quinta-feira, maio 06, 2010

Do desnorte ao sentimento de impunidade vai um Ricardo Rodrigues de distância

Já se disse quase tudo sobre o episódio miserável que envolveu o deputado socialista Ricardo Rodrigues. É um deputado do PS, eleito pelo círculo dos Açores que, ironia das ironias, foi incumbido da tarefa de intervir no Parlamento para criticar a suposta falta de liberdade dentro de um partido que não o dele, como aqui se pode confirmar, no célebre episódio da Lei da Rolha que os socialistas decidiram levar a plenário. Estamos a falar do deputado que roubou dois gravadores a dois jornalistas durante uma entrevista, sem sequer ter a inteligência de levar também a câmara de filmar.

O desnorte do PS, nos últimos tempos, tem sido evidente, principalmente para quem segue a Comissão de Inquérito ao caso PT-TVI, onde está também - ó, surpresa! - o deputado Ricardo Rodrigues. Outro socialista, Manuel Seabra, uma espécie de Ricardo Rodrigues em pequenino tem procurado seguir as pisadas do mestre, mas ainda tem muito que caminhar. Embora o seu percurso também seja curioso: De presidente da Câmara de Matosinhos durante breves instantes, saltou para chefe de gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e chegou a deputado eleito pelo Porto.

Voltando ao Ricardo Rodrigues, é o rosto de um PS que se perdeu e vive na sombra de alegadas perseguições ao amado líder, um partido para quem vale tudo na defesa dos interesses não do Povo que o elegeu, não do PS, mas do amado líder. E seguem-lhe o exemplo, aproveitando o sentimento de impunidade que grassa entre os membros daquele partido: De que vale tudo e não há consequências.

Francisco Assis, ao defender Ricardo Rodrigues, desceu ao mesmo nível do deputado açoriano. São estes os homens-fortes do partido que suporta quem nos governa. E é por isso que não se pode esperar muito mais desta gente.

terça-feira, maio 04, 2010

Homens ao mar!

Ando um bocado farto de discursos. De Cavaco a Aguiar Branco, passando por Sócrates, Gama, profetas da desgraça e optimistas militantes. Não, a situação não está fácil, mas nunca esteve. Aliás, desafio alguém - vivo - a dizer-me quando é que estivemos bem, sem crise, fosse do défice, fosse internacional, fosse financeira ou económica.

A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."

Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.

Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."

Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.

As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.

segunda-feira, maio 03, 2010

Debate

6ª FEIRA DIA 7 DE MAIO

21.30

DEBATE/SESSÃO DE ESCLARECIMENTO ( NO ÂMBITO DAS COMEMORAÇÕES DO 65ª ANIVERSÁRIO DA QUEDA DO REGIME NAZI- FASCISTA) NA JUNTA DE FREGUESIA DE MATOSINHOS, COM O CAMARADA MIGUEL URBANO TAVARES RODRIGUES (JORNALISTA E ESCRITOR).

quarta-feira, abril 28, 2010

A PT também gosta deles novinhos...

Há instituições que gostam de apostar em novos valores, alguns bem fresquinhos. E não, não estou a falar de padres nem da igreja católica.

Na administração da PT, por exemplo, ficamos saber que não são todos filhos da mãe. Também há filhos do pai. Neste caso, filhos do pai que celebrizou a frase "no jobs for the boys". O Rui Pedro Soares, cujo perfil desapareceu daqui, nem sequer era o administrador mais novo da PT. Há outro, mais jovem, que chegou à administração da PT com 34 anos e que, por coincidência, dá pelo nome de Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres. Não sei por quem foi nomeado, não sei se foi pelos accionistas ou se tem a ver com a golden share. Sei que as más línguas dizem que este Pedro Guimarães e Melo de Oliveira Guterres é o mesmo que este.

Mais: Tendo nascido em 1977, a pessoa em causa trabalhou na Merryl Lynch Investment Banking entre 1997 e 2000. Aos 20 anos já dava cartas no mundo da finança. Há gajos com sorte. E com mérito, presumo eu. Ou então são só coincidências.

A falar é que a gente se entende - ou então não

Ontem fui a Braga conversar com o Filipe Moura e o Luís Aguiar. Foi em Braga, n'A Brasileira, e a Cátia Castro, com arte e mérito, fez o favor manter ordem na casa. Passa hoje na RUM, às 20h00, e ficará para a história. Mas só porque também existirá em podcast.

quinta-feira, abril 22, 2010

Novo blog

A Esquerda ganha novo contributo na blogosfera. Desta vez pela mão do deputado António Filipe, do PCP, que apresenta o seu Caderno de Apontamentos. Bem-vindo!

quinta-feira, abril 15, 2010

Outra vez Alegre

Há por este humilde espaço uma série de posts sobre Manuel Alegre, escritos ao longo da penosa e eterna campanha presidencial em que o poeta decidiu lançar-se há uns anos. Não há muito mais que possa dizer, para além de reiterar que não votarei Alegre. Aliás, mais depressa votaria em Manuel João Vieira.

Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.

Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.

Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.

Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.

quarta-feira, abril 14, 2010

Marcha Contra as Portagens nas SCUT - Agenda

MARCHA CONTRA AS PORTAGENS NAS SCUT
(Grande Porto, Costa da Prata, Litoral Norte)
Dia 17 de Abril (sábado)
PONTOS E HORAS DE PARTIDA

a sair em direcção à Av. dos Aliados, no Porto

  • Viana:Campo da Agonia - 14h
  • Esposende: Largo do Mercado - 14h30m
  • Barcelos: Campo da Feira - 14h
  • Vila do Conde: Av. Dr. Júlio Graça - 14h30m
  • Póvoa de Varzim: Central Camionagem - 14h30m
  • Sto. Tirso: Rotunda Agrela - 14h30m
  • Matosinhos: Piscinas Perafita - 14h30m
  • Maia: Largo Requeixo, junto ao Maia Jardim - 14h30m
  • Porto: Rotunda Castelo do Queijo - 14h30m
  • Gaia: Centro Tecnológico em S. Félix da Marinha - 15h
  • Vale do Sousa: Largo da Feira de Lousada - 14h30m
  • Gondomar: Ex Mercado Rio Tinto - 14h30m
  • Valongo: Rotunda da A41 em Alfena - 14h30
  • Aveiro: Rotunda EN 109 em Avanca/Estarreja - 14h30m

terça-feira, abril 13, 2010

Um novo PSD igualzinho ao anterior, mas com boa imprensa

Já está. Conforme se previa aqui, Passos Coelho já é líder do PSD. Em 15 dias, o PSD realizou dois congressos e teve ainda tempo para umas directas, numa capacidade organizativa de fazer corar de inveja qualquer agência de eventos. Este foi o XXXIII congresso do PSD, quase tantos como anos de vida, numa belíssima imagem de estabilidade interna de um dos partidos que se diz alternativa de Governo.

Deste último congresso, segundo o que consegui ouvir nos intervalos do comentário político, saiu um novo PSD, um PSD renovado, com Miguel Relvas como secretário-geral pela terceira vez, com Rangel - sim, o mesmo que acusou Passos-Coelho de estar a fazer favores a Sócrates durante um debate - no Conselho Nacional e a Aguiar Branco, líder parlamentar de Ferreira Leite, caberá rever o programa do partido.

Nas propostas, encontramos menos estado, uma revisão constitucional, menos estado, mais privatizações, incluindo a RTP, menos estado, contenção salarial e menos estado.

Temos um PSD renovado, portanto.

quinta-feira, abril 08, 2010

Patrioteiros

Somos facilmente indignáveis. Agora indignamo-nos contra a população de Valença, aqueles desnaturados que traem a pátria e usam bandeiras do país vizinho. E tudo isto só porque a pátria lhes leva o pouco que lhes resta, a saúde. Em compensação, dá-lhes estradas e auto-estradas - agora portajadas - que não levam coisa alguma, só trazem tudo para sítios onde o tudo está bem acima daquilo que necessitamos.

A ingratidão é uma coisa feia e nós, porque estamos cada vez mais nas inúmeras grandes cidades que temos e que se contam pelos dois dedos de uma mão, só temos é de ser gratos à nação pela forma como nos trata.

Pouco importa se as populações fora de Lisboa e Porto já não vivem, sobrevivem. Estamos num tempo de crise, que até é sempre uma coisa nova para nós. Pelo menos, há-de sempre haver uma nova para que pensemos que a crise anterior é que era boa. E isso parece que nos conforta.

À boleia da crise, fecha-se o país aos bocadinhos, aquele país que parece tão longe que só vemos em (grandes) reportagens sobre pastores. Ou no dia do idoso, vá lá. Enquanto vivemos afogados no cimento em frente ao mar, nem nos apercebemos que há populações envelhecidas, que não têm nem automóvel, nem autocarro, nem comboio, muito menos lá para os lados do Tua.

A indignação bacoca de algumas pessoas para com as bandeiras espanholas em Valença leva-os a esquecer o essencial. Que há todo um país que não tem mar e corre sérios riscos de passar a ter coisa nenhuma. E duvido que a pátria tenha ficado agradecida pelas bandeiras do EURO2004. Mesmo tendo sido bandeiras portuguesas.

Confortavelmente instalados à beira-mar, até parece que vivemos bem.

