«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos»
José Saramago - Cadernos de Lanzarote
Na tarde de ontem foram detidos oito membros dos Bukaneros, claque do Rayo Vallekano. Depois do episódio de Alfon, a repressão e a intimidação voltaram à carga. A explicação é simples: as enormes manifestações de 23 de Fevereiro, por todo o reino de Espanha, voltaram a assustar o poder e, como tal, é preciso reprimir e assustar todos os movimentos sociais, onde se incluem os Bukaneros, que são muito mais que uma claque, como pode ver-se na imagem.
A República de Vallekas resistirá a mais este ataque. E nós devemos estar atentos e solidários. É que Espanha é já aqui ao lado...
LA VIDA PIRATA ES LA VIDA MEJOR!
(A PARTIR DOS 2.40)
La vida pirata es la vida mejor (bis) sin trabajar (bis) sin estudiar (bis) Con la botella de ron (bis) Soy capitán (bis) del Santa Ines (bis) y en cada puerto tengo una mujer (bis) la rubia es (bis) fenomenal (bis) y la morena tampoco esta mal (bis) Las inglesas con su seriedad (bis) Y las francesas que todo lo dan (bis) Si alguna vez (bis) me he de casar (bis) Con la del RAYO, una, una y no más (bis)
Os Bukaneros mantêm uma luta constantecontra o futebol-negócio, o preço dos bilhetes, os jogos disputado a dias da semana e a horas impróprias. A direcção - que daqui para a frente não terá a vida facilitada em Vallekas -, pelos vistos, voltou as costas aos adeptos. E em Vallekas, um são todos.
Parece que há (outro) ditador em Matosinhos. Esta carta anónima, em papel timbrado da autarquia, está a circular na internet e fora dela. O nome de Guilherme Pinto surge associado ao senhor Ricardo Teixeira, também conhecido por "Brutumatulão", de acordo com a carta. "Façam queixa", pede-se na carta, depois de, há uns dias um trabalhador ter sofrido um acidente vascular cerebral após uma discussão com a figura. O trabalhador em causa encontrava-se já no sistema de "serviços melhorados", por questões de saúde, tendo recentemente sido enviado para a cave da Biblioteca de Matosinhos para arrumar livros - de referir que não é a primeira vez que um trabalhador recebe este tipo de tratamento. Fê-lo, ao que parece, e Ricardo Teixeira terá entrado na cave e voltado a atirar todos os livros para o chão, dizendo ao trabalhador para voltar a arrumá-los, o que motivou a discussão que originou o avc. A carta:
Parece que os protestos dos últimos dias deixaram muita gente incomodada. Gente da direita no poder, pois claro e por motivos óbvios, e da direita que não está no poder, como Francisco Assis e Augusto Santos Silva, a que se juntam fazedores de opinião independentes. Tão independentes como Marques Mendes, Carlos Abreu Amorim, Silva Pereira, Lobo Xavier, Marcelo. Todos descomprometidos com o poder. Consta que não é aceitável, legítimo, democrático, um atentado à liberdade de expressão. Um mau exemplo, ao que parece, que os dois últimos protestos não foram realizados em locais apropriados. Parece que o melhor Povo do mundo passou a ser, outra vez, como nos anos da governação de Sócrates, o PCP. Percebe-se o incómodo de Santos Silva, o que gosta de malhar na esquerda, no PCP, e de Assis, ex-líder parlamentar do PS. Eles próprios viram do que o melhor Povo do mundo é capaz e saíram, entregando o país ao PSD-CDS e FMI, três dias depois de os banqueiros terem dito que era preciso "ajuda" externa. Eles assinaram o memorando, PSD e CDS colocaram-no pior do que já era. E continuam sem perceber que o melhor Povo do mundo já não aguenta mais, ao contrário do que diz o amigo Ulrich. Por um lado, o PSD já teve a sua Beatriz Talejón em Duarte Marques - dois farsolas - que se até se manifestou aquando da "Geração à Rasca". Era preciso sair à rua com os jovens. No ano passado, a foi a vez de a Juventude Socialista sair à rua, na primeira manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika. É também a isto que deve chamar-se alternância democrática, em versão protesto.
Sejamos objectivos: a constante desvalorização das enormes manifestações que se verificaram em Portugal nos últimos anos levam a lutas mais contundentes. O que ouvíamos do governo do PS é o mesmo que ouvimos do governo PSD-CDS. "As manifestações são um direito democrático", ponto. É isto que retiram de milhares de pessoas que se manifestam. Mas prosseguem o saque.
