segunda-feira, maio 19, 2008

2.ª feira

Que pena que o JPM deixou esta discussão a meio.

Um exemplo: Sic Notícias, jornal das 14h:

Pivô: "Os funcionários queixam-se da perda de regalias."
Abertura da peça, trabalhador: "Retiraram-nos vários direitos"

quinta-feira, maio 15, 2008

História - Paguemos

Graças à pesquisa da vasta equipa que mantém este blog, aqui fica, porque as políticas têm nomes:



Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003


Número 3016.o


SUPLEMENTO


I B S É R I E


Sumário301B


Sup


66.o SUPLEMENTO SUMÁRIO


Ministérios das Finanças e da Economia


Portaria n.o 1423-F/2003:Liberaliza os preços de venda ao público da gasolina sem chumbo IO 95, do gasóleo rodoviário e do gasóleo colorido e marcado.


Revoga a Portaria n.o 1226-A/2001, de 24 de Outubro . . . 8778-(744)8778-(744) DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-B N.o 301 — 31 de Dezembro de 2003


MINISTÉRIOS DAS FINANÇAS E DA ECONOMIA


Portaria n.o 1423-F/2003de 31 de Dezembro


Os preços dos combustíveis gasolina sem chumbo IO 95, gasóleo rodoviário e gasóleo colorido e marcado têm estado sujeitos a um regime de preços máximos de venda. Apesar de esses preços variarem essencialmente em função dos custos do petróleo, dos limites do imposto (ISP) e haver liberdade de fixação de preços abaixo do limite máximo, tem-se verificado que esse limite tem funcionado como preço de referência, adoptado pela generalidade dos revendedores. Essa prática conduz aos efeitos que um regime de preços administrativos teria, com a consequente ausência de desejável concorrência e dos benefícios para os consumidores. Seguindo a linha programática do Governo, considera-se oportuno que a política de preços da energia,e em particular dos combustíveis, assuma um carácter cada vez mais liberalizador, a exemplo do que já ocorreu nos outros Estados membros da União Europeia.


Assim, a gasolina sem chumbo 95, o gasóleo rodoviário e o gasóleo colorido e marcado deixam de estar sujeitos ao regime de preços máximos de venda ao público, favorecendo a concorrência no sector. Associada à liberalização deve estar uma adequada monitorização e disponibilização de informação à Administração Pública, por forma a garantir uma concorrência efectiva, assumindo neste quadro um papel de relevo a Autoridade da Concorrência.


Assim: Ao abrigo do disposto no artigo 17.o do Decreto-Lei n.o 329-A/74, de 10 de Julho, no artigo 1.o do Decreto-Lei n.o 75-Q/77, de 28 de Fevereiro, e no n.o 2 do artigo 77.o do Código dos Impostos Especiais de Consumo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 566/99, de 22 de Dezembro: Manda o Governo, pelos Ministros das Finanças e da Economia, o seguinte:


1.o Os preços de venda ao público da gasolina sem chumbo IO 95, do gasóleo rodoviário e do gasóleo colorido e marcado deixam de estar sujeitos ao regime de preços máximos de venda ao público.


2.o Os operadores ficam obrigados a comunicar à Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE) semanalmente, até às 12 horas de cada sexta-feira, o preço médio semanal de venda praticado para cada produto, por concelho, por posto e por tipo de posto. Deverão também ser comunicadas à DGGE as vendas anuais desses produtos, por concelho, por posto e por tipo de posto.


3.o Caso haja indícios ou suspeita de comportamento anticoncorrencial ou de abuso de poder de mercado por parte dos agentes (revendedores ou distribuidores),a DGGE deverá comunicá-los à Autoridade da Concorrência, fornecendo toda a informação que for solicitada.


4.o Fica revogada a Portaria n.o 1226-A/2001, de 24de Outubro.5.o Esta portaria entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2004.Em 18 de Dezembro de 2003.


A Ministra de Estado e das Finanças, Maria Manuela Dias Ferreira Leite. — O Ministro da Economia, Carlos Manuel Tavares da Silva.

Quem tiver tomates...

... que diga que isto está desactualizado:

«O operário tornou-se uma mercadoria e é uma sorte para ele quando consegue encontrar quem a compre.»
K. Marx, Manuscritos Económico-Filosóficos de 1844

Mau augúrio

O primeiro-ministro vai deixar de fumar. No campo das hipóteses, isso aumenta a sua esperança média de vida...

Post it: Não me faz grande diferença se o primeiro-ministro fuma ou deixa de fumar. O que realmente me interessa saber é de quanto será a multa que vai pagar, juntamente com todos os outros que fumaram, ou se o facto de alegar desconhecimento da lei basta para que não sofra qualquer coima.

quarta-feira, maio 14, 2008

Carta a José Sócrates

Caro Zé de Sousa:

Espero que esteja tudo bem contigo e com os teus aí na Venezuela. Por cá estamos todos bem, embora três cêntimos por litro mais pobres.

O que me descansa é que estás aí para tratar de coisas do petróleo e assim e até levaste contigo o presidente de Galp, que acha normal os preços terem aumentado 15 vezes em 134 dias. Mas não é isto que me leva a escrever-te.

Escrevo-te porque estou solidário contigo e com o Pinho, em relação ao facto de terem fumado no avião. Eu percebo, é um avião fretado e isto da Lei do Tabaco é realmente uma seca. Além do mais, um responsável da TAP já veio dizer que é comum fumar-se neste tipo de voos. Por isso, estou solidário.

Eu próprio tenho uma multa para pagar passada pela Polícia Municipal da Póvoa de Varzim, mas não o vou fazer, porque é comum e habitual estacionar naquele local. Espero que, quando começarem a vir as notificações para pagar juros e mais um monte de coisas, possa dar este teu exemplo e que sejas tão compreensivo e solidário comigo como estou a ser contigo.

Estou certo que o serás.

Teu,
RMS

segunda-feira, maio 12, 2008

Exigências

As forças de segurança têm estado, nos últimos dias, em grande destaque e não pelos melhores motivos.

De cada vez que cai um tecto, os carros não andam, há falta de pessoal, faltam os meios; enfim, faltam as condições necessárias para o desempenho da missão, vêm o MAI ou os responsáveis máximos da PSP e da GNR desculpar o indesculpável.

O MAI pretende uma cultura de excelência nas forças de segurança e, para isso, definiu como escolaridade mínima o 11.º ano para quem pretende ingressar nos concursos, uniformizando os critérios entre a PSP e a GNR.

Pelo menos, era assim a 3 de Dezembro de 2007, quando o ministro da Administração Interna referia o seguinte:

"Por outro lado, foi fixado o 11º ano de escolaridade como requisito de admissão ao curso de formação de guardas, garantindo a equivalência deste curso ao 12º ano de escolaridade. Esta medida constituirá, sem dúvida, um factor importante para a melhoria da qualificação dos militares da Guarda". Ver aqui o texto completo.

No entanto, segundo o site da GNR, de acordo com o Diário da República de 6 de Maio de 2008, a exigência diminuiu, sendo apenas necessário o 9.º ano para concorrer a Praça, como pode ler-se no Aviso n.º 13803/2008 do Comando-Geral da GNR, alínea g do ponto 7: "Ter como habilitações mínimas o 9.º ano de escolaridade ou equivalente". Ver aqui o texto completo.

Alguém sabe explicar a mudança de critérios?

sexta-feira, maio 09, 2008

Censura

Afinal, há motivos para censurar o Governo e foi o próprio José Sócrates quem o admitiu.

Sabemos todos que há e o motivo da moção de censura é um deles. No entanto, uma vez que o Primeiro-Ministro disse haver motivos, mas não disse quais, proponho o seguinte:

Apresentação de 14 moções de censura específicas:

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas [MADRP]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros [MNE]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações [MOPTC]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério das Finanças e da Administração Pública [MFAP]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social [MTSS]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Defesa Nacional [MDN]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Saúde [MS]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Administração Interna [MAI]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Educação [ME]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Justiça [MJ]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior [MCTES]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional [MAOTDR]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Cultura [MC]

Contra as políticas seguidas pelo Ministério da Economia e da Inovação [MEI]

Desta forma, não há hipótese de errar no tema ou no assunto.

PS (a sigla): Aguardo ansiosamente a reacção, como sempre inflamada, vinda daqui. Só gostava que, por uma vez, o TBR se centrasse no que é o PCP e não naquilo que o TBR gostava que o PCP fosse.

quarta-feira, maio 07, 2008

(In)Segurança Interna

Ontem, no Opinião Pública da Sic, por entre alguns disparates, como a defesa da centralização da investigação criminal na PJ, Inês Serra Lopes disse uma coisa importante e que parece passar ao lado de quase toda a gente:

As medidas anunciadas pelo Governo, através do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Justiça, são as mesmas há anos. Os 150 novos inspectores da PJ são os mesmos que há dois anos são anunciados, da mesma forma que os 4.000 novos elementos da PSP e da GNR incluem os 2.000 que estão já ao serviço e terminaram o curso em 2007. Os outros 2.000 entrarão em funções no final de 2009, já depois do final desta legislatura.

