«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
sexta-feira, novembro 21, 2008
quarta-feira, novembro 19, 2008
Tu queres ver...?
Post-it: Piada fácil: Caiu-lhe a máscara!
quinta-feira, novembro 13, 2008
Coincidência pura
Hoje regresso eu.
Coincidência, nãoa é??
quarta-feira, novembro 05, 2008
Enganei-me
terça-feira, novembro 04, 2008
Can he?
À hora a que escrevo este post, mantenho a convicção de que Obama não ganhará. Mesmo levando já a impressionante vantagem de 32 votos contra 16 - são os resultados conhecidos até agora.
Não partilho a euforia em torno de Obama e da mudança que poderá vir a significar. Pelo simples facto de que não o vejo como exterior ao sistema - olá Dias da Cunha -, mas antes como parte integrante do sistema e que fará exactamente o mesmo que os outros para manter tudo como está. Não tem interesse em combatê-lo. E que melhor forma de manter tudo como está do que prometer a mudança através da imagem? Neste momento, para mim, Obama é isso mesmo: Imagem.
Os europeus - e nós também, já agora - acreditam que Obama seria uma espécie de europeu no poder nos EUA. Obama é americano e continuará a sê-lo. E nós - e a Europa também - temos de perceber que a prioridade dele são os EUA, e, como a história nos prova, o bem para os EUA está longe de significar o bem para o resto do Mundo.
Caso vença - coisa em que, muito sinceramente, não acredito - será por uma margem bem menor do que aquela que as sondagens europeias divulgam, com vantagens absurdamente colossais, e isso também terá peso numa eventual postura presidencial que tenha de assumir.
E um dos sinais que me leva a crer que as eleições não serão favas contadas foi o anúncio de meia-hora nas tv's americanas, que custou milhões de dólares a um candidato que promete ajudar aos mais desfavorecidos e a classe média. A equipa que suporta Obama tinha que saber alguma coisa que a opinião pública não soubesse para fazer um investimento desta envergadura, apesar de ter ventagem em todas as sondagens.
Como em Fevereiro, espero muito sinceramente estar enganado.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Extra! Extra!
"Este (o BPN) era um banco que já devia ter morrido, numa economia de mercado".
Pois. Mas não morreu e agora toca a reanimá-lo às custas de todos. Ricardo Costa consegue, numa só frase, explicar a génese da economia de mercado. Baseia-se em intenções e "dever ser". Mas não é. A regulação? O Constâncio que explique o que isso é. O que anda ele a fazer no Banco de Portugal. Ou o Greenspan. Ou tantos outros. Os verdadeiros utópicos.
Post-it: Então a Real Seguros fica de fora da privatização? Pois, às tantas dá lucro...
Post-it 1: O que vai acontecer aos trabalhadores do BPN?
E o burro era ele?

sábado, novembro 01, 2008
quinta-feira, outubro 30, 2008
Está tudo louco!
Vamos lá então explicar: Esquerda é aquela coisa que é precisamente o contrário do partido que fundaram e do qual são militantes.
Post-it: Então não é que um dirigente de um partido de extrema-direita, nacionalista, anti-emigração, mais-ou-menos-anti-imigração e, por acaso, ex-emigrante, é líder de uma rede de emigração ilegal que recrutava trabalhadoras brasileiras especializadas na área do sexo?
terça-feira, outubro 28, 2008
Hã?

Tudo tem um preço
Uma página de publicidade nos jornais diários.
Um Jorge Coelho na administração de uma empresa.
Aprender, aprender, aprender sempre!
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
*"Para uma Crítica da Economia Política"
Publicações Escorpião - Cadernos o Homem e a Sociedade
Impresso em 16 de Março de 1973
sexta-feira, outubro 24, 2008
Economias ou a falta delas
Ainda sobre economias e finanças e coisas que tais, seria interessante saber quantos alunos do Ensino Superior aderiram aos empréstimos disponibilizados pelo Governo através da CGD, qual o montante global que atingiu e se estes empréstimos - realço - fomentados pelo Estado são ou não crédito de risco, uma vez que são créditos de pessoas que, à partida, nem sequer estão inseridas no mercado de trabalho, pelo que não possuem rendimentos..
E se o crédito não for cumprido, vão executar o quê? Assim de repente, só me lembro do calhamaço do Samuelson, que custa 70 euros. Mas quer-me parecer que este valor não cobre o preço da licenciatura...
quinta-feira, outubro 23, 2008
Uma família às (extremas) direitas
Ontem não estava preparado
terça-feira, outubro 21, 2008
Já não há Mandelas?
E o desespero das grandes crises arrasta consigo as respostas fáceis. Porque a necessidade é maior do que a moral e sentimos as mãos invisíveis vasculharem cada vez mais fundo nos nossos bolsos quase vazios.
De vez em quando, aparecem umas causas que nos unem. Fora do Natal, em que estamos todos unidos no amor às grandes superfícies comerciais e compramos postais à Unicef. Timor, África do Sul, Iraque, Afeganistão.
Darfur, Etiópia, Congo, Eritreia, Saara Ocidental e Curdistão conhecemos ao de leve. Como muitos outros. Nem interessa falar mais. Onde ficam?
Dessas causas nascem símbolos. Mandela. Independentemente da avaliação que hoje façamos deles e da desilusão que possam ter sido. Nascem símbolos para muitos milhares de outros Mandelas noutros países e com menos eco. Deram esperança e resistiram. Acreditaram no que agora parece ridículo acreditar: Justiça e Igualdade.
Se hoje não há Mandelas, há o legado que deixaram enquanto lutadores e resistentes.
Descansai ó desassossegados da blogosfera
quinta-feira, outubro 09, 2008
Vem aí!
Tremei, ó comunistas cristalizados, que a liberdade vem em forma de carta de um militante.
Se a minha mãe, do Partido Socialista nas décadas de 80 e 90, escrever uma carta a explicar por que passou a militante do PCP, a Visão também publica?
segunda-feira, outubro 06, 2008
Guerras e guerrinhas
Dois pontos:
1 - Ao substituir-se ao PGR, Sá Fernandes assume um papel próximo do ridículo;
2 - Tal medida só serve para incendiar ânimos e dar projecção a um partido que não a merece.
Afinal, o que quer Sá Fernandes? Comprar uma guerra - que não é dele - com os skins para fazer esquecer outras guerras em que se meteu?
Post-it: Evidentemente, acho o cartaz em causa absolutamente nojento.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Quando as flores murcham
Não sei se as abelhas são formalmente consideradas insectos. Desconheço, não é área que me atraia. Apesar de a minha reserva pessoal se colocar, essencialmente, em torno dos rastejantes, a verdade é que os insectos voadores também me deixam desconfortável.
Ainda assim, apesar da repugnância que me causam, tenho alguma admiração pelas abelhas. Nomeadamente, na sua organização - chamemos-lhe assim - mesmo não sendo monárquico.
A capacidade de um insecto produzir algo como o mel deixa-me perplexo. Ainda mais a forma como procuram garantir a sua subsistência e a continuação da espécie. Retiram o néctar das plantas e espalham o pólen pelas restantes flores do jardim, para assim garantirem o seu modo de subsistência.
O programa Paulson é uma espécie de colmeia do capital.
Pega-se em 700.000.000.000.000 (?) de partículas de pólen e distribuem-se pelas abelhas, que entretanto acreditaram numa multiplicação miraculosa do número de flores e deixaram de o espalhar, colocando em causa o jardim. Pior ainda: a rainha, que deveria controlar toda a actividade da colmeia, caiu no mesmo erro e, enquanto houve flores, deixou o mercado do pólen funcionar.
