segunda-feira, julho 07, 2008

O medo

Já tinha saudades de ler o Pedro Correia escrever sobre o PCP. Desta vez o tema foi a incontornável Ingrid.

Depois de, surpreendentemente, elogiar Saramago, que ainda há uns tempos era um decrépito apoiante das atrocidades cubanas. Nos comentários ao texto cuja ligação está na primeira linha do texto, o autor fala ainda em clima claustrofóbico dentro do PCP.

Por coincidência, ainda ontem conversava sobre a minha desconfiança em relação a elevadores, quando olhava para um submarino que passava na tv.

Voltando ao post do Pedro Correia, aqui fica o esclarecimento às afirmações falsas que faz. Falta é saber se quer ser esclarecido...

VOTO DE CONGRATULAÇÃO
Ingrid Betancourt em liberdade


Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana. O resgate de Ingrid Betancourt coloca em evidência a gravidade da situação em que se encontram centenas de prisioneiros na posse da guerrilha e nas prisões do regime de Álvaro Uribe e a necessidade de encontrar uma solução humanitária. Assinale-se que, sistematicamente, o Governo da Colômbia tem vindo a sabotar negociações, mediadas por responsáveis de diversos países, no sentido da troca de prisioneiros entre as partes do conflito. Os complexos problemas em presença na Colômbia, exigem uma solução política e negociada de um conflito que se arrasta há mais de 40 anos, indissociável de um regime que promove o agravamento da exploração, da repressão e das perseguições, incluindo milhares de assassinatos e brutais torturas, fortemente condicionado pela ingerência política e militar da administração norte-americana. A necessidade de uma solução negociada para o conflito na Colômbia, torna-se ainda mais urgente num quadro em que os EUA o procuram radicalizar e instrumentalizar, como justificação para o reforço da presença de forças militares e como forma de desestabilização da região e dos países que a integram, com risco de escalada militar e ameaça à paz.

Nestes termos, a Assembleia da República:
1- Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2- Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3- Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4- Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5- Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6- Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.

Assembleia da República, 4 de Julho de 2008

Moção apresentada pelo grupo parlamentar do PCP

Moção rejeitada com os votos contra do PS, PSD, BE e CDS.

sexta-feira, julho 04, 2008

Água vai!

No meio da lama, a Águas de Portugal pagou alguns milhões de euros em prémios aos seus empregados.

Tenho enrome curiosidade em saber se nos empregados se incluem administradores e outros funcionários de topo, mas tal ainda não me foi possível...

Alguém esclarece?

quinta-feira, julho 03, 2008

Eu andei por aí

Eu andei por aí e, nestes dias, houve de tudo.

Portugal foi eliminado do EURO, Manuela Ferreira Leite foi ver o neto a Londres e deu uma entrevista à TVI, Jaime Silva esteve no seu melhor, o Cebola foi para o FC Porto, o Benfica já contratou 387456387 jogadores, a UGT acedeu à voz do dono e assinou o Código Laboral, o Bastonário da Ordem dos Advogados voltou a debitar umas bocas absurdas e mais e mais e mais.

Sócrates deu uma entrevista e ficámos a saber que, afinal, vão ser as instituições do Estado a suportar a crise. Não será o Governo, directamente, mas as Autarquias, as mesmas que asfixiou desde que chegou ao poder.

Ou seja, as instituições privadas que lucram com a crise, vão continuar a lucrar mais e mais e mais e mais.

Volto já!

quarta-feira, junho 18, 2008

Eu prometi!




Os comunistas, esses eternos pessimistas que não percebem a economia...


"Boa noite. Há quatro anos, nesta mesma estação de televisão, Miguel Urbano Rodrigues avisava que o mercado havia de fazer disparar o preço do barril de petróleo para os 125 dólares. E. na altura, o mundo virtual da opinião bloguista, criticou-o pela visão catastrófica do capitalismo, pela visão comunista ortodoxa"
Quantos sapos envio para engolirem os mestres da economia?
Há coisas fantásticas, não há?

A vantagem das pré-campanhas e a incrível visão económica de Jorge Coelho

Construção: Portugal com maior subida mensal na União Europeia - Eurostat
O sector da construção português cresceu 10,6 por cento em Abril face ao mês anterior, conseguindo a maior subida mensal na União Europeia (UE) no sector, segundo revelam os dados hoje divulgados pelo Eurostat.

