No "sobe e desce" de hoje do Correio da Manhã, a imagem de Teixeira dos Santos vem na setinha virada para baixo, com um texto que considera negativo o orçamento ratificativo do Governo.
Concordo com tudo. Por mim, se há orçamento que não ratificava, era este.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
terça-feira, janeiro 20, 2009
Desce
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Justiça Divina
Depois do cessar fogo em Gaza, os céus estão, neste momento, a brindar o Porto com uma intifada em forma de gelo. Como é que se pode não ser crente?
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Tiro ao lado (Parte II)
Porque não consigo comentar esta posta do 5Dias, aqui fica o comentário em jeito de contra-posta:
Vamos então aguardar o fim do inquérito, relembrando que, por questões de coerência, quem considera - e bem - que à polícia não cabe julgar, não se transforme ele próprio em juiz.
No entanto, no seguimento de comentários que deixei no post anterior, gostaria mais uma vez de realçar a postura da Direcção Nacional da PSP em casos que podem estar relacionados com a qualidade do serviço policial.
Esta notícia de 2 de setembro de 2008 é um exemplo disso mesmo:
http://www.aspp-psp.pt/comunicacao.php?id=263
«Contactado pelo JN, Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), considerou "preocupantes" os resultados conhecidos até ao momento. A começar pelas três mil candidaturas. "É muito pouco, se compararmos, por exemplo, com a década de 90, em que chegava a haver até 14 mil candidatos e, por vezes, 6000 passavam à última fase. Alguma coisa não está bem", afirmou.
(...)
«"Desta forma, poderá haver uma redução dos níveis de exigência e de qualidade para entrar na PSP, numa altura em que é preciso melhorar em todos os sentidos para responder aos problemas de segurança", argumentou o dirigente, explicando a pouca afluência de cidadãos como um "reflexo" da falta de condições que marca o quotidiano da Polícia. "Hoje em dia, ser polícia não é uma profissão atractiva. Vive-se em permanente risco de vida; não se trabalha com condições dignas e o salário é ridículo. É preciso uma política séria de segurança", concluiu Paulo Rodrigues.»
Ou seja, são os próprios polícias que se preocupam com esta questão. Do Governo e da DN da PSP nem uma palavra.
Como conclusão, deixo aqui um texto que me dei ao trabalho de bater, por não encontrar online, publicado na revista Focus de 28 de Dezembro de 2008, na rubrica Bilhete Postal:
"Pisar o risco
Paulo Rodrigues
Presidente da ASPP/PSP
Associação Sindical dos Profissionais da Polícia
Ser profissional da polícia é mais que uma profissão. É um modo de vida. Pelas restrições nos direitos de cidadania e pela natureza da missão que encarnamos. Temos um poder político que não reconhece a especificidade dos profissionais que integram a PSP e isso em nada beneficia as instituições ou a própria democracia. Das muitas reformas anunciadas ao longo dos anos, poucas são as que estão no terreno, as que beneficiam os cidadãos e as que tiveram em conta o contributo dos sindicatos nas reuniões com os diversos ministros da Administração Interna.
Este menosprezo constante dos profissionais da polícia assumiu contornos particularmente graves com este Governo: Desde a perda do poder de compra, dos descontos para o Sistema de Assistência na Doença, passando pelas condições de aposentação e pré-aposentação, até às condições laborais – dos meios e equipamentos às instalações – também a área da formação tem sido negligenciada. Defendemos uma formação constante, técnica e táctica, e na área das relações humanas. Por vezes, a intervenção de um polícia pode ter consequências socais gravíssimas. Viu-se há uns anos o que sucedeu em França e vemos o que acontece agora na Grécia. O paralelo entre os dois casos está na faísca que ateou o fogo: Tudo começou com uma intervenção policial. Também há muito que alertamos para a insatisfação crescente no seio da PSP, que o Governo teima em desvalorizar. Os polícias convivem com o risco, apenas pedimos ao poder político que não o pise, exigindo o respeito e reconhecimento que nos é devido".
