de Manuel Alegre nas presidenciais e co-fundadora do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), deverá candidatar-se à presidência da autarquia, à margem do seu partido.
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o eleitorado socialista voltará a confrontar-se com duas candidaturas. Na prática, à semelhança do que aconteceu nas presidenciais, o facto de surgirem duas candidaturas dentro do PS, será um ponto a favor do PSD.
Noutro campo, surge o MIC e o que este movimento comporta. Sendo apenas um grupo de cidadãos sem aspirações a constituir-se como partido político - ponto 4 da Carta de Intenções -, não deixa de ser interessante que os seus elementos rompam com os partidos e avancem como "independentes". O independente eleito pelo MPT na Madeira também pertence ao MIC e foi o responsável pela campanha de Alegre no arquipélago.
Então, não sendo um partido, não tendo aspirações a tal, qual é a finalidade de apoiar candidaturas?
Contra os aparelhos partidários mas a favor dos aparelhos dos movimentos?
segunda-feira, maio 07, 2007
Na Madeira ganhou o caruncho
A pérola do Atlântico ainda vai levar, por mais uns tempos, com o João Jardim.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
Uma vitória inequívoca num arquipélago asfixiado, pelo menos ao nível da informação, pelo cerco do presidente. Os jornalistas são humanos - alguns - mas a histeria da repórter da RTP-Madeira não é normal. Parecia mais emocionada do que o próprio Jardim...
Mas o estado do PSD também não é muito melhor. Quando, num jantar de aniversário, o convidade especial, ainda que através das novas tecnologias, é alguém como o boçal João Jardim, fica muito pouco por dizer.
Uma derrota gigantesca para o PS-M, abandonado à sua sorte pelo PS-S(ócrates). Deixaram os "camaradas" sozinhos na ilha, e, embora a ausência de Sócrates tenha o objectivo claro de descolar o primeiro-ministro de um resultado desastroso, nem toda a gente anda a dormir. Sócrates fugiu ao confronto, mas a votação arrasta-se na direcção dele.
A CDU passou a ser a terceira força política da Madeira, à semelhança do que acontece no continente, com o melhor resultado de sempre. Nada mau para uma coligação composta por um Partido "morto" e outro ainda Verde.
Narana Coissoró veio já afirmar que o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para ser o partido do triciclo. É verdade. Um sidecar não deixa de ser um triciclo.
BE, PND e MPT, todos com um deputado. O Bloco deixou de ser a margem do sistema para passar a um sistema marginal que parece estar a deixar de convencer. Media incluídos.
terça-feira, abril 24, 2007
Eu, Ronco
Fantástico.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
Li aqui que dormir 20 minutos custa apenas 14 dólares. Empresas para dormir, nos Estados Unidos, claro.
O conceito, inovador e tão útil, foi lançado por uma empresa e logo surgiu uma concorrente. A Yelo.
Parece-me que a concorrente tem a maior vantagem no nome do presidente: Nick Ronco. Mais apropriado era impossível.
De registar que, para sonos mais longos em horário laboral, basta ser eleito na AR.
E sempre se poupam os 14 dólares.
quinta-feira, abril 19, 2007
Olá desqualificação
Manuel Alegre já veio criticar a campanha "Novas Oportunidades", lançada pelo governo do seu partido. De acordo, a mensagem é passada de uma forma infeliz, denegrindo a dignidade de algumas profissões.
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
No entanto, a mim parece-me bem mais grave e tenho medo, muito medo, que a campanha tenha o resultado inverso, pelas seguintes razões:
Não sei o que é melhor: ser iletrado ou cantar como o Pedro Abrunhosa. Logo ele? Mas de quem foi a ideia? Cheira-me que há aqui o dedo do Manuel Pinho...
E que moral tem o Governo para incentivar a malta a regressar à escola, quando o nosso primeiro se desenrascou da forma que desenrascou para ser engenheiro, deixar de ser engenheiro e ser engenheiro outrra vez?
Qual é o risco de não estudar? Chegar a Primeiro-ministro?
segunda-feira, abril 16, 2007
105.3
Os olhos semi-cerrados pela força do sol, logo de manhã, fazem-me pegar nos óculos pretos, riscados, que me turvam a vista, enquanto os Sinais, do Fernando Alves, vão-me guiando pelo meio do trânsito caótico.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
Hoje tenho a voz que quiser, porque hoje é o dia dela. Hoje as vozes soam mais alto e mais fortes, todas elas, e não só a do Fernando Alves, que chega a todo o lado, independentemente de ser o dia dela ou não.
A voz de quem a não tem vai sendo dada por roteiros que incluem. Incluem a voz dos mudos que são todos os dias esquecidos, menos um dia por ano, quando passam lá as tv's, as rádios e os jornais, que seguem o Presidente, avidamente, à espera de um registo da sua voz que possa fazer eco da voz dos outros.
Estranho. Não deixo de pensar que é, apenas, um monólogo de um surdo. Que fala mas não inclui na voz aqueles a quem o roteiro devia servir.
Diz ele: Incluir os velhinhos, os desempregados, os deficientes, ou todos aqueles que juntam tudo isto numa só voz, quando a têm. Não sabe, porque, afinal, parece mesmo um monólogo de um surdo, que há instruções expressas para atrasar ao máximo os apoios estatais às crianças com necessidades educativas especiais. É assim na DREN. É assim em todas as DRE's.
Saem caras e não têm voz. Menos hoje, que é o dia dela.
quinta-feira, abril 12, 2007
Regresso ao passado
quarta-feira, abril 11, 2007
Público-Alvo
Hoje foi um dia histórico para a justiça e jornalismo portugueses. Ficámos todos a saber que a verdade é crime.
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
O Supremo condenou o Público por ter publicado uma notícia verdadeira, relativa a uma dívida do Sporting ao Estado. Uma indemnização de 75 mil euros. Foi um atentado ao bom-nome do Sporting, porque, segundo os Conselheiros, a notícia não era do interesse público. Portanto, ficamos todos a saber que, para, os Conselheiros do Supremo, não é do interesse público saber quem deve ao Estado. Assim, a decisão de publicar online a lista de devedores ao Estado, uma medida tão saudada, poderá ser contestada e ganha no Supremo, uma vez que trata-se de um atentado ao bom-nome dos cidadãos e empresas, sem qualquer interesse público.
Voltando ao Público, mas não ao interesse, o director José Manuel Fernandes disse, aos microfones da TSF, que a maior expectativa para a entrevista de logo à noite está centrada em saber "as causas do abrandamento aparente nas reformas e quais os projectos do Governo para os próximos dois anos", deixando para segundo plano o esclarecimento sobre as habilitações do nosso Primeiro.
