Somos tão patriotas quando nos dizem que somos lixo. É aquele orgulho saloio, que surgiu de repente quando percebemos que uma agência faz aquilo que sempre fez: especula. E a gigantesca campanha mediática contra esta agência em particular foi tão bem alimentada, que até o jornal i lançou uma petição dizendo que "A Europa não é um lixo", apoiada pelos líderes da JS e JSD.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
quinta-feira, julho 14, 2011
A culpa é nossa
Somos tão patriotas quando nos dizem que somos lixo. É aquele orgulho saloio, que surgiu de repente quando percebemos que uma agência faz aquilo que sempre fez: especula. E a gigantesca campanha mediática contra esta agência em particular foi tão bem alimentada, que até o jornal i lançou uma petição dizendo que "A Europa não é um lixo", apoiada pelos líderes da JS e JSD.
terça-feira, julho 05, 2011
O puzzle*
Leça é assim mesmo, um enorme puzzle que há anos tentam desmontar e descaracterizar.
quinta-feira, junho 30, 2011
Ó gente da minha terra! - Contra o encerramento dos CTT no Monte dos Burgos
Convém recordar, de acordo com uma notícia recente, que, segundo os dados da Direcção-geral do Tesouro e das Finanças, a aquisição mais cara foi nos CTT. Quando Estanislau Mata da Costa assumiu a liderança dos Correios trocou o BMW de serviço por um Mercedes S320 CDI. Este custava 84 mil euros, mas a retoma do BMW permitiu baixar o preço para 60 mil euros."
Eu vou estar lá.
segunda-feira, junho 13, 2011
Há seis anos.
sábado, junho 04, 2011
sexta-feira, junho 03, 2011
Democracia à moda da CM de Matosinhos
segunda-feira, maio 30, 2011
Juntas de boys*
Uma das medidas prevista no memorando que ninguém se lembrou de traduzir, à excepção do blogue “Aventar” (http://aventar.eu/), é a fusão e redução do número de freguesias e municípios. Vem, aliás, na linha do que já havia sido afirmado na AR pelo ministro Teixeira dos Santos, aquando da dotação orçamental para as freguesias, em que o mesmo afirmou que as juntas serviam para colocar boys dos partidos políticos. Com o pequeno detalhe de serem eleitos pelo povo.
Para o interior do país esta medida será gravíssima e terá como consequência um afastamento da população dos órgãos locais de decisão, proporcionando uma desertificação ainda maior das regiões mais deprimidas, sem a proximidade de quem tem por obrigação moral, mais não seja, defender os seus anseios e reivindicações.
Mas vamos fantasiar por uns minutos. E se houvesse em Matosinhos uma união de freguesias?
É que, apesar de o site da Câmara Municipal de Matosinhos não referir, por desconhecimento ou deliberadamente – qualquer dos motivos bastante grave –, Matosinhos foi elevada a cidade a 28 de Junho de 1984, através da lei n.º 10/84, com uma particularidade: passou a adoptar, oficialmente, a designação de cidade de Matosinhos – Leça da Palmeira.
E agora? Estarão os leceiros e matosinhenses dispostos a uma migração forçada de freguesia? E o que pensarão os boys – para usar palavras de Teixeira dos Santos – do poder local de ambas as freguesias?
*Artigo publicado no jornal Notícias de Matosinhos de Junho
segunda-feira, maio 23, 2011
EXCLUSIVO Um Tal de Blog
O Um Tal de Blog encontrou imagens inéditas e exclusivas das excursões organizadas pelo aparelho partidário do Partido Socialista.
terça-feira, maio 17, 2011
Aqui nasceu Portugal!
quinta-feira, maio 12, 2011
Notícias de Matosinhos #6
quarta-feira, maio 11, 2011
O que esperar das eleições
Também há os que já pedem a permanência indefinida do FMI, por considerarem que a culpa é "dos partidos", sejam eles quais forem, num argumento à Carlos Coelho. Pessoalmente, não tendo vivido os 48 anos de ditadura fascista, guardo com orgulho o património de luta do Povo português e do PCP em particular, que permitiu a conquista da democracia. E é por isso que tenho esta mania teimosa de defender o meu direito a escolher quem me representa na Assembleia da República, mediante o conhecimento dos projectos de cada um. E é isso que deixa de acontecer quando o FMI entra num país.
O que esperar, por isso, das eleições de dia 5?
Do PS, PSD e CDS espera-se a derradeira traição às conquistas de Abril, o ajuste de contas que tanto querem fazer, agora a cobro do FMI. Com pequenas diferenças entre eles, escolhem o mesmo caminho do desastre que levou a Grécia ao estado em que está - e que hoje vive mais uma greve geral, demonstrando assim a vantagem da intervenção externa. Mas há outros paralelismos entre Portugal e a Grécia. Os dois países seguiram, desde 1997, políticas de combate ao défice para cumprir metas irreais, que foram sendo alteradas ao longo dos anos, sempre para servir os interesses e a ineficácia dos países do centro da Europa, que controla as directivas da UE. Uma vezes conseguiu-se, outras não, mas sempre às custas da mesma receita: mais sacrifícios para os trabalhadores. E importa esclarecer que os desempregados também são trabalhadores, ao contrário do que às vezes se pretende fazer passar.
