quinta-feira, abril 24, 2008

Estamos todos muito preocupados com a Fernada Câncio que até nos esquecemos do resto

"Segundo o Público de sábado, o Conselho de Redacção da Lusa considera que houve no tratamento deste caso atitudes «pouco consentâneas com a obrigação de isenção, objectividade e independência» da agência. Refira-se que o Conselho de Redacção é a entidade que os jornalistas têm o direito de eleger em todos órgãos de informação, com um importante conjunto de competências no âmbito deontológico e disciplinar, através do qual os jornalistas participam na orientação editorial. O Conselho de Redacção é obrigatoriamente presidido pelo director do órgão. O Público teve acesso a uma acta do Conselho de Redacção em que os cinco jornalistas eleitos referem a sua estranheza por, no período em que se discutia o tal caso dos projectos da Guarda, a Lusa ter noticiado «um parecer do jurista Paulo Otero, trazido em mão à Lusa por um assessor do primeiro-ministro e entregue ao director de informação, sem se ouvirem outros juristas nesta matéria".

Artigo completo.

Tiros

Francos-atiradores são uma espécie de atiradores sinceros?

sexta-feira, abril 18, 2008

bis

Pelo que consta, parece que vale a pena recordar o que escrevi a 26 de Dezembro de 2007 e lamentar que não me enganei mesmo:

"Um post com conteúdo sobre conteúdos"

O jornal O Jogo vai passar a produzir conteúdos para outros jornais da Controlinveste.

Nota prévia: O Jogo não produz conteúdos. Os jornalistas d'O Jogo produzem os conteúdos d'O Jogo. Se a lógica ainda imperasse, o justo seria dizer que os jornalistas d'O Jogo vão ceder, obrigatoriamente, o produto do seu trabalho a outras sub-empreitadas do grupo Controlinveste.

Está aqui a primeira consequência flagrante do novo Estatuto do Jornalista. Deixa de haver direitos de autor e passa a haver direitos de quem contrata o trabalho do autor.Segundo a notícia, este intercâmbio (?) vai ocorrer já no euro2008. É o primeiro passo. Depois, virão outras provas e eventos e vamos passar a ter uma espécie de mini O Jogo dentro do DN, do JN, do 24horas e, quem sabe, vamos começar a poder ouvir O Jogo, o DN, o JN e o 24horas na TSF.

Isto, até podermos ver O Jogo, o DN, o JN, o 24horas e a TSF num canal de tv que o grupo pretende lançar.Com esta "racionalização de meios" - que expressão tão na moda -, o que vai acontecer aos jornalistas "excedentários"? E aos recém-licenciados?

Como é possível ser o Manuel Tavares, jornalista antes de ser director d'O Jogo, a justificar esta medida?


O Capital, Karl Marx, Volume I, Secção 2:

O Processo de Produção de Mais Valia

"O produto, de propriedade do capitalista, é um valor-de-uso, fios, calçados etc. Mas, embora calçados sejam úteis à marcha da sociedade e nosso capitalista seja um decidido progressista, não fabrica sapatos por paixão aos sapatos. Na produção de mercadorias, nosso capitalista não é movido por puro amor aos valores-de-uso. Produz valores-de-uso apenas por serem e enquanto forem substrato material, detentores de valor-de-troca. Tem dois objectivos. Primeiro, quer produzir um valor-de-uso, que tenha um valor-de-troca, um artigo destinado à venda, uma mercadoria. E segundo, quer produzir uma mercadoria de valor mais elevado que o valor conjunto das mercadorias necessárias para produzi-la, isto é, a soma dos valores dos meios de produção e força de trabalho, pelos quais antecipou seu bom dinheiro no mercado. Além de um valor-de-uso quer produzir mercadoria, além de valor-de-uso, valor, e não só valor, mas também valor excedente (mais-valia)".

Ao contrário dos capitalistas - ou grupos económicos, chamem como quiserem -, a generalidade dos jornalistas faz sapatos por paixão aos sapatos. O novo Estatuto do Jornalista é o fim formal do Jornalista enquanto detentor da propriedade intelectual do que cria, para ser um sapateiro ao serviço dos grandes grupos económicos.

quinta-feira, abril 17, 2008

Mesmo.

Mas vale a pena reproduzir este texto desta edição do Avante!, em torno de um tema que animou a blogosfera durante algum tempo.