A título de exemplo, no site do MAI é avançado o seguinte em relação às novas armas, que o MAI continua a anunciar:
"Calendarização: 9 750 armas até 30 de Novembro de 2007; 7 000 a 9 000 em 2008, 2009 e 2010 e o restante em Junho de 2011 (para perfazer o total de 42 000 armas). Em 2012, o Estado pode adquirir até mais 8 000 armas".

Até hoje, as novas Glock ainda não chegaram à PSP.

No que diz respeito aos milhões (68) anunciados pelo MAI para investimento em novas instalações, inscritos na Lei de Programação de Instalações e Equipamentos das Forças de Segurança, convém recordar que, segundo o ponto 2 do Artigo 6.º, o investimento será efectuado à custa da venda do património das Forças de Segurança, ou de parcerias com outros organismos e instituições.

Daqui, podemos esperar protocolos com Juntas de Freguesia e a CP, como de resto sucedeu em Rio Tinto, em que a nova esquadra de investigação criminal ficou alojada no edifício da antiga estação ferroviária, tendo os profissionais da PSP de interromper o trabalho de cada vez que passa um comboio. Ou aberrações como a inauguração de esquadras de atendimento em contentores, como aconteceu em Leça da Palmeira, com a presença do próprio ministro. Ou como a abertura da esquadra de Corroios numa rulote.

No que diz respeito aos acontecimentos dos últimos dias, com a invasão da esquadra de Moscavide, importa referir, para além da evidente descoordenação entre a Direcção Nacional da PSP e o MAI, que é um facto que há várias esquadras que trabalham apenas com um elemento, quer seja noite ou dia. Esta foi uma situação que se agravou com a reestruturação das áreas afectas à PSP e à GNR e com a centralização de meios em algumas "super-esquadras", dispersando depois elementos pelas diversas esquadras de entendimento.

Ainda sobre os muitos milhões que o MAI diz ter destinado às forças de segurança, era importante, se calhar, tirar dessa verba gigantesca uns 20 ou 30 euros e comprar coletes reflectores para um comando de polícia do país, em que são os próprios agentes que os compram, uma vez que a instituição não os fornece. Digo eu...

segunda-feira, maio 05, 2008

E muito tempo depois...

Peço que não façam piadas fáceis com a Queima das Fitas e o incêndio na Reitoria da Universidade do Porto...

quinta-feira, abril 24, 2008

Estamos todos muito preocupados com a Fernada Câncio que até nos esquecemos do resto

"Segundo o Público de sábado, o Conselho de Redacção da Lusa considera que houve no tratamento deste caso atitudes «pouco consentâneas com a obrigação de isenção, objectividade e independência» da agência. Refira-se que o Conselho de Redacção é a entidade que os jornalistas têm o direito de eleger em todos órgãos de informação, com um importante conjunto de competências no âmbito deontológico e disciplinar, através do qual os jornalistas participam na orientação editorial. O Conselho de Redacção é obrigatoriamente presidido pelo director do órgão. O Público teve acesso a uma acta do Conselho de Redacção em que os cinco jornalistas eleitos referem a sua estranheza por, no período em que se discutia o tal caso dos projectos da Guarda, a Lusa ter noticiado «um parecer do jurista Paulo Otero, trazido em mão à Lusa por um assessor do primeiro-ministro e entregue ao director de informação, sem se ouvirem outros juristas nesta matéria".

Artigo completo.

Tiros

Francos-atiradores são uma espécie de atiradores sinceros?

sexta-feira, abril 18, 2008

bis

Pelo que consta, parece que vale a pena recordar o que escrevi a 26 de Dezembro de 2007 e lamentar que não me enganei mesmo:

"Um post com conteúdo sobre conteúdos"

O jornal O Jogo vai passar a produzir conteúdos para outros jornais da Controlinveste.

Nota prévia: O Jogo não produz conteúdos. Os jornalistas d'O Jogo produzem os conteúdos d'O Jogo. Se a lógica ainda imperasse, o justo seria dizer que os jornalistas d'O Jogo vão ceder, obrigatoriamente, o produto do seu trabalho a outras sub-empreitadas do grupo Controlinveste.

Está aqui a primeira consequência flagrante do novo Estatuto do Jornalista. Deixa de haver direitos de autor e passa a haver direitos de quem contrata o trabalho do autor.Segundo a notícia, este intercâmbio (?) vai ocorrer já no euro2008. É o primeiro passo. Depois, virão outras provas e eventos e vamos passar a ter uma espécie de mini O Jogo dentro do DN, do JN, do 24horas e, quem sabe, vamos começar a poder ouvir O Jogo, o DN, o JN e o 24horas na TSF.

Isto, até podermos ver O Jogo, o DN, o JN, o 24horas e a TSF num canal de tv que o grupo pretende lançar.Com esta "racionalização de meios" - que expressão tão na moda -, o que vai acontecer aos jornalistas "excedentários"? E aos recém-licenciados?

Como é possível ser o Manuel Tavares, jornalista antes de ser director d'O Jogo, a justificar esta medida?


O Capital, Karl Marx, Volume I, Secção 2:

O Processo de Produção de Mais Valia

"O produto, de propriedade do capitalista, é um valor-de-uso, fios, calçados etc. Mas, embora calçados sejam úteis à marcha da sociedade e nosso capitalista seja um decidido progressista, não fabrica sapatos por paixão aos sapatos. Na produção de mercadorias, nosso capitalista não é movido por puro amor aos valores-de-uso. Produz valores-de-uso apenas por serem e enquanto forem substrato material, detentores de valor-de-troca. Tem dois objectivos. Primeiro, quer produzir um valor-de-uso, que tenha um valor-de-troca, um artigo destinado à venda, uma mercadoria. E segundo, quer produzir uma mercadoria de valor mais elevado que o valor conjunto das mercadorias necessárias para produzi-la, isto é, a soma dos valores dos meios de produção e força de trabalho, pelos quais antecipou seu bom dinheiro no mercado. Além de um valor-de-uso quer produzir mercadoria, além de valor-de-uso, valor, e não só valor, mas também valor excedente (mais-valia)".

Ao contrário dos capitalistas - ou grupos económicos, chamem como quiserem -, a generalidade dos jornalistas faz sapatos por paixão aos sapatos. O novo Estatuto do Jornalista é o fim formal do Jornalista enquanto detentor da propriedade intelectual do que cria, para ser um sapateiro ao serviço dos grandes grupos económicos.

quinta-feira, abril 17, 2008

Mesmo.

Mas vale a pena reproduzir este texto desta edição do Avante!, em torno de um tema que animou a blogosfera durante algum tempo.

"Na Venezuela, a Comissão Nacional de Telecomunicações decidiu recomendar que a série de desenhos animados «Os Simpson» não fosse passada em horário infantil (como não o é na maioria dos países do mundo, incluindo o nosso). O Canal – privado – acatou a decisão, e colocou no horário antes ocupado pelos Simpson a série «Marés Vivas»".

Artigo completo: http://www.avante.pt/noticia.asp?id=24219&area=25

terça-feira, abril 15, 2008

Ah, como é bela a esquerda "moderna", "renovada" e "renovadora"

Itália/Eleições: Esquerda italiana sem representação parlamentar pela primeira vez

A coligação Esquerda Arco-Íris, que agrupa a Refundação Comunista (PRC), Comunistas de Itália (PCI), a corrente socialista Esquerda Democrática (SD) e os Verdes, não conseguiu alcançar o número mínimo para obter representação em nenhuma das Câmaras.

As explicações para a derrota da esquerda são tão variadas como as personalidades políticas que existem no país.
Enquanto o líder do PCI, Oliviero Diliberto, explicou pelo desaparecimento no símbolo da coligação da foice e do martelo, tradicionais símbolos do comunismo, o até agora porta-voz dos Verdes no Congresso, Angelo Bonelli, adiantou que não se soube comunicar bem a proposta política.

Notícia completa aqui.

sexta-feira, abril 11, 2008

Por ser p'ra ti, eu uso um eufemismo

"A crise... Perdão... Os impactos mediáticos causados pela crise internacional"*

Ficámos a saber que não é bem crise, é mais um impacto mediático.


*José Sócrates, depois do debate quinzenal na AR.

quinta-feira, abril 10, 2008

Ponte que os pariu

O responsável político pela queda de uma ponte vai agora para CEO de uma empresa de construção civil, que poderá muito bem construir...

Adivinhem lá...

Uma nova ponte!

quarta-feira, abril 09, 2008

Primavera morna

O tornado empurrou isto das aberturas, títulos, leads, chamadas.

Mas nós não esquecemos:

Cerca das 6 horas da manhã de hoje, foram chamados os bombeiros por se ter declarado fogo no Centro de Trabalho do PCP de Oliveira do Douro. As chamas acabaram por destruir completamente o Centro de Trabalho, que ocupava o rés-do-chão e cave do edifício.A PSP e a Polícia Judiciária estiveram no local para investigar as causas da ocorrência.

Estando excluída a possibilidade de um curto-circuito, todos os indícios apontam para que a responsabilidade do incêndio caiba a quem se introduziu de noite no Centro de Trabalho tendo para tal forçado a porta de entrada, conforme verificaram os bombeiros.

A Comissão Concelhia do PCP condena este acto criminoso, e diligenciará junto das autoridades competentes no sentido da identificação e responsabilização dos seus autores, assim como tomará as medidas necessárias para que a actividade política seja afectada no menor grau possível, e continue o reforço da organização e a crescente intervenção do Partido em Oliveira do Douro e no Concelho de Vila Nova de Gaia.

