Desde que me estreei nestas coisas da blogosfera que há blogues obrigatórios. Um deles é o 5Dias e não é de agora. Gosto dos debates que proporciona nos comentários, fui gostando do tom da maioria dos textos, mesmo não concordando com alguns, obviamente.
Há autores que acompanho invariavelmente, nomeadamente, o Nuno Ramos de Almeida, o Carlos Vidal e o Tiago Mota Saraiva.
Por afinidades políticas, certamente, dá-me especial gozo ler a sinceridade cáustica do Vidal, que vai espalhando pelos 5Dias aquilo que, às vezes, os meus camaradas têm algum receio de dizer, rompendo com o politicamente correcto.
Ao longo do tempo, o 5Dias foi-se modificando, com novos autores, e novos grafismos. Hoje está diferente. Não sei se pior ou melhor, sei que diferente. Sei que alberga agora gente que precisa, primeiro, de perceber do que fala, para não cair no ridículo do radicalismo que tanta vezes tem sido alvo - e certeiro - de outros bloggers de uma suposta esquerda moderna, que apoia o candidato do Governo numas eleições. Mas centremo-nos no que interessa, que isto das presidenciais há-de dar letra a outras postas.
Eu não conheço a Diana Dionísio, por isso vou procurar não fazer juízos de carácter sobre ela em relação a esta posta, que seria brilhante se fosse irónica, mas, nos muitos comentários que proporcionou (71 a esta hora) percebe-se que não é.
Pergunta a Diana se "Está marcada alguma concentração / manifestação para o dia 24? É que ainda não dei por isso. Alguém me pode esclarecer? Alguma estrutura dessas que tenta organizar as massas está a pensar marcar alguma coisa? Encontramo-nos nalgum lado para dar uns gritos"?
Por partes:
A esmagadora maioria das estruturas representativas dos trabalhadores já aderiu, pelo que as massas deverão estar organizadas não só para aderir à greve, como também para mobilizar e esclarecer os restantes camaradas, através das centenas de plenários e de piquetes que hão-de realizar-se por todo o país.
Não sei que noção terá a Diana do que é uma manifestação. Já fui a muitas - é uma pena não verem o meu orgulho ao dizer isto - e nunca lá fui só para dar uns gritos com a malta. Quando preciso de desanuviar, bato com a cabeça na parede, exercito umas tíbias e por aí fora. É este tipo de ligeireza quando se fala numa manifestação que não beneficia em nada o momento que vivemos. Esta tentativa de redução do verdadeiro significado de uma manifestação é precisamente o que interessa à opinião publicada. Que de cada vez que os trabalhadores, estudantes, reformados, empregados, desempregados saem à rua é para dar "uns gritos". Nunca o fiz. Nem nos meus tempos de estudante nem enquanto trabalhador. Sempre que fui a uma manifestação foi para marcar uma posição e gritar palavras de ordem a plenos pulmões. Nunca fui a uma manif por não ter algo mais interessante para fazer ou porque é giro ir a manifs.
Este esvaziamento do que representa uma manifestação, seja ela de quem for, pode colher dividendos dentro de alguns sectores, mas certamente que não contribui para o êxito das lutas de massas que hão-de vir neste e no próximo ano, seja com o PS ainda no Governo, seja com o PSD, isto se o Povo não acordar a tempo.
Sobre a manifestação em dia de Greve Geral:
Evidentemente que não há manifestação numa Greve Geral. Isso implicaria que, para transporte dos manifestantes, os trabalhadores dos transportes públicos, por exemplo, não estivessem em greve, tal como os das empresas de aluguer de autocarros ou os das bombas de gasolina ou os das estações de serviço. A bicicleta pode sempre ser um bom meio - que até é simpático para alguns autores do 5Dias - mas ir de Leça a Lisboa a pedalar ainda é um esticão.
A ideia de que uns podem trabalhar para levar os outros é tão absurda como a do jornalista que não faz greve porque alguém tem de a noticiar. É simplesmente a negação do protesto.
Uma Greve Geral é uma Greve Geral. Não é uma greve-só-um-bocadinho-geral-porque-a-malta-quer-ir-dar-uns berros.
E já agora, quando se fala nos grandes protestos de França, repare-se na quantidade deles que teve lugar precisamente nos locais onde se concentravam os piquetes. Mas não vale a pena comparar realidades distintas.
Com ou sem estas ideias iluminadas, que nada têm de novo - lá vem a doença infantil do comunismo outra vez à baila -, a Greve Geral de 24 de Novembro há-de ser um enorme êxito, assim o queiram os trabalhadores.
