«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Agora a sério, feliz natal
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.
Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.
O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.
E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:
"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".
Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.
Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.
Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.
Feliz natal.
* tenho um leitor!
sexta-feira, novembro 26, 2010
Vem aí o mês do horror
Falo do mês de Dezembro, das Leopoldinas, das Popotas, dos ursinhos, dos porta-chaves, dos lacinhos e dos pins para apoiar tudo e mais alguma coisa que nos pese na consciência durante os dias em que damos com o boneco da Coca-Cola a trepar pelas janelas e varandas.
Depois pode tudo voltar ao normal, que estamos todos a cagar-nos para isso. Ou então aderimos a uma causa fofinha no Facebook e dormimos melhor durante uns dias.
Há ainda o livro de uma campanha qualquer de apoio aos desgraçadinhos que custa dois euros. Um deles fica para a cadeia de hipermercados. Ou seja, eu, o cidadão comum, contribuo com 100 por cento do valor do livro para uma causa solidária, mas o grupo económico só dá metade desse valor à instituição. Faz todo o sentido, tendo em conta a "solidariedade" praticada por esta gente.
Belmiro de Azevedo é um dos que alinha na palhaçada, claro, que sempre dá para fazer de conta que tem uma gota de solidariedade social. No entanto, será que Belmiro de Azevedo alguma vez pensa que tem trabalhadores seus que vão depois recorrer às ajudas que o próprio patrão oferece? Não faria mais sentido aumentar o salário dos seus trabalhadores para que estes não tivessem de recorrer a ajudas de outras instituições para que consigam sobreviver?
Não, não faria, por isso é que Belmiro de Azevedo, cheio de preocupações, começou a contratar trabalhadores - deve ser deste tipo de emprego quando se fala na abertura de hipermercados ao domingo: (...) os felizardos entraram ao serviço no passado dia 6 de Novembro e têm contrato até 24 de Dezembro de 2010. O pagamento, esse, será feito mediante recibo verde ou acto único, mas só a partir de 15 de Janeiro de 2011. Quanto ao salário, não tem mistérios: cada contratado recebe 12€ por turno, e cada turno tem cinco horas. Feitas as contas, apura-se que o salário/hora é de 2,4€, ou seja inferior aos 2,7€ que resultam do salário mínimo nacional. Acresce que os trabalhadores assim distinguidos com a oferta de emprego Sonae têm apenas um dia de descanso por semana, não recebem o subsídio de refeição em vigor na empresa, e não recebem trabalho nocturno apesar de um dos «turnos» terminar às 24 horas.
Posto isto, viva o Natal!
quinta-feira, outubro 21, 2010
Começou a campanha
A campanha que já começou foi outra. Depois de quatro anos de forte ataque aos funcionários públicos, esse exército de malandros pago a peso de ouro, que nada em direitos e se afoga em benefícios, o alvo passou a ser aqueles malandros dos desempregados. Esse bando de mandriões inúteis que nada quer fazer.
Há dias, na RTP1, em horário pós-Jornal da Noite, um empresário dos têxteis, coitado, queixava-se de não ter pessoas para trabalhar, quando lhes oferecia o valor astronómico de 475 euros mensais. Uma fortuna, nos dias que correm. Infelizmente, o empresário nunca disse quais os seus rendimentos, nem qual a parte da mais-valia criada revertia para quem produz o valor.
Simultaneamente, vêm ideias peregrinas de colocar os desempregados a limpar matas, como se o subsídio de desemprego não fosse a forma de o Estado assegurar a sobrevivência daqueles que perderam o emprego; como se estar desempregado fosse uma regalia social, que merece a pena de trabalhar a troco do que descontou.
Esta campanha mediática de diabolização dos desempregados é só mais uma forma de dividir a sociedade. Atacar os desempregados sem abordar as causas do desemprego. Serve o Governo e serve o poder económico, que, a par do Estado, vai instituindo a precariedade como verdade absoluta e inalienável do progresso.
