Diz que se clicar na imagem a coisa fica legível. Objectivamente.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Presidenciais - Uma análise a frio
Parece-me que falta, no entanto, uma análise a frio. Ao frio, mais precisamente. O choque tecnológico ainda não chegou à Escola Secundária da Boa Nova. Há 15 anos, quando entrei lá pela primeira vez, o frio que se fazia sentir nas salas de aulas, se não for o mesmo, é muito parecido. Tinha 13 anos quando cheguei à ESBN, cheio de frio e com herpes, ainda por cima, por causa do cieiro. Desde então, no que diz respeito ao aquecimento das salas de aula, nada foi feito.
Ao fim de 15 anos já alguém devia ter reparado que, quando está frio, está mesmo muito frio, particularmente nas salas viradas a nascente, entretanto tapadas pela construção desenfreada que aconteceu em Leça da Palmeira.
Já que se fala na ESBN, vamos mais atrás buscar o benzeno, salvo seja, que aquilo é coisa para fazer mal às pessoas. A proximidade da Petrogal é inevitável. Em Leça tudo é próximo da Petrogal; não porque Leça seja uma cidade pequena - é um mundo, como todos sabem - mas porque a Petrogal é mesmo muito grande.
Reza a lenda que os efeitos dos gases libertados pela refinaria se fazem sentir em zonas mais altas, como em Valongo e afins, o que até faz sentido, dada a dimensão dos "canos da Sacor". Deles se dizia que teriam de ser 10 metros mais pequenos, porque estavam a queimar as miudezas ao S. Pedro, mas isso é outra história.
Se no que à refinação diz respeito pode ser verdade, não é menos verdade que a Galp também trabalha com aromáticos, cujos gases são libertados ao nível do solo. Eu sei que há um estudo da Quercos, salvo erro, que conclui que a ESBN está construída precisamente no canal por onde passam esses gases, devido à direcção do vento que por norma se faz sentir. Obviamente, esse estudo há-de estar guardado em alguma gaveta da CM de Matosinhos, da Galp ou de uma qualquer direcção do ambiente.
Interessante seria estudar o impacto que este facto tem na saúde da comunidade escolar, nomeadamente entre aqueles que por lá ficam mais anos, professores e funcionários, e se há ou não uma relação directa com os casos de cancro que por lá existem.
Ficamos a aguardar.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Esquerda a qualquer preço?
A esquerda é a verdade, tem de representar a verdade e a honestidade intelectual. De outro modo, nunca será esquerda, ou sê-lo-á apenas nas páginas de jornais dedicadas a uma esquerda que vende bem. Em Portugal, nos dias de hoje, o apelo a uma união de esquerdas implicaria por si só o fim das esquerdas. Falando por mim, que jamais estaria ao lado de um projecto com alguém que tem este baixo nível intelectual ao falar da esquerda com que me identifico. Por um motivo óbvio: eu defendo o meu projecto de esquerda e não outro, é por ele que luto e que procuro mobilizar e esclarecer mais e mais gente.
A esquerda será poder quando o povo quiser ser esquerda. E não é a esquerda que tem de ser menos esquerda para que o povo assim queira. O trabalho de um militante de esquerda faz-se nas escolas, nos locais de trabalho, nos cafés e na web, com a apresentação de soluções alternativas, contra as fatalidades que nos impõem e a favor da verdade.
sexta-feira, janeiro 21, 2011
terça-feira, janeiro 18, 2011
Para sempre, ARY!
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.
José Carlos Ary dos Santos
18 de Janeiro de 1984
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Angeiras e o Portinho
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Já se acordava, não?
Ontem Sócrates juntou-se a Manuel Alegre em campanha. Num comício em Castelo Branco, com o candidato-poeta. Nem vou comentar muito do que se disse, apenas sublinhar estas declarações do homem apoiado pelo governo e pelo BE:
Alegre admira "coragem e determinação" de Sócrates
"Manuel Alegre manifestou ainda a sua satisfação por estar "lado a lado" com José Sócrates no comício.
"É para mim um momento de grande alegria e de grande alento ter aqui hoje o apoio claro, inequívoco, do secretário-geral do meu partido, o meu amigo e camarada José Sócrates", sublinhou.