Primeiro: enganou-se. É apenas um ano e dez meses. Porque esta entrevista, diga-se, para balanço dos primeiros dois anos de governação, vai ter lugar quando passaram dois anos e dois meses desde a eleição.Segundo: O Público lançou a notícia sobre a licenciatura de Sócrates. José Manuel Fernandes está pouco interessado nisso. A mim também me preocupam os tempos que se avizinham. Mas também me preocupa saber se o primeiro-ministro mentiu ou não.
Pressões? Telefonemas? Nada disso...
Todos nós acreditamos na separação de poderes e tudo isto são apenas coincidências. Ainda bem...
terça-feira, abril 03, 2007
All - á é grande!
O ministro Manuel Pinho conta já com a minha pessoa entre os seus milhares de fãs.
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
Confesso que não estava à espera de falar mais dele do que do senhor Delgado.
O ministro é um génio incompreendido, e a polémica em torno do recém-baptizado Allgarve é a prova disso mesmo. Afinal, quem se lembraria de acrescentar um L só porque soa melhor (?) em inglês?
All-garve = Tudo-garve; Todo-garve;
Foi o All-garve. Se fosse Ll-isboa não fazia diferença, porque significa exactamente o mesmo que All-garve. Ou Allentejo.
Honra seja feita ao ministro. Se em vez do inglês ele tivesse optado por outra língua, ia ser ainda menos compreendido, ora vejamos:
所有-garve - chinês
alle-garve - holandês e alemão
tous-garve - francês
όλοι-garve - grego
tutti-garve - italiano
すべて-garve - japonês
모두-garve - coreano
все-garve - russo
todos-garve - espanhol
E ainda se queixam de quê?
Vou mais longe, sou uma pessoa ambiciosa. Por isso, proponho mais algumas alterações ao léxico português.
All-garve = ólgarve, por isso:
All-iveira do Douro (ali em VN Gaia, mas podia ser de Azeméis, do Bairro...)
All-aurindinha, vem à janela (música popular)
All-iud (coisa de filmes, nos EUA)
All-impo (divino, ali na Grécia, quem sobe, logo à direita)
All-facto (cheira, pois cheira)
Coca-c-All-a (para beber)
Carac-All (devagar, devagarinho)
Cachec-All (para o frio)
Interp-All (bófia)
Água m-All em pedra dura (provérbio)
T-All-a (em cima do pescoço)
Cervej-All-a (que faz barriga)
Viva Portugall!
segunda-feira, março 26, 2007
Grande português
A escolha do grande português só vem provar que somos, realmente, um país de gente pequena.
Disse.
Disse.
terça-feira, março 13, 2007
Haja respeito!
Não tenho especial apreço por aves e afins. Mas respeito-as, como respeito todos os animais. Nunca, nos meus tempos de ganapo eu peguei numa arma de chumbos e atirei aos pardais.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
Nunca!
Normalmente, ia para o quintal onde estava o tanque e, quando muito, tentava disfarçar as minhas insuficiências visuais com tiros que acabavam no cimento das pias, para depois dizer que "foi quase". A verdade é que os alvos, normalmente latas ou garrafas, só abanavam com o vento.
Mas nunca atirei aos pássaros. E aos gatos também não.
Ontem, quando passava pela Circunvalação, levei com uma cagadela no pára-brisas. Verde e com grumos. A cagadela, não o pára-brisas.
Foi para mim uma espécie de traição. Uma cagadela de pássaro é sempre desagradável, seja quando estamos na paragem do autocarro, ou quando vamos a passar na rua. Mas uma cagadela num carro em andamento é algo bem pior. Só acontece mesmo por maldade.
O sentimento de incapacidade e consequente raiva apodera-se de nós. É mais ou menos como as frequentes declarações do ministro Manuel Pinho, só que em dejectos palpáveis.
Fiquei, oficialmente, ofendido.
Passaram dois anos do Governo Sócrates. O ponto positivo: Já faltou mais para acabar o mandato.
segunda-feira, março 12, 2007
Silêncio
Não gosto muito do silêncio. Deixa-me nervoso.
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
Mas há vários tipos de silêncio e entre eles, o comprometedor, o comprometido e o cúmplice.
Passou um ano sobre a presidência de Cavaco. Um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice. Em tudo.
Hoje Cavaco ri-se por estar de volta. O povo é sereno e tem memória curta. Cavaco ri-se dos trabalhadores da Manuel Pereira Roldão, na Marinha Grande, quando enviou o Corpo de Intervenção para dispersar os trabalhadores. Ri-se dos polícias molhados que hoje estão a seco. Ri-se dos manifestantes da Ponte 25 de Abril. Ri-se do interior que foi sendo alcatroado e agora re-alcatroado, porque as auto-estradas foram feitas à pressa e sem condições de segurança.
Os risos de Cavaco são em silêncio. Num silêncio de Bolo-Rei, que foi mastigando com a boca aberta.
Um ano de Cavaco: um ano de silêncio comprometedor, comprometido e cúmplice.
Pérolas do fim-de-semana
Rádio Clube de Matosinhos, durante o jogo de futsal Freixieiro-Junqueira:
Luís Almeida, repórter na pista: Joaquim Ferreira! Joaquim Ferreira! Faltam 2,6 segundos, é muito tempo para jogar, já vimos golos em menos tempo! Vamos lá ao lançamento!
Joaquim Ferreira: É verdade... vamos ao lançamento... acabou o jogo.
Antena 1, declarações do seleccionador nacional de rugby:
Isto é como as lutas de cães, nem sempre é o maior que ganha!
Parece-me, assim ao de leve, que as autoridades deviam investigar os passatempos deste senhor...
quinta-feira, março 08, 2007
Dia D(elas)
Não foi hoje, o Dia D(elas).
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
Tenho a forte convicção de que o verdadeiro Dia D para elas foi a 11 de Fevereiro.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Para sempre, Zeca! - Menina dos Olhos Tristes
E voltas em mim, a mim, 20 anos depois de teres partido.
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
Trazes As Pombas que Os Vampiros sugam, com a Canção Longe que vai fazendo erguer o Coro dos Caídos.
Os Bravos vão festejando o Natal dos Simples, em fundo, com a Canção de Embalar que adormece a Menina dos Olhos Tristes. Sonha ela com o Cavaleiro e o Arcanjo, no Tecto da Montanha. Ali Está o Rio - disse ela - e as Barracas, Ocupação, que vejo Por Trás Daquela Janela, mostrando as Saudades de Coimbra com a Balada do Mondego.
Qualquer Dia, Vejam Bem, Já o Tempo se Habitua, e A Formiga no Carreiro pergunta ao Senhor Arcanjo: Onde Lá Vai Jeremias? - Era de Noite e Levaram-no - respondeu -, Os Eunucos pela Avenida de Angola. Mais um para lamentar a Canção do Desterro.