Já agora, vamos assinar isto, que não dói e é livre de impostos...

terça-feira, abril 06, 2010

Eu também estou solidário, Mexia

Fico sempre comovido quando alguém sai em defesa dos fracos e oprimidos. Hoje foi a vez do Paulo Ferreira, no Jornal de Notícias. O jornalista sai em defesa do pobrezinho do António Mexia, que vai receber um prémio de apenas 3,1 milhões de euros. O Paulo Ferreira não quer que os ricos paguem a crise e eu discordo. Por uma vez, só uma, acho que deviam, pelo menos, ajudar a pagá-la.

Para o Paulo Ferreira, a contestação ao prémio do Mexia é fruto da "inveja social", que considera ser "uma atávica característica dos portugueses". E quem fala assim, não só não é gago, como só pode ser estrangeiro. Claro que nunca é fácil criticar (algumas) figuras públicas, por isso, o autor esclarece que não é a inveja que move "move Seguro, Amaral, Neto e muitos dos que com eles concordam". Ficamos então sem perceber onde entra a inveja: Se nos portugueses todos ou apenas nos portugueses que não são ex-ministros, administradores ou ex-administradores.

O suprema explicação para o prémio de gestores como Mexia vem na conclusão, que por acaso é óbvia desde a primeira linha do artigo: "Portugal precisa como de pão para a boca é mesmo de gente com mérito e capacidade de trabalho". Deixo claro que concordo com o princípio. Portugal precisa de gente com mérito e capacidade de trabalho, mas não apenas de gestores e administradores com mérito e capacidade de trabalho.

O Paulo Ferreira, acérrimo críticos de direitos laborais consagrados na Constituição, devia lembrar-se que há gente com mérito e capacidade de trabalho fora dos gabinetes dos administradores, empregados e assalariados que todos os dias dão o seu melhor e o prémio que recebem é, na maioria das vezes, o salário mínimo.

Mas pode o Paulo Ferreira ficar descansado, que Mexia receberá a remuneração justa, apesar das críticas. Hoje mesmo, a EDP anunciou que "António Mexia vê reduzido o prémio anual de 100% para 80% do salário, mas terá um bónus no final do mandato, em 2011, de cerca de 120% do salário fixo."

Está feita justiça.

PS: Dou de barato que o Paulo Ferreira duvide dos lucros astronómicos da banca. Afinal, o "astronómico" é subjectivo. Mas podia ser intelectualmente honesto e lembrar-se dos benefícios fiscais obscenos, insultuosos e injustificados daquele sector.

Serviço Público - Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva tem no 5Dias um extenso dossiê sobre os escandalosos ajustes directos da empresa Parque Escolar. Simultaneamente, decorre esta petição, que já assinei, e apelo a todos os visitantes - todos os 3, sim - que assinem também!

quinta-feira, abril 01, 2010

Sindicalismo moderno

Há quase um ano, escrevi aqui que António Chora, sindicalista-modelo do Bloco de Esquerda, é ingénuo. Agora, é ingénuo e mais qualquer coisa. Repito: Este é o sindicalista modelo do Bloco, enfiado em reuniões secretas com administradores da Autoeuropa. A ler no Cantigueiro do Samuel.

quarta-feira, março 31, 2010

Quanto custa um trabalhador?

Voltou a estar na ordem do dia a luta dos enfermeiros pela equiparação salarial aos licenciados de outras áreas que entram na Função Pública, auferindo 1.200 euros mensais. E eu, de forma gratuita e sem dados que o comprovassem, disse que a tributação justa das mais-valias bolsistas serviam para pagar a colocação dos enfermeiros na posição remuneratória adequada durante 20 anos. No entanto, não encontrei dados objectivos sobre este facto. Encontrei outros, sobre a tributação à banca, feita a 15%, quando para as restantes empresas é de 25%. Vamos, portanto, aos factos:

Segundo a ministra da Saúde, há 6.000 enfermeiros que deveriam ser recolocados na posição remuneratória dos 1.200 euros . O salário dos enfermeiros que entram na Função Pública é de 1.020 euros. Tomando este valor chegamos a um reposição na tabela no valor de 180 euros, que pode muito bem ser inferior, atendendo a enfermeiros que ganhem mais por estarem noutras posições remuneratórias. Mesmo assim, façamos as contas:

Um aumento de 180 euros durante 14 meses vale 2.520 euros anuais para cada enfermeiro. Multiplicado por 6.000, custaria ao Estado 15.120.000 de euros anuais. Ora, 15.120.000 de euros é uma pipa de massa. E todos concordamos neste ponto.

Entra aqui a história dos sacrifícios repartidos, da situação difícil, do abismo e da insensibilidade dos sindicatos perante o país. Vejamos com factos a distribuição dos esforços:

"Segundo a dados da APB, no período 2005-2008, ou seja, com este governo, os bancos representados nesta Associação tiveram 10.588 milhões de euros de lucros. Por estes lucros a banca só pagou 1.584 milhões de euros de imposto, o que corresponde a uma taxa efectiva média de apenas 15%. Se a banca tivesse pago a taxa legal (25% de IRC mais 2,5% de Derrama) o Estado teria arrecadado mais 1.328 milhões de euros de receita."

Temos assim 1.328 milhões de receita perdida. Dividindo o valor pelos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, chegamos a cerca de 330.000.000 por ano. Pegando nos 15.120.000 euros que custará este ano a actualização dos salários dos enfermeiros e multiplicando por 20 o número de anos em questão, chegamos ao valor de 302.400.000 euros.

E pronto.

terça-feira, março 30, 2010

O estranho silêncio dos pecadores

Não faço generalizações, como acusa hoje o Ferreira Fernandes, no DN. Tudo bem, não me acusa directamente, que o senhor não me conhece, mas acusa um bocadinho.
O que (ainda?) choca na pedofilia na igreja católica é o papel que desempenha(?) como representante da moral, do apontamento dos erros dos outros, do perdão a troco de duas velas, da salvação. Sou orgulhosamente pecador e esclareço desde já que não procuro nem quero salvação. Até porque o meu Tio-João-Padre, jesuíta, há-de arranjar qualquer coisa quando chegar a altura.

A igreja é assassina hoje como foi no passado. Desaconselhar o uso do preservativo é criminoso, como é criminoso ver as mulheres como parideiras de potenciais crentes. E nem vale a pena lançar agora a discussão do celibato, porque não é o fim do celibato que acaba com a pedofilia.

Sobre este assunto, a "esquerda democrática e fracturante" no poder, junto com os seus acólitos da blogosfera, anda estranhamente sossegada. Um post aqui, outro acolá. Dos mesmos apaixonados pró-aborto e pró-casamento homossexual, que tanto ajudaram, e bem, nas duas causas. E nem o laico Mário Soares aborda claramente o assunto, também no DN de hoje.

A "esquerda" do PS português é um fenómeno. São os reflexos de terem transformado, há uns anos, casos semelhantes em luta política. Nesta matéria, como noutras, rabos de palha, pois claro, e todos sabemos quais os motivos.

sexta-feira, março 26, 2010

Nada

Zero. É redondo, eu sei, anafadinho. Nos tempos em que gordura era formosura há-de ter sido um número belo. Hoje, o zero só vale à direita. Seja do que for.
Na política, um zero à direita tem valor, mesmo quando é um zero à esquerda e se posiciona no lado canhoto do hemiciclo.

É o preconceito contra o lado certo da coisa. O zero é nada. Nada é o que nós temos e o que a política dominante nos oferece todos os dias: zero.

As agências funerárias do povo gerem as expectativas do poder, mascaradas de ratings. Dizem elas que são árbitro. Melhor, avaliam. Avaliam quanto vale o que temos e o que produzimos. Não avaliam o que queremos nem o que não produzimos porque não nos deixam. E são os mesmos que fazem de árbitro em todo o sistema. Quem são eles? Ninguém sabe ao certo. Serão uma entidade abstracta, filosófica ou qualquer coisa parecida.

Hoje, o nosso Escudo vale zero. Há uns anos, valia pouco, mas pouco é melhor que nada. Por incrível que pareça, quando 200 escudos valiam 1 euro, 200 escudos tinham mais valor que 1 euro. Eu explico: Comprávamos mais com 200 escudos do que passámos a comprar com 1 euro, no minuto a seguir a entrar em vigor.

Para que serviu o euro? Nada. Para o comum dos mortais, nada. Serviu para conter os salários, logo, reduzir custos de produção, o que, associado ao aumento de preços, explica a paixão do capital e dos governos capitalistas pela moeda única.

Somos governados por zeros à direita. E, curiosamente, parecemos gostar.

terça-feira, março 23, 2010

Claques, pancadaria, leis, LPFP, FPF, clubes e dirigentes

No domingo, depois da final da Taça da Liga, ouvi um bocadinho daquela espécie de programa do Rui Santos, na SIC Notícias, onde estava chocado com os lamentáveis incidentes entre adeptos. Estamos todos, perceba-se. Mas dizer que só agora atingimos o limite é de alguém que não vê futebol nas bancadas há muito tempo. Eu explico:

Ir ao futebol na década de 90 era incomensuravelmente mais perigoso do que ir ao futebol nos dias de hoje. A violência era constante em todos os jogos, não só nos jogos grandes, e qualquer clube, de qualquer divisão, tinha uma claque organizada. E os confrontos eram constantes, talvez menos graves, porque a média etária, devido ao fenómeno recente que era o mundo ultra, era bem mais baixa do que a actual.

