sexta-feira, janeiro 23, 2009

Quimonda

Há uns anos, a então Infineon, que funcionava em laboração contínua, obrigou os trabalhadores a assinarem um compromisso para passarem a trabalhar 12 horas diárias em vez das 8 previstas para os três turnos, uma vez que funciona em laboração contínua.

Quem não assinou, não renovou contrato.

A explicação era óbvia: Suprir gastos com os trabalhadores e diminuir as perdas de tempo de trabalho que existiam a cada mudança de turno. Tudo em nome da competitividade, claro.

A agora Quimonda ainda no mês passado era estruturante para a economia nacional. Por isso teve direito a uma ajuda de 100 milhões de euros do Estado português, mais algum do governo alemão e da empresa mãe Infineon.

Hoje, a empresa entrou em processo de falência.

Só pode ser brincadeira.

2 comentários:

Paulo Mouta disse...

Não é brincadeira, infelizmente. O preço destes chips de memória produzidos pela Qimonda nunca estiveram tão baixos no mercado. No entanto isso não é motivo para que tanto o governo português como o alemão deixem cair uma das prncipais industrias deste tipo de equipamento na Europa. Amanhã estas memórias voltarão a ter o seu valor normal e a indústria voltará a laborar normalmente. Por isso mesmo a única solução - e saliento que Sócrates disse que iria fazer tudo o que pudesse para manter a Qimonda Portugal - será a naiconalização da empresa.

rms disse...

Não me parece que a questão seja em torno do preço de mercado do que a Quimonda produz. Os lucros que obteve quando o preço era mais elevado e passou a laboral em turnos de 12 horas em vez de 8, com a consequente redução de pessoal serve, ou deveria servir, para cobrir eventuais quebras no mercado.
Além do mais, penso que a Quimonda é a única empresa da Europa a produzir aquele material, pelo que, se não for mantida, demonstra a ausência de visão estratégica da UE, mais que de Portugal. Ao mesmo tempo, a Infineon certamente que deslocalizará a produção para outros países com mão-de-obra qualificada barata, como acontece a leste.
O que Sócrates diz não me preocupa, preocupa-me mais o que faz e, na generalidade, faz mal.