"Mas também acreditamos que não seja pela barriga vazia que possa haver ou não menor sucesso escolar".
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quinta-feira, março 21, 2013
Fome não afecta desempenho escolar
Do PS-Açores, que podia ser de outro PS qualquer:
"Mas também acreditamos que não seja pela barriga vazia que possa haver ou não menor sucesso escolar".
"Mas também acreditamos que não seja pela barriga vazia que possa haver ou não menor sucesso escolar".
quarta-feira, março 20, 2013
Obviamente, demitam-se.
O Aventar avançou com o Art.º 21 para esta iniciativa, que, conforme a citação de Vítor Gaspar, reúne consenso nacional. Demitam-se.
Percebei de uma vez por todas que não dá mais. Vós não tendes ponta por onde pegar, que não seja a ponta que vos pariu a todos. De Passos a Portas, de Relvas a Cristas, de Lambreta Soares a Crato, de Gaspar a Álvaro.
Ide e levai Belmiros e Ulrichs, Proenças, o homem das cartas do segundo partido mais votado, comentadores do regime, das inevitabilidades que só vêem na vida dos outros. Emiiiiiiiiigraaaai, adaptando Lopes Graça. Ide a bem, porque a mal será pior. E o trabalho que teremos a reconstruir tudo o que arrasaram será tremendo, enorme, colossal, mas não se compara ao trabalho que temos a tentar sobreviver-vos.
Ide, fazei como o outro. Ide estudar para longe, procurai emprego. Afinal, fartais-vos de anunciar apoios ao primeiro emprego.
Não precisais de dar explicações. Ide, só. Se for caso disso, ver-nos-emos em tribunal. Mas ide, por amor de deus, se nele acreditardes. E levai o caixão do Cavaco, ou o Palácio de Belém, ou lá como se chama o sítio onde vive o Cavaco das vacas e do papa. E do BPN.
Fazei um favor e permitam-nos escolher. Andamos há demasiados anos a escolher entre o mau e o pior. Agora será difícil escolher entre o mau e o pior, porque sois uma nódoa.
Ide e enviai saudades, que é coisa que cá não deixais.
terça-feira, março 19, 2013
Belmiro
Belmiro em campanha com Passos Coelho, nas legislativas.
"Um cretino é um cretino e um vintém é um vintém", reza a lenda que terá sido uma expressão de Manuel Machado, treinador de futebol, e aplica-se na totalidade a Belmiro Azevedo: é um cretino e paga em vinténs.
Para Belmiro não há emprego sem salários baixos, as manifestações são rituais carnavalescos e tudo e tudo.
Estamos a falar de um dos homens mais ricos do Mundo, que até consta na lista da Forbes, e é o maior empregador privado do país - talvez assim se expliquem algumas manchetes de ontem e hoje que fazem questão de dizer que no público se ganha mais do que no privado, comparando o incomparável. Porque o sector privado - ainda - não tem juízes, polícias, magistrados, diplomatas, etc. Pelo menos formalmente.
Já se levantam por aí vozes a defender a liberdade de expressão, e que o senhor enriqueceu à custa do seu trabalho. Os ingénuos do costume. Estes são crónicos, que se fodam. Não vou explicar-lhes que o facto de alguém subir na vida à custa do seu trabalho não lhe dá o direito de dizer tudo. Nem de impedir que outros, certamente trabalhadores que se empenham tão ou mais que ele, possam ter uma vida melhor.
Isto não é uma questão de perda de humanismo, como também se diz. Isto é um filho da puta que não merece o ar que respira.
Mas ele sabe do que fala. Os operadores de caixa que emprega sabem-no também, os dos call-centers da Optimus, os jornalistas do Público. Falo dos jornalistas e não dos comissários políticos que por lá andam.
Sabe do que fala porque sabe quanto ganha com cada um deles. Os trabalhadores sabem quanto perdem para que este filho da puta possa ter uma fortuna avaliada nos mil milhões de euros.
De tempos a tempos, o Continente participa nas recolhas do Banco Alimentar (olá, Jonet). E aqui entramos no campo da vergonha, ou da falta dela. Vivemos dias em que ter um emprego não garante a fuga à pobreza. Já terá passado pela cabeça deste filho da puta quantos dos trabalhadores a quem, na sua cabeça, faz o favor de dar emprego, têm de recorrer ao BA para que este senhor possa ter o que tem e ser o que é?
Noutro plano, estamos numa fase em que já pode dizer-se tudo. Os fascistas mais ou menos encapotados já entendem que podem dizer em público aquilo que guardavam para eles ou que diziam nos gabinetes. De Ulrich a Belmiro. E isto deve fazer-nos pensar e agir ainda mais nos tempos que vivemos.
Eles declaram-nos guerra todos os dias. Nós temos de responder.
PS: Estive muito perto de ir ao Clube dos Pensadores. Felizmente, não fui.
PS2: O texto está desgarrado e, provavelmente, sem ligação, mas não consegui fazer melhor. Estou demasiado revoltado.
Figli Della Stessa Rabbia
(Filhos Da Mesma Raiva)
Banda Bassoti
Letra:
Forte il pugno che colpirà in ogni paese in ogni città
Chi cammina sopra ai corpi violenta le culture cancella i ricordi
Forte il braccio che alzerà la bandiera rossa della libertà
Come chi combatte sui monti con le scarpe rotte quando fischia il vento
Come augusto Cesar Sandino Josè Martì y Camilo Torres
Come chi combatte col cuore la causa dei poveri contro l'oppressore
Come Steven Biko,
Hochimin la comandante Clelia,
Samora Machel come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia
Come i Sioux e i Cheyenne, Tupac Amaru e Simon Bolivàr
Come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia
Chi cammina sopra ai corpi violenta le culture cancella i ricordi
Forte il braccio che alzerà la bandiera rossa della libertà
Come chi combatte sui monti con le scarpe rotte quando fischia il vento
Come augusto Cesar Sandino Josè Martì y Camilo Torres
Come chi combatte col cuore la causa dei poveri contro l'oppressore
Come Steven Biko,
Hochimin la comandante Clelia,
Samora Machel come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia
Come i Sioux e i Cheyenne, Tupac Amaru e Simon Bolivàr
Come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia
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segunda-feira, março 18, 2013
Entrevista do Candidato da CDU à CM Matosinhos
José Pedro Rodrigues, candidato da CDU à Câmara Municipal de Matosinhos,
em entrevista ao JN.