Entre PS e PSD, à parte do desastre Catroga e da cambalhota de Nobre, há pouco que os distinga. Programas fictícios, porque o verdadeiro foi o assinado com o FMI, à boleia do CDS, que fugiu da fotografia para continuar a capitalizar os descontentes do PSD e do PS.
O Bloco de Esquerda continua perdido no seu labirinto: entre o apoio à intervenção da NATO e a presença na manifestação contra a cimeira em Lisboa; entre o apoio à intervenção externa na Grécia e ser contra a intervenção em Portugal; entre a moção de censura que não era boa ao domingo e passou a ser fundamental na quarta-feira; entre o apoio a um candidato presidencial do PS e a rutura com as políticas do PS; entre as diversas correntes que defendem tudo e outras o seu contrário.
No entanto, o que mais me deixa curioso em relação ao Bloco é no que diz respeito às reformas laborais. Que posição assumirá o Bloco quando verificarmos que parte das medidas propostas pelo FMI são, afinal, aquelas que o bloquista Chora, o sindicalista-modelo, "conquistou" na Autoeuropa? Haverá espaço para mais cambalhotas no Bloco?
Resta a CDU, a única opção coerente e credível para quem quer dar, de vez, a volta a isto. E cabe a todos nós, militantes e activistas, fazer a nossa parte. Esclarecer o que é deturpado, mostrar o que é omitido, abrir novos horizontes a quem os últimos 35 anos de PS, PSD e CDS roubaram a esperança e as perspectivas de futuro.
Mostrar, por fim, que há alternativas. Critiquem-nas, concordem, discordem, mas conheçam-nas primeiro.
terça-feira, maio 10, 2011
Há 90 anos
Partido Comunista Português, 1921.
Através do Bruno Carvalho, do 5dias.
terça-feira, abril 26, 2011
25 de Abril à moda de Leça
Eu não era nascido há 37 anos, que os meus pais andavam ocupados a fazer outros filhos. Ou filhas, no caso. Foram três seguidas, as filhas. O resto prefiro não imaginar porque se aproxima de uma visão do inferno para um descrente.
No entanto, tive a sorte de crescer numa família que fez questão de ensinar-me o que foram o 24 e o 25 de Abril, numa perspectiva marcadamente ideológica. Não por uma questão de politização precoce, mas antes por uma perspectiva de classe da forma como o Povo sentia e vivia. Da classe do povo, dos explorados - palavra proibida, que é de comunista. E estou à vontade para falar. O meu pai ainda não era militante do PCP, embora já fizesse parte das listas da APU e da CDU para as Autárquicas; a minha mãe andava iludida com o PS do Soares. Passou-lhe, felizmente. Mas não me sai da memória ter ido festejar a vitória do Soares sobre o Freitas. E sim, era pequenino mas lembro-me bem disso.
Também não foi na escola que aprendi o que é o 25 de Abril, que a coisa é matéria non-grata. Ou antes, aprendi com alguns professores, mas à margem do que a escola "ensina". Professoras como Lurdes Castro, Ana Amaral, Luísa Félix e Maria Emília. Aprendi com elas, discordei, concordei, mas aprendi.
Ontem, na sessão solene comemorativa dos 37 anos do 25 de Abril, em Leça da Palmeira, a Junta não estava cheia, longe disso. Mas não só não estava cheia no espaço dedicado ao público como não estava nas cadeiras dos eleitos. Estavam todas vazias. Apenas cinco pessoas - o executivo. Nem PS, nem PSD-CDS, nem o movimento de Narciso Miranda, nem a eleita independente. Zero.
Não aprenderam coisa alguma, nem com a história, nem com a vida, nem com, mais não seja, o respeito para com aqueles que os elegeram. Sejam doutores, engenheiros, pedreiros, os representantes eleitos pelos leceiros não estiveram nas comemorações do 25 de Abril.
Afinal, é o povo que se divorcia de alguns políticos, ou são alguns políticos que se divorciam do povo?
terça-feira, abril 12, 2011
Pensar o futuro.
De acordo com o blog Snapshots, já em Fevereiro o PS se preparava para eleições antecipadas.
Cai por terra a teoria de que Sócrates não queria o FMI nem eleições antecipadas. Ou então é uma visão de futuro tremenda.
É penalty?*
Caiu o governo. Bem, dizer que caiu não será a expressão mais adequada. Na verdade, o governo não caiu; só aproveitou uma entrada de carrinho de Cavaco Silva no novo mandato como Presidente da República para se fazer ao penalty.
E Pedro Passos Coelho caiu como um pato, sedento que estava para avançar para eleições. Apontou para a marca dos
Na verdade, não só não houve grande penalidade como Passos Coelho demonstrou ser o Olegário Benquerença da política. Sócrates sabe que o PSD, se ganhar as eleições, vai fazer um trabalho tão mau, ou pior, do que o PM demissionário vinha praticando. E isso dá a Sócrates uma almofada confortável para a campanha. Até porque Passos Coelho anunciou, logo após a demissão do PM, que aumentará o IVA.
A par disso, por coincidência, o Eurostat veio pedir informações ao muito nosso Instituto Nacional de Estatística sobre as contas do nosso défice, que, ao que parece, está um bocadinho acima do previsto, fruto da nacionalização dos prejuízos do BPN.
