Quando for grande quero ser bombeiro, polícia, médico, futebolista. Era assim, pelo menos no meu tempo e, com ele, tudo muda. A ideia que tenho é que já não há profissões. Há formação focalizada em determinadas áreas, mas já ninguém é coisa alguma, excepção feita a uma elite que preenche jornais, rádios e televisões.
Esses são tudo e mais alguma coisa. Ganharam até o estatuto de especialistas. Há especialistas em futebol, economia, finanças, médio oriente, avançado oriente, extremo oriente, direito, torto, inclinado e tudo o mais que possa imaginar-se. São precisamente estes senhores e senhoras que roubam espaço à notícia.
Os dias de hoje querem fazer crer que já não precisamos de pensar, porque temos quem pense por nós. Não me refiro a programas específicos de opinião, legítimos, pois claro, mesmo quando a opinião é a mesma por palavras diferentes. Refiro-me ao espaço da notícia, que é cada vez menor, para ceder o lugar a tudo o que é especialista. De há uns anos a esta parte, os media encheram-se com opinião; mais grave ainda: com a mesma opinião. E a notícia, a reportagem, a proximidade entre consumidores de informação e o dever de informar - não dos jornalistas, mas dos órgãos - foi-se perdendo no meio de vaidades e interesses que valem os 15 minutos de fama ou os 2cmx2cm de foto na folha do jornal, com os devidos títulos honoríficos no final da prosa.
E nós, a massa bruta, engolimos a sabedoria que os "sotôres" nos servem de bandeja, porque pensar está fora de moda. Aliás, pensar sempre foi um perigo. Desde sempre que pensar pode ser sinónimo de perceber. E perceber pode ser das coisas mais perigosas que há.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
segunda-feira, setembro 20, 2010
sexta-feira, setembro 10, 2010
Leça da Palmeira, uma Freguesia a carvão
Já é sabido que, fora da linha de mar, Leça da Palmeira sempre foi uma freguesia que funciona a carvão, mesmo estando nós já na era da fibra óptica. Para os mais desatentos, Leça da Palmeira foi, das 10 freguesias que compõem o concelho de Matosinhos, a última a ter habitação social, pavilhão municipal e quer-me parecer que, tão cedo, não terá uma piscina municipal, já que, no local onde estava prevista a sua construção está a ser erguida uma nova bancada em torno do complexo desportivo da Bataria.
Há muita Leça por descobrir por parte do poder local. Mormente entre a Exponor e o Monte Espinho, ali mesmo, na fronteira com Perafita. O Bairro da Bataria é só mais um exemplo disso. Foi construído sem passeios, porque fora do centro da cidade e dos condomínios fechados a malta não precisa de passeios, tem há anos um parque infantil que não pode ser utilizado por falta de condições de segurança e vive paredes meias com um depósito de carvão a céu aberto. Isto sem referir os falecidos, mas não enterrados, armazéns da Nobre, que convidam à entrada de quem lá passa, seja para matar o vício, seja para vendê-lo. Não havia passadeiras, que foram pintadas à pressa num final de tarde, véspera de uma manhã em que a CDU de Leça da Palmeira levaria a cabo a sua pintura simbólica. Até hoje, as ditas passadeiras continuam sem sinalização vertical que as anuncie.
Também a zona de Gonçalves é uma parte esquecida, salvo os 100 metros de alcatrão que levam à nova loja da Megasport. Gonçalves é a zona onde está o Centro Hípico, que continua em obras de melhoramento. Por trás dele está Gonçalves, que vive com o cheiro a merda dos cavalos e onde, não há muito tempo, um dos moradores dizia que "estão mais preocupados com os cavalos do que com as pessoas". Gonçalves também sobrevive sem passeios, separado por paralelo e alcatrão, mandado colocar à pressa, também em vésperas de uma visita da CDU.
Leça da Palmeira continua a duas velocidades. A da fibra óptica ao centro, com o norte a carvão.
