terça-feira, outubro 28, 2008

Aprender, aprender, aprender sempre!

*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".

(...)

"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".

Paul M Sweezy

*"Para uma Crítica da Economia Política"
Publicações Escorpião - Cadernos o Homem e a Sociedade

Impresso em 16 de Março de 1973

sexta-feira, outubro 24, 2008

Economias ou a falta delas

Adam Smith dá duas voltas e meia na tumba, ergue a mão invisível para os céus, olha para César das Neves, João Miranda e outros que tais e diz, com a voz embargada pelo desalento:


Ainda sobre economias e finanças e coisas que tais, seria interessante saber quantos alunos do Ensino Superior aderiram aos empréstimos disponibilizados pelo Governo através da CGD, qual o montante global que atingiu e se estes empréstimos - realço - fomentados pelo Estado são ou não crédito de risco, uma vez que são créditos de pessoas que, à partida, nem sequer estão inseridas no mercado de trabalho, pelo que não possuem rendimentos..

E se o crédito não for cumprido, vão executar o quê? Assim de repente, só me lembro do calhamaço do Samuelson, que custa 70 euros. Mas quer-me parecer que este valor não cobre o preço da licenciatura...

terça-feira, outubro 21, 2008

Já não há Mandelas?

Hoje, estamos mais desiguais. Mais pobres mais pobres e ricos mais ricos. Os pobres de hoje são hoje menos pobres que os pobres de há 30 anos. Talvez. Mas quem e como o quantifica? Hoje, como podemos colocar em causa o que se passa no Mundo, se, ao longo das últimas décadas fomos ensinados a não pensar para além do pensamento único? Na ausência da necessidade de pensar se vivíamos o fim da história? Do fim das ideologias como forma de compromisso implícito um com os outros, em relação ao que cada um defende? Parece que, afinal, não o é. O Mundo está mais desigual. Se hoje os pobres são menos pobres, as necessidades básicas humanas são cada vez mais. E as básicas das mais básicas são-no há séculos. Hoje, se os pobres são menos pobres, um pão continua a ser um pão e uma mão cheia de arroz mata a mesma fome que matava num Mundo que há décadas vamos deixando morrer.
E o desespero das grandes crises arrasta consigo as respostas fáceis. Porque a necessidade é maior do que a moral e sentimos as mãos invisíveis vasculharem cada vez mais fundo nos nossos bolsos quase vazios.
De vez em quando, aparecem umas causas que nos unem. Fora do Natal, em que estamos todos unidos no amor às grandes superfícies comerciais e compramos postais à Unicef. Timor, África do Sul, Iraque, Afeganistão.
Darfur, Etiópia, Congo, Eritreia, Saara Ocidental e Curdistão conhecemos ao de leve. Como muitos outros. Nem interessa falar mais. Onde ficam?
Dessas causas nascem símbolos. Mandela. Independentemente da avaliação que hoje façamos deles e da desilusão que possam ter sido. Nascem símbolos para muitos milhares de outros Mandelas noutros países e com menos eco. Deram esperança e resistiram. Acreditaram no que agora parece ridículo acreditar: Justiça e Igualdade.

Se hoje não há Mandelas, há o legado que deixaram enquanto lutadores e resistentes.

Descansai ó desassossegados da blogosfera

quinta-feira, outubro 09, 2008

Vem aí!

A Visão arranca hoje com as habituais notícias pré-Congressos do PCP.

Tremei, ó comunistas cristalizados, que a liberdade vem em forma de carta de um militante.

Se a minha mãe, do Partido Socialista nas décadas de 80 e 90, escrever uma carta a explicar por que passou a militante do PCP, a Visão também publica?

segunda-feira, outubro 06, 2008

Guerras e guerrinhas

Sá Fernandes, vereador do BE, mandou retirar o cartaz do PNR por considerá-lo ilegal... depois de o Procurador-Geral da República ter afirmado que não o é.

Dois pontos:

1 - Ao substituir-se ao PGR, Sá Fernandes assume um papel próximo do ridículo;

2 - Tal medida só serve para incendiar ânimos e dar projecção a um partido que não a merece.

Afinal, o que quer Sá Fernandes? Comprar uma guerra - que não é dele - com os skins para fazer esquecer outras guerras em que se meteu?

Post-it: Evidentemente, acho o cartaz em causa absolutamente nojento.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Quando as flores murcham

Detesto insectos. Pronto. A partir daqui, é só um desabafo.

Não sei se as abelhas são formalmente consideradas insectos. Desconheço, não é área que me atraia. Apesar de a minha reserva pessoal se colocar, essencialmente, em torno dos rastejantes, a verdade é que os insectos voadores também me deixam desconfortável.

Ainda assim, apesar da repugnância que me causam, tenho alguma admiração pelas abelhas. Nomeadamente, na sua organização - chamemos-lhe assim - mesmo não sendo monárquico.