Eu, o Povo, Tinha Uma Sala Mal Iluminada, onde chorava a Saudadinha da Mulher da Erva que ceifava o Milho Verde. Agarrava-te eu Se Voaras Mais ao Perto. Dei-te o nome de Maria Faia. Vai, Maria Vai, corre para os poetas d'A Cidade e Traz Outro Amigo também. Venham Mais Cinco, que Eu (não) Vou Ser Como a Toupeira. Vamos realizar a Utopia, que A Morte Saiu à Rua já vezes de mais. Vamos!, que O Que Faz Falta é acabar com o Avô Cavernoso, que quis esconder nos bosques densos e escuros Um Homem Novo [que] Veio da Mata!
Aproveitemos Enquanto Há Força! Ouvimos já o Coro da Primavera, num Cantar Alentejano que a Grândola, Vila Morena transformou em Letra Para Um Hino! Canta Camarada! Basta de comer só O Pão Que Sobra à Riqueza! Entoemos as Cantigas do Maio. Entoemos A Paz, o Poeta e as Pombas, Que o Amor Não Me Engana e eu amo a Liberdade!
Viva o Poder Popular!
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Perdido nas Maldivas
Introdução e conclusão:
As Maldivas são uma seca e Leça da Palmeira é que é bom.
Maldivas é um pequeno país - Leça da Palmeira é uma grande freguesia e uma cidade ainda maior.
Maldivas tem como única fronteira real o estado das Laquedivas, na Índia - Leça da Palmeira tem fronteiras reais com Matosinhos, Santa Cruz do Bispo e Perafita.
Malé é a capital das Maldivas - Leça da Palmeira é capital de si própria.
O presidente das Maldivas chama-se Maumoon Abdul Gayoom - O presidente da freguesia de Leça da Palmeira chama-se Pedro.
O hino das Maldivas chama-se Gavmii mi ekuverikan matii tibegen kuriime salaam - O hino de Leça chama-se Hino do Leça.
Maldivas também pode chamar-se Divehi Rajjeyge Jumhuria - Leça da Palmeira chama-se Leça da Palmeira.
Maldivas tem uma palmeira no símbolo do país - Leça da Palmeira não tem qualquer maldiva na sua bandeira.
É em Leça da Palmeira que se localizam dois equipamentos de importância nacional: a Refinaria da Petrogal e o recinto de feiras da Exponor - Não há registo de quaisquer equipamentos de importância nacional nas Maldivas.
Maldivas tem cerca de 1.100 ilhas e apenas 200 são habitadas - Leça da Palmeira tem todas as ilhas habitadas: Ilha do Volta, Ilha do Cunha dos Cães, Ilhas do Sardoal, Ilha da Avenida...
Aqui ficam listadas possíveis comparações entre Leça da Palmeira e Maldivas. Para quem defende que as Maldivas um local mais atractivo do que Leça da Palmeira, aí está a resposta.
Dedicado à Margarida, que, entre outras actividades, escreve coisas para depois um senhor dizer.
As Maldivas são uma seca e Leça da Palmeira é que é bom.
Maldivas é um pequeno país - Leça da Palmeira é uma grande freguesia e uma cidade ainda maior.
Maldivas tem como única fronteira real o estado das Laquedivas, na Índia - Leça da Palmeira tem fronteiras reais com Matosinhos, Santa Cruz do Bispo e Perafita.
Malé é a capital das Maldivas - Leça da Palmeira é capital de si própria.
O presidente das Maldivas chama-se Maumoon Abdul Gayoom - O presidente da freguesia de Leça da Palmeira chama-se Pedro.
O hino das Maldivas chama-se Gavmii mi ekuverikan matii tibegen kuriime salaam - O hino de Leça chama-se Hino do Leça.
Maldivas também pode chamar-se Divehi Rajjeyge Jumhuria - Leça da Palmeira chama-se Leça da Palmeira.
Maldivas tem uma palmeira no símbolo do país - Leça da Palmeira não tem qualquer maldiva na sua bandeira.
É em Leça da Palmeira que se localizam dois equipamentos de importância nacional: a Refinaria da Petrogal e o recinto de feiras da Exponor - Não há registo de quaisquer equipamentos de importância nacional nas Maldivas.
Maldivas tem cerca de 1.100 ilhas e apenas 200 são habitadas - Leça da Palmeira tem todas as ilhas habitadas: Ilha do Volta, Ilha do Cunha dos Cães, Ilhas do Sardoal, Ilha da Avenida...
Aqui ficam listadas possíveis comparações entre Leça da Palmeira e Maldivas. Para quem defende que as Maldivas um local mais atractivo do que Leça da Palmeira, aí está a resposta.
Dedicado à Margarida, que, entre outras actividades, escreve coisas para depois um senhor dizer.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
"Maria... la chiave!"
... disse o Roberto para impressionar a principessa.
Hoje vou construir estradas novas para o interior e levar comigos anos de chumbo depositados à beira mar, para equilibrar este país inclinado para poente.
Vou pegar no meu plano tecnológico, nos meus 150 mil empregos e enfiá-los no meio do terreno montanhoso de Trás-os-Montes e no deserto do Alentejo.
Levo a Educação comigo para os dormitórios das periferias e aceno com a segurança e com estudos para rentabilizar meios.
Mas faço as estradas para o interior e fecho os hospitais, as maternidades e as urgências. Aumento os rendimentos dos taxistas, porque não há transportes públicos. Nem tudo é mau. Os dois ou três taxistas que servem 15 aldeias ficam contentes. Quinze? Menos duas, dentro de pouco tempo, porque os velhos morrem e os novos fogem. Fogem para onde há hospitais e maternidades e urgências.
Faço-me à estrada nova e percebo que o alcatrão não trata os esgotos, nem dá electricidade, nem aumenta as reformas de miséria, porque se dou o caminho para o desenvolvimento, retiro o que o faz desenvolver.
Pego nos 150 mil empregos e retiro os nove mil que foram criados em dois anos. Faltam 141 mil, está quase.
Vou aos caixotes das periferias onde fui guardando vidas e tiro-lhes a polícia. Racionalizo meios que não tenho.
Hoje quis ser governante e fi-lo até agora. Tive a chave e fui fechando fábricas pela fechadura que a eleição me deu.
Hoje vou construir estradas novas para o interior e levar comigos anos de chumbo depositados à beira mar, para equilibrar este país inclinado para poente.
Vou pegar no meu plano tecnológico, nos meus 150 mil empregos e enfiá-los no meio do terreno montanhoso de Trás-os-Montes e no deserto do Alentejo.
Levo a Educação comigo para os dormitórios das periferias e aceno com a segurança e com estudos para rentabilizar meios.