Devemos aqui notar que as 700.000.000.000.000 (?) partículas de pólen injectadas pela rainha da colmeia foram sendo acumuladas, ao longo dos anos, através do contributo fornecido pelas flores, tendo em conta o bem-estar mínimo do jardim.
Assim, para agradar à colmeia, que durante décadas se sentou à sombra do pólen acumulado pela rainha e foi consumindo o néctar, esta distribui o pólen pelas abelhas para que, meio à pressa, façam chegar uns salpicos às flores e as levem a acreditar que vão voltar desabrochar e contribuir para o bem-estar do jardim. Desta vez, contribuir ainda mais, para que as 700.000.000.000.000 (?) partículas de pólen sejam repostas na colmeia, para além das que têm de cobrir as necessidades correntes.
A menos que as flores do jardim quebrem o ciclo.
terça-feira, setembro 30, 2008
Famílias felizes
As cerca de 34 pessoas que conseguem poupar em Portugal agradeceram e 17 delas voltaram para o Conselho de Ministros.
Titanic
"A palavra mais usada na economia mundial é "pânico". O termo é adequado, mas a circunstância não é anormal. A presente crise nada tem de extraordinário. Como os furacões que assolam regularmente a costa americana, o susto da catástrofe é duro mas não deve gerar previsões drásticas ou medidas radicais. Enfrentado o tufão, reconstrói-se e regressa-se ao normal".
César das Neves, who else?
domingo, setembro 28, 2008
Quem não tem cão: Parte II
A esquerda fracturante, a esquerda moderna, a direita liberal e a direita conservadora usam o mesmo argumento - falso, diga-se - para criticar as Teses do Congresso do PCP.
E todos eles partem de um excerto cirurgicamente recortado da secção Internacional do projecto de Teses.
Basicamente, entre fracturantes, modernos, liberais e conservadores, só muda o cheiro; o método, é o mesmo...
sexta-feira, setembro 26, 2008
Quem não tem cão...
Num bloco que se considera tão à esquerda, ainda é possível ir beber ao argumentário da direita.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Andem lá com isso!
Nem que seja com um Toyota.
segunda-feira, setembro 22, 2008
Liberalismos
Curioso. Ia jurar que o subprime gira em torno de pessoas que jamais terão casa própria - embora o facto de lhes concederem um crédito as faça acreditar que sim. Que o digam os três milhões de norte-americanos que já ficaram sem as casas próprias. E parece que até final do ano vão ser mais dois milhões.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Videovigilância - onde acaba o desejo de segurança e começa a filhadaputice
Duas jovens, simpáticas, atenderam-me na perfeição. Apesar de os ramos serem bastante caros, confesso que não roubei qualquer deles. Mas podia tê-lo feito. Podia, porque a única câmara de vigilância que existe no local aponta, directamente, para a caixa registadora.
Daqui, podemos concluir que o que preocupa o patronato não é quem rouba nas lojas, mas sim os empregados que, não raras vezes, impedem esses mesmos roubos. Têm mais medo dos empregados do que dos clientes, e se isso não é uma filhadaputice, então não sei o que é.
Numa altura em que alguma esquerda descobriu a actualidade dos escritos de Marx e Engels - e a direita zurra pela intervenção do estado como paliativo para o sistema que criaram e que defendem -, por questões macroeconómicas, vem isto provar que também nas questões micro pode avaliar-se uma matéria tão importante como a confiança que um trabalhador tem no seu patrão. E o contrário. Que tipo de relação com o trabalhador pretende este empresário? E, já agora, onde está a pessoa que visiona as imagens? Será como no El Corte Inglès, que o fazem a partir de Espanha?
Já tinha ouvido falar nestes exemplos há mais de três anos, quando, por tarefas que tinha na JCP, visitei - clandestino - vários shoppings do Porto. Mas nunca tinha visto algo tão flagrante. E tão filho da puta.
quarta-feira, setembro 17, 2008
Quem manda?
Hoje, a BP aumentou a gasolina em um cêntimo. Explicou um dos administradores que a BP Portugal não compra crude, só produto refinado. Ou seja, mesmo com a matéria-prima mais barata, a BP, supostamente, compra o produto final a um preço igualmente elevado. Ou seja, os gestores da BP devem ser bastante burros. Ou não...
Esta foi só uma demonstração sobre quem realmente manda neste rectângulo.
terça-feira, setembro 16, 2008
Constelações
segunda-feira, setembro 15, 2008
Exigências - Outra vez
sexta-feira, setembro 12, 2008
As virgens, arrastões e outras piadas

quinta-feira, setembro 11, 2008
11/9
Hoje, a Manuela Ferreira Leite está a falar e é mais ou menos a mesma coisa.
quarta-feira, setembro 03, 2008
Recordar é viver II
de paz
e felicidade
Numa procura incessante
que faz
com que muitas pessoas
acabem
Desiludidas
ingenuamente suicidas
Totalmente perdidas
No labirinto da vida
Andando em círculos
Buscando saída de modo ridículo
E a cada
topada
nas pedras
da estrada
Alguém te observa
como quem não quer nada
Você não enxerga
você não escuta
o filha da puta
dando risada
E se qualquer canoa furada
alivia a depressão
você embarca
Pensa que é a tábua da salvação
Mas não haverá escapatória
na fuga ilusória
Buscando no pó
a vitória
Você fez o nó
Desfaça ele agora
Ou ele te enforca
Sem final feliz na história
Aí acabou
Não tem bis
Faça o diabo feliz...
Deixe o diabo contente
Mostrando os dentes
Continue bancando o valente
Baixando o cacete
Puxando o tapete
De quem
encontrar
pela frente
Arrume inimigos
Não dê ouvidos
A quem disser que
quem fere com ferro
com ferro será ferido
Pise
Esmague
Mate
Pague pra ver
Se o preço for alto não vá se arrepender
Subir é difícil,
mais fácil é descer
E ele te abraça com todo o prazer
E te diz: Ambição,
Egoísmo - o xis da questão
então
Faça o diabo feliz...
Se fingindo
de cego
tudo é lindo
Pela desgraça
- dos outros -
você passa sorrindo
Agindo da forma mais arrogante
Está de pé
e não quer
que ninguém mais se levante
Impressionante
o seu jeito covarde
De explorar a desigualdade
Mergulhando num mar
de Indiferença
parasitando o povo
A recompensa está chegando em dobro
Agora coma o pão que ele amassou
É a opção que restou
O seu reinado acabou
Foi bom enquanto durou
De gigolô
a meretriz
Será que foi isso que você quis?
Ontem ria
hoje
chora
Veja só
Quem ri por último
ri melhor
Faça o diabo feliz
Gabriel Contino
Poeta Brasileiro
sexta-feira, agosto 29, 2008
MAI, nada!
A crença deste Governo na sua total razão em tudo e sobre tudo ficou mais uma vez clara. Juízes pedem alterações aos códigos Penal e de Processo Penal, magistrados também, polícias também, e o próprio Procurador-Geral da República também. O Governo responde com uma alteração à lei das armas. Sendo verdade que é um passo que pode revelar-se importante, não é menos verdade que deixa de fora outros de gravidade semelhante, como a violência do doméstica - um crime que duplicou entre 2000 e 2007, de 11.000 para 22.000 casos -, o tráfico de droga e os crimes menos graves, como o furto simples.
Voltando à alteração anunciada - que ainda precisa de ser aprovada na Assembleia da República -, é de salientar que a prisão preventiva não é suposto ser uma pena efectiva, a menos que tenha acabado o princípio da presunção de inocência. Foi, aliás, este princípio que motivou a alteração do CPP para impedir que, quando alguém é identificado pela polícia, não aguarde ser presente ao juiz nas instalações da polícia.