A Comissão Concelhia agradece as mensagens de apoio e solidariedade que tem recebido de militantes e amigos neste momento difícil.

Com os nossos cumprimentos, a Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia do PCP,Vila Nova de Gaia, 9 de Abril de 2008

segunda-feira, abril 07, 2008

Olá

Voltei cansado.

O ministro Mário Lino está longe - no Luxemburgo e não só - não só no Luxemburgo - não só, porque está acompanhado.

Não vai aguentar duas horas.

sexta-feira, março 28, 2008

Expresso rosa, mas não Rosa

Caro camarada

A Autoridade da Concorrência divulgou no dia 25.3.2008 uma informação, que depois foi também divulgada pelos órgãos de informação, de que os preços dos combustíveis têm aumentado em Portugal mais do que em muitos países da União Europeia.

No entanto, nada tem feito para por cobro a uma situação a que uma associação patronal do sector já classificou como especulativa. O aumento frequente dos preços dos combustíveis, maior do que nos países daU.E., que se tem verificado no nosso País perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do governo e daquela autoridade, está, por um lado, a permitir que as petrolíferas acumulem elevados lucros e, por outro lado, a agravar as condições de vida nomeadamente dos trabalhadores, já que determinam o aumento generalizado dos preços de muitos bens e serviços, de que são exemplo os transportes.

Esta situação não tem qualquer justificação pois, como provo no estudo que envio, o preço do barril de petróleo tem aumentado muito menos do que os preços dos combustíveis, não podendo o aumento do preço do petróleo ser utilizado, como fazem as petrolíferas, como justificação para aumentar os preços da forma como têm feito em Portugal.


Espero que este estudo possa ser útil
Com consideração
Eugénio Rosa
Economista

NOTA: Alguns leitores destes estudos têm-me perguntado se os podem divulgar pelos amigos e conhecidos. A resposta é naturalmente afirmativa, pois o objectivo fundamental da sua elaboração é precisamente isso: que possam ser úteis ao maior numero de portugueses, não como verdades feitas, mas como contributos para a criação de um pensamento económico alternativo ao pensamento económico de cariz neoliberal dominante.

E isto só pode ser conseguido com a participação activa de muitos, uns elaborando, outros divulgando, mas todos lendo e criticando. E isto porque o controlo dos grandes órgãos de informação pelo poder económico e politico é cada vez maior e mais visível. Dou um exemplo que aconteceu recentemente comigo.

Numa conversa "amável" que tive com o dr. Nicolau dos Santos, que é o responsável da página de Economia do Expresso, em que critiquei este semanário por estar totalmente dominado pelo pensamento económico neoliberal e ser cada vez um porta-voz dos interesses dos grandes grupos económicos e das suas rivalidades, ele respondeu-me que se enviasse um pequeno artigo por mês no máximo com 3000 caracteres que o publicaria.

O primeiro com o título "Um olhar diferente sobre o Orçamento do Estado de 2008" passou na censura do jornal, mas o 2º com o título "O Programa de Estabilidade e Crescimento 2007-2011, ou a negação da ciência económica" já não passou e nunca foi publicado.

quinta-feira, março 27, 2008

Sobre a violência...

... no Tibete, vale a pena passar por aqui.

No entanto, quando se critica o PCP por motivos alheios à situação nacional, convém passar por aqui e dar uma vista de olhos, nem que seja ao de leve, pela Resolução Política aprovada no XVII Congresso do PCP, de onde passo a transcrever:

"Embora com graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos, R. D. P. da Coreia. Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar, independentemente das diferenças que existem em relação à nossa concepção programática de sociedade socialista a que aspiramos para Portugal, e de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio, que nos suscitam".


Mas percebe-se. Quando a nível interno falta matéria para criticar o PCP - e é preciso arranjá-la a todo o custo, porque vem aí mais um Congresso -, devido ao forte dinamismo social e político do partido, há que procurar outros assuntos para distorcer a realidade que se nos apresenta distorcida.

Post it: E, já agora, que pena que a moção sobre a condenação da guerra no Iraque tenha passado ao lado de quase toda a gente, ao que parece, porque o PS queria incluir um parágrafo sobre forças de segurança portuguesa lá estacionadas. Por coincidência, num dia em que estavam elementos da PSP nas galerias da AR, a exigir o direito à greve que, por acaso, o PS recusou.


Post it 2: Já agora, sobre a repressão chinesa e sobre o que está escrito no segundo parágrafo do post, fica aqui uma imagem retirada da galeria de fotos do Portugal Diário com a legenda "Protestos no Tibete", onde podemos ver os famosos turbantes utilizados pela polícia tradicional da China:

Foto Lusa

sábado, março 22, 2008

Sentença

Surpreendentemente, o Daniel Oliveira, já sentenciou que o caso da professora do Carolina é um exemplo de falta de vocação da docente. O que surpreende não é o acto desculpabilizar a aluna, vindo de um determinado sector da esquerda que abomina a autoridade. O que surpreende, mesmo, é achar que alguém não tem vocação porque tem uma aluna que transpira imbecilidade.

É certo que o ambiente social de algumas escolas, bem como o ambiente familiar, são propícios a algumas situações de confronto, quando os alunos são confrontados com um tipo de autoridade que desconhecem dentro das paredes de casa.

Eu também defendo que o contexto social influencia fortemente a personalidade de quem quer que seja. No entanto, o que se passou naquela sala de aula vai muito além de um contexto social particular. Foi um acto de desrespeito brutal com quem tem o dever de ensinar, caucionado por toda uma turma que assistiu a tudo.

Não conheço o contexto social de toda a turma, mas acredito que o Daniel também não.

Como estudante, as imagens que vi repugnaram-me, mas não me surpreenderam. Quando estudava no secundário - e não foi assim há muito tempo - qualquer coisa deste género era impensável.

Hoje, são situações recorrentes. Tenho um familiar bem próximo que trabalha numa escola, como auxiliar de acção educativa, e o ambiente nos estabelecimentos de ensino é de cortar à faca. As reformas educativas recolocaram nas escolas alunos que estão lá apenas a passar o tempo - já que não podem ser reprovados, vão saltando de escola em escola -, onde se misturam crianças com 12 e 13 anos com outros de 18, que frequentam o ensino profissionalizante.

Obviamente, as generalizações caem sempre no erro. Mas o sentimento de impunidade atravessa todos os sectores da sociedade e as escolas não fogem à regra.

Na situação concreta, o Daniel avança com uma não-solução brilhante: "Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa". Pois... "Qualquer coisa". É precisamente no "Qualquer coisa" que está o segredo. Ninguém sabe o que fazer mais nestes casos. Não sei se o bloquista achará que os auxiliares de educação educativa têm outro tipo de autoridade perante estes alunos. Se acha, está enganado. Hoje, não têm.

Que o público-alvo do Bloco está nos jovens urbanos, todos sabemos, mas o princípio eleitoralista não é próprio de alguém que se diz de esquerda. Ao populismo da direita, estamos todos habituados, com o seu expoente máximo no Parlamento: o Paulinho das amêndoas; mas da esquerda espera-se outra seriedade e outros princípios que, manifestamente, o Daniel não tem.

quinta-feira, março 20, 2008

Ah! Como era bom ter um líder espiritual nestas alturas!

EUA reprimem manifestantes

200 detidos por protestar contra a guerra no Iraque

Mais de 200 pessoas foram hoje presas nos EUA durante os protestos contra a guerra no Iraque.

URAP

Depois de Santos Siva, chegou a vez de Marcelo Rebelo de Sousa revelar-se um combatente anti-fascista.

Ao que parece, a PIDE seguia-o desde os 3 anos e 4 meses, por comportamento subversivo. Não bebia o leite, berrava muito e tinha a mania de cerrar os punhos.

Sobre isto, o Vítor Dias diz quase tudo, e o que fica por dizer, certamente que não é a ele que compete esclarecer.

quarta-feira, março 19, 2008

MyDay

Eu gostava mesmo que, um dia, a B. visse em mim um décimo do que eu vejo no meu pai.

Hoje, como todos os dias, o meu dia é dela.

terça-feira, março 18, 2008

Ainda é notícia?

"Desapareceram 200 fichas de militantes"

"Isaías Nora indignado contra a situação que se vive no interior do PS de Matosinhos"

"Candidato à Secção revoltado contra ditadura, ambiente pidesco que se respira entre nós e o salazarismo que aposta na decapitação do JM – que é independente e cumpridor – para retirar da “fossa” concorrente transgressor. No protagonismo de ataque à Liberdade e aos Direitos do Homem, o Comandante-Chefe das Operações é o presidente da Câmara Guilherme Manuel Lopes Pinto".

...

E a pré-campanha por Narciso:

"As acusações estendem-se, igualmente, à Câmara Municipal. Lembra que quando Narciso Miran-da foi autarca, era considerado o «presidente do povo», porque abriu a Câmara aos cidadãos que perderam «o receio de falar com um intelectual que era o presidente, e passaram a comunicar aberta-mente".

...

E a transparência, claro:

"O candidato à Secção adverte que «há uma empresa, administrada por uma pessoa do PSD, que paga as quotas de militantes do PS inscritos por António Parada".