Face a Abril do ano passado, o crescimento de Portugal foi de 4,4 por cento.
De acordo com o gabinete de estatística da UE, a construção na Zona Euro caiu 2,8 por cento no mês de Abril, quando comparado com o período homólogo do ano anterior, e 0,8 por cento face ao mês de Março.

Na União Europeia, o decréscimo foi menor quer face ao mês de Março (0,4 por cento), quer relativamente ao ano passado (0,3 por cento).

Depois de Portugal, a Bulgária e a Polónia foram os países que conseguiram mais crescimentos mensais, com 6,9 e 3,2 por cento de subidas, respectivamente.

As maiores quedas deste indicador ocorreram em Espanha (caiu 6,5 por cento face ao mês anterior) e Alemanha (-2,9 por cento).

Os dados da Eurostat referem-se ao índice sazonal ajustado do sector da construção.

Notícia Lusa.


Umas auto-estradas que levam a lado nenhum, umas alienações de património a favor de privados, uns centros de 3.ª idade e aí temos um sector económico que nem se lembra do preço dos combustíveis!

Foi o melhor Coelho que o Jorge tirou da cartola!

segunda-feira, junho 16, 2008

breves

Não há tempo:

Para actualizar a lista ali ao lado;

Para perceber por que é que nos referendos sobre a UE, quando o voto é positivo é porque o Povo está informado e quer uma Europa forte; quando o voto é negativo é porque o povo é ignorante e quer castigar as políticas nacionais;

Para perceber o que estão aqueles quatro senhores a discutir no Prós & Prós;

Para perceber o que leva a RTP a ter um programa chamado "Conversas de Mário Soares";

Para perceber se a mesma RTP paga mais ao pessoal da Antena 1, que trabalha para a rádio Antena 1, para transmitirem o programa Antena Aberta na RTPN.

quinta-feira, junho 12, 2008

Lost

Um morto, pelo menos três feridos, pelo menos três camiões incendiados.

Alguém viu por aí um primeiro-ministro, nem que seja a falar inglês técnico?

domingo, junho 08, 2008

Arrastadeira (II) ou: A Esquerda, os entendimentos e os diálogos possíveis

Excertos daqui.

Daniel Oliveira:
Bruno: em que encontrou as respostas que procura.
Já agora, qual é o modelo económico, social e jurídico que, por exemplo, o PCP defende.

rms:
“Daniel Oliveira:
Bruno: em que encontrou as respostas que procura.
Já agora, qual é o modelo económico, social e jurídico que, por exemplo, o PCP defende”.
Eu sei, e o Daniel sabe quais são os modelos económico, social e jurídico que o BE defende?

Daniel Oliveira:
Eu nem sei, neste tempo que vivemos, o que é isso de ter UM modelo económico. Sei o que é ter objectivos, princípios, coisas a conquistar e a defender.
Se ler o programa do PCP é completamente social-democrata. Depois tem uma leitura ideológica que não tem, não quer, nem se deve confrontar com a realidade, pois não é essa a função que o PCP lhe atribui. A própria forma como o PCP trata o marxismo é absolutamente anti-marxista. É dogmática e quase religiosa.
Sempre que falamos de qualquer exepriência comunista os militantes dizem que não é esse o modelo que defendem para Portugal. Quando perguntamos qual é não temos resposta. E quando chegam ao fim lembram aos outros que são os únicos que o têm.
Eu não tenho um modelo. Não tenho, confesso. Tenho várias soluções, respostas e dúvidas. Coisas a que me oponho e que defendo e que tento que sejam ideologicamente coerentes. Não tenho um modelo. E sinceramente, nisto os comunistas que conheço estão iguais a mim. Também não têm. O que foi experimentado foi mau e ainda não se pensou em melhor.
Feita a confissão da minha franqueza, a de ser um ateu, ajude-me: qual é o modelo então que dá ao PCP essa superioridade que lhe permite defender o capitalismo angolano e o capitalismo chinês? Estão mais próximos do tal modelo?
É que eu só encontro uma ponto em comum nos vários regimes pelos quais o PCP tem simpatia: não há liberdade política. De resto, não há modelo nenhum.
Se me diz que é o “socialismo”, então eu digo-lhe que isso não é resposta. Também é o meu, só que esse são milhares de modelos diferentes. Se me diz que é o comunismo, tem de me explicar o que será diferente do que tivemos. Se me diz que é a reconstrução disso tudo eu dou-lhe os parabéns e digo-lhe que está tão à nora como eu e como nós todos.
Porque neste tempo podemos ter algumas certezas. Mas quem tenha uma certeza, um modelo, uma resposta, está apenas no campo da religião. Nada tem a ver com política.