José Pedro Rodrigues é o candidato da CDU à presidência da Câmara
Municipal de Matosinhos. Com a responsabilidade de substituir um peso
pesado comunista.
Presumindo que o objetivo é voltar a eleger um
vereador, como é que um desconhecido se propõe substituir um deputado
mediático como Honório Novo?
Honório Novo já não era capaz de proporcionar essa alternativa?
Certamente que seria capaz. Mas achou-se, nesta altura, que eu seria a pessoa indicada, com um compromisso baseado nos mesmos princípios de candidatos anteriores.
Insisto, é um desconhecido para a esmagadora maioria dos matosinhenses. Isso não será um problema?
Assumindo que a população não me conheça tão bem, tentaremos provar com o nosso programa que têm razões mais que suficientes para confiarem na CDU e nos seus candidatos.
Como sabe, os cidadãos mais do que em programas e listas, votam em pessoas, sobretudo nas autárquicas.
A minha intervenção enquanto eleito em Matosinhos, vai para 12 anos – e não me sinto muito confortável a falar de mim -, não perdeu em termos de qualidade, capacidade e ativismo com nenhuma outra bancada. Quem vê caras não vê corações. Vamos tentar que esse eventual desconhecimento se transforme em confiança.
Apesar do seu otimismo, os últimos resultados autárquicos da CDU jogam contra si: perderam cerca de metade dos votos.
A disputa de poder entre Narciso Miranda e Guilherme Pinto acabou por transformar as eleições numa disputa emocional. Não era uma disputa de programas, nem de projetos ou ideias diferentes, era uma disputa de poder.
Na apresentação da sua candidatura fez um apelo: “Não permitam que a decisão racional seja prejudicada pela disputa emocional”. Não está com isso a menorizar a capacidade dos eleitores?
Houve um discurso que chantageou os matosinhenses nas últimas eleições. A disputa de poder no PS foi degradando a vida política no concelho. O que se passou há quatro anos foi um combate político sem nível, degradante, insultuoso.
Mas nestas eleições vai acontecer exatamente a mesma coisa: duas candidaturas da área do PS. A escolha voltará a ser emocional?
Tendo percebido as consequências, esperamos que os matosinhenses possam perceber que a alternativa não está no PS oficial ou no PS independente. Este PS tem sido incapaz de fazer frente à tragédia social e económica de que o concelho sofre. Boa parte da sua intervenção aquando do lançamento da candidatura foi dedicada à situação política nacional.
Vai fazer uma campanha centrada na crise a nível nacional, em vez de uma campanha centrada na autarquia?
Estas eleições enquadram-se nummomento muito complicado da vida do país. O problemapresente na cabeça das pessoas neste momento é chegar ao fim do mês.
Mas vai orientar a sua campanha para a situação de crise a nível nacional ou para as questões particulares do município de Matosinhos? Não são abordagens iguais.
Mas são convergentes. Matosinhos era um dos concelhos mais industrializados do distrito do Porto. Gerou-se a ideia que Matosinhos era um concelho onde se habitava e onde se trabalhava no setor dos serviços e que as fábricas eram uma realidade do passado. Somos contra essa conceção. O país perdeu, entre 2006 e 2010, 24% das suas empresas transformadoras, Matosinhos perdeu 35%.
Mas isso é da responsabilidade da autarquia ou tem a ver com a crise nacional?
O encerramento de empresas mais acelerado em Matosinhos do que no país deve-se ao facto de não haver umapolítica que favoreça a implantação industrial.
O PCP já acusou os responsáveis autárquicos de terem trocado fábricas por prédios, referindo-se a Matosinhos-Sul. Eu diria que a Câmara trocou barracões abandonados por prédios.
A Câmara foi privilegiando, na suareorganização do território, um urbanismo à la carte, transformando as zonas mais apetecíveis em aglomerados habitacionais.
Foi a Câmara que transformou ou foi a atividade económica que morreu, obrigando à reconversão? As câmaras não podem manter fábricas abertas à força.
Não atribuo à Câmara a responsabilidade pelo encerramento das conserveiras. Mas houve sempre uma pressa muito grande em transformar espaços vazios em zonas de especulação imobiliária. A opção foi sempre demolir e construir habitação.
A Câmara privilegia os interesses dos promotores imobiliários e empreiteiros?
Esta Câmara privilegia um urbanismo descontrolado, com níveis de construção acima do que era razoável, sem ter a capacidade de terminar um PDM que agregasse as redes viárias, a malha industrial e os equipamentos estratégicos que existem no concelho. Matosinhos está no coração do Noroeste Peninsular e perdeu para a Galiza a primazia na implementação da plataforma logística intermodal.
A Galiza tem um Governo regional, Matosinhos é só um concelho.
Sendo só um concelho, tem o Aeroporto do Porto ao lado, tem o porto de Leixões, tem redes viárias que o ligam a todo o Norte e à Galiza e não foi capaz de aproveitar essas condições, porque não existe uma política de desenvolvimento industrial, não foi capaz de criar parques que pudessem fixar emprego ematividades industriais transformadoras. E as opções erradas refletem-se hoje no facto de Matosinhos ter um desemprego jovem que é o dobro da média nacional. Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2013, o desemprego jovem cresceu 26% no país, 27% no Norte, e 56% em Matosinhos. Há cada vez menos trabalho e essa escassez está a refletir-se no agravamento da situação social, com casos de fome e de miséria.
A Câmara não tem preocupações sociais?
A Câmara investe em resolver as coisas a jusante. Enquanto o problema não for enfrentado a montante, enquanto não se criarem condições para recuperar o dinamismo industrial, estes problemas vão agravar-se.
Está a defender que se desvie dinheiro do apoio social [a jusante] para o investimento [a montante]?
Não pode deixar de se prestar apoio social. Não é daí que o dinheiro deve ser desviado. Mas pode ser desviado de muitas outras coisas.
Por exemplo?
A Câmara de Matosinhos gastou mais de meio milhão de euros em pareceres jurídicos externos e trabalhos de consultadoria externos. Em propaganda e publicidade gasta mais de um milhão de euros por ano. Foi apoiando esporadicamente uma ou outra empresa que se instalou em Matosinhos. Estamos a falar de muitos milhões de euros que a Câmara, ao longo dos anos, foi partilhando com algumas empresas.