"Na Venezuela, a Comissão Nacional de Telecomunicações decidiu recomendar que a série de desenhos animados «Os Simpson» não fosse passada em horário infantil (como não o é na maioria dos países do mundo, incluindo o nosso). O Canal – privado – acatou a decisão, e colocou no horário antes ocupado pelos Simpson a série «Marés Vivas»".

Artigo completo: http://www.avante.pt/noticia.asp?id=24219&area=25

terça-feira, abril 15, 2008

Ah, como é bela a esquerda "moderna", "renovada" e "renovadora"

Itália/Eleições: Esquerda italiana sem representação parlamentar pela primeira vez

A coligação Esquerda Arco-Íris, que agrupa a Refundação Comunista (PRC), Comunistas de Itália (PCI), a corrente socialista Esquerda Democrática (SD) e os Verdes, não conseguiu alcançar o número mínimo para obter representação em nenhuma das Câmaras.

As explicações para a derrota da esquerda são tão variadas como as personalidades políticas que existem no país.
Enquanto o líder do PCI, Oliviero Diliberto, explicou pelo desaparecimento no símbolo da coligação da foice e do martelo, tradicionais símbolos do comunismo, o até agora porta-voz dos Verdes no Congresso, Angelo Bonelli, adiantou que não se soube comunicar bem a proposta política.

Notícia completa aqui.

sexta-feira, abril 11, 2008

Por ser p'ra ti, eu uso um eufemismo

"A crise... Perdão... Os impactos mediáticos causados pela crise internacional"*

Ficámos a saber que não é bem crise, é mais um impacto mediático.


*José Sócrates, depois do debate quinzenal na AR.

quinta-feira, abril 10, 2008

Ponte que os pariu

O responsável político pela queda de uma ponte vai agora para CEO de uma empresa de construção civil, que poderá muito bem construir...

Adivinhem lá...

Uma nova ponte!

quarta-feira, abril 09, 2008

Primavera morna

O tornado empurrou isto das aberturas, títulos, leads, chamadas.

Mas nós não esquecemos:

Cerca das 6 horas da manhã de hoje, foram chamados os bombeiros por se ter declarado fogo no Centro de Trabalho do PCP de Oliveira do Douro. As chamas acabaram por destruir completamente o Centro de Trabalho, que ocupava o rés-do-chão e cave do edifício.A PSP e a Polícia Judiciária estiveram no local para investigar as causas da ocorrência.

Estando excluída a possibilidade de um curto-circuito, todos os indícios apontam para que a responsabilidade do incêndio caiba a quem se introduziu de noite no Centro de Trabalho tendo para tal forçado a porta de entrada, conforme verificaram os bombeiros.

A Comissão Concelhia do PCP condena este acto criminoso, e diligenciará junto das autoridades competentes no sentido da identificação e responsabilização dos seus autores, assim como tomará as medidas necessárias para que a actividade política seja afectada no menor grau possível, e continue o reforço da organização e a crescente intervenção do Partido em Oliveira do Douro e no Concelho de Vila Nova de Gaia.

A Comissão Concelhia agradece as mensagens de apoio e solidariedade que tem recebido de militantes e amigos neste momento difícil.

Com os nossos cumprimentos, a Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia do PCP,Vila Nova de Gaia, 9 de Abril de 2008

segunda-feira, abril 07, 2008

Olá

Voltei cansado.

O ministro Mário Lino está longe - no Luxemburgo e não só - não só no Luxemburgo - não só, porque está acompanhado.

Não vai aguentar duas horas.

sexta-feira, março 28, 2008

Expresso rosa, mas não Rosa

Caro camarada

A Autoridade da Concorrência divulgou no dia 25.3.2008 uma informação, que depois foi também divulgada pelos órgãos de informação, de que os preços dos combustíveis têm aumentado em Portugal mais do que em muitos países da União Europeia.

No entanto, nada tem feito para por cobro a uma situação a que uma associação patronal do sector já classificou como especulativa. O aumento frequente dos preços dos combustíveis, maior do que nos países daU.E., que se tem verificado no nosso País perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do governo e daquela autoridade, está, por um lado, a permitir que as petrolíferas acumulem elevados lucros e, por outro lado, a agravar as condições de vida nomeadamente dos trabalhadores, já que determinam o aumento generalizado dos preços de muitos bens e serviços, de que são exemplo os transportes.