Há muita Leça por descobrir por parte do poder local. Mormente entre a Exponor e o Monte Espinho, ali mesmo, na fronteira com Perafita. O Bairro da Bataria é só mais um exemplo disso. Foi construído sem passeios, porque fora do centro da cidade e dos condomínios fechados a malta não precisa de passeios, tem há anos um parque infantil que não pode ser utilizado por falta de condições de segurança e vive paredes meias com um depósito de carvão a céu aberto. Isto sem referir os falecidos, mas não enterrados, armazéns da Nobre, que convidam à entrada de quem lá passa, seja para matar o vício, seja para vendê-lo. Não havia passadeiras, que foram pintadas à pressa num final de tarde, véspera de uma manhã em que a CDU de Leça da Palmeira levaria a cabo a sua pintura simbólica. Até hoje, as ditas passadeiras continuam sem sinalização vertical que as anuncie.
Também a zona de Gonçalves é uma parte esquecida, salvo os 100 metros de alcatrão que levam à nova loja da Megasport. Gonçalves é a zona onde está o Centro Hípico, que continua em obras de melhoramento. Por trás dele está Gonçalves, que vive com o cheiro a merda dos cavalos e onde, não há muito tempo, um dos moradores dizia que "estão mais preocupados com os cavalos do que com as pessoas". Gonçalves também sobrevive sem passeios, separado por paralelo e alcatrão, mandado colocar à pressa, também em vésperas de uma visita da CDU.
Leça da Palmeira continua a duas velocidades. A da fibra óptica ao centro, com o norte a carvão.
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segunda-feira, julho 05, 2010
Linda Lovelace, desta vez em forma de manchete
Passou de moda a discussão sobre a liberdade dos media e a manipulação a que estão sujeitos. Temos férias, Verão, crimes e a comissão de inquérito ao caso PT-TVI deu em coisa nenhuma. Continuo a defender que o que sempre esteve em causa não é a liberdade de expressão, mas antes as liberdades de informar e de ser informado.
Hoje, o Público faz manchete com os nossos empresários, coitadinhos, que não aproveitam as facilidades do código laboral para despedir. O Público ajuda estes inocentes uma semana depois de Portugal ficar a conhecer uma taxa de desemprego - oficial - que está perto dos 11%. Sem contar com os milhares que vão desaparecendo dos ficheiros do IEFP.
Esta notícia do Público é tudo menos inocente - em época de crise, a flexibilização laboral vem sempre à baila - e o futuro provará que este tipo de peças encomendadas renderá cada vez menos dividendos aos media mainstream. Porque se há uns anos era preciso ir ao arquivo em papel para encontrar o Teixeira dos Santos a dizer o mesmo, hoje basta um clique, ou dois, pronto, do novo menino d'oiro da Comunicação Social, Pedro Passos-Coelho.
Não sou dos que defende que a era dos computadores acabará com os jornais diários em papel - dizia-se o mesmo sobre os gratuitos e ainda na semana passada fechou um. Terão sempre um leitor, pelo menos, que sou eu. Que gosto de os sentir e de os cheirar. Mas terão de defender a sua credibilidade. E os meios de informação alternativos, sejam sites, blogues ou redes sociais ajudam a desmontar agendas e interesses mais ou menos escondidos que só enganam os incautos. A minha geração, como as que se seguirão, só não será mais e melhor informada se não quiser. E os jornais têm de estar cada vez mais atentos a isto.
Há, no entanto, um lado positivo: A manchete de hoje, no Público, não descredibiliza o jornalismo, antes pelo contrário ajuda a distinguir o que é informação daquilo que, há uns anos, se chamava broche.
Hoje, o Público faz manchete com os nossos empresários, coitadinhos, que não aproveitam as facilidades do código laboral para despedir. O Público ajuda estes inocentes uma semana depois de Portugal ficar a conhecer uma taxa de desemprego - oficial - que está perto dos 11%. Sem contar com os milhares que vão desaparecendo dos ficheiros do IEFP.
Esta notícia do Público é tudo menos inocente - em época de crise, a flexibilização laboral vem sempre à baila - e o futuro provará que este tipo de peças encomendadas renderá cada vez menos dividendos aos media mainstream. Porque se há uns anos era preciso ir ao arquivo em papel para encontrar o Teixeira dos Santos a dizer o mesmo, hoje basta um clique, ou dois, pronto, do novo menino d'oiro da Comunicação Social, Pedro Passos-Coelho.