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segunda-feira, março 11, 2013
À Serra ver Seguro em Oliveira do Hospital
O "banho de multidão" que, segundo a SIC, António José Seguro teve na Feira do Queijo, no sábado, em Oliveira do Oliveira do Hospital, teve um forte contributo do concelho de Matosinhos, principalmente da freguesia de S. Mamede de Infesta, ainda que, em grande parte, de forma involuntária.
Segundo o que era referido na Junta de Freguesia de S. Mamede, onde de resto foram comprados os bilhetes, estava a ser organizada uma excursão à Serra da Estrela, para ver a neve. No entanto, os sete autocarros que partiram de S. Mamede de Infesta ficaram parados em Oliveira do Hospital, onde, por acaso, também estava António José Seguro. A viagem ficou por 10 euros, com direito a almoço, e um folheto cultural sobre Oliveira do Hospital. Neve, nem vê-la.
38km separam Oliveira do Hospital de Seia.
A meu ver há aqui duas questões deploráveis: uma, a falta de escrúpulos de quem organizou a excursão a que aderiram, essencialmente, idosos; depois, a Junta de Freguesia dar cobertura a este tipo de iniciativas demonstra bem o baixo nível do PS cá do burgo.
Felizmente, o presidente da Junta afirmou, em entrevista recente, defender "uma política feita com nobreza, com ética e em que não vale tudo". Imaginemos se não valesse...
Segundo o que era referido na Junta de Freguesia de S. Mamede, onde de resto foram comprados os bilhetes, estava a ser organizada uma excursão à Serra da Estrela, para ver a neve. No entanto, os sete autocarros que partiram de S. Mamede de Infesta ficaram parados em Oliveira do Hospital, onde, por acaso, também estava António José Seguro. A viagem ficou por 10 euros, com direito a almoço, e um folheto cultural sobre Oliveira do Hospital. Neve, nem vê-la.
38km separam Oliveira do Hospital de Seia.
A meu ver há aqui duas questões deploráveis: uma, a falta de escrúpulos de quem organizou a excursão a que aderiram, essencialmente, idosos; depois, a Junta de Freguesia dar cobertura a este tipo de iniciativas demonstra bem o baixo nível do PS cá do burgo.
Felizmente, o presidente da Junta afirmou, em entrevista recente, defender "uma política feita com nobreza, com ética e em que não vale tudo". Imaginemos se não valesse...
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quarta-feira, março 06, 2013
92 anos - uma luta que continua
COMÍCIO - FÓRUM DA MAIA
JERÓNIMO DE SOUSA
15h00 - Sábado - 9 de Março
segunda-feira, março 04, 2013
O medo mudou de lado
Estive na manifestação de 2 de Março. Não contem, ao longo deste texto, com guerras de números. O que se sentiu na rua não é mensurável - e é isto que algumas pessoas parecem não perceber, ou não querem mesmo perceber.
No Porto, esta foi das maiores manifestações em que estive, juntamente com a anterior, convocada pela CGTP, em Fevereiro. Na primeira reunião do movimento Que Se Lixe a Troika, em que fui convidado a participar, em Lisboa, houve uma coisa que me impressionou: o medo. Toda a gente falava no medo que o povo tinha.
Era preciso vencer o medo. Não concordei com as análises, mas respeitei-as. Não acho que o povo estivesse com medo. Acho que o povo estava atordoado e intoxicado. Por aqueles que, mesmo antes da manif, anunciaram o seu fracasso. Que seria mais pequena, que não teria efeitos práticos. Que não teria efeitos políticos. Por aqueles que, diariamente, nas televisões, jornais e rádios dizem que a miséria é inevitável e que o único caminho para lá da miséria é mais miséria. Não é. Não pode ser.
Houve gente que li nas redes sociais e blogues em tentativas desesperadas de menorizarem a dimensão da manifestação, que não foi apenas no Porto e em Lisboa. Foi em 40 cidades, portuguesas e não só. Não sei o que os move, e, sinceramente, não me interessa. Quero lá saber o que dizem. Que fiquem, juntamente com o especialista em multidões do Expresso, a contar quadradinhos. E juntem-lhe o jornalista do Público que fez a peça de ontem.
O que importa o que eles dizem? Zero. Quem lá esteve sabe bem o que foi. Uma Praça da Batalha à pinha, a abarrotar, com gente de todas as cores e idades. De vários partidos, incluindo militantes do PSD, de partido nenhum e outros que se estrearam numa manifestação.
O que nós vimos, pá, eles nunca verão. As lágrimas de emoção de ver a Praça da Liberdade, ao longe, já cheia, quando a cabeça da manifestação estava ainda longe. E a multidão nos passeios que se juntava e engrossava as fileiras.
Eles nunca verão os rostos de novos, velhos, empregados, desempregados, precários, pequenos empresários, pá. Aqueles rostos que espelhavam um misto de sentimento de que algo está a acontecer e de uma raiva contida, que ninguém sabe até quando durará. Porque não podemos engolir tudo; quando transborda vem cá para fora. E veio para a rua. E virá de novo.
Cada um de nós, que lá esteve, que viu e sentiu a Grândola como nenhuma daquela gente que vê tudo pelo filtro que vai directo dos olhos ao umbigo viu ou sente. E há umbigos maiores do que a manifestação de 2 de Março. E a Grândola, e os cravos, e a Grândola.
A Grândola, caramba, que cantámos três vezes, duas delas antes de chegar à Praça. A Grândola, caramba, que devíamos estar a celebrar e estamos, afinal, a defender. A Grândola, porra, que o Zeca nos deu para abrir caminho à liberdade, à educação, à igualdade, ao trabalho com direitos. A Grândola, caramba.
E a Grândola das 18h30, que o país cantou. Foi a Grândola mais bonita dos meus 30 anos de vida.
Os punhos, os cravos, a raiva que saía de cada verso, o braço dado com a pessoa do lado que nem se sabia quem era. As vozes já roucas, caramba, que a manifestação ia longa, mas era preciso que a Grândola se ouvisse em todo o país, porra. Novos e velhos, pá, com o peso da Grândola nos ombros, que quem a sente sabe o que pesa. A Grândola, caramba!
