segunda-feira, março 26, 2012

Tão bonitos que eles são

Quando o nosso império caiu - felizmente -, era de esperar que Portugal, a caganitazinha mais ocidental da Europa, perdesse aquela mania de considerar que Lisboa é Portugal e Portugal é Lisboa. Pois que não é. Assim como o norte não é o Porto e o Porto não é o norte.

Ao contrário do que seria normal, em Portugal, os provincianos da capital continuam a achar que o país são aqueles quilómetros quadrados de Lisboa-e-tudo-à-volta.

Vem isto a propósito de uma sondagem sobre homens bonitos. Segundo o site travelersdigest, os portugueses estão em 4.º na lista de homens mais bonitos do Mundo. A RTP, diligente na defesa da capital do império morto, enterrado e que só existe na cabeça de um ou outro ministro dos Negócios Estrangeiros, diz que são os lisboetas.

O texto não deixa dúvidas, refere-se a Lisboa, mas a uma das zonas mais frequentadas por turistas, entre eles, os que viajam desde a província até ao Bairro Alto. Eu, tripeiro, ainda lá estive há pouco tempo:

"Portuguese men tend to be worldly, well-educated and brimming with pride for their small but scenic country. In Lisbon, the often tall, charismatic and athletic gentlemen might surprise you with their firm grasp of not only their own culture but that of the other nations as well. All this said, tradition is still held in high regard for these divine manifestations of old-world values. They would surely appreciate an impromptu Fado performance at one of the many bars in the Barrio Alto, or a nostalgic stroll in the Alfama District – one of the most delightfully preserved sections of the city. Whatever you decide to do, these Latin seducers are guaranteed to sweep you off your feet."

Este saloiismo lisboeta fez-me lembrar o episódio do "senhor do adeus", ao que parece, uma pessoa famosa na capital mas desconhecida do resto do país. Ainda assim, quando faleceu, mereceu honras de notícia em todos os canais. Consta que era um idoso, parado no meio da rua, a acenar ao carros que passavam. Um extravagante, por estar em Lisboa; aqui, em Leça, ou mais para sul, no Porto, seria mais um maluco.

Em Leça tínhamos uma sem-abrigo a quem chamávamos Rosa Mota, por ser pequenina e andar devagarinho, e o Senhor dos Cães, outro sem-abrigo, que carregava um cão às costas e tinha à volta dele mais uma dezena de outros animais. Todos de quatro patas, que aos bípedes ele parecia fazer alguma confusão. Morreram os dois. Não eram de Lisboa. Não acenavam aos carros. Não foram notícia.

sexta-feira, março 23, 2012

Uma grande greve dos jornalistas



Estive nos piquetes da Greve Geral até perto das oito manhã. Entre a garagem da STCP da Via Norte, A Estação de S. Bento e a garagem de Francos da STCP.
Nesta última, a PSP procedeu à identificação de um motorista que se apresentava para trabalhar em substituição de outro, impedindo a saída do autocarro. Cumpriu-se a lei portanto.
Infelizmente, não estava lá qualquer jornalista para testemunhar o acto. Nem o agente que, em S. Bento, desabafava: "Estamos todos do mesmo lado. É a segunda vez que me calha vir para aqui e isto dói muito, porque nós também sofremos".


Não estava qualquer jornalista, como não esteve durante toda a noite em qualquer dos principais piquetes do Porto, pelo menos até às 8 da manhã. Daqui depreendemos que os jornalistas da Lusa, dos três canais que emitem notícias 24 horas por dia (RTPI, TVI24 e SICN), das rádios (pelo menos, Antena 1 e TSF) e dos jornais, incluindo aquele que se assume como a "voz do norte", aderiram em massa ao dia de greve. Recordemos que todos os jornais têm uma secção online e que, supostamente, dão notícias ao minuto. Ou dão Lusa ao minuto, mas isso é outra história.


É a única explicação lógica que encontro para a sua ausência e, por isso, felicito-os pela coragem, com toda a minha admiração, porque a precariedade é um dos grandes males que afecta aquele sector. Deram uma prova de união que não tem paralelo com qualquer das greves em que participei. Nas duas anteriores a estas estavam jornalistas. Nesta, desapareceram. 


E avançam que esta foi uma greve sem números porque, pelos vistos, mesmo no jornalismo de secretária custa muito dar um clique nos sites onde foram sendo publicados os números da adesão durante todo o dia.


Obviamente que não me passa pela cabeça que houvesse jornalistas a trabalhar e não tenham sido enviados para os locais onde estavam os mais significativos e numerosos grevistas.


Ficou do dia a imagem dos dois jornalistas agredidos, já durante o dia. Que tal não caia no esquecimento. Mas que tal não sirva para fazer esquecer que ontem houve uma grande Greve Geral, com milhões de trabalhadores a aderirem ao protesto, apesar de todas as pressões dos patrões e do Governo.


Que a indignação dos jornalistas não se fique só pelos seus camaradas agredidos em dia de Greve Geral, que se estenda a todos os outros que também sofreram agressões físicas e não só. Que se estenda a todos os dias do ano, na denúncia da violência que são o desemprego e a precariedade a que milhões de portugueses estão sujeitos, muitos deles seus camaradas de redacção. Olhai para o lado e eles lá estão.

segunda-feira, março 05, 2012

Guilherme, o Príncipe Momo*


Momo é um nome que atravessa os tempos, desde a Grécia Antiga, passando por Roma, até tempos mais recentes. Há dois séculos surge em Espanha e na América Latina, mais precisamente na Colômbia; no século XX, chega a Espanha, para ser adoptado pelo Brasil. Momo passou de deus mitológico a rei do Carnaval.

Na Colômbia, em Barranquilla, a personagem permanece até aos dias de hoje. É o rei da folia, que, nos três dias de festa, tinha como função permitir a desordem carnavalesca.
Nos dias que correm, o papel de Rei Momo cabe ao poder político, personificado em Miguel Relvas, que decretou que o Carnaval não seria feriado. O Rei Momo não cumpriu o seu papel mas, nestas coisas da democracia, o povo ordenou e brincou ao Carnaval tão a sério como já não se via desde os tempos de Cavaco, quando este ainda não se intimidava com manifestações de perigosos alunos da António Arroio.

Em Matosinhos, Guilherme Pinto, em jeito de Príncipe Momo, seguiu a voz do ministro alegando que o concelho não tem tradições de carnavalescas, não concedendo tolerância de ponto aos trabalhadores da autarquia. Ora, o presidente da Junta da Matosinhos fê-lo, cometendo, partindo do princípio que Guilherme Pinto tem razão, uma ilegalidade.
Formalismos à parte, que isto é coisa para ficar resolvida depois das eleições para a Concelhia do PS de Matosinhos, certo mesmo é que Príncipe Momo não deu folga aos funcionários autárquicos mas foi, ele próprio, ao desfile carnavalesco de S. Mamede de Infesta. Certamente em representação dos mesmos. 

* Publicado no jornal Notícias de Matosinhos

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

JN da Armada ou o 31 do JN

O 31 da Armada ficou incomodado com a dimensão da manifestação de sábado, o que é, por si só, um feito que me agrada bastante. Sem o feriado do 5 de Outubro para brincar à monarquia, os trintaeuns ficam com mais tempo para se dedicarem às contas das manifes. 

O tempo passa e a história fica. No tempo de Sócrates, no auge da moda dos indignados e quando a direita dava pulinhos de alegria com a mais que previsível vitória do PSD numas eleições que estariam bem próximas, o 31 via coisas deste género:

Suportado por 20 segundos de imagens do Jornal de Notícias, sem referência a horas, no sábado, o 31 da Armada, na era Cavaco-Portas-Passos, só viu isto: 

Confesso que não leio o 31 da Armada e só lá cheguei por um link do Facebook. Mais. Para ler o 31 da Armada basta-me passar os olhos pelos media mainstream.