Sobre isto, o que dirão os @derentes do Bloco? Estariam no público a aplaudir efusivamente o candidato da esquerda grande, de que tantas vezes fala Francisco Louçã? Pronto, sejamos justos, os bloquistas da FER vão contra o partido e já disseram que não votam Alegre e até apelam ao voto em branco ou em Francisco Lopes - por esta ordem. Esta cisão dentro da enorme confusão que é o BE parece ter passado ao lado da Imprensa, mas admito que pode ser uma falha minha.Indo ao que interessa, a campanha de Alegre é pouco mais que absurda. Num dia está com Louçã, noutro está com Sócrates; num dia é um candidato que critica o governo, no dia seguinte é o candidato do governo. Se isto não surpreende no PS, no BE só surpreende os incautos, desatentos ou os que, estando atentos, fazem tudo por uns minutos de tempo de antena.
Louçã é um rato velho da política nacional. Ao contrário do que possa pensar-se, Louçã é o líder político que está há mais anos à frente de um Partido, entre PSR, BE e afins. Arrebanhou uma série de gente de grupelhos esquerdistas e foi levado ao colo pela Imprensa, numa tentativa de que viesse a roubar espaço ao PCP.
Evidentemente, tal não com aconteceu; o BE cresce eleitoralmente mas a CDU também. Depois destas Presidenciais, creio que tudo voltará ao normal dentro do BE. Remam uns para cada lado mas continuarão na moda.
Resta saber o que dirão os milhares de portugueses que votaram no BE à espera de uma suposta nova esquerda, que marcha ao lado do PS mais à direita de sempre.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Haiti - um ano
Foi notícia enquanto a tragédia teve o condão de nos chocar - e há cada vez menos coisas que nos chocam, porque o choque deixou de ser excepção para ser a regra, seja no Haiti, na Palestina, no Sudão ou no Chade. O que ficou para trás já lá vai. É dos tempos que correm, diz-se, mas correm mais depressa para umas coisas que para outras. Sofremos tanto com o Haiti que nos desdobrámos em doações e telefonemas solidários, sem sabermos muito bem onde foram parar.
Sabíamos quase nada do Haiti, sobre o petróleo do Haiti e sobre a ocupação estrangeira daquele país. Os beneméritos EUA, sempre prontos a ajudar países com riquezas naturais, auxiliaram com o exército, através do Pentágono, o que levou mesmo à ocupação do aeroporto de Port-au-Prince por tropas estado-unidenses. Claro que a imensa propaganda dos media dominantes também anunciou uma ajuda financeira astronómica dos EUA ao Haiti. Noticiou-se a ajuda, mas nunca se controlou a sua chegada ao destino. Ou procurou, sequer, monitorizar as supostas ajudas.
Sem surpresas, "não mais que 27% dos recursos prometidos foram destinados e aplicados, na sua grande parte, para fins administrativos. Basicamente não se veem mudanças estruturais com relação a essa ajuda. Lembro que nos dia 31 de março de 2010, em uma conferência em Nova York, se prometeram US$ 11 bilhões - mas não chegou quase nada, chegaram US$ 250 milhões, e muito desses recursos foi usado para apoio orçamentário e para projetos bilaterais que já haviam sido aprovados anteriormente. Ou seja: a verdadeira reconstrução do país não foi feita".
A tragédia serviu para conhecermos que o Haiti não era (é) mais do que um laboratório de guerra para outros países, sem governo, que havia sido derrubado num golpe de estado patrocinado adivinhem lá por quem.
Ontem voltámos a lembrar-nos do Haiti, como haveremos de lembrar-nos quando passarem dois ou três anos, no máximo. Da mesma forma que nos esquecemos do tsunami que afectou uma série de países asiáticos na mesma altura do ano.
Quem não esquece é o Vaticano, honra seja feita a um estado que é dos mais ricos do mundo. A prioridade das prioridades foi reconstruir a catedral, porque a barriga enche-se de Cristo e deus está em todo o lado, por isso há-de servir para matar a fome. Para descanso dos haitianos, "Bento XVI informou que reza pelas vítimas, especialmente pelos mortos, pede a proteção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, patrona do Haiti, e pede a Deus que abençoe toda a população". Amén.