As claques dentro das quatro linhas

A violência nas bancadas é um problema grave, que já foi bem pior, mas que importa combater. No entanto, é ridículo procurar acabar com a violência nas bancadas ao mesmo tempo que se legitima a violência dentro de campo. E isto acontece todas as semanas, nos programas pós-jornada, independentemente das cores clubísticas. Discute-se a intensidade dos lances mas a intenção passa ao lado.

As claques e os dirigentes

O fenómeno das claques e a dimensão que atingiram fizeram delas as guardas pretorianas de alguns dirigentes. Confrontar uma claque é meio caminho andado para perder um apoio significativo. Actualmente, algumas claques assumem mesmo papéis preponderantes em alguns clubes, como acontece no Sporting, por exemplo, ou assumem uma vertente empresarial, como acontece com a principal claque do FC Porto.

As claques, a LPFP e a FPF

Não é a estas instituições que cabe resolver o problema da violência fora de campo, mas podem, pelo menos, procurar não oferecer as armas. Um jogo num estádio com uma zona envolvente como existe nos estádio do Algarve ou do Jamor é uma irresponsabilidade tremenda.

As claques e as leis

A lei das claques, aprovada em 2004, é a tentativa de resolver por decreto o que não se resolve por decreto. A ilegalização das claques que não estejam registadas por lei só teve um efeito: Aumentar a tensão com as forças de segurança, obrigadas a cumprir - mais - uma má lei. Obviamente, não é por uma claque não estar legalizada que os seus membros deixarão de ir ao estádio, exactamente no mesmo local de sempre, com as mesmas pessoas ao lado. A proibição de usar o símbolo da claque não resolve problema algum, apenas o esconde.
Ao mesmo tempo, uma claque que formalmente não existe, que não pode ostentar os seus símbolos, torna-se muito mais difícil de ser controlada pela polícia. Evidentemente, não são as claques que devem ser sancionadas pelos desacatos, mas sim os elementos que os praticam. A lei das claques prevê a videovigilância nos estádios para que os prevaricadores sejam identificados. Depois, é uma questão de justiça, não é de futebol.

As claques e o Dias Ferreira


Dias Ferreira disse há pouco na SIC que é necessário diferenciar as claques legalizadas das não legalizadas. Segundo o sportinguista, "as que não estão legalizadas, não entram no estádio". Ora, seria prático e fácil de resolver se as claques fossem, sei lá, um guarda-chuva. Um guarda-chuva fica à porta, uma claque que não existe legalmente, não é legalmente uma claque, é um grupo de adeptos que, por coincidência, assiste ao jogo na mesma curva e entoa os mesmos cânticos.

Eu e as claques

Já pertenci, ainda que de forma não oficial, sem cartão, a três claques. Abandonei-as por motivos pessoais. Conheci boas e más pessoas. Vi alegria, dedicação, festejos, tristezas e violência. Basicamente, vi tudo aquilo que vejo todos os dias fora das claques. Basta ligar a tv ou o computador. As claques por si só não são um mal e muito menos são um caso de futebol. Delas fazem parte pessoas que são um problema de polícia e de justiça.

quarta-feira, março 17, 2010

A casa dos outros

Nada tenho a ver com a vida interna do PSD, nem de outro qualquer partido que não seja o meu. No entanto, a impreparação e amadorismo dos três candidatos à liderança do PSD, mas também do restante aparelho, são anedóticas. Não é preciso ser um génio para perceber que a norma aprovada em congresso seria aproveitada politicamente pelo PS - de uma forma ainda mais absurda, levando o caso à AR.

Por isso, não deixa de ser curioso que ninguém no PSD, antes da aprovação - então uma hipótese que veio a verificar-se - se tenha lembrado de passar os olhos pelos estatutos do PS, e verificar o artigo 94.º. Não era preciso muito.

Noutra casa, noutro quadrante, decorre uma novela que passa ao lado dos media dominantes.

Logo que Alegre anunciou a candidatura à presidência, o Bloco anunciou o seu apoio. Pareceu-me, logo na altura, precipitado, mas, lá está, é na casa dos outros. Mais recentemente, Nobre apresentou também a sua candidatura, que agradou a muita gente do BE. Agora, um grupo de militantes pretende uma convenção extraordinária- um congresso, para quem não sabe - para rever a questão.

A direcção do Bloco - não sei se chama assim, mas não me apetece pesquisar o termo - ter-se-à pronunciado sobre a iniciativa, num comunicado que não encontro no site, que até já mereceu uma reacção contrária de um dos movimentos que esteve na origem do BE. O dono da blogosfera oficial bloquista já se pronunciou e faz de porta-voz da defesa da direcção. O link para o Arrastão surge apenas para que se perceba a história, tendo em conta a ausência de notícias. Ressalvo que deixei de visitar Arrastão aquando das mentiras que o dono do blog escreveu e jamais desmentiu.

O que aqui me preocupa não é a vida interna do Bloco. É antes o total silenciamento que esta questão está a merecer por parte da comunicação social. A única referência que vi surgiu numa breve do JN no sábado passado.

Na véspera de um dos actos eleitorais do ano passado, o Público divulgou uma notícia, que já não me lembro se foi manchete, mas que deu uma página inteira, com o abandono de um(!) militante do PCP, que, curiosamente, como veio a ser reconhecido, já estava longe política e ideologicamente do Partido. Qual é o critério da informação?

Esta não é uma questão menor. O BE tem cerca de 7.000 militantes e parece-me que são muito poucos para que esta divisão continue a passar ao lado de toda a imprensa. Se fosse num Partido que eu cá sei, a questão merecia outro tratamento, e é esse tratamento o objecto deste post.

quarta-feira, março 10, 2010

Olé!

Na semana passada fui à bola. Há anos que não via o Leça no nosso estádio, porque só há um domingo à tarde por semana e, por norma, passo-o trabalhar. O nosso estádio deixou-me triste, também pelas pessoas que não tem nas bancadas, que ajudariam com certeza a esconder a degradação. São os custos do tombo do Leça, pois claro, de que um dia talvez fale aqui. Mas isso são outros quinhent(inh)os.

Tive a sorte de ver o Leça espetar cinco secos ao Pedrouços. Sofremos um golito, pronto, não porque o adversário tenha merecido, mas só porque somos boa gente. E fomos descaradamente roubados, porque o Leça é sempre roubado e, mesmo quando ganha por cinco, merece ganhar por seis.

Vi o jogo ali por baixo do aquário do speaker. Eu não acho que o Leça deva ter um speaker. Que tenha antes um falador ou, no máximo, o homem da sonora. Ao lado estavam uns infiltrados do Pedrouços, na bancada coberta, porque estava a chover muito e não queremos os nossos adversários doentes; queremo-los vivos e de boa saúde para que possamos ganhar-lhes.

Minutos depois de o Pedrouços chegar ao golo de honra, as coisas aqueceram, mas só no relvado. O Leão pediu penalty e, da bancada, surgiram os insultos - os leceiros insultavam o Leão e o avançado que estragou a nossa relva; a malta de Pedrouços insultava o árbitro. A Esperança desceu da bancada, indignada com a ousadia do Leão, e foi à rede chamar-lhe malcriado. Malcriado, sim. E chamou-lhe malcriado e mandou-o de volta para a útero da mãe que o deu à luz, mas sem o eufemismo.

A beleza do futebol está nestas coisas. Na emotividade e irracionalidade da coisa. Nos desabafos que se ouvem nas bancadas e que despejam uma semana inteira de frustrações. Há no futebol a coisa muito portuguesa de piscar o olho e estalar a língua, com um sorriso malandro, sempre que um adversário perde e nós ganhamos. É assim e é bem, porque é democrático e acontece a todos.

A indignação politicamente correcta com os assobios e os olés ficarão bem diplomaticamente, mas caem mal nos adeptos e não é difícil perceber porquê. Ao contrário dos jogadores do Leça, a quem se perdoa facilmente um pontapé na atmosfera ou um golo certo perdido à boca da baliza, os jogadores de futebol que representam a selecção nacional ganham num ano aquilo que muitas pessoas não ganham numa vida de trabalho. Por isso, têm de jogar sempre como se fosse a última vez.

Ao contrário do que diz o seleccionador, não são os adeptos que não devem ir ao estádio se vão para assobiar a equipa; são antes os jogadores que não devem entrar em campo se não estão preparados ou motivados para fazer aquilo que leva as pessoas a pagar bilhete: jogar futebol.

O facto de a estrela da companhia ter dito que "[o jogo com a China] não conta para nada", terá ajudado à assobiadela. Até o presidente da Liga veio lamentar os assobios, mas ainda não vi qualquer lamento, reflexão ou opinião com o facto de cada jogo da segunda prova mais importante do futebol luso ter uma média de 807 espectadores por jogo. É uma questão de prioridades, claro.

segunda-feira, março 08, 2010

Eu, a escola e o bullying que não sei se vi

Devo ter tido muita sorte nas minhas passagens pelas escolas públicas. Guardo excelentes memórias das minhas professoras, até da D. Arminda, professora ali na Primária da Amorosa, que, apesar de funcionar muito na base da reguada, estava longe de ser parecida com a sinistra D. Natércia, de quem guardo na memória as parecenças com a Cruela dos 101 Dálmatas, mas sem a madeixa.