O Povo não quer esta política nem este governo. E podem apresentar as sondagens que quiserem. Façam sondagens à porta dos centro de emprego. Façam uma com os milhares de jovens e não só que estão desempregados, com os que emigraram, com os trabalhadores precários, com quem viu a sua reforma roubada, com os que viram as suas pensões reduzidas, com os que não podem pagar taxas moderadoras, com os pais das crianças que desmaiam com fome, com todos os que sofrem com o caminho de miséria para onde aquela gente nos empurra. Com a posição demonstrada por Assis e Santos Silva, o PS prova que aprendeu nada. Distanciar-se destes protestos mostra que continua a não ser alternativa e apenas alternância. E alguns incomodam-se mesmo com a Grândola. Talvez porque saibam que Zeca Afonso tinha intervenção política na música e fora dela e que, hoje, o que fazem os que protestam não é homenageá-lo, é defendê-lo. Para que viva. Para que viva sempre.
Fica um excerto da entrevista de Zeca Afonso à RTP, em 1984, tão actual. E é também por isto que o Zeca os assusta tanto:
"Os jovens, e eu digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles - que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que agora estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, não só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos, o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade.
Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos, nós refiro-me à minha geração, de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos, é, de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus-banqueiro que é imposta aos jovens de hoje. Tal como nós, eles têm que a combater, que a destruir, que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente que não é, com certeza - estou convencido - a sociedade de hoje".
Ontem à noite, Miguel Relvas foi ao Clube dos Pensadores e aconteceu o que qualquer pessoa previria. Um protesto, com direito a Grândola. Pausa. Parece que há muita gente a quem incomoda que a Grândola seja cantada em alguns sítios, seja na AR, seja numa Assembleia Municipal, seja onde for. A mim deixa-me que se volte a cantar a Grândola com a mesma força, com a mesma convicção com que há anos não se via. Continuando. O protesto era previsível e o moderador devia estar preparado para isso. Da mesma forma que mostrou serenidade quando houve uma ameaça de bomba noutra edição do Clube dos Pensadores, deveria tê-lo feito agora. Mas não.
E, num instante, o Clube dos Pensadores deixou de ser um espaço para a "sociedade Civil", seja isso o que for, e passou a ser um "espaço privado onde não há direitos".
Perdeu a cabeça ao lado de um ministro podre, fraco, sem espinha e proporcionou-nos este episódio:
(clica na imagem para ver e ouvir o vídeo - cuidado com o volume)
Joaquim Jorge estava mal preparado para o que previsivelmente seria o debate. Resta saber se o seu nervosismo teria a ver com estar a jogar em casa daquele que apoia e de cuja comissão de honra faz parte para a candidatura à Câmara do Porto. E mais: se alguém pode falar de Gaia, é ele. E o resto são cantigas.
Como bónus, abaixo, fica esta grande peça da TVI, para mim a melhor da noite, que mostra o ministro Relvas, o primeiro português da história a tentar relinchar a Grândola.
Passos ouviu, de cabeça baixa, engasgou-se e passou à frente. O Povo cantou, de cabeça erguida.
Amanhã há luta e continua no dia 2 de Março.
Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!
Esta manhã mais de 40 pessoas intervieram na Assembleia da
República, a meio da Sessão Plenária, cantando “Grândola, Vila Morena”
durante a intervenção do primeiro-ministro.
Esta acção de protesto levou
para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado
que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este
governo e a troika internacional colocaram este país, em queda livre com
o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3%!
O
protesto apela à participação nas próximas manifestações de dia 16 de
Fevereiro, assim como a manifestação de dia 2 de Março em todo o país,
sob o lema “Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!”.
Com mais de um milhão de desempregados, uma recessão profunda e
todas as previsões de governo e troika mais uma vez falhadas, para pior,
hoje levou-se ao Parlamento o descontentamento popular. A música de
José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se
legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é
necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do
povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país.
A mobilização popular é urgente para mudar o rumo de destruição e de
austeridade que foi escolhido por governo e troika. Apelamos à
participação nos grandes protestos que se avizinham, quer já amanhã no
Príncipe Real, que no próximo dia 2 de Março em todo o país e no
estrangeiro. A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da
nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego,
com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as
organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos,
partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a
nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!
Beatriz Talegón tornou-se viral na internet com o vídeo abaixo e fez feliz uma série de gente. Uma série de verdades ditas por alguém do PSOE que deviam fazer corar de vergonha qualquer partido que tenha estado na reunião da Internacional "socialista".
Confesso que o que mais me fez pensar no discurso de Beatriz foi o que leva alguém a estar num partido que pratica o contrário do que um militante defende. Entendamos: há sempre espaço para divergências dentro dos partidos. Há no qual milito e, creio, haverá também nos outros. Mas há questões de fundo, de princípio de que não abdico. E, como tal, não percebo a Beatriz. Como poderia eu estar, por exemplo, num partido que defende na opinião pública o aumento do salário mínimo mas que, no Parlamento, na casa da Democracia, rejeita duas propostas nesse sentido, considerando-as demagogas e populistas?