Felizmente, o mundo não é a preto e branco, ou a rosa e laranja, no caso. Há mais vida para além do que todos os dias nos apresentam como inevitável. E não, não são todos iguais. Mal estaríamos nós se, em 10.000.000 de habitantes, não houvesse diferenças. Saibamos nós distingui-las, para que percebamos que aquilo que temos em Portugal não são os políticos que merecemos; são antes os políticos que queremos, que escolhemos e que escolhemos não ser.
*Publicado na edição de Abril do Notícias de Matosinhos
quinta-feira, abril 07, 2011
O meu reino por uma lata de sardinhas
Enquanto o Luís dizia de sua justiça sobre o melhor perfil de Sócrates, lá em casa comentava-se a situação do país, intervalada pelas tiradas da B. e do T., que ainda não percebem bem o que nos seduz nos noticiários e nas declarações do senhor que fala como se estivesse a dizer uma coisa que não lhe agrada.
Voltemos ao Lidl, que é mais barato e tem sempre promoções. Não, vamos antes ao FEEF, que mais não é do que o FMI e a UE juntos. Sócrates falou para desmentir o desmentido que o seu governo de gestão tinha feito durante a tarde a uma notícia do Financial Times. Portugal vai mesmo pedir "ajuda" externa. Mas foi a meio de uma semana difícil, compreende-se. Desde segunda-feira que os donos dos principais bancos, um a um, anunciaram que não emprestavam mais dinheiro ao Estado. O mesmo Estado que, não há muito tempo, havia criado um fundo para salvar o sistema bancário, mais a nacionalização dos prejuízos do BPN. Vem aí uma "ajuda" que exigirá cortes nos salários e possíveis supressões dos subsídios de férias e de Natal. São assim, as "ajudas" dos nossos irmãos europeus.
Horas antes. No Lidl. Uma senhora de idade, na casa dos 70, foi apanhada a roubar. Uma lata de sardinhas. O senhor segurança privado, orgulhoso, comentou com o senhor João: "Já a apanhámos". Não só a apanhou. Chamou a polícia. Sim, o segurança chamou a polícia por uma septuagenária ter roubado uma lata de sardinhas.
O senhor segurança há-de ter o que merece, agora, quando formos todos "ajudados". E quando ele próprio perceber no ridículo em que caiu - embora isso possa muito bem nunca acontecer.
quinta-feira, março 03, 2011
12 de Março - Eu vou!
No dia 12 de Março estarei ao lado daqueles que não se conformam, daqueles que, licenciados ou não, estão fartos do rumo que querem impor-nos, da fatalidade da precariedade, do desemprego, dos salários miseráveis e da desigualdades.
No dia 12 estarei ao lado de quem, como eu, luta todos os dias contra o estado a que isto chegou, assumindo os erros que cometemos e enfrentando todas as dificuldades com que nos deparamos.
Não tenho formação superior por opção própria. Toda a gente sabe que, nos dias de hoje, qualquer calhau com olhos arranja um canudo - que está longe de ser sinónimo de conhecimento. É também por aqueles que, como eu, ficaram de fora dos Deolindas de serviço e são escravos mesmo sem terem estudado que estarei mais uma vez em luta no dia 12 de Março.
É pelo exército de desempregados que no dia 12 estarei ao lado deles, mesmo que muitos deles não o reconheçam, nem hoje, nem quando chega a hora de decidirmos o nosso futuro. É uma manifestação a favor da política, da participação participação política de todos a favor de soluções concretas e objectivas.
Dia 12 de Março será mais uma tremenda acção de luta, de protesto e, acima de tudo, de esperança.
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Quanto vale o espaço mediático?
Francisco Louçã acaba de anunciar uma moção de censura, depois de o PCP ter dito que esta seria uma possibilidade.
No entanto, no dia 6 de Fevereiro: "Sabemos que no dia em que estamos a discutir não tem qualquer utilidade prática a apresentação de uma moção de censura", disse Louçã.
Moção de censura sem «utilidade prática»
Depois das Presidenciais, o BE perdeu o norte, a vergonha e os princípios.terça-feira, fevereiro 08, 2011
O milhão
Agora, o milhão volta à carga numa manifestação que muito dificilmente sairá do Facebook, cujo objectivo é, passo a citar, "Pela demissão de toda a classe política", seja a classe política o que for. Mas ok, venha de lá esse milhão e a demissão da classe política. E depois vem o quê? Os militares? A classe política engloba governantes, deputados e autarcas? Isso resolveria exactamente o quê?
Nada, obviamente. Nada, porque agir sem uma linha condutora comum entre o milhão que pretenda construir uma alternativa, equivale a nada.
As imagens do Egipto e da Tunísia, as que hão-de vir da Síria e do Iémen dão enorme alento a quem quer mudar. Mas não é mudar para que fique tudo na mesma, é mudar efectivamente, de política, de economia, de relações laborais. E é essa mudança que a suposta manif não alberga. Dali não sai uma ideia, um princípio ou um fim. Os países do Magrebe lutam, precisamente, porque querem uma classe política em vez de uma classe dirigente. Nós, no nosso fado habitual, queremos andar para trás e substituir a classe política, que podemos escolher livremente, por uma classe dirigente. No Magrebe luta-se pela democracia que nós temos. Nós lutamos por coisa nenhuma, porque ou está demasiado sol para ir votar, ou demasiado frio, ou demasiado vento. Ou porque quando chegamos à cabina de voto olhamos para todos os quadradinhos mas a cruz acaba sempre nos do costume. Ou então porque é sempre mais fácil indignarmo-nos na poltrona.