No entanto, para ajudar às contas, aqui fica:

e mais...


E, para terminar, pode o 31 pegar nas contas, no JN e ir para junto de todos os piegas deste mundo.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

UG Quê?*

No mês passado assistimos ao mais violento retrocesso social em matéria laboral de que há memória. João Proença, voz do dono da UGT – sim, do dono da UGT – fez o triste papel de representante dos trabalhadores. De quais, ninguém sabe ao certo.

Sabemos, sim, que a “vitória” conseguida por Proença e pela UGT dar-nos-á tudo aquilo que, ao longo de décadas, fizemos por perder, algumas ainda no tempo do fascismo. A meia-hora que a UGT alega ter vencido cai em saco roto quando pensamos no banco de horas que estará sujeito à discricionariedade do patrão. Mais a facilidade dos despedimentos, mais tudo aquilo que consta em 52 páginas em que apenas a redução de direitos laborais é factual. O resto é uma declaração de intenções. 

A UGT cumpriu o papel que lhe estava estabelecido desde a sua fundação, apadrinhada por Mário Soares e pelos interesses norte-americanos, e que, ao longo dos anos. Enganou os trabalhadores, colando-se a eles na Greve Geral por mero interesse político, e cauciona um acordo inenarrável para qualquer pessoa com dois dedos de testa. Aliás, enquanto a UGT tentava justificar o injustificável com o memorando da Troika, que o partido do qual Proença faz parte assinou, o primeiro-ministro dizia que o acordo tinha ido além do memorando. Depois vieram os elogios dos comentadores do regime e dos patrões do governo.

Se é verdade que as atitudes de Proença e da UGT já não surpreendem, o facto de ainda haver trabalhadores que se vejam nelas representados é, para mim, um mistério.



*Publicado originalmente na edição de Fevereiro do Notícias de Matosinhos

terça-feira, fevereiro 07, 2012

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Do 8 ao 80 em 5Dias

Há 5Dias assim. Há 5 dias, o Renato e a Raquel davam como exemplo a plataforma 15O para a democracia mais pura, os amanhãs que cantavam para um Povo dividido entre precários, não precários, sindicalizados e não sindicalizados, onde a CGTP incorpora os demónios, ao que parece, porque os militantes do PCP são eleitos pelos seus pares para cargos de direcção na Intersindical

Ao que parece, a CGTP tem seguranças que não deixam as pessoas participarem livremente nas suas manifestações e ainda está de braço dado com os malvados polícias, fazendo cordões à volta de manifestantes que só na cabeça destas duas almas são indesejados.


No sábado, a plataforma 15O não repetiu os feitos anteriores no que respeita à mobilização. É assim que funciona quando a imprensa não nos leva ao colo ou passa 15 dias a falar sobre a coisa.

Curiosamente, no sábado ficámos a saber que a plataforma 15O também tem seguranças e, pasme-se, veda o acesso à manif a um conjunto de cidadãos com recurso aos malvados polícias. Entenda-se que fizeram bem. Eu também não estaria numa manifestação com fascistas, o que leva a duas perguntas:

Quem garante que nas outras manifs não estariam as mesmas pessoas, não identificadas, já que, pelo menos nas primeiras, não havia um fio condutor de linha política, uma alternativa ou um plano de acção claro e ideológico?



Agora que a plataforma 15O assumiu que tem seguranças e que recorre à polícia para circunscrever manifestantes a um espaço delimitado, qual será o argumento para atacar a CGTP, para além do PCP que, ao que parece, é um alvo crónico de um movimento tão agregador?

Na sexta, comentei o texto acima linkado avisando que “todos juntos, lado a lado, cada um com a sua política (e o seu pensamento) nas mãos. E se o logramos certamente também com uma garrafa de champagne, para celebrar a vitória" era uma afirmação perigosa. Todos é muita gente. Como se provou, cuspir para o ar em dias em que não há vento pode ser um problema.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Filhos da puta

Boa noite. Já aqui escrevi que, para mim, o que a sul do Mondego é um "palavrão", a norte é uma interjeição. "Filhos da puta" foi o que me saiu ontem quando soube do acordo de amigos que o sindicato dos patrões, a UGT, assinou ontem com o governo e os outros sindicatos dos patrões, a CIP e os latifundiários, perdão, os representantes dos patrões dos agricultores, que latifundiário é coisa de comuna.

A UGT vendeu, mais uma vez, os direitos mais básicos dos trabalhadores. O direito ao descanso, à estabilidade laboral, à negociação colectiva, abriu porta à arbitrariedade dos patrões na decisão da vida de cada um de nós. Sim, patrões. Empregadores o caralho, é que são empregadores. São patrões, tanto como eu sou trabalhador e não sou colaborador.

Uma central que se afirma sindical e que assina um pré-aviso como o que podem ver no post abaixo, não pode refugiar-se no acordo com a troika, assinado pelo PS, PSD e CDS, que prometeu combater. Passos Coelho afirmou, na altura da assinatura, que tinham sido mais ambiciosos e ido mais além do que estava previsto no memorando. Filhos da puta.

Vários dos pontos assinados são quase inacreditáveis. Os bancos de horas aplicados aos trabalhadores agrícolas, que os levará a trabalhar de sol a sol, como há 100 anos. A sustentabilidade da Segurança Social, que nos obriga a trabalhar cada vez mais, mas que vai pagar parte do salário que cada trabalhador tem direito a receber. A redução dos dias de férias, de 25 para 22 dias, tirando as pontes que patrões entendam fazer. Aqui, convém lembrar que o aumento de 22 para 25 dias de férias surgiu precisamente porque os patrões não quiseram pagar prémios de assiduidade: quiseram "dar" os dias de férias. A abertura aos despedimentos arbitrários. A redução no pagamento das horas extraordinárias, enfim, tudo o que consta naquelas 52 páginas, tão filhas da puta.

Evidentemente, a luta sairá à rua e será mais contundente, cada vez mais contundente. Até ao derrube do último filho da puta que acha que fala em nome dos trabalhadores ao lado dos patrões.

Para o amigo Proença, as coisas não são más. Que pouca ou nenhuma vergonha este senhor tem na cara, já pouca gente teria dúvidas. Espanta-me, porém, que ainda haja sindicatos que fazem parte daquela espécie de associação de amigos.

Assim, lanço o humilde apelo aos trabalhadores dos seguintes sindicatos, para que tenham coragem e se desvinculem de quem não os defende e tinha obrigação de o fazer. Confiram a lista e façam a única coisa que é aceitável fazer: "partir a espinha à UGT".