Menorizem, caramba. Desprezem, pá. A próxima será maior. E a seguinte e a outra. Porque vai cair. Este governo e a troika vão cair, porque caem eles ou caímos nós. E um povo que se deixa cair não é um povo, é uma massa que se deforma e deixa de ser aquilo que é. E nós somos o melhor povo do mundo, não somos? Somos, mas não da forma que eles querem.
Fazei tudo para nos afrontar ainda mais, que o vosso estrondo, quando vocês caírem, será maior, caramba, e cantaremos a Grândola bem alto, aos vossos ouvidos, que decorareis a letra a bem ou a mal. E o conteúdo. O conteúdo da Grândola, corja de lacaios. Esse, que nem sentis nem sabeis. Vai cair. Ides cair com estrondo, caramba, a bem ou a mal.
O que nós vimos, eles não verão.
Eles engolem em seco, sabem, mas não dizem: o medo mudou de lado.
sexta-feira, março 01, 2013
Expliquem-me, que não percebo
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
Apresentação dos candidatos da CDU à CM e AM de Matosinhos
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Vamos!
"É o sinal definitivo. A partir de agora já não se volta para trás"
Salgueiro Maia, 00h20 de 25 de Abril de 1974, após ouvir na rádio a "Grândola, Vila Morena".
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Repressão em Espanha - a luta que continua
Na tarde de ontem foram detidos oito membros dos Bukaneros, claque do Rayo Vallekano. Depois do episódio de Alfon, a repressão e a intimidação voltaram à carga. A explicação é simples: as enormes manifestações de 23 de Fevereiro, por todo o reino de Espanha, voltaram a assustar o poder e, como tal, é preciso reprimir e assustar todos os movimentos sociais, onde se incluem os Bukaneros, que são muito mais que uma claque, como pode ver-se na imagem.
Entretanto, os Bukaneros anunciaram já na sua página oficial a preparação de acções de solidariedade para com as vítimas destas novas detenções de carácter político.
A República de Vallekas resistirá a mais este ataque. E nós devemos estar atentos e solidários. É que Espanha é já aqui ao lado...
LA VIDA PIRATA ES LA VIDA MEJOR!
(A PARTIR DOS 2.40)
La vida pirata es la vida mejor (bis)
sin trabajar (bis)
sin estudiar (bis)
Con la botella de ron (bis)
Soy capitán (bis)
del Santa Ines (bis)
y en cada puerto tengo una mujer (bis)
la rubia es (bis)
fenomenal (bis)
y la morena tampoco esta mal (bis)
Las inglesas con su seriedad (bis)
Y las francesas que todo lo dan (bis)
Si alguna vez (bis)
me he de casar (bis)
Con la del RAYO, una, una y no más (bis)
sin trabajar (bis)
sin estudiar (bis)
Con la botella de ron (bis)
Soy capitán (bis)
del Santa Ines (bis)
y en cada puerto tengo una mujer (bis)
la rubia es (bis)
fenomenal (bis)
y la morena tampoco esta mal (bis)
Las inglesas con su seriedad (bis)
Y las francesas que todo lo dan (bis)
Si alguna vez (bis)
me he de casar (bis)
Con la del RAYO, una, una y no más (bis)
Actualização
Ao que parece, as autoridades aproveitaram o pretexto oferecido pela própria direcção Rayo para levar a cabo as detenções.
Os Bukaneros mantêm uma luta constante contra o futebol-negócio, o preço dos bilhetes, os jogos disputado a dias da semana e a horas impróprias. A direcção - que daqui para a frente não terá a vida facilitada em Vallekas -, pelos vistos, voltou as costas aos adeptos. E em Vallekas, um são todos.
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013
O ditador de Matosinhos
Parece que há (outro) ditador em Matosinhos. Esta carta anónima, em papel timbrado da autarquia, está a circular na internet e fora dela. O nome de Guilherme Pinto surge associado ao senhor Ricardo Teixeira, também conhecido por "Brutumatulão", de acordo com a carta.
"Façam queixa", pede-se na carta, depois de, há uns dias um trabalhador ter sofrido um acidente vascular cerebral após uma discussão com a figura. O trabalhador em causa encontrava-se já no sistema de "serviços melhorados", por questões de saúde, tendo recentemente sido enviado para a cave da Biblioteca de Matosinhos para arrumar livros - de referir que não é a primeira vez que um trabalhador recebe este tipo de tratamento. Fê-lo, ao que parece, e Ricardo Teixeira terá entrado na cave e voltado a atirar todos os livros para o chão, dizendo ao trabalhador para voltar a arrumá-los, o que motivou a discussão que originou o avc.
A carta:
"Façam queixa", pede-se na carta, depois de, há uns dias um trabalhador ter sofrido um acidente vascular cerebral após uma discussão com a figura. O trabalhador em causa encontrava-se já no sistema de "serviços melhorados", por questões de saúde, tendo recentemente sido enviado para a cave da Biblioteca de Matosinhos para arrumar livros - de referir que não é a primeira vez que um trabalhador recebe este tipo de tratamento. Fê-lo, ao que parece, e Ricardo Teixeira terá entrado na cave e voltado a atirar todos os livros para o chão, dizendo ao trabalhador para voltar a arrumá-los, o que motivou a discussão que originou o avc.
A carta:
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quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Protestos indignos - o medo do Zeca
Parece que os protestos dos últimos dias deixaram muita gente incomodada. Gente da direita no poder, pois claro e por motivos óbvios, e da direita que não está no poder, como Francisco Assis e Augusto Santos Silva, a que se juntam fazedores de opinião independentes. Tão independentes como Marques Mendes, Carlos Abreu Amorim, Silva Pereira, Lobo Xavier, Marcelo. Todos descomprometidos com o poder.
Consta que não é aceitável, legítimo, democrático, um atentado à liberdade de expressão. Um mau exemplo, ao que parece, que os dois últimos protestos não foram realizados em locais apropriados.
Parece que o melhor Povo do mundo passou a ser, outra vez, como nos anos da governação de Sócrates, o PCP. Percebe-se o incómodo de Santos Silva, o que gosta de malhar na esquerda, no PCP, e de Assis, ex-líder parlamentar do PS. Eles próprios viram do que o melhor Povo do mundo é capaz e saíram, entregando o país ao PSD-CDS e FMI, três dias depois de os banqueiros terem dito que era preciso "ajuda" externa. Eles assinaram o memorando, PSD e CDS colocaram-no pior do que já era. E continuam sem perceber que o melhor Povo do mundo já não aguenta mais, ao contrário do que diz o amigo Ulrich.
