sexta-feira, julho 06, 2012

mailto: Universidade Lusófona (II)

A minha mensagem foi encaminhada para os serviços de acesso da Lusófona

Clica na imagem para ampliar.


Aprendei. Vale sempre a pena tentar.

quinta-feira, julho 05, 2012

mailto: Universidade Lusófona

Bom dia, 

Ouvi nos últimos dias que existe na vossa instituição a possibilidade de concluir uma licenciatura no período de um ano mediante apresentação de currículo profissional. Ora, conto actualmente 29 Primaveras - espero que me perdoem a não adopção do acordo ortográfico, mas, se for absolutamente essencial, comprometo-me a fazê-lo - dizia eu, conto actualmente 29 Primaveras, 20 das quais passadas em actividade física constante, interrompida apenas entre 2000 e 2002, salvo erro, mas o rigor das informações parece que não é condição fundamental para que possa ingressar na vossa licenciatura.


Sendo verdade que nunca fui atleta profissional, não é menos verdade que a licenciatura que agora está nas manchetes também não inclui qualquer currículo profissional, porque ser político não é profissão. Nestes termos, informo que fui campeão nacional e distrital de futsal na categoria de infantis e regional na categoria de iniciados, dos quais possuo diplomas certificados. Pelo meio, joguei futebol de 11 no SC Senhora da Hora e no FC Perafita. Pratiquei ainda andebol no Leça FC durante cerca de seis meses, como guarda-redes, mas uma bolada na cara, num remate da ponta esquerda, frente ao Infesta, deixou-me desmotivado e abandonei a modalidade.

Entretanto, praticava já Kung Fu na variante Wu-Shu, tendo sido campeão regional na categoria de pesos-leves, em 1999, modalidade que interrompi e retomei anos depois, perfazendo um total de sete anos de experiência comprovada. Era-nos ministrado também Tai Chi, armas tradicionais chinesas e defesa pessoal. Actualmente, pratico Muay Thay, modalidade que abracei, parece-me em 2009 - data a confirmar.

Julgo que, com este currículo, reúno as condições para concluir a minha licenciatura no período de um ano lectivo, mediante pagamento de propinas.


Rogo assim que esta mensagem seja enviada ao Digníssimo Reitor da Universidade Lusófona bem como ao departamento que coordena as licenciaturas em Educação Física.


Grato pela atenção dispensada e com a certeza de que em breve receberei resposta da parte de Vossas Excelências,

Subscrevo-me, com os melhores cumprimentos,

Ricardo M Santos


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terça-feira, junho 05, 2012

O coiso do Álvaro é uma oportunidade*




Parece que estar no coiso é uma oportunidade, segundo reza a palavra do nosso Primeiro. Pelos vistos, o Álvaro agarrou na oportunidade e saiu-lhe o coiso pela boca fora, quando segurava na mão perto de 1.000.000 de portugueses que estão repletos de oportunidades.

O coiso do Álvaro atormenta-nos e só alguém com os coisos no sítio é capaz de aguentar tanto disparate vindo de um só governo há tão pouco tempo eleito. O coiso do Álvaro cresce a um ritmo alucinante e parece incapaz de parar, numa espécie de Viagra de longo prazo que parece não ter fim à vista. O pior é que aqueles que agora estão num plano de oportunidade não poderão processar a farmacêutica por possíveis danos causados. 

O coiso está aí, firme e hirto, e afecta uma população cada vez mais descrente. Importa, por isso, que do coiso se faça força para lutarmos pelas oportunidades que todos temos de ter. Mesmo aqueles portugueses menos mediáticos que não aparecem nos límpidos, claros e objectivos relatórios das secretas que o ministro Relvas alega desconhecer.

O coiso de que falava o Álvaro era o desemprego. Faltou-lhe a palavra, pois claro. Pode acontecer a qualquer um que não dê a mínima importância ao assunto.

*Publicado originalmente no jornal Notícias de Matosinhos.

quinta-feira, maio 10, 2012

40 anos de Grândola



Há precisamente 40 anos, Zeca Afonso tocou pela primeira vez a Grândola Vila Morena, que viria a tornar-se num símbolo da Revolução.

A 10 de Maio de 1972, em Santiago de Compostela, Zeca cantava-a pela primeira vez, com a ajuda de José Mário Branco. A Galiza comemora a data com um mega-espectáculo com mais de 100 artistas em palco.

Portugal, este pedaço dirigido pelo mofo e escurecido pelo bolor de troikas e baldroikas, esqueceu-se.


terça-feira, maio 08, 2012

Migalhas de Abril*

 
Passaram 38 anos desde o 25 de Abril de 74. Das conquistas de então resta o que nós, enquanto herói colectivo da Revolução quisemos que restasse. Entretanto, já nos idos anos 80, época do soarismo e do socialismo na gaveta, regressou ao país o braço-armado económico da ditadura salazarista. Passaram 38 anos e o país continua a ser governado nos bastidores pelo poder económico de então, pelas mesmas famílias, pelos mesmos interesses, entretanto com rostos renovados.

O retrocesso atroz que vivemos sente-se profundamente, até na música, com gente que viveu e defendeu Abril a apelar agora a que se dêem os restos aos pobrezinhos. Gente que ajudou Abril a ser o que foi e outros mais jovens, que alegam defendê-lo, a darem a cara por uma campanha miserável de caridadezinha tão à imagem da direita mais saudosista do fascismo.