A capacidade de um insecto produzir algo como o mel deixa-me perplexo. Ainda mais a forma como procuram garantir a sua subsistência e a continuação da espécie. Retiram o néctar das plantas e espalham o pólen pelas restantes flores do jardim, para assim garantirem o seu modo de subsistência.

O programa Paulson é uma espécie de colmeia do capital.

Pega-se em 700.000.000.000.000 (?) de partículas de pólen e distribuem-se pelas abelhas, que entretanto acreditaram numa multiplicação miraculosa do número de flores e deixaram de o espalhar, colocando em causa o jardim. Pior ainda: a rainha, que deveria controlar toda a actividade da colmeia, caiu no mesmo erro e, enquanto houve flores, deixou o mercado do pólen funcionar.

Devemos aqui notar que as 700.000.000.000.000 (?) partículas de pólen injectadas pela rainha da colmeia foram sendo acumuladas, ao longo dos anos, através do contributo fornecido pelas flores, tendo em conta o bem-estar mínimo do jardim.

Assim, para agradar à colmeia, que durante décadas se sentou à sombra do pólen acumulado pela rainha e foi consumindo o néctar, esta distribui o pólen pelas abelhas para que, meio à pressa, façam chegar uns salpicos às flores e as levem a acreditar que vão voltar desabrochar e contribuir para o bem-estar do jardim. Desta vez, contribuir ainda mais, para que as 700.000.000.000.000 (?) partículas de pólen sejam repostas na colmeia, para além das que têm de cobrir as necessidades correntes.

A menos que as flores do jardim quebrem o ciclo.

domingo, setembro 28, 2008

Quem não tem cão: Parte II

Na sequência da posta anterior, uma rápida viagem pela blogosfera permite-me verificar o seguinte:

A esquerda fracturante, a esquerda moderna, a direita liberal e a direita conservadora usam o mesmo argumento - falso, diga-se - para criticar as Teses do Congresso do PCP.

E todos eles partem de um excerto cirurgicamente recortado da secção Internacional do projecto de Teses.

Basicamente, entre fracturantes, modernos, liberais e conservadores, só muda o cheiro; o método, é o mesmo...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Quem não tem cão...

... caça com gato! E deve ser por isso que o Daniel Oliveira, à falta de teses, programa ou ideologia no seu partido, se apressa a dar enorme relevância ao documento colocado à discussão dos militantes do PCP... Ah! Com a foto do Estaline a acompanhar a posta, claro. Só não fala nos comunistas que comem criancinhas, mas deve ter sido falta de espaço.

Num bloco que se considera tão à esquerda, ainda é possível ir beber ao argumentário da direita.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Andem lá com isso!

Vamos lá acabar com esta discussão patética do casamento homossexual. Deixem casar quem quer casar para podermos preocupar-nos com coisas que deveriam ser bem menos básicas do que o direito de um cidadão a casar com quem bem entende.

Nem que seja com um Toyota.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Liberalismos

Para o liberal Pedro Passos Coelho, "o subprime permitiu a milhões de pessoas da classe média-baixa adquirirem casa própria", segundo a entrevista ao Rádio Clube.

Curioso. Ia jurar que o subprime gira em torno de pessoas que jamais terão casa própria - embora o facto de lhes concederem um crédito as faça acreditar que sim. Que o digam os três milhões de norte-americanos que já ficaram sem as casas próprias. E parece que até final do ano vão ser mais dois milhões.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Videovigilância - onde acaba o desejo de segurança e começa a filhadaputice

Hoje, por motivos que não interessam agora para aqui, fui ao Norteshopping comprar um ramo de flores.

Duas jovens, simpáticas, atenderam-me na perfeição. Apesar de os ramos serem bastante caros, confesso que não roubei qualquer deles. Mas podia tê-lo feito. Podia, porque a única câmara de vigilância que existe no local aponta, directamente, para a caixa registadora.
Daqui, podemos concluir que o que preocupa o patronato não é quem rouba nas lojas, mas sim os empregados que, não raras vezes, impedem esses mesmos roubos. Têm mais medo dos empregados do que dos clientes, e se isso não é uma filhadaputice, então não sei o que é.

Numa altura em que alguma esquerda descobriu a actualidade dos escritos de Marx e Engels - e a direita zurra pela intervenção do estado como paliativo para o sistema que criaram e que defendem -, por questões macroeconómicas, vem isto provar que também nas questões micro pode avaliar-se uma matéria tão importante como a confiança que um trabalhador tem no seu patrão. E o contrário. Que tipo de relação com o trabalhador pretende este empresário? E, já agora, onde está a pessoa que visiona as imagens? Será como no El Corte Inglès, que o fazem a partir de Espanha?

Já tinha ouvido falar nestes exemplos há mais de três anos, quando, por tarefas que tinha na JCP, visitei - clandestino - vários shoppings do Porto. Mas nunca tinha visto algo tão flagrante. E tão filho da puta.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Quem manda?

Ontem, um dos mais desastrados ministros veio aconselhar às petrolíferas uma descida dos preços dos combustíveis.