Mas faço as estradas para o interior e fecho os hospitais, as maternidades e as urgências. Aumento os rendimentos dos taxistas, porque não há transportes públicos. Nem tudo é mau. Os dois ou três taxistas que servem 15 aldeias ficam contentes. Quinze? Menos duas, dentro de pouco tempo, porque os velhos morrem e os novos fogem. Fogem para onde há hospitais e maternidades e urgências.
Faço-me à estrada nova e percebo que o alcatrão não trata os esgotos, nem dá electricidade, nem aumenta as reformas de miséria, porque se dou o caminho para o desenvolvimento, retiro o que o faz desenvolver.
Pego nos 150 mil empregos e retiro os nove mil que foram criados em dois anos. Faltam 141 mil, está quase.
Vou aos caixotes das periferias onde fui guardando vidas e tiro-lhes a polícia. Racionalizo meios que não tenho.
Hoje quis ser governante e fi-lo até agora. Tive a chave e fui fechando fábricas pela fechadura que a eleição me deu.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
SIM e os testículos
SIM. Foi o que disse a maioria dos portugueses vontantes no referendo do dia 11.
Não foi vinculativo, infelizmente, mas obriga na mesma ao cumprimento da primeira promessa eleitoral da era socratista. Socrática, não. Isso é outra coisa, mais grega.
Depois de uma campanha cheia de coisas estranhas, desde os panfletos nas mochilas de crianças, aos vídeos do Marcelo Rebelo de Sousa no youtube. Ou o professor a conseguir dizer que a diferença de meios entre as campanhas do SIM e do NÃO foi enorme... Mas a favor do SIM. Certamente que o professor esteve muito tempo em casa a filmar os vídeos e não viu os milhares de outodoors espalhados pelo país, em que o "Não obrigada" foi rei e senhor.
E a questão é mesmo esta. A mulher continua a ser "Não obrigada" a abortar e os movimentos pela vida (?) podem continuar com o trabalho comunitário de apoio a grávidas que dizem fazer. Pena que não tenham apresentado números sobre as intervenções que fizeram desde 1998.
Jardim veio hoje lançar-se ao barulho. Falou nos testículos que faltam aos portugueses. Ao presidente do governo regional da Madeira não faltam os ditos. Tem-nos, certamente, juntinho ao cérebro, sendo essa a principal explicação para tamanha cara de cu...
Não foi vinculativo, infelizmente, mas obriga na mesma ao cumprimento da primeira promessa eleitoral da era socratista. Socrática, não. Isso é outra coisa, mais grega.
Depois de uma campanha cheia de coisas estranhas, desde os panfletos nas mochilas de crianças, aos vídeos do Marcelo Rebelo de Sousa no youtube. Ou o professor a conseguir dizer que a diferença de meios entre as campanhas do SIM e do NÃO foi enorme... Mas a favor do SIM. Certamente que o professor esteve muito tempo em casa a filmar os vídeos e não viu os milhares de outodoors espalhados pelo país, em que o "Não obrigada" foi rei e senhor.
E a questão é mesmo esta. A mulher continua a ser "Não obrigada" a abortar e os movimentos pela vida (?) podem continuar com o trabalho comunitário de apoio a grávidas que dizem fazer. Pena que não tenham apresentado números sobre as intervenções que fizeram desde 1998.
Jardim veio hoje lançar-se ao barulho. Falou nos testículos que faltam aos portugueses. Ao presidente do governo regional da Madeira não faltam os ditos. Tem-nos, certamente, juntinho ao cérebro, sendo essa a principal explicação para tamanha cara de cu...
terça-feira, dezembro 12, 2006
Carapaus de bacalhau
A sondagem da edição online do jornal "Público" trouxe-me à memória um episódio passado na Póvoa de Varzim, há quase dois anos.
A pergunta é muito simples: A sua ceia de Natal inclui bacalhau?
Dois anos atrás, na bancada de Imprensa do Estádio do Varzim, comentávamos a fraca presença de público nas bancadas. O clube poveiro não deixa de ser um histórico do futebol nacional, apesar do momento delicado que atravessa.
Clube de gente de trabalho, famoso pelas mulheres da Póvoa, acérrimas defensoras dos "Lobos do Mar".
Apesar da fúria
Em conversa, continuámos a avançar possibilidades. O preço dos bilhetes, claro. Mas houve um camarada que foi mais longe. E disse o que todos pensávamos mas que não dizíamos, porque é daquelas realidades duras.
"As pessoas não têm dinheiro para o bacalhau, quanto mais para vir ao futebol!". Simples, claro e directo.
"A ceia de Natal vai ser com carapaus".
Carapaus de bacalhau, portanto, para os homens e mulheres que vão ao mar buscar o sustento. Já foi tempo. A Póvoa transformou-se num enorme centro turístico de betão que esconde por trás os tradicionais bairros piscatórios, que ainda hoje rivalizam como há décadas.
Bairros de gente humilde, que recusam o destino que a CEE, CE e, agora, UE, lhes foi impondo.
Na casa dos pescadores poveiros, os carapaus cheiram a um bacalhau de faz de conta.
A pergunta é muito simples: A sua ceia de Natal inclui bacalhau?
Dois anos atrás, na bancada de Imprensa do Estádio do Varzim, comentávamos a fraca presença de público nas bancadas. O clube poveiro não deixa de ser um histórico do futebol nacional, apesar do momento delicado que atravessa.
Clube de gente de trabalho, famoso pelas mulheres da Póvoa, acérrimas defensoras dos "Lobos do Mar".
Apesar da fúria
Em conversa, continuámos a avançar possibilidades. O preço dos bilhetes, claro. Mas houve um camarada que foi mais longe. E disse o que todos pensávamos mas que não dizíamos, porque é daquelas realidades duras.
"As pessoas não têm dinheiro para o bacalhau, quanto mais para vir ao futebol!". Simples, claro e directo.
"A ceia de Natal vai ser com carapaus".
Carapaus de bacalhau, portanto, para os homens e mulheres que vão ao mar buscar o sustento. Já foi tempo. A Póvoa transformou-se num enorme centro turístico de betão que esconde por trás os tradicionais bairros piscatórios, que ainda hoje rivalizam como há décadas.
Bairros de gente humilde, que recusam o destino que a CEE, CE e, agora, UE, lhes foi impondo.
Na casa dos pescadores poveiros, os carapaus cheiram a um bacalhau de faz de conta.
terça-feira, dezembro 05, 2006
Bandeira Nacional
Vermelho.
Trocamos o olhar indiferente ou o simples desviar dos olhos pelo sentimento de culpa quando paramos num semáforo e vemos alguém bater no vidro para pedir esmola.