Vamos então aguardar o fim do inquérito, relembrando que, por questões de coerência, quem considera - e bem - que à polícia não cabe julgar, não se transforme ele próprio em juiz.
No entanto, no seguimento de comentários que deixei no post anterior, gostaria mais uma vez de realçar a postura da Direcção Nacional da PSP em casos que podem estar relacionados com a qualidade do serviço policial.
Esta notícia de 2 de setembro de 2008 é um exemplo disso mesmo:
http://www.aspp-psp.pt/comunicacao.php?id=263
«Contactado pelo JN, Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), considerou "preocupantes" os resultados conhecidos até ao momento. A começar pelas três mil candidaturas. "É muito pouco, se compararmos, por exemplo, com a década de 90, em que chegava a haver até 14 mil candidatos e, por vezes, 6000 passavam à última fase. Alguma coisa não está bem", afirmou.
(...)
«"Desta forma, poderá haver uma redução dos níveis de exigência e de qualidade para entrar na PSP, numa altura em que é preciso melhorar em todos os sentidos para responder aos problemas de segurança", argumentou o dirigente, explicando a pouca afluência de cidadãos como um "reflexo" da falta de condições que marca o quotidiano da Polícia. "Hoje em dia, ser polícia não é uma profissão atractiva. Vive-se em permanente risco de vida; não se trabalha com condições dignas e o salário é ridículo. É preciso uma política séria de segurança", concluiu Paulo Rodrigues.»
Ou seja, são os próprios polícias que se preocupam com esta questão. Do Governo e da DN da PSP nem uma palavra.
Como conclusão, deixo aqui um texto que me dei ao trabalho de bater, por não encontrar online, publicado na revista Focus de 28 de Dezembro de 2008, na rubrica Bilhete Postal:
"Pisar o risco
Paulo Rodrigues
Presidente da ASPP/PSP
Associação Sindical dos Profissionais da Polícia
Ser profissional da polícia é mais que uma profissão. É um modo de vida. Pelas restrições nos direitos de cidadania e pela natureza da missão que encarnamos. Temos um poder político que não reconhece a especificidade dos profissionais que integram a PSP e isso em nada beneficia as instituições ou a própria democracia. Das muitas reformas anunciadas ao longo dos anos, poucas são as que estão no terreno, as que beneficiam os cidadãos e as que tiveram em conta o contributo dos sindicatos nas reuniões com os diversos ministros da Administração Interna.
Este menosprezo constante dos profissionais da polícia assumiu contornos particularmente graves com este Governo: Desde a perda do poder de compra, dos descontos para o Sistema de Assistência na Doença, passando pelas condições de aposentação e pré-aposentação, até às condições laborais – dos meios e equipamentos às instalações – também a área da formação tem sido negligenciada. Defendemos uma formação constante, técnica e táctica, e na área das relações humanas. Por vezes, a intervenção de um polícia pode ter consequências socais gravíssimas. Viu-se há uns anos o que sucedeu em França e vemos o que acontece agora na Grécia. O paralelo entre os dois casos está na faísca que ateou o fogo: Tudo começou com uma intervenção policial. Também há muito que alertamos para a insatisfação crescente no seio da PSP, que o Governo teima em desvalorizar. Os polícias convivem com o risco, apenas pedimos ao poder político que não o pise, exigindo o respeito e reconhecimento que nos é devido".
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À prova de tudo
Não é só Leça que é uma terra muito particular. Matosinhos também tem as suas características. Uma delas é o apreço da autarquia pelas portas da cidade. Pelo menos é o que mostra o ajuste directo para a reparação de uma porta na entrada do edifício municipal, supõe-se:
Data de registo:
24-11-2008 0:00:00
Identificação de anúncio(se aplicável)
Listagem de entidades adjudicantes
Nome entidade adjudicante
Matosinhos Habit - MH
NIF 504597221
Nome entidade adjudiatária
502370351
A construtora de Pedroso Lda.
