terça-feira, janeiro 26, 2010

Bruxo?

Em 9 de Janeiro de 2009:

São ciclos

Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.

Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.

Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.

Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal, enganei-me

Pronto, passou uma semana após o acordo entre professores e Governo. Uma semana parece-me tempo mais que suficiente para que tudo o que se disse durante todo o processo seja pesado e avaliado. De todos os ataques miseráveis aos sindicatos e sindicalistas, com o endeusamento de uma ministra que nem o PS quis, como se viu, recordo-me de alguém que se fartou de malhar nos sindicatos e no Mário Nogueira.
O director da TSF, Paulo Baldaia, caiu no ridículo de ser mais socratista que Sócrates e, depois do que disse na rádio que dirige, na Sic Notícias, na RTPN e no JN, esqueceu-se de tudo como se nada tivesse dito. O artigo de opinião "Nogueira com sabor a eucalipto", publicado no auge da luta dos professores - que desapareceu, por mistério, do site do JN -, não era mais que um ataque pessoal ao secretário-geral da FENPROF.
O acordo da passada semana provou que, afinal, o defeito não estava nos sindicalistas, mas sim na intransigência de uma ministra sem as mínimas condições para estar na política, muito menos num Governo - mas que lá arranjou um job foir the girl na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Provou ainda que vale sempre a pena lutar, quando a luta é justa.
Voltando ao que interessa; como o acordo foi conseguido há uma semana e o director da TSF escreve aos sábados no JN, achei que o assunto do texto, seria, obviamente, sobre uma matéria que defendeu com tanto afinco. Assim, quando abri o jornal, no sábado, e li o título desta crónica, "Afinal, enganei-me", fiquei contente. Nem tudo estaria perdido.
Mas sou um ingénuo. Admito-o sem problemas. Afinal, eu também me enganei sobre o engano do Paulo Baldaia. E o assunto fica assim encerrado, como ficam muitos outros. Não sei se será defeito dos tempos em que vivemos. É, de certeza, defeito das pessoas que temos.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Substituições

É notório que tenho menos disponibilidade para vir actualizar o pouso. Mas era imperativo mudar algumas coisas ali na barra lateral. À maneira de Jesus - do Jorge, não do menino - retiro o ala direito que era o Corta-Fitas, mas que tem vindo a baixar de rendimento ao longo do tempo, para dar lugar ao Albergue Espanhol. Tudo bem, é malta cheia de desvios - ideológicos e não de outra índole - mas tem o Pedro Correia o que, só por si, é já motivo para ganhar direito no ataque.
Na esquerda, na gloriosa esquerda, diga-se, entra o António Abreu e o Antreus, para dar uma ajuda no ataque e conter as ofensivas contrárias.
Para os jogos em casa, aposto no José Modesto, homem dado aos contentores e cuja intervenção na blogosfera - e fora dela - cá do estádio merece realce e atenção.
Para o meio-campo, porque isto não é só política e economia e governos e partidos e inteiros, mais ou menos no papel do Rui Costa, a dirigir a orquestra, fica o António Reis e o seu - dele - Caderno Preto A6, que foi uma agradável novidade para mim, que só o conhecia de voz e de vista.
Para já, estas são as novidades da ida ao mercado em Janeiro. Mas o prazo de transferências só termina a 31.
Este é Um Tal de Blog à Benfica: Sai um, entram quatro! Este ano é que vai ser!

quinta-feira, dezembro 31, 2009

A intervenção-felácio

A intervenção-felácio é um género de intervenção política que entrou mais em voga na Assembleia da República durante o primeiro mandato de maioria absoluta de José Sócrates, com a introdução dos debates (?) quinzenais. Consiste no lançamento de um tema previamente combinado entre o partido que suporta o Governo e o Primeiro Ministro, que tem como objectivo o auto-elogio e o anúncio propagandista de algo que, muitas vezes, fica morto à nascença. Na anterior legislatura era ao actual ministro da Justiça que cabia a tarefa, Alberto Martins, agora é a Francisco Assis.