Os 4.000 da legislatura
Dos 4.000 novos polícias que parecem agora servir de bandeira ao ministro, recorde-se que os mais recentes 2.000 só foram anunciados depois da onda de assaltos com recurso a armas de fogo e só no final do próximo ano estarão no activo. No que diz respeito à PSP, a verdade é que, neste momento, o saldo positivo entre o início de 2006 e final de 2008 é apenas de mais 300 agentes. Aliás, seria, se a Direcção Nacional da PSP não colocasse entraves aos polícias que reúnem já condições para passarem à pré-aposentação até final deste ano.
"A" rácio
"A" rácio de polícias por habitante, como referiu Rui Pereira, é das mais alta da Europa. No entanto, para falar de números com honestidade, o ministro deveria fazer uma análise por cada Comando de Polícia. Recorde-se que, com a Reorganização das Forças e Serviços de Segurança, a PSP viu aumentada a sua zona de intervenção em áreas fortemente habitadas, ao passo que o facto de a GNR, por ser uma instituição militar e reger-se pelo princípio óbvio de qualquer exército em situação de conflito que é a auto-suficiência, continua a ter militares que são mecânicos, sapateiros, cozinheiros e outros, para além dos regimentos de cavalaria, de beleza indiscutível mas de operacionalidade duvidosa. Neste aspecto, Judite de Sousa fez ao citar o exemplo de Odivelas: um polícia para cada 1.209 habitantes.
Policiamento de Proximidade
A efectiva aplicação do Policiamento de Proximidade é urgente e necessária, mas, sobre isso, ficou apenas mais propaganda. Dizer que na Quinta da Fonte há dois anos que era aplicado o Policiamento de Proximidade é denegrir a imagem da instituição que o deveria efectuar. Um Policiamento de Proximidade efectivo implica um conhecimento profundo do meio envolvente, uma articulação com outros organismos locais e instituições sociais. Um Policiamento de Proximidade efectivamente aplicado teria evitado o que se passou na Quinta da Fonte e noutros casos posteriores.
Relatório Anual de Segurança Interna
A Fernanda Câncio debruçou-se sobre o RASI em bruto e apresenta uma série de números comparativos com outros países europeus. Mais uma vez, os números dizem aquilo que nós queremos que diga, vejamos: Entre 2006 e 2007 o número de homicídios voluntários consumados desceu de 194 para 133, uma variação de 31,4% que em muito contribuiu para o decréscimo de 10,5% da criminalidade violenta. Mas a verdade é que, se, há uns anos, os homicídios consumados se verificavam em zonas mais rurais e onde o índice de armas - de caça - por habitantes é elevado, com o crime de homicídio a verificar-se essencialmente, por zangas de vizinhos; a verdade é que a criminalidade violenta e grave baixou nesses distritos e transferiu-se para distritos mais urbanos: Aumentou em Aveiro(9,1%), Braga, (5,1%), Santarém (0,9%) e desceu em Bragança (24%), em Castelo Branco (6,7%), Évora (16,8%), Guarda (54,1%), Vila Real (34%) e Viseu (10%).
Ainda sobre o RASI, e fazendo uma análise a dez anos, podemos concluir que o número de participações registadas pelas forças de segurança foi de 355.069 em 1998 e de 385.876, ou seja, um aumento 30.807 registos.
O Gabinete Coordenador de Segurança
Este Gabinete funciona como uma espécie de yes-man para o que diz o Governo e até para o que não diz. Ontem mesmo, quando um jornal avançava que o MAI estava a estudar a hipótese de colocar segurança privada a fazer patrulhamento em espaços públicos e mesmo bairros problemáticos, o responsável Leonel Carvalho veio logo dizer que sim, que seria uma boa medida. O MAI desmentiu ontem mesmo num comunicado que passo a transcrever:
"O MAI, em resposta a uma pergunta do Jornal de Negócios, esclareceu que não recebeu nenhuma comunicação ou proposta das empresas de segurança, acrescentando que está sempre disponível para colaborar com a sociedade civil no combate à criminalidade. Nada disto significa, como é óbvio, que o MAI encare a possibilidade de substituição das forças de segurança, às quais incumbe a manutenção da ordem pública, pela segurança privada seja em zonas problemáticas ou em locais públicos. Tal ideia, com efeito, nunca foi subscrita, directa ou indirectamente pelo MAI".
A vontade de agradar é tanta que origina coisas destas...
Uma análise às condições socioprofissionais dos polícias, que parece não ter qualquer relevância para esta questão da criminalidade, fica para depois.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Ontem sim, hoje não...
Hoje, parece que foi mal interpretado e o Ministério da Justiça nega qualquer revisão.
O Procurador-Geral da República vai hoje pedir mais coordenação entre as forças de segurança. Aproveite o momento e peça o mesmo aos membros do governo...
segunda-feira, agosto 25, 2008
Notas soltas
- Agora que aquilo no Cáucaso parece que está mais calmo, já posso dizer que o senhor Saakashvili tem a visão política e estratégica de uma alcaparra.
- Agora percebi que o Kosovo da Geórgia não pode ser tão independente como a Ossétia do Sul da Sérvia.
- Soube que a muda Manuela escreveu para criticar silêncios. Acho que, agora, o PSD tem, finalmente, uma líder credível para levar o partido de vez para o abismo. RIP.
- Soube que para os números do desemprego não contam os 100.000 em formação profissional (mal) remunerada.
quinta-feira, agosto 21, 2008
Recordar é viver
Quando um dia, a luz se apagou,
Muitos quiseram trazer de volta,
Aquilo que a noite levou
Homens e mulheres de sonhos feitos,
Armados pelo espírito Liberdade,
Por entre as grades soltavam,
Um olhar de esperança. E de saudade
Calavam-se as bocas sábias,
Algemavam-se as mãos calejadas.
Não sabiam os senhores que mandavam,
Que quanto mais bocas selavam,
Cada vez mais outras se abriam,
Cada vez mais bocas falavam
Não sabiam os senhores que mandavam,
Que as mãos que prendiam,
Eram almas que se soltavam
E um dia fez-se sol,
Lá no alto, bem lá no cimo,
Ergueu-se uma flor. Um Cravo,
Para fazer esquecer tudo.
Anos e anos de amargo travo
Muito tempo depois,
Se calhar tempo de mais,
Os espíritos, que tão livres eram,
Vestiram fato e gravata,
Mas nada de novo trouxeram
Hoje, prendem eles quem pensa,
Acusam de louco quem sonha,
Riem-se de um ideal, de uma crença,
Lançam um olhar sobranceiro,
Sobre quem mais precisa,
Sobre quem devia estar primeiro
E hoje já não sentem,
Agora fazem contas.
E mentem,
Trazem as verdades já prontas
E voltou a escuridão,
Mascarada pela luz artificial,
Que foi trazida pela mão,
De quem se dizia liberal
Não sabem os senhores que agora mandam,
Que não se fecha um pensamento,
Que não se cala uma mão,
Que quando no ar, se ouve um lamento,
Esse som é, na verdade,
O grito da Liberdade,
Trazido pelo vento
Tomá lá um tacho
Parece que a campanha para 2009 já começou mesmo!
quarta-feira, agosto 20, 2008
Informação
terça-feira, agosto 19, 2008
Engenharias
Da forma que o nosso engenheiro trabalha os números do desemprego, quer-me parecer que, com um bocadinho de esforço e dedicação do nosso Primeiro, se ele der o mesmo tratamento ao número de medalhas conquistadas, ainda vamos a tempo de sair de Pequim com, pelo menos, umas 48.