...

E tudo desinteressadamente, em prol da verdade:

"Relativamente aos problemas que o JM enfrenta, com o corte da publicidade, da situação da Avenida Joaquim Neves dos Santos, Isaías Nora considera que o que «está a acontecer com o jornal é um corte da liberdade".

Sempre foi assim, na margem sul do Rio Leça. Dois jornais, uma rádio. Ou alinham, ou acaba-se a publicidade. Há uns anos, passou-se o mesmo com o concorrente do Jornal de Matosinhos, que, por mera coincidência, traz uma entrevista do presidente Guilherme Pinto a apelar à união dos socialista.

Exemplo de resistência espiritual

O líder espiritual dos tibetanos, o Dalai Lama, anunciou que poderá retirar-se do lugar se a situação no Tibete piorar.

segunda-feira, março 17, 2008

Hoje não me apetece

Hoje não me apetece falar sobre como foi possível encaixar 10.000 pessoas onde cabem 3.000, sobre as fotos que (não) se viram do que foi o comício do Governo, sobre a confusão do PSD.

Hoje, não. Estou um bocado nostálgico e um comentário do Miguel, ali em baixo, para além de uma conversa no msn com o Toninho Barroso, fez-me ter saudades do falecido O Comércio do Porto.

Quando entrei naquele edifício da Rua Fernandes Tomás, rumo ao sexto andar, não fazia ideia do que iria encontrar. Sei, apenas, que quem lá estava ia encontrar um puto de 17 anos, com cabelo comprido e calças rasgadas e cheio de vontade de fazer coisas.

Fui para a secção do desporto, uma secção à parte, por ser um caderno à parte. Lá, encontrei pessoas fantásticas que ainda hoje guardo comigo, mesmo não falando há anos com algumas delas.

Hoje ainda sei a disposição da sala e de quem lá estava.

O Barroso, mestre da sabedoria, revisionista e ex-ranger de Lamego que nunca o foi, era o gajo com mais cd's e dvd's, não só do desporto, mas de toda a redacção, estava junto à janela, com um rádio semi-morto para ouvir a Bola Branca e, de vez em quando, a Born Slippy, dos Underworld.

Mesmo ao lado, o Horta. À frente do Horta, o Pedro Couto ou a MJ Leite, mesmo ao lado do Miguel, que se sentava de costa para a Olga - mas não por motivos pessoais, acho. À direita da Olga, e num papel de quase patriarca e de mestre de sabedoria futebolística, estava o enciclopédico sr. Miranda - o único sr. de toda a redacção. Nunca, mas mesmo nunca, vi alguém saber tanto sobre tudo - à excepção do Barroso, claro.

À direita do Miranda estava o Vaz Mendes, diante da Patrícia, que, por sua vez, ficava ao lado do Catarino ou da Sónia CS.

Naquele espaço minúsculo, no computador do Vaz Mendes, escrevi um primeiro texto sobre os locais de diversão nocturna que estariam abertos na noite de 24 para 25 de Dezembro. Adorei.

Depois, naquele Mundo novo, o petit-communiste - eu próprio - foi transferido para a secretaria da redacção e, depois, para a agenda. Basicamente, fui um estafeta. Para onde não ia ninguém, ia eu. E isso permitiu-me conhecer o trabalho de um jornal desde o nascimento da edição até à morte, no dia seguinte.

Fora do desporto, o Carlos PS, o Soares, as Susanas, as Cidálias, a Fátima, o Ferreira, o Neves, o Bessa, a Mónica, a Manela, o Vinhas, o Maurício, a Ana CG, a Natália, a Patrícia, a Dora, o Pipa, o Reisinho; nas fotos, o meu homónimo e o Jorga; na paginação a Mónica e muitos outros, que fizeram daqueles dois anos talvez dos melhores que alguma vez tive.

E, hoje, tenho saudades deles todos, mesmo dos que não nomeei.

domingo, março 16, 2008

Carta que seria para a minha mãe se ela estivesse muito longe, o que não é o caso

Querida mãe,

Escrevo-te para te contar como estão as coisas por aqui. Hoje houve grande festa aqui no Porto, milhares e milhares e milhares de pessoas encheram o Pavilhão do Académico para apoiar o nosso Primeiro.

Sim, eu sei que não é como o Pavilhão Atlântico, que a malta comuna encheu no ano das presidenciais e ainda ficaram mais uns 10.000 de fora. Pois, no Atlântico não havia o palco montado no centro nem zonas vedadas por causa de ecrãs gigantes.

Mas foi uma festa linda, esta aqui no Porto. Havias de ver! Avenidas cheias, quase como naquela manif da CGTP que juntou mais de 200.000 pessoas, mas de que ninguém parece lembrar-se. Ou daquela que juntou umas 50.000, há duas semanas. Bonito de se ver.

Sabes, mãe, o pessoal do Partido Socialista é o mais democrático de todos. Tão democrático que, para poderem estar presentes neste comício, foram seleccionados pelas concelhias para serem contactados. Dizem por aí as más línguas que houve gente que foi vetada.

De manhã os jornais vão ter primeiras páginas lindas, cheias de rosas e assim.

Depois vou guardá-las para te mostrar.

Teu,
RMS

sexta-feira, março 14, 2008

Alió?

- Alió? Compañero! Comistás?

- ....

- Si, soy José...

-...

No, no no soy Aznar... Soy Socrátes, hombre!

-...

- Mira muchacho, muchas felicitaciones. Estiamos muy felices con tu triunfo.

-...

- Sy, sy, fiesta rijia! En el sábadio juntiamos en Lisbioia más de 100.000 persionas! Muy bonito, muy bonito.

-...

- Prióximio sábadio? Uno ajuntamiento de amiguios en Porto. Una fiesta muy guapa que vou a proporcioniar, soy un hiombrie muy generiosio, me dice mi madre.

-...

-Mira, necessitavia de caramielios de Badajioz, puedes me trazier-lios?

-...

- Ah, entiendo. Muchas felicitaciones. E no te esquiecias, Olivencia eres nuestria! Arriba muchacho! Muchas tapas para ti e pimentos de padron e otras cosas mas...

-....

- No, no te preocupies con los brasilierios, acá son ótimos dientistas!

Post it - Afinal, tive de contradizer o que disse aqui...

quinta-feira, março 13, 2008

Democracia, essa grande filha da puta

Uma das coisas fantásticas da democracia é eu poder fazer o que quiser dela, enquanto palavra ou enquanto conceito.

Não é propriedade de quem quer que seja e todos podemos usá-la. Com ou sem manifestações, com ou sem contestação. Sofremos, depois, as consequências dela. Inerente à sociedade democrática surge a responsabilidade individual. Em democracia, eu posso fazer o que bem entender, sujeito depois às respostas socialmente instituídas, sejam sociais ou judiciais.

Aqui no Porto, o insulto assume uma beleza democrática considerável. Qualquer gajo que não abrande num sinal de aproximação de estrada com prioridade é um filho da puta; se conduzir um topo de gama ainda melhor, porque é um chulo filho da puta, cujo pai é o tio.

Levamos tudo isto no melhor espírito democrático. Nuns dias são eles os filhos da puta, no dia seguinte sou eu. Acho que aqui ganhamos fígados para aguentar estas coisas.

Eu já insultei tantas vezes tanta gente, até a mim, que não há texto legível que aguente tanto palavrão e tantos destinatários. Mas também já fui insultado. Também insultei enquanto manifestante, mas também já fui insultado enquanto manifestante.

Também já insultei figuras públicas, desde políticos, artistas, actores, actrizes, futebolistas, escritores, comentadores, tudo. Mas mesmo tudo. E não me considero por isso menos democrata.

Pode ser difícil de perceber, mas, mesmo assim, tenho respeito pelas instituições e pelas pessoas. O insulto é quase uma interjeição, ainda mais numa manifestação, seja ela política, desportiva, tantas...

Adoro a democracia. Todos os que lutaram e lutam por ela, seja desde 1973 ou desde 1921, merecem o meu respeito, concorde ou não com eles.

Mas negar ao PCP e ao Álvaro Cunhal o seu papel na história da luta democrática é cuspir na memória de muitos milhares de pessoas, como seria negar o papel relevante de Mário Soares até 1974.

Daí em diante, as contas são outras. Mas, até lá, a liberdade foi construída por todos os Álvaros Cunhais e Mários Soares dos partidos e movimentos democráticos de trabalhadores, operários, camponeses, mineiros, militares, intelectuais.

É esta diversidade da liberdade democrática que me permite dizer as enormidades que quiser, assumindo as consequências delas.

É uma consequência democrática da própria democracia, essa grande filha da puta!

quarta-feira, março 12, 2008

Cancio(neiro) do costume

À falta de melhor, a insuspeita Fernanda Câncio analisa a entrevista de Jerónimo de Sousa à SIC tendo como ponto de partida uma suposta deficiência no português utilizado pelo Secretário-geral do PCP.

Confesso que, se aconteceu, escapou-me, e não é algo que costume acontecer. Mas até dou isso de barato.