FEBASE - Federação do Sector Financeiro
FE - Federação dos Engenheiros
FETESE – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços
FNE - Federação Nacional da Educação
FNSTP - Federação Nacional Dos Sindicatos Dos Trabalhadores Portuários
FENSIQ – Confederação Nacional de Sindicatos de Quadros
ANTF - Associação Nacional dos Treinadores de Futebol
BANCA DOS CASINOS - Sindicato Profissionais de Banca dos Casinos
SBC - Sindicato dos Bancários do Centro
SBN - Sindicato dos Bancários do Norte
SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas
SDPA - Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
SE - Sindicato dos Enfermeiros
SE - Sindicato dos Economistas
SEMM - Sindicato dos Engenheiros Marinha Mercante
SETAA - Sindicato da Agricultura, Alimentação e Florestas
SETACCOP - Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços Afins
SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculos
SINAFE - Sindicato Nacional Ferroviários do Movimento e Afins
SINAPE - Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação
SINCOMAR - Sindicato dos Capitães Oficiais da Marinha Mercante
SINDAV – Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Aeroportos e Aviação
SINDCES - Sindicato Democrático do Comércio, Escritórios e Serviços
SINDEFER – Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia
SINDEL - Sindicato Nacional da Indústria e da Energia
SINDEP - Sindicato Nacional e Democrático dos Professores
SINDEPESCAS - Sindicato Democrático das Pescas
SINDEQ - Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxteis e Indústrias Diversas
SINDESCOM - Sindicato dos Profissionais de Escritório, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos das Ilhas de S. Miguel e Santa Maria
SINDETELCO - Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Média
SINDITE - Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica
SINFA - Sindicato Nacional de Ferroviários e Afins
SINFESE - Sindicato Nacional dos Ferroviários Administrativos, Técnicos e de Serviços
SINTABA/AÇORES - Sindicato dos Trabalhadores Agro-Alimentares da Região Autónoma dos Açores
SINTAP - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos
SINTICAVS - Sindicato Nac. Trab. Ind. Cerâmicas, Cimento, Abrasivos, Vidro e Similares
SISEP - Sindicato dos Profissionais de Seguros de Portugal
SITEMA - Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronaves
SITEMAQ - Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra
SITESC - Sindicato dos Quadros, Técnicos Administrativos, Serviços e Novas Tecnologias
SITESE - Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços
SITRA - Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes
SMAV - Sindicato dos Meios Audiovisuais
SMMCMM - Sindicato da Mestrança e Marinhagem de Câmaras da Marinha Mercante
SNATTI - Sindicato Nacional das Actividades Turísticas Tradutores e Intérpretes
SNEET - Sindicato Nacional dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos
SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil
SOEMMM - Sindicato dos Oficiais e Engenheiros Maquinistas da Marinha Mercante
SPCL - Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas
SPZC - Sindicato dos Professores da Zona Centro
SPZN - Sindicato dos Professores da Zona Norte
SQAC - Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial
STAS - Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora
STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Público
STECAH - Sindicato dos Trabalhadores de Escritório e Comércio de Angra do Heroísmo
STVSIH - Sindicato dos Técnicos Vendas do Sul e Ilhas
UGT/PESCAS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector das Pescas


terça-feira, janeiro 17, 2012

UGT, Mário Crespo e Arménio Carlos

Parte 1: Arménio Carlos, da CGTP, dá uma tareia a Mário Crespo.





Aqui, o que a UGT assinou como pré-aviso da Greve Geral.


Comparar com o que esta central "sindical" assinou ontem:
1 - Indemnizações descem em Novembro
2 - Cortes alargados a casos de justa causa pelo trabalhador
3 - Fundo no final do ano
4 - Menos férias só a partir de 2013
5 - ‘Pontes' podem implicar fecho da empresa ou perda de salário
6 - Cortes nas horas extra
7 - Subsídio pode acumular com salário
8 - Subsídio para "recibos verdes" pode atrasar

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Cinco ‘tiros’ na unanimidade

Texto publicado no Facebook do Movimento por Leça e da responsabilidade do mesmo, que subscrevo na íntegra.


A Assembleia Municipal de 12 de Janeiro de 2012, na Câmara de Matosinhos, tinha tudo para ser histórica. Ficou lá perto, e deixou história para contar…

Primeiro ‘tiro’

Com a iminente realização da Assembleia Municipal convocada para apreciação, discussão e votação de uma deliberação da Assembleia sobre o Eixo 2 do Documento Verde da Reforma da Administração Local, proposto pelo Governo português, entendeu o presidente da Assembleia Municipal, sensibilizado para o efeito e sensível à sugestão, auscultar este Movimento de cidadãos e suprapartidário num encontro que permitiu a todas as partes empenhadas na defesa das Freguesias do concelho acertassem a redacção final de um documento que, foi-nos dito, seria aprovado unanimemente pelas forças partidárias representadas no arco parlamentar local.

O senhor presidente da Assembleia Municipal também fez saber que tentou incluir, infrutiferamente, representantes de um movimento de cidadãos da Freguesia de Guifões, reconhecendo, por outro lado, e no que respeita ao Movimento Por Leça, o dinamismo que este mesmo Movimento tem exibido na defesa da sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira.

A forma tão activa como o MPL está empenhado desde a primeira hora de vida nesta questão, esforço, fundamentou, portanto, a participação deste Movimento numa reunião onde, e obviamente, ao MPL não poderia ser solicitado algo mais que considerações ou propostas acerca do documento a sufragar pelos deputados da Assembleia Municipal.

Com mais ponto ou menos vírgula, o texto da deliberação reuniu aspectos vitais à defesa de Leça da Palmeira (e de todas as freguesias do concelho), principalmente no ponto 9 das deliberações: «Considerar que, face à dimensão territorial e populacional do concelho de Matosinhos, o número de freguesias actualmente existente é o que melhor serve os interesses da população e a prestação do serviço público;».

Pouco mais à frente no documento, outro ponto de vista interessante, apelativo, denunciador de uma vontade de elevar a importância dos cidadãos acima de tudo na discussão das vidas de todos nós, saltou à vista. «12.º - Não participar em qualquer processo conducente à eliminação de freguesias do concelho de Matosinhos sem que, previamente, qualquer modelo de reforma do Poder Local obedeça ao princípio democrático da consulta popular e de participação de toda a população;».

Ora, estes e todos os pontos, e todas as vírgulas, e todas as palavras, enfim, todo o conteúdo do documento mereceu o mais concordante dos sins nessa reunião, e sem novidade ou surpresa, do ponto de vista dos políticos presentes, pois todos estavam já mais que a par do conteúdo do documento e das vontades expressas no mesmo.

Só o MPL não sabia o que lá estava, mas foi-nos facultado acesso prévio e a possibilidade de intervirmos antes de ser formalizada a redacção final da deliberação, preparada, naturalmente, com o contributo de todas as forças partidárias actuantes na Assembleia Municipal.

Do gesto do senhor presidente da Assembleia Municipal para com o MPL, não se cansa o Movimento de dizer: registámos, com um aplauso e um sentido elogio, a atitude demonstrativa de uma visão muito mais madura de quem também está à frente de uma equipa, na qual confia cegamente, e bem, mas não menospreza outros argumentos contributivos a uma discussão, a uma preocupação, a um combate que não é exclusivo dos políticos. No gesto do senhor presidente da Assembleia Municipal ficou, para nós um assinalável exemplo, porque ouvir ‘forças vivas’ é também ouvir os cidadãos de todas as formas possíveis, ou seja, para lá das Assembleias destinadas a esse efeito e onde o público apenas pode intervir uma única vez.

A reunião foi ainda um momento para o Movimento Por Leça reparar sem esforço numa pequenina diferença do tamanho do Mundo entre a vontade expressa na Deliberação da Assembleia Municipal e a convergência de ideias explanada e aprovada por unanimidade, ainda em 2011, em documento do mesmo carácter, mas pela Assembleia de Freguesia de Leça da Palmeira: um derrame de fundamentações que, essencialmente, apontava a uma inversão de posições - Leça da Palmeira passaria a ser freguesia agregadora, em vez de agregada. 

«Isso é passado», disse-nos o senhor presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, também presente nesse encontro. Efectivamente, tinha razão, «isso é passado». Felizmente, tinha razão, «isso é passado».

Mas o passado é o que faz a memória de todos, e a memória, viva, fresca, é o reservatório dos exemplos do que queremos e não queremos para o futuro. O presente oferece-nos a possibilidade de interferirmos com o nosso destino, que desejamos ser o da sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira, acima de todos e quaisquer interesses políticos, ainda assim, sem rejeitarmos que esses mesmos interesses devem concorrer unidos neste combate, mas há ilusão neste pormenor, como tão bem nos demonstrou a última Assembleia Municipal.

A admissão, pelos deputados do concelho, em subscreverem de forma unânime um não redondo e sonoro à extinção de quaisquer freguesias no município, e que fora comunicada ao MPL pelo senhor presidente da Assembleia Municipal na reunião prévia, foi cinzelada à última hora e amputada de cinco vozes a favor, o mesmo número de abstenções recolhidas na votação, todas pertencentes à mesma bancada: a do PSD.