Por cá o Haiti já passa ao lado. Juntámo-nos a causas no Facebook, participámos em correntes e fizemos a nossa parte. Durmamos, então, descansados.
sábado, janeiro 08, 2011
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Agora Escolha
*"Os camaradas da Moção C inventaram até essa prodigiosa fantasia de que iríamos, eventualmente, ter um candidato às presidenciais em comum com o Governo. É caso para dizer que só contaram para vocês".
Se prefere este Fazenda, ligue para 1111111:*
*"Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda em entrevista ao esquerda.net, diz que o fórum será "um ponto de encontro e de troca de ideias" e dele sairá também um forte apelo à participação na jornada de luta de 29 de Setembro e um apoio vincado ao candidato presidencial Manuel Alegre."
Há um problema grave de seriedade, coerência e vergonha em alguns sectores da política nacional.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Carta a Hamad bin Khalifa, Emir do Qatar.
Escrevo-lhe a partir de Leça da Palmeira para dar-lhe os parabéns pela escolha do Qatar para organizar o Mundial de 2022. Saúdo particularmente o facto de a generalidade da Imprensa não ter condenado a atribuição de tal evento a um país como o que V. Ex.ª tão democraticamente dirige, ao contrário do que aconteceu com os Jogos Olímpicos na China. Mas certamente que nos dez anos que nos separam do evento contará com uma onda de indignação patrocinada pela Amnistia Internacional, até agora tão sossegada.
Certamente que o facto de o país de V. Ex.ª ter petróleo e gás natural até dar c'um pau é mera coincidência, mesmo estando nós a falar de um país onde não há leis, para além da Lei de V. Ex.ª, regendo-se por uma Constituição provisória desde 1970, onde não são permitidos partidos políticos ou eleições. Confesso que me faz um bocadinho de espécie V. Ex.ª não permitir o amor através do rabinho, mesmo entre adultos e por mútuo consentimento. O amor não deve ser condicionado, seja sob que forma for.
Caro Khalifa, pá - vamos tornar isto um bocadinho mais pessoal, seu democrata -, apesar de seres dono e senhor de um país que está um bocadinho acima do Irão no Índice Democrático, safas-te por seres mais aberto que os vizinhos da Arábia Saudita. Ainda por cima não fazes parte do Eixo do Mal, seu sortudo, mesmo patrocinando o Hamas em 50 milhões de dólares.
Digo-te já que se não alterares aquela lei que controla o acesso ao álcool vais ter sérios problemas com os amantes do futebol. Isto para não falar no mulherio que por lá andará a pecar como se não houvesse amanhã. Por falar nisso, acho que devias reconsiderar a construção do Estádio Al-Khor, que tem a forma de, vá lá, uma pombinha. Ou de uma vagina, pronto, esse ponto do pecado que as mulheres transportam de um lado para o outro como se fosse delas.
Sei que vais construir 12 novos estádios e foi esse motivo que me levou a escrever-te. Temos em Portugal cinco estádios semi-novos que podes levar para a tua terrinha. Coimbra, Leiria, Faro, Bessa, Aveiro estão praticamente novos e por utilizar. Deste modo, pouparias umas esmolas com o pessoal que vai para o teu país com promessas de enormes salários mas que chega aí e é xulado à força toda.
Posto isto, tens sorte em não ser chinês e em não te afirmares comunista. Não procurei fotos tuas mas terás certamente uns lindos olhos, para que ainda, e apesar de tudo isto, não tenhas sido crucificado na praça pública. Crucificado sem ofensa, claro.
Fico a aguardar resposta ASAP.
Teu,
RMS
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Agora a sério, feliz natal
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.
Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.
O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.
E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:
"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".
Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.
Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.
Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.
Feliz natal.
* tenho um leitor!
Natal
quinta-feira, dezembro 16, 2010
De despedimento em despedimento, até ao despedimento final!
É preciso saber quem manda em quê e em quem.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
(Des)Pudor local - um conto completamente saído da minha imaginação fértil
Naquela freguesia, havia um presidente da Junta que vamos designar por, sei lá, PS. Ora, o PS era um presidente zeloso, atento às novas tecnologias e sempre muito próximo dos cidadãos. Tão próximo que tinha grupos de acompanhamento para tudo e mais alguma coisa. Entre eles, estava o das colectividades da freguesia, que reúnem periodicamente para discutir assuntos relacionados com as actividades de cada uma.