Não sei se havia bullying na minha escola. Sei que eu também achava estranho o gajo que saltava ao elástico e trocava blocos de folhinhas com bonecos e cheirinhos doces. E ainda por cima ele jogava ao elástico, enquanto nós fazíamos balizas com paralelos e marcávamos golos de antologia com os pacotes de leite que a escola oferecia.

Era o Nuno, a quem nunca tratei pelo apelido, "Bananas", que carregava os pacotes de leite do portão para os blocos. Pouca apetência para a escola e total desinteresse da família, que o mantinham na Amorosa mesmo quando a idade já se aproximava perigosamente da inspecção para o Serviço Militar Obrigatório.

O Nuno vivia numa família completamente destroçada, que passo a explicar: O avô vivia com a avó emprestada do Nuno. A mãe do Nuno também lá vivia e era talvez mais velha que a madrasta. Se não a era, a vida fê-la mais velha. O Nuno tinha três irmãs, uma filha do mesmo pai e duas de pais diferentes. Era sobrinho de quatro tios e duas tias, que eram mais ou menos irmãos da mãe. Por sua vez, dois tios e uma tia eram distinguidos como filhos do avô e da avó do Nuno, os outros foram casos extraconjugais que o avô trouxe para casa. Tudo isto num espaço que consistia numa casa com 3 divisões e um sótão disfarçado de quarto. A cozinha era fora de casa e o quarto de banho também. O papel higiénico variava entre os sacos castanhos do pão e as listas telefónicas. Às vezes, o Nuno ia buscar flores amarelas, meio murchas, ao campo do Morgado e dava-as à minha mãe, que retribuía como podia, geralmente com pão.

Esta será certamente uma realidade estranha e impensável para algumas pessoas, ali mesmo à portinha do ano 2000. Mas era assim.

Eu não sei se sei o que é o bullying. Sei que sancionar economicamente uma família porque o filho é um agressor, é uma ideia que só pode partir de um imbecil que não tem ideia do país em que vive. Talvez não passe pela cabeça do Albino Almeida que uma criança reage violentamente porque é a realidade com que se depara no quotidiano. Ou porque é uma defesa, quando chega à escola e se riem porque tem umas sapatilhas adidaz e não adidas.

Mais ainda, partir do princípio que os bullyiers são essencialmente pobres é um preconceito filho da puta. Estranho que o presidente da CONFAP não exija, por exemplo, que haja pessoal suficiente a trabalhar nas escolas, para que os alunos não possam sair do espaço sem controlo; espanta-me que o presidente da CONFAP não defenda equipas de psicólogos nas escolas que permitam sinalizar os casos mais graves. Indigna-me que o presidente da CONFAP não reclame dos horários laborais desregrados que impedem os pais de estar com os filhos e defenda, em vez disso, o prolongamento dos horários no ensino. Repugna-me que o presidente da CONFAP não pense sequer em repudiar os baixos salários que obrigam os pais a ter dois e mais empregos para que possam alimentar os filhos, negligenciando forçosamente a sua condição de pais.

Espanta-me, indigna-me, repugna-me que este senhor seja ainda presidente de uma confederação de associações de pais. Porque eu sou pai.

quinta-feira, março 04, 2010

Conversas por email

Toda a teoria económica fora do pensamento económico dominante se baseia em "ses". Não há forma de fugir a isso, porque não há forma de comprovar a teoria no contexto económico-social actual. Todas as tentativas de aplicar o pensamento económico marxista são sancionadas política e economicamente. E nem sequer a hipótese de pensar o marxismo é possibilitada nas mesmas circunstâncias que o pensamento dominante, como bem disse Paul Sweezy, já em 1973:

*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".

No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.

Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.

Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.

Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.

quarta-feira, março 03, 2010

O fim do Mundo

Digo desde já que sou contra o fim do Mundo. Estou demasiado habituado a isto para achar que deva acabar, mesmo com todos os defeitos. Preocupa-me o fim do Mundo. E preocupa não só pelo fim em si, mas pelo fim da expressão "é o fim do Mundo em cuecas". Parece evidente que este aquecimento global tem qualquer coisa de global mas muito pouco de aquecimento. E só um louco esperaria em cuecas pelo fim do Mundo com o frio que tem estado.
Há mais. Preocupa-me o fim do Mundo porque há aí umas teorias que indicam 21 de Dezembro de 2012 como a data final. E eu faço anos nesse dia. Por isso, gostava de ser esclarecido em alguns aspectos para poder organizar a minha vida:

O Mundo acaba às 00h00 de dia 21 ou pode ser a qualquer hora?
Com o atraso de 1,26 microssegundos na rotação da Terra, se for às 00h00 de dia 21 há o risco de ser às 23 horas 59 segundos e 874 microssegundos, mas do dia 20, o que arruína a teoria?

Cumpro alguns rituais no meu dia de aniversário. Não porque gosto de comemorações, mas só porque sim. E precisava de saber isto para avisar a minha mãe que não precisa de comprar o bacalhau que frita nesse dia.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

O cair das máscaras

Felizmente, o país atravessa uma fase intensa politicamente e discute coisas incomensuravelmente mais importantes do que as lideranças do PSD. Noutros tempos, os laranjas andariam nas bocas do Mundo e ocupavam grande parte dos jornais e telejornais.
Contudo, não quis deixar passar esta pérola do candidato Paulo Rangel, publicada no i, sob o título "Aos 12 anos as crianças podem aprender uma profissão". Por entre uma série de disparates menos objectivos, Ana Sá Lopes entrevista o ainda eurodeputado - esse mesmo, o que só sairia de lá morto - que viveu "intensamente o 25 de Abril". O facto de, na época, ter apenas cinco anos, não parece ser entrave à intensidade.
A foto mostra Paulo Rangel de fato e gravata e nunca na entrevista é referido que terá mudado a indumentária para a farda da Mocidade, enquanto tecia elogios ao sistema educativo do fascismo. Eu duvido que não o tenha feito.
Tenho para mim que o facto de Rangel ser candidato à liderança do PSD mais atacado pelo PS, trata-se de um caso de psicologia invertida. Fazer crer aos militantes - ou sócios ou accionistas ou lá como se chamam - do PSD que é o melhor por ser o mais visado pelo PS, para que possa mesmo chegar à liderança dos laranjas.
Nem tudo é mau. Há o outro lado: se Rangel tivesse sido educado segundo o que advoga para os filhos dos outros, poderíamos hoje, em vez de um mau político, ter um bom electricista.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ridículo

Não me ocorre outra palavra. O que se passou na audição do Mário Crespo na Assembleia da República foi dos episódios mais absurdos de que há memória. Sim, incluindo os corninhos do Manuel Pinho.
Mário Crespo conseguiu, em pouco tempo, dar os maiores argumentos aos seus detractores, expondo-se ao ridículo de fomentar o circo em torno de um assunto que até poderia ser sério.
O espectáculo da distribuição das fotocópias, antes da divulgação sórdida da t-shirt com que dorme, a par da exibição desta, conseguiu desviar as atenções do essencial para o acessório. Objectivamente, acredito que o Mário Crespo é provido de inteligência, é jornalista e tem obrigação de saber que até podia ter dito as coisas mais relevantes do Mundo - e não o fez - que passariam para segundo plano.
Distribuir fotocópias com uma crónica editada em livro, batida e que toda a gente conhece porque afirma não ter um jornal para publicá-la é absurdo. Há centenas de jovens jornalistas desempregados que não têm onde publicar o que escrevem. Alguns fazem-nos em blogues e é o meu conselho para Mário Crespo. Fica mais barato e é mais ecológico.
A autocomparação ao jornal Avante! - que comemorou na passada segunda-feira 79 anos de vida, a maioria em ditadura - é um exercício populista e insultuoso para com os muitos milhares que foram presos pela PIDE pelo simples facto de lerem um jornal. Mário Crespo distribuiu fotocópias de algo que toda a gente conhece na casa da Democracia, por deus! - diria eu, se fosse crente. Dá para perceber a imbecilidade da coisa?
Não é para ir ao Snob "dizer mal dos políticos e dos colegas" que os jornalistas precisam de ser bem pagos, ou pagos sequer. É mesmo para que possam informar com rigor e isenção, para que não passem recibos verdes e possam ter os direitos laborais consagrados na lei. É só para que se cumpra a legalidade.
Nem colocar em causa os Conselho de Redacção porque o do JN não lhe deu razão, dizendo que "são facilmente manipuláveis", é ético ou demonstra, sequer, solidariedade com aqueles que Mário Crespo possivelmente achará que defendeu.
A vaidade tem limites. E quando não é sustentada em factos é absurda. O que se passa no país é demasiado grave há demasiado tempo (ver post abaixo), mas Mário Crespo não é certamente exemplo disso.