Por um lado, o PSD já teve a sua Beatriz Talejón em Duarte Marques - dois farsolas - que se até se manifestou aquando da "Geração à Rasca". Era preciso sair à rua com os jovens. No ano passado, a foi a vez de a Juventude Socialista sair à rua, na primeira manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika. É também a isto que deve chamar-se alternância democrática, em versão protesto.
Sejamos objectivos: a constante desvalorização das enormes manifestações que se verificaram em Portugal nos últimos anos levam a lutas mais contundentes. O que ouvíamos do governo do PS é o mesmo que ouvimos do governo PSD-CDS. "As manifestações são um direito democrático", ponto. É isto que retiram de milhares de pessoas que se manifestam. Mas prosseguem o saque.
O Povo não quer esta política nem este governo. E podem apresentar as sondagens que quiserem. Façam sondagens à porta dos centro de emprego. Façam uma com os milhares de jovens e não só que estão desempregados, com os que emigraram, com os trabalhadores precários, com quem viu a sua reforma roubada, com os que viram as suas pensões reduzidas, com os que não podem pagar taxas moderadoras, com os pais das crianças que desmaiam com fome, com todos os que sofrem com o caminho de miséria para onde aquela gente nos empurra.
Com a posição demonstrada por Assis e Santos Silva, o PS prova que aprendeu nada. Distanciar-se destes protestos mostra que continua a não ser alternativa e apenas alternância. E alguns incomodam-se mesmo com a Grândola. Talvez porque saibam que Zeca Afonso tinha intervenção política na música e fora dela e que, hoje, o que fazem os que protestam não é homenageá-lo, é defendê-lo. Para que viva. Para que viva sempre.
Fica um excerto da entrevista de Zeca Afonso à RTP, em 1984, tão actual. E é também por isto que o Zeca os assusta tanto:
"Os jovens, e eu digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles - que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que agora estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, não só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens.
Os jovens deparam-se problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos, o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade.
Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos, nós refiro-me à minha geração, de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos, é, de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus-banqueiro que é imposta aos jovens de hoje.
Tal como nós, eles têm que a combater, que a destruir, que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente que não é, com certeza - estou convencido - a sociedade de hoje".
Consta que não é aceitável, legítimo, democrático, um atentado à liberdade de expressão. Um mau exemplo, ao que parece, que os dois últimos protestos não foram realizados em locais apropriados.
Parece que o melhor Povo do mundo passou a ser, outra vez, como nos anos da governação de Sócrates, o PCP. Percebe-se o incómodo de Santos Silva, o que gosta de malhar na esquerda, no PCP, e de Assis, ex-líder parlamentar do PS. Eles próprios viram do que o melhor Povo do mundo é capaz e saíram, entregando o país ao PSD-CDS e FMI, três dias depois de os banqueiros terem dito que era preciso "ajuda" externa. Eles assinaram o memorando, PSD e CDS colocaram-no pior do que já era. E continuam sem perceber que o melhor Povo do mundo já não aguenta mais, ao contrário do que diz o amigo Ulrich.
Por um lado, o PSD já teve a sua Beatriz Talejón em Duarte Marques - dois farsolas - que se até se manifestou aquando da "Geração à Rasca". Era preciso sair à rua com os jovens. No ano passado, a foi a vez de a Juventude Socialista sair à rua, na primeira manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika. É também a isto que deve chamar-se alternância democrática, em versão protesto.
Sejamos objectivos: a constante desvalorização das enormes manifestações que se verificaram em Portugal nos últimos anos levam a lutas mais contundentes. O que ouvíamos do governo do PS é o mesmo que ouvimos do governo PSD-CDS. "As manifestações são um direito democrático", ponto. É isto que retiram de milhares de pessoas que se manifestam. Mas prosseguem o saque.
O Povo não quer esta política nem este governo. E podem apresentar as sondagens que quiserem. Façam sondagens à porta dos centro de emprego. Façam uma com os milhares de jovens e não só que estão desempregados, com os que emigraram, com os trabalhadores precários, com quem viu a sua reforma roubada, com os que viram as suas pensões reduzidas, com os que não podem pagar taxas moderadoras, com os pais das crianças que desmaiam com fome, com todos os que sofrem com o caminho de miséria para onde aquela gente nos empurra.
Com a posição demonstrada por Assis e Santos Silva, o PS prova que aprendeu nada. Distanciar-se destes protestos mostra que continua a não ser alternativa e apenas alternância. E alguns incomodam-se mesmo com a Grândola. Talvez porque saibam que Zeca Afonso tinha intervenção política na música e fora dela e que, hoje, o que fazem os que protestam não é homenageá-lo, é defendê-lo. Para que viva. Para que viva sempre.
Fica um excerto da entrevista de Zeca Afonso à RTP, em 1984, tão actual. E é também por isto que o Zeca os assusta tanto:
"Os jovens, e eu digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles - que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que agora estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, não só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens.
Os jovens deparam-se problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos, o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade.
Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos, nós refiro-me à minha geração, de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos, é, de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus-banqueiro que é imposta aos jovens de hoje.
Tal como nós, eles têm que a combater, que a destruir, que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente que não é, com certeza - estou convencido - a sociedade de hoje".
terça-feira, fevereiro 19, 2013
Miguel Relvas no Clube dos P... TÁ CALADA!
Ontem à noite, Miguel Relvas foi ao Clube dos Pensadores e aconteceu o que qualquer pessoa previria. Um protesto, com direito a Grândola. Pausa.
Parece que há muita gente a quem incomoda que a Grândola seja cantada em alguns sítios, seja na AR, seja numa Assembleia Municipal, seja onde for. A mim deixa-me que se volte a cantar a Grândola com a mesma força, com a mesma convicção com que há anos não se via. Continuando.
O protesto era previsível e o moderador devia estar preparado para isso. Da mesma forma que mostrou serenidade quando houve uma ameaça de bomba noutra edição do Clube dos Pensadores, deveria tê-lo feito agora. Mas não.
E, num instante, o Clube dos Pensadores deixou de ser um espaço para a "sociedade Civil", seja isso o que for, e passou a ser um "espaço privado onde não há direitos".