Falo agora directamente para a Beatriz, que é quase da minha idade e fala como se fosse minha camarada - e ela não há-de importar-se, que não me lerá. Não podemos defender o que não praticamos. Podemos. Afinal podemos. Mas isso é o PSOE, como cá é o PS. E se a tua prática não vai além das palavras - do que agora se chama, pomposamente, soundbites - então, estás no lugar certo. Já sabemos que estiveste no Parlamento Europeu, onde ganhavas 3.000 euros por mês, se dividirmos o teu salário global por 14 meses. E bem. Todos pudessem ganhar o mesmo. Mas eras funcionária do PSOE e, daqui, podemos tirar duas confusões: uma, demonstraste uma coragem notável ao afrontar assim o teu patrão. Outra, foste na onda dos soundbites e criaste um fait-diver. Daqueles para enganar, dos que faz um partido parecer aquilo que não é aos olhos dos mais incautos. E dos que dão mau nome aos partidos, daqueles existem para servir e não para servir-se
O que te pede o teu ex-colega é apenas que sejas consequente. Que, como dizes no texto, deixes o hotel de 5 estrelas e te juntes à rua com os cidadadãos que sofrem, no teu país como no meu, com as políticas levadas a cabo pelo teu partido e pelo seu partido-irmão, aqui em Portugal. Estamos sempre a tempo de mudar. Eu serei o primeiro a fazê-lo se o meu Partido deixar de ser aquilo que é.
O circo autárquico já começou em Matosinhos. À semelhança do que sucedeu em 2009, o PS apresenta-se com duas candidaturas, uma oficiosa e outra oficial, que teve o seu pontapé de saída no sábado, na Casa dos Pascadores, com António Parada a lançar a candidatura -sem a presença de Seguro, como havia sido amplamente difundido cá na terra. No mesmo dia, Guilherme Pinto ocupa a manchete do Jornal de Notícias e anuncia a sua candidatura como "independente". Mas para falar disto teremos tempo mais à frente. Alertado pelo blog Conversas de Matosinhos, dou de caras com uma imagem que, quem não conhecer o local, até acredita.
Na mais recente edição da revista oficial da Câmara Municipal de Matosinhos, temos uma imagem da famosa rampa do Hospital Pedro Hispano. A rampa original faz correr tinta desde que as consultas externas passaram a ter lugar no referido hospital. Com uma inclinação de 10%, torna-se penoso para quem tem de fazê-la a pé, particularmente idosos ou pessoas com mobilidade reduzida. Com um toque de mágica, Guilherme Pinto resolveu o problema, ora vejamos:
Basicamente, Guilherme Pinto transformou em minutos e com recurso a um computador aquilo que não teve competência suficiente para resolver em quatro anos. Fosse tudo assim tão fácil...
Na semana passada, o PS de Matosinhos voltou a ser notícia na comunicação social. Muito por culpa do candidato do PS à autarquia matosinhense, que diz que parece que disse uma coisa, mas não disse, mas afinal disse mesmo, como se vê no vídeo abaixo, disponibilizado pelo blog Aventar.
Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas. Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso. Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional". Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o então ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundos nas lista do PS às Europeias de 2004. Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis". Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera
Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se: "2. Delibere, desde já, em face das conclusões do
presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de
responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel
Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS
aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas." A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências. E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente. Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:
8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota,
pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto
com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais
responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António
Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu
afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se
encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido.
"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido
de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada
ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota,
o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para
uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos." "(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos
de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais
uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem
ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil
e injuriosa para Narciso Miranda." "Do conteúdo revelador das declarações então
prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de
Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a
fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças
a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a
concelhia de Matosinhos do partido" "4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador
da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras
externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o
Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito
comportamento impetuoso:" "Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos,
proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da
sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador
da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são
imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António
Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos
de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da
sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua
exclusão do PS." O tempopassou e, desde então, muita coisa mudou:
Narciso Miranda foi expulso do PS após a candidatura "independente" à CM Matosinhos;
Guilherme Pinto é presidente da CM Matosinhos e, não sendo o candidato oficial do PS, se não avançar como "independente", tem à espera a cadeira que preferir, seja no Parlamento Europeu ou na Assembleia da República;
António Parada é o presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos desde 2005 e candidato do PS à CM Matosinhos;
Francisco Assis é deputado e foi líder parlamentar do PS na era Sócrates ;
Manuel Seabra foi chefe de gabinete de António Costa na CM Lisboa e é actualmente deputado na AR.
Com o previsível avanço de António Costa para a liderança do PS, mais cedo ou mais tarde, caso este ocorra antes das Autárquicas de Outubro, é previsível que as lutas internas se reacendam em vários concelhos do país, com especial relevo para Matosinhos. Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, perdeu identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.
Depois do que foi dito e escrito em vários blogues e, hoje, nas páginas do Correio da Manhã, cai por terra a teoria dos acólitos de António Parada - relembro, candidato do PS oficial à Câmara Municipal de Matosinhos e actual presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos - que dizia que foi tudo descontextualizado. Surge agora um novo vídeo, de 13 de Maio de 2012, em S. Mamede de Infesta, onde, a partir dos 17 minutos, toda a sua opinião sobre a escolaridade obrigatória é novamente clarificada. Para quem tivesse dúvidas. Relembremos: António Parada defende que há "doutores a mais" mas foi tirar uma licenciatura aos 45 anos, que concluiu em 2012. Confesso que me faltam palavras para descrever o ridículo da situação. Não se percebe para que foi fazê-lo, quando há falta de moços de trolha e carpinteiros, e, segundo diz, médicos a mais.