rms
Caro Daniel Oliveira:
Tendo em conta a quantidade de respostas que dá a perguntas que não me fez, deixe-me clarificar que não perguntei ao Daniel Oliveira quais os modelos social, económico e jurídico que o Daniel Oliveira defende, perguntei qual os modelos social, económico e jurídico que o Bloco defende. E são coisas completamente distintas, tendo em conta a liberdade Daniel Oliveira, que tanto pode defender uma economia de mercado, como uma economia ultraliberal ou qualquer outro tipo de economia, porque o BE é isso mesmo, uma amálgama de coisas que redundam em coisa nenhuma.
O facto de haver uma linha ideológica coerente faz com que apelide de religiosa a forma do PCP de encarar a política. Está no seu direito, para mim, é só mais um rotuleiro que cataloga tudo e todos os que não concordam com aquilo que defende; e, claro, isso sim, é democracia.
Essa forma de estar, cheia de superioridade intelectual e moral que despeja aqui mais não é que um ressabiamento em relação ao PCP, que, confesso, me faz alguma confusão.
Percebo que sendo o PCP uma religião, como afirma, passe mais tempo a denegrir um sector fundamental da Esquerda que quer unir; afinal, o Daniel é ateu;
Mas sendo o PCP uma religião, como diz, espanta-me que um ateu convicto como o Daniel Oliveira não se importe de estar ao lado dos seus militantes, como acontecerá já amanhã, segundo diz - porque a repetir o que sucedeu já em variadíssimas outras ocasiões, o Daniel Oliveira irá atrás de uma faixa identificada com o símbolo do Bloco, quando os restantes manifestantes seguem atrás de faixas de sindicatos e associações, independentemente do seu partido - chama-se a isto o respeito pela diferença no seio da CGTP, que o Daniel tanto apregoa, mas quando é para propaganda, lá vem o PCP outra vez instrumentalizar a Inter.
É que, ao contrário de noutros partidos e blocos, são os militantes que fazem o PCP, não é um ideólogo iluminado que dita a conduta do rebanho.
Confesso que fiquei desiludido com o argumentário que utiliza - equiparável ao que é utilizado pela direita mais reaccionária - em relação a modelos económicos de alguns países e, neste aspecto, transcrevo:
“Embora com graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos, R. D. P. da Coreia.
Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar, independentemente das diferenças que existem em relação à nossa concepção programática de sociedade socialista a que aspiramos para Portugal, e de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio, que nos suscitam”.
Isto está na Resolução Política aprovada no último Congresso do PCP, o resto são devaneios do Daniel, talvez por causa do clima abafado que estava no Teatro Trindade.
Quanto ao resto:“1. No ideal e projecto dos comunistas, a democracia tem quatro vertentes inseparáveis - política, económica, social e cultural.
democracia política baseada na soberania popular, na eleição dos órgãos do Estado do topo à base, na separação e interdependência dos órgãos de soberania, no pluralismo de opinião e organização política, nas liberdades individuais e colectivas, na intervenção e participação directa dos cidadãos e do povo na vida política e na fiscalização e prestação de contas do exercício do poder;democracia económica baseada na subordinação do poder económico ao poder político democrático, na propriedade social dos sectores básicos e estratégicos da economia, bem como dos principais recursos naturais, na planificação democrática da economia, na coexistência de formações económicas diversas, no controlo de gestão e na intervenção e participação efectiva dos trabalhadores na gestão das empresas públicas e de capitais públicos;democracia social baseada na garantia efectiva dos direitos dos trabalhadores, no direito ao trabalho e à sua justa remuneração, em dignas condições de vida e de trabalho para todos os cidadãos, e no acesso generalizado e em condições de igualdade aos serviços e benefícios sociais, designadamente no domínio da saúde, ensino, habitação, segurança social, cultura física e desporto e tempos livres;democracia cultural baseada no efectivo acesso das massas populares à criação e fruição da cultura e na liberdade e apoio à produção cultural”.
O resto, encontra em
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#27
Já no caso do BE, não encontra em lado algum, por um motivo simples: Não se encontra o que não existe.

Ou seja, o carácter "revolucionário" do BE resume-se a pensar muito e diferente; todos diferentes. Quem pensar da mesma forma é seguidista e debita cassetes. Desde que não seja no Bloco, porque por lá todos são bem-vindos: até o deputado indignado que faltou à votação da moção de censura que o BE apresentou, embora tenha dito que votaria contra, se lá estivesse.