Seja debaixo de chuva, vento ou frio.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Paramos nas montras e fazemos contas à vida. De preferência numa superfície comercial atafulhada de gente, com apelos à compra de tudo e mais alguma coisa.
Outra vez vermelho. Paramos e, por uns segundos, pensamos que estamos a fazer compras no dia 24 e que do outro lado do balcão está gente que também tem um dia 24, mas diferente.
Mas temos pressa, porque o dia 24 está a chegar ao fim.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Santa Catarina, mas não muito. Quando o sol começa a baixar, não convém ficar por lá. Os sem abrigo incomodam mais do que nos outros dias. Outra vez aquele sentimento de culpa. São velhos, novos, desempregados, toxicodependentes e alcoólicos. Todos num só. Fazemos uma bola gigante de plasticina de cores diferentes, misturamo-los a todos e ficamos com a cabeça cheia de penas. Atiramos uma moeda que ficou no bolso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Comprámos cartões da Unicef, ajudámos a Legião da Boa Vontade, as Casas do Caminho e a Fundação do Gil. Está a chegar ao fim o dia 24. Agradecemos aos VIPs que juntaram-se a uma ou outra iniciativa que proporcionaram uma noite de 24 um bocadinho melhor. Fazemos a digestão ao sono das batatas com a noção de dever cumprido. Passou mais um dia 24 e até ajudámos os mais necessitados.
Jantar sem televisão, por favor. Muito menos os telejornais. Já sabemos que vão abrir com uma vigília à porta de uma fábrica que fechou em Agosto e continua sem pagar aos empregados. Sem televisão, por favor.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
O dia 25 repete o ritual. Telefonemas de ocasião. Esqueci-me de um postal. Penitencio-me por isso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
VERDE. Passaram os dias 24 e 25.
VERDE. Seguimos em frente.
VERDE. Venham mais 363 dias para podermos ficar de olhos fechados.
Trocamos o olhar indiferente ou o simples desviar dos olhos pelo sentimento de culpa quando paramos num semáforo e vemos alguém bater no vidro para pedir esmola.
Seja debaixo de chuva, vento ou frio.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Paramos nas montras e fazemos contas à vida. De preferência numa superfície comercial atafulhada de gente, com apelos à compra de tudo e mais alguma coisa.
Outra vez vermelho. Paramos e, por uns segundos, pensamos que estamos a fazer compras no dia 24 e que do outro lado do balcão está gente que também tem um dia 24, mas diferente.
Mas temos pressa, porque o dia 24 está a chegar ao fim.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Santa Catarina, mas não muito. Quando o sol começa a baixar, não convém ficar por lá. Os sem abrigo incomodam mais do que nos outros dias. Outra vez aquele sentimento de culpa. São velhos, novos, desempregados, toxicodependentes e alcoólicos. Todos num só. Fazemos uma bola gigante de plasticina de cores diferentes, misturamo-los a todos e ficamos com a cabeça cheia de penas. Atiramos uma moeda que ficou no bolso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
Comprámos cartões da Unicef, ajudámos a Legião da Boa Vontade, as Casas do Caminho e a Fundação do Gil. Está a chegar ao fim o dia 24. Agradecemos aos VIPs que juntaram-se a uma ou outra iniciativa que proporcionaram uma noite de 24 um bocadinho melhor. Fazemos a digestão ao sono das batatas com a noção de dever cumprido. Passou mais um dia 24 e até ajudámos os mais necessitados.
Jantar sem televisão, por favor. Muito menos os telejornais. Já sabemos que vão abrir com uma vigília à porta de uma fábrica que fechou em Agosto e continua sem pagar aos empregados. Sem televisão, por favor.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
Vermelho.
O dia 25 repete o ritual. Telefonemas de ocasião. Esqueci-me de um postal. Penitencio-me por isso.
Depois o semáforo fica verde e seguimos em frente.
VERDE. Passaram os dias 24 e 25.
VERDE. Seguimos em frente.
VERDE. Venham mais 363 dias para podermos ficar de olhos fechados.
quarta-feira, novembro 29, 2006
Cerco, ao Porto.
Invicta.
Invicta porque nunca foi conquistada. Resistiu a tudo e todos ao longo dos séculos. Cercos e tudo.
Mas há um que permanece há algumas décadas. Um Cerco por dentro, no coração da Invicta. Um Cerco decadente e degradado.
Em conversa com um amigo, uns dias depois das manifestações dos estudantes do secundário, contou-me que pelo espírito de liderança salientou-se entre os manifestantes um aluno do Cerco. Com consciência. Com razão.
Marcou presença na Praça porque estava ao lado das reivindicações que moveram milhares de alunos. Marcou presença na Praça porque o Cerco está cada vez mais isolado.
Não há investimentos, "porque somos pobres e vivemos num bairro degradado", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa, na crónica dominical em que vai dando, ou retirando, valores a tudo e todos, disse concordar com as manifestações dos estudantes, mas não perceber bem como é que se misturam as lutas do secundário com as faixas, envergadas por alunos, contra a co-incineração.
Não me espanta. Não pecebe, porque vai distribuindo os valores do alto da sua intelectualidade. Não percebe, porque já se esqueceu, ou nunca soube, que há muitas coisas muito erradas, e muitas delas são trazidas a público para que não sejam esquecidas.
Enquanto isso, o Cerco vai-se apertando em miséria, insegurança e sujidade humana e material. E a escola, bem no centro do Cerco, vai asfixiando, com as paredes cercadas pela ausência de perspectivas num futuro.
Não é um futuro melhor. É apenas um futuro.
Talvez Marcelo Rebelo de Sousa tenha dado nota negativa ao aluno do Cerco. Não faz mal. Não é algo a que ele já não esteja habituado.
E assim fica a Invicta, afinal conquistada a partir de dentro das muralhas, com o porto a olhar para dentro do Cerco apenas através da ameias, com medo de lá entrar.
Invicta porque nunca foi conquistada. Resistiu a tudo e todos ao longo dos séculos. Cercos e tudo.
Mas há um que permanece há algumas décadas. Um Cerco por dentro, no coração da Invicta. Um Cerco decadente e degradado.
Em conversa com um amigo, uns dias depois das manifestações dos estudantes do secundário, contou-me que pelo espírito de liderança salientou-se entre os manifestantes um aluno do Cerco. Com consciência. Com razão.
Marcou presença na Praça porque estava ao lado das reivindicações que moveram milhares de alunos. Marcou presença na Praça porque o Cerco está cada vez mais isolado.
Não há investimentos, "porque somos pobres e vivemos num bairro degradado", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa, na crónica dominical em que vai dando, ou retirando, valores a tudo e todos, disse concordar com as manifestações dos estudantes, mas não perceber bem como é que se misturam as lutas do secundário com as faixas, envergadas por alunos, contra a co-incineração.