A minha geração também tem culpa. Alguns vêem Abril como ultrapassado, desvalorizando as suas comemorações. Outros, autarcas até, vão às escolas explicar que Portugal viveu numa ditadura durante 30 anos e que o Marcello Caetano era Presidente da República. Para isso mais vale estarem quietos.


Publicado originalmente na edição de Maio do jornal Notícias de Matosinhos*

quarta-feira, maio 02, 2012

Somos umas putas morais - vendemo-nos por 50% de desconto

Ontem, o Alexandre Soares dos Santos cagou numa das mais importantes datas da história da humanidade e descobriu-nos a careca. Somos mais desumanos do que pensamos.

Enquanto os media mainstream se debruçam nas questões legais, do dumping à concorrência desleal - já agora, com o pagamento de um dia e meio de trabalho a cada trabalhador, aliado ao desconto generalizado de 50 por cento na conta final, terá havido algum lucro para a empresa? - o que mais me preocupa é a moralidade de quem levou a cabo a iniciativa e de quem embarcou nela.

Já agora, os media que se fodam mais as "palavras de ordem de sempre", os "conceitos sempre repetidos" mais a conotação pejorativa que lhe dão. Se são as palavras de sempre é porque as reivindicações com décadas continuam a fazer cada vez mais sentido.

Já dizia um poeta brasileiro que "a necessidade é maior do que a moral" e o capital não perdoa. O capital faz-nos não só passar por necessidades como faz-nos acreditar que precisamos do que não precisamos. Ontem, uma parte da população precisou de tudo e mais alguma coisa. Duas conclusões:

Primeiro, o capital mata-nos à fome e oferece-nos depois comida* com 50 por cento de desconto como se fosse uma benesse, um favor que nos faz por enriquecermos o PIB, no caso o da Holanda, enquanto tem impostos reduzidos e paga miseravelmente aos trabalhadores. Basicamente, vende-nos o que produzimos quase de borla de forma a parecer barato - Portugal é um dos países da UE com os custos de trabalho mais baratos. Diz que é o mercado, mais a lei da oferta e da procura. Para mim é só selvagem. O que ontem aconteceu foi dar com uma mão o que têm tirado com as duas.

Segundo, a data escolhida não é ingénua. Podemos todos relativizar, mas não é. É uma afronta a todos os trabalhadores e às suas lutas e fez com que fosse quase esquecida por uma parte da sociedade. Depois, abre o debate sobre o significado do 1.º de Maio, mesmo que muita gente não saiba qual é nem o que representou ao longo de décadas. Relativiza-se tudo, porque "se uns trabalham, outros também podem trabalhar", mesmo que se comparem hospitais e esquadras de polícia a supermercados, sem se perceber o ridículo da coisa. Eu acrescento, em adaptação livre do Saramago: relativizem a puta que vos pariu a todos.

A génese do 1.º de Maio tinha por princípio uma reivindicação clara: oito horas de descanso, oito horas de trabalho e oito horas de lazer. Os trabalhadores, massa insatisfeita, conquistaram mais e mais ao longo dos anos. O capital, com uma sociedade reduzida ao poder do consumo, retaliou. Estamos a viver um momento de viragem histórica. Seja para que lado for.

Por fim, uma palavra de solidariedade para com os trabalhadores das grandes superfícies que ontem foram coagidos a trabalhar, apesar do pré-aviso de greve e para aqueles que tiveram mesmo de aproveitar os descontos de ontem para terem um mês menos difícil. A necessidade foi, para alguns, maior que a moral.

*Por "comida" entendam-se produtos, só para não haver quem diga que não se passa fome em Portugal.


quinta-feira, abril 05, 2012

Impedimentos que impedem*


Cavaco ficou intimidado com perigosos manifestantes de uma escola secundária. Miúdos até aos 15 anos, o terror de qualquer político que até foi professor, mas universitário. A desculpa oficial, foi que ficou impedido por um impedimento. Assim mesmo, como aquelas subidas que sobem para cima ou quando se entra para dentro.

Quem não entrou para dentro foi Passos Coelho, no dia da Greve Geral, no Porto. O ilustre primeiro preferiu a porta do cavalo para fugir aos manifestantes que o esperavam. É sempre melhor quando falamos com aqueles que devemos representar pela televisão ou pela rádio, sem direito a contraditório.

Fugiu, o piegas. Teve medo de dar a cara perante aqueles que contestam o caminho de pobreza que nos pretendem impingir como inevitável, ao mesmo tempo que arranjam lugares de relevo para amigos e compadres, com cortes que mais parecem arranhões para quem ganha milhares de euros.

Segue a luta, que é dura e, muitas vezes, poluída por opiniões de quem tem mais umbigo do que olhos para encararem a realidade com que (sobre)vivem milhões de portugueses.

*originalmente publicado na edição de Abril do Notícias de Matosinhos

quarta-feira, abril 04, 2012

Quando era dia até ser noite

Quando comecei a trabalhar ainda andava no secundário, no segundo 10.º ano que cumpriria, após um primeiro equívoco que me levou para as artes. Das artes, ficou só o artista, que as mãos teimavam em não obedecer aos olhos, quando a professora plantou aquele pimento em cima de uma mesa e disse: "Agora, desenhem". Nunca um pimento foi tão parecido com coisa nenhuma.