Líquidas, claro.
segunda-feira, agosto 18, 2008
Fado
quinta-feira, agosto 14, 2008
quarta-feira, agosto 13, 2008
Nós por lá - Orgulhosamente só
Concordo.
Depois de se ter elevado tanto a fasquia, o facto de estarmos atrás do Azerbaijão, Zimbabué, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Togo e Usbequistão na lista de medalhas é completamente secundário...
terça-feira, agosto 12, 2008
Cinco Dias - Comentário transformado em posta
O que considero que também devemos lamentar é o facto de alguém levar menores para um assalto. A Fernanda se calhar não sabe, mas os menores são muito utilizados como escudos em actividades criminosas, com especial incidência no transporte de estupefacientes.
Quanto ao que realmente aconteceu só o inquérito da IGAI - alguém explique ao blasfemo João Miranda o que é a IGAI - poderá apurar as circunstâncias em que aconteceu o disparo e tudo o que aconteceu. Reitero que, para mim, a perda de uma vida humana é sempre de lamentar, e não acredito que o militar que fez o disparo esteja feliz por tê-lo feito.
Depois, temos uma questão de fundo que tende a ser desvalorizada, e sê-lo-á quase de certeza no que vem por aí, que é, precisamente, a natureza militar da GNR. Como militares, os homens e mulheres da GNR recebem um treino muito específico, vocacionado para o combate e o confronto, é por isso que são militares, e isso mesmo tem sido afirmado várias vezes pelo José Maneiro, presidente da Associação de Profissionais da Guarda. E é urgente que esta natureza militar seja terminada para uma força de segurança que lida todos os dias com o cidadão e não com o inimigo.
Outra matéria são as armas utilizadas e a sua fiabilidade. E a Fernanda Câncio até pode ajudar a esclarecer os cidadãos sobre onde páram as novas armas Glock que o MAI anda a anunciar há quase 1 ano e que deveria ter sido entregues até 30 de Novembro de 2007
. http://umtaldeblog.blogspot.com/search?q=armas
E a Fernanda tem boa maneira de sabê-lo, a julgar pela familiaridade que pudemos todos observar na entrevista que fez, há uns tempos, ao Oliveira Pereira.
segunda-feira, agosto 11, 2008
Espírito Santo
O assalto conheceu vários desenvolvimentos, desde a fuga de reféns - e não a sua libertação, o que de resto aconteceu com apenas uma das pessoas que estava dentro BES, devido a um ataque de ansiedade. O desfecho, que já toda a gente conhece, ganhou uma dimensão tremenda, mas vamos por partes:
1. Não acredito que algum elemento da PSP mate por prazer. Acresce ainda, no caso dos snipers do GOE, o facto de apenas poderem disparar após ordem superior. E, depois da ordem dada, não podem falhar.
2. Todos os elementos da PSP - e não só o GOE - que estiveram no local, estiveram submetidos a níveis de stress inimagináveis durante as horas que durou o sequestro. É também para isso que estão preparados, é por isso que integram uma Unidade Especial de Polícia.
3. O lema da UEP é "A última razão". Não é difícil perceber por quê. São isso mesmo, os que actuam quando tudo o resto falhou.
4. É evidente que o desfecho do sequestro não foi o ideal. Ideal, teria sido que não houvesse vítimas; antes disso, que não houvesse reféns; antes disso, que não houvesse assalto. Mas houve e a PSP procedeu da forma possível. E, dentro do possível, a operação foi um êxito: Não houve baixas entre os reféns ou entre as forças policiais.
Dito isto, vamos às reacções:
O Moita Flores, uma espécia de autarca, deixou vir ao de cima toda a sua pequenez, relacionando a nacionalidade dos assaltantes ao acto praticado. A isto não terá sido alheio o facto de também a Imprensa em geral ter referido, até à exaustão, a nacionalidade dos assaltantes. Se fossem dois portugueses, o tratamento seria o mesmo?
Uma viagem pelos sites e blogs coloca a nú um perigo enorme que, até então, parecia estar mais ou menos adormecido. As reacções xenófobas foram tremendas, por parte do cidadão comum. Importa encontrar respostas para isto. O sentimento de insegurança instalou-se e é uma batalha tremenda que as Forças de Segurança têm pela frente. A par disso, a noção e o sentimento de impunidade - muito por culpa das alterações aos códigos Penal e de Processo Penal, que teve como um dos criadores o actual ministro Rui Pereira - que grassa pela aplicação da justiça, faz com que os cidadãos anseiem por ver resultados palpáveis nas acções policiais. E, na acção no BES, foi isso que viram. É evidente que os elogios são efémeros. Se hoje os mesmos que elogiaram a PSP forem multados, os Profissionais da Polícia passam outra vez a bestas.
Blogosfera
Mas se, com mais ou menos exageros, a acção da PSP foi louvada pela generalidade de quem se pronunciou sobre o caso, houve excepções. Nada contra, obviamente. Mas ir tão longe como foi o blasfemo João Miranda no seu blog, roça o ridículo. Pretende o ilustre blogger comparar pela negativa a acção dos snipers e a pena de morte.
Desde quinta-feira que continua o seu esforço absurdo de denegrir a acção dos polícias. Certamente que o João Miranda, se estivesse no lugar da refém que saiu a correr após o tiro do sniper, dirigir-se-ia ao oficial de dia para travar-se de razões e questionar o tiro que matou o assaltante.
Depois, alega ainda que, "em Portugal, não há uma fiscalização independente das polícias". Das duas uma, ou é ignorante - e isso está sempre a tempo de corrigir - ou omitiu deliberadamente a existência da Inspecção-Geral da Administração Interna. E, se foi a segunda hipótese, não é grave. É só desonesto.
A IGAI existe e é dirigida por um magistrado, de nome Clemente Lima. E tem uma actuação bastante visível. Ainda há dias emitiu uma directiva que aconselhava os polícias a não recorrerem à arma em perseguições policiais.
É Agosto, é verdade, e há muito pouco para dizer. Mas, às vezes, estar calado é mesmo o ideal.
quinta-feira, agosto 07, 2008
Galp - sentimentos à flor da pele

E o que nos diz este gráfico? Que o preço do Brent, que serve de referência ao mercado luso, está agora ao mesmo nível do preço mais elevado de Abril de 2006.
Sem Chumbo95 - €1.473
Sem Chumbo98 - €1.612
Gasóleo - €1.393
Gasóleo + - €1.468
Sem Chumbo98 - €1.544
terça-feira, agosto 05, 2008
Cobradores do traque
segunda-feira, agosto 04, 2008
Eu andei por aí - Parte II
No dia 4 de Agosto, em pleno mês de férias, de turismo, de desenvolvimento da nossa grande actividade económica - dizem - a PSP do Porto tinha apenas duas brigadas (quatro elementos) da Divisão de Trânsito para tratar dos acidentes rodoviários. Aprendi da pior maneira possível, estive à espera de uma delas.
Cavaco falou ao país para dizer ao Governo que ele também manda.
Já rola por aí que os centros comerciais vão estar abertos 24 sobre 24h. Assim de repente, acho que já vi este filme. Os patrões depois recuam e, para demonstrar toda a sua humanidade, não querem abrir 24 horas por dia, mas sim apenas aos domingos. Já me lembro do filme, foi o que se passou com o despedimento sem justa causa do Código Laboral do Governo, da UGT e do patronato.