O desemprego é um drama, não é uma opção. E não são os desempregados que têm de pedir desculpa por estarem na situação em que estão. É a sociedade que deve pedir-lhes desculpa por continuar a acreditar neste modelo económico.
quinta-feira, abril 01, 2010
Sindicalismo moderno
quarta-feira, março 31, 2010
Quanto custa um trabalhador?
Segundo a ministra da Saúde, há 6.000 enfermeiros que deveriam ser recolocados na posição remuneratória dos 1.200 euros . O salário dos enfermeiros que entram na Função Pública é de 1.020 euros. Tomando este valor chegamos a um reposição na tabela no valor de 180 euros, que pode muito bem ser inferior, atendendo a enfermeiros que ganhem mais por estarem noutras posições remuneratórias. Mesmo assim, façamos as contas:
Um aumento de 180 euros durante 14 meses vale 2.520 euros anuais para cada enfermeiro. Multiplicado por 6.000, custaria ao Estado 15.120.000 de euros anuais. Ora, 15.120.000 de euros é uma pipa de massa. E todos concordamos neste ponto.
Entra aqui a história dos sacrifícios repartidos, da situação difícil, do abismo e da insensibilidade dos sindicatos perante o país. Vejamos com factos a distribuição dos esforços:
"Segundo a dados da APB, no período 2005-2008, ou seja, com este governo, os bancos representados nesta Associação tiveram 10.588 milhões de euros de lucros. Por estes lucros a banca só pagou 1.584 milhões de euros de imposto, o que corresponde a uma taxa efectiva média de apenas 15%. Se a banca tivesse pago a taxa legal (25% de IRC mais 2,5% de Derrama) o Estado teria arrecadado mais 1.328 milhões de euros de receita."
Temos assim 1.328 milhões de receita perdida. Dividindo o valor pelos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, chegamos a cerca de 330.000.000 por ano. Pegando nos 15.120.000 euros que custará este ano a actualização dos salários dos enfermeiros e multiplicando por 20 o número de anos em questão, chegamos ao valor de 302.400.000 euros.
E pronto.
sexta-feira, março 26, 2010
Nada
Na política, um zero à direita tem valor, mesmo quando é um zero à esquerda e se posiciona no lado canhoto do hemiciclo.
É o preconceito contra o lado certo da coisa. O zero é nada. Nada é o que nós temos e o que a política dominante nos oferece todos os dias: zero.
As agências funerárias do povo gerem as expectativas do poder, mascaradas de ratings. Dizem elas que são árbitro. Melhor, avaliam. Avaliam quanto vale o que temos e o que produzimos. Não avaliam o que queremos nem o que não produzimos porque não nos deixam. E são os mesmos que fazem de árbitro em todo o sistema. Quem são eles? Ninguém sabe ao certo. Serão uma entidade abstracta, filosófica ou qualquer coisa parecida.
Hoje, o nosso Escudo vale zero. Há uns anos, valia pouco, mas pouco é melhor que nada. Por incrível que pareça, quando 200 escudos valiam 1 euro, 200 escudos tinham mais valor que 1 euro. Eu explico: Comprávamos mais com 200 escudos do que passámos a comprar com 1 euro, no minuto a seguir a entrar em vigor.
Para que serviu o euro? Nada. Para o comum dos mortais, nada. Serviu para conter os salários, logo, reduzir custos de produção, o que, associado ao aumento de preços, explica a paixão do capital e dos governos capitalistas pela moeda única.
Somos governados por zeros à direita. E, curiosamente, parecemos gostar.
segunda-feira, março 08, 2010
Eu, a escola e o bullying que não sei se vi
Não sei se havia bullying na minha escola. Sei que eu também achava estranho o gajo que saltava ao elástico e trocava blocos de folhinhas com bonecos e cheirinhos doces. E ainda por cima ele jogava ao elástico, enquanto nós fazíamos balizas com paralelos e marcávamos golos de antologia com os pacotes de leite que a escola oferecia.
Era o Nuno, a quem nunca tratei pelo apelido, "Bananas", que carregava os pacotes de leite do portão para os blocos. Pouca apetência para a escola e total desinteresse da família, que o mantinham na Amorosa mesmo quando a idade já se aproximava perigosamente da inspecção para o Serviço Militar Obrigatório.