Trabalhar e estudar de dia obrigava-me a faltar às aulas, o que me valeu alguns dissabores com a professora de Português, que ainda hoje está para saber como tirei aquele 12 no teste sobre o Sermão de Santo António aos Peixes. E, verdade seja dita, eu também.

Como a maioria do pessoal da minha idade que residia em Leça norte, aquela zona meia perdida entre a Leça dos postais e Perafita, depois de um trabalho de que gostei muito numa empresa relacionada com a UEFA Champions League, tomei o gosto por ter o "meu" dinheiro e fui ganhar uns trocos para os transitários.

O cheiro a óleo e a escape dos empilhadores e dos camiões era tão característico que ainda hoje o conheço. Era divertido, na altura ainda bebia cerveja e isso ajudou à minha integração. Era eventual. Eventualmente, era chamado para trabalhar, às sextas-feiras.

A primeira sexta que trabalhei foi assustadora. Das 8 da manhã de sexta até às 7h30 de sábado. Achei bruto. E, uns meses mais tarde, o Rui, que levava muitos anos daquilo, disse-me: "Isto embrutece um gajo". E eu confirmo, qualquer um confirma. A grande ansiedade era saber quem ficava para a noite de sexta. O pessoal da casa era preferido, obviamente, depois sobravam os que eventualmente ficariam.

Tinha uma explicação. Na altura, o dia começava às 8 da manhã e acabava às 20. Tudo o que fosse para além disso era pago a 100% por hora. Apanhei a fase de transição, em que isso só passou a acontecer entre as 22 e as 6 da manhã. O sol passou a deitar-se mais tarde e a acordar mais cedo.

Mas continuávamos a trabalhar. Na madrugada, quando chegavam os camiões amarelos e azuis, o aspecto era desesperante. Era o algodão para carregar e os "cartões", vulgarmente conhecidos por caixas de papelão. A madrugada era bruta. Olhávamos para os contentores de 40 pés e não lhes víamos o fundo, também por culpa da luz amarela que iluminava um bocadinho o cais. Era desesperante. Os contentores não tinham fim e os camiões também não. Aguentava-se à base de umas cervejas e cigarros.

Valia pelas horas-extra, que ainda não tinham sido muito roubadas, como agora serão, com o aval da UGT e o patrocínio do PSD, CDS e PS, mais a sua abstenção violenta.

Era bruto, como as viagens para Amarante onde íamos montar uma máquina qualquer e carregar tábuas que nunca mais acabavam, numa Toyota Hiace de três lugares onde íamos cinco.

Era bruto como as idas ao Porto de Leixões, para descarregar e carregar contentores de uma ração qualquer que tinha que ser inspeccionada. Tantas vezes.

Para estes homens, os dias vão ficar mais compridos e mais caros, com as horas mais baratas. E com a luz do sol a prolongar-se noite dentro. Mas isso não há-de ser problema para quem nunca os viu nem os vê.

segunda-feira, março 26, 2012

Tão bonitos que eles são

Quando o nosso império caiu - felizmente -, era de esperar que Portugal, a caganitazinha mais ocidental da Europa, perdesse aquela mania de considerar que Lisboa é Portugal e Portugal é Lisboa. Pois que não é. Assim como o norte não é o Porto e o Porto não é o norte.

Ao contrário do que seria normal, em Portugal, os provincianos da capital continuam a achar que o país são aqueles quilómetros quadrados de Lisboa-e-tudo-à-volta.

Vem isto a propósito de uma sondagem sobre homens bonitos. Segundo o site travelersdigest, os portugueses estão em 4.º na lista de homens mais bonitos do Mundo. A RTP, diligente na defesa da capital do império morto, enterrado e que só existe na cabeça de um ou outro ministro dos Negócios Estrangeiros, diz que são os lisboetas.

O texto não deixa dúvidas, refere-se a Lisboa, mas a uma das zonas mais frequentadas por turistas, entre eles, os que viajam desde a província até ao Bairro Alto. Eu, tripeiro, ainda lá estive há pouco tempo:

"Portuguese men tend to be worldly, well-educated and brimming with pride for their small but scenic country. In Lisbon, the often tall, charismatic and athletic gentlemen might surprise you with their firm grasp of not only their own culture but that of the other nations as well. All this said, tradition is still held in high regard for these divine manifestations of old-world values. They would surely appreciate an impromptu Fado performance at one of the many bars in the Barrio Alto, or a nostalgic stroll in the Alfama District – one of the most delightfully preserved sections of the city. Whatever you decide to do, these Latin seducers are guaranteed to sweep you off your feet."

Este saloiismo lisboeta fez-me lembrar o episódio do "senhor do adeus", ao que parece, uma pessoa famosa na capital mas desconhecida do resto do país. Ainda assim, quando faleceu, mereceu honras de notícia em todos os canais. Consta que era um idoso, parado no meio da rua, a acenar ao carros que passavam. Um extravagante, por estar em Lisboa; aqui, em Leça, ou mais para sul, no Porto, seria mais um maluco.

