Mostrar mensagens com a etiqueta filhos da puta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filhos da puta. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, março 19, 2013

Belmiro

Belmiro em campanha com Passos Coelho, nas legislativas.

"Um cretino é um cretino e um vintém é um vintém", reza a lenda que terá sido uma expressão de Manuel Machado, treinador de futebol, e aplica-se na totalidade a Belmiro Azevedo: é um cretino e paga em vinténs.

Para Belmiro não há emprego sem salários baixos, as manifestações são rituais carnavalescos e tudo e tudo.

Estamos a falar de um dos homens mais ricos do Mundo, que até consta na lista da Forbes, e é o maior empregador privado do país - talvez assim se expliquem algumas manchetes de ontem e hoje que fazem questão de dizer que no público se ganha mais do que no privado, comparando o incomparável. Porque o sector privado - ainda - não tem juízes, polícias, magistrados, diplomatas, etc. Pelo menos formalmente.

Já se levantam por aí vozes a defender a liberdade de expressão, e que o senhor enriqueceu à custa do seu trabalho. Os ingénuos do costume. Estes são crónicos, que se fodam. Não vou explicar-lhes que o facto de alguém subir na vida à custa do seu trabalho não lhe dá o direito de dizer tudo. Nem de impedir que outros, certamente trabalhadores que se empenham tão ou mais que ele, possam ter uma vida melhor.

Isto não é uma questão de perda de humanismo, como também se diz. Isto é um filho da puta que não merece o ar que respira.

Mas ele sabe do que fala. Os operadores de caixa que emprega sabem-no também, os dos call-centers da Optimus, os jornalistas do Público. Falo dos jornalistas e não dos comissários políticos que por lá andam. 

Sabe do que fala porque sabe quanto ganha com cada um deles. Os trabalhadores sabem quanto perdem para que este filho da puta possa ter uma fortuna avaliada nos mil milhões de euros.

De tempos a tempos, o Continente participa nas recolhas do Banco Alimentar (olá, Jonet). E aqui entramos no campo da vergonha, ou da falta dela. Vivemos dias em que ter um emprego não garante a fuga à pobreza. Já terá passado pela cabeça deste filho da puta quantos dos trabalhadores a quem, na sua cabeça, faz o favor de dar emprego, têm de recorrer ao BA para que este senhor possa ter o que tem e ser o que é?

Noutro plano, estamos numa fase em que já pode dizer-se tudo. Os fascistas mais ou menos encapotados já entendem que podem dizer em público aquilo que guardavam para eles ou que diziam nos gabinetes. De Ulrich a Belmiro. E isto deve fazer-nos pensar e agir ainda mais nos tempos que vivemos.

Eles declaram-nos guerra todos os dias. Nós temos de responder.

PS: Estive muito perto de ir ao Clube dos Pensadores. Felizmente, não fui.

PS2: O texto está desgarrado e, provavelmente, sem ligação, mas não consegui fazer melhor. Estou demasiado revoltado.


Figli Della Stessa Rabbia
(Filhos Da Mesma Raiva)

 Banda Bassoti


Letra:

Forte il pugno che colpirà in ogni paese in ogni città
Chi cammina sopra ai corpi violenta le culture cancella i ricordi
Forte il braccio che alzerà la bandiera rossa della libertà
Come chi combatte sui monti con le scarpe rotte quando fischia il vento
Come augusto Cesar Sandino Josè Martì y Camilo Torres
Come chi combatte col cuore la causa dei poveri contro l'oppressore
Come Steven Biko,
Hochimin la comandante Clelia,
Samora Machel come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia
Come i Sioux e i Cheyenne, Tupac Amaru e Simon Bolivàr
Come el Che, Farabundo Martì figli della stessa rabbia 

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Cortar pelo picotado

Parece simples. Dá-se meia volta à chave e o rádio liga-se, numa espécie de ritual diário que serve para fazer companhia até ao trabalho. Sim, ainda tenho trabalho. A Antena 3 faz-me companhia até à hora das notícias.