domingo, fevereiro 14, 2010

Das liberdades

Vai por aí uma enorme confusão. Depois do que foi divulgado nas duas últimas edições do Sol, estourou uma polémica que até já conseguiu a proeza de juntar numa manifestação alguns dos rostos que, na blogosfera e não só, mais debitam e debitaram contra o direito de manifestação dos trabalhadores. A vida dá mesmo muitas voltas...
Parece-me que importa distinguir, mesmo nas discussões mais inflamadas, o que é liberdade de imprensa e liberdade de expressão. E sim, as duas estão em causa. Mas não é de agora.
Há muito que a liberdade de expressão está condicionada.
Muitos dos que agora se mostram preocupados com ela estiveram na linha da frente dos ataques à liberdade de expressão, não na minha liberdade de dizer o que bem entendo, onde entendo e como entendo: A liberdade de expressão começou a ser condicionada com os entraves legislativos às manifestações, nos condicionamentos do direito ao protesto. A liberdade de expressão é posta em causa todos os dias nos limites à liberdade sindical dos trabalhadores que não se sindicalizam com medo de represálias, ou nos que não autorizam o pagamento da quota directamente do salário para que os patrões não saibam que são sindicalizados. A liberdade de expressão está condicionada nas faculdades e nas escolas com a perda de participação dos alunos nos órgãos respectivos.
A liberdade da imprensa é outra coisa e, surpresa, também está condicionada e não é de agora. Está condicionada, por exemplo, na ingerência das administrações nas redacções, na precariedade laboral que afecta os jornalistas e no estatuto do jornalista. Aliás, no estatuto do jornalista está também colocada em causa o direito à informação do leitor, com a transferência da propriedade intelectual do jornalista para o grupo económico detentor do título. Na prática, assistimos à imposição da interpretação única dos factos em vários títulos, que teve um exemplo claro, há dias, com a publicação mesma reportagem do enviado especial da Controlinveste ao Haiti no DN e JN.
Nada do que hoje se passa é novo. Aliás, há uns dois anos, quando 50.000 militantes do PCP se manifestaram contra a degradação da Democracia, quase ninguém nos media reparou nisso.
Sejamos objectivos: Nem tudo foi mau na divulgação das escutas. Pelas páginas do Sol, ficámos a saber que há jovens jornalistas a fazer perguntas incómodas ao poder. E esse é o maior elogio que lhes pode ser feito.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

(Isto não) É a Economia, estúpido!

Sinteticamente, há três formas de combater um défice, seja ele qual for: Aumentar as receitas, diminuir a despesa ou as duas coisas.

Assim, comecemos então pela problemática dos salários:
São baixos. Não reflectem o valor de riqueza que produzem. Portanto, a fatia das mais-valias criadas há-de estar em algum lado, uma vez que não reverte para quem produz a riqueza. Por isso, este problema ficaria resolvido com um contributo maior de quem fica com a fatia de leão para o combate ao défice.

Se pegarmos nos lucros da banca, por exemplo, e verificarmos qual dessa fatia reverte para o Estado, veremos que é percentualmente menor do que o que o comum do cidadão paga. Mais não fosse, o IRC para a banca é de 9,0%.

Voltando à produção. De que serve produzir se, fruto dos baixos salários, não há quem compre? Para que servem os fundos de investimento das MPME's se não há quem pague o valor que geram? A contenção salarial é um caminho que já ouvimos há 30 anos e já provou estar errado, de outro modo, não estaríamos ainda hoje a falar da mesma coisa.

A receita também poderia ser aumentada se não houvesse privatizações. Sim, são um encaixe financeiro a curto-prazo, mas esgotam-se. E sejamos claros: Que empresário mostra interesse em algo que dá prejuízo? Nenhum. Logo, o Estado abdica de receita em favor de privados. Receita essa que seria fundamental para a sustentabilidade das contas públicas a médio e longo-prazo.

No entanto, o problema parece-me ir bem além do défice. Estamos a falar de um modelo económico - com as repercussões óbvias no modelo social - mais do que esgotado. As crises cíclicas serão cada vez mais e mais frequentes. Reparemos que, depois da crise da banca, nada foi feito para controlar a mão invisível que acabou amparada pelo colo dos Estados. Nada. Dizia um economista, no início da crise - e não, não leva aspas porque não é ipsis verbis: No crash dos anos 20, os gestores suicidavam-se, hoje pegam no dinheiro das garantias bancárias e vão de férias. E é a verdade. Há inúmeros casos de empresas onde o Estado não investe, porque não têm sustentabilidade, deixando cair os trabalhadores no desemprego. E que sustentabilidade tem esta sistema bancário?

Que modelo económico é este que não serve quem tem de servir? Um modelo económico que só pede mas nada tem para oferecer não pode ser perpetuado. É a negação do que é a Economia enquanto ciência. E não, este modelo não é o fim da História.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O baile da Madeira

Sócrates é inteligente mediaticamente e sabe que Jardim é detestado no continente. Por isso, pretendia apostar num confronto directo com ele para forçar eleições, logo que fossem possíveis, criando um spin que seria perfeito quando estivesse aprovado o OE e já não houvesse grande memória sobre congelamentos salariais. E sabemos todos como este PS é exímio a criar não-notícias para distrair sobre o essencial.

Vamos aos factos: Digo, desde já, que considero que o resultado estatísco encontrado através da média é SEMPRE enganador, sendo apenas utilizado por ser o que tem um cálculo mais fácil: PIB/nºde habitantes e temos a média. No entanto, o mais representativo da realidade seria a MODA, ou seja, o número que aparece mais vezes nas parcelas que levam ao resultado do PIB....

O Rendimento Per Capita da Madeira: Para efeitos internos, o RPC da Madeira contabiliza os mais de 4 mil milhões de euros que circulam no off-shore, levando os incautos a assumir que na RAM só vivem ricos. No entanto, na UE, esses mais de 4 mil milhões não são contabilizados, para que, desta forma, a RAM possa receber mais apoios europeus. Já agora, este governo do PS, preocupado com o despesismo, prepara-se para perdoar fiscalmente 1,4 mil milhões de euros aos capitais que circulam no off-shore.

Há dois meses, no OE rectificativo, e só neste, o mesmo PS concedeu 73 milhões de euros à RAM, sem contar nos 60 milhões do OE09, pelo que seria incompreensível, não fosse o que escrevi atrás, esta postura do PS. Este acordo de toda-a-oposição-toda estabelece um tecto de 50 milhões para as duas regiões autónomas.

E até que ponto seria uma perda para o país se aquele que foi considerado o pior ministro das finanças da UE se demitisse realmente?

terça-feira, janeiro 26, 2010

Bruxo?

Em 9 de Janeiro de 2009:

São ciclos

Até há um ano, mais coisa menos coisa, estávamos todos desgraçados porque era preciso travar o défice e colocá-lo abaixo dos 3 por cento.

Neste ano - e no próximo, muito provavelmente - estamos todos desgraçados porque é preciso segurar os bancos, perdão, o sistema económico, e estamos em crise profunda. Para isso, vamos aumentar o défice e colocá-lo nos 3 por cento.

Quando passar esta crise, vamos voltar a estar desgraçados para voltar a baixar o défice.

Mas não desanimemos já a pensar como vamos desenrascar-nos a viver sem uma qualquer crise. Há-de vir outra crise depois da próxima para continuar a bater no mexilhão.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal, enganei-me

Pronto, passou uma semana após o acordo entre professores e Governo. Uma semana parece-me tempo mais que suficiente para que tudo o que se disse durante todo o processo seja pesado e avaliado. De todos os ataques miseráveis aos sindicatos e sindicalistas, com o endeusamento de uma ministra que nem o PS quis, como se viu, recordo-me de alguém que se fartou de malhar nos sindicatos e no Mário Nogueira.
O director da TSF, Paulo Baldaia, caiu no ridículo de ser mais socratista que Sócrates e, depois do que disse na rádio que dirige, na Sic Notícias, na RTPN e no JN, esqueceu-se de tudo como se nada tivesse dito. O artigo de opinião "Nogueira com sabor a eucalipto", publicado no auge da luta dos professores - que desapareceu, por mistério, do site do JN -, não era mais que um ataque pessoal ao secretário-geral da FENPROF.
O acordo da passada semana provou que, afinal, o defeito não estava nos sindicalistas, mas sim na intransigência de uma ministra sem as mínimas condições para estar na política, muito menos num Governo - mas que lá arranjou um job foir the girl na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Provou ainda que vale sempre a pena lutar, quando a luta é justa.
Voltando ao que interessa; como o acordo foi conseguido há uma semana e o director da TSF escreve aos sábados no JN, achei que o assunto do texto, seria, obviamente, sobre uma matéria que defendeu com tanto afinco. Assim, quando abri o jornal, no sábado, e li o título desta crónica, "Afinal, enganei-me", fiquei contente. Nem tudo estaria perdido.
Mas sou um ingénuo. Admito-o sem problemas. Afinal, eu também me enganei sobre o engano do Paulo Baldaia. E o assunto fica assim encerrado, como ficam muitos outros. Não sei se será defeito dos tempos em que vivemos. É, de certeza, defeito das pessoas que temos.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Substituições