Basicamente, não há um fio condutor, vivem o imediato e o mediático. Espero, muito sinceramente, que o PS não consiga maioria absoluta no próximo ano. Aposto que vai dar para tirar uma série de dúvidas...

E pronto, o diálogo resume-se a isto. Agora, pelo blog que linkei lá em cima, discute-se a aliança em Lisboa entre Sá Fernandes e o PS.

O dono do Arrastão continua no esforço hercúleo de defender o homem e atacar as decisões. É a coerência bloquista.


PS: Não, o grande adversário não é o BE, mas sim a direita. Mas há coisas que não podem passar sem resposta. E falar em Esquerda sem falar no PCP, é mais ou menos como falar em francesinha sem molho...

sexta-feira, junho 06, 2008

O medo da rua

Desde putos que somos habituados a ter medo da rua. Ouvimos, vezes sem conta, o prudente "não vás para a rua" saído da boca dos nossos pais. É coisa recente, com uns 40 anos ou 50 anos. Até então, não havia muito a temer nas ruas, porque os automóveis eram poucos as estradas ainda menos, muitas o acesso a elas estava politicamente vedado.

Hoje já não é assim. A rua exige cuidados quando a atravessamos, às vezes nem a passadeira nos safa.

Santana Lopes estendeu uma passadeira que permitiu a Sócrates atravessar as eleições com uma maioria absoluta que lhe deixou um enorme campo de manobra. De mão dada com a Imprensa, Sócrates foi fazendo e desfazendo o que bem entendeu, da forma que melhor quis, deixando apenas a alternativa da rua para a contestação.

Sócrates não tem medo das ruas. Tendo em conta o seu passado político, não sei se alguma vez teve.

Ontem, nas ruas, perto de 250.000 pessoas manifestaram-se.
Para Sócrates, podiam até ter sido 1.000.000.

A constante desvalorização do governo em relação às manifestações não cansa os portugueses. Acredito que lhes dá mais força. Mas é um caminho perigoso.

Desvalorizar as formas democráticas de descontentamento contra seja o que for, é empurrar quem protesta para outros modos menos convencionais, até que sejam ouvidos e respeitados por quem tem o dever de respeitar quem representam.

A luta continua!

quinta-feira, junho 05, 2008

Premonição

"Hoje, foi a vez do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Perante os protestos dos pescadores na Docapesca de Matosinhos, aproveitando a raras visitas de um governante fora do tempo eleitoral, a resposta do ministro: "Não gostam, peçam para sair [da União Europeia]".


A frase do ministro não é de hoje, mas de dia 3 de Julho de 2007.


Ontem, em Bruxelas, aconteceu algo inédito, na manifestação de pescadores italianos, espanhóis e franceses. Foi queimada uma bandeira da UE, algo inédito neste tipo de protestos.


Fartei-me de procurar esta foto e tirei-a emprestada d'O Quotidiano da Miséria.

terça-feira, junho 03, 2008

Esquerdas

Enquanto o comício, perdão, festa, decorre em Lisboa*, o Miguel Urbano Rodrigues dá uma entrevista a Ana Lourenço que chega perto da genialidade.

Espero conseguir publicá-la aqui e vê-la várias vezes durante muito tempo.

*Depois de ver o directo da Sic Notícias sobre o comício, perdão, festa, disponibilizo-me desde já para fazer os contactos necessários para a próxima iniciativa semelhante possa ter lugar no Salão Paroquial de Leça da Palmeira, onde cabem mais de 15 pessoas.


Ao mesmo tempo, estou certo de que no dia 5 de Junho, ao lado da CGTP, encontrarei todas aquelas personalidades que, ao melhor estilo do Fernando a.k.a "Emplastro", focaram a câmara mais do que ela focou a eles. Tudo em nome da convergência das esquerdas, claro.

É hoje!

Depois do circo que foram as eleições no PSD, temos agora um novo acto de comédia, desta vez um bocadinho mais para o lado canhoto, pelo menos no que diz respeito às bandeiras.

Hoje vai haver um super-mega-hiper "rifixe" comício de todas as Esquerdas. Claro que tem a participação desse congregador de correntes que é o BE. A tentação de aparecer a todo o custo tem destas coisas. Une o preto ao branco e depois recusa reconhecer que a única coisa que dali sai é um enorme cinzento, uma espécie de nevoeiro muito bonito ao olhar mas que, quando se levanta, só mostra vazio.