E um agradecimento ao Carlos Vidal por esta posta.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quinta-feira, novembro 11, 2010
5Dias e uns feriados
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sexta-feira, novembro 05, 2010
Parece que a partir de agora, mensalmente uma vez por mês, que é como quem diz, seis vezes em meio ano, também vou andar por aqui
quinta-feira, outubro 21, 2010
Começou a campanha
Não é, ainda, a das presidenciais. Apesar de o eterno candidato Alegre - preso pela PIDE, blá, blá, blá - ter já vindo denunciar as bandeirinhas que Cavaco emprestou aos miúdos. Não se sabe se são os mesmos miúdos de escolas que foram beijar a mãe ao Pai-Sócrates nas distribuições do Magalhães, quando Alegre era ainda deputado eleito pelo partido que apoiava e apoia o Governo. Aliás, reza a história que, nesse tempo, o recurso era mais elaborado, com a contratação de figurantes.
A campanha que já começou foi outra. Depois de quatro anos de forte ataque aos funcionários públicos, esse exército de malandros pago a peso de ouro, que nada em direitos e se afoga em benefícios, o alvo passou a ser aqueles malandros dos desempregados. Esse bando de mandriões inúteis que nada quer fazer.
Há dias, na RTP1, em horário pós-Jornal da Noite, um empresário dos têxteis, coitado, queixava-se de não ter pessoas para trabalhar, quando lhes oferecia o valor astronómico de 475 euros mensais. Uma fortuna, nos dias que correm. Infelizmente, o empresário nunca disse quais os seus rendimentos, nem qual a parte da mais-valia criada revertia para quem produz o valor.
Simultaneamente, vêm ideias peregrinas de colocar os desempregados a limpar matas, como se o subsídio de desemprego não fosse a forma de o Estado assegurar a sobrevivência daqueles que perderam o emprego; como se estar desempregado fosse uma regalia social, que merece a pena de trabalhar a troco do que descontou.
Esta campanha mediática de diabolização dos desempregados é só mais uma forma de dividir a sociedade. Atacar os desempregados sem abordar as causas do desemprego. Serve o Governo e serve o poder económico, que, a par do Estado, vai instituindo a precariedade como verdade absoluta e inalienável do progresso.
O desemprego é um drama, não é uma opção. E não são os desempregados que têm de pedir desculpa por estarem na situação em que estão. É a sociedade que deve pedir-lhes desculpa por continuar a acreditar neste modelo económico.
A campanha que já começou foi outra. Depois de quatro anos de forte ataque aos funcionários públicos, esse exército de malandros pago a peso de ouro, que nada em direitos e se afoga em benefícios, o alvo passou a ser aqueles malandros dos desempregados. Esse bando de mandriões inúteis que nada quer fazer.
Há dias, na RTP1, em horário pós-Jornal da Noite, um empresário dos têxteis, coitado, queixava-se de não ter pessoas para trabalhar, quando lhes oferecia o valor astronómico de 475 euros mensais. Uma fortuna, nos dias que correm. Infelizmente, o empresário nunca disse quais os seus rendimentos, nem qual a parte da mais-valia criada revertia para quem produz o valor.
Simultaneamente, vêm ideias peregrinas de colocar os desempregados a limpar matas, como se o subsídio de desemprego não fosse a forma de o Estado assegurar a sobrevivência daqueles que perderam o emprego; como se estar desempregado fosse uma regalia social, que merece a pena de trabalhar a troco do que descontou.
Esta campanha mediática de diabolização dos desempregados é só mais uma forma de dividir a sociedade. Atacar os desempregados sem abordar as causas do desemprego. Serve o Governo e serve o poder económico, que, a par do Estado, vai instituindo a precariedade como verdade absoluta e inalienável do progresso.
O desemprego é um drama, não é uma opção. E não são os desempregados que têm de pedir desculpa por estarem na situação em que estão. É a sociedade que deve pedir-lhes desculpa por continuar a acreditar neste modelo económico.
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sexta-feira, outubro 15, 2010
Zombies em tempo de vampiros
Acordar vivo deve ser das melhores sensações que se tem. Continuar vivo ao ler aos jornais, nem sempre. Seja pelas notícias, seja pelas opiniões, quase invariavelmente as mesmas, com caras diferentes.
Hoje, chegou a mostarda ao nariz da jornalista Câncio, o que não é fácil, diga-se. Sem entrar em piadas fáceis - tipo, a Fernanda cância-me - a jornalista puxa dos galões de grande repórter e assume todo o seu ódio ao PCP, num artigo repleto de preconceito, mentiras e deturpações. Nada de novo, portanto, até porque é a própria que o assume no texto.
Assumindo a defesa das chefias das redacções, revela que os seus superiores não cortam os seus textos. Tem sorte. E nós cheios de azar. Não lhe passa pela cabeça denunciar, por exemplo, a precariedade reinante no meio onde trabalha. Não, porque o mundo visto a partir dos saltos altos da senhora tem outra perspectiva. Tão grave como isso, é afirmar claramente que há, nas redacções, um preconceito em relação ao PCP por parte dos seus - dela - camaradas* de redacção. Assume-se a voz de toda uma classe e revela que os jornalistas têm reservas em dar notícias sobre a actividade de um partido eleito na AR por terem espaço a mais nas páginas, dado que "não o levam a sério". Assim, sem perceber - o que não é fácil, já que sabe tudo sobre tudo -, Câncio confirma tudo o que nega no primeiro parágrafo.