Há uma proposta lançada para a opinião pública que pretende permitir qualquer coisa como prisão preventiva em part-time. É avançado que, depois de ser condenado em primeira instância, quem está em prisão preventiva e optar por recorrer da pena, passe apenas as noites na cadeia. Ou seja, fica em prisão preventiva mas, depois de condenado, passa os dias em liberdade. Faz sentido, não faz?
O Daniel Oliveira deixou de defender o Bloco para defender o Sá Fernandes.
Já temos cartaz para a Festa do Avante!.
Depois d'O Comércio do Porto, é a vez d'O Primeiro de Janeiro passar por dias terríveis para quem lá trabalha - ou trabalhava. Hoje saiu para as bancas feito pela redacção d'O Norte Desportivo.
Relacionado com o parágrafo anterior, é uma pena que o blog do JPMeneses tenha fechado - espero eu que apenas para férias e vou enviar um mail a tratar disso -, gostava de saber o que tem a dizer sobre esta situação.
Os salários dos trabalhadores podem vir a ser pagos em géneros. Eu sugiro que também os membros do Governo passem a ser pagos em género. Ontem o jantar estava algo picante e, apesar das dores abdominais e do aroma, estou disponível para ceder todos os géneros, devidamente isolados por causa da ASAE, para pagar aos súbditos de Sócrates.
"Ópera para operários
Na Festa do Avante! deste ano haverá ópera. Será, de resto, a grande novidade da festa do jornal do PCP. No Palco 25 de Abril poderá deleitar-se com árias de ‘O Barbeiro de Sevilha’, de Rossini, ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, ‘Madame Butterfly’, de Puccini, e ‘Porgy and Bess’, do muito americano Gershwin. Para compensar estes desvios claramente burgueses deste Partido-Comunista-em-versão-São-Carlos, também haverá, claro... ‘A Internacional’."
O texto acima lê-se n'O Tempo das Cerejas, foi transcrito do Expresso. Para o imbecil que o escreveu, resta só dizer que, para já, os gostos musicais não pagam imposto, nem são propriedade de quem quer que seja; burguês, nobre, operário ou simplesmente estúpido. Ah! Já agora, a imbecilidade também não paga imposto. Nalguns casos, infelizmente.
Já temos Acordo Ortográfico e parece que vai mesmo para a frente. Sou frontalmente contra e a fúria deste Governo avança até ao ridículo de decretar a forma como escrevemos. Dizem que é importante por causa da projecção internacional do português. Já agora, alterem também a Lei da Rádio e universalizem o português. É que a lei considera os cantores brasileiros, que cantam no agora português universal, música estrangeira.
Amanhã há mais.
segunda-feira, julho 07, 2008
O medo
Depois de, surpreendentemente, elogiar Saramago, que ainda há uns tempos era um decrépito apoiante das atrocidades cubanas. Nos comentários ao texto cuja ligação está na primeira linha do texto, o autor fala ainda em clima claustrofóbico dentro do PCP.
Por coincidência, ainda ontem conversava sobre a minha desconfiança em relação a elevadores, quando olhava para um submarino que passava na tv.
Voltando ao post do Pedro Correia, aqui fica o esclarecimento às afirmações falsas que faz. Falta é saber se quer ser esclarecido...
VOTO DE CONGRATULAÇÃO
Ingrid Betancourt em liberdade
Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana. O resgate de Ingrid Betancourt coloca em evidência a gravidade da situação em que se encontram centenas de prisioneiros na posse da guerrilha e nas prisões do regime de Álvaro Uribe e a necessidade de encontrar uma solução humanitária. Assinale-se que, sistematicamente, o Governo da Colômbia tem vindo a sabotar negociações, mediadas por responsáveis de diversos países, no sentido da troca de prisioneiros entre as partes do conflito. Os complexos problemas em presença na Colômbia, exigem uma solução política e negociada de um conflito que se arrasta há mais de 40 anos, indissociável de um regime que promove o agravamento da exploração, da repressão e das perseguições, incluindo milhares de assassinatos e brutais torturas, fortemente condicionado pela ingerência política e militar da administração norte-americana. A necessidade de uma solução negociada para o conflito na Colômbia, torna-se ainda mais urgente num quadro em que os EUA o procuram radicalizar e instrumentalizar, como justificação para o reforço da presença de forças militares e como forma de desestabilização da região e dos países que a integram, com risco de escalada militar e ameaça à paz.
Nestes termos, a Assembleia da República:
1- Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2- Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3- Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4- Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5- Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6- Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.
Assembleia da República, 4 de Julho de 2008
Moção apresentada pelo grupo parlamentar do PCP
Moção rejeitada com os votos contra do PS, PSD, BE e CDS.
sexta-feira, julho 04, 2008
Água vai!
Tenho enrome curiosidade em saber se nos empregados se incluem administradores e outros funcionários de topo, mas tal ainda não me foi possível...
Alguém esclarece?
quinta-feira, julho 03, 2008
Eu andei por aí
Portugal foi eliminado do EURO, Manuela Ferreira Leite foi ver o neto a Londres e deu uma entrevista à TVI, Jaime Silva esteve no seu melhor, o Cebola foi para o FC Porto, o Benfica já contratou 387456387 jogadores, a UGT acedeu à voz do dono e assinou o Código Laboral, o Bastonário da Ordem dos Advogados voltou a debitar umas bocas absurdas e mais e mais e mais.
Sócrates deu uma entrevista e ficámos a saber que, afinal, vão ser as instituições do Estado a suportar a crise. Não será o Governo, directamente, mas as Autarquias, as mesmas que asfixiou desde que chegou ao poder.
Ou seja, as instituições privadas que lucram com a crise, vão continuar a lucrar mais e mais e mais e mais.
Volto já!
quarta-feira, junho 18, 2008
Eu prometi!
Os comunistas, esses eternos pessimistas que não percebem a economia...
"Boa noite. Há quatro anos, nesta mesma estação de televisão, Miguel Urbano Rodrigues avisava que o mercado havia de fazer disparar o preço do barril de petróleo para os 125 dólares. E. na altura, o mundo virtual da opinião bloguista, criticou-o pela visão catastrófica do capitalismo, pela visão comunista ortodoxa"
A vantagem das pré-campanhas e a incrível visão económica de Jorge Coelho
O sector da construção português cresceu 10,6 por cento em Abril face ao mês anterior, conseguindo a maior subida mensal na União Europeia (UE) no sector, segundo revelam os dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Face a Abril do ano passado, o crescimento de Portugal foi de 4,4 por cento.
De acordo com o gabinete de estatística da UE, a construção na Zona Euro caiu 2,8 por cento no mês de Abril, quando comparado com o período homólogo do ano anterior, e 0,8 por cento face ao mês de Março.
Na União Europeia, o decréscimo foi menor quer face ao mês de Março (0,4 por cento), quer relativamente ao ano passado (0,3 por cento).
Depois de Portugal, a Bulgária e a Polónia foram os países que conseguiram mais crescimentos mensais, com 6,9 e 3,2 por cento de subidas, respectivamente.
As maiores quedas deste indicador ocorreram em Espanha (caiu 6,5 por cento face ao mês anterior) e Alemanha (-2,9 por cento).
Os dados da Eurostat referem-se ao índice sazonal ajustado do sector da construção.
Notícia Lusa.
Umas auto-estradas que levam a lado nenhum, umas alienações de património a favor de privados, uns centros de 3.ª idade e aí temos um sector económico que nem se lembra do preço dos combustíveis!