Na Assembleia de Freguesia de Leça da Palmeira a coisa funciona de forma diferente: Depois do período de antes da ordem do dia, cabe ao público intervir e é do público que sai a intervenção-felácio, havendo alguém que faz o papel de Assis. Os mesmos propósitos, os mesmos métodos. Nem bom nem mau, antes pelo contrário.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Tinto a mais

Não, nem sequer vou falar nos excessos da quadra - quadra? -; excesso de comida, excesso de bebida, excesso de presentes, de problemas, de remorsos, de sentimentos, de memórias, de egoísmo, de consumo, de tudo.
O Tinto que transbordou foi mesmo o do rio, lá para os lados de Gondomar. Esta situação dramática para pelo menos 15 famílias, que acabaram desalojadas, era mais do que previsível, tendo em conta o desaparecimento do leito, que tem vindo, ao longo dos anos, a ser entubado, sempre a bem da especulação imobiliária.
A despoluição do Tinto é uma bandeira antiga do PCP e da CDU de Gondomar e Rio Tinto, tal como as alterações que têm sido efectuadas ao leito. A CDU e o PCP nunca deixaram cair estas reivindicações, dentro e fora dos períodos eleitorais. A população preferiu o apelo dos bilhetes do Tony Carreira. Aceito mas não percebo.

"O que está previsto é fazer passar o metro sobre o antigo leito do rio Tinto, desafectando uma parcela grande de terreno que se mantém em Reserva Ecológica Nacional", disse, considerando que esta solução "é uma operação de especulação imobiliária", disse Honório Novo, deputado do PCP eleito pelo círculo do Porto, em 7 de Janeiro de 2008.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Ligações perigosas

Vamos ver se a comissão de inquérito ao Magalhães e ao "ajuste directo" à JP Sá Couto não vai produzir ondas de choque que se estendem até à Câmara de Matosinhos...

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Eu, ignorante.

Não percebo por que é que o IEFP também divulga dados sobre o desemprego, quando temos o INE. Supostamente, o INE fornece os dados do desemprego em Portugal ao Eurostat, mas os números nunca coincidem. Supostamente, a OCDE usa os dados do Eurostat e também não coincidem.

Um dia vou averiguar isto.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

O twitter e a CMM (parte II)

O que não tem explicação, está explicado.

"Caro Ricardo Santos

Confirmamos, de facto, que a sua conta estava bloqueada junto do twitter da CMM. Desconhecemos totalmente a razão do dito bloqueio, uma vez que nenhuma medida foi tomada para tal.

Presumimos que poderá ter sido motivado por um problema técnico desta plataforma. Apresentamos, desde já, as nossas desculpas pelo sucedido, comprometendo-nos a analisar de forma detalhada o motivo que originou este bloqueio.

Sendo as redes sociais uma aposta da Câmara de Matosinhos na e-Democratização, o nosso objectivo é o de estender e potenciar a comunicação e a partilha de informação, interesses, valores e objectivos comuns e nunca de travar o contacto e a comunicação dos munícipes e dos cidadãos com a autarquia.

Reiteramos o nosso pedido de desculpas.

Com os melhores cumprimentos

Helder Gonçalves"

sexta-feira, novembro 27, 2009

CMM, o Twitter e o bloqueio.

Email enviado à CMM, com vista a esclarecer o post anterior:

Exmos. Srs.
Responsáveis pela gestão da conta da Câmara Municipal de Matosinhos no Twitter:


Percebi ontem, dia 26 de Novembro de 2009, que me encontro impedido de seguir as actualizações da conta da CMM no Twitter.
Ora, sabendo eu que a CMM, com a riquíssima história democrática que a caracteriza, seria incapaz de tomar tal decisão com base em preconceitos políticos, venho por este meio solicitar o desbloqueio da minha conta (http://twitter.com/ricardomsantos), para que possa voltar a acompanhar a tremenda actividade levada a cabo pela autarquia para bem do Concelho.

Por outro lado, gostaria de saber o motivo que levou a tal bloqueio. Suponho que tenha sido por engano. Se não foi, custa-me entender que uma autarquia que preza tanto a cidadania e o envolvimento dos munícipes na vida política local, tenha optado por bloquear um cidadão que integra listas eleitorais desde que lhe é conferida possibilidade legal, ou seja, os 18 anos. Simultaneamente, o cidadão que se lhes dirige esteve sempre, nos termos da lei, nas mesas de voto da Freguesia de Leça da Palmeira, prestando um serviço à democracia. Serviço esse que, diga-se, V. Excias. optam por pagar tarde e a más horas, certamente porque terão outras áreas bem mais importantes onde gastar dinheiro, e ainda bem.