E não esqueçamos: namorar, só a partir dos 18.
Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar.
Actualização da tarde
Conforme previsto, o vídeo desapareceu. O facto de ter escrito ali em cima"Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar", não foi por acaso. O motivo que me levou a fazê-lo foi conhecer o proprietário da conta, que é apoiante de António Parada de uma das freguesias de Matosinhos.
Resta saber o seguinte: o Carlos Alberto tem vergonha do que defende o seu candidato ou não quer que se saiba o que ele defende?
II Actualização da tarde
Por coincidência, o vídeo voltou a estar disponível depois de, no Facebook, ter questionado o autor do mesmo sobre o facto de ele ter desaparecido.
Que o PS de Matosinhos está longe de ser flor que se cheire, todos sabemos. Que a decadência do concelho, a todos os níveis, é constante, também sabemos. Não vale a pena recordar as guerras internas: Manuel Seabra, Narciso Miranda, Guilherme Pinto, António Parada, Nuno Oliveira. Desta vez, António Parada, um dos cabeças de lista de um dos PS de Matosinhos, tornou-se fenómeno de popularidade no Facebook, à semelhança do que já sucedera com Guilherme Aguiar - do PSD, que será candidato à CM de Gaia - mas por outros motivos. Guilherme Aguiar estava a jogar solitário durante uma Assembleia Municipal onde se discutia a extinção de freguesias.
Parada - actual presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos - estava num evento repleto de acéfalos e recebeu muitos aplausos por defender o "fim da escolaridade obrigatória". Mais: o candidato do acha que "os jovens devem ser apoiados pelo Estado, apoiar aqueles que têm aproveitamento. Aqueles que não têm, aos 14 anos é mandá-los trabalhar".
Esta postura medieval do candidato do PS (oficial) é ainda mais incompreensível quando o próprio concluiu a licenciatura... no ano passado. António Parada é agora doutor António Parada, licenciado em Relações Internacionais e Ciência Política pela Universidade Fernando Pessoa.
Não sei se Parada teme a concorrência laboral - tanto como a partidária -, numa altura em que o desemprego atinge níveis vergonhosos em Matosinhos, onde o PS reina desde sempre na nossa história democrática. Parada não quer mais doutores, a menos que seja o próprio.
Parece-me, é que está definida a linha política que este candidato assumirá no que respeita à educação. Uma coisa é certa, António Parada é bastante eclético nas fotos que apresenta no seu site, e dá-se bem com uns...
Todos
os anos, sazonalmente, surgem estudos de época que visam apenas
legitimar ou, pelo menos, tirar o peso da consciência de determinados
actos. Por exemplo, no Verão, surgem estudos que dizem que uma cerveja por dia faz bem à saúde e que nem sequer engorda.
Lá mais para a Páscoa deverá sair outro a dizer que os doces beneficiam
os dentes bonitos. Ninguém sabe quem encomenda estes estudos. Mas a
impensa noticia-os como verdades. Hoje, surgiu um novo
estudo de época, bem mais grave do que todos os que visam acentuar o
consumo deste ou daquele produto numa determinada época.Parece que a fome melhora a memória.
Fome, que é uma coisa diferente de carências alimentares, segundo os
mandamentos da Madre Jonet. O estudo foi feito em moscas. Moscas, sim,
mas parece que pode aplicar-se a seres humanos e até será publicado na
revista Science. Há um senão: têm de estar sem comer mais de 20 horas, ou o efeito é inverso. Na
prática, quem quiser ter uma memória melhor, deverá estar sem comer,
pelo menos, 20 horas e 1 segundo. Este também é um estudo de época.
Vivemos em tempos de fome e miséria, ainda que alguns teimem em dizer
que é tudo normal, ou perguntem apenas "qual é a pressa"? Há cada vez
mais fome e cada vez mais miséria, e a tendência é acentuar-se. Novos pobres e novasformas de pobreza.
Os pobres que precisam de dizer aos filhos para venderem as senhas de
almoço para terem algum dinheiro e os pobres que precisam de comprá-las,
porque por meia-dúzia de cêntimos não têm direito a apoios sociais.
Depois deste estudo, fiquem descansadas as mais de 10.000 crianças que chegam à escola com fome,
porque lhes beneficia a memória. Há aquele detalhe de poderem desmaiar,
mas, pelo menos a história e geografia, terão boas notas. E saberão a
tabuada. Não tarda, estarão a decorar as linhas férreas das ex-colónias. Não
vou ao extremo de dizer que este estudo serve para legitimar opções
políticas. Tem pelo menos uma aplicação prática que poderá ser benéfica para todos. Ficar mais de 20 horas sem comer antes de votar. Vamos ver se ajuda mesmo a memória.