Começa, depois, num rol de certezas quase científicas sobre a criminalidade, quando, na verdade, confunde os números. A criminalidade não desceu dez por cento. A criminalidade violenta desceu 10 por cento, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, de que o MAI foi divulgando, às pinguinhas, números para combater o sentimento de insegurança, embora a divulgação oficial esteja apenas prevista para 15 de Abril. De qualquer forma, se a autora se permitisse a tal, importava esclarecer que a criminalidade geral aumentou 2 por cento.

Sobre isto, passo a transcrever, ainda sobre a confusão dos dez por cento: "O ministro da Administração Interna afirmou que «a partir de 2003» houve «uma tendência de estabilização e mesmo de algum decréscimo» na criminalidade, embora reconheça que «entre 2000 e 2006 aumentou 8.8 por cento», aproximando-se do INE, que aponta 10 por cento", no Portugal Diário de 14 de Fevereiro de 2008.

Passamos depois ao "portanto", que a Fernanda Câncio considera ser palavra-tique pc. Sugiro desde já que o anti-fascista-libertário-ex-trotskista-ex-maoísta elabore um dicionário de boas práticas linguísticas para que possamos escolher quais as palavras comunas e as mais democráticas, devidamente caucionadas pelo PS.

O PCP foi pioneiro, como em muitas outras coisas, em defender o papel activo das mulheres na sociedade, por muito que lhe custe, e quando Jerónimo de Sousa diz que "uma trabalhadora que chega a casa para tratar dos filhos" é porque as coisas se passam, de facto, assim. Por muito que lhe custe e por muito que custe a todos nós. Por uma questão de demagogia retórica, a Fernanda Câncio preferia que fosse utilizado o masculino. São opções.

O incontornável Cunhal também surge no texto. E, por estranho que possa parecer, surge em todos os textos que a autora escreve, escreveu e escreverá. Pelo simples facto de os poder escrever.

Voltando ao português, transcrevo: "
Há precisamente 30 anos, ao entrar pela primeira vez no Palácio de São Bento, Jerónimo de Sousa não fazia a mínima ideia de "como era isso de ser deputado".

Quando o DN lhe propôs um regresso às memórias dessa época, o actual secretário-geral do PCP lembra a ruptura que se registou entre a velha Assembleia Nacional da ditadura e a Assembleia Constituinte que contribuiu decisivamente para firmar os alicerces do regime democrático.

"Vínhamos de uma assembleia fascista, com uma composição muito classista, onde um operário não tinha entrada."Nesse mês de Junho de 1975, o contraste não podia ser maior até o PPD e o CDS exibiam operários na sua bancada. Mas nenhum outro grupo parlamentar como o PCP tinha tantos "membros da classe trabalhadora", como se dizia na terminologia marxista, muito em uso na época.Um desses operários, oriundo de Alpiarça, era António Malaquias Abalada - um operário agrícola já idoso que mal sabia ler ou escrever. Ao fazer uma das suas primeiras intervenções no plenário, com um discurso escrito na mão, este deputado começou a ser alvo de chacota generalizada, bem perceptível em diversas bancadas da Constituinte. Um episódio que indignou Jerónimo de Sousa.

Três décadas volvidas, o dirigente máximo do PCP guarda todos pormenores da cena, que reconstitui com visível emoção."Aconteceu num dia em que se discutia uma norma transitória que o PS e o PPD acabaram por incluir na Constituição da República. Esta norma, na altura, permitiu a libertação de todos os pides. Esse meu camarada António Abalada, que tinha passado pelas masmorras da PIDE, fez então uma intervenção, naturalmente sentida. Mas lia de forma muito deficiente - gaguejante, soletrando mal as palavras. Então a Assembleia Constituinte desatou numas gargalhadas visivelmente humilhantes", recorda Jerónimo de Sousa.O que se passou então? O secretário-geral dos comunistas continua a lembrar o episódio "Então esse meu camarada largou o papel que tinha na mão e falou assim: 'Estão-se a rir de mim porquê? Por eu não saber ler? Pois: é que eu, aos sete anos, já andava a guardar gado; aos 17, fui preso pela PIDE. E quando fui preso não me perguntaram se eu era do CDS ou do PS ou do PPD. Perguntaram, isso sim, se eu era do Partido [Comunista Português]. E foram os meus camaradas intelectuais deste partido que me ensinaram as poucas letras que eu conheço'.

"Aquelas frases espontâneas, proferidas como reacção à deselegância dos restantes deputados, constituíram uma autêntica lição de vida. "A verdade é que o hemiciclo emudeceu. E o camarada Abalada lá continuou a ler - manifestamente mal, como já fizera anteriormente - a sua intervenção sobre a tal norma transitória", recorda Jerónimo de Sousa, também ele com raízes operárias.Mesmo com tantos anos decorridos, a emoção é visível na face do secretário-geral comunista ao desfiar esta memória dos seus tempos de deputado constituinte. "Aquele foi um dos momentos mais impressionantes que eu testemunhei no hemiciclo de São Bento, no sentido de classe. E foi também uma lição para a arrogância intelectual de muitos deputados", conclui Jerónimo de Sousa.

E, já agora, falando em bom português, parece que as maiúsculas ainda constam na nossa gramática...

Pensamento vazio

"Não perdemos tempo a pensar no que fizemos mal" - Vitalino Canas.

Ora, eu diria que também não tem muito tempo para perder quando pensa no que fizeram bem...

Hum...

... E nestes três anos, alguém ouviu falar do Ministério do Ambiente?

segunda-feira, março 10, 2008

Postas com atraso (IV)

A Sic Notícias, na ressaca da despedida de Camacho, conseguiu um belo exclusivo:

Falou com Jorge Máximo.

Quem é? Sócio do Benfica.

Postas com atraso (III)

A campanha do Correio da Manhã e da Sábado sobre Salazar:

"Nem bom, nem mau.
Incontornável".


Posto isto...


... Vão brincar com o digníssimo caralho!

Postas com atraso (II)

No sábado, Santos Silva perdeu a cabeça, o tino, o tento na língua, a noção histórica e a vergonha.

Postas com atraso

Quando...

...tem de ser Mário Lino a sair em defesa da ministra da Educação, está tudo dito sobre o estado do Governo.

sexta-feira, março 07, 2008

A/C Pedro Correia

Confesso que discordo, quase em 90 por cento, do que o Pedro Correia escreve no Corta Fitas. Mas não é por isso que deixo de gostar da forma como escreve e como analisa uma série de factos e acontecimentos de forma bem diferente da minha.

Por isso, deixo aqui uma fonte quase inesgotável de conteúdos para alguns posts dele - sem querer condicionar, obviamente - a escolha dos temas. São só e apenas sugestões.

Basta clicar aqui para ter acesso a uma série de editoriais interessantes do jornal Avante! na clandestinidade.

quinta-feira, março 06, 2008

Encher as medidas

No plano de acção do MAI de combate à criminalidade que está a diminuir, pergunto:

As 9.000 armas de que o ministro fala são as mesmas que deviam ter sido entregues até 30 de Novembro?

As Unidades Especiais de Polícia não são isso mesmo - unidades especiais - pelo que não devem ser usadas de forma recorrente no patrulhamento, correndo o risco de descaracterizar o propósito para que foram criadas?

Quando o ministro fala em geo-referenciação, está a referir-se ao programa Táxi Seguro, que nem todos os taxistas têm porque são eles próprios a comprar o dispositivo? E, já agora, antes de alargar a outros sectores de actividade, não seria conveniente dotar os próprios veículos da Polícia com esse sistema?

Quem pode, com toda a certeza, definir o que é uma arma não letal?

A reforma das Polícias Municipais não vai agravar o problema de sobreposição de tarefas entre a PSP, a GNR e as Polícias Municipais?

Para além disto, o Governo, que quer uma polícia pró-activa e preventiva, faz papel de bombeiro para combater um tipo de crime que até está a diminuir. Avança com um pacote de medidas que, depois de uma leitura mais ou menos atenta, permite-nos verificar que a maioria delas estava já prevista no orçamento e no plano de acção do MAI.

De fora, mais uma vez, ficam os direitos sócioprofissionais dos profissionais da PSP, retirados ao longo dos últimos três anos, entre outros por que ainda lutam: continuam sem horário de trabalho; com material obsoleto; a trabalhar em contentores que o próprio ministro inaugura; sem pré-aposentação; aumentos nos descontos do SAD/PSP - subsistema de saúde da PSP; e muitas outras coisas.

Também nesta área o Governo continua a reformar e a anunciar medidas sem ter em conta o essencial para que qualquer medida funcione: o seu capital humano.

terça-feira, março 04, 2008

Arrastadeira

Eu também acho excelente que o PCP tenha feito uma manifestação com a sua bandeira. Adoro a bandeira do PCP, pelo seu significado e pela responsabilidade que significa envergá-la. Acredito que haja outras que significam o mesmo para quem as ergue. Mas não me recordo, muito sinceramente, de uma iniciativa semelhante, próxima, sequer, por parte de qualquer partido.
Independentemente disso, há alturas em que a minha bandeira fica em casa, por exemplo, nas iniciativas dos movimentos unitários.
Quando diz que o PCP deve "deixar que os movimentos sindicais e sociais sejam autónomos, participando neles com espírito de abertura, sem impor a sua agenda partidária e eleitoral. Seria um excelente sinal de honestidade democrática, como foi a realização desta manifestação assinada por quem a deve assinar", acerta no conteúdo, mas erra no alvo. Posso até dar-lhe um exemplo muito concreto: Quando tiveram início a invasão do Afeganistão e a guerra do Iraque, o Movimento pela Paz - Porto reuniu e houve uma força política que não abdicou de estar presente nas iniciativas com a sua propaganda. Surpreenda-se: O Bloco de Esquerda. Mais: foi referido numa das reuniões que, mesmo que mais ninguém fosse identificado partidariamente, dado que o Movimento pela Paz - unitário - pretendia iniciativas transversais a partidos, o representante do BE afirmou que não abdicava delas. Como disse, acerta no conteúdo, apenas erra no alvo. Confirme lá com o Teixeira Lopes para sabermos se não se passou assim.