O Nuno vivia numa família completamente destroçada, que passo a explicar: O avô vivia com a avó emprestada do Nuno. A mãe do Nuno também lá vivia e era talvez mais velha que a madrasta. Se não a era, a vida fê-la mais velha. O Nuno tinha três irmãs, uma filha do mesmo pai e duas de pais diferentes. Era sobrinho de quatro tios e duas tias, que eram mais ou menos irmãos da mãe. Por sua vez, dois tios e uma tia eram distinguidos como filhos do avô e da avó do Nuno, os outros foram casos extraconjugais que o avô trouxe para casa. Tudo isto num espaço que consistia numa casa com 3 divisões e um sótão disfarçado de quarto. A cozinha era fora de casa e o quarto de banho também. O papel higiénico variava entre os sacos castanhos do pão e as listas telefónicas. Às vezes, o Nuno ia buscar flores amarelas, meio murchas, ao campo do Morgado e dava-as à minha mãe, que retribuía como podia, geralmente com pão.
Esta será certamente uma realidade estranha e impensável para algumas pessoas, ali mesmo à portinha do ano 2000. Mas era assim.
Eu não sei se sei o que é o bullying. Sei que sancionar economicamente uma família porque o filho é um agressor, é uma ideia que só pode partir de um imbecil que não tem ideia do país em que vive. Talvez não passe pela cabeça do Albino Almeida que uma criança reage violentamente porque é a realidade com que se depara no quotidiano. Ou porque é uma defesa, quando chega à escola e se riem porque tem umas sapatilhas adidaz e não adidas.
Mais ainda, partir do princípio que os bullyiers são essencialmente pobres é um preconceito filho da puta. Estranho que o presidente da CONFAP não exija, por exemplo, que haja pessoal suficiente a trabalhar nas escolas, para que os alunos não possam sair do espaço sem controlo; espanta-me que o presidente da CONFAP não defenda equipas de psicólogos nas escolas que permitam sinalizar os casos mais graves. Indigna-me que o presidente da CONFAP não reclame dos horários laborais desregrados que impedem os pais de estar com os filhos e defenda, em vez disso, o prolongamento dos horários no ensino. Repugna-me que o presidente da CONFAP não pense sequer em repudiar os baixos salários que obrigam os pais a ter dois e mais empregos para que possam alimentar os filhos, negligenciando forçosamente a sua condição de pais.
Espanta-me, indigna-me, repugna-me que este senhor seja ainda presidente de uma confederação de associações de pais. Porque eu sou pai.
quinta-feira, março 04, 2010
Conversas por email
*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.
Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.
Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.
Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Tácticas
É muito simples e fácil de adoptar:
- Encontra-se uma empresa com mais de 100 trabalhadores*.
- Anuncia-se o despedimento de 80% da força produtiva.
- Dois dias depois, anuncia-se que, afinal, a administração vai apenas despedir 50% e isso passa por positivo.
*O ponto 1 é o mais difícil de cumprir.
Fábrica da Delphi admite recuar em 200 despedimentos
quinta-feira, maio 21, 2009
Agora, Chora!
Como é evidente, os tempos de crise favorecem a exploração dos assalariados por parte de quem possui os meios de produção. E as cedências dos assalariados perante os desígnios do patronato não são mais do que negar a luta de classes, na medida em que os interesses das duas camadas são bem diferentes.
A Comissão de Trabalhadores (CT), liderada pelo António Chora, cedeu em todas as frentes, com uma ingenuidade que já não se usa, depois do que nos ensina a história do sindicalismo e das lutas dos trabalhadores. Aliás, a CT demonstrou ontem mesmo ser mais papista que o Papa, dizendo que os patrões não disseram aquilo que, passados dois minutos, disseram através de uma carta enviada a todos os trabalhadores.