É notório que tenho menos disponibilidade para vir actualizar o pouso. Mas era imperativo mudar algumas coisas ali na barra lateral. À maneira de Jesus - do Jorge, não do menino - retiro o ala direito que era o Corta-Fitas, mas que tem vindo a baixar de rendimento ao longo do tempo, para dar lugar ao Albergue Espanhol. Tudo bem, é malta cheia de desvios - ideológicos e não de outra índole - mas tem o Pedro Correia o que, só por si, é já motivo para ganhar direito no ataque.
Na esquerda, na gloriosa esquerda, diga-se, entra o António Abreu e o Antreus, para dar uma ajuda no ataque e conter as ofensivas contrárias.
Para os jogos em casa, aposto no José Modesto, homem dado aos contentores e cuja intervenção na blogosfera - e fora dela - cá do estádio merece realce e atenção.
Para o meio-campo, porque isto não é só política e economia e governos e partidos e inteiros, mais ou menos no papel do Rui Costa, a dirigir a orquestra, fica o António Reis e o seu - dele - Caderno Preto A6, que foi uma agradável novidade para mim, que só o conhecia de voz e de vista.
Para já, estas são as novidades da ida ao mercado em Janeiro. Mas o prazo de transferências só termina a 31.
Este é Um Tal de Blog à Benfica: Sai um, entram quatro! Este ano é que vai ser!

quinta-feira, dezembro 31, 2009

A intervenção-felácio

A intervenção-felácio é um género de intervenção política que entrou mais em voga na Assembleia da República durante o primeiro mandato de maioria absoluta de José Sócrates, com a introdução dos debates (?) quinzenais. Consiste no lançamento de um tema previamente combinado entre o partido que suporta o Governo e o Primeiro Ministro, que tem como objectivo o auto-elogio e o anúncio propagandista de algo que, muitas vezes, fica morto à nascença. Na anterior legislatura era ao actual ministro da Justiça que cabia a tarefa, Alberto Martins, agora é a Francisco Assis.

Na Assembleia de Freguesia de Leça da Palmeira a coisa funciona de forma diferente: Depois do período de antes da ordem do dia, cabe ao público intervir e é do público que sai a intervenção-felácio, havendo alguém que faz o papel de Assis. Os mesmos propósitos, os mesmos métodos. Nem bom nem mau, antes pelo contrário.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Tinto a mais

Não, nem sequer vou falar nos excessos da quadra - quadra? -; excesso de comida, excesso de bebida, excesso de presentes, de problemas, de remorsos, de sentimentos, de memórias, de egoísmo, de consumo, de tudo.
O Tinto que transbordou foi mesmo o do rio, lá para os lados de Gondomar. Esta situação dramática para pelo menos 15 famílias, que acabaram desalojadas, era mais do que previsível, tendo em conta o desaparecimento do leito, que tem vindo, ao longo dos anos, a ser entubado, sempre a bem da especulação imobiliária.
A despoluição do Tinto é uma bandeira antiga do PCP e da CDU de Gondomar e Rio Tinto, tal como as alterações que têm sido efectuadas ao leito. A CDU e o PCP nunca deixaram cair estas reivindicações, dentro e fora dos períodos eleitorais. A população preferiu o apelo dos bilhetes do Tony Carreira. Aceito mas não percebo.

"O que está previsto é fazer passar o metro sobre o antigo leito do rio Tinto, desafectando uma parcela grande de terreno que se mantém em Reserva Ecológica Nacional", disse, considerando que esta solução "é uma operação de especulação imobiliária", disse Honório Novo, deputado do PCP eleito pelo círculo do Porto, em 7 de Janeiro de 2008.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Ligações perigosas

Vamos ver se a comissão de inquérito ao Magalhães e ao "ajuste directo" à JP Sá Couto não vai produzir ondas de choque que se estendem até à Câmara de Matosinhos...

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Eu, ignorante.

Não percebo por que é que o IEFP também divulga dados sobre o desemprego, quando temos o INE. Supostamente, o INE fornece os dados do desemprego em Portugal ao Eurostat, mas os números nunca coincidem. Supostamente, a OCDE usa os dados do Eurostat e também não coincidem.

Um dia vou averiguar isto.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

O twitter e a CMM (parte II)

O que não tem explicação, está explicado.

"Caro Ricardo Santos

Confirmamos, de facto, que a sua conta estava bloqueada junto do twitter da CMM. Desconhecemos totalmente a razão do dito bloqueio, uma vez que nenhuma medida foi tomada para tal.

Presumimos que poderá ter sido motivado por um problema técnico desta plataforma. Apresentamos, desde já, as nossas desculpas pelo sucedido, comprometendo-nos a analisar de forma detalhada o motivo que originou este bloqueio.

Sendo as redes sociais uma aposta da Câmara de Matosinhos na e-Democratização, o nosso objectivo é o de estender e potenciar a comunicação e a partilha de informação, interesses, valores e objectivos comuns e nunca de travar o contacto e a comunicação dos munícipes e dos cidadãos com a autarquia.

Reiteramos o nosso pedido de desculpas.

Com os melhores cumprimentos

Helder Gonçalves"

sexta-feira, novembro 27, 2009

CMM, o Twitter e o bloqueio.

Email enviado à CMM, com vista a esclarecer o post anterior:

Exmos. Srs.
Responsáveis pela gestão da conta da Câmara Municipal de Matosinhos no Twitter:


Percebi ontem, dia 26 de Novembro de 2009, que me encontro impedido de seguir as actualizações da conta da CMM no Twitter.
Ora, sabendo eu que a CMM, com a riquíssima história democrática que a caracteriza, seria incapaz de tomar tal decisão com base em preconceitos políticos, venho por este meio solicitar o desbloqueio da minha conta (http://twitter.com/ricardomsantos), para que possa voltar a acompanhar a tremenda actividade levada a cabo pela autarquia para bem do Concelho.

Por outro lado, gostaria de saber o motivo que levou a tal bloqueio. Suponho que tenha sido por engano. Se não foi, custa-me entender que uma autarquia que preza tanto a cidadania e o envolvimento dos munícipes na vida política local, tenha optado por bloquear um cidadão que integra listas eleitorais desde que lhe é conferida possibilidade legal, ou seja, os 18 anos. Simultaneamente, o cidadão que se lhes dirige esteve sempre, nos termos da lei, nas mesas de voto da Freguesia de Leça da Palmeira, prestando um serviço à democracia. Serviço esse que, diga-se, V. Excias. optam por pagar tarde e a más horas, certamente porque terão outras áreas bem mais importantes onde gastar dinheiro, e ainda bem.

Fico, assim, a aguardar a resposta por parte de V. Excias., no sentido de perceber o que levou ao motivo do meu bloqueio.

Com os melhores cumprimentos,

Ricardo M Santos

quinta-feira, novembro 26, 2009

Democracia online na CM Matosinhos

O gestor da conta da CMM no Twitter decidiu bloquear-me, ou seja, impede-me de seguir as suas actualizações, sem explicação ou aviso prévio. Lá terá os seus motivos, que procurarei esclarecer.

sexta-feira, novembro 20, 2009

No país das maravilhas. É tudo normal.

Quem nos viu preocupados com a malta da bola lá para os lados da Bósnia, mais o relvado e o clima de lá, ó, o clima. Que miséria. E os selvagens bósnios! Ó, os selvagens bósnios!
Claro que não temos em Portugal relvados como o de Paços de Ferreira, o de Oliveira de Azeméis ou mesmo o de Alvalade, não sendo por isso algo a que os nossos virtuosos do chuto na bola estejam habituados. Nem há uns dias a polícia teve que dispersar a tiro uns civilizados adeptos de um clube.
É quase enternecedor ver o nosso país, onde não se passa grande coisa. No espaço de dias, passamos de irracionais a mestres nos bons costumes.
É tudo normal, neste rectângulo inclinado para o mar que se vai mantendo à tona, vá lá saber-se como. Tudo normal. Licenciaturas ao domingo, assinaturas de projectos alheios, Freeport, escutas, acusações de espionagem política a entidades do Estado.
Estamos anestesiados, talvez efeito secundário de uma vacina que procuramos culpar por uma realidade filha da puta que acontece, em média, 300 vezes por ano.
Não há escutas que resistam à vontade de abafar tudo o que pode mexer com o que resta da dignidade de um político moribundo, que continua a ver a luz quando se olha ao espelho. E a horda segue feliz, nas media alinhados, não percebendo que está a caminhar de escândalo em escândalo, até ao escândalo final. Hão-de perceber que o principal factor de instabilidade governativa não é o novo desenho parlamentar, mas sim no líder que vê o jogo na bancada central da Assembleia da República.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Há dias assim

Às vezes acordo a pensar em coisas estranhas e sem sentido. Antes isso que acordar morto, não é? É. Hoje, acordei a pensar em portagens, no Porto de Leixões e na Petrogal.
Acordei então a pensar que é evidente que existe um estudo económico que verifique:
  • O impacto das portagens nos preços praticados no Porto de Leixões que, ao que julgo saber, não é propriamente barato;
  • O impacto nos preços da entrada e saída de matéria-prima na Petrogal;
  • O impacto nos preços de entrada e saída de mercadorias nos concelhos de área metropolitana;
  • O impacto no bolso de cada um de nós.
Há coisa mais estúpida para se pensar? Claro que não. Claro que há um estudo. Quem o conhecer, faça o favor de me informar. Agradecido.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Hoje, não caiu há 20 anos