Em Leça tínhamos uma sem-abrigo a quem chamávamos Rosa Mota, por ser pequenina e andar devagarinho, e o Senhor dos Cães, outro sem-abrigo, que carregava um cão às costas e tinha à volta dele mais uma dezena de outros animais. Todos de quatro patas, que aos bípedes ele parecia fazer alguma confusão. Morreram os dois. Não eram de Lisboa. Não acenavam aos carros. Não foram notícia.

sexta-feira, março 23, 2012

Uma grande greve dos jornalistas



Estive nos piquetes da Greve Geral até perto das oito manhã. Entre a garagem da STCP da Via Norte, A Estação de S. Bento e a garagem de Francos da STCP.
Nesta última, a PSP procedeu à identificação de um motorista que se apresentava para trabalhar em substituição de outro, impedindo a saída do autocarro. Cumpriu-se a lei portanto.
Infelizmente, não estava lá qualquer jornalista para testemunhar o acto. Nem o agente que, em S. Bento, desabafava: "Estamos todos do mesmo lado. É a segunda vez que me calha vir para aqui e isto dói muito, porque nós também sofremos".


Não estava qualquer jornalista, como não esteve durante toda a noite em qualquer dos principais piquetes do Porto, pelo menos até às 8 da manhã. Daqui depreendemos que os jornalistas da Lusa, dos três canais que emitem notícias 24 horas por dia (RTPI, TVI24 e SICN), das rádios (pelo menos, Antena 1 e TSF) e dos jornais, incluindo aquele que se assume como a "voz do norte", aderiram em massa ao dia de greve. Recordemos que todos os jornais têm uma secção online e que, supostamente, dão notícias ao minuto. Ou dão Lusa ao minuto, mas isso é outra história.


É a única explicação lógica que encontro para a sua ausência e, por isso, felicito-os pela coragem, com toda a minha admiração, porque a precariedade é um dos grandes males que afecta aquele sector. Deram uma prova de união que não tem paralelo com qualquer das greves em que participei. Nas duas anteriores a estas estavam jornalistas. Nesta, desapareceram. 


E avançam que esta foi uma greve sem números porque, pelos vistos, mesmo no jornalismo de secretária custa muito dar um clique nos sites onde foram sendo publicados os números da adesão durante todo o dia.


Obviamente que não me passa pela cabeça que houvesse jornalistas a trabalhar e não tenham sido enviados para os locais onde estavam os mais significativos e numerosos grevistas.


Ficou do dia a imagem dos dois jornalistas agredidos, já durante o dia. Que tal não caia no esquecimento. Mas que tal não sirva para fazer esquecer que ontem houve uma grande Greve Geral, com milhões de trabalhadores a aderirem ao protesto, apesar de todas as pressões dos patrões e do Governo.


Que a indignação dos jornalistas não se fique só pelos seus camaradas agredidos em dia de Greve Geral, que se estenda a todos os outros que também sofreram agressões físicas e não só. Que se estenda a todos os dias do ano, na denúncia da violência que são o desemprego e a precariedade a que milhões de portugueses estão sujeitos, muitos deles seus camaradas de redacção. Olhai para o lado e eles lá estão.

segunda-feira, março 05, 2012

Guilherme, o Príncipe Momo*


Momo é um nome que atravessa os tempos, desde a Grécia Antiga, passando por Roma, até tempos mais recentes. Há dois séculos surge em Espanha e na América Latina, mais precisamente na Colômbia; no século XX, chega a Espanha, para ser adoptado pelo Brasil. Momo passou de deus mitológico a rei do Carnaval.

Na Colômbia, em Barranquilla, a personagem permanece até aos dias de hoje. É o rei da folia, que, nos três dias de festa, tinha como função permitir a desordem carnavalesca.
Nos dias que correm, o papel de Rei Momo cabe ao poder político, personificado em Miguel Relvas, que decretou que o Carnaval não seria feriado. O Rei Momo não cumpriu o seu papel mas, nestas coisas da democracia, o povo ordenou e brincou ao Carnaval tão a sério como já não se via desde os tempos de Cavaco, quando este ainda não se intimidava com manifestações de perigosos alunos da António Arroio.

Em Matosinhos, Guilherme Pinto, em jeito de Príncipe Momo, seguiu a voz do ministro alegando que o concelho não tem tradições de carnavalescas, não concedendo tolerância de ponto aos trabalhadores da autarquia. Ora, o presidente da Junta da Matosinhos fê-lo, cometendo, partindo do princípio que Guilherme Pinto tem razão, uma ilegalidade.
Formalismos à parte, que isto é coisa para ficar resolvida depois das eleições para a Concelhia do PS de Matosinhos, certo mesmo é que Príncipe Momo não deu folga aos funcionários autárquicos mas foi, ele próprio, ao desfile carnavalesco de S. Mamede de Infesta. Certamente em representação dos mesmos. 

* Publicado no jornal Notícias de Matosinhos

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

JN da Armada ou o 31 do JN

O 31 da Armada ficou incomodado com a dimensão da manifestação de sábado, o que é, por si só, um feito que me agrada bastante. Sem o feriado do 5 de Outubro para brincar à monarquia, os trintaeuns ficam com mais tempo para se dedicarem às contas das manifes. 