A Deliberação municipal foi aprovada sem votos contra e por uma maioria onde cabe o senhor presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, que acertou ao juntar-se a todos os que validaram a ideia de o município estar contra a extinção de qualquer uma das suas freguesias. Uma Deliberação que também é um ‘tiro’ na posição mais local e aprovada de forma unânime, a tal que, concordamos em absoluto e com grande satisfação, é passado.

Olhando a passado, presente e futuro, o Movimento Por Leça segue instalado no seu propósito original: defender a sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira. Somos um grupo de cidadãos que não se apresenta estanque em número de integrantes, que é suprapartidário e que procura, mesmo com recursos limitadíssimos, estar ao lado de todos os que têm os meios e poder institucional para exercer a luta por Leça da Palmeira, como é, precisamente, o caso do Executivo da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, do qual também já recolhemos elogios e ao qual também endossamos elogios sempre que as posições convergem.

A união de todos os leceiros nesta causa é utópica. Não acreditamos que todos os leceiros estejam do mesmo lado relativamente a esta matéria, mas fazemos por lutar por nós e pelos muitos e muitos que desejam a sobrevivência da Freguesia de Leça da Palmeira – e aí pensamos integrar uma maioria. Neste universo, há um saudável mosaico de ideias e de ideais, uma disparidade de pensamentos que pode e deve ser aplicada na busca de um objectivo comum a todos, tão comum quanto a imperfeição a que ninguém pode fugir.

SOMOS LEÇA!

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Cobardia em Matosinhos - Dos Guilhermes ao PSD

cobarde
(francês couard)

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem recua ante o perigo ou o medo.

2. Que ou quem agride à traição.

3. Que ou quem é valente com os mais fracos.

4. [Figurado]  Tímido, acanhado.


Sinónimo Geral: COVARDE
in Priberam

Na noite de 12 de Janeiro foi dia - reparai na classe da antítese - de mais uma Assembleia Municipal em Matosinhos, desta vez para discutir a extinção das freguesias, Leça da Palmeira e Guifões, no caso. O propósito da AM era a aprovação de uma deliberação, por unanimidade, que rejeitava a aplicação do Eixo 2 do Documento verde ao concelho de Matosinhos. Na elaboração de documento participaram todos os partidos e um movimento de cidadãos, o Movimento Por Leça.


Cobardia I
Pretendia-se, assim, transmitir a ideia de unidade em torno de uma questão fulcral para as Freguesias. No entanto, numa verdadeira cambalhota à retaguarda, com mortal encarpado, o PSD de Matosinhos decidiu abster-se. Abster-se num documento que os próprios deputados municipais ajudaram a elaborar. Enquanto se preparava a votação, Guilherme Aguiar, do PSD, que chegou mais de uma hora depois do início da sessão, surgiu com um colar cervical, mas nem isso serviu para endireitar-lhe a espinha: depois do episódio do solitário, divulgado aqui no blog, estava tranquilamente a ler o jornal. Percebe-se. Afinal, o vereador da Câmara Municipal de Matosinhos precisa das senhas de presença para abastecer o carro da autarquia em que se desloca, todas as segundas-feiras, para Lisboa, onde vai debitar umas opiniões sobre futebol.


Cobardia II 
No período aberto à intervenção do público, referi que um dos motivos para as cadeiras da autarquia não estarem cheias de munícipes, tinha a ver com o descrédito do Poder Local, que é visto como um espaço de mais uns tachos, amiguismo e compadrio e que a Câmara Municipal de Matosinhos não é inocente perante este facto. Ora, o presidente Guilherme Pinto tomou as dores de ofendido e acusou-me, umas quatro ou cinco vezes, de cobardia, porque não concretizei o que disse com nomes e com factos. Note-se aqui a anuência do presidente da Assembleia Municipal, que permitiu este tipo de linguagem ao presidente da CMM, pelo que, certamente, aceitará termos semelhantes que qualquer munícipe utilize em sessões futuras. Da minha parte, aviso já que irei utilizá-los.

Cobardia III
Ora, o presidente da CMM sabe que os munícipes têm cinco minutos para intervir e não têm direito ao contraditório na AM, pelo que não poderia aprofundar o que disse. No entanto, fica a promessa que, nos próximos dias, irei concretizar aquilo que afirmei na AM. Mais à frente, para surpresa de todos, o mesmo Guilherme Pinto, revelou que o governo está a preparar a fusão da administração dos portos do país e que até já tinha ouvido alguns nomes. No entanto, não concretizou, o cobarde. Não falou em nomes nem em factos.



Cobardia IV
Voltando à deliberação da AM, não gabo a sorte do PSD de Leça da Palmeira e de Guifões, que serão trucidados, e bem, em próximas sessões das Assembleias de Freguesias respectivas. No lugar deles, eu sei o que faria, mas isso sou eu.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Quarto escuro*

Acabou, finalmente, o ano de 2011. O pleonasmo é forçado, mas confesso que estava ansioso. A verdade é que foi um ano muito, muito difícil para a generalidade dos portugueses, que foram chamados a escolher os deputados que queriam ver representados na Assembleia da República. Pelo meio, uns fugiram, de fininho, para França, na esperança para obterem mais estudos, numa premonição do que viria a ser a palavra de ordem do governo entretanto eleito: emigrai. De perto, seguiu-se a família de uma cadeia de hipermercados, que vai pagar menos 10 por cento de impostos, mas na Holanda. Fica o aviso: na Holanda vai deixar de ser permitido vender produtos derivados da cannabis a estrangeiros.

O povo escolheu quando não sabia o que ia escolher. O pacto de agressão do FMI já estava alinhavado e faltava aplicá-lo. O povo escolheu, pois, de olhos vendados, às escuras, enganado pelos apelos da resignação e da inevitabilidade.

Com a agressão externa de que o país está a ser vítima, está em marcha a privatização de tudo o que são serviços públicos e daquilo que deve ser o Estado. Daquilo que o Estado tem obrigação de dar a quem paga impostos. Curiosamente, este Estado é o mesmo que não quis tributar dividendos de accionistas dos grupos
cobrados em bolsa, no ano passado.

Sendo realista, a pior notícia de 2011 foi o início de 2012. A menos que o povo saiba travar o retrocesso. E há duas formas de travar; ou se trava parado à espera do impacto ou se trava avançando. Com confiança.

*Publicado, originalmente, no jornal Notícias de Matosinhos

segunda-feira, janeiro 09, 2012

"Angelada", o mentor de Passos Coelho

No segundo governo liderado por Pinto Balsemão, em 1981, Ângelo Correia e Carlos Encarnação foram, respectivamente, ministro da Administração Interna e secretário de Estado da Administração Interna. Seis dias após ter tomado posse, Ângelo Correia delegou no comandante-geral da PSP, entre outros poderes, colocar oficiais, comissários, funcionários de secretaria e exonerar agentes da Polícia. O VIII governo constitucional durou pouco mais de um ano, mas Ângelo Correia ficou para a história pelos ataques à democracia levados a cabo na Greve Geral de 12 de Fevereiro de 1982 e pelas cargas contra trabalhadores no 1.º de Maio do mesmo ano, que causaram dois mortos e dezenas de feridos.

O termo "angelada" ficou celebrizado por ter sido utilizado pel'O Jornal. No dia da Greve Geral, foram detidas três pessoas que nada tinham a ver com a Greve, mas foi suficiente para Ângelo Correia lançar um ataque à CGTP e ao PCP, dizendo que estava em marcha "um plano subversivo e desestabilizador tendente a alterar a ordem democrática". Nos três dias seguintes, o governo apresentou três versões diferentes dos factos, o que motivou a chacota da imprensa.