Dezenas de horas dedicadas nas tv's e rádios, outras tantas dezenas nas páginas dos jornais - impressas e virtuais. O Muro de Berlim caiu há 20 anos e vai haver festa de arromba em Berlim, excepção feita para os alemães de leste, cuja esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática. Aliás, a Sic Notícias tem repetido até à exaustão que o "Mundo festeja a queda do Muro". O Mundo tem destas coisas e gosta de festejar, e ainda bem.
Mas isso são detalhes e nós temos de ser politicamente correctos e ficar contentes com aquilo que achamos ser melhor para os outros, mesmo quando os outros, à distância de 20 anos, consideram não o ser.
Vinte anos depois, há cada vez mais muros. Podemos é querer vê-los ou não. E não são só os verdadeiros, os físicos, seja na Cisjordânia, no México, nos condomínios fechados onde se festeja - não é irónico? - a queda do Muro. Há os muros da barreira ideológica e do preconceito, da corrupção das classes dirigentes, da pobreza galopante, da riqueza fictícia em que acreditamos viver e, se calhar mais grave que tudo, o muro da resignação e dos dados-adquiridos.
E estes ficaram bem mais difíceis de derrubar, depois da queda do outro, há 20 anos.
Derrubado um, quantos muros cresceram depois?

segunda-feira, outubro 26, 2009

Tácticas

Está à vista a nova táctica do patronato e não é preciso um Freitas Lobo da Economia para perceber o que está a passar-se no que respeita às "reestruturações" e "reorganizações" que ocorrem no mundo empresarial.

É muito simples e fácil de adoptar:
  1. Encontra-se uma empresa com mais de 100 trabalhadores*.
  2. Anuncia-se o despedimento de 80% da força produtiva.
  3. Dois dias depois, anuncia-se que, afinal, a administração vai apenas despedir 50% e isso passa por positivo.

    *O ponto 1 é o mais difícil de cumprir.
A novela da Delphi é um bom exemplo, tal como este título do Diário Económico:

Fábrica da Delphi admite recuar em 200 despedimentos

quinta-feira, outubro 22, 2009

Saramago

Não, não vou escrever sobre as declarações de Saramago em relação à bíblia, a deus e à religião. Temo pela segurança deste blog que acabaria, provavelmente, queimado numa fogueira.

Em Espinho são uns meninos...

Ora bem, no seguimento da posta anterior e do suspense que se gerou em torno dela, dado o atraso na sequela, aqui ficam os factos e a prova de que tudo decorreu dentro da normalidade democrática quando concorrem duas listas do PS:

No tribunal de Matosinhos estiveram membros de várias mesas de voto, quatro só de Leça da Palmeira, para esclarecer os seguintes factos:
  • Numa das mesas de voto, o PS tinha mais dez votos na acta do que nos boletins contados. O PS perdeu dez votos depois de corrigido o erro.
  • Noutra, a CDU tinha menos seis votos na acta do que nos boletins contados. A CDU contou com mais seis votos depois de corrigido o erro.
Os casos mais estranhos - mas sempre dentro da normalidade -, estão relacionados com magia. Numa das mesas desapareceu a acta com a contagem dos votos, noutra desapareceram os votos nulos. Ora, tendo em conta que após a contagem os votos são fechados em envelopes lacrados e colocados num saco fechado, é evidente que trata-se de magia.

E só porque nestas eleições, ao contrário do que vem sucedendo há anos, a presença da polícia foi dispensada durante o transporte dos votos desde as assembleias até à Junta, para além de terem feito uma paragem na Câmara Municipal antes de seguirem para o tribunal, não é caso para preocupações. Foi tudo normal e tranquilo, como se quer.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Eu conto já o resto

Afinal, parece que a decisão de chamar ao tribunal os elementos das assembleias de voto não partiu de qualquer candidatura, mas sim do juiz, que terá ficado desagradado com o facto de os votos terem permanecido na junta cerca de quatro horas. Entretanto, numa das mesas, vai aferir-se por que motivo uma acta regista menos 6 votos para a CDU do que os que resultaram da contagem. Eu conto já o resto. Tribunal às 14h30.

Recontagem, Narciso?

Elementos de algumas mesas de voto de Leça da Palmeira - não sei se apenas de Leça da Palmeira - vão ser contactados pelo tribunal devido a um pedido de recontagem dos votos pela candidatura oficiosa do PS. Pela parte que me toca, Narciso pode ficar descansado.

terça-feira, outubro 13, 2009

Maitê Proença: Era queimá-la, à bandida!

O assunto do dia foi o vídeo da Maitê Proença. Não, não vou colocar o link, porque está em tudo o que é blogue, site e rede social e eu gosto de ser diferente. Não percebo a indignação generalizada por um vídeo ranhoso, manifestamente infeliz. Tem muito pouco de humor, mas quantos sketches já vimos igualmente pobres? Eu até perceberia os milhares de insultos colocados no site da actriz - e que ela só os mantém publicados porque quer, note-se - se o Proença do apelido dela tivesse algo relacionado com um conhecido árbitro português. E se os autores dos insultos fossem todos benfiquistas.
Mas, não. É evidente que nós não podemos admitir que uma brasileira não conheça a história recente de Portugal. Só nós, portugueses, temos esse direito. Afinal, todos sabemos quantos anos esteve Salazar no poder. Mais ainda, se há coisa que nunca se viu em Portugal foi um lusitano de gema cuspir para uma calçada portuguesa. Ou mijar contra um edifício histórico enquanto tenta afogar formigas. Mas cuspir numa fonte está errado.
Ah! E se há coisa que não há em Portugal, é preconceito contra brasileiras: Toda a gente que sabe que ou são putas... ou são putas.

terça-feira, outubro 06, 2009

Mais valia uma sondagem...

O programa da CDU para Matosinhos já está online no site há alguns dias e mereceu uma análise do Eugénio Queirós, no seu O Porto de Leixões. O blogger que mais sondagens publica por byte quadrado decidiu folhear o programa e apresenta, como primeira conclusão, uma alegada obsessão pelo BE.

Ora, parece que há a ideia geral de que pode criticar-se tudo e todos, menos o BE, que são uma espécie de vacas sagradas da política. E eu, pouco dado às coisas sagradas, repito o que já há uns tempos aqui escrevi, mais coisa menos coisa. O BE vive, a nível autárquico, da projecção que tem a nível nacional e da simpatia que goza pelos media em geral. Ou de que gozou até há bem pouco tempo, quando os mesmos que o levaram ao colo perceberam que a génese do BE, que seria acabar com a CDU e com o PCP, acabou por retirar votos ao PS; afinal, a CDU continua a crescer. A manchete do Expresso no fim-de-semana antes das legislativas é bem um exemplo disso mesmo. Uma manchete descabida, mas que ilustra bem o tiro saído pela culatra dos que colocaram o BE nos píncaros.

Mais especificamente em Leça da Palmeira, o BE esteve apresente apenas em 6 das Assembleias de Freguesia realizadas ao longo dos quatro anos de mandato. Será um detalhe, talvez, mas acho que os eleitores deviam ter consciência disso mesmo. E é uma pena que os jornais cá do burgo não façam um levantamento da assiduidade de cada um dos eleitos.

Contas em dia - I

A sério que não percebo o que quer dizer o PSD/CDS com o lema "Um presidente tranquilo", que exibe nos seus cartazes com candidatos às juntas.

Agradece-se a quem puder esclarecer.

PS: Já agora, solicita-se à coligação que faça o favor de retirar o cartaz em frente à Secundária da Boa Nova, para que as mesas possam abrir sem atrasos no domingo.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Concerto/Comício na marginal de Leça da Palmeira

São todos bem-vindos!
Dá mais força à CDU, por uma vida melhor :o)

Antes o bolo-rei!

Cavaco voltou ontem a demonstrar que pode ser muito bom em muita coisa, mas é um político desastrado. É um político que vive de silêncios e, quando fala, opta por dizer coisa nenhuma. Ou dizer um monte de coisas, baralhando "imeiles" pessoais com a segurança das comunicações da Presidência, acrescentando mais combustível a um incêndio que não dá mostras de abrandar.
Falou ao país não para explicar o que sucedeu, mas para dar a sua opinião pessoal sobre o que poderá ter acontecido.
Foi uma trapalhada que não devia ter acontecido. E, agora, aguarda-se que Cavaco diga o que não disse na comunicação aos jornalistas.
Ao acrescentar suspeição à suspeição, Cavaco entrou num conflito com o partido que governou até agora e que formará governo para os próximos 4(?) anos.