O tempo passa e a história fica. No tempo de Sócrates, no auge da moda dos indignados e quando a direita dava pulinhos de alegria com a mais que previsível vitória do PSD numas eleições que estariam bem próximas, o 31 via coisas deste género:

Suportado por 20 segundos de imagens do Jornal de Notícias, sem referência a horas, no sábado, o 31 da Armada, na era Cavaco-Portas-Passos, só viu isto: 

Confesso que não leio o 31 da Armada e só lá cheguei por um link do Facebook. Mais. Para ler o 31 da Armada basta-me passar os olhos pelos media mainstream.


No entanto, para ajudar às contas, aqui fica:

e mais...


E, para terminar, pode o 31 pegar nas contas, no JN e ir para junto de todos os piegas deste mundo.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

UG Quê?*

No mês passado assistimos ao mais violento retrocesso social em matéria laboral de que há memória. João Proença, voz do dono da UGT – sim, do dono da UGT – fez o triste papel de representante dos trabalhadores. De quais, ninguém sabe ao certo.

Sabemos, sim, que a “vitória” conseguida por Proença e pela UGT dar-nos-á tudo aquilo que, ao longo de décadas, fizemos por perder, algumas ainda no tempo do fascismo. A meia-hora que a UGT alega ter vencido cai em saco roto quando pensamos no banco de horas que estará sujeito à discricionariedade do patrão. Mais a facilidade dos despedimentos, mais tudo aquilo que consta em 52 páginas em que apenas a redução de direitos laborais é factual. O resto é uma declaração de intenções. 

A UGT cumpriu o papel que lhe estava estabelecido desde a sua fundação, apadrinhada por Mário Soares e pelos interesses norte-americanos, e que, ao longo dos anos. Enganou os trabalhadores, colando-se a eles na Greve Geral por mero interesse político, e cauciona um acordo inenarrável para qualquer pessoa com dois dedos de testa. Aliás, enquanto a UGT tentava justificar o injustificável com o memorando da Troika, que o partido do qual Proença faz parte assinou, o primeiro-ministro dizia que o acordo tinha ido além do memorando. Depois vieram os elogios dos comentadores do regime e dos patrões do governo.

Se é verdade que as atitudes de Proença e da UGT já não surpreendem, o facto de ainda haver trabalhadores que se vejam nelas representados é, para mim, um mistério.



*Publicado originalmente na edição de Fevereiro do Notícias de Matosinhos

terça-feira, fevereiro 07, 2012

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Do 8 ao 80 em 5Dias

Há 5Dias assim. Há 5 dias, o Renato e a Raquel davam como exemplo a plataforma 15O para a democracia mais pura, os amanhãs que cantavam para um Povo dividido entre precários, não precários, sindicalizados e não sindicalizados, onde a CGTP incorpora os demónios, ao que parece, porque os militantes do PCP são eleitos pelos seus pares para cargos de direcção na Intersindical

Ao que parece, a CGTP tem seguranças que não deixam as pessoas participarem livremente nas suas manifestações e ainda está de braço dado com os malvados polícias, fazendo cordões à volta de manifestantes que só na cabeça destas duas almas são indesejados.


No sábado, a plataforma 15O não repetiu os feitos anteriores no que respeita à mobilização. É assim que funciona quando a imprensa não nos leva ao colo ou passa 15 dias a falar sobre a coisa.

Curiosamente, no sábado ficámos a saber que a plataforma 15O também tem seguranças e, pasme-se, veda o acesso à manif a um conjunto de cidadãos com recurso aos malvados polícias. Entenda-se que fizeram bem. Eu também não estaria numa manifestação com fascistas, o que leva a duas perguntas:

Quem garante que nas outras manifs não estariam as mesmas pessoas, não identificadas, já que, pelo menos nas primeiras, não havia um fio condutor de linha política, uma alternativa ou um plano de acção claro e ideológico?



Agora que a plataforma 15O assumiu que tem seguranças e que recorre à polícia para circunscrever manifestantes a um espaço delimitado, qual será o argumento para atacar a CGTP, para além do PCP que, ao que parece, é um alvo crónico de um movimento tão agregador?

Na sexta, comentei o texto acima linkado avisando que “todos juntos, lado a lado, cada um com a sua política (e o seu pensamento) nas mãos. E se o logramos certamente também com uma garrafa de champagne, para celebrar a vitória" era uma afirmação perigosa. Todos é muita gente. Como se provou, cuspir para o ar em dias em que não há vento pode ser um problema.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Filhos da puta

Boa noite. Já aqui escrevi que, para mim, o que a sul do Mondego é um "palavrão", a norte é uma interjeição. "Filhos da puta" foi o que me saiu ontem quando soube do acordo de amigos que o sindicato dos patrões, a UGT, assinou ontem com o governo e os outros sindicatos dos patrões, a CIP e os latifundiários, perdão, os representantes dos patrões dos agricultores, que latifundiário é coisa de comuna.

A UGT vendeu, mais uma vez, os direitos mais básicos dos trabalhadores. O direito ao descanso, à estabilidade laboral, à negociação colectiva, abriu porta à arbitrariedade dos patrões na decisão da vida de cada um de nós. Sim, patrões. Empregadores o caralho, é que são empregadores. São patrões, tanto como eu sou trabalhador e não sou colaborador.