Perdeu a cabeça ao lado de um ministro podre, fraco, sem espinha e proporcionou-nos este episódio:
(clica na imagem para ver e ouvir o vídeo - cuidado com o volume)
Parece que há muita gente a quem incomoda que a Grândola seja cantada em alguns sítios, seja na AR, seja numa Assembleia Municipal, seja onde for. A mim deixa-me que se volte a cantar a Grândola com a mesma força, com a mesma convicção com que há anos não se via. Continuando.
O protesto era previsível e o moderador devia estar preparado para isso. Da mesma forma que mostrou serenidade quando houve uma ameaça de bomba noutra edição do Clube dos Pensadores, deveria tê-lo feito agora. Mas não.
E, num instante, o Clube dos Pensadores deixou de ser um espaço para a "sociedade Civil", seja isso o que for, e passou a ser um "espaço privado onde não há direitos".
Perdeu a cabeça ao lado de um ministro podre, fraco, sem espinha e proporcionou-nos este episódio:
(clica na imagem para ver e ouvir o vídeo - cuidado com o volume)
Joaquim Jorge estava mal preparado para o que previsivelmente seria o debate. Resta saber se o seu nervosismo teria a ver com estar a jogar em casa daquele que apoia e de cuja comissão de honra faz parte para a candidatura à Câmara do Porto. E mais: se alguém pode falar de Gaia, é ele. E o resto são cantigas.
Como bónus, abaixo, fica esta grande peça da TVI, para mim a melhor da noite, que mostra o ministro Relvas, o primeiro português da história a tentar relinchar a Grândola.
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Grândola nas galerias do Parlamento
Passos ouviu, de cabeça baixa, engasgou-se e passou à frente. O Povo cantou, de cabeça erguida.
Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!
Esta manhã mais de 40 pessoas intervieram na Assembleia da República, a meio da Sessão Plenária, cantando “Grândola, Vila Morena” durante a intervenção do primeiro-ministro.
Esta acção de protesto levou para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este governo e a troika internacional colocaram este país, em queda livre com o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3%!
O protesto apela à participação nas próximas manifestações de dia 16 de Fevereiro, assim como a manifestação de dia 2 de Março em todo o país, sob o lema “Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!”.
Com mais de um milhão de desempregados, uma recessão profunda e todas as previsões de governo e troika mais uma vez falhadas, para pior, hoje levou-se ao Parlamento o descontentamento popular. A música de José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país.
A mobilização popular é urgente para mudar o rumo de destruição e de austeridade que foi escolhido por governo e troika. Apelamos à participação nos grandes protestos que se avizinham, quer já amanhã no Príncipe Real, que no próximo dia 2 de Março em todo o país e no estrangeiro. A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas.
A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!
Amanhã há luta e continua no dia 2 de Março.
Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!
Esta manhã mais de 40 pessoas intervieram na Assembleia da República, a meio da Sessão Plenária, cantando “Grândola, Vila Morena” durante a intervenção do primeiro-ministro.
Esta acção de protesto levou para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este governo e a troika internacional colocaram este país, em queda livre com o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3%!
O protesto apela à participação nas próximas manifestações de dia 16 de Fevereiro, assim como a manifestação de dia 2 de Março em todo o país, sob o lema “Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!”.
Com mais de um milhão de desempregados, uma recessão profunda e todas as previsões de governo e troika mais uma vez falhadas, para pior, hoje levou-se ao Parlamento o descontentamento popular. A música de José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país.
A mobilização popular é urgente para mudar o rumo de destruição e de austeridade que foi escolhido por governo e troika. Apelamos à participação nos grandes protestos que se avizinham, quer já amanhã no Príncipe Real, que no próximo dia 2 de Março em todo o país e no estrangeiro. A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas.
A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
Sai prá rua!
quarta-feira, fevereiro 13, 2013
Ascensão e queda de Beatriz
Beatriz Talegón tornou-se viral na internet com o vídeo abaixo e fez feliz uma série de gente. Uma série de verdades ditas por alguém do PSOE que deviam fazer corar de vergonha qualquer partido que tenha estado na reunião da Internacional "socialista".
Confesso que o que mais me fez pensar no discurso de Beatriz foi o que leva alguém a estar num partido que pratica o contrário do que um militante defende. Entendamos: há sempre espaço para divergências dentro dos partidos. Há no qual milito e, creio, haverá também nos outros. Mas há questões de fundo, de princípio de que não abdico. E, como tal, não percebo a Beatriz. Como poderia eu estar, por exemplo, num partido que defende na opinião pública o aumento do salário mínimo mas que, no Parlamento, na casa da Democracia, rejeita duas propostas nesse sentido, considerando-as demagogas e populistas?
Falo agora directamente para a Beatriz, que é quase da minha idade e fala como se fosse minha camarada - e ela não há-de importar-se, que não me lerá. Não podemos defender o que não praticamos. Podemos. Afinal podemos. Mas isso é o PSOE, como cá é o PS. E se a tua prática não vai além das palavras - do que agora se chama, pomposamente, soundbites - então, estás no lugar certo.
Já sabemos que estiveste no Parlamento Europeu, onde ganhavas 3.000 euros por mês, se dividirmos o teu salário global por 14 meses. E bem. Todos pudessem ganhar o mesmo. Mas eras funcionária do PSOE e, daqui, podemos tirar duas confusões: uma, demonstraste uma coragem notável ao afrontar assim o teu patrão. Outra, foste na onda dos soundbites e criaste um fait-diver. Daqueles para enganar, dos que faz um partido parecer aquilo que não é aos olhos dos mais incautos. E dos que dão mau nome aos partidos, daqueles existem para servir e não para servir-se
Uma espécie daquilo que em Portugal se chama "a ala esquerda" do PS, como se fosse possível um partido verdadeiramente socialista não ser todo ele de esquerda. A partir do momento em que não é, deixa de ser socialista e passa a ser perpetuador de tudo aquilo que criticaste - e bem - a partir de um hotel de 5 estrelas em Cascais.
Há outra Beatriz nesta história. A minha. Tem seis anos e há-de ser o que quiser. Mas procurarei sempre fazer com que seja fiel a ela própria. E que seja verdadeira, genuína, que assuma os erros e virtudes que há-de cometer e ter. Que não tenha duas caras. Que seja sempre frontal e directa, mesmo quando a necessidade é maior do que a moral.
De acordo com o teu ex-colega no PSOE, Julián Jiménez, não o foste e ele explica os motivos que o levam a tecer a carta aberta publicada no La Republica. Eu não sei se, como ele, terás percebido e assumido os erros que cometeste e vais ser consequente com o que defendeste nos 10 minutos da tua intervenção.