Esta situação não tem qualquer justificação pois, como provo no estudo que envio, o preço do barril de petróleo tem aumentado muito menos do que os preços dos combustíveis, não podendo o aumento do preço do petróleo ser utilizado, como fazem as petrolíferas, como justificação para aumentar os preços da forma como têm feito em Portugal.


Espero que este estudo possa ser útil
Com consideração
Eugénio Rosa
Economista

NOTA: Alguns leitores destes estudos têm-me perguntado se os podem divulgar pelos amigos e conhecidos. A resposta é naturalmente afirmativa, pois o objectivo fundamental da sua elaboração é precisamente isso: que possam ser úteis ao maior numero de portugueses, não como verdades feitas, mas como contributos para a criação de um pensamento económico alternativo ao pensamento económico de cariz neoliberal dominante.

E isto só pode ser conseguido com a participação activa de muitos, uns elaborando, outros divulgando, mas todos lendo e criticando. E isto porque o controlo dos grandes órgãos de informação pelo poder económico e politico é cada vez maior e mais visível. Dou um exemplo que aconteceu recentemente comigo.

Numa conversa "amável" que tive com o dr. Nicolau dos Santos, que é o responsável da página de Economia do Expresso, em que critiquei este semanário por estar totalmente dominado pelo pensamento económico neoliberal e ser cada vez um porta-voz dos interesses dos grandes grupos económicos e das suas rivalidades, ele respondeu-me que se enviasse um pequeno artigo por mês no máximo com 3000 caracteres que o publicaria.

O primeiro com o título "Um olhar diferente sobre o Orçamento do Estado de 2008" passou na censura do jornal, mas o 2º com o título "O Programa de Estabilidade e Crescimento 2007-2011, ou a negação da ciência económica" já não passou e nunca foi publicado.

quinta-feira, março 27, 2008

Sobre a violência...

... no Tibete, vale a pena passar por aqui.

No entanto, quando se critica o PCP por motivos alheios à situação nacional, convém passar por aqui e dar uma vista de olhos, nem que seja ao de leve, pela Resolução Política aprovada no XVII Congresso do PCP, de onde passo a transcrever:

"Embora com graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos, R. D. P. da Coreia. Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar, independentemente das diferenças que existem em relação à nossa concepção programática de sociedade socialista a que aspiramos para Portugal, e de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio, que nos suscitam".


Mas percebe-se. Quando a nível interno falta matéria para criticar o PCP - e é preciso arranjá-la a todo o custo, porque vem aí mais um Congresso -, devido ao forte dinamismo social e político do partido, há que procurar outros assuntos para distorcer a realidade que se nos apresenta distorcida.

Post it: E, já agora, que pena que a moção sobre a condenação da guerra no Iraque tenha passado ao lado de quase toda a gente, ao que parece, porque o PS queria incluir um parágrafo sobre forças de segurança portuguesa lá estacionadas. Por coincidência, num dia em que estavam elementos da PSP nas galerias da AR, a exigir o direito à greve que, por acaso, o PS recusou.


Post it 2: Já agora, sobre a repressão chinesa e sobre o que está escrito no segundo parágrafo do post, fica aqui uma imagem retirada da galeria de fotos do Portugal Diário com a legenda "Protestos no Tibete", onde podemos ver os famosos turbantes utilizados pela polícia tradicional da China:

Foto Lusa

sábado, março 22, 2008

Sentença

Surpreendentemente, o Daniel Oliveira, já sentenciou que o caso da professora do Carolina é um exemplo de falta de vocação da docente. O que surpreende não é o acto desculpabilizar a aluna, vindo de um determinado sector da esquerda que abomina a autoridade. O que surpreende, mesmo, é achar que alguém não tem vocação porque tem uma aluna que transpira imbecilidade.

É certo que o ambiente social de algumas escolas, bem como o ambiente familiar, são propícios a algumas situações de confronto, quando os alunos são confrontados com um tipo de autoridade que desconhecem dentro das paredes de casa.

Eu também defendo que o contexto social influencia fortemente a personalidade de quem quer que seja. No entanto, o que se passou naquela sala de aula vai muito além de um contexto social particular. Foi um acto de desrespeito brutal com quem tem o dever de ensinar, caucionado por toda uma turma que assistiu a tudo.

Não conheço o contexto social de toda a turma, mas acredito que o Daniel também não.

Como estudante, as imagens que vi repugnaram-me, mas não me surpreenderam. Quando estudava no secundário - e não foi assim há muito tempo - qualquer coisa deste género era impensável.