A Unicer é uma das empresas líder em Portugal, exporta para vários
mercados e tem tudo para continuar no bom caminho. No entanto, a entrada
em vigor do novo código laboral, com a simpatia da UGT, colocou os
trabalhadores em situação complicada. 2012 Em Agosto, aquando da entrada em vigor das alterações ao Código do
Trabalho, a empresa preparava-se para adoptar os novos valores de
remuneração do trabalho extraordinário. A Comissão de Trabalhadores
tomou então a iniciativa de pedir à comissão intersindical que agendasse
um plenário para discutir o assunto. Saiu o pedido de reunião urgente à
administração da empresa para esse mesmo dia, onde ficou acordado que a
Unicer pagaria o trabalho extraordinário pelo mesmo preço até ao fim do
ano. Negociação? Nesse compromisso, a empresa garantia também que iniciaria em
Setembro as negociações com os sindicatos com vista à renegociação do
Acordo Colectivo de Trabalho, uma vez que os sindicatos pretendiam
incluir pontos que menorizassem os efeitos das condições para
despedimento com justa causa previstas no código do trabalho. Apesar
disso, e dos vários contactos dos sindicatos, a administração nunca se
mostrou disponível e só em Dezembro deu a conhecer que pretendia abordar
alguns pontos. Assim,
os sindicatos reuniram o plenário no início do ano e os trabalhadores
decidiram aderir ao pré-aviso de greve decretado pela FESAHT. Laboração contínua Desde 3 de Janeiro que os trabalhadores estão em greve, não obstante as constantes pressões das chefias sobre os trabalhadores. Entretanto
a empresa partiu de forma agressiva com a “proposta” para os
trabalhadores em regime de laboração normal aderirem à laboração
continua, ameaçando de que quem não aceitasse seria encostado a um canto. Chantagem e ilegalidade Há duas semanas, em
reunião previamente marcada para negociação da tabela salarial para
2013, a empresa limitou-se a informar os sindicatos que suspendia todas
as negociações enquanto vigorasse a greve ao trabalho extraordinário, questionando
antecipadamente os trabalhadores quem iria fazer greve no fim-de-semana
seguinte, tendo contratado trabalhadores precários a uma empresa de
trabalho temporário para substituir os trabalhadores em greve. Novo plenário Realizou-se, então, um novo plenário, onde se condena a atitude da
empresa em pressionar os trabalhadores para abandonarem a greve sob
ameaça de não haver aumento salarial; a atitude dos responsáveis da
empresa em interpelar antecipadamente os trabalhadores acerca da adesão à
greve; a pressão no sentido de aderirem ao sistema de laboração
contínua sob ameaça de colocação na prateleira. A mesma moção determina
mandatar os sindicatos para que a suspensão da greve se verifique apenas
se a empresa repuser os pagamentos do trabalho extraordinário nos
moldes anteriores e mandata os sindicatos para que, numa situação de
inexistência de atitude diferente por parte da empresa, adoptem medidas
mais duras de luta que poderão passar pela greve às primeiras e ultimas
horas dos turnos. “Alô? É da administração”. Na sexta-feira passada semana, assistiu-se a um episódio
insólito, inédito e ilegal. Altos responsáveis da Unicer telefonaram
para os trabalhadores que nem sequer se encontravam nas instalações da
empresa dizendo-lhes para trabalharem no sábado seguinte. O CEO (estrangeirismo para patrão/administrador) da Unicer é Pires de Lima,
presidente do conselho nacional do CDS. CDS que, aproveito a
oportunidade, tem procurado passar por entre os pingos de chuva neste
Governo desastroso e desastrado que temos à frente do país. Pires de Lima, que anda tão preocupado com as fugas de informação no governo,
devia preocupar-se mais com a empresa que gere. Por exemplo, o que já
significa para a Unicer o custo com ex-SCUT e com as novas que por aí
virão, pela mão do governo do qual o seu partido faz parte.
Parece simples. Dá-se meia volta à chave e o rádio liga-se, numa
espécie de ritual diário que serve para fazer companhia até ao trabalho.
Sim, ainda tenho trabalho. A Antena 3 faz-me companhia até à hora das
notícias. No entanto, desde há uns anos que se tornou penoso fazê-lo e, se o
faço, é só mesmo porque o trabalho assim obriga. Ouço a TSF,
normalmente, e não há dia em que não haja uma relvice, uma declaração
estúpida de um secretário de Estado, de um ministro ou o anúncio de
novos cortes, sejam eles elaborados pelo FMI ou pelo governo. Hoje não foi excepção. E pouco tempo depois de PSD e CDS comprarem o
BANIF, à semelhança do que o PS havia feito com o BPN, o Negócios
apresenta-nos as propostas do FMI para reduzir a despesa em
4.000.000.000 de euros (peço desculpa por algum zero a mais ou a menos).