No entanto, desde há uns anos que se tornou penoso fazê-lo e, se o faço, é só mesmo porque o trabalho assim obriga. Ouço a TSF, normalmente, e não há dia em que não haja uma relvice, uma declaração estúpida de um secretário de Estado, de um ministro ou o anúncio de novos cortes, sejam eles elaborados pelo FMI ou pelo governo.

Hoje não foi excepção. E pouco tempo depois de PSD e CDS comprarem o BANIF, à semelhança do que o PS havia feito com o BPN, o Negócios apresenta-nos as propostas do FMI para reduzir a despesa em 4.000.000.000 de euros (peço desculpa por algum zero a mais ou a menos). Estamos a falar do mesmo FMI que, em Outubro do ano passado, chegou à conclusão que a austeridade tem um efeito no PIB mais recessivo que o previsto. E, já agora, do mesmo FMI que, habituado a mandos e desmandos, se esqueceu de que - ainda - há por estas bandas uma Constituição. É com este cuidado que os "especialistas" que têm no actual governo PSD-CDS, com as abstenções violentas do PS, os cães de fila, gerem o país.

O que é proposto no mais recente estudo do FMI vai no sentido de continuação da mais violenta agressão de que há memória ao povo português. Para o FMI, o subsídio de desemprego continua a ser demasiado longo e elevado, o despedimento de 50.000 professores e pessoal auxiliar permitiria poupar 710 milhões, é necessário subir (outra vez e ainda mais) as taxas moderadoras, alterar os sistemas de pensões dos militares e polícias, aumentar as propinas no ensino superior, aumentar a idade da reforma, retirar abonos, aumentar o horário de trabalho e diminuir o valor das horas extraordinárias na função pública, diminuição do salário mínimo na função pública, diminuir os subsídios de maternidade e paternidade e acabar com o subsídio de morte.

Por partes:
O FMI considera que o subsídio de desemprego é demasiado elevado (máximo de 1.045 euros mensais) e dura demasiado tempo, pelo que o valor máximo deverá ser reduzido e, após 10 meses sem trabalho, o desempregado passaria a ganhar o valor do subsídio social (419,22) euros.

O despedimento de 50.000 professores e auxiliares far-se-ia através da sua colocação no regime de mobilidade e, após dois anos nesse regime, o recurso ao despedimento. Ainda na educação, mas no ensino superior, o FMI considera que fica mais barato o estado pagar a privados - e PS e PSD sabem bem como o ensino privado pode ser de excelência. O FMI vai mais longe e alarga a fórmula ao ensino básico e secundário.

O FMI conclui também que há margem para subir mais as taxas moderadoras na saúde, por exemplo, dos actuais 20 euros cobrados nas urgência para 33,62 euros.

Estes são apenas alguns dos pontos revelados hoje, ao longo de 11 longas e dolorosas páginas do Negócios.

O ataque às funções essenciais do Estado está agora num novo patamar. Independentemente de este estudo poder ser apenas para o governo dizer, mais tarde, que não foi tão longe como o FMI queria, a verdade é que estão aqui propostas gravíssimas para um povo que já não vive, sobrevive, num país rasgado pela austeridade cega, pela miséria, pela fome, empurrados para a indignidade por quem vê o país em folhas de excel para depois vir recomendar-nos pão e água.

O que está a suceder agora nos países do sul da Europa não é novo, aconteceu no século passado na América Latina, com os resultados desastrosos que são conhecidos. Um fosso astronómico entre ricos e pobres, a desigualdade, as oligarquias. Por lá, os povos demoraram a perceber que têm o poder nas mãos e assistimos a uma viragem à esquerda em muitos dos países. Por cá, ainda estamos na fase de deixar bater no fundo.

Veremos o que querem os portugueses. É este povo que terá de escolher o lado da barricada, quer em eleições, quer nas ruas. Não creio que estejamos em tempo de andar a brincar às oposições ou, sequer, de empurrar com a barriga a necessidade de eleições. Este governo tem de sair já. A bem ou a mal.