Uma central que se afirma sindical e que assina um pré-aviso como o que podem ver no post abaixo, não pode refugiar-se no acordo com a troika, assinado pelo PS, PSD e CDS, que prometeu combater. Passos Coelho afirmou, na altura da assinatura, que tinham sido mais ambiciosos e ido mais além do que estava previsto no memorando. Filhos da puta.

Vários dos pontos assinados são quase inacreditáveis. Os bancos de horas aplicados aos trabalhadores agrícolas, que os levará a trabalhar de sol a sol, como há 100 anos. A sustentabilidade da Segurança Social, que nos obriga a trabalhar cada vez mais, mas que vai pagar parte do salário que cada trabalhador tem direito a receber. A redução dos dias de férias, de 25 para 22 dias, tirando as pontes que patrões entendam fazer. Aqui, convém lembrar que o aumento de 22 para 25 dias de férias surgiu precisamente porque os patrões não quiseram pagar prémios de assiduidade: quiseram "dar" os dias de férias. A abertura aos despedimentos arbitrários. A redução no pagamento das horas extraordinárias, enfim, tudo o que consta naquelas 52 páginas, tão filhas da puta.

Evidentemente, a luta sairá à rua e será mais contundente, cada vez mais contundente. Até ao derrube do último filho da puta que acha que fala em nome dos trabalhadores ao lado dos patrões.

Para o amigo Proença, as coisas não são más. Que pouca ou nenhuma vergonha este senhor tem na cara, já pouca gente teria dúvidas. Espanta-me, porém, que ainda haja sindicatos que fazem parte daquela espécie de associação de amigos.

Assim, lanço o humilde apelo aos trabalhadores dos seguintes sindicatos, para que tenham coragem e se desvinculem de quem não os defende e tinha obrigação de o fazer. Confiram a lista e façam a única coisa que é aceitável fazer: "partir a espinha à UGT".

FEBASE - Federação do Sector Financeiro
FE - Federação dos Engenheiros
FETESE – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços
FNE - Federação Nacional da Educação
FNSTP - Federação Nacional Dos Sindicatos Dos Trabalhadores Portuários
FENSIQ – Confederação Nacional de Sindicatos de Quadros
ANTF - Associação Nacional dos Treinadores de Futebol
BANCA DOS CASINOS - Sindicato Profissionais de Banca dos Casinos
SBC - Sindicato dos Bancários do Centro
SBN - Sindicato dos Bancários do Norte
SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas
SDPA - Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
SE - Sindicato dos Enfermeiros
SE - Sindicato dos Economistas
SEMM - Sindicato dos Engenheiros Marinha Mercante
SETAA - Sindicato da Agricultura, Alimentação e Florestas
SETACCOP - Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços Afins
SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculos
SINAFE - Sindicato Nacional Ferroviários do Movimento e Afins
SINAPE - Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação
SINCOMAR - Sindicato dos Capitães Oficiais da Marinha Mercante
SINDAV – Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Aeroportos e Aviação
SINDCES - Sindicato Democrático do Comércio, Escritórios e Serviços
SINDEFER – Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia
SINDEL - Sindicato Nacional da Indústria e da Energia
SINDEP - Sindicato Nacional e Democrático dos Professores
SINDEPESCAS - Sindicato Democrático das Pescas
SINDEQ - Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxteis e Indústrias Diversas
SINDESCOM - Sindicato dos Profissionais de Escritório, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos das Ilhas de S. Miguel e Santa Maria
SINDETELCO - Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Média
SINDITE - Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica
SINFA - Sindicato Nacional de Ferroviários e Afins
SINFESE - Sindicato Nacional dos Ferroviários Administrativos, Técnicos e de Serviços
SINTABA/AÇORES - Sindicato dos Trabalhadores Agro-Alimentares da Região Autónoma dos Açores
SINTAP - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos
SINTICAVS - Sindicato Nac. Trab. Ind. Cerâmicas, Cimento, Abrasivos, Vidro e Similares
SISEP - Sindicato dos Profissionais de Seguros de Portugal
SITEMA - Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronaves
SITEMAQ - Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra
SITESC - Sindicato dos Quadros, Técnicos Administrativos, Serviços e Novas Tecnologias
SITESE - Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços
SITRA - Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes
SMAV - Sindicato dos Meios Audiovisuais
SMMCMM - Sindicato da Mestrança e Marinhagem de Câmaras da Marinha Mercante
SNATTI - Sindicato Nacional das Actividades Turísticas Tradutores e Intérpretes
SNEET - Sindicato Nacional dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos
SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil
SOEMMM - Sindicato dos Oficiais e Engenheiros Maquinistas da Marinha Mercante
SPCL - Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas
SPZC - Sindicato dos Professores da Zona Centro
SPZN - Sindicato dos Professores da Zona Norte
SQAC - Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial
STAS - Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora
STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Público
STECAH - Sindicato dos Trabalhadores de Escritório e Comércio de Angra do Heroísmo
STVSIH - Sindicato dos Técnicos Vendas do Sul e Ilhas
UGT/PESCAS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector das Pescas


terça-feira, janeiro 17, 2012

UGT, Mário Crespo e Arménio Carlos

Parte 1: Arménio Carlos, da CGTP, dá uma tareia a Mário Crespo.





Aqui, o que a UGT assinou como pré-aviso da Greve Geral.