A lição está dada. O capital não perdoa deslizes. Quando os trabalhadores cedem, a exploração avança. Seja a cobro da crise, da deslocalização ou da lei da oferta e da procura. Humanizar o capitalismo é o mesmo que humanizar uma pedra. Podemos esculpi-la de maneira a ganhar forma humana, mas continuará a ser isso mesmo: uma pedra. Mantendo todas as características que a fazem ser o que é.
quinta-feira, março 05, 2009
Solidariedade
quarta-feira, março 04, 2009
Greve

Diz a imagem que a Controlinveste é uma marca que fica, e sê-lo-á, com certeza, para os 119 despedidos - eram 122, mas três foram reintegrados.
A 15 de Janeiro de 2009, surgia no site da Controlinveste o seguinte comunicado:
"A evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector impõem (...) É hoje impossível ignorar a profunda retracção dos mercados de media, que se tem vindo a agravarnos últimos meses, particularmente na área da imprensa, no quadro de uma crise global cujos efeitos directos e indirectos já atingem todos os sectores económicos".
A 29 de Fevereiro de 2009, no mesmo site, podem ler-se dados comparativos das vendas de jornais em 2007 e 2008. O título: "Jornais Controlinveste vendem mais".
Há aqui qualquer coisa que não bate certo, ou é só impressão minha?
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Faz sentido?
O jornalista protagoniza o programa "Money Box", que, ao que me parece, vai sendo reeditado ao logo do dia. Não raraz vezes, o jornalista/comentador/especialista em assuntos económicos, utiliza o espaço para promover as virtudes do trabalho em call-centers e o cada vez maior grau de qualificação que é exigido para lá trabalhar como uma prova de como é bom trabalhar num call-center.
Ora, o recrutamento para trabalhar nos call-centers é, na sua esmagadora maioria, feito através de empresas de trabalho temporário, que cobram uma comissão por cada trabalhador que colocam. Há dias, ao final da tarde, Camilo Lourenço entrevistava uma senhora que destacava a enorme oportunidade de futuro que é trabalhar num call-center.
Essa senhora é uma responsável pela Select, que é, julgo, a maior empresa de trabalho temporário em Portugal.
Por uma coincidência tremenda, o programa de Camilo Lourenço é patrocinado por esta mesma empresa. Como se diferencia, neste caso, a publicidade do jornalismo?
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Quimonda
Quem não assinou, não renovou contrato.
A explicação era óbvia: Suprir gastos com os trabalhadores e diminuir as perdas de tempo de trabalho que existiam a cada mudança de turno. Tudo em nome da competitividade, claro.
A agora Quimonda ainda no mês passado era estruturante para a economia nacional. Por isso teve direito a uma ajuda de 100 milhões de euros do Estado português, mais algum do governo alemão e da empresa mãe Infineon.
Hoje, a empresa entrou em processo de falência.
Só pode ser brincadeira.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Videovigilância - onde acaba o desejo de segurança e começa a filhadaputice
Duas jovens, simpáticas, atenderam-me na perfeição. Apesar de os ramos serem bastante caros, confesso que não roubei qualquer deles. Mas podia tê-lo feito. Podia, porque a única câmara de vigilância que existe no local aponta, directamente, para a caixa registadora.
Daqui, podemos concluir que o que preocupa o patronato não é quem rouba nas lojas, mas sim os empregados que, não raras vezes, impedem esses mesmos roubos. Têm mais medo dos empregados do que dos clientes, e se isso não é uma filhadaputice, então não sei o que é.
Numa altura em que alguma esquerda descobriu a actualidade dos escritos de Marx e Engels - e a direita zurra pela intervenção do estado como paliativo para o sistema que criaram e que defendem -, por questões macroeconómicas, vem isto provar que também nas questões micro pode avaliar-se uma matéria tão importante como a confiança que um trabalhador tem no seu patrão. E o contrário. Que tipo de relação com o trabalhador pretende este empresário? E, já agora, onde está a pessoa que visiona as imagens? Será como no El Corte Inglès, que o fazem a partir de Espanha?
Já tinha ouvido falar nestes exemplos há mais de três anos, quando, por tarefas que tinha na JCP, visitei - clandestino - vários shoppings do Porto. Mas nunca tinha visto algo tão flagrante. E tão filho da puta.