Objecto do contrato(descrição sumária):
Reparação de porta de entrada do edifício
Preço do contrato (Euro):
142.320,00 €
Prazo de execução (dias):
1
Local de execução:
Matosinhos
Apesar do preço, nota-se e louva-se o profissionalismo da empresa a quem foi adjudicada a tremenda obra, que concluiu num dia
Data de registo:
24-11-2008 0:00:00
Identificação de anúncio(se aplicável)
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Nome entidade adjudicante
Matosinhos Habit - MH
NIF 504597221
Nome entidade adjudiatária
502370351
A construtora de Pedroso Lda.
Objecto do contrato(descrição sumária):
Reparação de porta de entrada do edifício
Preço do contrato (Euro):
142.320,00 €
Prazo de execução (dias):
1
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quinta-feira, janeiro 15, 2009
122
O grupo Controlinveste despediu 122 pessoas.
Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e 24 Horas - que fica sem delegação no Porto.
Nunca sei o que dizer nestas alturas. Sei que há diversos factores que levam a isto: O Estatuto do Jornalista, a lei da Comunicação Social e a quantidade enorme de cursos de jornalismo, que, todos os anos, lançam num mercado inexistente, uma dezenas ou centenas de licenciados.
Tem toda a razão o Pedro Correia quando fala dos mortos, da saudade que deixam, do que nos levam com eles. E a saudade, que é uma coisa tão nossa, fica para sempre. Os que ficam cá que se aguentem à bronca, de levar com a saudade deles e com a vida de cada um nós.
Cada uma destas 122 pessoas desempenhava tarefas não no grupo Controlinveste, mas no Jornal de Notícias, n'O Jogo e no 24 Horas. E como eu meço os outros à minha medida, acredito que com cada um deles vai também um bocadinho dos títulos que morrem aos poucos de cada vez que estas coisas acontecem. Como eu trouxe um bocadinho de um outro título quando saí de lá, e esse - que morreu mesmo - continua bem vivo dentro de mim.
Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e 24 Horas - que fica sem delegação no Porto.
Nunca sei o que dizer nestas alturas. Sei que há diversos factores que levam a isto: O Estatuto do Jornalista, a lei da Comunicação Social e a quantidade enorme de cursos de jornalismo, que, todos os anos, lançam num mercado inexistente, uma dezenas ou centenas de licenciados.
Tem toda a razão o Pedro Correia quando fala dos mortos, da saudade que deixam, do que nos levam com eles. E a saudade, que é uma coisa tão nossa, fica para sempre. Os que ficam cá que se aguentem à bronca, de levar com a saudade deles e com a vida de cada um nós.
Cada uma destas 122 pessoas desempenhava tarefas não no grupo Controlinveste, mas no Jornal de Notícias, n'O Jogo e no 24 Horas. E como eu meço os outros à minha medida, acredito que com cada um deles vai também um bocadinho dos títulos que morrem aos poucos de cada vez que estas coisas acontecem. Como eu trouxe um bocadinho de um outro título quando saí de lá, e esse - que morreu mesmo - continua bem vivo dentro de mim.
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quarta-feira, janeiro 14, 2009
Alerta catraias casadoiras!
O Policarpo avisou e é preciso ter cuidado, muito cuidado com os muçulmanos. Os casamentos com muçulmanos podem ser um "monte de sarilhos".
O ideal são os casamentos entre católicos, pela igreja, claro, e de preferência como eram - mais flagrantemente - há umas décadas. A mulher fechada em casa numa enorme burka de cimento e/ou pedra, saindo só para ir à igreja com um lenço na cabeça, talvez para esconder a porrada que levava - e bem - do devoto marido, antes de voltar para casa e tomar conta dos filhos.