Hoje, são situações recorrentes. Tenho um familiar bem próximo que trabalha numa escola, como auxiliar de acção educativa, e o ambiente nos estabelecimentos de ensino é de cortar à faca. As reformas educativas recolocaram nas escolas alunos que estão lá apenas a passar o tempo - já que não podem ser reprovados, vão saltando de escola em escola -, onde se misturam crianças com 12 e 13 anos com outros de 18, que frequentam o ensino profissionalizante.

Obviamente, as generalizações caem sempre no erro. Mas o sentimento de impunidade atravessa todos os sectores da sociedade e as escolas não fogem à regra.

Na situação concreta, o Daniel avança com uma não-solução brilhante: "Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa". Pois... "Qualquer coisa". É precisamente no "Qualquer coisa" que está o segredo. Ninguém sabe o que fazer mais nestes casos. Não sei se o bloquista achará que os auxiliares de educação educativa têm outro tipo de autoridade perante estes alunos. Se acha, está enganado. Hoje, não têm.

Que o público-alvo do Bloco está nos jovens urbanos, todos sabemos, mas o princípio eleitoralista não é próprio de alguém que se diz de esquerda. Ao populismo da direita, estamos todos habituados, com o seu expoente máximo no Parlamento: o Paulinho das amêndoas; mas da esquerda espera-se outra seriedade e outros princípios que, manifestamente, o Daniel não tem.

quinta-feira, março 20, 2008

Ah! Como era bom ter um líder espiritual nestas alturas!

EUA reprimem manifestantes

200 detidos por protestar contra a guerra no Iraque

Mais de 200 pessoas foram hoje presas nos EUA durante os protestos contra a guerra no Iraque.

URAP

Depois de Santos Siva, chegou a vez de Marcelo Rebelo de Sousa revelar-se um combatente anti-fascista.

Ao que parece, a PIDE seguia-o desde os 3 anos e 4 meses, por comportamento subversivo. Não bebia o leite, berrava muito e tinha a mania de cerrar os punhos.

Sobre isto, o Vítor Dias diz quase tudo, e o que fica por dizer, certamente que não é a ele que compete esclarecer.

quarta-feira, março 19, 2008

MyDay

Eu gostava mesmo que, um dia, a B. visse em mim um décimo do que eu vejo no meu pai.

Hoje, como todos os dias, o meu dia é dela.

terça-feira, março 18, 2008

Ainda é notícia?

"Desapareceram 200 fichas de militantes"

"Isaías Nora indignado contra a situação que se vive no interior do PS de Matosinhos"

"Candidato à Secção revoltado contra ditadura, ambiente pidesco que se respira entre nós e o salazarismo que aposta na decapitação do JM – que é independente e cumpridor – para retirar da “fossa” concorrente transgressor. No protagonismo de ataque à Liberdade e aos Direitos do Homem, o Comandante-Chefe das Operações é o presidente da Câmara Guilherme Manuel Lopes Pinto".

...

E a pré-campanha por Narciso:

"As acusações estendem-se, igualmente, à Câmara Municipal. Lembra que quando Narciso Miran-da foi autarca, era considerado o «presidente do povo», porque abriu a Câmara aos cidadãos que perderam «o receio de falar com um intelectual que era o presidente, e passaram a comunicar aberta-mente".

...

E a transparência, claro:

"O candidato à Secção adverte que «há uma empresa, administrada por uma pessoa do PSD, que paga as quotas de militantes do PS inscritos por António Parada".

...

E tudo desinteressadamente, em prol da verdade:

"Relativamente aos problemas que o JM enfrenta, com o corte da publicidade, da situação da Avenida Joaquim Neves dos Santos, Isaías Nora considera que o que «está a acontecer com o jornal é um corte da liberdade".

Sempre foi assim, na margem sul do Rio Leça. Dois jornais, uma rádio. Ou alinham, ou acaba-se a publicidade. Há uns anos, passou-se o mesmo com o concorrente do Jornal de Matosinhos, que, por mera coincidência, traz uma entrevista do presidente Guilherme Pinto a apelar à união dos socialista.