"Pero cuando hacemos que nos hemos equivocado de “boquilla” pero no en nuestros actos, corremos el riesgo de aparentar lo que no somos. Por ello no creo tus palabras. Porque si fueran sinceras ¿Por qué no te has ido del PSOE?¿Donde dormiste tú cuando criticabas el hotel de lujo en el que os reuníais los “socialistas del mundo mundial”? ¿Dónde está tu carta de renuncia de tus responsabilidades? ¿Donde esa carta para unirte sinceramente posteriormente a quienes llevan años en la calle protestando?"
O que te pede o teu ex-colega é apenas que sejas consequente. Que, como dizes no texto, deixes o hotel de 5 estrelas e te juntes à rua com os cidadadãos que sofrem, no teu país como no meu, com as políticas levadas a cabo pelo teu partido e pelo seu partido-irmão, aqui em Portugal. Estamos sempre a tempo de mudar. Eu serei o primeiro a fazê-lo se o meu Partido deixar de ser aquilo que é.
Confesso que o que mais me fez pensar no discurso de Beatriz foi o que leva alguém a estar num partido que pratica o contrário do que um militante defende. Entendamos: há sempre espaço para divergências dentro dos partidos. Há no qual milito e, creio, haverá também nos outros. Mas há questões de fundo, de princípio de que não abdico. E, como tal, não percebo a Beatriz. Como poderia eu estar, por exemplo, num partido que defende na opinião pública o aumento do salário mínimo mas que, no Parlamento, na casa da Democracia, rejeita duas propostas nesse sentido, considerando-as demagogas e populistas?
Falo agora directamente para a Beatriz, que é quase da minha idade e fala como se fosse minha camarada - e ela não há-de importar-se, que não me lerá. Não podemos defender o que não praticamos. Podemos. Afinal podemos. Mas isso é o PSOE, como cá é o PS. E se a tua prática não vai além das palavras - do que agora se chama, pomposamente, soundbites - então, estás no lugar certo.
Já sabemos que estiveste no Parlamento Europeu, onde ganhavas 3.000 euros por mês, se dividirmos o teu salário global por 14 meses. E bem. Todos pudessem ganhar o mesmo. Mas eras funcionária do PSOE e, daqui, podemos tirar duas confusões: uma, demonstraste uma coragem notável ao afrontar assim o teu patrão. Outra, foste na onda dos soundbites e criaste um fait-diver. Daqueles para enganar, dos que faz um partido parecer aquilo que não é aos olhos dos mais incautos. E dos que dão mau nome aos partidos, daqueles existem para servir e não para servir-se
Uma espécie daquilo que em Portugal se chama "a ala esquerda" do PS, como se fosse possível um partido verdadeiramente socialista não ser todo ele de esquerda. A partir do momento em que não é, deixa de ser socialista e passa a ser perpetuador de tudo aquilo que criticaste - e bem - a partir de um hotel de 5 estrelas em Cascais.
Há outra Beatriz nesta história. A minha. Tem seis anos e há-de ser o que quiser. Mas procurarei sempre fazer com que seja fiel a ela própria. E que seja verdadeira, genuína, que assuma os erros e virtudes que há-de cometer e ter. Que não tenha duas caras. Que seja sempre frontal e directa, mesmo quando a necessidade é maior do que a moral.
De acordo com o teu ex-colega no PSOE, Julián Jiménez, não o foste e ele explica os motivos que o levam a tecer a carta aberta publicada no La Republica. Eu não sei se, como ele, terás percebido e assumido os erros que cometeste e vais ser consequente com o que defendeste nos 10 minutos da tua intervenção.
"Pero cuando hacemos que nos hemos equivocado de “boquilla” pero no en nuestros actos, corremos el riesgo de aparentar lo que no somos. Por ello no creo tus palabras. Porque si fueran sinceras ¿Por qué no te has ido del PSOE?¿Donde dormiste tú cuando criticabas el hotel de lujo en el que os reuníais los “socialistas del mundo mundial”? ¿Dónde está tu carta de renuncia de tus responsabilidades? ¿Donde esa carta para unirte sinceramente posteriormente a quienes llevan años en la calle protestando?"
O que te pede o teu ex-colega é apenas que sejas consequente. Que, como dizes no texto, deixes o hotel de 5 estrelas e te juntes à rua com os cidadadãos que sofrem, no teu país como no meu, com as políticas levadas a cabo pelo teu partido e pelo seu partido-irmão, aqui em Portugal. Estamos sempre a tempo de mudar. Eu serei o primeiro a fazê-lo se o meu Partido deixar de ser aquilo que é.
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segunda-feira, fevereiro 11, 2013
Guilherme Pinto e o Photoshop
O circo autárquico já começou em Matosinhos. À semelhança do que sucedeu em 2009, o PS apresenta-se com duas candidaturas, uma oficiosa e outra oficial, que teve o seu pontapé de saída no sábado, na Casa dos Pascadores, com António Parada a lançar a candidatura -sem a presença de Seguro, como havia sido amplamente difundido cá na terra.
No mesmo dia, Guilherme Pinto ocupa a manchete do Jornal de Notícias e anuncia a sua candidatura como "independente". Mas para falar disto teremos tempo mais à frente.
Alertado pelo blog Conversas de Matosinhos, dou de caras com uma imagem que, quem não conhecer o local, até acredita.
Na mais recente edição da revista oficial da Câmara Municipal de Matosinhos, temos uma imagem da famosa rampa do Hospital Pedro Hispano. A rampa original faz correr tinta desde que as consultas externas passaram a ter lugar no referido hospital. Com uma inclinação de 10%, torna-se penoso para quem tem de fazê-la a pé, particularmente idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
Com um toque de mágica, Guilherme Pinto resolveu o problema, ora vejamos:
No mesmo dia, Guilherme Pinto ocupa a manchete do Jornal de Notícias e anuncia a sua candidatura como "independente". Mas para falar disto teremos tempo mais à frente.
Alertado pelo blog Conversas de Matosinhos, dou de caras com uma imagem que, quem não conhecer o local, até acredita.