Não me espanta. Não pecebe, porque vai distribuindo os valores do alto da sua intelectualidade. Não percebe, porque já se esqueceu, ou nunca soube, que há muitas coisas muito erradas, e muitas delas são trazidas a público para que não sejam esquecidas.
Enquanto isso, o Cerco vai-se apertando em miséria, insegurança e sujidade humana e material. E a escola, bem no centro do Cerco, vai asfixiando, com as paredes cercadas pela ausência de perspectivas num futuro.
Não é um futuro melhor. É apenas um futuro.
Talvez Marcelo Rebelo de Sousa tenha dado nota negativa ao aluno do Cerco. Não faz mal. Não é algo a que ele já não esteja habituado.
E assim fica a Invicta, afinal conquistada a partir de dentro das muralhas, com o porto a olhar para dentro do Cerco apenas através da ameias, com medo de lá entrar.
segunda-feira, novembro 13, 2006
Sindicatos fora de moda
Obsoletos.
Desde a Greve Geral que entrou no vocabulário de comentadores e de quem sei deixa comentarizar que os dirigentes sindicais estão obsoletos, referindo-se, mais precisamente, a Carvalho da Silva.
O João Proença nem tanto, ainda está só um bocadinho obsoleto.
Mas então, os governantes que há tantos anos estão à frente do destino do país, não estarão eles também obsoletos? Os economistas que todos os dias apresentam soluções já tiveram, a grande maioria, mais do que responsabilidades políticas, responsabilidades governativas. E, no entanto, passa a mensagem de que estão sempre actualizados.
Outra questão da moda, que sempre serve para afastar os holofotes do descontentamento com o Governo, é da ligação dos partidos de esquerda às centrais sindicais.
Mau será quando, um dia, os interesses dos sindicatos deixem de ser, também, os objectivos dos partidos da esquerda.
E, em relação ao PCP, convém que se decidam... Ou bem que está a definhar e a caminhar para o abismo; ou bem que tem uma capacidade de mobilização impressionante e consegue mobilizar gente para assobiar o Governo em todas as partes do país...
Desde a Greve Geral que entrou no vocabulário de comentadores e de quem sei deixa comentarizar que os dirigentes sindicais estão obsoletos, referindo-se, mais precisamente, a Carvalho da Silva.
O João Proença nem tanto, ainda está só um bocadinho obsoleto.
Mas então, os governantes que há tantos anos estão à frente do destino do país, não estarão eles também obsoletos? Os economistas que todos os dias apresentam soluções já tiveram, a grande maioria, mais do que responsabilidades políticas, responsabilidades governativas. E, no entanto, passa a mensagem de que estão sempre actualizados.
Outra questão da moda, que sempre serve para afastar os holofotes do descontentamento com o Governo, é da ligação dos partidos de esquerda às centrais sindicais.
Mau será quando, um dia, os interesses dos sindicatos deixem de ser, também, os objectivos dos partidos da esquerda.
E, em relação ao PCP, convém que se decidam... Ou bem que está a definhar e a caminhar para o abismo; ou bem que tem uma capacidade de mobilização impressionante e consegue mobilizar gente para assobiar o Governo em todas as partes do país...
sexta-feira, novembro 10, 2006
Sócrates errou nas horas
Que a máquina propagandística do Governo de Sócrates funciona quase na perfeição, ninguém duvida. Exemplo disso é a sondagem hoje revelada pela SIC/Expresso/Rádio Renasceça, mas nem vou por aí.
O que hoje falhou a Sócrates foi a sempre importante abertura dos telejornais. A Greve Geral da Função Pública foi a grande notícia do dia, apesar de o Governo a ter tentado desvalorizar ao máximo, apontando para os 11,78 por cento como a adesão do segundo dia. Não falo no primeiro, porque de certeza que os resultados, acertados até à segunda casa decimal, foram uma brincadeira, ou, talvez, mais um dia mau.
No entanto, José Sócrates optou por entrar no recinto onde decorre o Congresso do PS quando eram, pelo relógio da SIC Notícias, 20h02. Atirou ao lado, os três canais generalistas já estavam com as peças da greve em andamento. E, para azar do Governo, a acreditar nos 11,78 por cento de adesão, os canais televisivos devem ter acertado em cheio em todos os locais do país onde se fez greve.
Terá sido o trânsito a atrasar o nosso primeiro?
O que hoje falhou a Sócrates foi a sempre importante abertura dos telejornais. A Greve Geral da Função Pública foi a grande notícia do dia, apesar de o Governo a ter tentado desvalorizar ao máximo, apontando para os 11,78 por cento como a adesão do segundo dia. Não falo no primeiro, porque de certeza que os resultados, acertados até à segunda casa decimal, foram uma brincadeira, ou, talvez, mais um dia mau.
No entanto, José Sócrates optou por entrar no recinto onde decorre o Congresso do PS quando eram, pelo relógio da SIC Notícias, 20h02. Atirou ao lado, os três canais generalistas já estavam com as peças da greve em andamento. E, para azar do Governo, a acreditar nos 11,78 por cento de adesão, os canais televisivos devem ter acertado em cheio em todos os locais do país onde se fez greve.
Terá sido o trânsito a atrasar o nosso primeiro?
Picos do Pinho
Foi ontem a votação do Orçamento de Estado, na AR, aprovado pela maioria do Partido Socialista. Só.
Não merece grandes comentários, o descontentamento generalizado diz tudo.
Mas as palavras do ministro Manuel Pinho têm o condão de surgir sempre nas piores alturas. Depois do decreto do fim da crise, que afinal era só para animar a malta, veio dizer que os 40 e tal mil portugueses que conseguiram novos empregos devem estar felizes.
O ministro esqueceu-se, no entanto, que os números do desemprego são comparados por trimestre. Ou seja, não pode dizer-se, com rigor, que houve um decréscimo do desemprego sem comparar ou primeiro trimestre do ano anterior com o primeiro deste ano, e por aí fora. É, no mínimo, má fé, comparar o segundo com o terceiro trimestre, que engloba os meses de Julho Agosto e Setembro, época do ano em que o trabalho sazonal tem o seu pico.
Mas, no dia seguinte às declarações do ministro, a LEAR de Valongo anunciou que vai fechar e vão para a rua mais de 500 trabalhadores.
Manuel Pinho começa a provar que faz os melhores discursos quando está calado.
Não merece grandes comentários, o descontentamento generalizado diz tudo.
Mas as palavras do ministro Manuel Pinho têm o condão de surgir sempre nas piores alturas. Depois do decreto do fim da crise, que afinal era só para animar a malta, veio dizer que os 40 e tal mil portugueses que conseguiram novos empregos devem estar felizes.