Estamos
a falar do mesmo FMI que, em Outubro do ano passado, chegou à conclusão
que a austeridade tem um efeito no PIB mais recessivo que o previsto. E, já agora, do mesmo FMI que, habituado a mandos e desmandos, se esqueceu de que - ainda - há por estas bandas uma Constituição.
É com este cuidado que os "especialistas" que têm no actual governo
PSD-CDS, com as abstenções violentas do PS, os cães de fila, gerem o
país. O que é proposto no mais recente estudo do FMI vai no sentido
de continuação da mais violenta agressão de que há memória ao povo
português. Para o FMI, o subsídio de desemprego continua a ser demasiado
longo e elevado, o despedimento de 50.000 professores e pessoal
auxiliar permitiria poupar 710 milhões, é necessário subir (outra vez e
ainda mais) as taxas moderadoras, alterar os sistemas de pensões dos
militares e polícias, aumentar as propinas no ensino superior, aumentar a
idade da reforma, retirar abonos, aumentar o horário de trabalho e
diminuir o valor das horas extraordinárias na função pública, diminuição
do salário mínimo na função pública, diminuir os subsídios de
maternidade e paternidade e acabar com o subsídio de morte. Por partes: O FMI considera que o subsídio de desemprego é
demasiado elevado (máximo de 1.045 euros mensais) e dura demasiado
tempo, pelo que o valor máximo deverá ser reduzido e, após 10 meses sem
trabalho, o desempregado passaria a ganhar o valor do subsídio social
(419,22) euros. O despedimento de 50.000 professores e auxiliares
far-se-ia através da sua colocação no regime de mobilidade e, após dois
anos nesse regime, o recurso ao despedimento. Ainda na educação, mas no ensino superior,
o FMI considera que fica mais barato o estado pagar a privados - e PS e
PSD sabem bem como o ensino privado pode ser de excelência. O FMI vai
mais longe e alarga a fórmula ao ensino básico e secundário. O FMI conclui também que há margem para subir mais as taxas moderadoras na saúde, por exemplo, dos actuais 20 euros cobrados nas urgência para 33,62 euros. Estes são apenas alguns dos pontos revelados hoje, ao longo de 11 longas e dolorosas páginas do Negócios. O ataque às funções essenciais do Estado está agora num novo patamar.
Independentemente de este estudo poder ser apenas para o governo dizer,
mais tarde, que não foi tão longe como o FMI queria, a verdade é que
estão aqui propostas gravíssimas para um povo que já não vive,
sobrevive, num país rasgado pela austeridade cega, pela miséria, pela
fome, empurrados para a indignidade por quem vê o país em folhas de
excel para depois vir recomendar-nos pão e água. O que está a suceder agora nos países do sul da Europa não é novo,
aconteceu no século passado na América Latina, com os resultados
desastrosos que são conhecidos. Um fosso astronómico entre ricos e
pobres, a desigualdade, as oligarquias. Por lá, os povos demoraram a
perceber que têm o poder nas mãos e assistimos a uma viragem à esquerda
em muitos dos países. Por cá, ainda estamos na fase de deixar bater no
fundo. Veremos o que querem os portugueses. É este povo que terá de escolher
o lado da barricada, quer em eleições, quer nas ruas. Não creio que
estejamos em tempo de andar a brincar às oposições ou, sequer, de
empurrar com a barriga a necessidade de eleições. Este governo tem de
sair já. A bem ou a mal.
Artigo 21.º Direito de resistência
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus
direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer
agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
Artigo 22.º Responsabilidade das entidades públicas
O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis,
em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou
agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções
e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos,
liberdades e garantias ou prejuízo para outrem. Constituição da República Portuguesa
Nesta Europa a andar para trás, os sinais de perseguição a quem divirja da ideologia dominante são cada vez mas alarmantes. A Greve Geral europeia de dia 14 de Novembro teve importantes acontecimentos em todos os países. Desta vez, vamos até Espanha, mais propriamente Vallekas, em Madrid, capital do reino espanhol.
Vallekas mantém ainda hoje as suas tradições antifascistas, num bairro com cerca de 300.000 habitantes. O bairro dos subúrbios madrilenos foi um importante espaço de resistência à ditadura de Franco, o que lhe valeu o apelido de "pequena Rússia". O orgulho de classe continua a ter uma marca profunda e tem o seu expoente nos adeptos do clube do bairro operário, o Rayo Vallecano. Os Bukaneros, claque do Rayo, são um grupo assumidamente antifascista e, na última Greve Geral, pagaram por isso. Como poderão ver nas imagens que ilustram o texto, os Bukaneros utilizam a curva, 'la grada', para enviar mensagens políticas e sociais, pelo que começam a ser incómodos para todos os poderes.
Espanha: estado opressor
Nos últimos tempos a repressão acentuou-se generalizadamente na Europa, particularmente no país vizinho. Das detenções arbitrárias no País Basco, às acusações de apologia ao terrorismo do poeta e rapper Pablo Hasel e do produtor Marc Hijo de Sam, que lhes valeram vários dias na prisão.