É desta coerência que é feita a massa media que suporta o governo Socrático. Acusa o Partido com mais vitalidade e capacidade de mobilização de ser um zombie, exactamente no mesmo dia em que um dirigente do PS acusou outro de aliciamento, num exemplo de como se passam as coisas nos corredores do poder.
Estes não são zombies, são vampiros.
E eu, ingénuo, certamente, prefiro ser zombie toda a vida do que vampiro por um dia.
*Camaradas de redacção era a designação usada entre jornalistas, pelo menos há 10 anos, quando pela primeira vez entrei numa redacção. Agora, em alguns jornais devem ser quiduxos de redacção, ou coisa parecida.
Hoje, chegou a mostarda ao nariz da jornalista Câncio, o que não é fácil, diga-se. Sem entrar em piadas fáceis - tipo, a Fernanda cância-me - a jornalista puxa dos galões de grande repórter e assume todo o seu ódio ao PCP, num artigo repleto de preconceito, mentiras e deturpações. Nada de novo, portanto, até porque é a própria que o assume no texto.
Assumindo a defesa das chefias das redacções, revela que os seus superiores não cortam os seus textos. Tem sorte. E nós cheios de azar. Não lhe passa pela cabeça denunciar, por exemplo, a precariedade reinante no meio onde trabalha. Não, porque o mundo visto a partir dos saltos altos da senhora tem outra perspectiva. Tão grave como isso, é afirmar claramente que há, nas redacções, um preconceito em relação ao PCP por parte dos seus - dela - camaradas* de redacção. Assume-se a voz de toda uma classe e revela que os jornalistas têm reservas em dar notícias sobre a actividade de um partido eleito na AR por terem espaço a mais nas páginas, dado que "não o levam a sério". Assim, sem perceber - o que não é fácil, já que sabe tudo sobre tudo -, Câncio confirma tudo o que nega no primeiro parágrafo.
É desta coerência que é feita a massa media que suporta o governo Socrático. Acusa o Partido com mais vitalidade e capacidade de mobilização de ser um zombie, exactamente no mesmo dia em que um dirigente do PS acusou outro de aliciamento, num exemplo de como se passam as coisas nos corredores do poder.
Estes não são zombies, são vampiros.
E eu, ingénuo, certamente, prefiro ser zombie toda a vida do que vampiro por um dia.
*Camaradas de redacção era a designação usada entre jornalistas, pelo menos há 10 anos, quando pela primeira vez entrei numa redacção. Agora, em alguns jornais devem ser quiduxos de redacção, ou coisa parecida.
quinta-feira, outubro 14, 2010
Solidariedade
O Um Tal de Blog associa-se, divulga e apela à participação nesta iniciativa do Aventar.
quinta-feira, setembro 30, 2010
segunda-feira, setembro 27, 2010
Da rua do contador para a rua do ouvidor
Que me perdoe o António Torrado, ídolo da minha infância, o roubo descarado de um livro dele para este espaço de podridão, por entre zeros e uns e outros.
Ouvi há pouco um dos maiores contadores de histórias dos novos tempos, Teixeira dos Santos, afirmar que as reformas laborais, nomeadamente no que respeita à maior facilidade dos despedimentos, ajudou a enfrentar a crise. E terá ajudado, ainda que não os mais de 600.000 desempregados que existem actualmente, aos quais podemos acrescentar os muitos milhares de precários.
Devidamente suportado pela OCDE, o contador sugere um aumento de impostos. Do IVA e do IMI, para acrescentar que uma das medidas propostas por aquele organismos é "manter baixos os salários da função pública para conseguir um ajustamento generalizado dos ordenados".
Portanto, não há necessidade de aumentar os salários para estimular o consumo, sempre com o reforço da produção nacional, mais vale nivelar tudo por baixo. Faz sentido. Tanto sentido como tentar vender anzóis a minhocas.
Na rua do contador não deve haver muitos desempregados, nem idosos com pensões de miséria, nem jovens sem perspectivas de encontrar trabalho. Na rua do contador, que passa por ela no banco de trás do seu topo de gama, com os vidros, fumados, à sombra de um puro.
Na rua do ouvidor as coisas são diferentes. Não há passeios, sequer, nem vidros fumados, tirando o SG Gigante, o Ritz ou o Ventil. E vamos ouvindo e encolhendo os ombros, como se tudo isto fosse tão inevitável como o sol que nasce todos os dias.
E quando percebermos que não é pode ser que as coisas mudem. Até lá, levamos com eles.