Claro que a superioridade civilizacional da igreja católica é flagrante. A distinção entre géneros é apenas um detalhe comum às duas religiões. E os mortos em nome delas. E a - falta de - razão cega. E... E... E...
Post - it: O sr. Soares, o tal da comissão para o diálogo inter-religioso não tem uma palavrinha a dizer?
O ideal são os casamentos entre católicos, pela igreja, claro, e de preferência como eram - mais flagrantemente - há umas décadas. A mulher fechada em casa numa enorme burka de cimento e/ou pedra, saindo só para ir à igreja com um lenço na cabeça, talvez para esconder a porrada que levava - e bem - do devoto marido, antes de voltar para casa e tomar conta dos filhos.
Claro que a superioridade civilizacional da igreja católica é flagrante. A distinção entre géneros é apenas um detalhe comum às duas religiões. E os mortos em nome delas. E a - falta de - razão cega. E... E... E...
Post - it: O sr. Soares, o tal da comissão para o diálogo inter-religioso não tem uma palavrinha a dizer?
terça-feira, janeiro 13, 2009
Nós por cá
Leça da Palmeira é um Mundo. Melhor que as Maldivas, como expliquei em tempos.
Somos tão grandes que até a Junta de Freguesia é diferente. Pensam que estamos nesta coisa da Internet como todas as outras? Nada disso. www.jf-lecadapalmeira.pt? Nada disso. www.junta.pt. É o nosso domínio e é muito bem.
E somos ainda convidados a votar nas sete maravilhas de Leça da Palmeira. Querem eles que "elega as sete maravilhas de Leça". Que estupidez. Leceiro que se preze recusa votar apenas em sete maravilhas, toda a gente sabe que tudo em Leça é maravilhoso e é manifestamente redutor elegar apenas sete...
Somos tão grandes que até a Junta de Freguesia é diferente. Pensam que estamos nesta coisa da Internet como todas as outras? Nada disso. www.jf-lecadapalmeira.pt? Nada disso. www.junta.pt. É o nosso domínio e é muito bem.
E somos ainda convidados a votar nas sete maravilhas de Leça da Palmeira. Querem eles que "elega as sete maravilhas de Leça". Que estupidez. Leceiro que se preze recusa votar apenas em sete maravilhas, toda a gente sabe que tudo em Leça é maravilhoso e é manifestamente redutor elegar apenas sete...
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Concurso de quadras humorísticas no Dia de Reis
As duas quadras vencedoras, cantadas ao ilumidado:
"Viva o nosso primeiro-ministro
Viva o nosso dirigente
Seja sempre iluminado
Pela estrela mais fulgente
Temos todo o desejo
Não o podemos negar
Cantar para o ano as janeiras
Outra vez neste lugar"
Viva o nosso dirigente
Seja sempre iluminado
Pela estrela mais fulgente
Temos todo o desejo
Não o podemos negar
Cantar para o ano as janeiras
Outra vez neste lugar"
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Futebol com causas
Vamos parar de discutir, por momentos, se o Benfica jogou mal na Trofa e em Guimarães, se o FC Porto é um justo líder ou se o Miguel Veloso é realmente um jogador de futebol. Paremos, só por momentos, para pensar se o futebol é ainda um desporto de massas ou se o preço dos bilhetes o transforma num luxo que, ao vivo, só pode ser assistido pelos menos pobres. Paremos e pensemos se é possível ainda haver causas no futebol, para além das campanhas institucionais anti-racistas e a favor do fair-play. Se ainda é possível, para além das tradicionais visitas de Natal a hospitais e instituições de acolhimento a crianças, haver jogadores de futebol que se interessem por alguma coisa para além da bola.
São casos cada vez mais pontuais e raríssimos os exemplos daqueles a quem a fama e o dinheiro não subiu à cabeça e ocupou a zona do cérebro destinada à sensibilidade social a troco de coisa nenhuma.