Não sai, sequer, uma indignação genuína com alguma coisa. Sai uma indignação contra tudo aquilo em que se deixaram enredar, umas vezes por culpa própria, outras por culpa própria e de outros intervenientes, que Álvaro Cunhal tão bem explicou:
"Quando as forças reaccionárias dispõem e abusam do Poder, dos recursos e do aparelho do Estado, dos órgãos de comunicação social, nem sempre falar verdade conduz ao êxito imediato. Exemplo flagrante no tempo da ditadura fascista foram as perseguições, as torturas, as condenações, os assassínios de comunistas pela suprema razão que os comunistas diziam a verdade ao povo.
Exemplos flagrantes depois do 25 de Abril é o sistemático silêncio ou a grosseira deturpação das posições do PCP pelos grandes meios de comunicação social controlados pelo governo e a incriminação e condenação como caluniadores daqueles que com inteira verdade desvendam casos gravíssimos de corrupção nas mais altas esferas. O amor pela verdade pode temporariamente custar caro a quem o exercita. Mas a verdade acaba por triunfar da mentira. A política da mentira está condenada à derrota final. É à política da verdade que o futuro pertence."*
Agora podemos voltar a sintonizar a Al Jazeera e olhar, embevecidos, para a coragem daqueles povos, que não querem mais do que nós temos; ao passo que nós achamos que queremos o que eles não querem.
*Álvaro Cunhal, in O Partido com Paredes de Vidro
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Presidenciais - Uma análise a frio
Parece-me que falta, no entanto, uma análise a frio. Ao frio, mais precisamente. O choque tecnológico ainda não chegou à Escola Secundária da Boa Nova. Há 15 anos, quando entrei lá pela primeira vez, o frio que se fazia sentir nas salas de aulas, se não for o mesmo, é muito parecido. Tinha 13 anos quando cheguei à ESBN, cheio de frio e com herpes, ainda por cima, por causa do cieiro. Desde então, no que diz respeito ao aquecimento das salas de aula, nada foi feito.
Ao fim de 15 anos já alguém devia ter reparado que, quando está frio, está mesmo muito frio, particularmente nas salas viradas a nascente, entretanto tapadas pela construção desenfreada que aconteceu em Leça da Palmeira.
Já que se fala na ESBN, vamos mais atrás buscar o benzeno, salvo seja, que aquilo é coisa para fazer mal às pessoas. A proximidade da Petrogal é inevitável. Em Leça tudo é próximo da Petrogal; não porque Leça seja uma cidade pequena - é um mundo, como todos sabem - mas porque a Petrogal é mesmo muito grande.
Reza a lenda que os efeitos dos gases libertados pela refinaria se fazem sentir em zonas mais altas, como em Valongo e afins, o que até faz sentido, dada a dimensão dos "canos da Sacor". Deles se dizia que teriam de ser 10 metros mais pequenos, porque estavam a queimar as miudezas ao S. Pedro, mas isso é outra história.
Se no que à refinação diz respeito pode ser verdade, não é menos verdade que a Galp também trabalha com aromáticos, cujos gases são libertados ao nível do solo. Eu sei que há um estudo da Quercos, salvo erro, que conclui que a ESBN está construída precisamente no canal por onde passam esses gases, devido à direcção do vento que por norma se faz sentir. Obviamente, esse estudo há-de estar guardado em alguma gaveta da CM de Matosinhos, da Galp ou de uma qualquer direcção do ambiente.
Interessante seria estudar o impacto que este facto tem na saúde da comunidade escolar, nomeadamente entre aqueles que por lá ficam mais anos, professores e funcionários, e se há ou não uma relação directa com os casos de cancro que por lá existem.
Ficamos a aguardar.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Esquerda a qualquer preço?
A esquerda é a verdade, tem de representar a verdade e a honestidade intelectual. De outro modo, nunca será esquerda, ou sê-lo-á apenas nas páginas de jornais dedicadas a uma esquerda que vende bem. Em Portugal, nos dias de hoje, o apelo a uma união de esquerdas implicaria por si só o fim das esquerdas. Falando por mim, que jamais estaria ao lado de um projecto com alguém que tem este baixo nível intelectual ao falar da esquerda com que me identifico. Por um motivo óbvio: eu defendo o meu projecto de esquerda e não outro, é por ele que luto e que procuro mobilizar e esclarecer mais e mais gente.
A esquerda será poder quando o povo quiser ser esquerda. E não é a esquerda que tem de ser menos esquerda para que o povo assim queira. O trabalho de um militante de esquerda faz-se nas escolas, nos locais de trabalho, nos cafés e na web, com a apresentação de soluções alternativas, contra as fatalidades que nos impõem e a favor da verdade.
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Para os amanhãs, pensemos hoje e votemos no domingo
terça-feira, janeiro 18, 2011
Para sempre, ARY!
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.
José Carlos Ary dos Santos
18 de Janeiro de 1984
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Angeiras e o Portinho
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Já se acordava, não?