Na noite de 13 para 14 de Novembro, Alfonso Fernández, de 21 anos, saiu de casa com a namorada para participar num piquete de greve. Perto de casa foram ambos detidos e levados para uma esquadra sem motivo aparente. Seguiram-se interrogatórios por polícias de cara tapada, ameaças a familiares e, para surpresa do próprio, uma acusação de posse de explosivos, que pode resultar numa ena de prisão entre quatro e oito anos. E mais ameaças e pressão para uma autoconfissão.
Nas diligências efectuadas em casa de Alfon nada foi encontrado. Alfon serviu também de desculpa para uma invasão policial de um dos pontos onde os Bukaneros costumam reunir-se. E, mais uma vez, nada de incriminatório foi encontrado.
Acabar com os Bukaneros?
É convicção generalizada entreos membros dos Bukaneros que Alfon está a servir de bode expiatório para uma possível ilegalização do grupo de adeptos. Estes têm-se destacado na denúncia da corrupção do futebol moderno, contra os horários absurdos dos jogos do campeonato espanhol e os jogos do campeonato às quintas-feiras. Tudo a bem do interesse económico das televisões e das direcções dos clubes e contra o que o futebol deve ser: uma festa de adeptos para os adeptos.
Marcha proibida
Os Bukaneros, a IU, associações sindicais e movimentos sociais organizaram uma série de eventos de solidariedade, que culminariam com uma marcha, no dia 15 de Dezembro, até aos estabelecimento prisional onde está Alfon. A marcha foi considerada ilegal e acabou por não se realizar. Alfon estava proibido de efectuar telefonemas desde a quarta-feira anterior. Curiosamente, no sábado, a sua mãe recebeu um telefonema. Era Alfon. Avisava a sua mãe que, caso a marcha se realizasse, seria enviado para as Canárias... O direito de manifestação está ameaçado também em Espanha.
Alfon continua detido
Alfon está ainda hoje detido, em prisão preventiva. É o único detido em toda a Europa por eventos relacionados com a Greve Geral. Primeiro, devido a pressões de altas instâncias judiciais, o argumento utilizado era a possibilidade de fuga, que foi depois descartada. Agora, continua detido por, supostamente, ser uma ameaça à paz social. Todo o contacto que tem com familiares, amigos e mesmo advogados tem a presença de elementos policiais. O amigos que lhe escreveram para a cadeia estão a ser perseguidos e investigados pela polícia.
Silêncio mediático, UE calada
Parece incrível mas estamos a falar de um estado da União Europeia, que deveria ser o farol das liberdades e garantias dos seus cidadãos. Que não o é já todos sabemos. Só não estávamos habituados a que não o fosse tão descaradamente. Os media mainstream também não dão importância ao caso. Apenas blogs e redes sociais vão impedindo que este caso caia no esquecimento e que um jovem permaneça na cadeia por ter consciência de classe, por ser inconformado, por não se resignar.
Pablo Hasel, também ele ex-detido, fez este poema em homenagem a Alfon, onde consta também o testemunho da mãe do jovem.
Nos últimos tempos temos assistido a uma escalada de
violência miserável. No concelho de Matosinhos, os duelos entre irmãos
intensificam-se e ainda estamos a dez meses das eleições, com o trio
Narciso-Guilherme-Parada a semi-apresentarem-se como candidatos à presidência
da Câmara Municipal.
Narciso está mais ou menos resguardado, vai fazendo a sua
campanha estratégica de só aparecer quando interessa. Já Guilherme Pinto e António Parada
regressam a um registo que foi habitual no PS de Matosinhos e terminou
tragicamente na lota.
Nas últimas três grandes iniciativas do PS de Matosinhos,
seja o PS do actual presidente ou o PS do candidato Parada, o resultado foi
péssimo.
Nas eleições para a concelhia houve de tudo, desde a
vandalização de carros até insultos e outros mimos; seguiu-se a tristemente
célebre reunião de Guifões, que teve o seu auge com a agressão a uma jornalista
e a polícia no local para acalmar os nervos. Mais recentemente, um jantar de
apoio a Guilherme Pinto terminou também com confrontos e a presença da polícia.
A luta pelo poleiro anda quentinha, mas o concelho merece
melhor. Melhor que esta política, melhor que este tipo de política e melhor que
estes protagonistas.
*Publicado, originalmente, na edição de dezembro do Notícias de Matosinhos
Clica na imagempara ver a reportagem - Na imagem, a jovem tem 19 anos e um filho de 16 meses. Todas as noites percorre, com o filho, 16 contentores do lixo à procura de roupas.