Fico, assim, a aguardar a resposta por parte de V. Excias., no sentido de perceber o que levou ao motivo do meu bloqueio.

Com os melhores cumprimentos,

Ricardo M Santos

quinta-feira, novembro 26, 2009

Democracia online na CM Matosinhos

O gestor da conta da CMM no Twitter decidiu bloquear-me, ou seja, impede-me de seguir as suas actualizações, sem explicação ou aviso prévio. Lá terá os seus motivos, que procurarei esclarecer.

sexta-feira, novembro 20, 2009

No país das maravilhas. É tudo normal.

Quem nos viu preocupados com a malta da bola lá para os lados da Bósnia, mais o relvado e o clima de lá, ó, o clima. Que miséria. E os selvagens bósnios! Ó, os selvagens bósnios!
Claro que não temos em Portugal relvados como o de Paços de Ferreira, o de Oliveira de Azeméis ou mesmo o de Alvalade, não sendo por isso algo a que os nossos virtuosos do chuto na bola estejam habituados. Nem há uns dias a polícia teve que dispersar a tiro uns civilizados adeptos de um clube.
É quase enternecedor ver o nosso país, onde não se passa grande coisa. No espaço de dias, passamos de irracionais a mestres nos bons costumes.
É tudo normal, neste rectângulo inclinado para o mar que se vai mantendo à tona, vá lá saber-se como. Tudo normal. Licenciaturas ao domingo, assinaturas de projectos alheios, Freeport, escutas, acusações de espionagem política a entidades do Estado.
Estamos anestesiados, talvez efeito secundário de uma vacina que procuramos culpar por uma realidade filha da puta que acontece, em média, 300 vezes por ano.
Não há escutas que resistam à vontade de abafar tudo o que pode mexer com o que resta da dignidade de um político moribundo, que continua a ver a luz quando se olha ao espelho. E a horda segue feliz, nas media alinhados, não percebendo que está a caminhar de escândalo em escândalo, até ao escândalo final. Hão-de perceber que o principal factor de instabilidade governativa não é o novo desenho parlamentar, mas sim no líder que vê o jogo na bancada central da Assembleia da República.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Há dias assim

Às vezes acordo a pensar em coisas estranhas e sem sentido. Antes isso que acordar morto, não é? É. Hoje, acordei a pensar em portagens, no Porto de Leixões e na Petrogal.
Acordei então a pensar que é evidente que existe um estudo económico que verifique:
  • O impacto das portagens nos preços praticados no Porto de Leixões que, ao que julgo saber, não é propriamente barato;
  • O impacto nos preços da entrada e saída de matéria-prima na Petrogal;
  • O impacto nos preços de entrada e saída de mercadorias nos concelhos de área metropolitana;
  • O impacto no bolso de cada um de nós.
Há coisa mais estúpida para se pensar? Claro que não. Claro que há um estudo. Quem o conhecer, faça o favor de me informar. Agradecido.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Hoje, não caiu há 20 anos

Dezenas de horas dedicadas nas tv's e rádios, outras tantas dezenas nas páginas dos jornais - impressas e virtuais. O Muro de Berlim caiu há 20 anos e vai haver festa de arromba em Berlim, excepção feita para os alemães de leste, cuja esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática. Aliás, a Sic Notícias tem repetido até à exaustão que o "Mundo festeja a queda do Muro". O Mundo tem destas coisas e gosta de festejar, e ainda bem.
Mas isso são detalhes e nós temos de ser politicamente correctos e ficar contentes com aquilo que achamos ser melhor para os outros, mesmo quando os outros, à distância de 20 anos, consideram não o ser.
Vinte anos depois, há cada vez mais muros. Podemos é querer vê-los ou não. E não são só os verdadeiros, os físicos, seja na Cisjordânia, no México, nos condomínios fechados onde se festeja - não é irónico? - a queda do Muro. Há os muros da barreira ideológica e do preconceito, da corrupção das classes dirigentes, da pobreza galopante, da riqueza fictícia em que acreditamos viver e, se calhar mais grave que tudo, o muro da resignação e dos dados-adquiridos.
E estes ficaram bem mais difíceis de derrubar, depois da queda do outro, há 20 anos.
Derrubado um, quantos muros cresceram depois?

segunda-feira, outubro 26, 2009

Tácticas

Está à vista a nova táctica do patronato e não é preciso um Freitas Lobo da Economia para perceber o que está a passar-se no que respeita às "reestruturações" e "reorganizações" que ocorrem no mundo empresarial.