Ontem Sócrates juntou-se a Manuel Alegre em campanha. Num comício em Castelo Branco, com o candidato-poeta. Nem vou comentar muito do que se disse, apenas sublinhar estas declarações do homem apoiado pelo governo e pelo BE:
Alegre admira "coragem e determinação" de Sócrates
"Manuel Alegre manifestou ainda a sua satisfação por estar "lado a lado" com José Sócrates no comício.
"É para mim um momento de grande alegria e de grande alento ter aqui hoje o apoio claro, inequívoco, do secretário-geral do meu partido, o meu amigo e camarada José Sócrates", sublinhou.
Sobre isto, o que dirão os @derentes do Bloco? Estariam no público a aplaudir efusivamente o candidato da esquerda grande, de que tantas vezes fala Francisco Louçã? Pronto, sejamos justos, os bloquistas da FER vão contra o partido e já disseram que não votam Alegre e até apelam ao voto em branco ou em Francisco Lopes - por esta ordem. Esta cisão dentro da enorme confusão que é o BE parece ter passado ao lado da Imprensa, mas admito que pode ser uma falha minha.Indo ao que interessa, a campanha de Alegre é pouco mais que absurda. Num dia está com Louçã, noutro está com Sócrates; num dia é um candidato que critica o governo, no dia seguinte é o candidato do governo. Se isto não surpreende no PS, no BE só surpreende os incautos, desatentos ou os que, estando atentos, fazem tudo por uns minutos de tempo de antena.
Louçã é um rato velho da política nacional. Ao contrário do que possa pensar-se, Louçã é o líder político que está há mais anos à frente de um Partido, entre PSR, BE e afins. Arrebanhou uma série de gente de grupelhos esquerdistas e foi levado ao colo pela Imprensa, numa tentativa de que viesse a roubar espaço ao PCP.
Evidentemente, tal não com aconteceu; o BE cresce eleitoralmente mas a CDU também. Depois destas Presidenciais, creio que tudo voltará ao normal dentro do BE. Remam uns para cada lado mas continuarão na moda.
Resta saber o que dirão os milhares de portugueses que votaram no BE à espera de uma suposta nova esquerda, que marcha ao lado do PS mais à direita de sempre.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Haiti - um ano
Foi notícia enquanto a tragédia teve o condão de nos chocar - e há cada vez menos coisas que nos chocam, porque o choque deixou de ser excepção para ser a regra, seja no Haiti, na Palestina, no Sudão ou no Chade. O que ficou para trás já lá vai. É dos tempos que correm, diz-se, mas correm mais depressa para umas coisas que para outras. Sofremos tanto com o Haiti que nos desdobrámos em doações e telefonemas solidários, sem sabermos muito bem onde foram parar.
Sabíamos quase nada do Haiti, sobre o petróleo do Haiti e sobre a ocupação estrangeira daquele país. Os beneméritos EUA, sempre prontos a ajudar países com riquezas naturais, auxiliaram com o exército, através do Pentágono, o que levou mesmo à ocupação do aeroporto de Port-au-Prince por tropas estado-unidenses. Claro que a imensa propaganda dos media dominantes também anunciou uma ajuda financeira astronómica dos EUA ao Haiti. Noticiou-se a ajuda, mas nunca se controlou a sua chegada ao destino. Ou procurou, sequer, monitorizar as supostas ajudas.
Sem surpresas, "não mais que 27% dos recursos prometidos foram destinados e aplicados, na sua grande parte, para fins administrativos. Basicamente não se veem mudanças estruturais com relação a essa ajuda. Lembro que nos dia 31 de março de 2010, em uma conferência em Nova York, se prometeram US$ 11 bilhões - mas não chegou quase nada, chegaram US$ 250 milhões, e muito desses recursos foi usado para apoio orçamentário e para projetos bilaterais que já haviam sido aprovados anteriormente. Ou seja: a verdadeira reconstrução do país não foi feita".
A tragédia serviu para conhecermos que o Haiti não era (é) mais do que um laboratório de guerra para outros países, sem governo, que havia sido derrubado num golpe de estado patrocinado adivinhem lá por quem.
Ontem voltámos a lembrar-nos do Haiti, como haveremos de lembrar-nos quando passarem dois ou três anos, no máximo. Da mesma forma que nos esquecemos do tsunami que afectou uma série de países asiáticos na mesma altura do ano.
Quem não esquece é o Vaticano, honra seja feita a um estado que é dos mais ricos do mundo. A prioridade das prioridades foi reconstruir a catedral, porque a barriga enche-se de Cristo e deus está em todo o lado, por isso há-de servir para matar a fome. Para descanso dos haitianos, "Bento XVI informou que reza pelas vítimas, especialmente pelos mortos, pede a proteção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, patrona do Haiti, e pede a Deus que abençoe toda a população". Amén.
Por cá o Haiti já passa ao lado. Juntámo-nos a causas no Facebook, participámos em correntes e fizemos a nossa parte. Durmamos, então, descansados.
sábado, janeiro 08, 2011
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Agora Escolha
*"Os camaradas da Moção C inventaram até essa prodigiosa fantasia de que iríamos, eventualmente, ter um candidato às presidenciais em comum com o Governo. É caso para dizer que só contaram para vocês".
