sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A voz de Portugal

Parece que hoje a Imprensa russa está a anunciar Dulce Pontes como a "voz de Portugal".

Tendo em conta a actuação dela na cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa, Portugal está esganiçado, histérico e cheio de uma espécie de convulsões.

Na pia

Do debate de hoje na AR, o que, até agora, foi destacado pelas rádios, pela Lusa e pelas edições online, foi aquela surreal lavagem de roupa, perdão, dentes sujos entre o Governo e Paulo Portas.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Quando eu era pequenino...

Quando eu era pequenino, vivia num país que tinha uma Constituição tão marxista, tão desadequada, tão ideologicamente vincada, que até o preço do pão era fixado pelo Estado.

Hoje, porque somos um país moderno e virado para o futuro e acreditamos no milagre da auto-regulação do mercado, já não temos isso.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Futebóis II

RMS pergunta:

Deverá Rui Santos ser contratado para suceder a Rui Costa no Benfica, depois de ter efectuado um pontapé de belo efeito e com toda a sua força, desferido num gajo que tentou bater-lhe?

Não perca, no Tempo Extra.

Futebóis

Tinha prometido a mim mesmo que não ia escrever aqui sobre futebol. Não porque não goste, longe disso, ou seja um tipo de intelectual-fundamentalista-anti-futebol, tipo Pacheco Pereira. É mesmo porque há futebóis que não me interessam, cheios de pontapés na lei - do jogo e não só - e com uma componente empresarial tão forte que descaracteriza os clubes enquanto entidades de paixão para uma espécie de racionalidade bolsista.



As declarações de Camacho, em relação a este Benfica, são paradigmáticas. Para ele, o segundo lugar é fundamental, porque dá acesso à Champions League. E a Taça UEFA não é tão importante, porque não garante nada para a época seguinte. Só que a Champions também não. Veja-se o exemplo do Liverpool, que um ano depois de ter-se sagrado campeão europeu, teve de disputar a terceira pré-eliminatória para conseguir qualificar-se.



Não gosto. Se para os grandes não há salvação - o caminho é mesmo este, até por uma questão de competitividade -, continuo a ir à bola com os clubes mais pequenos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Legalize!


SEDES - Alerta II

A Comunicação Social serve para desculpar quase tudo…

Os casos da criminalidade violenta no Porto e em Lisboa, por exemplo, foram desvalorizados pelo MAI, atribuindo aos OCS a mediatização exagerada de um tipo de criminalidade que, segundo o ministério, até desceu.

Sem explicar que, a ser verdade que desceu - aguardamos o RASI de 2007 -, a criminalidade violenta, particularmente os homicídios, deixaram de ser praticados em zonas rurais e por motivos, essencialmente, passionais e de desavenças entre vizinhos, para serem levados a cabo nas grandes cidades e como ajustes de conta entre grupos criminosos rivais.
E a culpa foi dos OCS, que mediatizaram os crimes.

Voltando à questão, é pena que quem elaborada o resultado da SEDES, pessoas com responsabilidades políticas, incluindo ex-ministros, só agora, fora dos cargos, se preocupem com estas matérias, que têm, objectivamente, uma forte componente sócio-económica, fruto das políticas praticadas pelos governos nos últimos anos.

SEDES - Alerta

"Calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodioviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou", sublinhou a SEDES, responsabilizando os legisladores portugueses, que "transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas" europeias".

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Coisas que eu ouvi

Fonte: Portal do Governo

S. Bento, Mensagem de Natal, 25 de Dezembro de 2006: "Mas melhorou também o emprego – neste último ano, de Setembro de 2005 a Setembro de 2006, a economia portuguesa foi capaz de criar 57 000 novos empregos".

Assembleia da República, Debate sobre o Estado da Nação, 20 de Julho de 2007: "Terceiro compromisso: o crescimento do emprego. Os factos são estes: em 2006, a população empregada registou o maior crescimento desde 2001 e desde a entrada em funções do actual Governo foram criados 41 mil novos empregos, em termos de saldo líquido. Isto é: a economia já está a criar mais empregos do que aqueles que se perdem".

Assembleia da República, apresentação do OE para 2008, 06 de Novembro de 2007: "Desde que o Governo iniciou funções, a economia criou 60 000 postos de trabalho líquidos".