Nas manifestações do 1.º de Maio, só há uma faixa partidária: a do Bloco. É este tipo de benevolência democrática, de não-ingerência partidária no movimento sindical que defende?

Por tudo isto e mais algumas coisas, caríssimo, deixemo-nos de tangas. A Marcha do PCP fez-lhe o que faz a muitos: obriga-os a reconhecer que os defuntos que propalam nas notícias, nas colunas de opinião e nos comentários na rádio e na tv estão, afinal, bem vivos. Mais vivos que todos os outros todos juntos.

E há que admitir que isso faz uma certa comichão, não faz?

Post it: E a urticária continua no Kontratempos. É uma seca isto de os comunas mobilizarem tanta gente... Mas o Tiago esquece-se que neste dia, para além desta marcha, houve também manifs de professores, na margem sul, supostamente também intrumentalizadas e organizadas por comunas.

Fujam! Fujam! Eles andam em todo o lado!

segunda-feira, março 03, 2008

Número





Se em vez de 50.000 pessoas tivessem estado em Lisboa 500 militantes do PCP, as primeiras de domingo seriam outras...

A luta continua!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A voz de Portugal

Parece que hoje a Imprensa russa está a anunciar Dulce Pontes como a "voz de Portugal".

Tendo em conta a actuação dela na cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa, Portugal está esganiçado, histérico e cheio de uma espécie de convulsões.

Na pia

Do debate de hoje na AR, o que, até agora, foi destacado pelas rádios, pela Lusa e pelas edições online, foi aquela surreal lavagem de roupa, perdão, dentes sujos entre o Governo e Paulo Portas.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Quando eu era pequenino...

Quando eu era pequenino, vivia num país que tinha uma Constituição tão marxista, tão desadequada, tão ideologicamente vincada, que até o preço do pão era fixado pelo Estado.

Hoje, porque somos um país moderno e virado para o futuro e acreditamos no milagre da auto-regulação do mercado, já não temos isso.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Futebóis II

RMS pergunta:

Deverá Rui Santos ser contratado para suceder a Rui Costa no Benfica, depois de ter efectuado um pontapé de belo efeito e com toda a sua força, desferido num gajo que tentou bater-lhe?

Não perca, no Tempo Extra.

Futebóis

Tinha prometido a mim mesmo que não ia escrever aqui sobre futebol. Não porque não goste, longe disso, ou seja um tipo de intelectual-fundamentalista-anti-futebol, tipo Pacheco Pereira. É mesmo porque há futebóis que não me interessam, cheios de pontapés na lei - do jogo e não só - e com uma componente empresarial tão forte que descaracteriza os clubes enquanto entidades de paixão para uma espécie de racionalidade bolsista.



As declarações de Camacho, em relação a este Benfica, são paradigmáticas. Para ele, o segundo lugar é fundamental, porque dá acesso à Champions League. E a Taça UEFA não é tão importante, porque não garante nada para a época seguinte. Só que a Champions também não. Veja-se o exemplo do Liverpool, que um ano depois de ter-se sagrado campeão europeu, teve de disputar a terceira pré-eliminatória para conseguir qualificar-se.



Não gosto. Se para os grandes não há salvação - o caminho é mesmo este, até por uma questão de competitividade -, continuo a ir à bola com os clubes mais pequenos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Legalize!


SEDES - Alerta II

A Comunicação Social serve para desculpar quase tudo…

Os casos da criminalidade violenta no Porto e em Lisboa, por exemplo, foram desvalorizados pelo MAI, atribuindo aos OCS a mediatização exagerada de um tipo de criminalidade que, segundo o ministério, até desceu.

Sem explicar que, a ser verdade que desceu - aguardamos o RASI de 2007 -, a criminalidade violenta, particularmente os homicídios, deixaram de ser praticados em zonas rurais e por motivos, essencialmente, passionais e de desavenças entre vizinhos, para serem levados a cabo nas grandes cidades e como ajustes de conta entre grupos criminosos rivais.
E a culpa foi dos OCS, que mediatizaram os crimes.

Voltando à questão, é pena que quem elaborada o resultado da SEDES, pessoas com responsabilidades políticas, incluindo ex-ministros, só agora, fora dos cargos, se preocupem com estas matérias, que têm, objectivamente, uma forte componente sócio-económica, fruto das políticas praticadas pelos governos nos últimos anos.

SEDES - Alerta

"Calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodioviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou", sublinhou a SEDES, responsabilizando os legisladores portugueses, que "transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas" europeias".

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Coisas que eu ouvi

Fonte: Portal do Governo

S. Bento, Mensagem de Natal, 25 de Dezembro de 2006: "Mas melhorou também o emprego – neste último ano, de Setembro de 2005 a Setembro de 2006, a economia portuguesa foi capaz de criar 57 000 novos empregos".

Assembleia da República, Debate sobre o Estado da Nação, 20 de Julho de 2007: "Terceiro compromisso: o crescimento do emprego. Os factos são estes: em 2006, a população empregada registou o maior crescimento desde 2001 e desde a entrada em funções do actual Governo foram criados 41 mil novos empregos, em termos de saldo líquido. Isto é: a economia já está a criar mais empregos do que aqueles que se perdem".

Assembleia da República, apresentação do OE para 2008, 06 de Novembro de 2007: "Desde que o Governo iniciou funções, a economia criou 60 000 postos de trabalho líquidos".

S. Bento, Mensagem de Natal, 25 de Dezembro de 2007: "Mas não quero esquecer o problema do desemprego. Como muitas vezes tenho dito este é o problema social que mais me preocupa. Ainda não foi possível reduzir a taxa de desemprego mas já foi possível conter o crescimento do desemprego. No entanto, e felizmente, a nossa economia já está a criar mais empregos do que aqueles que se perdem. Segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, nestes últimos dois anos e meio a economia criou em termos líquidos 106.000 novos empregos. Temos agora boas razões para acreditar que a criação de emprego vai prosseguir nos próximos anos.

Porto, 14 de Fevereiro de 2008: «A economia portuguesa está a mudar muito rapidamente» afirmou o Primeiro-Ministro na inauguração do departamento de investigação e desenvolvimento da farmacêutica Bial, no Porto, a 14 de Fevereiro... A economia cresceu 1,9% em 2007, o maior ritmo desde 2001, e acabou o ano em aceleração. José Sócrates referiu também que «a economia portuguesa já está a gerar emprego há dois anos», tendo criado «mais 100 mil postos de trabalho».

Torres Vedras, 18 de Fevereiro de 2008: "O PM acrescentou que «desde que iniciámos funções, «a economia gerou 94 mil postos de trabalho», pelo que « não vejo nenhuma razão para que no próximo ano e meio não consigamos ter mais emprego e conseguirmos atingir o nosso objectivo» de criar 150 mil empregos durante a legislatura".


E não tenho muito mais a dizer sobre o tempo de antena de ontem do Governo na SIC.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Novidades

Já fecharam as urnas no Paquistão.


Ao contrário do que é costume por aquelas bandas, fecharam sem cadáveres lá dentro.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Sócrates e o INE - o aumento do desemprego em 2007

Sem prejuízo do que foi dito aqui, depois de revelados os dados do INE sobre o desemprego, surge o primeiro ministro a feliz porque a taxa de desemprego desceu em trimestres homólogos.

Mas se tal não é mentira, também não é menos verdade que a taxa de desemprego média anual de 2007 foi de 8,0%, mais 0,3 do que em 2006. E ponto final.

A oportunidade perdida pela minha irmã Gogas




Apesar de todos os mails que me envia, a minha irmã Gogas deixou-se antecipar pela irmã mais nova e só hoje me enviou o mail com o apelo acima descrito.




Raisparta, Maria! E logo este que eu levei a sério!




Braço armado

Ao mesmo tempo o braço armado blogosférico do Governo festeja o crescimento económico de 1,9% põe de lado o aumento da inflação homóloga para 2,9%, em Janeiro de 2008, colocando a inflação média de 2007 em 2,5%.

E também não diz quais os efeitos práticos do crescimento económico, já que o desemprego aumenta e a inflação também.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

A chamada esquerda moderna...

... Ou o socialismo do Partido Socialista:


"Prefiro uma maioria absoluta do Partido Socialista a uma maioria [relativa] do PSD [em 2009]"


Lobo Xavier - Quadratura do Círculo

Obama nas alturas II (acho eu)

A sério que não percebo a histeria, blogosférica e não só, em torno do Obama. Mas o vídeo é bem feito.

A sério que gostava, mas gostava mesmo, de ouvir não o que Obama diz que vai fazer, mas sim como vai fazer.