Há uns anos, Filipovic, talvez a treinar o Salgueiros, não tenho a certeza, e Drulovic, então a jogar no FC Porto, participaram em acções de luta contra o desmembramento da Jugoslávia pelas forças da NATO.
Exemplos raríssimos vêm também lá de fora, onde se destaca o italiano Cristiano Lucarelli que se divide entre os relvados e a causa socialista.
Ontem, em Espanha, Frederic Kanouté, internacional do Mali, deixou as cores do Sevilha e, para festejar um golo frente ao Depor, envergou a camisola da causa palestiniana.
Não quero aqui debruçar-me sobre a questão de Gaza. Não é difícil saber a minha opinião relativamente a Israel, mas considero importante esclarecer que em termos políticos, tanto os eternos aliados dos EUA como o Hamas me merecem o mesmo comentário: Não simpatizo com países, partidos, movimentos e tudo o mais que tenha a ver com religião. Se o Hamas é composto por fundamentalistas islâmicos, o governo de Israel é composto por fundamentalistas judaicos.
O que realmente me preocupa é o massacre de inocentes e a miséria - para mim a grande raiz do fundamentalismo islâmico - daquela gente de Gaza. E isso vai além da política e entra no campo do sentimento de humanidade, que há cada vez menos.
Ontem, Kanouté, jogador de futebol, goleou uma série de governos e governantes.
São casos cada vez mais pontuais e raríssimos os exemplos daqueles a quem a fama e o dinheiro não subiu à cabeça e ocupou a zona do cérebro destinada à sensibilidade social a troco de coisa nenhuma.
Há uns anos, Filipovic, talvez a treinar o Salgueiros, não tenho a certeza, e Drulovic, então a jogar no FC Porto, participaram em acções de luta contra o desmembramento da Jugoslávia pelas forças da NATO.
Exemplos raríssimos vêm também lá de fora, onde se destaca o italiano Cristiano Lucarelli que se divide entre os relvados e a causa socialista.
Ontem, em Espanha, Frederic Kanouté, internacional do Mali, deixou as cores do Sevilha e, para festejar um golo frente ao Depor, envergou a camisola da causa palestiniana.
Não quero aqui debruçar-me sobre a questão de Gaza. Não é difícil saber a minha opinião relativamente a Israel, mas considero importante esclarecer que em termos políticos, tanto os eternos aliados dos EUA como o Hamas me merecem o mesmo comentário: Não simpatizo com países, partidos, movimentos e tudo o mais que tenha a ver com religião. Se o Hamas é composto por fundamentalistas islâmicos, o governo de Israel é composto por fundamentalistas judaicos.
O que realmente me preocupa é o massacre de inocentes e a miséria - para mim a grande raiz do fundamentalismo islâmico - daquela gente de Gaza. E isso vai além da política e entra no campo do sentimento de humanidade, que há cada vez menos.
Ontem, Kanouté, jogador de futebol, goleou uma série de governos e governantes.
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quarta-feira, janeiro 07, 2009
São ciclos
Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.
Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.
Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.
Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.
Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.
Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.
Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.
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terça-feira, janeiro 06, 2009
O(s) Professor(es) da Nação

As frases de ontem:
"Os portuguesem precisam de saber";
"Deixem que explique aos portugueses".
Outra frase digna de registo do pós debate:
"Os investimentos a 75 anos não me preocupam, 'a longo prazo estamos todos mortos'" - Bettencourt Resendes
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Tiro ao lado
Uma posta sobre a morte de um jovem de 14 anos, no 5 Dias, suscitou um debate aceso. A posta foi entretanto retirada do ar e substituída por esta, a meu ver bem, numa prova de carácter do autor, acreditando eu que a decisão partiu do autor - mas isso são outros quinhentos.
O título era qualquer coisa como membro de organização assassina fortemente armada volta a matar, referindo-se ao PSP que disparou para um carro em fuga. A reacção do João Branco foi a quente, como o próprio reconheceu mais tarde, tendo em conta a morte de uma criança. Pego na posta original para constatar que a indignação do autor também é culpa da própria PSP.