Comparar com o que esta central "sindical" assinou ontem:
1 - Indemnizações descem em Novembro
2 - Cortes alargados a casos de justa causa pelo trabalhador
3 - Fundo no final do ano
4 - Menos férias só a partir de 2013
5 - ‘Pontes' podem implicar fecho da empresa ou perda de salário
6 - Cortes nas horas extra
7 - Subsídio pode acumular com salário
8 - Subsídio para "recibos verdes" pode atrasar

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Cinco ‘tiros’ na unanimidade

Texto publicado no Facebook do Movimento por Leça e da responsabilidade do mesmo, que subscrevo na íntegra.


A Assembleia Municipal de 12 de Janeiro de 2012, na Câmara de Matosinhos, tinha tudo para ser histórica. Ficou lá perto, e deixou história para contar…

Primeiro ‘tiro’

Com a iminente realização da Assembleia Municipal convocada para apreciação, discussão e votação de uma deliberação da Assembleia sobre o Eixo 2 do Documento Verde da Reforma da Administração Local, proposto pelo Governo português, entendeu o presidente da Assembleia Municipal, sensibilizado para o efeito e sensível à sugestão, auscultar este Movimento de cidadãos e suprapartidário num encontro que permitiu a todas as partes empenhadas na defesa das Freguesias do concelho acertassem a redacção final de um documento que, foi-nos dito, seria aprovado unanimemente pelas forças partidárias representadas no arco parlamentar local.

O senhor presidente da Assembleia Municipal também fez saber que tentou incluir, infrutiferamente, representantes de um movimento de cidadãos da Freguesia de Guifões, reconhecendo, por outro lado, e no que respeita ao Movimento Por Leça, o dinamismo que este mesmo Movimento tem exibido na defesa da sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira.

A forma tão activa como o MPL está empenhado desde a primeira hora de vida nesta questão, esforço, fundamentou, portanto, a participação deste Movimento numa reunião onde, e obviamente, ao MPL não poderia ser solicitado algo mais que considerações ou propostas acerca do documento a sufragar pelos deputados da Assembleia Municipal.

Com mais ponto ou menos vírgula, o texto da deliberação reuniu aspectos vitais à defesa de Leça da Palmeira (e de todas as freguesias do concelho), principalmente no ponto 9 das deliberações: «Considerar que, face à dimensão territorial e populacional do concelho de Matosinhos, o número de freguesias actualmente existente é o que melhor serve os interesses da população e a prestação do serviço público;».

Pouco mais à frente no documento, outro ponto de vista interessante, apelativo, denunciador de uma vontade de elevar a importância dos cidadãos acima de tudo na discussão das vidas de todos nós, saltou à vista. «12.º - Não participar em qualquer processo conducente à eliminação de freguesias do concelho de Matosinhos sem que, previamente, qualquer modelo de reforma do Poder Local obedeça ao princípio democrático da consulta popular e de participação de toda a população;».

Ora, estes e todos os pontos, e todas as vírgulas, e todas as palavras, enfim, todo o conteúdo do documento mereceu o mais concordante dos sins nessa reunião, e sem novidade ou surpresa, do ponto de vista dos políticos presentes, pois todos estavam já mais que a par do conteúdo do documento e das vontades expressas no mesmo.

Só o MPL não sabia o que lá estava, mas foi-nos facultado acesso prévio e a possibilidade de intervirmos antes de ser formalizada a redacção final da deliberação, preparada, naturalmente, com o contributo de todas as forças partidárias actuantes na Assembleia Municipal.

Do gesto do senhor presidente da Assembleia Municipal para com o MPL, não se cansa o Movimento de dizer: registámos, com um aplauso e um sentido elogio, a atitude demonstrativa de uma visão muito mais madura de quem também está à frente de uma equipa, na qual confia cegamente, e bem, mas não menospreza outros argumentos contributivos a uma discussão, a uma preocupação, a um combate que não é exclusivo dos políticos. No gesto do senhor presidente da Assembleia Municipal ficou, para nós um assinalável exemplo, porque ouvir ‘forças vivas’ é também ouvir os cidadãos de todas as formas possíveis, ou seja, para lá das Assembleias destinadas a esse efeito e onde o público apenas pode intervir uma única vez.

A reunião foi ainda um momento para o Movimento Por Leça reparar sem esforço numa pequenina diferença do tamanho do Mundo entre a vontade expressa na Deliberação da Assembleia Municipal e a convergência de ideias explanada e aprovada por unanimidade, ainda em 2011, em documento do mesmo carácter, mas pela Assembleia de Freguesia de Leça da Palmeira: um derrame de fundamentações que, essencialmente, apontava a uma inversão de posições - Leça da Palmeira passaria a ser freguesia agregadora, em vez de agregada. 

«Isso é passado», disse-nos o senhor presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, também presente nesse encontro. Efectivamente, tinha razão, «isso é passado». Felizmente, tinha razão, «isso é passado».

Mas o passado é o que faz a memória de todos, e a memória, viva, fresca, é o reservatório dos exemplos do que queremos e não queremos para o futuro. O presente oferece-nos a possibilidade de interferirmos com o nosso destino, que desejamos ser o da sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira, acima de todos e quaisquer interesses políticos, ainda assim, sem rejeitarmos que esses mesmos interesses devem concorrer unidos neste combate, mas há ilusão neste pormenor, como tão bem nos demonstrou a última Assembleia Municipal.