Exemplo de resistência espiritual

O líder espiritual dos tibetanos, o Dalai Lama, anunciou que poderá retirar-se do lugar se a situação no Tibete piorar.

segunda-feira, março 17, 2008

Hoje não me apetece

Hoje não me apetece falar sobre como foi possível encaixar 10.000 pessoas onde cabem 3.000, sobre as fotos que (não) se viram do que foi o comício do Governo, sobre a confusão do PSD.

Hoje, não. Estou um bocado nostálgico e um comentário do Miguel, ali em baixo, para além de uma conversa no msn com o Toninho Barroso, fez-me ter saudades do falecido O Comércio do Porto.

Quando entrei naquele edifício da Rua Fernandes Tomás, rumo ao sexto andar, não fazia ideia do que iria encontrar. Sei, apenas, que quem lá estava ia encontrar um puto de 17 anos, com cabelo comprido e calças rasgadas e cheio de vontade de fazer coisas.

Fui para a secção do desporto, uma secção à parte, por ser um caderno à parte. Lá, encontrei pessoas fantásticas que ainda hoje guardo comigo, mesmo não falando há anos com algumas delas.

Hoje ainda sei a disposição da sala e de quem lá estava.

O Barroso, mestre da sabedoria, revisionista e ex-ranger de Lamego que nunca o foi, era o gajo com mais cd's e dvd's, não só do desporto, mas de toda a redacção, estava junto à janela, com um rádio semi-morto para ouvir a Bola Branca e, de vez em quando, a Born Slippy, dos Underworld.

Mesmo ao lado, o Horta. À frente do Horta, o Pedro Couto ou a MJ Leite, mesmo ao lado do Miguel, que se sentava de costa para a Olga - mas não por motivos pessoais, acho. À direita da Olga, e num papel de quase patriarca e de mestre de sabedoria futebolística, estava o enciclopédico sr. Miranda - o único sr. de toda a redacção. Nunca, mas mesmo nunca, vi alguém saber tanto sobre tudo - à excepção do Barroso, claro.

À direita do Miranda estava o Vaz Mendes, diante da Patrícia, que, por sua vez, ficava ao lado do Catarino ou da Sónia CS.

Naquele espaço minúsculo, no computador do Vaz Mendes, escrevi um primeiro texto sobre os locais de diversão nocturna que estariam abertos na noite de 24 para 25 de Dezembro. Adorei.

Depois, naquele Mundo novo, o petit-communiste - eu próprio - foi transferido para a secretaria da redacção e, depois, para a agenda. Basicamente, fui um estafeta. Para onde não ia ninguém, ia eu. E isso permitiu-me conhecer o trabalho de um jornal desde o nascimento da edição até à morte, no dia seguinte.

Fora do desporto, o Carlos PS, o Soares, as Susanas, as Cidálias, a Fátima, o Ferreira, o Neves, o Bessa, a Mónica, a Manela, o Vinhas, o Maurício, a Ana CG, a Natália, a Patrícia, a Dora, o Pipa, o Reisinho; nas fotos, o meu homónimo e o Jorga; na paginação a Mónica e muitos outros, que fizeram daqueles dois anos talvez dos melhores que alguma vez tive.

E, hoje, tenho saudades deles todos, mesmo dos que não nomeei.

domingo, março 16, 2008

Carta que seria para a minha mãe se ela estivesse muito longe, o que não é o caso

Querida mãe,

Escrevo-te para te contar como estão as coisas por aqui. Hoje houve grande festa aqui no Porto, milhares e milhares e milhares de pessoas encheram o Pavilhão do Académico para apoiar o nosso Primeiro.

Sim, eu sei que não é como o Pavilhão Atlântico, que a malta comuna encheu no ano das presidenciais e ainda ficaram mais uns 10.000 de fora. Pois, no Atlântico não havia o palco montado no centro nem zonas vedadas por causa de ecrãs gigantes.

Mas foi uma festa linda, esta aqui no Porto. Havias de ver! Avenidas cheias, quase como naquela manif da CGTP que juntou mais de 200.000 pessoas, mas de que ninguém parece lembrar-se. Ou daquela que juntou umas 50.000, há duas semanas. Bonito de se ver.

Sabes, mãe, o pessoal do Partido Socialista é o mais democrático de todos. Tão democrático que, para poderem estar presentes neste comício, foram seleccionados pelas concelhias para serem contactados. Dizem por aí as más línguas que houve gente que foi vetada.

De manhã os jornais vão ter primeiras páginas lindas, cheias de rosas e assim.

Depois vou guardá-las para te mostrar.

Teu,
RMS