Post-it: Vai ser uma semana em grande para os politólogos, uns mais governólogos, outros mais presidenciólogos, mas será em grande para todos. E têm um ponto em comum: acham que somos todos analfabetos. Por mais que uma vez, comentadores afirmaram que "isto é claro para nós, que acompanhamos estas coisas e estamos informados, mas a generalidade das pessoas não percebe". Ora, posto isto, recomenda-se um mínimo de humildade: os comentadores perceberam exactamente o mesmo que o resto das pessoas; Cavaco não explicou coisa alguma.

segunda-feira, setembro 28, 2009

terça-feira, setembro 22, 2009

Metro, centímetro e Porsche

Dizem as notícias de hoje que António Costa, de metro, ganhou uma corrida a um Porsche.
Terão os autarcas de Matosinhos coragem para fazer o mesmo? Proponho uma corrida entre um Porsche e o metro num percurso que vai desde o fim da linha, junto ao Porto de Leixões, e a estação da Sra. da Hora.

quinta-feira, setembro 17, 2009

A Força da Mudança em Leça da Palmeira


(Clique nas imagens para aumentar)

Lamento, mas a CDU não tem t-shirts, bonés, canetas, sacos e jobs para oferecer - ia falar em carrinhas, mas parece que ofende.
Oferecemos aquilo que somos, o nosso trabalho e a nossa forma de encarar a política e na vida. Não nos move a sede de poder, move-nos a convicção de que podemos fazer mais e melhor, porque estamos na rua fora das campanhas e contactamos com as populações; porque as representamos efectivamente nos órgãos para que fomos eleitos; porque temos mais que uma lista: temos um projecto, que não depende só de uma figura. A CDU são todos os que quiserem participar em algo novo, algo diferente e melhor para Leça da Palmeira, para Matosinhos e para Portugal.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Ui!

Ou anda alguém muito desocupado, ou tenho um vírus que está a visitar página a página deste blogue. 56 page views do mesmo utilizador num só dia.

Não sei se receie, se agradeça...

domingo, setembro 13, 2009

Actualização

Acabaram as férias, passou a Festa do Avante! e o Comício em Matosinhos. Por isso, conto poder vir aqui mais regularmente, nos intervalos das acções de campanha da CDU em Matosinhos. Enquanto isso não acontece, aqui ficam alguns boatos que correm pelo burgo:

Diz-se que a elevada participação no Comício, com Jerónimo de Sousa e Honório Novo, em Matosinhos, deixou preocupadas as candidaturas do PS - a oficial e a oficiosa - o que ajuda a explicar a constante vandalização dos espaços de propaganda da CDU.

Diz-se que a SIC se prepara para não realizar um debate entre os candidatos à CMM, ao contrário do que sucede com outros concelhos do país. O facto de Guilherme Pinto ter cedido um espaço àquele canal é, obviamente, pura coincidência.

Consta que acabaram as carrinhas para oferecer às colectividades em ano de campanha. Por isso, o candidato do PS oficial à freguesia de Leça da Palmeira anda numa correria louca a fazer-se sócio de tudo o que é clube da freguesia.

A democracia está ao rubro numa freguesia de Matosinhos. O CDS cedeu o seu lugar numa mesa de voto ao... MRPP!

Até já!

sexta-feira, agosto 28, 2009

Jerónimo de Sousa em Matosinhos

Jerónimo de Sousa irá estar num comício em Matosinhos, no Parque Basílio Teles, dia 10 de Setembro, pelas 21h30. Elementos gráficos logo que possível. É favor marcar nas agendas :)

quinta-feira, agosto 27, 2009

Em falta

Falta:
Agradecer as mensagens que deixaram nas caixas de comentários sobre o encerramento do blogue;
Agradecer as mensagens que deixaram noutros blogues sobre o mesmo tema;
Agradecer os emails que enviaram sobre a mesma coisa;
Agradecer o que disseram pessoalmente.

Falta, ainda, actualizar a lista de blogues ali ao lado. Fá-lo-ei logo que possa.

Acho que não falta mais nada.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Narciso Miranda - Publicidade não solicitada

Todos os dias recebo dezenas de mensagens de spam, com publicidade enganosa, por isso não me espantei quando vi na minha caixa de correio uma mensagem, de 27 de Julho - ainda este blogue estava de molho - da Associação Narciso Miranda, cujo conteúdo passo a divulgar, em itálico, permitindo-me fazer alguns comentários:

"Não tenho por hábito participar em blogs. Tal não significa, no entanto, que estou alheado desta nova forma de comunicar. Bem pelo contrário.
Ok... e?

A falta de tempo impede-me, no entanto, de consultar de forma mais assídua, como desejaria, todos os blogs que falam sobre mim, todos sem excepção, os que dizem bem e os que dizem menos bem.
Hum... 'tou a ver.

Venho sendo, no entanto, alertado, justa ou injustamente, verdade ou não, para o facto de estar a ser criada a ideia que alguns dos participantes neste blog, identificados anonimamente ou através de pseudónimos, são por vezes agressivos e deixam evidenciar sinais de má educação, chegando quase a atingir, uma ou outra vez, a área do insulto.
Aaaaah! Então é isso... Vamos por partes, para ficarmos esclarecidos: Este blog não tem comentários moderados por opção minha, porque nunca senti necessidade de fazê-lo. Permita-me esta liberdade. Participa quem quer e diz o que quer, desde que o conteúdo não seja por mim considerado ofensivo. Se se refere a posts por mim escritos, não são anónimos. Estão assinados (RMS), iniciais do meu nome e o endereço de correio electrónico está no perfil. Nesse endereço de correio electrónico, encontra o meu nome completo. Logo, os alertas que lhe fizeram podem caber apenas no campo da má educação e do insulto, que, sinceramente, não encontro. Nem o ilustre ex-presidente da CMM quererá, certamente, colar-me tais atributos. Eu recorro às metáforas e aos eufemismos para evitar essas coisas.

Sobre esta matéria, quero que fique claro que não tenho, como nunca tive, porta-vozes, ninguém fala em meu nome, muito menos está alguém autorizado, mesmo que anonimamente ou recorrendo a pseudónimos, a fazê-lo.

Não é esta a minha prática, muito menos a minha orientação. Bem pelo contrário.
Insisto, permanentemente, na importância de se elevar o debate, de respeitar as diferenças e o contraditório, qualificando a participação neste processo eleitoral das autárquicas em Matosinhos.
O meu caminho e a minha orientação é a da promoção do debate de ideias, projectos e linhas estratégicas que melhor sirvam os interesses dos cidadãos, dos matosinhenses e o futuro de Matosinhos. É este o debate que quero, como sempre quis, promover.

Ainda bem que depois de décadas de governação autoritária da CMM descobriu o diálogo e a elevação do debate. Assinalo isso como positivo. Quanto ao contraditório aqui está ele, com a publicação desta carta. Não porque tenha obrigação de o fazer; este blog é propriedade do RMS e não um blog colectivo RMS-Narciso. Como tal, aqui ficam expostos os meus pontos de vista e não os seus. Para isso, tem à disposição a caixa de comentários.

Fique, portanto, claro que não aceito esta prática que vem, aliás, cansando as pessoas e afastando, cada vez mais, os cidadãos da política.
De acordo. A novidade vem, mesmo, por agora não aceitar este tipo de prática.

Fique claro que me demarco por completo deste tipo de mensagens, mesmo que partam de pessoas que se afirmem meus apoiantes.

A minha candidatura é feita pela positiva, agregando todos os matosinhenses, independentemente da sua classe social, cultural, profissional ou política.

Aos meus apoiantes, a todos aqueles que estão empenhados neste processo da minha candidatura independente, peço, sinceramente, que não entrem neste jogo, que valorizem o debate e não respondam a este tipo de provocações que em nada dignificam a liberdade de expressão e, muito menos, servem os verdadeiros interesses do concelho ou da união dos matosinhenses.

Peço a todos a melhor compreensão neste sentido.

Narciso Miranda"


Depois desta comovente prosa de Narciso Miranda, republico aqui um texto de 14 de Maio de 2009, sobre Narciso Miranda e a sua campanha:

Campanha em Matosinhos - O vale tudo

Com o aproximar das eleições, das autárquicas neste caso, começam a confirmar-se as expectativas de que a campanha será quentinha. Depois dos outdoors que Guilherme Pinto mandou retirar, da propaganda da CDU que Narciso cobriu, mas que afinal foi um erro da agência de publicidade, começa a campanha pelo correio.

No mesmo dia em que Guilherme Pinto fez chegar às caixas de correio um desdobrável sobre a nova Quinta da Conceição - não é difícil de encontrá-la, está algures entre as torres do Narciso, ali onde era a FACAR - Narciso Miranda enviou cartas a convidar para a apresentação da sua candidatura. Ora, não haveria novidade, não fosse o facto de as cartas enviadas pelo ex-presidente serem dirigidas à minha avó e a um tio que vivia com ela. Mas chegaram a minha casa.

Por motivos secundários, a minha avó esteve a viver em minha casa durante algum tempo, pelo que a morada de residência foi alterada, nomeadamente, na Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede de Infesta, uma IPSS para onde a minha avó pagava, naqueles programas de "pense na sua vida, pague o seu caixão".

Posso garantir que a associação acima referida foi a única para onde foram indicados os nomes da minha avó e do meu tio com a morada de minha casa, pelo que podemos concluir que a Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede - ou alguém por ela - forneceu os dados dos associados ao movimento de Narciso. O que não só é ilegal como deplorável eticamente. Mas não estamos já habituados a isso?

Para finalizar, na carta que acompanhava o convite é afirmado que a minha avó o conhece bem - ao Narciso. Duvido, mas dê graças por o meu avô já ter falecido, de certeza pediria explicações sobre até que ponto conhece bem a minha avó.

De qualquer forma, e voltando ao que interessa, informo a associação do Narciso que a minha avó faleceu já há algum tempo, pelo que, mesmo percebendo que a "presença é muito importante" para o ex-presidente, não estará representada.

P.S.: Apelo também à Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede que actualize o seu ficheiro.