Ouvi há pouco um dos maiores contadores de histórias dos novos tempos, Teixeira dos Santos, afirmar que as reformas laborais, nomeadamente no que respeita à maior facilidade dos despedimentos, ajudou a enfrentar a crise. E terá ajudado, ainda que não os mais de 600.000 desempregados que existem actualmente, aos quais podemos acrescentar os muitos milhares de precários.
Devidamente suportado pela OCDE, o contador sugere um aumento de impostos. Do IVA e do IMI, para acrescentar que uma das medidas propostas por aquele organismos é "manter baixos os salários da função pública para conseguir um ajustamento generalizado dos ordenados".
Portanto, não há necessidade de aumentar os salários para estimular o consumo, sempre com o reforço da produção nacional, mais vale nivelar tudo por baixo. Faz sentido. Tanto sentido como tentar vender anzóis a minhocas.
Na rua do contador não deve haver muitos desempregados, nem idosos com pensões de miséria, nem jovens sem perspectivas de encontrar trabalho. Na rua do contador, que passa por ela no banco de trás do seu topo de gama, com os vidros, fumados, à sombra de um puro.
Na rua do ouvidor as coisas são diferentes. Não há passeios, sequer, nem vidros fumados, tirando o SG Gigante, o Ritz ou o Ventil. E vamos ouvindo e encolhendo os ombros, como se tudo isto fosse tão inevitável como o sol que nasce todos os dias.
E quando percebermos que não é pode ser que as coisas mudem. Até lá, levamos com eles.
segunda-feira, setembro 20, 2010
Quando for grande quero ter espaço
Quando for grande quero ser bombeiro, polícia, médico, futebolista. Era assim, pelo menos no meu tempo e, com ele, tudo muda. A ideia que tenho é que já não há profissões. Há formação focalizada em determinadas áreas, mas já ninguém é coisa alguma, excepção feita a uma elite que preenche jornais, rádios e televisões.
Esses são tudo e mais alguma coisa. Ganharam até o estatuto de especialistas. Há especialistas em futebol, economia, finanças, médio oriente, avançado oriente, extremo oriente, direito, torto, inclinado e tudo o mais que possa imaginar-se. São precisamente estes senhores e senhoras que roubam espaço à notícia.
Os dias de hoje querem fazer crer que já não precisamos de pensar, porque temos quem pense por nós. Não me refiro a programas específicos de opinião, legítimos, pois claro, mesmo quando a opinião é a mesma por palavras diferentes. Refiro-me ao espaço da notícia, que é cada vez menor, para ceder o lugar a tudo o que é especialista. De há uns anos a esta parte, os media encheram-se com opinião; mais grave ainda: com a mesma opinião. E a notícia, a reportagem, a proximidade entre consumidores de informação e o dever de informar - não dos jornalistas, mas dos órgãos - foi-se perdendo no meio de vaidades e interesses que valem os 15 minutos de fama ou os 2cmx2cm de foto na folha do jornal, com os devidos títulos honoríficos no final da prosa.
E nós, a massa bruta, engolimos a sabedoria que os "sotôres" nos servem de bandeja, porque pensar está fora de moda. Aliás, pensar sempre foi um perigo. Desde sempre que pensar pode ser sinónimo de perceber. E perceber pode ser das coisas mais perigosas que há.
Esses são tudo e mais alguma coisa. Ganharam até o estatuto de especialistas. Há especialistas em futebol, economia, finanças, médio oriente, avançado oriente, extremo oriente, direito, torto, inclinado e tudo o mais que possa imaginar-se. São precisamente estes senhores e senhoras que roubam espaço à notícia.
Os dias de hoje querem fazer crer que já não precisamos de pensar, porque temos quem pense por nós. Não me refiro a programas específicos de opinião, legítimos, pois claro, mesmo quando a opinião é a mesma por palavras diferentes. Refiro-me ao espaço da notícia, que é cada vez menor, para ceder o lugar a tudo o que é especialista. De há uns anos a esta parte, os media encheram-se com opinião; mais grave ainda: com a mesma opinião. E a notícia, a reportagem, a proximidade entre consumidores de informação e o dever de informar - não dos jornalistas, mas dos órgãos - foi-se perdendo no meio de vaidades e interesses que valem os 15 minutos de fama ou os 2cmx2cm de foto na folha do jornal, com os devidos títulos honoríficos no final da prosa.
E nós, a massa bruta, engolimos a sabedoria que os "sotôres" nos servem de bandeja, porque pensar está fora de moda. Aliás, pensar sempre foi um perigo. Desde sempre que pensar pode ser sinónimo de perceber. E perceber pode ser das coisas mais perigosas que há.
sexta-feira, setembro 10, 2010
Leça da Palmeira, uma Freguesia a carvão
Já é sabido que, fora da linha de mar, Leça da Palmeira sempre foi uma freguesia que funciona a carvão, mesmo estando nós já na era da fibra óptica. Para os mais desatentos, Leça da Palmeira foi, das 10 freguesias que compõem o concelho de Matosinhos, a última a ter habitação social, pavilhão municipal e quer-me parecer que, tão cedo, não terá uma piscina municipal, já que, no local onde estava prevista a sua construção está a ser erguida uma nova bancada em torno do complexo desportivo da Bataria.