Artigo 21.º
Direito de resistência
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Artigo 22.º
Responsabilidade das entidades públicas
O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem.

Constituição da República Portuguesa

quarta-feira, maio 02, 2012

Somos umas putas morais - vendemo-nos por 50% de desconto

Ontem, o Alexandre Soares dos Santos cagou numa das mais importantes datas da história da humanidade e descobriu-nos a careca. Somos mais desumanos do que pensamos.

Enquanto os media mainstream se debruçam nas questões legais, do dumping à concorrência desleal - já agora, com o pagamento de um dia e meio de trabalho a cada trabalhador, aliado ao desconto generalizado de 50 por cento na conta final, terá havido algum lucro para a empresa? - o que mais me preocupa é a moralidade de quem levou a cabo a iniciativa e de quem embarcou nela.

Já agora, os media que se fodam mais as "palavras de ordem de sempre", os "conceitos sempre repetidos" mais a conotação pejorativa que lhe dão. Se são as palavras de sempre é porque as reivindicações com décadas continuam a fazer cada vez mais sentido.

Já dizia um poeta brasileiro que "a necessidade é maior do que a moral" e o capital não perdoa. O capital faz-nos não só passar por necessidades como faz-nos acreditar que precisamos do que não precisamos. Ontem, uma parte da população precisou de tudo e mais alguma coisa. Duas conclusões:

Primeiro, o capital mata-nos à fome e oferece-nos depois comida* com 50 por cento de desconto como se fosse uma benesse, um favor que nos faz por enriquecermos o PIB, no caso o da Holanda, enquanto tem impostos reduzidos e paga miseravelmente aos trabalhadores. Basicamente, vende-nos o que produzimos quase de borla de forma a parecer barato - Portugal é um dos países da UE com os custos de trabalho mais baratos. Diz que é o mercado, mais a lei da oferta e da procura. Para mim é só selvagem. O que ontem aconteceu foi dar com uma mão o que têm tirado com as duas.

Segundo, a data escolhida não é ingénua. Podemos todos relativizar, mas não é. É uma afronta a todos os trabalhadores e às suas lutas e fez com que fosse quase esquecida por uma parte da sociedade. Depois, abre o debate sobre o significado do 1.º de Maio, mesmo que muita gente não saiba qual é nem o que representou ao longo de décadas. Relativiza-se tudo, porque "se uns trabalham, outros também podem trabalhar", mesmo que se comparem hospitais e esquadras de polícia a supermercados, sem se perceber o ridículo da coisa. Eu acrescento, em adaptação livre do Saramago: relativizem a puta que vos pariu a todos.

A génese do 1.º de Maio tinha por princípio uma reivindicação clara: oito horas de descanso, oito horas de trabalho e oito horas de lazer. Os trabalhadores, massa insatisfeita, conquistaram mais e mais ao longo dos anos. O capital, com uma sociedade reduzida ao poder do consumo, retaliou. Estamos a viver um momento de viragem histórica. Seja para que lado for.

Por fim, uma palavra de solidariedade para com os trabalhadores das grandes superfícies que ontem foram coagidos a trabalhar, apesar do pré-aviso de greve e para aqueles que tiveram mesmo de aproveitar os descontos de ontem para terem um mês menos difícil. A necessidade foi, para alguns, maior que a moral.

*Por "comida" entendam-se produtos, só para não haver quem diga que não se passa fome em Portugal.


quarta-feira, janeiro 18, 2012

Filhos da puta

Boa noite. Já aqui escrevi que, para mim, o que a sul do Mondego é um "palavrão", a norte é uma interjeição. "Filhos da puta" foi o que me saiu ontem quando soube do acordo de amigos que o sindicato dos patrões, a UGT, assinou ontem com o governo e os outros sindicatos dos patrões, a CIP e os latifundiários, perdão, os representantes dos patrões dos agricultores, que latifundiário é coisa de comuna.