Se prefere este Fazenda, ligue para 1111111:*
*"Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda em entrevista ao esquerda.net, diz que o fórum será "um ponto de encontro e de troca de ideias" e dele sairá também um forte apelo à participação na jornada de luta de 29 de Setembro e um apoio vincado ao candidato presidencial Manuel Alegre."
Há um problema grave de seriedade, coerência e vergonha em alguns sectores da política nacional.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Carta a Hamad bin Khalifa, Emir do Qatar.
Escrevo-lhe a partir de Leça da Palmeira para dar-lhe os parabéns pela escolha do Qatar para organizar o Mundial de 2022. Saúdo particularmente o facto de a generalidade da Imprensa não ter condenado a atribuição de tal evento a um país como o que V. Ex.ª tão democraticamente dirige, ao contrário do que aconteceu com os Jogos Olímpicos na China. Mas certamente que nos dez anos que nos separam do evento contará com uma onda de indignação patrocinada pela Amnistia Internacional, até agora tão sossegada.
Certamente que o facto de o país de V. Ex.ª ter petróleo e gás natural até dar c'um pau é mera coincidência, mesmo estando nós a falar de um país onde não há leis, para além da Lei de V. Ex.ª, regendo-se por uma Constituição provisória desde 1970, onde não são permitidos partidos políticos ou eleições. Confesso que me faz um bocadinho de espécie V. Ex.ª não permitir o amor através do rabinho, mesmo entre adultos e por mútuo consentimento. O amor não deve ser condicionado, seja sob que forma for.
Caro Khalifa, pá - vamos tornar isto um bocadinho mais pessoal, seu democrata -, apesar de seres dono e senhor de um país que está um bocadinho acima do Irão no Índice Democrático, safas-te por seres mais aberto que os vizinhos da Arábia Saudita. Ainda por cima não fazes parte do Eixo do Mal, seu sortudo, mesmo patrocinando o Hamas em 50 milhões de dólares.
Digo-te já que se não alterares aquela lei que controla o acesso ao álcool vais ter sérios problemas com os amantes do futebol. Isto para não falar no mulherio que por lá andará a pecar como se não houvesse amanhã. Por falar nisso, acho que devias reconsiderar a construção do Estádio Al-Khor, que tem a forma de, vá lá, uma pombinha. Ou de uma vagina, pronto, esse ponto do pecado que as mulheres transportam de um lado para o outro como se fosse delas.
Sei que vais construir 12 novos estádios e foi esse motivo que me levou a escrever-te. Temos em Portugal cinco estádios semi-novos que podes levar para a tua terrinha. Coimbra, Leiria, Faro, Bessa, Aveiro estão praticamente novos e por utilizar. Deste modo, pouparias umas esmolas com o pessoal que vai para o teu país com promessas de enormes salários mas que chega aí e é xulado à força toda.
Posto isto, tens sorte em não ser chinês e em não te afirmares comunista. Não procurei fotos tuas mas terás certamente uns lindos olhos, para que ainda, e apesar de tudo isto, não tenhas sido crucificado na praça pública. Crucificado sem ofensa, claro.
Fico a aguardar resposta ASAP.
Teu,
RMS
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Agora a sério, feliz natal
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.
Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.
O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.
E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:
"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".
Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.
Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.
Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.
Feliz natal.
* tenho um leitor!
Natal
quinta-feira, dezembro 16, 2010
De despedimento em despedimento, até ao despedimento final!
É preciso saber quem manda em quê e em quem.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
(Des)Pudor local - um conto completamente saído da minha imaginação fértil
Naquela freguesia, havia um presidente da Junta que vamos designar por, sei lá, PS. Ora, o PS era um presidente zeloso, atento às novas tecnologias e sempre muito próximo dos cidadãos. Tão próximo que tinha grupos de acompanhamento para tudo e mais alguma coisa. Entre eles, estava o das colectividades da freguesia, que reúnem periodicamente para discutir assuntos relacionados com as actividades de cada uma.
Nesses encontros discutem-se coisas tão importantes como museus para colecções de carrinhos em miniatura. Sempre com vista a acompanhar de perto tudo o que as colectividades vão fazendo, PS fez questão de relembrar às colectividades que aquelas que não estivessem presentes nas reuniões seriam lembradas - ou esquecidas - quando, no final do ano, chegasse a altura de distribuir os subsídios.
E era assim, que se ia passando a vida política nesta freguesia completamente imaginária, que nada tem a ver com este post ou com este comentário.
Fim.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Vem aí o mês do horror
Falo do mês de Dezembro, das Leopoldinas, das Popotas, dos ursinhos, dos porta-chaves, dos lacinhos e dos pins para apoiar tudo e mais alguma coisa que nos pese na consciência durante os dias em que damos com o boneco da Coca-Cola a trepar pelas janelas e varandas.
Depois pode tudo voltar ao normal, que estamos todos a cagar-nos para isso. Ou então aderimos a uma causa fofinha no Facebook e dormimos melhor durante uns dias.
Há ainda o livro de uma campanha qualquer de apoio aos desgraçadinhos que custa dois euros. Um deles fica para a cadeia de hipermercados. Ou seja, eu, o cidadão comum, contribuo com 100 por cento do valor do livro para uma causa solidária, mas o grupo económico só dá metade desse valor à instituição. Faz todo o sentido, tendo em conta a "solidariedade" praticada por esta gente.