Há muita Leça por descobrir por parte do poder local. Mormente entre a Exponor e o Monte Espinho, ali mesmo, na fronteira com Perafita. O Bairro da Bataria é só mais um exemplo disso. Foi construído sem passeios, porque fora do centro da cidade e dos condomínios fechados a malta não precisa de passeios, tem há anos um parque infantil que não pode ser utilizado por falta de condições de segurança e vive paredes meias com um depósito de carvão a céu aberto. Isto sem referir os falecidos, mas não enterrados, armazéns da Nobre, que convidam à entrada de quem lá passa, seja para matar o vício, seja para vendê-lo. Não havia passadeiras, que foram pintadas à pressa num final de tarde, véspera de uma manhã em que a CDU de Leça da Palmeira levaria a cabo a sua pintura simbólica. Até hoje, as ditas passadeiras continuam sem sinalização vertical que as anuncie.
Também a zona de Gonçalves é uma parte esquecida, salvo os 100 metros de alcatrão que levam à nova loja da Megasport. Gonçalves é a zona onde está o Centro Hípico, que continua em obras de melhoramento. Por trás dele está Gonçalves, que vive com o cheiro a merda dos cavalos e onde, não há muito tempo, um dos moradores dizia que "estão mais preocupados com os cavalos do que com as pessoas". Gonçalves também sobrevive sem passeios, separado por paralelo e alcatrão, mandado colocar à pressa, também em vésperas de uma visita da CDU.
Leça da Palmeira continua a duas velocidades. A da fibra óptica ao centro, com o norte a carvão.
Há muita Leça por descobrir por parte do poder local. Mormente entre a Exponor e o Monte Espinho, ali mesmo, na fronteira com Perafita. O Bairro da Bataria é só mais um exemplo disso. Foi construído sem passeios, porque fora do centro da cidade e dos condomínios fechados a malta não precisa de passeios, tem há anos um parque infantil que não pode ser utilizado por falta de condições de segurança e vive paredes meias com um depósito de carvão a céu aberto. Isto sem referir os falecidos, mas não enterrados, armazéns da Nobre, que convidam à entrada de quem lá passa, seja para matar o vício, seja para vendê-lo. Não havia passadeiras, que foram pintadas à pressa num final de tarde, véspera de uma manhã em que a CDU de Leça da Palmeira levaria a cabo a sua pintura simbólica. Até hoje, as ditas passadeiras continuam sem sinalização vertical que as anuncie.
Também a zona de Gonçalves é uma parte esquecida, salvo os 100 metros de alcatrão que levam à nova loja da Megasport. Gonçalves é a zona onde está o Centro Hípico, que continua em obras de melhoramento. Por trás dele está Gonçalves, que vive com o cheiro a merda dos cavalos e onde, não há muito tempo, um dos moradores dizia que "estão mais preocupados com os cavalos do que com as pessoas". Gonçalves também sobrevive sem passeios, separado por paralelo e alcatrão, mandado colocar à pressa, também em vésperas de uma visita da CDU.
Leça da Palmeira continua a duas velocidades. A da fibra óptica ao centro, com o norte a carvão.
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segunda-feira, julho 05, 2010
Linda Lovelace, desta vez em forma de manchete
Passou de moda a discussão sobre a liberdade dos media e a manipulação a que estão sujeitos. Temos férias, Verão, crimes e a comissão de inquérito ao caso PT-TVI deu em coisa nenhuma. Continuo a defender que o que sempre esteve em causa não é a liberdade de expressão, mas antes as liberdades de informar e de ser informado.
Hoje, o Público faz manchete com os nossos empresários, coitadinhos, que não aproveitam as facilidades do código laboral para despedir. O Público ajuda estes inocentes uma semana depois de Portugal ficar a conhecer uma taxa de desemprego - oficial - que está perto dos 11%. Sem contar com os milhares que vão desaparecendo dos ficheiros do IEFP.
Esta notícia do Público é tudo menos inocente - em época de crise, a flexibilização laboral vem sempre à baila - e o futuro provará que este tipo de peças encomendadas renderá cada vez menos dividendos aos media mainstream. Porque se há uns anos era preciso ir ao arquivo em papel para encontrar o Teixeira dos Santos a dizer o mesmo, hoje basta um clique, ou dois, pronto, do novo menino d'oiro da Comunicação Social, Pedro Passos-Coelho.