A sério que gostava de ver em Obama uma mudança profunda na administração norte-americana.

A sério que gostava de ver em Obama mais do que um fenómeno mediático em torno da sua pigmentação.

A sério que espero mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, estar enganado!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Quem não conhecer...

... até pensa que este blog é daqueles respeitáveis!

Depois de uma referência no carderno P2, do Público, vem o João Aguiar buscar um texto meu e publicá-lo aqui!

Congresso da CGTP-IN - em cinco ou sete pontos

Como é habitual antes dos Congressos da CGTP há um enorme alarido em torno da Inter. Porque o PCP instrumentaliza, porque a CGTP definha, porque o movimento sindical está imóvel, porque não é adequado às circunstâncias actuais.



É o ruído do costume, vindo em Bloco da esquerda à direita.



Ponto 1 - No dia em que deixar de haver uma ligação ideológica e prática entre a CGTP e o PCP, significa o fim dos dois, ou de um dos dois, por um motivo simples: Os dois têm o mesmo propósito. A defesa do povo e dos trabalhadores.

Ponto 2 - A influência do PCP na Inter é, simplesmente, o reflexo da actividade diária dos militantes do PCP. Ao contrário de algumas linhas de intervenção sindical, os militantes do PCP que também integram a CGTP não fazem a sua intervenção com base no mediatismo, maior ou menor, das acções que encetam.

Ponto 3 - Os que Chora(m) contra a a interferência do "aparelho" do PCP na Inter, são os mesmos que, a bem da pluralidade deles, gostariam de ter os seus "aparelhos" a ditar as orientações da Inter. Não o têm porque não possuem quadros para isso.

Ponto 4 - A importância da CGTP no seio dos trabalhadores é directamente proporcional ao interesse demonstrado pelos iluminados comentadores anti-sindicais na desarticulação da Inter; e inversamente proporcional ao interesse demonstrado nos congressos da UGT - onde não há qualquer inconveniência da influência do PS.

Ponto 5 - O grande entrave à influência de outros partidos ou movimentos de cidadãos não constituídos em partidos é apenas a incoerência. É-o à direita, PS incluído, e em alguns sectores da esquerda. Não se pode, por uma questão de seriedade e de princípio, Chora(r) contra a flexissegurança e depois acenar afirmativamente aos patrões que apresentam acordos que procuram, de forma mais ou menos clara e objectiva, desregular horários de trabalho, descer salários e obrigar ainda os trabalhadores a um quase agradecimento pela manutenção daquilo que deve ser um direito: o seu posto de trabalho.

Ponto 6 - A entrevista do DN de há uns dias a Carvalho da Silva foi uma excelente entrevista ao militante do PCP.

Ponto 7 - A entrevista da SIC a Carvalho da Silva foi uma boa entrevista ao secretério-geral da CGTP.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Lapso

Devo ter-me precipitado no post anterior.



Hoje, em nenhum dos diários, encontro referência ao relatório da OCDE.



As minhas desculpas.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Sócrates - Sempre a fazer história

Os dados divulgados hoje pela OCDE demonstram que Portugal está com 8,2 por cento de desempregados, marca só superada, nos últimos 20 anos, pelo valor de 1986, quando a taxa de desemprego era de 8,8 por cento.

Mas a vida segue e, no Parlamento, Sócrates vai usar o eufemismo que consiste em dizer que ainda não estamos a criar emprego suficiente para compensar quem é despedido e aqueles que entram no mercado de trabalho.

Mas também hoje um senhor da CIP já veio dizer que solução é flexibilizar e permitir - ainda mais - a proliferação dos recibos verdes.


Por curiosidade, fui consultar os dados da OCDE, que podem ver aqui, numa comparação entre Portugal, Finlândia, Luxemburgo, Espanha UE/15, UE, Zona Euro, G7, OCDE Europa e o total da OCDE.

Quem não tiver paciência para interpretar os resultados, aqui vai (período entre 2005 e 2007):

Na Finlândia, tantas vezes citada pelo nosso pm, o desemprego desceu de 8,3 para 6,9.

Em Espanha, do amigo Zapatero, o desemprego também desceu de 9,2, para 8,3.

No Luxemburgo, aumentou de 4,5 para 4,9.

Em Portugal, aumentou 7,6 para 8,2.

Nos restantes conjuntos, o desemprego desce sempre:

OCDE Total: 6, 7 para 5,6
OCDE Europa: 8,8 para 7.2
G7: 6,2 para 5,4
Zona Euro: 8,8 para 7,4
UE: 8,9 para 7,1

UE/15: de 8.1 para 7.0

No conjunto analisado, os únicos países onde aumentao desemprego são o Luxemburgo e Portugal. Ainda não há dados totais de 2007 para a Grécia, Itália, Nova Zelândia, Noruega, Suíça e Reino Unido. Destes, só o Reino Unido apresenta uma tendência acentuada de crescimento - de 4,8 para 5,3, entre 2005 e 2006.

França, Alemanha, Polónia, Eslováquia e Espanha têm uma taxa de desemprego mais elevada do que Portugal. Em todos estes o desemprego desceu entre 2005 e 2006.

O engenheiro (?) até pode correr e saltar para tentar desmentir os factos. E que venha agora o INE desmentir, para o IEFP corroborar o desmentido.

Até quando vai durar a falácia dos 150.000 empregos?

E os analistas especializados, que análise vão fazer?

É, ou não, a prova clara que, ao fim de três anos, as políticas de emrpego do Governo socialista são um fracasso gigantesco?

Em Leça é assim!

Timor

Depois de anos como colónia portuguesa, mais alguns - bem menos - sob domínio indonésio, Timor passou a ser usado como extensão do território australiano e uma espécie de braço católico ao lado do gigante muçulmano indonésio.

A identidade timorense perdeu-se com Xanana e Ramos Horta.

Um, no funeral do ditador Suharto; outro, a propor Barroso para Nobel da Paz.

A liberdade e a democracia tardam em chegar a Timor.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Cidadania

A entrevista de Alegre ao Público é constituída por duas páginas de imenso irrealismo, só comparável ao do próprio primeiro ministro. Alegre fala do Governo como se não fosse deputado eleito pelo partido que suporta a maioria, manifesta preocupações e sentimentos e tece considerações ao melhor estilo de Marinho Pinto - mas menos efusivo -, através de exercícios demagogia pura e dura. Até podia ser atenuado se Alegre não tivesse faltado, por exemplo, à votação do Orçamento de Estado de 2006, ou se não tivesse votado a favor do Orçamento para 2007.

A suposta oposição de Alegre ao Governo faz-se através da cobertura às decisões decisões de Sócrates, mas usando declarações de voto, onde alega, várias vezes, que "sendo eleito em listas partidárias, há situações em que, salvo circunstâncias excepcionais, não deve quebrar o sentido de voto do seu Grupo Parlamentar: programa de governo, moção de confiança e moção de censura, Orçamento de Estado".

Ou seja, não se deve quebrar o sentido de voto nos diplomas que regem as políticas, mas censuram-se as políticas.

Revela, sobre a remodelação - de cargos - que não criticou pessoas, mas sim políticas. Ora, a actual ministra, que integrou a comissão de honra da candidatura de Alegre às presidenciais, disse desde logo que o que está é para manter. Ora, ou podemos então prever que vem aí outra remodelação, ou a ministra entrou mal e parece que vai mesmo ter de mudar de políticas.

Depois dos 1.130.000 votos que Manuel Alegre conseguiu nas presidenciais, passaremos então a contar com 1.129.999, porque a ministra não deve estar de acordo com o candidato.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Agora a sério

Tinha mesmo de ser esta senhora a comentar a entrada no ano do RATO?

E muito tempo depois...

... Volto a escrever. Porque o(s) trabalho(s) não me deixa(m) muito espaço para dedicar aqui ao estaminé, ando meio alheado destas andanças.

Por isso, vou desabafar algumas notas soltas.

Ontem consegui ver parte da Quadratura do Círculo e acho que o Jorge Coelho já teve melhores dias. Tanto quando procurou diabolizar a notícia do Público sobre os mamarrachos do Sócrates, como quando falou sobre o Alípio Ribeiro.

E enquanto estamos às voltas com a dívida da ministra da Saúde ao Estado, as casas do Sócrates, o caso Maddie e a derrota de Portugal com a Itália, deixou, por exemplo, de haver problemas no SNS.

O medo:
Nos últimos tempos, dei por mim a concordar com uma série de gente estranha, e coloco em dúvida a minha sanidade mental actual:

1.º - Luís Delgado - Quando disse, na Antena1, que os pais deviam ser preparados para fazerem as manobras básicas de reanimação de recém-nascidos. Nas aulas de preparação para o parto em que participei, nunca tal foi abordado. Estas centram-se na mãe - e bem - mas acho a sugestão do referido senhor bastante válida.