Foi o melhor Coelho que o Jorge tirou da cartola!
segunda-feira, junho 16, 2008
breves
Para actualizar a lista ali ao lado;
Para perceber por que é que nos referendos sobre a UE, quando o voto é positivo é porque o Povo está informado e quer uma Europa forte; quando o voto é negativo é porque o povo é ignorante e quer castigar as políticas nacionais;
Para perceber o que estão aqueles quatro senhores a discutir no Prós & Prós;
Para perceber o que leva a RTP a ter um programa chamado "Conversas de Mário Soares";
Para perceber se a mesma RTP paga mais ao pessoal da Antena 1, que trabalha para a rádio Antena 1, para transmitirem o programa Antena Aberta na RTPN.
sexta-feira, junho 13, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
Lost
Alguém viu por aí um primeiro-ministro, nem que seja a falar inglês técnico?
domingo, junho 08, 2008
Arrastadeira (II) ou: A Esquerda, os entendimentos e os diálogos possíveis
Daniel Oliveira:
Bruno: em que encontrou as respostas que procura.
Já agora, qual é o modelo económico, social e jurídico que, por exemplo, o PCP defende.
rms:
“Daniel Oliveira:
Bruno: em que encontrou as respostas que procura.
Já agora, qual é o modelo económico, social e jurídico que, por exemplo, o PCP defende”.
Eu sei, e o Daniel sabe quais são os modelos económico, social e jurídico que o BE defende?
Daniel Oliveira:
Eu nem sei, neste tempo que vivemos, o que é isso de ter UM modelo económico. Sei o que é ter objectivos, princípios, coisas a conquistar e a defender.
Se ler o programa do PCP é completamente social-democrata. Depois tem uma leitura ideológica que não tem, não quer, nem se deve confrontar com a realidade, pois não é essa a função que o PCP lhe atribui. A própria forma como o PCP trata o marxismo é absolutamente anti-marxista. É dogmática e quase religiosa.
Sempre que falamos de qualquer exepriência comunista os militantes dizem que não é esse o modelo que defendem para Portugal. Quando perguntamos qual é não temos resposta. E quando chegam ao fim lembram aos outros que são os únicos que o têm.
Eu não tenho um modelo. Não tenho, confesso. Tenho várias soluções, respostas e dúvidas. Coisas a que me oponho e que defendo e que tento que sejam ideologicamente coerentes. Não tenho um modelo. E sinceramente, nisto os comunistas que conheço estão iguais a mim. Também não têm. O que foi experimentado foi mau e ainda não se pensou em melhor.
Feita a confissão da minha franqueza, a de ser um ateu, ajude-me: qual é o modelo então que dá ao PCP essa superioridade que lhe permite defender o capitalismo angolano e o capitalismo chinês? Estão mais próximos do tal modelo?
É que eu só encontro uma ponto em comum nos vários regimes pelos quais o PCP tem simpatia: não há liberdade política. De resto, não há modelo nenhum.
Se me diz que é o “socialismo”, então eu digo-lhe que isso não é resposta. Também é o meu, só que esse são milhares de modelos diferentes. Se me diz que é o comunismo, tem de me explicar o que será diferente do que tivemos. Se me diz que é a reconstrução disso tudo eu dou-lhe os parabéns e digo-lhe que está tão à nora como eu e como nós todos.
Porque neste tempo podemos ter algumas certezas. Mas quem tenha uma certeza, um modelo, uma resposta, está apenas no campo da religião. Nada tem a ver com política.
rms
Caro Daniel Oliveira:
Tendo em conta a quantidade de respostas que dá a perguntas que não me fez, deixe-me clarificar que não perguntei ao Daniel Oliveira quais os modelos social, económico e jurídico que o Daniel Oliveira defende, perguntei qual os modelos social, económico e jurídico que o Bloco defende. E são coisas completamente distintas, tendo em conta a liberdade Daniel Oliveira, que tanto pode defender uma economia de mercado, como uma economia ultraliberal ou qualquer outro tipo de economia, porque o BE é isso mesmo, uma amálgama de coisas que redundam em coisa nenhuma.
O facto de haver uma linha ideológica coerente faz com que apelide de religiosa a forma do PCP de encarar a política. Está no seu direito, para mim, é só mais um rotuleiro que cataloga tudo e todos os que não concordam com aquilo que defende; e, claro, isso sim, é democracia.
Essa forma de estar, cheia de superioridade intelectual e moral que despeja aqui mais não é que um ressabiamento em relação ao PCP, que, confesso, me faz alguma confusão.
Percebo que sendo o PCP uma religião, como afirma, passe mais tempo a denegrir um sector fundamental da Esquerda que quer unir; afinal, o Daniel é ateu;
Mas sendo o PCP uma religião, como diz, espanta-me que um ateu convicto como o Daniel Oliveira não se importe de estar ao lado dos seus militantes, como acontecerá já amanhã, segundo diz - porque a repetir o que sucedeu já em variadíssimas outras ocasiões, o Daniel Oliveira irá atrás de uma faixa identificada com o símbolo do Bloco, quando os restantes manifestantes seguem atrás de faixas de sindicatos e associações, independentemente do seu partido - chama-se a isto o respeito pela diferença no seio da CGTP, que o Daniel tanto apregoa, mas quando é para propaganda, lá vem o PCP outra vez instrumentalizar a Inter.
É que, ao contrário de noutros partidos e blocos, são os militantes que fazem o PCP, não é um ideólogo iluminado que dita a conduta do rebanho.
Confesso que fiquei desiludido com o argumentário que utiliza - equiparável ao que é utilizado pela direita mais reaccionária - em relação a modelos económicos de alguns países e, neste aspecto, transcrevo:
“Embora com graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos, R. D. P. da Coreia.
Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar, independentemente das diferenças que existem em relação à nossa concepção programática de sociedade socialista a que aspiramos para Portugal, e de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio, que nos suscitam”.
Isto está na Resolução Política aprovada no último Congresso do PCP, o resto são devaneios do Daniel, talvez por causa do clima abafado que estava no Teatro Trindade.
Quanto ao resto:“1. No ideal e projecto dos comunistas, a democracia tem quatro vertentes inseparáveis - política, económica, social e cultural.
democracia política baseada na soberania popular, na eleição dos órgãos do Estado do topo à base, na separação e interdependência dos órgãos de soberania, no pluralismo de opinião e organização política, nas liberdades individuais e colectivas, na intervenção e participação directa dos cidadãos e do povo na vida política e na fiscalização e prestação de contas do exercício do poder;democracia económica baseada na subordinação do poder económico ao poder político democrático, na propriedade social dos sectores básicos e estratégicos da economia, bem como dos principais recursos naturais, na planificação democrática da economia, na coexistência de formações económicas diversas, no controlo de gestão e na intervenção e participação efectiva dos trabalhadores na gestão das empresas públicas e de capitais públicos;democracia social baseada na garantia efectiva dos direitos dos trabalhadores, no direito ao trabalho e à sua justa remuneração, em dignas condições de vida e de trabalho para todos os cidadãos, e no acesso generalizado e em condições de igualdade aos serviços e benefícios sociais, designadamente no domínio da saúde, ensino, habitação, segurança social, cultura física e desporto e tempos livres;democracia cultural baseada no efectivo acesso das massas populares à criação e fruição da cultura e na liberdade e apoio à produção cultural”.
O resto, encontra em http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#27
Já no caso do BE, não encontra em lado algum, por um motivo simples: Não se encontra o que não existe.
Ou seja, o carácter "revolucionário" do BE resume-se a pensar muito e diferente; todos diferentes. Quem pensar da mesma forma é seguidista e debita cassetes. Desde que não seja no Bloco, porque por lá todos são bem-vindos: até o deputado indignado que faltou à votação da moção de censura que o BE apresentou, embora tenha dito que votaria contra, se lá estivesse.