Não sou dos que defende que a era dos computadores acabará com os jornais diários em papel - dizia-se o mesmo sobre os gratuitos e ainda na semana passada fechou um. Terão sempre um leitor, pelo menos, que sou eu. Que gosto de os sentir e de os cheirar. Mas terão de defender a sua credibilidade. E os meios de informação alternativos, sejam sites, blogues ou redes sociais ajudam a desmontar agendas e interesses mais ou menos escondidos que só enganam os incautos. A minha geração, como as que se seguirão, só não será mais e melhor informada se não quiser. E os jornais têm de estar cada vez mais atentos a isto.
Há, no entanto, um lado positivo: A manchete de hoje, no Público, não descredibiliza o jornalismo, antes pelo contrário ajuda a distinguir o que é informação daquilo que, há uns anos, se chamava broche.
Hoje, o Público faz manchete com os nossos empresários, coitadinhos, que não aproveitam as facilidades do código laboral para despedir. O Público ajuda estes inocentes uma semana depois de Portugal ficar a conhecer uma taxa de desemprego - oficial - que está perto dos 11%. Sem contar com os milhares que vão desaparecendo dos ficheiros do IEFP.
Esta notícia do Público é tudo menos inocente - em época de crise, a flexibilização laboral vem sempre à baila - e o futuro provará que este tipo de peças encomendadas renderá cada vez menos dividendos aos media mainstream. Porque se há uns anos era preciso ir ao arquivo em papel para encontrar o Teixeira dos Santos a dizer o mesmo, hoje basta um clique, ou dois, pronto, do novo menino d'oiro da Comunicação Social, Pedro Passos-Coelho.
Não sou dos que defende que a era dos computadores acabará com os jornais diários em papel - dizia-se o mesmo sobre os gratuitos e ainda na semana passada fechou um. Terão sempre um leitor, pelo menos, que sou eu. Que gosto de os sentir e de os cheirar. Mas terão de defender a sua credibilidade. E os meios de informação alternativos, sejam sites, blogues ou redes sociais ajudam a desmontar agendas e interesses mais ou menos escondidos que só enganam os incautos. A minha geração, como as que se seguirão, só não será mais e melhor informada se não quiser. E os jornais têm de estar cada vez mais atentos a isto.
Há, no entanto, um lado positivo: A manchete de hoje, no Público, não descredibiliza o jornalismo, antes pelo contrário ajuda a distinguir o que é informação daquilo que, há uns anos, se chamava broche.
quarta-feira, junho 23, 2010
Os donos do norte
Rui Rio, Rui Moreira e até um responsável pela igreja católica vieram alertar para o perigo de uma revolta a norte por causa das SCUT. O norte está cada vez mais estreito - acho que já escrevi isto mais lá para baixo - e desta vez vai de Viana a Aveiro em forma de autoestrada.
Não é só o norte que está revoltado e, se o está, não é apenas por causa das portagens nas SCUT, que o candidato Sócrates prometeu não portajar, mas que o primeiro-ministro Sócrates mandou implementar, à custa de chips e tudo. Uma coisa assim moderna, tipo Magalhães mas em muito pequenino.
O norte tem todos os motivos para estar revoltado. Tem as regiões mais pobres do país e pelo menos duas delas serão mesmo penalizadas pela introdução de portagens, mais precisamente, nas zonas do Vale do Ave e do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.
Se as portagens nas SCUT servirem para despertar a consciência do norte sobre o que são PS e PSD - uma moeda de uma face só, melhor.
Se servirem para que meia-dúzia de "notáveis" do Porto se autopromovam, para tirarem dividendos de partidos e movimentos portuenses mascarados de nortenhos que estão na calha, então, valem tanto como os deputados do norte eleitos pelo PS e, eventualmente, pelo PSD que aprovarão as portagens.
Mais: O norte revoltar-se-á quando o Povo tiver consciência de que pode mais, de que pode tudo e basta querer, não quando o presidente da Câmara do Porto, o Rui Moreira ou qualquer outra personagem que, na sua cabeça, se ache representativa de uma fatia do Povo nortenho quiser. Por curiosidade, eu, que até participei em vários protestos contra as SCUT, nunca vi por lá bispos, nem o Rui Moreira, nem o Rui Rio, os que agora alertam para o perigo de uma revolta, confortavelmente sentados no sofá. Mas reconheço que possa ser uma falha minha.
Não é só o norte que está revoltado e, se o está, não é apenas por causa das portagens nas SCUT, que o candidato Sócrates prometeu não portajar, mas que o primeiro-ministro Sócrates mandou implementar, à custa de chips e tudo. Uma coisa assim moderna, tipo Magalhães mas em muito pequenino.
O norte tem todos os motivos para estar revoltado. Tem as regiões mais pobres do país e pelo menos duas delas serão mesmo penalizadas pela introdução de portagens, mais precisamente, nas zonas do Vale do Ave e do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.