O ministro esqueceu-se, no entanto, que os números do desemprego são comparados por trimestre. Ou seja, não pode dizer-se, com rigor, que houve um decréscimo do desemprego sem comparar ou primeiro trimestre do ano anterior com o primeiro deste ano, e por aí fora. É, no mínimo, má fé, comparar o segundo com o terceiro trimestre, que engloba os meses de Julho Agosto e Setembro, época do ano em que o trabalho sazonal tem o seu pico.
Mas, no dia seguinte às declarações do ministro, a LEAR de Valongo anunciou que vai fechar e vão para a rua mais de 500 trabalhadores.
Manuel Pinho começa a provar que faz os melhores discursos quando está calado.
terça-feira, novembro 07, 2006
Toma lá Democracia
O Governo dos EUA ameaçou hoje os eleitores da Nicarágua. Se Ortega vencer as eleições, acabam-se os apoios económicos.
É legítimo. O dinheiro é deles, dão-no a quem quiserem. O que não me parece muito legítimo é a ameaça, vinda da auto-intitulada maior democracia do Mundo.
Não percebo. A democracia dos EUA compra guerras para que os países se tornem livres e democráticos - pelo menos, é este o motivo oficial.
Então, por que não aceitar a legitimidade do povo nicaraguano na escolha do seu novo líder?
Estranha forma de democracia.
É legítimo. O dinheiro é deles, dão-no a quem quiserem. O que não me parece muito legítimo é a ameaça, vinda da auto-intitulada maior democracia do Mundo.
Não percebo. A democracia dos EUA compra guerras para que os países se tornem livres e democráticos - pelo menos, é este o motivo oficial.
Então, por que não aceitar a legitimidade do povo nicaraguano na escolha do seu novo líder?
Estranha forma de democracia.
Saudinha, S.A.!
Um estudo divulgado hoje veio revelar que os Hospitais, S.A., gastam mais do que os hospitais não S.A., o que pode, obviamente, aumentar o défice.
É uma chatice ter de pagar balúrdios a adminstradores para cortarem nas despesas que os ordenados dos próprios acabam por gerar, e não consigo perceber muito bem como isso é possível.
Mas isto vai mudar, mais não seja, pelo pagamentos das Taxas Moderadoras, que vão dar uma mãozinha para equilibrar as contas que os nossos impostos deviam suportar. Os nossos, sim, não os das grandes empresas, porque essas precisam de ter impostos baixinhos, para não se deslocalizarem...
É uma chatice ter de pagar balúrdios a adminstradores para cortarem nas despesas que os ordenados dos próprios acabam por gerar, e não consigo perceber muito bem como isso é possível.
Mas isto vai mudar, mais não seja, pelo pagamentos das Taxas Moderadoras, que vão dar uma mãozinha para equilibrar as contas que os nossos impostos deviam suportar. Os nossos, sim, não os das grandes empresas, porque essas precisam de ter impostos baixinhos, para não se deslocalizarem...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sem penas
O Iraque está, mais uma vez, na ordem do dia.
Desta vez por causa de Saddam Hussein, que foi condenado à morte por enforcamento. Portanto, o Iraque deixou de ser um regime tirano que condenava à morte os opositores ao regime laico, para passar a ser um regime tirano islâmico que condena continua a condenar à morte.
Segundo Bush, é "um enorme passo passo para a jovem democracia iraquiana". Não admira, tendo em conta a velha democracia do Texas.
Sócrates também falou, ainda que timidamente, para dizer que os direitos humanos estão no "coração de todos os [norte] americanos.
Não diria bem de todos. Duvido que a lei que impede os julgados por crime de terrorismo de falarem sobre os métodos dos interrogatórios a que foram submetidos sejam revelados, seja um acto que partiu do coração dos norte-americanos.
Saddam foi condenado pela morte de 148 xiitas. Ficaram, assim, sem pena, os milhares de curdos e militantes de esquerda que também foram assassinados.
E os turcos? E os presos políticos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que continuam presos e torturados no aliado estratégico dos EUA na região? Para esses não há pena: nem dos tribunais, nem de compaixão.
Já agora, se depois da mentira das armas iraquianas, o motivo da invasão do Iraque passou, subitamente, a ser a deposição de um regime autoritário e sanguinário por parte dos EUA, para quando uma intervenção no Darfur?
Desta vez por causa de Saddam Hussein, que foi condenado à morte por enforcamento. Portanto, o Iraque deixou de ser um regime tirano que condenava à morte os opositores ao regime laico, para passar a ser um regime tirano islâmico que condena continua a condenar à morte.
Segundo Bush, é "um enorme passo passo para a jovem democracia iraquiana". Não admira, tendo em conta a velha democracia do Texas.
Sócrates também falou, ainda que timidamente, para dizer que os direitos humanos estão no "coração de todos os [norte] americanos.
Não diria bem de todos. Duvido que a lei que impede os julgados por crime de terrorismo de falarem sobre os métodos dos interrogatórios a que foram submetidos sejam revelados, seja um acto que partiu do coração dos norte-americanos.
Saddam foi condenado pela morte de 148 xiitas. Ficaram, assim, sem pena, os milhares de curdos e militantes de esquerda que também foram assassinados.
E os turcos? E os presos políticos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que continuam presos e torturados no aliado estratégico dos EUA na região? Para esses não há pena: nem dos tribunais, nem de compaixão.
Já agora, se depois da mentira das armas iraquianas, o motivo da invasão do Iraque passou, subitamente, a ser a deposição de um regime autoritário e sanguinário por parte dos EUA, para quando uma intervenção no Darfur?
sexta-feira, novembro 03, 2006
Era uma vez um partido
O Partido Nova Democracia, de Manuel Monteiro, está com vida difícil. Não conseguiu qualquer dos objectivos: fazer frente ao PP, aproveitar margens de descontentes do PSD e abarcar novos militantes, até então afastados da vida política.
O partido continuou a viver da imagem do seu líder, com aparições esporádicas e, na maioria das vezes, inconsequentes. Redundou num enorme falhanço, não conseguindo chamar a si o elevado número de descontentes com Ribeiro e Castro e os indiferentes do PSD à actuação de Marques Mendes.
Mas o grande culpado da crise do PND é o Partido Socialista. Com o engenheiro Sócrates à cabeça, a direita, em geral, não tem espaço como oposição e, por outro lado, não quer admitir que o actual Governo está a fazer exactamente o que a direita faria se estivesse no poder.
A direita vive agora, em Portugal, um período semelhante ao vivido pelos partidos de esquerda logo após o 25 de Abril, quando havia muitos partidos de esquerda.
Há direita a mais. Temos o PS, o PSD, o PP, o PND e os fascistas - pelo menos os mais claramente fascistas - do PNR.