Basicamente, não há um fio condutor, vivem o imediato e o mediático. Espero, muito sinceramente, que o PS não consiga maioria absoluta no próximo ano. Aposto que vai dar para tirar uma série de dúvidas...
E pronto, o diálogo resume-se a isto. Agora, pelo blog que linkei lá em cima, discute-se a aliança em Lisboa entre Sá Fernandes e o PS.
O dono do Arrastão continua no esforço hercúleo de defender o homem e atacar as decisões. É a coerência bloquista.
PS: Não, o grande adversário não é o BE, mas sim a direita. Mas há coisas que não podem passar sem resposta. E falar em Esquerda sem falar no PCP, é mais ou menos como falar em francesinha sem molho...
sexta-feira, junho 06, 2008
O medo da rua
Hoje já não é assim. A rua exige cuidados quando a atravessamos, às vezes nem a passadeira nos safa.
Santana Lopes estendeu uma passadeira que permitiu a Sócrates atravessar as eleições com uma maioria absoluta que lhe deixou um enorme campo de manobra. De mão dada com a Imprensa, Sócrates foi fazendo e desfazendo o que bem entendeu, da forma que melhor quis, deixando apenas a alternativa da rua para a contestação.
Sócrates não tem medo das ruas. Tendo em conta o seu passado político, não sei se alguma vez teve.
A constante desvalorização do governo em relação às manifestações não cansa os portugueses. Acredito que lhes dá mais força. Mas é um caminho perigoso.
Desvalorizar as formas democráticas de descontentamento contra seja o que for, é empurrar quem protesta para outros modos menos convencionais, até que sejam ouvidos e respeitados por quem tem o dever de respeitar quem representam.
A luta continua!
quinta-feira, junho 05, 2008
Premonição
A frase do ministro não é de hoje, mas de dia 3 de Julho de 2007.
Ontem, em Bruxelas, aconteceu algo inédito, na manifestação de pescadores italianos, espanhóis e franceses. Foi queimada uma bandeira da UE, algo inédito neste tipo de protestos.

Fartei-me de procurar esta foto e tirei-a emprestada d'O Quotidiano da Miséria.
terça-feira, junho 03, 2008
Esquerdas
Espero conseguir publicá-la aqui e vê-la várias vezes durante muito tempo.
*Depois de ver o directo da Sic Notícias sobre o comício, perdão, festa, disponibilizo-me desde já para fazer os contactos necessários para a próxima iniciativa semelhante possa ter lugar no Salão Paroquial de Leça da Palmeira, onde cabem mais de 15 pessoas.
Ao mesmo tempo, estou certo de que no dia 5 de Junho, ao lado da CGTP, encontrarei todas aquelas personalidades que, ao melhor estilo do Fernando a.k.a "Emplastro", focaram a câmara mais do que ela focou a eles. Tudo em nome da convergência das esquerdas, claro.
É hoje!
Hoje vai haver um super-mega-hiper "rifixe" comício de todas as Esquerdas. Claro que tem a participação desse congregador de correntes que é o BE. A tentação de aparecer a todo o custo tem destas coisas. Une o preto ao branco e depois recusa reconhecer que a única coisa que dali sai é um enorme cinzento, uma espécie de nevoeiro muito bonito ao olhar mas que, quando se levanta, só mostra vazio.
Uma unidade tão plural que fica difícil perceber se vai haver palanques e holofotes onde caibam tantos e tão diferentes - diferentes, dizem eles.
A congregação une - veja-se - o homem dos uivos, pessoas cujo único estatuto que têm é ser ex-comunistas e um deputado que suporta a maioria do PS no Governo*.
Há coisas fantásticas, não há?
* Recuperação do texto de Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008
Cidadania
"A entrevista de Alegre ao Público é constituída por duas páginas de imenso irrealismo, só comparável ao do próprio primeiro ministro. Alegre fala do Governo como se não fosse deputado eleito pelo partido que suporta a maioria, manifesta preocupações e sentimentos e tece considerações ao melhor estilo de Marinho Pinto - mas menos efusivo -, através de exercícios demagogia pura e dura. Até podia ser atenuado se Alegre não tivesse faltado, por exemplo, à votação do Orçamento de Estado de 2006, ou se não tivesse votado a favor do Orçamento para 2007.
A suposta oposição de Alegre ao Governo faz-se através da cobertura às decisões decisões de Sócrates, mas usando declarações de voto, onde alega, várias vezes, que "sendo eleito em listas partidárias, há situações em que, salvo circunstâncias excepcionais, não deve quebrar o sentido de voto do seu Grupo Parlamentar: programa de governo, moção de confiança e moção de censura, Orçamento de Estado".
Ou seja, não se deve quebrar o sentido de voto nos diplomas que regem as políticas, mas censuram-se as políticas.Revela, sobre a remodelação - de cargos - que não criticou pessoas, mas sim políticas..."
Post it:
A votação da moção de censura apresentada pelo PCP ou o exemplo do socialismo amigo do BE: "Vamos, então, proceder à votação da moção de censura n.º 2/X — Ao XVII Governo Constitucional (PCP).
Submetida à votação, não obteve a maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, tendo-se registado 113 votos contra (PS), 22 votos a favor (PCP, BE, Os Verdes e uma Deputada não inscrita) e 78 abstenções (PSD e CDS-PP)".
Post it 1: Só por curiosidade, alguém pode explicar por que é que foi noticiado que Manuel Alegre faltou à votação da moção de censura do BE, mas o registo de presenças online da AR de dia 16 o dá como presente?
segunda-feira, junho 02, 2008
Agenda
sexta-feira, maio 30, 2008
Não há gasóleo? Comam brioches!
O governo também não tem culpa da especulação em torno do preço do petróleo.
Também não tem culpa do desenvolvimento gigantesco das potencias emergentes.
Também não tem culpa da queda do dólar.
Mas:
Só o governo acreditou que Portugal estava blindado a um agravamento da economia internacional;
É ao governo que cabe tomar medidas para atenuar o efeito da crise;
É ao governo que cabe agir com celeridade para averiguar a cartelização dos preços dos combustíveis;
É ao governo que cabe anular a dupla tributação que pagamos nos combustíveis, quando o IVA incide não sobre o valor-base do combustível, mas sim sobre o valor-base do combustível mais o ISP.
Zoo
Luís Fazenda prestou-se a um papel miserável ao pedir a "defesa da honra" para atacar a resposta óbvia que viria da bancada do PS, após o episódio dos uivos.
Lobos, uivos, animais, animalescos, Fernanda Câncio, Manuel Alegre, Conferência Episcopal. Sobre o que realmente interessa aos cidadãos, quase nada, a não ser que não haverá aumentos intercalares de salários e pensões, na resposta a uma pergunta de Jerónimo de Sousa.
A frase:
"O senhor primeiro-ministro não distribui a riqueza, espalha a pobreza", Jerónimo de Sousa.
quarta-feira, maio 28, 2008
Directas
Pude concluir que:
Manuela Ferreira Leite é a candidata mais masculina dos quatro e acha que sofremos todos de Alzheimer;
Santa Lopes não está tão moreno como o Portas e acha mesmo, mas mesmo, que sofremos todos de Alzheimer;
Patinha Antão é uma espécie de Olegário Benquerença do PSD, um Coito Pita do continente. É isso mesmo: Patinha Antão, seja lá isso o que for. É bom para quem sofre de Alzheimer; faz rir de cada vez que nos voltamos a lembrar dele.