Não sou dos que defende que a era dos computadores acabará com os jornais diários em papel - dizia-se o mesmo sobre os gratuitos e ainda na semana passada fechou um. Terão sempre um leitor, pelo menos, que sou eu. Que gosto de os sentir e de os cheirar. Mas terão de defender a sua credibilidade. E os meios de informação alternativos, sejam sites, blogues ou redes sociais ajudam a desmontar agendas e interesses mais ou menos escondidos que só enganam os incautos. A minha geração, como as que se seguirão, só não será mais e melhor informada se não quiser. E os jornais têm de estar cada vez mais atentos a isto.
Há, no entanto, um lado positivo: A manchete de hoje, no Público, não descredibiliza o jornalismo, antes pelo contrário ajuda a distinguir o que é informação daquilo que, há uns anos, se chamava broche.
quarta-feira, junho 23, 2010
Os donos do norte
Rui Rio, Rui Moreira e até um responsável pela igreja católica vieram alertar para o perigo de uma revolta a norte por causa das SCUT. O norte está cada vez mais estreito - acho que já escrevi isto mais lá para baixo - e desta vez vai de Viana a Aveiro em forma de autoestrada.
Não é só o norte que está revoltado e, se o está, não é apenas por causa das portagens nas SCUT, que o candidato Sócrates prometeu não portajar, mas que o primeiro-ministro Sócrates mandou implementar, à custa de chips e tudo. Uma coisa assim moderna, tipo Magalhães mas em muito pequenino.
O norte tem todos os motivos para estar revoltado. Tem as regiões mais pobres do país e pelo menos duas delas serão mesmo penalizadas pela introdução de portagens, mais precisamente, nas zonas do Vale do Ave e do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.
Se as portagens nas SCUT servirem para despertar a consciência do norte sobre o que são PS e PSD - uma moeda de uma face só, melhor.
Se servirem para que meia-dúzia de "notáveis" do Porto se autopromovam, para tirarem dividendos de partidos e movimentos portuenses mascarados de nortenhos que estão na calha, então, valem tanto como os deputados do norte eleitos pelo PS e, eventualmente, pelo PSD que aprovarão as portagens.
Mais: O norte revoltar-se-á quando o Povo tiver consciência de que pode mais, de que pode tudo e basta querer, não quando o presidente da Câmara do Porto, o Rui Moreira ou qualquer outra personagem que, na sua cabeça, se ache representativa de uma fatia do Povo nortenho quiser. Por curiosidade, eu, que até participei em vários protestos contra as SCUT, nunca vi por lá bispos, nem o Rui Moreira, nem o Rui Rio, os que agora alertam para o perigo de uma revolta, confortavelmente sentados no sofá. Mas reconheço que possa ser uma falha minha.
Não é só o norte que está revoltado e, se o está, não é apenas por causa das portagens nas SCUT, que o candidato Sócrates prometeu não portajar, mas que o primeiro-ministro Sócrates mandou implementar, à custa de chips e tudo. Uma coisa assim moderna, tipo Magalhães mas em muito pequenino.
O norte tem todos os motivos para estar revoltado. Tem as regiões mais pobres do país e pelo menos duas delas serão mesmo penalizadas pela introdução de portagens, mais precisamente, nas zonas do Vale do Ave e do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.
Se as portagens nas SCUT servirem para despertar a consciência do norte sobre o que são PS e PSD - uma moeda de uma face só, melhor.
Se servirem para que meia-dúzia de "notáveis" do Porto se autopromovam, para tirarem dividendos de partidos e movimentos portuenses mascarados de nortenhos que estão na calha, então, valem tanto como os deputados do norte eleitos pelo PS e, eventualmente, pelo PSD que aprovarão as portagens.