Nesses encontros discutem-se coisas tão importantes como museus para colecções de carrinhos em miniatura. Sempre com vista a acompanhar de perto tudo o que as colectividades vão fazendo, PS fez questão de relembrar às colectividades que aquelas que não estivessem presentes nas reuniões seriam lembradas - ou esquecidas - quando, no final do ano, chegasse a altura de distribuir os subsídios.
E era assim, que se ia passando a vida política nesta freguesia completamente imaginária, que nada tem a ver com este post ou com este comentário.
Fim.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Vem aí o mês do horror
Falo do mês de Dezembro, das Leopoldinas, das Popotas, dos ursinhos, dos porta-chaves, dos lacinhos e dos pins para apoiar tudo e mais alguma coisa que nos pese na consciência durante os dias em que damos com o boneco da Coca-Cola a trepar pelas janelas e varandas.
Depois pode tudo voltar ao normal, que estamos todos a cagar-nos para isso. Ou então aderimos a uma causa fofinha no Facebook e dormimos melhor durante uns dias.
Há ainda o livro de uma campanha qualquer de apoio aos desgraçadinhos que custa dois euros. Um deles fica para a cadeia de hipermercados. Ou seja, eu, o cidadão comum, contribuo com 100 por cento do valor do livro para uma causa solidária, mas o grupo económico só dá metade desse valor à instituição. Faz todo o sentido, tendo em conta a "solidariedade" praticada por esta gente.
Belmiro de Azevedo é um dos que alinha na palhaçada, claro, que sempre dá para fazer de conta que tem uma gota de solidariedade social. No entanto, será que Belmiro de Azevedo alguma vez pensa que tem trabalhadores seus que vão depois recorrer às ajudas que o próprio patrão oferece? Não faria mais sentido aumentar o salário dos seus trabalhadores para que estes não tivessem de recorrer a ajudas de outras instituições para que consigam sobreviver?
Não, não faria, por isso é que Belmiro de Azevedo, cheio de preocupações, começou a contratar trabalhadores - deve ser deste tipo de emprego quando se fala na abertura de hipermercados ao domingo: (...) os felizardos entraram ao serviço no passado dia 6 de Novembro e têm contrato até 24 de Dezembro de 2010. O pagamento, esse, será feito mediante recibo verde ou acto único, mas só a partir de 15 de Janeiro de 2011. Quanto ao salário, não tem mistérios: cada contratado recebe 12€ por turno, e cada turno tem cinco horas. Feitas as contas, apura-se que o salário/hora é de 2,4€, ou seja inferior aos 2,7€ que resultam do salário mínimo nacional. Acresce que os trabalhadores assim distinguidos com a oferta de emprego Sonae têm apenas um dia de descanso por semana, não recebem o subsídio de refeição em vigor na empresa, e não recebem trabalho nocturno apesar de um dos «turnos» terminar às 24 horas.
Posto isto, viva o Natal!
terça-feira, novembro 23, 2010
Fui à manif e safei-me
Na verdade, o desfile decorreu com a normalidade possível, as duas dezenas de jovens que desceram do Liceu de Camões desfilaram onde entenderam, e não houve necessidade de recorrerem às orientações do líder do grupo que distribuía um jornal em formato "Expresso", na saída do metro do Rossio. Não foi preciso fugirem "para as ruas que atravessam a avenida, em caso de carga policial".
Pela minha parte, apoio os movimentos de resistência populares em qualquer parte do Mundo, pela libertação dos Povos e contra todos os fundamentalismos, sejam os fundamentalistas da NATO, sejam os da Al-Qaeda. Defender o contrário é muito lindo mas é a milhares de quilómetros de distância, porque pimenta nos olhos dos outros não arde.
quinta-feira, novembro 18, 2010
Murais, grafitis e tudo o que apele à mobilização dos trabalhadores
quinta-feira, novembro 11, 2010
5Dias e uns feriados
Há autores que acompanho invariavelmente, nomeadamente, o Nuno Ramos de Almeida, o Carlos Vidal e o Tiago Mota Saraiva.