Se as portagens nas SCUT servirem para despertar a consciência do norte sobre o que são PS e PSD - uma moeda de uma face só, melhor.
Se servirem para que meia-dúzia de "notáveis" do Porto se autopromovam, para tirarem dividendos de partidos e movimentos portuenses mascarados de nortenhos que estão na calha, então, valem tanto como os deputados do norte eleitos pelo PS e, eventualmente, pelo PSD que aprovarão as portagens.
Mais: O norte revoltar-se-á quando o Povo tiver consciência de que pode mais, de que pode tudo e basta querer, não quando o presidente da Câmara do Porto, o Rui Moreira ou qualquer outra personagem que, na sua cabeça, se ache representativa de uma fatia do Povo nortenho quiser. Por curiosidade, eu, que até participei em vários protestos contra as SCUT, nunca vi por lá bispos, nem o Rui Moreira, nem o Rui Rio, os que agora alertam para o perigo de uma revolta, confortavelmente sentados no sofá. Mas reconheço que possa ser uma falha minha.
quinta-feira, junho 17, 2010
quarta-feira, junho 02, 2010
Portugal, o Chile dos pequeninos
Ontem surgiu a notícia do fecho de mais escolas do primeiro ciclo. Coisa pouca, umas 900, a somar às 2.000 que os governos de Sócrates já conseguiram fechar. Evidentemente, a maioria está localizada no norte e no interior do país. De acordo com estes dados, os governos do PS já conseguiram fazer baixar de o número de 8.888 escolas básicas para 6.297 até 2008. Agora, são menos 900. Ficam, portanto, 5.397 escolas. Na prática, em meia dúzia de anos, as políticas educativas conseguiram fechar quase 50% das escolas. Um feito notável no que respeita à poupança.
Com este tipo de medidas, a juntar aos SAP, urgências e maternidades, Portugal está a transformar-se num pequeno Chile. Este país da América do Sul tem 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura. Nós não chegamos a tanto, devemos estar mais ou menos com uns 50km de largura e quase 800 de comprimento.
Tudo isto tem um preço. Poupa-se hoje mas, amanhã, teremos um país ainda mais desertificado fora das grandes cidades do litoral. A retirada constante de serviços do interior conduzirá a um fluxo ainda maior para o litoral - que irá ser agravada com a privatização dos CTT, por exemplo.
Deste modo, com estas políticas meramente economicistas, as auto-estradas para o interior deveriam passar a ser feitas apenas num sentido, o que traz. Porque ninguém quer ir para um deserto. E não, não estou a falar da margem sul.
Com este tipo de medidas, a juntar aos SAP, urgências e maternidades, Portugal está a transformar-se num pequeno Chile. Este país da América do Sul tem 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura. Nós não chegamos a tanto, devemos estar mais ou menos com uns 50km de largura e quase 800 de comprimento.
Tudo isto tem um preço. Poupa-se hoje mas, amanhã, teremos um país ainda mais desertificado fora das grandes cidades do litoral. A retirada constante de serviços do interior conduzirá a um fluxo ainda maior para o litoral - que irá ser agravada com a privatização dos CTT, por exemplo.
Deste modo, com estas políticas meramente economicistas, as auto-estradas para o interior deveriam passar a ser feitas apenas num sentido, o que traz. Porque ninguém quer ir para um deserto. E não, não estou a falar da margem sul.
segunda-feira, maio 31, 2010
Da (in)acção e outras histórias
Confesso que não sei se estiveram 298.638 ou 307.672 pessoas na manif de sábado. Sei que foi uma mobilização impressionante de novos, menos novos, empregados, desempregados, funcionários públicos e do sector privado. Aliás, quando o desfile dos funcionários públicos terminou, vinham ainda muitos milhares de trabalhadores e desempregados do sector privado. Nas cores habituais destas andanças, destacavam-se um grupo de desempregadas de Paços de Ferreira, com bandeiras negras. Não, não tinham conta no Facebook nem faziam parte de qualquer causa criada para que possamos manter-nos de cu alapado sem a consciência pesada. Eram operárias da zona de Paços de Ferreira e, segundo as próprias, representavam a fome que por lá se sente.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
quarta-feira, maio 26, 2010
A vida é feita de aprendizagem
Não, não vai sair daqui qualquer tipo de dissertação filosófica. O que aprendi hoje - já foi ontem, pronto - é que quando uma empresa do Estado é viável e tem potencial para dar lucro mas tal não acontece porque é mal gerida, o que o Estado tem a fazer não é encontrar uma gestão válida, é privatizá-la.
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terça-feira, maio 25, 2010
domingo, maio 16, 2010
A democracia do pensamento único
Economia - 18ª Edição
Samuelson e Nordhaus
Prefácio, Ponto 3,
"Pequeno é melhor":
"Em cada etapa, questionávamos se o material era necessário para compreensão pelos estudantes da economia do século XXI (...) A agricultura, os sindicatos e a economia marxista foram reduzidos para dar lugar à economia do ambiente, à economia de rede, aos ciclos económicos reais e à economia financeira".