Mais: O norte revoltar-se-á quando o Povo tiver consciência de que pode mais, de que pode tudo e basta querer, não quando o presidente da Câmara do Porto, o Rui Moreira ou qualquer outra personagem que, na sua cabeça, se ache representativa de uma fatia do Povo nortenho quiser. Por curiosidade, eu, que até participei em vários protestos contra as SCUT, nunca vi por lá bispos, nem o Rui Moreira, nem o Rui Rio, os que agora alertam para o perigo de uma revolta, confortavelmente sentados no sofá. Mas reconheço que possa ser uma falha minha.
quinta-feira, junho 17, 2010
quarta-feira, junho 02, 2010
Portugal, o Chile dos pequeninos
Ontem surgiu a notícia do fecho de mais escolas do primeiro ciclo. Coisa pouca, umas 900, a somar às 2.000 que os governos de Sócrates já conseguiram fechar. Evidentemente, a maioria está localizada no norte e no interior do país. De acordo com estes dados, os governos do PS já conseguiram fazer baixar de o número de 8.888 escolas básicas para 6.297 até 2008. Agora, são menos 900. Ficam, portanto, 5.397 escolas. Na prática, em meia dúzia de anos, as políticas educativas conseguiram fechar quase 50% das escolas. Um feito notável no que respeita à poupança.
Com este tipo de medidas, a juntar aos SAP, urgências e maternidades, Portugal está a transformar-se num pequeno Chile. Este país da América do Sul tem 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura. Nós não chegamos a tanto, devemos estar mais ou menos com uns 50km de largura e quase 800 de comprimento.
Tudo isto tem um preço. Poupa-se hoje mas, amanhã, teremos um país ainda mais desertificado fora das grandes cidades do litoral. A retirada constante de serviços do interior conduzirá a um fluxo ainda maior para o litoral - que irá ser agravada com a privatização dos CTT, por exemplo.
Deste modo, com estas políticas meramente economicistas, as auto-estradas para o interior deveriam passar a ser feitas apenas num sentido, o que traz. Porque ninguém quer ir para um deserto. E não, não estou a falar da margem sul.
Com este tipo de medidas, a juntar aos SAP, urgências e maternidades, Portugal está a transformar-se num pequeno Chile. Este país da América do Sul tem 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura. Nós não chegamos a tanto, devemos estar mais ou menos com uns 50km de largura e quase 800 de comprimento.
Tudo isto tem um preço. Poupa-se hoje mas, amanhã, teremos um país ainda mais desertificado fora das grandes cidades do litoral. A retirada constante de serviços do interior conduzirá a um fluxo ainda maior para o litoral - que irá ser agravada com a privatização dos CTT, por exemplo.
Deste modo, com estas políticas meramente economicistas, as auto-estradas para o interior deveriam passar a ser feitas apenas num sentido, o que traz. Porque ninguém quer ir para um deserto. E não, não estou a falar da margem sul.
segunda-feira, maio 31, 2010
Da (in)acção e outras histórias
Confesso que não sei se estiveram 298.638 ou 307.672 pessoas na manif de sábado. Sei que foi uma mobilização impressionante de novos, menos novos, empregados, desempregados, funcionários públicos e do sector privado. Aliás, quando o desfile dos funcionários públicos terminou, vinham ainda muitos milhares de trabalhadores e desempregados do sector privado. Nas cores habituais destas andanças, destacavam-se um grupo de desempregadas de Paços de Ferreira, com bandeiras negras. Não, não tinham conta no Facebook nem faziam parte de qualquer causa criada para que possamos manter-nos de cu alapado sem a consciência pesada. Eram operárias da zona de Paços de Ferreira e, segundo as próprias, representavam a fome que por lá se sente.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
quarta-feira, maio 26, 2010
A vida é feita de aprendizagem
Não, não vai sair daqui qualquer tipo de dissertação filosófica. O que aprendi hoje - já foi ontem, pronto - é que quando uma empresa do Estado é viável e tem potencial para dar lucro mas tal não acontece porque é mal gerida, o que o Estado tem a fazer não é encontrar uma gestão válida, é privatizá-la.