Uma unidade tão plural que fica difícil perceber se vai haver palanques e holofotes onde caibam tantos e tão diferentes - diferentes, dizem eles.

A congregação une - veja-se - o homem dos uivos, pessoas cujo único estatuto que têm é ser ex-comunistas e um deputado que suporta a maioria do PS no Governo*.

Há coisas fantásticas, não há?


* Recuperação do texto de Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Cidadania

"A entrevista de Alegre ao Público é constituída por duas páginas de imenso irrealismo, só comparável ao do próprio primeiro ministro. Alegre fala do Governo como se não fosse deputado eleito pelo partido que suporta a maioria, manifesta preocupações e sentimentos e tece considerações ao melhor estilo de Marinho Pinto - mas menos efusivo -, através de exercícios demagogia pura e dura. Até podia ser atenuado se Alegre não tivesse faltado, por exemplo, à votação do Orçamento de Estado de 2006, ou se não tivesse votado a favor do Orçamento para 2007.
A suposta oposição de Alegre ao Governo faz-se através da cobertura às decisões decisões de Sócrates, mas usando declarações de voto, onde alega, várias vezes, que "sendo eleito em listas partidárias, há situações em que, salvo circunstâncias excepcionais, não deve quebrar o sentido de voto do seu Grupo Parlamentar: programa de governo, moção de confiança e moção de censura, Orçamento de Estado".
Ou seja, não se deve quebrar o sentido de voto nos diplomas que regem as políticas, mas censuram-se as políticas.Revela, sobre a remodelação - de cargos - que não criticou pessoas, mas sim políticas..."

Post it:

A votação da moção de censura apresentada pelo PCP ou o exemplo do socialismo amigo do BE: "Vamos, então, proceder à votação da moção de censura n.º 2/X — Ao XVII Governo Constitucional (PCP).
Submetida à votação, não obteve a maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, tendo-se registado 113 votos contra (PS), 22 votos a favor (PCP, BE, Os Verdes e uma Deputada não inscrita) e 78 abstenções (PSD e CDS-PP)
".

Post it 1: Só por curiosidade, alguém pode explicar por que é que foi noticiado que Manuel Alegre faltou à votação da moção de censura do BE, mas o registo de presenças online da AR de dia 16 o dá como presente?

sexta-feira, maio 30, 2008

Não há gasóleo? Comam brioches!

Eu sei que o governo não tem culpa da crise do subprime.

O governo também não tem culpa da especulação em torno do preço do petróleo.

Também não tem culpa do desenvolvimento gigantesco das potencias emergentes.

Também não tem culpa da queda do dólar.

Mas:

Só o governo acreditou que Portugal estava blindado a um agravamento da economia internacional;

É ao governo que cabe tomar medidas para atenuar o efeito da crise;

É ao governo que cabe agir com celeridade para averiguar a cartelização dos preços dos combustíveis;

É ao governo que cabe anular a dupla tributação que pagamos nos combustíveis, quando o IVA incide não sobre o valor-base do combustível, mas sim sobre o valor-base do combustível mais o ISP.

Zoo

Houve de tudo no debate quinzenal de ontem. Uivos, lobos - alguns com pele de cordeiro -, um sem-número de coisas que fez as delícias do espectáculo mediático.

Luís Fazenda prestou-se a um papel miserável ao pedir a "defesa da honra" para atacar a resposta óbvia que viria da bancada do PS, após o episódio dos uivos.

Lobos, uivos, animais, animalescos, Fernanda Câncio, Manuel Alegre, Conferência Episcopal. Sobre o que realmente interessa aos cidadãos, quase nada, a não ser que não haverá aumentos intercalares de salários e pensões, na resposta a uma pergunta de Jerónimo de Sousa.

A frase:

"O senhor primeiro-ministro não distribui a riqueza, espalha a pobreza", Jerónimo de Sousa.

quarta-feira, maio 28, 2008

Directas

Vi parte do debate entre os candidatos ao poleiro do PSD.

Pude concluir que:

Manuela Ferreira Leite é a candidata mais masculina dos quatro e acha que sofremos todos de Alzheimer;
Santa Lopes não está tão moreno como o Portas e acha mesmo, mas mesmo, que sofremos todos de Alzheimer;
Patinha Antão é uma espécie de Olegário Benquerença do PSD, um Coito Pita do continente. É isso mesmo: Patinha Antão, seja lá isso o que for. É bom para quem sofre de Alzheimer; faz rir de cada vez que nos voltamos a lembrar dele.
Passos Coelho não tem lábio superior, é tão populista como Santana e faz-nos acreditar que sofremos todos de Alzheimer, porque nunca o vimos mais gordo;


Perante o cenário, vou ali atirar-me ao leite-creme que a minha mãe deixou na cozinha.