A UGT vendeu, mais uma vez, os direitos mais básicos dos trabalhadores. O direito ao descanso, à estabilidade laboral, à negociação colectiva, abriu porta à arbitrariedade dos patrões na decisão da vida de cada um de nós. Sim, patrões. Empregadores o caralho, é que são empregadores. São patrões, tanto como eu sou trabalhador e não sou colaborador.

Uma central que se afirma sindical e que assina um pré-aviso como o que podem ver no post abaixo, não pode refugiar-se no acordo com a troika, assinado pelo PS, PSD e CDS, que prometeu combater. Passos Coelho afirmou, na altura da assinatura, que tinham sido mais ambiciosos e ido mais além do que estava previsto no memorando. Filhos da puta.

Vários dos pontos assinados são quase inacreditáveis. Os bancos de horas aplicados aos trabalhadores agrícolas, que os levará a trabalhar de sol a sol, como há 100 anos. A sustentabilidade da Segurança Social, que nos obriga a trabalhar cada vez mais, mas que vai pagar parte do salário que cada trabalhador tem direito a receber. A redução dos dias de férias, de 25 para 22 dias, tirando as pontes que patrões entendam fazer. Aqui, convém lembrar que o aumento de 22 para 25 dias de férias surgiu precisamente porque os patrões não quiseram pagar prémios de assiduidade: quiseram "dar" os dias de férias. A abertura aos despedimentos arbitrários. A redução no pagamento das horas extraordinárias, enfim, tudo o que consta naquelas 52 páginas, tão filhas da puta.

Evidentemente, a luta sairá à rua e será mais contundente, cada vez mais contundente. Até ao derrube do último filho da puta que acha que fala em nome dos trabalhadores ao lado dos patrões.

Para o amigo Proença, as coisas não são más. Que pouca ou nenhuma vergonha este senhor tem na cara, já pouca gente teria dúvidas. Espanta-me, porém, que ainda haja sindicatos que fazem parte daquela espécie de associação de amigos.

Assim, lanço o humilde apelo aos trabalhadores dos seguintes sindicatos, para que tenham coragem e se desvinculem de quem não os defende e tinha obrigação de o fazer. Confiram a lista e façam a única coisa que é aceitável fazer: "partir a espinha à UGT".

FEBASE - Federação do Sector Financeiro
FE - Federação dos Engenheiros
FETESE – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços
FNE - Federação Nacional da Educação
FNSTP - Federação Nacional Dos Sindicatos Dos Trabalhadores Portuários
FENSIQ – Confederação Nacional de Sindicatos de Quadros
ANTF - Associação Nacional dos Treinadores de Futebol
BANCA DOS CASINOS - Sindicato Profissionais de Banca dos Casinos
SBC - Sindicato dos Bancários do Centro
SBN - Sindicato dos Bancários do Norte
SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas
SDPA - Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
SE - Sindicato dos Enfermeiros
SE - Sindicato dos Economistas
SEMM - Sindicato dos Engenheiros Marinha Mercante
SETAA - Sindicato da Agricultura, Alimentação e Florestas
SETACCOP - Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços Afins
SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculos
SINAFE - Sindicato Nacional Ferroviários do Movimento e Afins
SINAPE - Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação
SINCOMAR - Sindicato dos Capitães Oficiais da Marinha Mercante
SINDAV – Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Aeroportos e Aviação
SINDCES - Sindicato Democrático do Comércio, Escritórios e Serviços
SINDEFER – Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia
SINDEL - Sindicato Nacional da Indústria e da Energia
SINDEP - Sindicato Nacional e Democrático dos Professores
SINDEPESCAS - Sindicato Democrático das Pescas
SINDEQ - Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxteis e Indústrias Diversas
SINDESCOM - Sindicato dos Profissionais de Escritório, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos das Ilhas de S. Miguel e Santa Maria
SINDETELCO - Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Média
SINDITE - Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica
SINFA - Sindicato Nacional de Ferroviários e Afins
SINFESE - Sindicato Nacional dos Ferroviários Administrativos, Técnicos e de Serviços
SINTABA/AÇORES - Sindicato dos Trabalhadores Agro-Alimentares da Região Autónoma dos Açores
SINTAP - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos
SINTICAVS - Sindicato Nac. Trab. Ind. Cerâmicas, Cimento, Abrasivos, Vidro e Similares
SISEP - Sindicato dos Profissionais de Seguros de Portugal
SITEMA - Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronaves
SITEMAQ - Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra
SITESC - Sindicato dos Quadros, Técnicos Administrativos, Serviços e Novas Tecnologias
SITESE - Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços
SITRA - Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes
SMAV - Sindicato dos Meios Audiovisuais
SMMCMM - Sindicato da Mestrança e Marinhagem de Câmaras da Marinha Mercante
SNATTI - Sindicato Nacional das Actividades Turísticas Tradutores e Intérpretes
SNEET - Sindicato Nacional dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos
SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil
SOEMMM - Sindicato dos Oficiais e Engenheiros Maquinistas da Marinha Mercante
SPCL - Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas
SPZC - Sindicato dos Professores da Zona Centro
SPZN - Sindicato dos Professores da Zona Norte
SQAC - Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial
STAS - Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora
STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Público
STECAH - Sindicato dos Trabalhadores de Escritório e Comércio de Angra do Heroísmo
STVSIH - Sindicato dos Técnicos Vendas do Sul e Ilhas
UGT/PESCAS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector das Pescas