Sobre esta "inventona", como também ficou célebre, O Jornal escreveu: "Exemplos maiores de actuações lesivas da democracia, pelas quais deve ser responsabilizado o governo, a manipulação da rádio e da televisão e a "angelada" foram o prolongamento ideológico das bastonadas autênticas que a Polícia de Intervenção desferiu no Rossio, no próprio dia da Greve.

As celebrações do 1.º de Maio, no Porto, ficaram marcadas pela morte de duas pessoas e dezenas de feridos. O Governo Civil do Porto havia requisitado a PSP para a baixa portuense, sob pretexto de "proteger" a UGT. Nesse dia, a Polícia atingiu pelas costas um jovem de 24 anos e um outro, de 18, no maxilar.

Adaptação do livro "Sindicalismo na PSP - medos e fantasmas em regime democrático", da autoria de António Bernardo Colaço e António Carlos Gomes

Somos hoje governados pelo delfim de Ângelo Correia. Qualquer semelhança com ambientes repressivos 20 anos depois, é pura coincidência.

terça-feira, dezembro 20, 2011

O emigrante

Hoje fui dar uma volta ao Twitter. Assim, sem mais nem menos, aparece-me uma posta qualquer do Duarte Marques, deputado da nação e presidente da JSD. Perguntei-lhe o que achava a JSD sobre os constantes apelos à emigração dos jovens e dos professores, primeiro por um secretário de Estado, depois pelo Primeiro Ministro, respectivamente.

(clica para ampliar)

Respondeu-me que era "demagogia", uma resposta política de político, completando que quando "tanto se falava de mobilidade só porque é o PSD a falar nisso é um escândalo". Não sei o que me preocupa mais, se a notória imbecilidade da personagem, se a notória imbecilidade de todos os que ajudaram a eleger este senhor. Quem tiver paciência - muita - pode ir àquela rede social e observar a conversa.

Ora, eu não emigro, não quero. O Duarte Marques, segundo o próprio, emigrou durante cinco anos. perguntou-me se achava mal que as pessoas saíssem do país para voltarem com mais formação. Não, não acho. Acho que quem sair desta estrumeira em que vivemos dificilmente voltará. Mas isso sou eu.

No entanto, o Duarte Marques nunca foi um em emigrante. Duarte Marques foi, durante cinco anos, assessor do PSD no Parlamento Europeu e voltou a Portugal nas últimas eleições, como deputado.

Isso, menino, não é emigrar. Emigrar é saíres do teu país e ires arruinar os pulmões para as minas de Léon. Emigrar é saíres daqui e ires trabalhar nas obras em França. Emigrar é fuçares o jornal à espera de um qualquer país que peça gente qualificada para trabalhar e isso tu nunca fizeste.

Isso, menino, não é emigrar. Isso é o início de uma carreira, certamente promissora, na política. E tu, tão novinho, és mais um boy. Um dia chegarás, se o Povo quiser, a uma qualquer secretaria de Estado e serás um herói quando te olhares ao espelho, porque o que te preenche essa cabecinha não há-de dar para mais.

Desejo-te as maiores felicidades. Ou não, porque mentir é feio.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

O fim da rosa*

À data em que escrevo este texto ainda não está dada mais uma machadada no frágil tecido produtivo de Leça da Palmeira. Mas sê-lo-á, em Assembleia Municipal extraordinária devidamente convocada para o efeito. Quem vive em Leça sabe que, nas últimas duas décadas, principalmente, Leça se transformou num oásis da linha de praia, ficando para trás a zona norte da freguesia, bem como a zona de Gonçalves, ali por trás do Centro Hípico do Porto.


Há quase 30 anos Leça deixou cair a FACAR. Na altura, os trabalhadores acusavam a Câmara Municipal de estar a ceder a interesses imobiliários, o que foi prontamente desmentido pelo então autarca, Narciso Miranda. Anos mais tarde, com umas alterações ao PDM, construíram-se as torres que agora vemos ainda antes de entrar em Leça, bem como o complexo Entre Quintas. É que o tempo tem esta coisa teimosa de dar razão a quem a tem.

Anos mais tarde, com manobras mais ou menos obscuras, nasceu, paredes-meias com a Petrogal, um condomínio de luxo, numa distância da refinaria inferior àquela que, durante muitos anos, foi considerada de segurança. Toda a gente sabe como.

Agora, Leça da Palmeira perderá a Ramirez para Perafita, ficando por saber o que sucederá com o actual espaço da fábrica, onde me habituei a ver dezenas de ondas cor-de-rosa das batas das operárias.

A Rua Óscar da Silva ficará ainda mais pobre. Veremos como viverão os pequenos negócios nas imediações da Ramirez. Veremos o que nascerá no lugar da fábrica. Mais tarde ou mais cedo. É aquela coisa do tempo...

*Publicado originalmente na edição de Dezembro do Notícias de Matosinhos

sexta-feira, novembro 25, 2011

As freguesias, a Ramirez e a bisca

Ontem, na Assembleia Municipal extraordinária convocada pelo presidente da Assembleia Municipal de Matosinhos, houve vários assuntos em debate. O que mais me atraiu a atenção, confesso, foram os novos factos em torno da possível extinção/agregação de freguesias.
Primeiro: depois da reunião que o Movimento Por Leça manteve com o vereador Correia Pinto, a 21 de Outubro, onde foi referido que seria agendada uma AM extraordinária com a maior brevidade possível, ficámos a saber que o seu agendamento só seria decidido no final da AM de ontem. Que também foi extraordinária.
O presidente da CMM, Guilherme Pinto, revelou que só não tinha participado nas iniciativas da Junta de Freguesia de Leça porque o presidente da Junta sempre afirmou que a sua presença não era necessária.
Ora, na última Assembleia de Freguesia, o mesmo presidente da Junta, questionado sobre a ausência de Guilherme Pinto, afirmou desconhecer a agenda do presidente da Câmara. E assim se entalam dois compadres.

De notar também os avanços e recuos do presidente da Junta de Leça: primeiro era a favor da extinção de freguesias; passou a ser a favor da extinção de algumas freguesias, passou a ser a contra a extinção de freguesias - sendo impulsionador do movimento Freguesias Sempre -, deixou de comparecer nas reuniões do movimento que impulsionou (foi apenas a uma) e, agora, volta a ser a favor da extinção de freguesias, colocando Leça da Palmeira como deixando de ser uma freguesia agregada para ser uma "freguesia potencialmente agregadora". Alguém de Guifões, presente nas galerias, disse, e bem: "Existe alguém que, pedindo o respeito pela sua identidade, parece que está a querer passar por cima da de outros".
Outras informações sobre o mesmo assunto estão na página do Facebook do Movimento Por Leça.

Seguiu-se uma pequena intervenção sobre a Ramirez, que não comentarei uma vez que a minha opinião sobre o assunto será publicada na edição de Dezembro do jornal Notícias de Matosinhos, pelo que não seria correcto divulgá-la aqui.

Entretanto, enquanto se discutiam todas as matérias que, na minha humilde opinião, merecem alguma atenção, e não digo toda, vá, para não ser muito exigente, havia gente com outros afazeres.

O vereador Guilherme Aguiar, eleito pelo PSD e cooptado pelo PS, estava com a cabeça em água enquanto procurava a carta que lhe faltava para completar o jogo de Solitário no seu moderno Ipad.

E assim corre a vida em Matosinhos.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Somos Leça!*


Estive entre as pessoas que, no Facebook, criou o Movimento Por Leça, tendo como objectivo evitar a agregação da Freguesia de Leça da Palmeira. Depois, foi necessário dar corpo às quase 800 pessoas que aderiram, em meia-dúzia de dias, à página do Movimento. Para isso, foi agendada uma Assembleia Popular, que depois proporcionou o episódio lamentável que conhecemos. É certo que esta não é a altura para fazer avaliações políticas sobre este processo, mas este e outros casos não serão esquecidos; quando Leça vir assegurada a sua continuidade enquanto Freguesia, tudo o que se passou, com todos os protagonistas, voltará a estar em cima da mesa.