Belmiro de Azevedo é um dos que alinha na palhaçada, claro, que sempre dá para fazer de conta que tem uma gota de solidariedade social. No entanto, será que Belmiro de Azevedo alguma vez pensa que tem trabalhadores seus que vão depois recorrer às ajudas que o próprio patrão oferece? Não faria mais sentido aumentar o salário dos seus trabalhadores para que estes não tivessem de recorrer a ajudas de outras instituições para que consigam sobreviver?
Não, não faria, por isso é que Belmiro de Azevedo, cheio de preocupações, começou a contratar trabalhadores - deve ser deste tipo de emprego quando se fala na abertura de hipermercados ao domingo: (...) os felizardos entraram ao serviço no passado dia 6 de Novembro e têm contrato até 24 de Dezembro de 2010. O pagamento, esse, será feito mediante recibo verde ou acto único, mas só a partir de 15 de Janeiro de 2011. Quanto ao salário, não tem mistérios: cada contratado recebe 12€ por turno, e cada turno tem cinco horas. Feitas as contas, apura-se que o salário/hora é de 2,4€, ou seja inferior aos 2,7€ que resultam do salário mínimo nacional. Acresce que os trabalhadores assim distinguidos com a oferta de emprego Sonae têm apenas um dia de descanso por semana, não recebem o subsídio de refeição em vigor na empresa, e não recebem trabalho nocturno apesar de um dos «turnos» terminar às 24 horas.
Posto isto, viva o Natal!
terça-feira, novembro 23, 2010
Fui à manif e safei-me
Na verdade, o desfile decorreu com a normalidade possível, as duas dezenas de jovens que desceram do Liceu de Camões desfilaram onde entenderam, e não houve necessidade de recorrerem às orientações do líder do grupo que distribuía um jornal em formato "Expresso", na saída do metro do Rossio. Não foi preciso fugirem "para as ruas que atravessam a avenida, em caso de carga policial".
Pela minha parte, apoio os movimentos de resistência populares em qualquer parte do Mundo, pela libertação dos Povos e contra todos os fundamentalismos, sejam os fundamentalistas da NATO, sejam os da Al-Qaeda. Defender o contrário é muito lindo mas é a milhares de quilómetros de distância, porque pimenta nos olhos dos outros não arde.
quinta-feira, novembro 18, 2010
Murais, grafitis e tudo o que apele à mobilização dos trabalhadores
quinta-feira, novembro 11, 2010
5Dias e uns feriados
Há autores que acompanho invariavelmente, nomeadamente, o Nuno Ramos de Almeida, o Carlos Vidal e o Tiago Mota Saraiva.
Por afinidades políticas, certamente, dá-me especial gozo ler a sinceridade cáustica do Vidal, que vai espalhando pelos 5Dias aquilo que, às vezes, os meus camaradas têm algum receio de dizer, rompendo com o politicamente correcto.
Ao longo do tempo, o 5Dias foi-se modificando, com novos autores, e novos grafismos. Hoje está diferente. Não sei se pior ou melhor, sei que diferente. Sei que alberga agora gente que precisa, primeiro, de perceber do que fala, para não cair no ridículo do radicalismo que tanta vezes tem sido alvo - e certeiro - de outros bloggers de uma suposta esquerda moderna, que apoia o candidato do Governo numas eleições. Mas centremo-nos no que interessa, que isto das presidenciais há-de dar letra a outras postas.
Eu não conheço a Diana Dionísio, por isso vou procurar não fazer juízos de carácter sobre ela em relação a esta posta, que seria brilhante se fosse irónica, mas, nos muitos comentários que proporcionou (71 a esta hora) percebe-se que não é.
Pergunta a Diana se "Está marcada alguma concentração / manifestação para o dia 24? É que ainda não dei por isso. Alguém me pode esclarecer? Alguma estrutura dessas que tenta organizar as massas está a pensar marcar alguma coisa? Encontramo-nos nalgum lado para dar uns gritos"?
Por partes:
A esmagadora maioria das estruturas representativas dos trabalhadores já aderiu, pelo que as massas deverão estar organizadas não só para aderir à greve, como também para mobilizar e esclarecer os restantes camaradas, através das centenas de plenários e de piquetes que hão-de realizar-se por todo o país.
Não sei que noção terá a Diana do que é uma manifestação. Já fui a muitas - é uma pena não verem o meu orgulho ao dizer isto - e nunca lá fui só para dar uns gritos com a malta. Quando preciso de desanuviar, bato com a cabeça na parede, exercito umas tíbias e por aí fora. É este tipo de ligeireza quando se fala numa manifestação que não beneficia em nada o momento que vivemos. Esta tentativa de redução do verdadeiro significado de uma manifestação é precisamente o que interessa à opinião publicada. Que de cada vez que os trabalhadores, estudantes, reformados, empregados, desempregados saem à rua é para dar "uns gritos". Nunca o fiz. Nem nos meus tempos de estudante nem enquanto trabalhador. Sempre que fui a uma manifestação foi para marcar uma posição e gritar palavras de ordem a plenos pulmões. Nunca fui a uma manif por não ter algo mais interessante para fazer ou porque é giro ir a manifs.