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terça-feira, maio 25, 2010
domingo, maio 16, 2010
A democracia do pensamento único
Economia - 18ª Edição
Samuelson e Nordhaus
Prefácio, Ponto 3,
"Pequeno é melhor":
"Em cada etapa, questionávamos se o material era necessário para compreensão pelos estudantes da economia do século XXI (...) A agricultura, os sindicatos e a economia marxista foram reduzidos para dar lugar à economia do ambiente, à economia de rede, aos ciclos económicos reais e à economia financeira".
Portanto, num dos livros obrigatórios para algumas áreas do ensino universitário - espaços anteriormente conhecidos como centros de reflexão, de avanço ideológico e de importantes lutas contra o fascismo - decidiram os autores reduzir a atenção dada ao pensamento divergente onde, curiosamente, se encontram algumas das respostas para a os problemas económicos actuais: Na produção nacional, que terá de renascer após ter sido destruída pelo liberalismo, pelo capitalismo selvagem da UE, pela organização dos trabalhadores em sindicatos, que não permitam dar mais passos atrás em relação aos avanços civilizacionais conseguidos às custas do sangue de milhares de outros explorados.
Nem um passo atrás. O que o sistema nos tira, teremos de procurar nos meios alternativos, na internet, nos livros, lendo e relendo o que os processos de luta revolucionária dos Povos nos ensinaram ao longo dos séculos.
A luta está aí!
Samuelson e Nordhaus
Prefácio, Ponto 3,
"Pequeno é melhor":
"Em cada etapa, questionávamos se o material era necessário para compreensão pelos estudantes da economia do século XXI (...) A agricultura, os sindicatos e a economia marxista foram reduzidos para dar lugar à economia do ambiente, à economia de rede, aos ciclos económicos reais e à economia financeira".
Portanto, num dos livros obrigatórios para algumas áreas do ensino universitário - espaços anteriormente conhecidos como centros de reflexão, de avanço ideológico e de importantes lutas contra o fascismo - decidiram os autores reduzir a atenção dada ao pensamento divergente onde, curiosamente, se encontram algumas das respostas para a os problemas económicos actuais: Na produção nacional, que terá de renascer após ter sido destruída pelo liberalismo, pelo capitalismo selvagem da UE, pela organização dos trabalhadores em sindicatos, que não permitam dar mais passos atrás em relação aos avanços civilizacionais conseguidos às custas do sangue de milhares de outros explorados.
Nem um passo atrás. O que o sistema nos tira, teremos de procurar nos meios alternativos, na internet, nos livros, lendo e relendo o que os processos de luta revolucionária dos Povos nos ensinaram ao longo dos séculos.
A luta está aí!
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sexta-feira, maio 14, 2010
Precisam-se voluntários
Para voltar a deitar abaixo o que alguns querem trazer de volta. Eu alinho.
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quinta-feira, maio 13, 2010
O Roubo - este não é um post sobre gravadores
Hoje, depois dos telejornais da hora de almoço, José Sócrates veio anunciar-nos publicamente o que já sabíamos: Vai voltar a roubar-nos. Vai aumentar o IVA, o imposto mais injusto de todos os impostos, que tributa de igual forma quem ganha 400 e quem ganha 40.000. Na verdade, não surpreende, menos ainda quando foi firmado um pacto pelo gang do bloco central. E por aqui, ainda alguém se lembra do Passos Coelho da ruptura, do rasgo ou da união, que não seja a união ao PS?
Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.
Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.
O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.
Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.
Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.
O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.
quinta-feira, maio 06, 2010
Do desnorte ao sentimento de impunidade vai um Ricardo Rodrigues de distância
Já se disse quase tudo sobre o episódio miserável que envolveu o deputado socialista Ricardo Rodrigues. É um deputado do PS, eleito pelo círculo dos Açores que, ironia das ironias, foi incumbido da tarefa de intervir no Parlamento para criticar a suposta falta de liberdade dentro de um partido que não o dele, como aqui se pode confirmar, no célebre episódio da Lei da Rolha que os socialistas decidiram levar a plenário. Estamos a falar do deputado que roubou dois gravadores a dois jornalistas durante uma entrevista, sem sequer ter a inteligência de levar também a câmara de filmar.