Por agora, centremo-nos em Leça da Palmeira, que é o que está em causa, aliás, foi o que sempre esteve em causa, apesar de um ou outro ego mais crescido.
Leça há-de ser sempre Leça, mas, para isso, é preciso que o Poder Local seja de facto a forma mais próxima de democracia, para lá dos porcos no espeto e dos subsídios às colectividades.

É fundamental que o Povo deixe de ver o Poder Local como “jobs for the boys”, como foi caracterizado pelo ex-ministro Teixeira dos Santos em plena Assembleia da República. Aliás, nestas mesmas páginas, referi a possibilidade de Matosinhos se juntar a Leça da Palmeira, tendo em conta a Reforma do Poder Local preparada pelo governo PS e levada a cabo pela coligação PSD-CDS.
Leça da Palmeira precisa de uma Junta de Freguesia, independentemente da avaliação política que se faça de quem a conduz.

O primeiro passo para recuperar a confiança perdida é servir de exemplo, mostrar que estão a servir e não a servir-se, sem jogadas de bastidores que permitam capitalizar mais uns votos para ter o poder pelo poder ou o poder pelo cargo.

Situações como as de deputados municipais que fazem negócios que lhes permitem fazer fortunas em dez minutos, são inaceitáveis e tiram força àqueles que, em defesa do poder democrático conquistado com o 25 de Abril, pretendem efectivamente servir o Povo.

Leça há-de ser Leça e sê-lo-á através da luta de todos os leceiros e de todos aqueles que pretendam aderir à causa.

Somos Leça!

*Artigo publicado na edição de Novembro do jornal Notícias de Matosinhos, escrito antes da concentração de dia 12 de Outubro, que motivou a escrita do post anterior.

domingo, outubro 30, 2011

Pratos limpos

Ontem estive presente na concentração em frente à Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, promovida pelo executivo da mesma, para lutar contra a agregação a Matosinhos. Estive presente enquanto membro do Movimento Por Leça, e, confesso, tenho feito um esforço tremendo para dissociar o esforço de convergência que os membros da Comissão Coordenadora do MPL defendem da minha opinião pessoal sobre muitos assuntos.

Ontem, digam os jornais o que disserem, a população não respondeu da forma que toda a gente esperava. Se estiveram entre 250 a 300 pessoas, foi muito. Talvez no jantar da noite, no restaurante Rochedo, tenha estado mais gente - nem sei se teve lugar, confesso - e não podemos esquecer que seria o jantar o "primeiro momento de luta contra a extinção da Freguesia".

Felizmente, depois de surgir o Movimento Por Leça, a Junta decidiu andar da perna e correr atrás do prejuízo, organizando uma série de iniciativas, algumas sobrepostas a outras já agendadas pelo Movimento. Ontem, falei em nome do Movimento, deixando passar ao lado a questão da moção reprovada pelo PS, PSD e CDS contra a extinção de freguesias, apresentada pela CDU na Assembleia Munucipal.
O Movimento surgiu com um propósito agregador, sem pretender retirar quaisquer dividendos políticos. E é assim que deve manter-se. Por isso, custa-me estar ao lado de quem apregoa a união, o espírito agregador e apressa-se, quando tem palco, em atirar na direcção da oposição, no caso o PSD, apesar de dizer, ao mesmo tempo, que esta não é uma luta partidária.

Não, não estou a defender o PSD, estou só a defender Leça da Palmeira. Para mim, o estado decadente a que o Poder Local chegou deve-se tanto ao PS como ao PSD. E, para quem não sabe, sou militante do Partido Comunista Português, nunca o escondi.
Mas o espírito de união não será construído com declarações como esta: «A nossa primeira grande acção é já no dia 4 de Novembro, com uma assembleia de freguesia extraordinária, onde vamos tentar envolver todos os partidos porque infelizmente, até à data, o PSD local não tem comparecido a nenhuma das nossas iniciativas, por isso achamos que chegou à altura do PSD, publicamente, deixar de enterrar a cabeça na areia, deixar de ser conivente com este Governo, esquecer os interesses partidários e olhar para o interesse comum, que é o interesse da freguesia”, criticou».

Sejamos claros e objectivos e recordemos, então, que esta medida já estava ser preparada pelo PS quando o Governo de Sócrates caiu, pela mão de Teixeira dos Santos.

Não é disto, neste momento, que Leça da Palmeira precisa. A avaliação e o comportamento político de todos os partidos deverá ser remetida para mais tarde, quando tivermos ganho esta batalha e Leça da Palmeira continuar a ser freguesia. Isto não é unir. É comprar guerras partidárias em lugar de centrar-se no essencial. E, por muito grande que seja o ego de alguns, o que interessa é Leça da Palmeira.

O presidente da Junta sabe que tenho legitimidade de perguntar-lhe, também, por que é que a delegação da Junta que deveria estar presente em frente à Câmara Municipal de Matosinhos, no dia da concentração organizada pelo Movimento, não apareceu. Ou antes, apareceu, mas já estava na sala onde a delegação do MPL viria a ser recebida pelo vereador Correia Pinto. Posso perguntar, também, se o presidente apenas não quis colar a Junta (PS) a uma concentração em frente a uma Câmara PS. Se não foi também uma questão de interesses partidários que levou o MPL a esperar por uma delegação da junta que nunca chegou - ou antes, que chegou bem antes de todos.

Obviamente, isto é um desabafo pessoal e não vincula o Movimento. E, caso assim entendam os membros do MPL e a sua Comissão Coordenadora, estou disponível para abandoná-la, continuando a desenvolver todos os esforços em prol de Leça da Palmeira enquanto Freguesia, independentemente da avaliação que faço de quem a dirige. Foi sempre o meu propósito, como, acredito, seja o de todos os membros do MPL.

SOMOS LEÇA!

quarta-feira, outubro 12, 2011

O ponto do i*


O i surgiu há uns tempos não só como um novo jornal, mas como um jornal novo. Num formato pouco tradicional, até já ganhou prémios internacionais de design, que devem orgulhar todos os que lá trabalham.
Mais tarde, o i acabou vendido e com nova direcção, também editorial. Perdeu a linha recta e desviou-se para a direita mais retrógrada, sob a tutela de António Ribeiro Ferreira, que nas últimas semanas se tem entretido em insultos e calúnias a tudo o que se assemelha com sindicatos e movimentos de trabalhadores.
Há dias, o ex-colunista do Correio da Manhã, onde assinava a crónica “Diário da Manhã”, um título bem elucidativo do que sai daquela cabeça e escorre até aos dedinhos com que bate no teclado, decidiu que “é preciso partir a espinha aos sindicatos”.
Ribeiro Ferreira gasta toda a sua crónica caricaturando os pançudos sindicalistas, acomodados a qualquer coisa que o cronista deve achar mordomias – e só o que vai dentro daquela cabeça poderá explicar.
Na verdade, Ribeiro Ferreira faz de ponto da sociedade, soprando-lhe aos olhos aquilo que o guião indica: contra os sindicatos, pela inevitabilidade da crise, pelo fim dos direitos adquiridos pelos trabalhadores. Ora, mas em todas as peças de teatro há espaço para o improviso, como bem se vê no filme “Pai Tirano”, filmado na década de 40 – tempos que serão de boa memória para o colunista.
Por vezes, o actor, que neste caso é colectivo, surpreende encenadores, pontos e outros que tais, e sai do guião, transformando a peça em algo bem mais interessante, dependendo do contexto. Pode ser que assim seja. Da minha parte, espero que sim.
E já que estamos numa de teatros, é melhor ter cuidado. Não vá o povo, em vez de partir a espinha aos sindicatos, começar a distribuir “pancadas de Molière”.