Este esvaziamento do que representa uma manifestação, seja ela de quem for, pode colher dividendos dentro de alguns sectores, mas certamente que não contribui para o êxito das lutas de massas que hão-de vir neste e no próximo ano, seja com o PS ainda no Governo, seja com o PSD, isto se o Povo não acordar a tempo.
Sobre a manifestação em dia de Greve Geral:
Evidentemente que não há manifestação numa Greve Geral. Isso implicaria que, para transporte dos manifestantes, os trabalhadores dos transportes públicos, por exemplo, não estivessem em greve, tal como os das empresas de aluguer de autocarros ou os das bombas de gasolina ou os das estações de serviço. A bicicleta pode sempre ser um bom meio - que até é simpático para alguns autores do 5Dias - mas ir de Leça a Lisboa a pedalar ainda é um esticão.
A ideia de que uns podem trabalhar para levar os outros é tão absurda como a do jornalista que não faz greve porque alguém tem de a noticiar. É simplesmente a negação do protesto.
Uma Greve Geral é uma Greve Geral. Não é uma greve-só-um-bocadinho-geral-porque-a-malta-quer-ir-dar-uns berros.
E já agora, quando se fala nos grandes protestos de França, repare-se na quantidade deles que teve lugar precisamente nos locais onde se concentravam os piquetes. Mas não vale a pena comparar realidades distintas.
Com ou sem estas ideias iluminadas, que nada têm de novo - lá vem a doença infantil do comunismo outra vez à baila -, a Greve Geral de 24 de Novembro há-de ser um enorme êxito, assim o queiram os trabalhadores.
E um agradecimento ao Carlos Vidal por esta posta.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Parece que a partir de agora, mensalmente uma vez por mês, que é como quem diz, seis vezes em meio ano, também vou andar por aqui
quinta-feira, outubro 21, 2010
Começou a campanha
A campanha que já começou foi outra. Depois de quatro anos de forte ataque aos funcionários públicos, esse exército de malandros pago a peso de ouro, que nada em direitos e se afoga em benefícios, o alvo passou a ser aqueles malandros dos desempregados. Esse bando de mandriões inúteis que nada quer fazer.
Há dias, na RTP1, em horário pós-Jornal da Noite, um empresário dos têxteis, coitado, queixava-se de não ter pessoas para trabalhar, quando lhes oferecia o valor astronómico de 475 euros mensais. Uma fortuna, nos dias que correm. Infelizmente, o empresário nunca disse quais os seus rendimentos, nem qual a parte da mais-valia criada revertia para quem produz o valor.
Simultaneamente, vêm ideias peregrinas de colocar os desempregados a limpar matas, como se o subsídio de desemprego não fosse a forma de o Estado assegurar a sobrevivência daqueles que perderam o emprego; como se estar desempregado fosse uma regalia social, que merece a pena de trabalhar a troco do que descontou.
Esta campanha mediática de diabolização dos desempregados é só mais uma forma de dividir a sociedade. Atacar os desempregados sem abordar as causas do desemprego. Serve o Governo e serve o poder económico, que, a par do Estado, vai instituindo a precariedade como verdade absoluta e inalienável do progresso.
O desemprego é um drama, não é uma opção. E não são os desempregados que têm de pedir desculpa por estarem na situação em que estão. É a sociedade que deve pedir-lhes desculpa por continuar a acreditar neste modelo económico.
sexta-feira, outubro 15, 2010
Zombies em tempo de vampiros
Hoje, chegou a mostarda ao nariz da jornalista Câncio, o que não é fácil, diga-se. Sem entrar em piadas fáceis - tipo, a Fernanda cância-me - a jornalista puxa dos galões de grande repórter e assume todo o seu ódio ao PCP, num artigo repleto de preconceito, mentiras e deturpações. Nada de novo, portanto, até porque é a própria que o assume no texto.
Assumindo a defesa das chefias das redacções, revela que os seus superiores não cortam os seus textos. Tem sorte. E nós cheios de azar. Não lhe passa pela cabeça denunciar, por exemplo, a precariedade reinante no meio onde trabalha. Não, porque o mundo visto a partir dos saltos altos da senhora tem outra perspectiva. Tão grave como isso, é afirmar claramente que há, nas redacções, um preconceito em relação ao PCP por parte dos seus - dela - camaradas* de redacção. Assume-se a voz de toda uma classe e revela que os jornalistas têm reservas em dar notícias sobre a actividade de um partido eleito na AR por terem espaço a mais nas páginas, dado que "não o levam a sério". Assim, sem perceber - o que não é fácil, já que sabe tudo sobre tudo -, Câncio confirma tudo o que nega no primeiro parágrafo.
É desta coerência que é feita a massa media que suporta o governo Socrático. Acusa o Partido com mais vitalidade e capacidade de mobilização de ser um zombie, exactamente no mesmo dia em que um dirigente do PS acusou outro de aliciamento, num exemplo de como se passam as coisas nos corredores do poder.
Estes não são zombies, são vampiros.
E eu, ingénuo, certamente, prefiro ser zombie toda a vida do que vampiro por um dia.
*Camaradas de redacção era a designação usada entre jornalistas, pelo menos há 10 anos, quando pela primeira vez entrei numa redacção. Agora, em alguns jornais devem ser quiduxos de redacção, ou coisa parecida.