S. Bento, Mensagem de Natal, 25 de Dezembro de 2007: "Mas não quero esquecer o problema do desemprego. Como muitas vezes tenho dito este é o problema social que mais me preocupa. Ainda não foi possível reduzir a taxa de desemprego mas já foi possível conter o crescimento do desemprego. No entanto, e felizmente, a nossa economia já está a criar mais empregos do que aqueles que se perdem. Segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, nestes últimos dois anos e meio a economia criou em termos líquidos 106.000 novos empregos. Temos agora boas razões para acreditar que a criação de emprego vai prosseguir nos próximos anos.

Porto, 14 de Fevereiro de 2008: «A economia portuguesa está a mudar muito rapidamente» afirmou o Primeiro-Ministro na inauguração do departamento de investigação e desenvolvimento da farmacêutica Bial, no Porto, a 14 de Fevereiro... A economia cresceu 1,9% em 2007, o maior ritmo desde 2001, e acabou o ano em aceleração. José Sócrates referiu também que «a economia portuguesa já está a gerar emprego há dois anos», tendo criado «mais 100 mil postos de trabalho».

Torres Vedras, 18 de Fevereiro de 2008: "O PM acrescentou que «desde que iniciámos funções, «a economia gerou 94 mil postos de trabalho», pelo que « não vejo nenhuma razão para que no próximo ano e meio não consigamos ter mais emprego e conseguirmos atingir o nosso objectivo» de criar 150 mil empregos durante a legislatura".


E não tenho muito mais a dizer sobre o tempo de antena de ontem do Governo na SIC.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Novidades

Já fecharam as urnas no Paquistão.


Ao contrário do que é costume por aquelas bandas, fecharam sem cadáveres lá dentro.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Sócrates e o INE - o aumento do desemprego em 2007

Sem prejuízo do que foi dito aqui, depois de revelados os dados do INE sobre o desemprego, surge o primeiro ministro a feliz porque a taxa de desemprego desceu em trimestres homólogos.

Mas se tal não é mentira, também não é menos verdade que a taxa de desemprego média anual de 2007 foi de 8,0%, mais 0,3 do que em 2006. E ponto final.

A oportunidade perdida pela minha irmã Gogas




Apesar de todos os mails que me envia, a minha irmã Gogas deixou-se antecipar pela irmã mais nova e só hoje me enviou o mail com o apelo acima descrito.




Raisparta, Maria! E logo este que eu levei a sério!




Braço armado

Ao mesmo tempo o braço armado blogosférico do Governo festeja o crescimento económico de 1,9% põe de lado o aumento da inflação homóloga para 2,9%, em Janeiro de 2008, colocando a inflação média de 2007 em 2,5%.

E também não diz quais os efeitos práticos do crescimento económico, já que o desemprego aumenta e a inflação também.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

A chamada esquerda moderna...

... Ou o socialismo do Partido Socialista:


"Prefiro uma maioria absoluta do Partido Socialista a uma maioria [relativa] do PSD [em 2009]"


Lobo Xavier - Quadratura do Círculo

Obama nas alturas II (acho eu)

A sério que não percebo a histeria, blogosférica e não só, em torno do Obama. Mas o vídeo é bem feito.

A sério que gostava, mas gostava mesmo, de ouvir não o que Obama diz que vai fazer, mas sim como vai fazer.

A sério que gostava de ver em Obama uma mudança profunda na administração norte-americana.

A sério que gostava de ver em Obama mais do que um fenómeno mediático em torno da sua pigmentação.

A sério que espero mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, estar enganado!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Quem não conhecer...

... até pensa que este blog é daqueles respeitáveis!

Depois de uma referência no carderno P2, do Público, vem o João Aguiar buscar um texto meu e publicá-lo aqui!

Congresso da CGTP-IN - em cinco ou sete pontos

Como é habitual antes dos Congressos da CGTP há um enorme alarido em torno da Inter. Porque o PCP instrumentaliza, porque a CGTP definha, porque o movimento sindical está imóvel, porque não é adequado às circunstâncias actuais.



É o ruído do costume, vindo em Bloco da esquerda à direita.



Ponto 1 - No dia em que deixar de haver uma ligação ideológica e prática entre a CGTP e o PCP, significa o fim dos dois, ou de um dos dois, por um motivo simples: Os dois têm o mesmo propósito. A defesa do povo e dos trabalhadores.