Ofertas a mais para eleitorado a menos.
O partido continuou a viver da imagem do seu líder, com aparições esporádicas e, na maioria das vezes, inconsequentes. Redundou num enorme falhanço, não conseguindo chamar a si o elevado número de descontentes com Ribeiro e Castro e os indiferentes do PSD à actuação de Marques Mendes.
Mas o grande culpado da crise do PND é o Partido Socialista. Com o engenheiro Sócrates à cabeça, a direita, em geral, não tem espaço como oposição e, por outro lado, não quer admitir que o actual Governo está a fazer exactamente o que a direita faria se estivesse no poder.
A direita vive agora, em Portugal, um período semelhante ao vivido pelos partidos de esquerda logo após o 25 de Abril, quando havia muitos partidos de esquerda.
Há direita a mais. Temos o PS, o PSD, o PP, o PND e os fascistas - pelo menos os mais claramente fascistas - do PNR.
Ofertas a mais para eleitorado a menos.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Frases e factos
"É preciso aproveitar ao máximo os estudos, estudar muito, fazer os deveres, fazer um esforço para ser inteligente, para ter êxito (...) caso contrário, acaba-se enfiado no Iraque".
Foi esta frase de John Kerry que fez com que os conservadores tomassem as dores dos soldados e acusassem o senador de ter insultado as tropas americanas. Mas até que ponto não será verdade?
O recrutamento de soldados nos EUA faz-se, muitas vezes, porta a porta, nos bairros e zonas mais degradados e problemáticos. Assim, aproveitando o elevado nível de abandono escolar, que também se deve ao modelo educacional norte-americano, responsáveis do exército acenam com regalias e futuros promissores aos jovens menos esclarecidos. Da mesma forma que era feito durante a guerra do Vietname.
Até que ponto é mentira que são os jovens menos formados que integram as fileiras do exército norte-americano?
No entanto, sem retirar alguma razão ao senador John Kerry, há um perigo maior para que não estuda muito... Pode chegar a presidente dos EUA!
Foi esta frase de John Kerry que fez com que os conservadores tomassem as dores dos soldados e acusassem o senador de ter insultado as tropas americanas. Mas até que ponto não será verdade?
O recrutamento de soldados nos EUA faz-se, muitas vezes, porta a porta, nos bairros e zonas mais degradados e problemáticos. Assim, aproveitando o elevado nível de abandono escolar, que também se deve ao modelo educacional norte-americano, responsáveis do exército acenam com regalias e futuros promissores aos jovens menos esclarecidos. Da mesma forma que era feito durante a guerra do Vietname.
Até que ponto é mentira que são os jovens menos formados que integram as fileiras do exército norte-americano?
No entanto, sem retirar alguma razão ao senador John Kerry, há um perigo maior para que não estuda muito... Pode chegar a presidente dos EUA!
terça-feira, outubro 31, 2006
À espera que a Zita Se abra
A agora deputada do PSD esteve ontem no programa "Prós e Prós", da RTP. Confesso que não vi. Não tenho grande paciência para a Zita Seabra. Vi umas imagens de 1982, acho eu, com a deputada a defender o direito ao aborto, então na bancada do PCP.
Hoje, aparece do outro lado da barricada, como defensora incondicional dos que são contra a IVG.
Vi e ouvi a sua intervenção na Assembleia da República, quando o PS propôs um referendo que Sampaio chumbou. Tem fraca argumentação e não parece segura no que diz. Dá ideia de ser apenas um porta-voz de uma ala social-democrata que não quer dar a cara. E o papel fica-lhe mal. Parece que esconde alguma coisa, ou que não diz o que pensa e tem um enorme trabalho para pensar no que diz.
É pena. Fico à espera que a Zita Se abra...
Hoje, aparece do outro lado da barricada, como defensora incondicional dos que são contra a IVG.
Vi e ouvi a sua intervenção na Assembleia da República, quando o PS propôs um referendo que Sampaio chumbou. Tem fraca argumentação e não parece segura no que diz. Dá ideia de ser apenas um porta-voz de uma ala social-democrata que não quer dar a cara. E o papel fica-lhe mal. Parece que esconde alguma coisa, ou que não diz o que pensa e tem um enorme trabalho para pensar no que diz.
É pena. Fico à espera que a Zita Se abra...
Ministra do Diálogo
Maria de Lurdes Rodrigues quebrou o protocolo e acedeu a participar numa reunião informal, extra-agenda, com alunos que protestavam à porta de uma escola de Vila do Conde. Ao contrário dos professores, que andam há que tempos a penar por serem ouvidos pela ministra, os alunos tiveram mais sorte.
Não sei qual terá sido a reacção de Sócrates, que já fez questão de afirmar que ignora os protestos, numa espécie de birra que berra mais alto do que as reivindicações dos docentes; fazendo doer os ouvidos à opinião pública em geral e a alguns sectores do partido do Governo em particular.
Desconfio das verdadeiras intenções das ministra. Talvez estivesse à espera de encontrar meia-dúzia de "baldas" que aproveitaram a deslocação da responsável pela educação em Portugal para não terem aulas. Parece que não foi bem assim.
Por outro lado, os professores tiveram um azar enorme. Logo num dia em que não acompanharam a agenda da ministra, ela decidiu encontrar-se com uma delegação dos manifestantes. Será que a ministra tem medo de argumentar com os professores? Será que só recebe delegações de contestatários às segundas de manhã?
Mas nem tudo foi mau. A ministra acabou por dar a mão à palmatória e revelar aquilo que as aulas de substituição não devem ser.
Por outro lado, também não disse o que devem ser.
O impasse continua. A luta dos professores, alunos, pessoal não docente e pais também.
Não sei qual terá sido a reacção de Sócrates, que já fez questão de afirmar que ignora os protestos, numa espécie de birra que berra mais alto do que as reivindicações dos docentes; fazendo doer os ouvidos à opinião pública em geral e a alguns sectores do partido do Governo em particular.
Desconfio das verdadeiras intenções das ministra. Talvez estivesse à espera de encontrar meia-dúzia de "baldas" que aproveitaram a deslocação da responsável pela educação em Portugal para não terem aulas. Parece que não foi bem assim.
Por outro lado, os professores tiveram um azar enorme. Logo num dia em que não acompanharam a agenda da ministra, ela decidiu encontrar-se com uma delegação dos manifestantes. Será que a ministra tem medo de argumentar com os professores? Será que só recebe delegações de contestatários às segundas de manhã?
Mas nem tudo foi mau. A ministra acabou por dar a mão à palmatória e revelar aquilo que as aulas de substituição não devem ser.
Por outro lado, também não disse o que devem ser.
O impasse continua. A luta dos professores, alunos, pessoal não docente e pais também.
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