Na mais recente edição da revista oficial da Câmara Municipal de Matosinhos, temos uma imagem da famosa rampa do Hospital Pedro Hispano. A rampa original faz correr tinta desde que as consultas externas passaram a ter lugar no referido hospital. Com uma inclinação de 10%, torna-se penoso para quem tem de fazê-la a pé, particularmente idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
Com um toque de mágica, Guilherme Pinto resolveu o problema, ora vejamos:
A rampa como ela é
A rampa como Guilherme Pinto a vê
De referir que Manuel Pizarro - actual candidato à CM Porto e então secretário de Estado da Saúde de José Sócrates, em 2009, referia o seguinte: O secretário de Estado da Saúde garantiu ontem uma "alteração rápida" do acesso ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. No dia em que foi inaugurar o novo espaço de consulta externa daquela unidade, Manuel Pizarro classificou de "natureza penosa" a entrada íngreme do hospital, sublinhando que "é um problema que tem de ser resolvido".
Também em 2009, Guilherme Pinto, estava entre os que aprovaram o seguinte: A Câmara aprovou, também, o projecto para a construção de um novo acesso à entrada do Hospital Pedro Hispano. Actualmente, como a rampa tem uma inclinação de 10%, o acesso desrespeita o decreto-lei 163/2006 de 28 de Agosto.
Basicamente, Guilherme Pinto transformou em minutos e com recurso a um computador aquilo que não teve competência suficiente para resolver em quatro anos. Fosse tudo assim tão fácil...
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segunda-feira, fevereiro 04, 2013
PS - Agência de emprego
Na semana passada, o PS de Matosinhos voltou a ser notícia na comunicação social. Muito por culpa do candidato do PS à autarquia matosinhense, que diz que parece que disse uma coisa, mas não disse, mas afinal disse mesmo, como se vê no vídeo abaixo, disponibilizado pelo blog Aventar.
Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas.
Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso.
Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional".
Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o então ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundos nas lista do PS às Europeias de 2004.
Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis".
Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se:
"2. Delibere, desde já, em face das conclusões do presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas."
A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências.
E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente.
Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:
8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota, pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido.
"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota, o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos."
"(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil e injuriosa para Narciso Miranda."
"Do conteúdo revelador das declarações então prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a concelhia de Matosinhos do partido"
"4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito comportamento impetuoso:"
"Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos, proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua exclusão do PS."
O tempo passou e, desde então, muita coisa mudou:
Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, perdeu identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.
Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas.
Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso.
Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional".
Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o então ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundos nas lista do PS às Europeias de 2004.
Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis".
Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se:
"2. Delibere, desde já, em face das conclusões do presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas."
A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências.
E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente.
Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:
8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota, pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido.
"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota, o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos."
"(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil e injuriosa para Narciso Miranda."
"Do conteúdo revelador das declarações então prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a concelhia de Matosinhos do partido"
"4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito comportamento impetuoso:"
"Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos, proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua exclusão do PS."
O tempo passou e, desde então, muita coisa mudou:
- Narciso Miranda foi expulso do PS após a candidatura "independente" à CM Matosinhos;
- Guilherme Pinto é presidente da CM Matosinhos e, não sendo o candidato oficial do PS, se não avançar como "independente", tem à espera a cadeira que preferir, seja no Parlamento Europeu ou na Assembleia da República;
- António Parada é o presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos desde 2005 e candidato do PS à CM Matosinhos;
- Francisco Assis é deputado e foi líder parlamentar do PS na era Sócrates ;
- Manuel Seabra foi chefe de gabinete de António Costa na CM Lisboa e é actualmente deputado na AR.
Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, perdeu identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.
quinta-feira, janeiro 31, 2013
Novo vídeo - António Parada e a escolaridade obrigatória
Depois do que foi dito e escrito em vários blogues e, hoje, nas páginas do Correio da Manhã, cai por terra a teoria dos acólitos de António Parada - relembro, candidato do PS oficial à Câmara Municipal de Matosinhos e actual presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos - que dizia que foi tudo descontextualizado.
Surge agora um novo vídeo, de 13 de Maio de 2012, em S. Mamede de Infesta, onde, a partir dos 17 minutos, toda a sua opinião sobre a escolaridade obrigatória é novamente clarificada. Para quem tivesse dúvidas.
Relembremos: António Parada defende que há "doutores a mais" mas foi tirar uma licenciatura aos 45 anos, que concluiu em 2012. Confesso que me faltam palavras para descrever o ridículo da situação. Não se percebe para que foi fazê-lo, quando há falta de moços de trolha e carpinteiros, e, segundo diz, médicos a mais.
E não esqueçamos: namorar, só a partir dos 18.
Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar.
Actualização da tarde
Conforme previsto, o vídeo desapareceu. O facto de ter escrito ali em cima "Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar", não foi por acaso. O motivo que me levou a fazê-lo foi conhecer o proprietário da conta, que é apoiante de António Parada de uma das freguesias de Matosinhos.
Resta saber o seguinte: o Carlos Alberto tem vergonha do que defende o seu candidato ou não quer que se saiba o que ele defende?
II Actualização da tarde
Por coincidência, o vídeo voltou a estar disponível depois de, no Facebook, ter questionado o autor do mesmo sobre o facto de ele ter desaparecido.
Surge agora um novo vídeo, de 13 de Maio de 2012, em S. Mamede de Infesta, onde, a partir dos 17 minutos, toda a sua opinião sobre a escolaridade obrigatória é novamente clarificada. Para quem tivesse dúvidas.
Relembremos: António Parada defende que há "doutores a mais" mas foi tirar uma licenciatura aos 45 anos, que concluiu em 2012. Confesso que me faltam palavras para descrever o ridículo da situação. Não se percebe para que foi fazê-lo, quando há falta de moços de trolha e carpinteiros, e, segundo diz, médicos a mais.
E não esqueçamos: namorar, só a partir dos 18.
Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar.
Actualização da tarde
Conforme previsto, o vídeo desapareceu. O facto de ter escrito ali em cima "Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar", não foi por acaso. O motivo que me levou a fazê-lo foi conhecer o proprietário da conta, que é apoiante de António Parada de uma das freguesias de Matosinhos.
Resta saber o seguinte: o Carlos Alberto tem vergonha do que defende o seu candidato ou não quer que se saiba o que ele defende?
II Actualização da tarde
Por coincidência, o vídeo voltou a estar disponível depois de, no Facebook, ter questionado o autor do mesmo sobre o facto de ele ter desaparecido.
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