Cristianismo

Acho que pode chamar-se cristianismo à histeria colectiva em torno do Cristiano Ronaldo.

terça-feira, maio 27, 2008

Começar bem o dia

SIC, hoje, muito cedo:

A selecção visita um centro para deficientes profundos perto de Viseu.

O jornalista para uma responsável do centro:

- O que lhe têm dito os seus utentes?

A responsável:

- ... Os utentes do centro são deficientes profundos, a maioria não comunica por palavras...

segunda-feira, maio 26, 2008

PS em Matosinhos

Para quem vive no concelho de Matosinhos, não é novidade o que a casa gasta. O PS de Matosinhos funciona mais ou menos como uma gamela de onde toda a gente quer comer. Foi assim com Narciso - que prepara o regresso -, com Seabra - que garantiu um posto junto do António Costa em Lisboa - e é assim com Guilherme Pinto.

De vez em quando, a gamela fica pequena para tanto apetite e surgem novelas como a que se vive na Imprensa local, entre o Jornal de Matosinhos, afecto ao ex-presidente da câmara e futuro candidato, Narciso Miranda, e o Matosinhos Hoje, ao lado do actual executivo.

Nada disto é novo. Noutros posts que aqui escrevi e que agora não me apetece ir procurar, referi isto mesmo e expliquei como as coisas se passam: A Câmara Municipal de Matosinhos representa a principal receita dos dois jornais. Ora, como aqui ninguém dá nada a ninguém, ou anda tudo na linha, ou a CMM retira a publicidade e deixa os jornais em maus lençóis. Desta vez coube a fava ao Jornal de Matosinhos, noutros tempos o Matosinhos Hoje teve a mesma sorte.



Mas, indo ao que realmente interessa, aqui fica o registo:


O contexto: Alunos da Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, no âmbito da disciplina de Área Projecto, decidiram, no passado sábado, oferecer um almoço a alguns dos sem-abrigo que costumam almoçar na Misericórdia de Matosinhos. A organização teve honras de fotolegenda no JN.

Os sem-abrigo e as populações carenciadas: Quando a CMM foi convidada a estar presente, foi solicitado que o nome da iniciativa fosse alterado, uma vez que para a autarquia não existem sem-abrigo em Matosinhos, mas sim "populações carenciadas".

A saga do autocarro: Os alunos dinamizadores da iniciativa solicitaram à CMM um autocarro para transportar os sem-abrigo entre Matosinhos e a escola. Se primeiro a CMM acedeu, dois ou três dias antes do almoço, quando a escola procurou confirmar a cedência do autocarro, foi dito que já não havia transporte.

Do lado da escola afirmaram que não havia problema, que haviam de arranjar maneira de deslocar os sem-abrigo, mas que a recusa seria divulgada junto dos Órgãos de Comunicação Social que já haviam confirmado a presença no evento.

Do outro lado da linha, do gabinete do presidente Guilherme Pinto, alguém afirmou que já que os jornais iam estar presentes, então era melhor falar com o Presidente.


Pouco depois, surgiu o telefonema que serviu para assegurar o transporte dos sem-abrigo mas também - oh, surpresa das surpresas! - a informar que o presidente fazia questão de estar presente na iniciativa.


O almoço, as sobremesas e as calorias: Quando a comitiva chegou ao almoço, o vereador da educação, Correia Pinto, aproximou-se da mesa das sobremesas e disse a uma das Auxiliares de Acção Educativa (AAE) que se voluntariou para ajudar na iniciativa que "aquilo não é comida saudável".

A AAE retorquiu, depois de verificar que o vereador Correia Pinto não estava a brincar: "Isto é comida saudável. Para estas pessoas, isto é comida saudável. É um mimo que se dá a quem não tem o que comer".

O vereador: "Desculpe, mas eu tenho razão. Isto não é comida saudável".

A AAE: "Desculpe, mas se o senhor tem razão, eu também tenho. Para estas pessoas, isto é comida muito saudável. É disto que estas pessoas precisam".

O vereador: "Não precisa de se ofender":

A AAE: "O senhor também não".

Mais tarde, o vereador Costa Pinto disse o mesmo a uma das professoras do Conselho Executivo da escola, que respondeu o mesmo que a AAE.

A conclusão: Cada um tire as suas...