É muito simples e fácil de adoptar:
  1. Encontra-se uma empresa com mais de 100 trabalhadores*.
  2. Anuncia-se o despedimento de 80% da força produtiva.
  3. Dois dias depois, anuncia-se que, afinal, a administração vai apenas despedir 50% e isso passa por positivo.

    *O ponto 1 é o mais difícil de cumprir.
A novela da Delphi é um bom exemplo, tal como este título do Diário Económico:

Fábrica da Delphi admite recuar em 200 despedimentos

quinta-feira, outubro 22, 2009

Saramago

Não, não vou escrever sobre as declarações de Saramago em relação à bíblia, a deus e à religião. Temo pela segurança deste blog que acabaria, provavelmente, queimado numa fogueira.

Em Espinho são uns meninos...

Ora bem, no seguimento da posta anterior e do suspense que se gerou em torno dela, dado o atraso na sequela, aqui ficam os factos e a prova de que tudo decorreu dentro da normalidade democrática quando concorrem duas listas do PS:

No tribunal de Matosinhos estiveram membros de várias mesas de voto, quatro só de Leça da Palmeira, para esclarecer os seguintes factos:
  • Numa das mesas de voto, o PS tinha mais dez votos na acta do que nos boletins contados. O PS perdeu dez votos depois de corrigido o erro.
  • Noutra, a CDU tinha menos seis votos na acta do que nos boletins contados. A CDU contou com mais seis votos depois de corrigido o erro.
Os casos mais estranhos - mas sempre dentro da normalidade -, estão relacionados com magia. Numa das mesas desapareceu a acta com a contagem dos votos, noutra desapareceram os votos nulos. Ora, tendo em conta que após a contagem os votos são fechados em envelopes lacrados e colocados num saco fechado, é evidente que trata-se de magia.

E só porque nestas eleições, ao contrário do que vem sucedendo há anos, a presença da polícia foi dispensada durante o transporte dos votos desde as assembleias até à Junta, para além de terem feito uma paragem na Câmara Municipal antes de seguirem para o tribunal, não é caso para preocupações. Foi tudo normal e tranquilo, como se quer.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Eu conto já o resto

Afinal, parece que a decisão de chamar ao tribunal os elementos das assembleias de voto não partiu de qualquer candidatura, mas sim do juiz, que terá ficado desagradado com o facto de os votos terem permanecido na junta cerca de quatro horas. Entretanto, numa das mesas, vai aferir-se por que motivo uma acta regista menos 6 votos para a CDU do que os que resultaram da contagem. Eu conto já o resto. Tribunal às 14h30.

Recontagem, Narciso?

Elementos de algumas mesas de voto de Leça da Palmeira - não sei se apenas de Leça da Palmeira - vão ser contactados pelo tribunal devido a um pedido de recontagem dos votos pela candidatura oficiosa do PS. Pela parte que me toca, Narciso pode ficar descansado.

terça-feira, outubro 13, 2009

Maitê Proença: Era queimá-la, à bandida!

O assunto do dia foi o vídeo da Maitê Proença. Não, não vou colocar o link, porque está em tudo o que é blogue, site e rede social e eu gosto de ser diferente. Não percebo a indignação generalizada por um vídeo ranhoso, manifestamente infeliz. Tem muito pouco de humor, mas quantos sketches já vimos igualmente pobres? Eu até perceberia os milhares de insultos colocados no site da actriz - e que ela só os mantém publicados porque quer, note-se - se o Proença do apelido dela tivesse algo relacionado com um conhecido árbitro português. E se os autores dos insultos fossem todos benfiquistas.
Mas, não. É evidente que nós não podemos admitir que uma brasileira não conheça a história recente de Portugal. Só nós, portugueses, temos esse direito. Afinal, todos sabemos quantos anos esteve Salazar no poder. Mais ainda, se há coisa que nunca se viu em Portugal foi um lusitano de gema cuspir para uma calçada portuguesa. Ou mijar contra um edifício histórico enquanto tenta afogar formigas. Mas cuspir numa fonte está errado.
Ah! E se há coisa que não há em Portugal, é preconceito contra brasileiras: Toda a gente que sabe que ou são putas... ou são putas.