*Publicado originalmente na edição de Outubro do jornal Notícias de Matosinhos.

terça-feira, outubro 11, 2011

A primeira pessoa do singular

Às vezes, há qualquer coisa na primeira pessoa do singular que me faz alguma confusão. O "eu" é, às vezes, tão pequenino, que acaba por reduzir quem o usa sem critério a uma dimensão quase invisível. Paradoxalmente, quem usa o "eu" com muita frequência acaba reduzido à terceira pessoa do singular, para quem está fora do "eu". Passa a ser ele; ele quer, ele pode, ele que faça.

Para mim, a primeira pessoa do plural é a forma mais bonita de expressão quando queremos alcançar um objectivo. Sim, o herói colectivo, esse mesmo, o que Camões imortalizou.

Em Leça da Palmeira vivemos um momento que precisa de um herói colectivo, sem bicos-de-pés ou bicos de qualquer outra ordem. Quando alguém me diz coisas como "eu preciso da tua força", "eu preciso do teu empenho" soa-me a um desejo de protagonismo reduzido a um herói individual que só existe nos filmes. Ou a uma citação digna dos Beiblades e Picatchus que não faltam por aí.

Neste momento, Leça da Palmeira não precisa de umbigos do tamanho do buraco da Madeira. Leça da Palmeira precisa de união, de um herói colectivo que sempre foram e serão as gentes de Leça. O resto tem de ficar para outras lutas.


Leça é enorme, não cabe num ego só; fica apenas à medida do orgulho que temos em Leça da Palmeira enquanto Leceiros.


O Povo Leceiro decidirá o seu destino através de um colectivo que há-de ser cada vez maior, cheio de um sentimento único e que só quem passa por Leça da Palmeira consegue perceber.

Nós somos Leça!


MOVIMENTO POR LEÇA

Suprapartidário, independente e aberto a todos os cidadãos!

SOMOS LEÇA!

segunda-feira, outubro 10, 2011

Partidarite - A moção

Hoje, durante a discussão gerada no Facebook em torno a possibilidade da extinção da Freguesia de Leça da Palmeira, fui várias vezes acusado pelo presidente da Junta de "partidarite".

O que motivou a acusação, reiterada e repetida até à exaustão, foi o facto de eu ter denunciado no já famoso jantar que, na Assembleia Municipal, o mesmo presidente da Junta tenha votado contra uma moção apresentada pela CDU que rejeita esta reorganização do Poder Local.
Daí para frente, entre as "boas-vindas à luta por Leça", sem esquecer as referências feitas ao seu "amigo" Luís Santos, que por acaso é meu pai, até afirmar que precisava da minha energia para a luta, foi um fartar de elogios e contra-elogios.

Para que não restem dúvidas sobre o que o presidente da Junta não defende, pelo menos na Assembleia Municipal, aqui fica o texto da moção rejeitada:





Moção

Considerando que a Troika estrangeira em conjunto com os que no nosso país subscreveram o programa de agressão e submissão pretendem impor a redução substancial de autarquias (freguesias e municípios);
Considerando que o poder local democrático, indissociável da existência de órgãos próprios eleitos democraticamente, com poderes e competências próprias e agindo em total autonomia face a outros órgãos e, submissão apenas à Constituição, às leis, aos tribunais em sede de aplicação dessas mesmas leis e ao povo, é parte da arquitectura do Estado Português;
Considerando ainda que as autarquias constituem um dos pilares da democracia pelo número alargado de cidadãos que chama a intervir, como representantes do povo, na gestão da coisa pública, pelas oportunidades de participação efectiva dos cidadãos em geral nas decisões que lhes interessam, pela forma aberta e transparente da sua acção e ainda pelas realizações concretas que promove e têm contribuído para a melhoria da salubridade, das acessibilidades, dos transportes, do acesso à saúde, à educação, à cultura e à prática desportiva;
Considerando que o poder local democrático e as pessoas territoriais que o integram detém atribuições únicas essenciais ao bem-estar das pessoas, à representação e defesa dos interesses populares e à concretização da vida em sociedade;
Mais considerando que é herdeiro de tradições centenárias (milenares no caso de muitas das freguesias que querem ver extintas) em cujo caldo se consolidaram e sobrevivem elementos essenciais da identidade comunitária à escala local e a própria identidade nacional, deles diversa, mas que os integre na sua múltipla diferença;
Considerando, por fim que é residual o peso do poder local nas contas públicas e, em especial, ínfimo o das freguesias;
Considerando que de há muito que alguns não se conformam com o carácter avançado,  democrático e progressista do poder local e que alguns outros, em particular, de há muito consideram as freguesias como algo dispensável e até incómodo;
Considerando que a seriedade e coerência de qualquer reforma da organização administrativa que se pretenda eficaz deve considerar prioritariamente a criação das Regiões Administrativas e não a extinção de freguesias ou municípios;

A Assembleia ________________, reunida em    /    / 2011
DELIBERA:
1.      Manifestar a sua convicção de que, pela exiguidade dos recursos públicos que lhe são afectos e pela forma exemplar como são aplicados
a.      As autarquias locais têm um importante papel na promoção das condições de vida local e na realização de investimento público, indispensáveis ao progresso local, no combate às assimetrias regionais e, no presente quadro, às acções que contribuam para atenuar os efeitos da crise e em particular  aos reflexos sociais mais negativos que a aplicação do actual programa de ingerência externa está a impor aos portugueses;
b.      A extinção de autarquias que em quase nada contribuirá para reduzir a despesa pública, não só acarretará novos e maiores gastos para um pior serviço às populações como constituirá um factor de empobrecimento da vida democrática local;
2.      Repudiar a intenção de extinguir as autarquias existentes, seja pela sua pura eliminação seja por recurso a qualquer forma de engenharia política,  que lhes retire o que têm de essencial, a saber, os seus órgãos democraticamente eleitos, as suas atribuições próprias e a parte dos recursos públicos essenciais à sua existência e funcionamento nas condições de autonomia previstas na Constituição da República.

domingo, outubro 09, 2011

O fim de Leça como a conhecemos?

O FMI, juntamente com o PS, PSD e CDS decidiram, parece que está decidido. Leça da Palmeira, a par de Guifões, deixarão de ser freguesias.

Desde sexta-feira passada que era sabido que, de acordo com o previsto no Livre Verde do Poder Local que Leça da Palmeira deixaria de ser freguesia.

Curiosamente, fui convidado, através do Facebook, para um evento, supostamente uma manifestação de protesto contra a extinção da freguesia de Leça da Palmeira. Será uma enorme manifestação, com o custo de 10 euros e num restaurante de... Perafita! Mais, o evento estava já criado para comemorar os dois anos de mandato do actual presidente da Junta.

Obviamente, não participarei, primeiro, porque a luta não se faz em jantares, faz-se nas ruas, com a sensibilização do Povo.

Segundo, porque é fundamental que as pessoas percebam por que são contra a extinção de freguesias. Não por medo de perder qualquer tacho, até porque não o tenho. Sou contra a extinção de qualquer freguesia porque representa um retrocesso na proximidade do Poder Local, entre eleitores e eleitos. Leça da Palmeira ficará, ainda mais, um anexo de Matosinhos, e é isso que não iremos permitir.

Está criado, no Facebook, a página do Movimento Por Leça, um movimento suprapartidário que tem como único propósito defender o poder local plural e democrático, as raízes de Leça da Palmeira e das suas gentes.

terça-feira, outubro 04, 2011

Respirar em Matosinhos

Fui ontem alertado para o facto de ter surgido no facebook da Câmara Municipal de Matosinhos uma nota com o título "Matosinhos é uma das cidades menos poluídas do país". Primeiro não acreditei, depois fui verificar, depois confirmei. A nota existe mesmo e é parte, sim, só parte, de um estudo da Organização Mundial de Saúde que decorreu em 2008, contabilizando mais de 1.100 cidades de todo o mundo.