Ponto 2 - A influência do PCP na Inter é, simplesmente, o reflexo da actividade diária dos militantes do PCP. Ao contrário de algumas linhas de intervenção sindical, os militantes do PCP que também integram a CGTP não fazem a sua intervenção com base no mediatismo, maior ou menor, das acções que encetam.

Ponto 3 - Os que Chora(m) contra a a interferência do "aparelho" do PCP na Inter, são os mesmos que, a bem da pluralidade deles, gostariam de ter os seus "aparelhos" a ditar as orientações da Inter. Não o têm porque não possuem quadros para isso.

Ponto 4 - A importância da CGTP no seio dos trabalhadores é directamente proporcional ao interesse demonstrado pelos iluminados comentadores anti-sindicais na desarticulação da Inter; e inversamente proporcional ao interesse demonstrado nos congressos da UGT - onde não há qualquer inconveniência da influência do PS.

Ponto 5 - O grande entrave à influência de outros partidos ou movimentos de cidadãos não constituídos em partidos é apenas a incoerência. É-o à direita, PS incluído, e em alguns sectores da esquerda. Não se pode, por uma questão de seriedade e de princípio, Chora(r) contra a flexissegurança e depois acenar afirmativamente aos patrões que apresentam acordos que procuram, de forma mais ou menos clara e objectiva, desregular horários de trabalho, descer salários e obrigar ainda os trabalhadores a um quase agradecimento pela manutenção daquilo que deve ser um direito: o seu posto de trabalho.

Ponto 6 - A entrevista do DN de há uns dias a Carvalho da Silva foi uma excelente entrevista ao militante do PCP.

Ponto 7 - A entrevista da SIC a Carvalho da Silva foi uma boa entrevista ao secretério-geral da CGTP.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Lapso

Devo ter-me precipitado no post anterior.



Hoje, em nenhum dos diários, encontro referência ao relatório da OCDE.



As minhas desculpas.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Sócrates - Sempre a fazer história

Os dados divulgados hoje pela OCDE demonstram que Portugal está com 8,2 por cento de desempregados, marca só superada, nos últimos 20 anos, pelo valor de 1986, quando a taxa de desemprego era de 8,8 por cento.

Mas a vida segue e, no Parlamento, Sócrates vai usar o eufemismo que consiste em dizer que ainda não estamos a criar emprego suficiente para compensar quem é despedido e aqueles que entram no mercado de trabalho.

Mas também hoje um senhor da CIP já veio dizer que solução é flexibilizar e permitir - ainda mais - a proliferação dos recibos verdes.


Por curiosidade, fui consultar os dados da OCDE, que podem ver aqui, numa comparação entre Portugal, Finlândia, Luxemburgo, Espanha UE/15, UE, Zona Euro, G7, OCDE Europa e o total da OCDE.

Quem não tiver paciência para interpretar os resultados, aqui vai (período entre 2005 e 2007):

Na Finlândia, tantas vezes citada pelo nosso pm, o desemprego desceu de 8,3 para 6,9.

Em Espanha, do amigo Zapatero, o desemprego também desceu de 9,2, para 8,3.

No Luxemburgo, aumentou de 4,5 para 4,9.

Em Portugal, aumentou 7,6 para 8,2.

Nos restantes conjuntos, o desemprego desce sempre:

OCDE Total: 6, 7 para 5,6
OCDE Europa: 8,8 para 7.2
G7: 6,2 para 5,4
Zona Euro: 8,8 para 7,4
UE: 8,9 para 7,1

UE/15: de 8.1 para 7.0

No conjunto analisado, os únicos países onde aumentao desemprego são o Luxemburgo e Portugal. Ainda não há dados totais de 2007 para a Grécia, Itália, Nova Zelândia, Noruega, Suíça e Reino Unido. Destes, só o Reino Unido apresenta uma tendência acentuada de crescimento - de 4,8 para 5,3, entre 2005 e 2006.

França, Alemanha, Polónia, Eslováquia e Espanha têm uma taxa de desemprego mais elevada do que Portugal. Em todos estes o desemprego desceu entre 2005 e 2006.

O engenheiro (?) até pode correr e saltar para tentar desmentir os factos. E que venha agora o INE desmentir, para o IEFP corroborar o desmentido.

Até quando vai durar a falácia dos 150.000 empregos?

E os analistas especializados, que análise vão fazer?

É, ou não, a prova clara que, ao fim de três anos, as políticas de emrpego do Governo socialista são um fracasso gigantesco?