A admissão, pelos deputados do concelho, em subscreverem de forma unânime um não redondo e sonoro à extinção de quaisquer freguesias no município, e que fora comunicada ao MPL pelo senhor presidente da Assembleia Municipal na reunião prévia, foi cinzelada à última hora e amputada de cinco vozes a favor, o mesmo número de abstenções recolhidas na votação, todas pertencentes à mesma bancada: a do PSD.

A Deliberação municipal foi aprovada sem votos contra e por uma maioria onde cabe o senhor presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, que acertou ao juntar-se a todos os que validaram a ideia de o município estar contra a extinção de qualquer uma das suas freguesias. Uma Deliberação que também é um ‘tiro’ na posição mais local e aprovada de forma unânime, a tal que, concordamos em absoluto e com grande satisfação, é passado.

Olhando a passado, presente e futuro, o Movimento Por Leça segue instalado no seu propósito original: defender a sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira. Somos um grupo de cidadãos que não se apresenta estanque em número de integrantes, que é suprapartidário e que procura, mesmo com recursos limitadíssimos, estar ao lado de todos os que têm os meios e poder institucional para exercer a luta por Leça da Palmeira, como é, precisamente, o caso do Executivo da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, do qual também já recolhemos elogios e ao qual também endossamos elogios sempre que as posições convergem.

A união de todos os leceiros nesta causa é utópica. Não acreditamos que todos os leceiros estejam do mesmo lado relativamente a esta matéria, mas fazemos por lutar por nós e pelos muitos e muitos que desejam a sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira – e aí pensamos integrar uma maioria. Neste universo, há um saudável mosaico de ideias e de ideais, uma disparidade de pensamentos que pode e deve ser aplicada na busca de um objectivo comum a todos, tão comum quanto a imperfeição a que ninguém pode fugir.

SOMOS LEÇA!

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Cobardia em Matosinhos - Dos Guilhermes ao PSD

cobarde
(francês couard)

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem recua ante o perigo ou o medo.

2. Que ou quem agride à traição.

3. Que ou quem é valente com os mais fracos.

4. [Figurado]  Tímido, acanhado.


Sinónimo Geral: COVARDE
in Priberam

Na noite de 12 de Janeiro foi dia - reparai na classe da antítese - de mais uma Assembleia Municipal em Matosinhos, desta vez para discutir a extinção das freguesias, Leça da Palmeira e Guifões, no caso. O propósito da AM era a aprovação de uma deliberação, por unanimidade, que rejeitava a aplicação do Eixo 2 do Documento verde ao concelho de Matosinhos. Na elaboração de documento participaram todos os partidos e um movimento de cidadãos, o Movimento Por Leça.


Cobardia I
Pretendia-se, assim, transmitir a ideia de unidade em torno de uma questão fulcral para as Freguesias. No entanto, numa verdadeira cambalhota à retaguarda, com mortal encarpado, o PSD de Matosinhos decidiu abster-se. Abster-se num documento que os próprios deputados municipais ajudaram a elaborar. Enquanto se preparava a votação, Guilherme Aguiar, do PSD, que chegou mais de uma hora depois do início da sessão, surgiu com um colar cervical, mas nem isso serviu para endireitar-lhe a espinha: depois do episódio do solitário, divulgado aqui no blog, estava tranquilamente a ler o jornal. Percebe-se. Afinal, o vereador da Câmara Municipal de Matosinhos precisa das senhas de presença para abastecer o carro da autarquia em que se desloca, todas as segundas-feiras, para Lisboa, onde vai debitar umas opiniões sobre futebol.


Cobardia II 
No período aberto à intervenção do público, referi que um dos motivos para as cadeiras da autarquia não estarem cheias de munícipes, tinha a ver com o descrédito do Poder Local, que é visto como um espaço de mais uns tachos, amiguismo e compadrio e que a Câmara Municipal de Matosinhos não é inocente perante este facto. Ora, o presidente Guilherme Pinto tomou as dores de ofendido e acusou-me, umas quatro ou cinco vezes, de cobardia, porque não concretizei o que disse com nomes e com factos. Note-se aqui a anuência do presidente da Assembleia Municipal, que permitiu este tipo de linguagem ao presidente da CMM, pelo que, certamente, aceitará termos semelhantes que qualquer munícipe utilize em sessões futuras. Da minha parte, aviso já que irei utilizá-los.

Cobardia III
Ora, o presidente da CMM sabe que os munícipes têm cinco minutos para intervir e não têm direito ao contraditório na AM, pelo que não poderia aprofundar o que disse. No entanto, fica a promessa que, nos próximos dias, irei concretizar aquilo que afirmei na AM. Mais à frente, para surpresa de todos, o mesmo Guilherme Pinto, revelou que o governo está a preparar a fusão da administração dos portos do país e que até já tinha ouvido alguns nomes. No entanto, não concretizou, o cobarde. Não falou em nomes nem em factos.



Cobardia IV
Voltando à deliberação da AM, não gabo a sorte do PSD de Leça da Palmeira e de Guifões, que serão trucidados, e bem, em próximas sessões das Assembleias de Freguesias respectivas. No lugar deles, eu sei o que faria, mas isso sou eu.