Passos Coelho não tem lábio superior, é tão populista como Santana e faz-nos acreditar que sofremos todos de Alzheimer, porque nunca o vimos mais gordo;
Perante o cenário, vou ali atirar-me ao leite-creme que a minha mãe deixou na cozinha.
Cristianismo
terça-feira, maio 27, 2008
Começar bem o dia
A selecção visita um centro para deficientes profundos perto de Viseu.
O jornalista para uma responsável do centro:
- O que lhe têm dito os seus utentes?
A responsável:
- ... Os utentes do centro são deficientes profundos, a maioria não comunica por palavras...
segunda-feira, maio 26, 2008
PS em Matosinhos
De vez em quando, a gamela fica pequena para tanto apetite e surgem novelas como a que se vive na Imprensa local, entre o Jornal de Matosinhos, afecto ao ex-presidente da câmara e futuro candidato, Narciso Miranda, e o Matosinhos Hoje, ao lado do actual executivo.
Nada disto é novo. Noutros posts que aqui escrevi e que agora não me apetece ir procurar, referi isto mesmo e expliquei como as coisas se passam: A Câmara Municipal de Matosinhos representa a principal receita dos dois jornais. Ora, como aqui ninguém dá nada a ninguém, ou anda tudo na linha, ou a CMM retira a publicidade e deixa os jornais em maus lençóis. Desta vez coube a fava ao Jornal de Matosinhos, noutros tempos o Matosinhos Hoje teve a mesma sorte.
Mas, indo ao que realmente interessa, aqui fica o registo:
O contexto: Alunos da Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, no âmbito da disciplina de Área Projecto, decidiram, no passado sábado, oferecer um almoço a alguns dos sem-abrigo que costumam almoçar na Misericórdia de Matosinhos. A organização teve honras de fotolegenda no JN.
Os sem-abrigo e as populações carenciadas: Quando a CMM foi convidada a estar presente, foi solicitado que o nome da iniciativa fosse alterado, uma vez que para a autarquia não existem sem-abrigo em Matosinhos, mas sim "populações carenciadas".
A saga do autocarro: Os alunos dinamizadores da iniciativa solicitaram à CMM um autocarro para transportar os sem-abrigo entre Matosinhos e a escola. Se primeiro a CMM acedeu, dois ou três dias antes do almoço, quando a escola procurou confirmar a cedência do autocarro, foi dito que já não havia transporte.
Do lado da escola afirmaram que não havia problema, que haviam de arranjar maneira de deslocar os sem-abrigo, mas que a recusa seria divulgada junto dos Órgãos de Comunicação Social que já haviam confirmado a presença no evento.
Do outro lado da linha, do gabinete do presidente Guilherme Pinto, alguém afirmou que já que os jornais iam estar presentes, então era melhor falar com o Presidente.
Pouco depois, surgiu o telefonema que serviu para assegurar o transporte dos sem-abrigo mas também - oh, surpresa das surpresas! - a informar que o presidente fazia questão de estar presente na iniciativa.
O almoço, as sobremesas e as calorias: Quando a comitiva chegou ao almoço, o vereador da educação, Correia Pinto, aproximou-se da mesa das sobremesas e disse a uma das Auxiliares de Acção Educativa (AAE) que se voluntariou para ajudar na iniciativa que "aquilo não é comida saudável".
A AAE retorquiu, depois de verificar que o vereador Correia Pinto não estava a brincar: "Isto é comida saudável. Para estas pessoas, isto é comida saudável. É um mimo que se dá a quem não tem o que comer".
O vereador: "Desculpe, mas eu tenho razão. Isto não é comida saudável".
A AAE: "Desculpe, mas se o senhor tem razão, eu também tenho. Para estas pessoas, isto é comida muito saudável. É disto que estas pessoas precisam".
O vereador: "Não precisa de se ofender":
A AAE: "O senhor também não".
Mais tarde, o vereador Costa Pinto disse o mesmo a uma das professoras do Conselho Executivo da escola, que respondeu o mesmo que a AAE.
A conclusão: Cada um tire as suas...
sexta-feira, maio 23, 2008
Fosso
Não o conhecia, mas conhecia-o desde que nasci. Parece estranho, não é? Mas não. Habituei-me a vê-lo quase todos os dias, nem que fosse só de passagem. Era Vermelho por todo – das pessoas mais coerente que conheci. Vermelho, por ser ruivo, benfiquista e comunista. Comunista daqueles que a vida o fez. Nunca leu Marx ou Engels ou Lenine ou discutiu o materialismo histórico ou dialéctico, nem leu O Capital ou a Crítica da Crítica crítica. Era comunista, se calhar por ser do tempo em que duas sardinhas alimentavam famílias inteiras. Em que falar verdade era um desafio à autoridade.
O Vermelho estava no lado errado do fosso, que ainda hoje faz as manchetes. Estava do lado da fome e das privações. Já não está. Ficam a mulher, os filhos e os netos de filhos sem idade para serem pais.
Para o Vermelho, só fazia sentido ser comunista. Até pelos anos escaldantes que passou na FACAR, empresa de metalurgia que a especulação imobiliária se encarregou de fechar e enviar para a incerteza do desemprego perto de um milhar de pessoas.
Foi um dos muitos filhos da ditadura fascista, que o sistema se encarregou de desestruturar. Por consequência, desestruturou-se a ele próprio e à família que sustentava. Mais precisamente, desestruturou-o o vinho. O Bairro, hoje, está deprimido. Não, não vou entrar naquela coisa tão portuguesa dos elogios póstumos, que deixa os vivos com uma espécie de sentimento de culpa por ver alguém morrer.
A bem da verdade, o Vermelho não morreu, mataram-no, e acho que é isso que revolta mais o Bairro. Atropelo seguido de fuga. Hoje, o Vermelho foi notícia.
Hoje, o Bairro chora Vermelho.
terça-feira, maio 20, 2008
82
Os carros não voam alto; não nos teletransportamos; não fomos a Marte; um monte de coisas. Isto, partindo do princípio que o mundo não acabaria em 2000. Não acabou.
Havia uma enorme expectativa em torno do século XXI. Ouvíamos, vezes sem conta, dizerem "às portas do século XXI" para condenar atrasos ou justificar inovações. Progressos, nem por isso.
Na escola ouvíamos os prognósticos dos professores de História, de Geografia, de Português, de Inglês sobre o que seria o novo século. Tive muitos e bons professores e quase todos tinham um ponto em comum quando abordávamos o novo século: As guerras do século XXI seriam despoletadas não por religiões, não por territórios, não por petróleo, mas sim pela disputa da água. A água que foi sendo oferecida, a retalho, a compadres da autarquia que ajudaram a criar jobs para boys, de boys, de boys.
A verdade é que quase uma década depois de termos passado o ano 2000, os conflitos existentes não são por causa de água, mas sim de alimentos. O mundo rico continua a sufocar o mundo pobre, o petróleo aumenta à custa da especulação, o euro entrou em vigor e agora é uma tragédia porque os especialistas não o esperavam mais caro que o dólar, aumenta tudo de uma forma absurdamente desproporcional em relação ao que cada pessoa recebe em troca do seu trabalho.
Em 2008, vamos caminhando numa espécie de conta-gotas por baixo da pia, que já pinga há muito e vai acabar por deixá-la vazia. Conta-gotas de suor e lágrimas que milhões e milhões de pessoas vertem pelo que deveria ser básico. H2O e cloreto de sódio - é o que vêem os governantes.
segunda-feira, maio 19, 2008
2.ª feira
Um exemplo: Sic Notícias, jornal das 14h:
Pivô: "Os funcionários queixam-se da perda de regalias."
Abertura da peça, trabalhador: "Retiraram-nos vários direitos"