Há sectores da sociedade que por birra, moda ou preconceitos ainda vêem as forças de segurança como obstáculos à democracia plena e à liberdade; outros, mais compreensivelmente, olham com desconfiança para os polícias, fruto dos anos de ditadura fascista em Portugal, em que PSP e GNR eram sinónimo de repressão.
Mais de três décadas depois do 25 de Abril de 74, a PSP não conseguiu ainda passar a mensagem de uma força de segurança humana, preventiva, com profissionais bem formados e capazes de dar resposta aos problemas dois cidadãos. O facto de até há pouco mais de uma década ter sido uma instituição militar fortemente hierarquizada, comandada por militares saídos fresquinhos das fileiras do exército, em nada ajudou a contrariar esta imagem transversal. Hoje mesmo, o director nacional da PSP é um ex-militar.
Pelo contrário, a aposta na repressão continuou - e continua - desta vez, no trânsito. Afinal, é o que dá dinheiro ao Estado. O primeiro reflexo de um cidadão comum que viaje de carro e veja um polícia na rua é o de ver se tem o cinto de segurança e isto ajuda a explicar o medo - em medidas bem diferentes das do tempo do fascismo - que ainda há em relação aos polícias; a ideia repressiva continua bem presente.
Só em 2002 passou a ser possível o sindicalismo na PSP e isso também ajuda ao atraso na face humana que uma força de segurança moderna e eficaz tem de ter. Programas "de proximidade" como o Escola Segura, o Comércio Seguro, o Maiores de 65 ajudam a mascarar uma insuficiência gritante no que diz respeito à efectiva proximidade da PSP em relação aos cidadãos.
Hoje, fruto de uma estratégia de comunicação inexistente na PSP, que continua achar que basta o peso do cargo que se ocupa para falar com o exterior, são os sindicatos a desempenhar o duplo papel de defensores dos interesses sócio-profissionais dos polícias e de defensores da instituição. São, muitas vezes, os dirigentes sindicais que explicam à opinião pública procedimentos, motivos e razões desta ou daquela intervenção. Não é o papel que lhes está destinado, mas têm de o cumprir, para que sejam compreendidos quando reivindicam e naquilo que reivindicam.
O reconhecimento público da necessidade de meios materiais e humanos na PSP deveria partir da própria hierarquia, mas o comprometimento político das nomeações impede-o. E assim continuamos a ter as cúpulas a esconder e os sindicatos a denunciar aquilo que a Direcção Nacional não faz, embora saiba que é verdade, para que se perceba que os profissionais só não fazem mais porque não podem.
Na GNR, a situação é ainda pior. Militares e está tudo dito. Interessa ao Estado, por motivos vários, ter uma força de segurança numerosa como a GNR fechada nela própria e sob o comando de generais, não de civis. Por isso continua a ser negado à GNR o direito ao sindicalismo, ainda que seja uma força de segurança com o mesmo propósito da PSP: a segurança pública.
É fundamental humanizar o rosto das forças de segurança. Se não o fazem pelas instituições e pela democracia, que o façam, pelo menos, pelos homens e mulheres que devem comandar e que todos os dias dão a cara pelas insígnias que representam.
O título era qualquer coisa como membro de organização assassina fortemente armada volta a matar, referindo-se ao PSP que disparou para um carro em fuga. A reacção do João Branco foi a quente, como o próprio reconheceu mais tarde, tendo em conta a morte de uma criança. Pego na posta original para constatar que a indignação do autor também é culpa da própria PSP.
Há sectores da sociedade que por birra, moda ou preconceitos ainda vêem as forças de segurança como obstáculos à democracia plena e à liberdade; outros, mais compreensivelmente, olham com desconfiança para os polícias, fruto dos anos de ditadura fascista em Portugal, em que PSP e GNR eram sinónimo de repressão.