Quem vive no concelho sabe bem que o estudo pode ter vários méritos, mas há em Matosinhos o pequeno detalhe da refinaria de Leça da Palmeira. Uma pesquisa, que nem precisa de ser muito profunda revela várias questões:

As cidades consideradas pela OMS foram Lisboa, Maia, Funchal, Braga e Matosinhos, tendo sido submetidas a vários critérios. Começando por aqui, parece-me abusivo, a mim, que percebo pouco destas coisas, dizer que Matosinhos é uma das cidades menos poluídas do país, quando apenas cinco foram consideradas.

Num dos parâmetros, apresenta 23 microgramas por metro cúbico (m3) no que diz respeito ao nível de partículas poluidoras do ar, designadas por PM10 (partículas em suspensão com diâmetro menor do que dez milésimos de milímetro). Sendo assim, Matosinhos - a cidade ou o concelho? -, é realmente a menos poluída das cinco consideradas, segundo os dados de 2008. No entanto, o limite máximo considerado pela OMS é de 20 microgramas por metro cúbico, ficando nós acima do desejado. E não me parece que comparar o nosso nível de poluição com o de Tóquio - sim, se lerem a nota da CMM esta fá-lo - seja propriamente algo de positivo. É que Tóquio tem cerca de 8.340.000 habitantes, o município de Matosinhos, e não a cidade, tem algo a rondar os 175.000.

Para confirmar o que melhor a CMM divulga, fui à notícia do Público, de 27 de Setembro, onde outro pequeno detalhe atrai a atenção. No artigo, é referido que no que respeita às PM2,5 (partículas em suspensão com diâmetro menor do que dois milésimos de milímetro e meio), apenas foram analisadas as cidades de Lisboa, Funchal e Maia.

Curiosamente, estas partículas, PM2,5 são, segundo o Público, aquelas que surgem através da queima da madeira, consumo de derivados do petróleo e tráfego automóvel. E parece-me que a Jomar ainda não fechou e a Petrogal continua a refinar.

Voltando à nota, a CMM omite a questão destas últimas partículas. Mais: no comunicado remete para a página da Agência Portuguesa do Ambiente. No entanto, nenhuma das cinco estações de medição da qualidade do ar de Matosinhos controla as PM2,5, teoricamente aquelas que mais afectam quem vive no concelho.

Posto isto, a CMM continua a insistir em fazer-me de burro. E eu continuarei a exigir que, se me querem burro, pelo menos que me ponham uma albarda.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Portugal não é a Grécia

Há uns meses, Portugal não era a Grécia, porque a Grécia tinha um défice escondido. Há sete dias, Portugal não era a Grécia porque nós estamos no caminho certo, pelo menos assim falava o ministro Miguel Relvas, do PSD, o partido pai do outro que, na Madeira, escavacou tudo. Hoje, Portugal não é a Grécia, porque o buraco madeirense representa um acerto de 0,7 por cento no défice e o da Grécia era de 2,2. Estão todos enganados e a vasta equipa do Um Tal de Blog descobriu tudo.

Na verdade, Portugal não é a Grécia por 10 motivos:

1 - O Sócrates deles morreu há mais tempo que o nosso.
2 - O nosso Sócrates só agora foi estudar filosofia.
3 - A Grécia ganhou uma final de um Europeu de futebol em Portugal e Portugal nunca foi campeão europeu na Grécia..
4 - Existe a luta greco-romana mas não existe a luta luso-romana.
5 - A Grécia podia vender as suas ilhas para resolver os problemas financeiros, nós descobrimos um buraco financeiro nas nossas ilhas.
6 - A Grécia enviou-nos jogadores como o Katsouranis, nós mandámos para lá o treinador Fernando Santos.
7 - Os gregos têm as suas fronteiras bem definidas, nós andamos à porrada por causa de Olivença.
8 - A Grécia inventou as provas de fundo, como a maratona, nós inventámos o que nos leva ao fundo, a fuga ao fisco.
9 - Os nomes gregos acabam em Papadopoulos, os nossos acabam em Silva.
10 - Os gregos vão voltar ao dracma, nós vamos voltar ao escudo.

FIM.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Albardem-me!*

Numa noite destas, parece que Leça da Palmeira tremeu até à Foz do Douro. Eu não acordei, confesso, que sou rapaz de sono duro, mas consta que a Petrogal pregou mais um susto. A verdade é que para nós, leceiros, a Petrogal  já faz parte da paisagem, os riscos são conhecidos, as vantagens e as desvantagens também. Já as consequências que poderia ter um acidente grave na refinaria, ninguém pode medir com certeza. E nós preferimos não pensar nisso.
Mas há quem tenha obrigação de o fazer. Uma dessas entidades é a Câmara Municipal, que, à terceira tentativa, respondeu à pergunta que coloquei, através do Facebook:  Gostava de saber onde posso ter acesso ao plano de emergência municipal que contém as indicações sobre o que as populações devem fazer em caso de um acidente grave na refinaria de Leça”. Parece simples, não parece? Mas não é. Nunca foi. A questão é há anos colocada, pelo menos, nas Assembleias de Freguesia de Leça da Palmeira. A resposta foi sempre a mesma: o plano existe mas não é divulgado para não alarmar a população.
Deixemos o lado ridículo da resposta. A CMM enviou-me não o plano de emergência que solicitei, e que alegadamente existe, mas sim o Plano de Emergência Municipal, coisa antiga, uma vez que a edição mais recente data de 2006/2007. Refere mesmo a difusão de notícias através da rádio local, a mesma que foi recentemente vendida, e dos jornais cá do burgo, referindo-se, certamente, ao Notícias de Matosinhos, que comemora dois anos de vida, e ao Jornal de Matosinhos, já que, entretanto, o Matosinhos Hoje fechou.
Sobre o plano específico, nada. Sobre o que as populações devem fazer, zero. Sobre o tipo de gases libertados e o que fazer caso tal suceda, menos ainda. A questão acima continua sem resposta e fica, através deste texto, lançada de novo.
A CMM encontrou uma forma original de chamar-me burro. Não levo a mal, gosto da originalidade. Agora mostrai o que pedi e que, como munícipe, creio ter direito a conhecer.
*Publicado originalmente na edição de Setembro do Notícias de Matosinhos

quinta-feira, agosto 04, 2011

Alô Alô

Ontem, uma deputada do PSD ligou para o 112 para testar o tempo de atendimento do INEM. Como perceberá alguém com dois dedos de testa, uma chamada para o 112 não significa o accionamento do INEM, uma vez que o 112 atende também emergências relacionadas com crimes, devendo por isso ser encaminhadas para a força de segurança da área da ocorrência.

Há quem o defenda, como o José Manuel Fernandes, com o argumento de que um deputado deve poder fiscalizar um serviço. Pois que assim seja. Acabem-se com as auditorias e estudos que, de resto, todos sabemos como são feitos.

Voltemos à realidade e deixemos o mundo que só existe na cabeça do antigo director do Público e de outros elementos do PSD, melhor ou pior disfarçados. Fazer uma chamada falsa para o INEM é uma estupidez e uma irresponsabilidade.

Imaginemos, por exemplo, que um puto qualquer decide fazer uma chamada falsa. Se os pais souberem, deve receber um puxão de orelhas. Se o caso, por algum motivo, tornar-se mediático, passa a ser mais um símbolo da geração "dá-me o telemóvel já"! À deputada em causa, provavelmente, acontecerá coisa nenhuma. Mas só temos o que escolhemos.

Não, não é a questão mais grave do momento. Mas não deixa de ser um sintoma da imbecilidade que preenche as bancadas que suportam a maioria.