O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.
Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.
Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.
O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.
Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.
Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.
terça-feira, maio 04, 2010
Homens ao mar!
Ando um bocado farto de discursos. De Cavaco a Aguiar Branco, passando por Sócrates, Gama, profetas da desgraça e optimistas militantes. Não, a situação não está fácil, mas nunca esteve. Aliás, desafio alguém - vivo - a dizer-me quando é que estivemos bem, sem crise, fosse do défice, fosse internacional, fosse financeira ou económica.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
segunda-feira, maio 03, 2010
Debate
6ª FEIRA DIA 7 DE MAIO
21.30
DEBATE/SESSÃO DE ESCLARECIMENTO ( NO ÂMBITO DAS COMEMORAÇÕES DO 65ª ANIVERSÁRIO DA QUEDA DO REGIME NAZI- FASCISTA) NA JUNTA DE FREGUESIA DE MATOSINHOS, COM O CAMARADA MIGUEL URBANO TAVARES RODRIGUES (JORNALISTA E ESCRITOR).
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agenda
quarta-feira, abril 28, 2010
A PT também gosta deles novinhos...
Há instituições que gostam de apostar em novos valores, alguns bem fresquinhos. E não, não estou a falar de padres nem da igreja católica.
Na administração da PT, por exemplo, ficamos saber que não são todos filhos da mãe. Também há filhos do pai. Neste caso, filhos do pai que celebrizou a frase "no jobs for the boys". O Rui Pedro Soares, cujo perfil desapareceu daqui, nem sequer era o administrador mais novo da PT. Há outro, mais jovem, que chegou à administração da PT com 34 anos e que, por coincidência, dá pelo nome de Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres. Não sei por quem foi nomeado, não sei se foi pelos accionistas ou se tem a ver com a golden share. Sei que as más línguas dizem que este Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres é o mesmo que este.
Mais: Tendo nascido em 1977, a pessoa em causa trabalhou na Merryl Lynch Investment Banking entre 1997 e 2000. Aos 20 anos já dava cartas no mundo da finança. Há gajos com sorte. E com mérito, presumo eu. Ou então são só coincidências.
Na administração da PT, por exemplo, ficamos saber que não são todos filhos da mãe. Também há filhos do pai. Neste caso, filhos do pai que celebrizou a frase "no jobs for the boys". O Rui Pedro Soares, cujo perfil desapareceu daqui, nem sequer era o administrador mais novo da PT. Há outro, mais jovem, que chegou à administração da PT com 34 anos e que, por coincidência, dá pelo nome de Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres. Não sei por quem foi nomeado, não sei se foi pelos accionistas ou se tem a ver com a golden share. Sei que as más línguas dizem que este Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres é o mesmo que este.
Mais: Tendo nascido em 1977, a pessoa em causa trabalhou na Merryl Lynch Investment Banking entre 1997 e 2000. Aos 20 anos já dava cartas no mundo da finança. Há gajos com sorte. E com mérito, presumo eu. Ou então são só coincidências.
A falar é que a gente se entende - ou então não
Ontem fui a Braga conversar com o Filipe Moura e o Luís Aguiar. Foi em Braga, n'A Brasileira, e a Cátia Castro, com arte e mérito, fez o favor manter ordem na casa. Passa hoje na RUM, às 20h00, e ficará para a história. Mas só porque também existirá em podcast.
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segunda-feira, abril 26, 2010
quinta-feira, abril 22, 2010
Novo blog
A Esquerda ganha novo contributo na blogosfera. Desta vez pela mão do deputado António Filipe, do PCP, que apresenta o seu Caderno de Apontamentos. Bem-vindo!
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pcp
quinta-feira, abril 15, 2010
Outra vez Alegre
Há por este humilde espaço uma série de posts sobre Manuel Alegre, escritos ao longo da penosa e eterna campanha presidencial em que o poeta decidiu lançar-se há uns anos. Não há muito mais que possa dizer, para além de reiterar que não votarei Alegre. Aliás, mais depressa votaria em Manuel João Vieira.
Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.
Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.
Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.
Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.
Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.
Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.
Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.
Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.
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