2.º - Pacheco Pereira - Quando escreve isto no Abrupto, e que passo a citar: «AS MUDANÇAS DA “CULTURA” ... significam quase sempre mais mudanças na clientela do que mudanças na política. Num sector tribalizado até ao limite, o que muda é a tribo próxima do Ministro, e quem perde é a tribo longínqua. Em função da distância aos subsídios, claro.O novo ministro chega lá com ideias, gostos, opções diferentes do anterior: gosta mais de teatro de revista, mais de ópera, mais de cinema, mais do grupo A ou do grupo B, mais do fado ou de Emanuel Nunes, vai ao CCB ou à CGD, à Gulbenkian ou a Serralves, dá-se com os bolseiros da escrita ou com os actores da “Rivolução”, está mais com os críticos do Actual do Expresso, do ex-DNA do Diário de Notícias ou com os do Ipsilon do Público, e por aí adiante conforme as tribos. Como nunca há dinheiro que chegue para todos os gostos e tribos, há sempre uma insatisfação activa na “cultura”. É só uma questão de tempo até haver outro abaixo-assinado na Internet».

3.º - António Galamba - O deputado do PS veio pedir ao Tribunal Constitucional que divulgue os nomes de quem pediu para manter as contas em segredo.


Posto isto, estou assustado.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Morreu o rei...


... mas ficou o Bobo da Côrte!

O Engenheiro

Fantástica esta notícia do Público.

Parece que o engenheiro(?) Sócrates andou a treinar a caligrafia para assinar projectos que deram entrada na Câmara da Guarda e que não lhe pertenciam, como forma de dar a volta à lei e dar cobertura aos actos de um colega de curso que, por trabalhar naquele município, não podia assumir a sua autoria.

Sócrates estava na Covilhã e deu um jeito ao amigo.

Post it 1: Acho que esta passagem da notícia merece destaque: "Destacam-se os processos em que o primeiro-ministro, então engenheiro técnico ao serviço da vizinha Câmara da Covilhã, assina – quase sempre com reconhecimento notarial – peças manuscritas, nomeadamente memórias descritivas, termos de responsabilidade e cálculos de betão, em que a caligrafia usada nada tem a ver com a de José Sócrates. Muitas vezes, essa caligrafia, inconfundível, é a mesma que aparece nos autos das vistorias realizadas no fim das obras pelos técnicos da Câmara da Guarda: a letra de Fernando Caldeira, colega de curso do primeiro-ministro e que, por ser funcionário do município, estava legalmente impedido de subscrever projectos na área do concelho".

Até quando é que a vergonha em torno deste senhor vai continuar? Em torno, sim, porque ele parece não a ter.

Post it 2: Agora percebo porque é que o Tratado Europeu não foi referendado. Realmente, nem todos os portugueses conseguiriam perceber do que se trata. E nem todos os portugueses são espertos como o primeiro ministro. Ou, pelo menos, "chicos-espertos".

Post it 2: Não sei, nem me interessa muito, para dizer a verdade, se esta história é uma vingança do engenheiro - este parece que é mesmo - Belmiro de Azevedo. Sei que é mais uma prova do carácter do nosso primeiro e de que quando as comadres se zangam...

Festa rija!

A população de Leça da Palmeira está em festa! Já não me lembrava de ver uma coisa assim desde que o Leça subiu de divisão; ou tanta gente junta desde que o Leça desceu de divisão!

O motivo é simples: ao fim de décadas - duas, pelo menos -, Leça da Palmeira vai receber uma esquadra da PSP e logo inaugurada pelo ministro!

Tudo bem, foi uma esquadra "construída" em apenas dois dias. Ok, não é uma esquadra, é um posto de atendimento. Ok, são apenas dois contentores pintados de branco.

Mas, que raio, vai ter polícias! Ok, vai ter só um.

Mas, bolas, vai poder comunicar prontamente com a esquadra de Matosinhos! Ok, não tem sistema de comunicações. Vai ter de ser através de telemóvel.

Mas vai poder receber queixas! Ok, em papel. Parece que não tem electricidade, nem computadores, nem faxes.

Mas, raios, são dois contentores lindos!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

E se...?

E se houvesse uma câmara no país que, muito recentemente, tivesse pago ao executivo e aos chefes de serviço um fim-de-semana no Gerês, que teria custado cerca de 20.000 euros?

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Correia de Campos RIP - Atentem no refrão

Haja saúde!

A saída de Correia de Campos do Ministério da Saúde era inevitável.

Apesar de este ser apenas um caso de mudança de moscas, a nomeação da nova ministra é ideal para José Sócrates. Enquanto se falar sobre o seu envolvimento no caso dos fundos atribuídos ilegalmente ao Hospital Amadora-Sintra, do clã Mello, vamos esquecendo as pessoas que morrem sem assistência médica.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Denúncias vs boatos

Pode ser só impressão minha mas, à hora em que escrevo este post, o Bastonário da Ordem dos Advogados ainda não fez qualquer denúncia, apenas lançou boatos.

Finalmente!

Finalmente, percebi o que levou o Governo a fechar maternidades, hospitais, centros de saúde, escolas, esquadras...

É para poder afogar o país com barragens.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Pergunta de fim-de-semana

Há alguém que ainda consiga ouvir as explicações, contra-explicações, desculpas, justificações, e outras "ões" do ministro da Saúde?

A sério... Para seu bem e para bem de nós todos, senhor ministro,

Vá embora!

Breves

Ao ler o editorial de hoje do DN, recordei-me de outro, quando foi organizada uma manifestação de polícias durante a presidência portuguesa da União Europeia e que, infelizmente, não encontro no arquivo do DN.

Não sei qual o preconceito que move o autor em relação aos sindicatos que representam os polícias, mas numa coisa está, certamente, errado: se há alguém dentro da instituição PSP que é avesso às mudanças, não são, com toda a certeza, os profissionais...

Post it 1:Eu, pessoalmente, não aprecio a figura de Quartin Graça, mas esta foto do JN e com esta legenda, não me parece das mais felizes.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

NEE, outra vez

Ontem, o debate da RTPN sobre a nova legislação para crianças com Necessidades Educativas Especiais, decorreu sem a presença de um representante do Ministério da Educação.

Post it 1: Segundo Magda Rocha, moderadora do programa, o Ministério tinha, dois dias antes, confirmado a presença de um responsável, para juntar-se ao painel composto com outros três intervenientes. Parece que ontem, duas horas antes do programa, o Ministério informou a produção do programa que a pessoa destinada a representar o Governo não iria estar presente por encontrar-se muito cansada.

Magda Rocha marcou pontos e, depois de comunicar os motivos apresentados pelo Ministério, começou por agradecer a presença dos intervenientes salvaguardando que, certamente, também eles estariam muito cansados, mas lá estiveram para debater uma questão tão importante.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Diário - Post 100

O que aprendi apenas numa manhã:

Que o horário de atendimento previsto nas senhas da Segurança Social não é real;

Que, mesmo tendo efectuado o meu registo no ultra-moderno website da Segurança Social, continuo a não poder efectuar pagamentos com multibanco na dependência da Segurança Social de Matosinhos - não tem terminal multibanco;

Que o Conselho Directivo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto mandou retirar do centro de cópias a esmagadora maioria dos textos de apoio e estudo aos exames destinados a trabalhadores-estudantes;

Que a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto disponibiliza alguns textos de apoio, fornecidos por estudantes, desde que sejamos sócios da AE. Pagamos os seis euros de inscrição na AE e não é garantido que tenhamos os documentos necessários às disciplinas.

Grande, grande manhã. Hoje é segunda-feira?

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Carta à minha irmã Gogas

Querida irmã Gogas:

Tu sabes que gosto de ti, como gosto das outras duas que te sucederam. Não por laços de sangue, que são sempre vinculativos mas quase sempre subjectivos, mas porque gosto de vós, pronto.

Mas tu és especial. Mais nenhuma me envia tantos mails como tu. E os teus são especiais, são sempre temáticos e muito úteis.

Mas sabes, eu não os reencaminho. Alguns porque são os mesmos que recebo desde 1998, outros, porque não interessam.

Tu sabes que eu não posso ter animais de estimação. Se bem te lembras, quando pedi aos pais um São Bernardo, a mãe foi a primeira a dizer que sim. Com o pequeno detalhe que, se o cão viesse, eu saía. Em vez disso, deram-me a Bloo, de quem gosto muito, mas que não é propriamente um São Bernardo. Quando muito, pelas dimensões, é uma pata de um São Bernardo, e isso já me deixa feliz.

Isto para dizer que, além de me deprimir, os mails sobre os cães abandonados morrem na minha lixeira, provavelmente, da mesma forma que morrem nos canis.

Eu sei que há coisas que provocam ataques cardíacos. E sei que há sintomas, porque tu me recordas diariamente. Também sei que há seres maléficos que colocam seringas nos bancos dos cinemas. Malucos. Mas eu juro que olho bem antes de me sentar.

Também sei - mesmo - que os combustíveis estão caros, mas aquele mail da acção conjunta já é antigo e não adianta muito não abastecer num dia, se no dia seguinte tenho de abastecer a dobrar.

E sei que há doenças com nomes estranhos como a Lupus e outras. E sei que há maternidades, urgências e hospitais a encerrar. É uma merda e espero que consigamos dar a resposta adequada já em 2009 - sem, entretanto, cessar a luta.

De qualquer forma, querida irmã, obrigado pelos mails.

Agora que te revelei estas questões, penso que ficarás com um leque de assuntos bem reduzidos.

Mas tu encontras outros, que eu sei.

De qualquer forma, obrigado.

Blatter dixit

"Os jogadores de futebol não são trabalhadores"