Por afinidades políticas, certamente, dá-me especial gozo ler a sinceridade cáustica do Vidal, que vai espalhando pelos 5Dias aquilo que, às vezes, os meus camaradas têm algum receio de dizer, rompendo com o politicamente correcto.
Ao longo do tempo, o 5Dias foi-se modificando, com novos autores, e novos grafismos. Hoje está diferente. Não sei se pior ou melhor, sei que diferente. Sei que alberga agora gente que precisa, primeiro, de perceber do que fala, para não cair no ridículo do radicalismo que tanta vezes tem sido alvo - e certeiro - de outros bloggers de uma suposta esquerda moderna, que apoia o candidato do Governo numas eleições. Mas centremo-nos no que interessa, que isto das presidenciais há-de dar letra a outras postas.
Eu não conheço a Diana Dionísio, por isso vou procurar não fazer juízos de carácter sobre ela em relação a esta posta, que seria brilhante se fosse irónica, mas, nos muitos comentários que proporcionou (71 a esta hora) percebe-se que não é.
Pergunta a Diana se "Está marcada alguma concentração / manifestação para o dia 24? É que ainda não dei por isso. Alguém me pode esclarecer? Alguma estrutura dessas que tenta organizar as massas está a pensar marcar alguma coisa? Encontramo-nos nalgum lado para dar uns gritos"?
Por partes:
A esmagadora maioria das estruturas representativas dos trabalhadores já aderiu, pelo que as massas deverão estar organizadas não só para aderir à greve, como também para mobilizar e esclarecer os restantes camaradas, através das centenas de plenários e de piquetes que hão-de realizar-se por todo o país.
Não sei que noção terá a Diana do que é uma manifestação. Já fui a muitas - é uma pena não verem o meu orgulho ao dizer isto - e nunca lá fui só para dar uns gritos com a malta. Quando preciso de desanuviar, bato com a cabeça na parede, exercito umas tíbias e por aí fora. É este tipo de ligeireza quando se fala numa manifestação que não beneficia em nada o momento que vivemos. Esta tentativa de redução do verdadeiro significado de uma manifestação é precisamente o que interessa à opinião publicada. Que de cada vez que os trabalhadores, estudantes, reformados, empregados, desempregados saem à rua é para dar "uns gritos". Nunca o fiz. Nem nos meus tempos de estudante nem enquanto trabalhador. Sempre que fui a uma manifestação foi para marcar uma posição e gritar palavras de ordem a plenos pulmões. Nunca fui a uma manif por não ter algo mais interessante para fazer ou porque é giro ir a manifs.
Este esvaziamento do que representa uma manifestação, seja ela de quem for, pode colher dividendos dentro de alguns sectores, mas certamente que não contribui para o êxito das lutas de massas que hão-de vir neste e no próximo ano, seja com o PS ainda no Governo, seja com o PSD, isto se o Povo não acordar a tempo.
Sobre a manifestação em dia de Greve Geral:
Evidentemente que não há manifestação numa Greve Geral. Isso implicaria que, para transporte dos manifestantes, os trabalhadores dos transportes públicos, por exemplo, não estivessem em greve, tal como os das empresas de aluguer de autocarros ou os das bombas de gasolina ou os das estações de serviço. A bicicleta pode sempre ser um bom meio - que até é simpático para alguns autores do 5Dias - mas ir de Leça a Lisboa a pedalar ainda é um esticão.
A ideia de que uns podem trabalhar para levar os outros é tão absurda como a do jornalista que não faz greve porque alguém tem de a noticiar. É simplesmente a negação do protesto.
Uma Greve Geral é uma Greve Geral. Não é uma greve-só-um-bocadinho-geral-porque-a-malta-quer-ir-dar-uns berros.
E já agora, quando se fala nos grandes protestos de França, repare-se na quantidade deles que teve lugar precisamente nos locais onde se concentravam os piquetes. Mas não vale a pena comparar realidades distintas.
Com ou sem estas ideias iluminadas, que nada têm de novo - lá vem a doença infantil do comunismo outra vez à baila -, a Greve Geral de 24 de Novembro há-de ser um enorme êxito, assim o queiram os trabalhadores.
E um agradecimento ao Carlos Vidal por esta posta.