Ontem a RTP fez serviço público. Esta reportagem de 40 minutos é o reflexo de um país a que fechamos os olhos. Eu obrigaria todos a verem esta reportagem. Querem fazer cidadania? Vejam esta reportagem. E pensem. Não consigo escrever ou descrever mais sobre o que vi ontem. A reportagem foi também ouvir Isabel Jonet. E cada um que tire as suas conclusões. Eu tirei as minhas e continuam a corroer-me por dentro:
Isabel Jonet: "Eu penso que é mais correcto falar-se em carências alimentares, porque há que relativizar até a situação que se passa nos países mais desenvolvidos e o que se passa nos países subdesenvolvidos, como África. E, portanto, temos que relativizar e falarem carências alimentares". Jornalista: "Mas estas mães que encontrámos nas escolas falam-nos em fome..." Isabel Jonet: "Pois, porque é tudo um olhar relativo sobre a situação que tinham previsto ter. Se for para África, há pessoas que não comem mais do que uma tigela de arroz por dia. De facto, esses têm fome. Há muitas famílias cá em Portugal que não têm uma refeição completa por dia. Há mutitos idosos, nomeadamente idosos, que vivem sozinhos, que não comem uma refeição completa todos os dias". Jornalista: "Mas isso não é fome..." Isabel Jonet:Isso não é fome. Mas são os idosos. No caso das crianças, todas aquelas crianças que podem ir às cantinas escolares ou que são apoiadas... que frequentam ATL, Instituições de Solidariedade Social, ATL, cheches, etc, é-lhes garantida uma refeição na, na , na insituição durante o dia. Muitas chegam a casa e já não jantam. Jornalista: "Mas isso é uma carência alimentar, não é fome..." Isabel Jonet: Não é. Eu acho que é uma carência alimentar.
Que me perdoe Gabo, que nem Soares é Bolívar, nem eu sou Gabo, mas o
labirinto em que Mário Soares se move é digno de um romance. É um
personagem dado a sentimentos extremos, de todos os quadrantes. Amado ou
odiado. Dentro e fora dos vários PS, entre o que levantou Alegre e o
que o apoiou com Sócrates. Soares tem debitado tudo o que lhe vem à
cabeça seja na página cheia de caracteres que tem no DN, seja em
entrevistas que, de vez em quando, vai dando por aí.
Nós temos esta coisa de condescender os mais velhos. Deve ser do
fado. A culpa é do fado. "Abaixo o fado", já dizia Vasco Santana, n'A
Canção de Lisboa. Nós temos, mas eu não gosto, nem condescendo. Soares
tem demasiadas responsabilidades para que possa fazê-lo.
Ontem voltou a dar cartas numa entrevista à TVI24 e o que fica não é
digno de quem foi Presidente da República durante dez anos,
Primeiro-ministro e deputado no Parlamento Europeu, e, mais que isso, de
alguém que terá combatido o fascismo de Salazar.
Dizer que "nem no tempo de Salazar viu tanta fome no país"
é mentiroso. E perigoso. Não perigoso no sentido em que pode incendiar
ainda mais os ânimos - para mim, o ponto de ruptura estará em 2013 -,
mas no sentido de banalizar aquilo que foi o regime de Salazar. Soares
acordou agora de um sono profundo da era Sócrates, em que os amanhãs
cantavam e o país prosperava, mas isso não pode dar-lhe o direito de
dizer tudo.
Não nos equivoquemos: eu tenho tanta simpatia por este governo como
Mário Soares. É, de facto, um governo criminoso, económica e
socialmente, a miséria é real e aprofunda-se diariamente. Hoje mesmo,
com a indemnização por despedimento a baixar para 12 dias por ano de
trabalho. Ou seja, quando se pretende baixar a despesa com as funções
sociais do Estado, empurram-se as pessoas para essa dependência.
Soares não se lembra de não haver gente sem dinheiro para o pão no
tempo de Salazar, como não se lembrará do que significou para o país a
entrada na UE e o fim de tudo o que era produção nacional. Mais grave,
Soares não se lembra de que era Primeiro-ministro nas duas anteriores
intervenções do FMI em Portugal, em 1977 e 1983. Na altura, como hoje, o
que existiu foram redução de salários, subida de impostos, cortes no subsídio de Natal, entre
outras medidas que hoje já não nos parecem estranhas. O que foi a fome
em todo o país e particularmente na península de Setúbal naqueles anos. Soares faz agora o papel de Alegre com Sócrates. A diferença é
que o PS não está no poder e não quer eleições, particularmente num ano
como 2013. Não quer porque tem Seguro e Seguro não é visto como um
líder, e António Costa, ao recandidatar-se a Lisboa, parece estar mais
interessado em ser Presidente da República do que líder do PS para
candidato a Primeiro-ministro; não quer porque é um ano de autárquicas e
as lutas internas pelo poder em cada quintal vêm ao de cima. Então, para que serve o palavreado de Soares se não é escutado dentro do seu próprio partido? Se é certo que temos de olhar em
frente, não podemos esquecer o que está para trás na história recente do
país. E os vários PS, incluindo o de Soares, não estão isentos de
culpas.
Soares está cansado e nós estamos cansados de Soares.