Mais de três décadas depois do 25 de Abril de 74, a PSP não conseguiu ainda passar a mensagem de uma força de segurança humana, preventiva, com profissionais bem formados e capazes de dar resposta aos problemas dois cidadãos. O facto de até há pouco mais de uma década ter sido uma instituição militar fortemente hierarquizada, comandada por militares saídos fresquinhos das fileiras do exército, em nada ajudou a contrariar esta imagem transversal. Hoje mesmo, o director nacional da PSP é um ex-militar.
Pelo contrário, a aposta na repressão continuou - e continua - desta vez, no trânsito. Afinal, é o que dá dinheiro ao Estado. O primeiro reflexo de um cidadão comum que viaje de carro e veja um polícia na rua é o de ver se tem o cinto de segurança e isto ajuda a explicar o medo - em medidas bem diferentes das do tempo do fascismo - que ainda há em relação aos polícias; a ideia repressiva continua bem presente.
Só em 2002 passou a ser possível o sindicalismo na PSP e isso também ajuda ao atraso na face humana que uma força de segurança moderna e eficaz tem de ter. Programas "de proximidade" como o Escola Segura, o Comércio Seguro, o Maiores de 65 ajudam a mascarar uma insuficiência gritante no que diz respeito à efectiva proximidade da PSP em relação aos cidadãos.
Hoje, fruto de uma estratégia de comunicação inexistente na PSP, que continua achar que basta o peso do cargo que se ocupa para falar com o exterior, são os sindicatos a desempenhar o duplo papel de defensores dos interesses sócio-profissionais dos polícias e de defensores da instituição. São, muitas vezes, os dirigentes sindicais que explicam à opinião pública procedimentos, motivos e razões desta ou daquela intervenção. Não é o papel que lhes está destinado, mas têm de o cumprir, para que sejam compreendidos quando reivindicam e naquilo que reivindicam.
O reconhecimento público da necessidade de meios materiais e humanos na PSP deveria partir da própria hierarquia, mas o comprometimento político das nomeações impede-o. E assim continuamos a ter as cúpulas a esconder e os sindicatos a denunciar aquilo que a Direcção Nacional não faz, embora saiba que é verdade, para que se perceba que os profissionais só não fazem mais porque não podem.
Na GNR, a situação é ainda pior. Militares e está tudo dito. Interessa ao Estado, por motivos vários, ter uma força de segurança numerosa como a GNR fechada nela própria e sob o comando de generais, não de civis. Por isso continua a ser negado à GNR o direito ao sindicalismo, ainda que seja uma força de segurança com o mesmo propósito da PSP: a segurança pública.
É fundamental humanizar o rosto das forças de segurança. Se não o fazem pelas instituições e pela democracia, que o façam, pelo menos, pelos homens e mulheres que devem comandar e que todos os dias dão a cara pelas insígnias que representam.
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sexta-feira, janeiro 02, 2009
2009 - Ânus (ainda mais) horribillis
Em 2009, continuaremos a ser sodomizados pelo Governo. Pelo menos até às próximas eleições.
Post it: Favor não ler a posta caso seja administrador de uma qualquer empresa de construção que beneficiará com os ajustes directos até cinco milhões de euros.
Post it: Favor não ler a posta caso seja administrador de uma qualquer empresa de construção que beneficiará com os ajustes directos até cinco milhões de euros.
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Feliz 2009
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…)


Os cadáveres de cinco irmãs palestinas de 4 a 17 anos mortas no bombardeamento nocturno israelita a uma mesquita do campo de refugiados de Yabalia jazem na morgue de um hospital.
Agencia France Press - Publicada en El País - 27-12-2008
segunda-feira, dezembro 29, 2008
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Curiosidades
E como se chama o responsável do Observatório de Segurança das Estradas que concluiu que as auto-estradas portuguesas potenciam a formação de lençóis de água?
Luís Salpico.
Luís Salpico.
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