quinta-feira, abril 07, 2011

O meu reino por uma lata de sardinhas

No mesmo dia em que José Sócrates, "com seu ar grave e sério" - desculpa, Carlos Tê, merecias melhor - anunciou o que tinha desmentido há três dias, houve um episódio curioso, no Lidl que fica ao lado do bairro, ali para os lados de Leça.

Enquanto o Luís dizia de sua justiça sobre o melhor perfil de Sócrates, lá em casa comentava-se a situação do país, intervalada pelas tiradas da B. e do T., que ainda não percebem bem o que nos seduz nos noticiários e nas declarações do senhor que fala como se estivesse a dizer uma coisa que não lhe agrada.

Voltemos ao Lidl, que é mais barato e tem sempre promoções. Não, vamos antes ao FEEF, que mais não é do que o FMI e a UE juntos. Sócrates falou para desmentir o desmentido que o seu governo de gestão tinha feito durante a tarde a uma notícia do Financial Times. Portugal vai mesmo pedir "ajuda" externa. Mas foi a meio de uma semana difícil, compreende-se. Desde segunda-feira que os donos dos principais bancos, um a um, anunciaram que não emprestavam mais dinheiro ao Estado. O mesmo Estado que, não há muito tempo, havia criado um fundo para salvar o sistema bancário, mais a nacionalização dos prejuízos do BPN. Vem aí uma "ajuda" que exigirá cortes nos salários e possíveis supressões dos subsídios de férias e de Natal. São assim, as "ajudas" dos nossos irmãos europeus.

Horas antes. No Lidl. Uma senhora de idade, na casa dos 70, foi apanhada a roubar. Uma lata de sardinhas. O senhor segurança privado, orgulhoso, comentou com o senhor João: "Já a apanhámos". Não só a apanhou. Chamou a polícia. Sim, o segurança chamou a polícia por uma septuagenária ter roubado uma lata de sardinhas.

O senhor segurança há-de ter o que merece, agora, quando formos todos "ajudados". E quando ele próprio perceber no ridículo em que caiu - embora isso possa muito bem nunca acontecer.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Agora a sério, feliz natal

As notícias de que os portugueses gastam milhares de milhões são cíclicas. Normalmente, aparecem por altura do Natal, juntamente com estudos que dizem que comer como se não houvesse amanhã não faz mal, o chocolate emagrece, o bolo-rei tem pouco açúcar e por aí fora.
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.

Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.

O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.

E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:

"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".

Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.

Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.

Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.

Feliz natal.



* tenho um leitor!