Portanto, num dos livros obrigatórios para algumas áreas do ensino universitário - espaços anteriormente conhecidos como centros de reflexão, de avanço ideológico e de importantes lutas contra o fascismo - decidiram os autores reduzir a atenção dada ao pensamento divergente onde, curiosamente, se encontram algumas das respostas para a os problemas económicos actuais: Na produção nacional, que terá de renascer após ter sido destruída pelo liberalismo, pelo capitalismo selvagem da UE, pela organização dos trabalhadores em sindicatos, que não permitam dar mais passos atrás em relação aos avanços civilizacionais conseguidos às custas do sangue de milhares de outros explorados.
Nem um passo atrás. O que o sistema nos tira, teremos de procurar nos meios alternativos, na internet, nos livros, lendo e relendo o que os processos de luta revolucionária dos Povos nos ensinaram ao longo dos séculos.
A luta está aí!
Samuelson e Nordhaus
Prefácio, Ponto 3,
"Pequeno é melhor":
"Em cada etapa, questionávamos se o material era necessário para compreensão pelos estudantes da economia do século XXI (...) A agricultura, os sindicatos e a economia marxista foram reduzidos para dar lugar à economia do ambiente, à economia de rede, aos ciclos económicos reais e à economia financeira".
Portanto, num dos livros obrigatórios para algumas áreas do ensino universitário - espaços anteriormente conhecidos como centros de reflexão, de avanço ideológico e de importantes lutas contra o fascismo - decidiram os autores reduzir a atenção dada ao pensamento divergente onde, curiosamente, se encontram algumas das respostas para a os problemas económicos actuais: Na produção nacional, que terá de renascer após ter sido destruída pelo liberalismo, pelo capitalismo selvagem da UE, pela organização dos trabalhadores em sindicatos, que não permitam dar mais passos atrás em relação aos avanços civilizacionais conseguidos às custas do sangue de milhares de outros explorados.
Nem um passo atrás. O que o sistema nos tira, teremos de procurar nos meios alternativos, na internet, nos livros, lendo e relendo o que os processos de luta revolucionária dos Povos nos ensinaram ao longo dos séculos.
A luta está aí!
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sexta-feira, maio 14, 2010
Precisam-se voluntários
Para voltar a deitar abaixo o que alguns querem trazer de volta. Eu alinho.
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quinta-feira, maio 13, 2010
O Roubo - este não é um post sobre gravadores
Hoje, depois dos telejornais da hora de almoço, José Sócrates veio anunciar-nos publicamente o que já sabíamos: Vai voltar a roubar-nos. Vai aumentar o IVA, o imposto mais injusto de todos os impostos, que tributa de igual forma quem ganha 400 e quem ganha 40.000. Na verdade, não surpreende, menos ainda quando foi firmado um pacto pelo gang do bloco central. E por aqui, ainda alguém se lembra do Passos Coelho da ruptura, do rasgo ou da união, que não seja a união ao PS?
Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.
Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.
O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.
Sócrates, por coincidência, anunciou o roubo ao Povo enquanto o Papa pregava por Fátima, num país que paralisou para ver um anti-homossexual que usa vestido e sapatos vermelhos. Mas há mais e haverá mais. Esperemos pelo Mundial, que enquanto os jogadores chamados por Queiroz procurarão fazer um milagre, haveremos de saber que lá se vai o subsídio de Natal.
Não há respostas únicas para os problemas. Para chegar ao 10, teremos sempre 9+1, o 8+2 e por aí fora. E a mesma resposta à nova velha crise há-de cansar os Povos. E os Povos vão organizar-se e escolher outro caminho. Começou na Grécia e há-de alastrar a Portugal.
O primeiro passo será a 29 de Maio, com a CGTP. Os seguintes, espero eu, hão-de ser mais duros e efectivos. Porque isto não é (mais) um plano de austeridade. Isto é um roubo.
quinta-feira, maio 06, 2010
Do desnorte ao sentimento de impunidade vai um Ricardo Rodrigues de distância
Já se disse quase tudo sobre o episódio miserável que envolveu o deputado socialista Ricardo Rodrigues. É um deputado do PS, eleito pelo círculo dos Açores que, ironia das ironias, foi incumbido da tarefa de intervir no Parlamento para criticar a suposta falta de liberdade dentro de um partido que não o dele, como aqui se pode confirmar, no célebre episódio da Lei da Rolha que os socialistas decidiram levar a plenário. Estamos a falar do deputado que roubou dois gravadores a dois jornalistas durante uma entrevista, sem sequer ter a inteligência de levar também a câmara de filmar.
O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.
Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.
Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.
O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.
Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.
Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.
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