Hoje, a BP aumentou a gasolina em um cêntimo. Explicou um dos administradores que a BP Portugal não compra crude, só produto refinado. Ou seja, mesmo com a matéria-prima mais barata, a BP, supostamente, compra o produto final a um preço igualmente elevado. Ou seja, os gestores da BP devem ser bastante burros. Ou não...

Esta foi só uma demonstração sobre quem realmente manda neste rectângulo.

terça-feira, setembro 16, 2008

Constelações

"O treinador do Barcelona tem de gerir uma constelação de estrelas".

Sic Notícias
Era para ser uma constelação de ovos estrelados, mas ficaram-se pelas estrelas.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Exigências - Outra vez

O Portugal Diário publicou hoje uma notícia - da Lusa - com um título esclarecedor:

GNR tem o triplo dos candidatos da PSP
Na peça não é referido que tenha sido solicitado ao MAI qualquer comentário sobre esta matéria, e é pena.
Convém recordar o que escrevi aqui, em 12 de Maio de 2008, para quem quiser ler na íntegra.
Para quem não quiser, aqui fica um excerto:
"Por outro lado, foi fixado o 11º ano de escolaridade como requisito de admissão ao curso de formação de guardas, garantindo a equivalência deste curso ao 12º ano de escolaridade. Esta medida constituirá, sem dúvida, um factor importante para a melhoria da qualificação dos militares da Guarda". Ver aqui o texto completo, com data de 3 de Dezembro de 2007.
No entanto, segundo o site da GNR, de acordo com o Diário da República de 6 de Maio de 2008, a exigência diminuiu, sendo apenas necessário o 9.º ano para concorrer a Praça, como pode ler-se no Aviso n.º 13803/2008 do Comando-Geral da GNR, alínea g do ponto 7: "Ter como habilitações mínimas o 9.º ano de escolaridade ou equivalente". Ver aqui o texto completo.

sexta-feira, setembro 12, 2008

As virgens, arrastões e outras piadas

Uma das pinturas nas muitas paredes da Festa do Avante! motivou este post tão engraçado do Daniel Oliveira. Passo, então, a reproduzir aquela que, para o Daniel, é uma frase que não faz sentido:


"O Partido é uma casa grande, pintada de cores alegres e cheia de pessoas felizes".


Nos comentários, o autor do blog afirma qual o sentido que faria se a frase fosse em relação a outro partido qualquer que não o PCP. Não poderia acontecer, pelo simples facto que nenhum outro partido consegue fazer tanto e tão bem como o PCP. E o Bloco bem tentou, há dois ou três anos...


Voltando ao que interessa, se, na frase, quiser trocar o PCP (Partido) por outro partido qualquer, deixaria de fazer sentido:


O PS é uma mansão grande em Cascais, cheia de gente gira, fashion e com bons empregos.

O PSD é um condomínio fechado, silencioso e com um segurança à porta a dar cartões de consumo obrigatório.

O CDS é uma casa a arder, só com o seu presidente.

O BE é uma tenda alternativa, cheia de pessoas diferentes, vegetarianas, giras e fashion.


Posto isto, avancemos.

Na caixa de comentários, o Daniel brinda-nos com uma série de considerações; que é uma frase infantil, que não faz sentido, entre outras. Eu poderia apelar ao sentido literário do Daniel e explicar-lhe que, durante a Festa do Avante!, o Partido transforma a Quinta da Atalaia numa casa enorme, salpicada com cores alegres e vibrantes e a abarrotar de pessoas felizes. Não o faço. Achava eu que o Daniel era um insensível.


No entanto, e na resposta às muitas respostas do Daniel, depois de ele ter revelado que foi cuspido por um militante comunista numa manifestação e insultado numa festa do Avante!, disse eu o seguinte: "O Daniel não pode sair à rua por causa dos skins, vai às manifs e é cuspido, vai à Festa e é insultado… Coitadinho do Daniel…". O que eu fui dizer. A partir desta frase, que pretendia ir ao encontro do tom agradável e engraçado que deu ao post, o Daniel conseguiu ver que eu estava a comparar comunistas e skins, indo mais longe: "Que triste serviço faz ao seu partido ao pôr os seus camaradas lado a lado com fascistas de extrema-direita".


Como é evidente e tive oportunidade de dizer-lhe, não é o Daniel que vai dar-me lições de como melhor servir o meu Partido, mas a sensibilidade demonstrada deixou-me surpreendido. No fim, acabámos os dois a concordar que o humor é subjectivo; que uma frase que o Daniel considera ridícula, para mim pode apenas ser metafórica; que o Daniel não acha piada a piadas com skins e comunistas.


Mas eu, como sou um gajo teimoso, vou mais longe e digo-lhe:


O Daniel não pode sair à rua por causa dos skins, vai às manifs e é cuspido, vai à Festa e é insultado e, qualquer dia, tem a malta do Bloco à perna por causa do Sá Fernandes em Lisboa… Coitadinho do Daniel.


E proponho-me desde já a fazer com ele uma compilação de imagens ou escritos engraçados. Aqui fica o meu contributo: