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terça-feira, julho 09, 2013

Apresentação das candidaturas da CDU às Uniões de Freguesias de Matosinhos

Foi uma grande apresentação, com muita gente, apesar do calor. Temos algumas imagens aqui.

Fica também a minha intervenção na apresentação da candidatura à União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira.



Caros amigos,

Encontramo-nos hoje aqui para dar a conhecer as equipas que integrarão as candidaturas da CDU às quatro uniões de freguesias do concelho de Matosinhos, nas eleições autárquicas de 29 de Setembro.

Apresentamo-nos, como sempre fizemos, com o objectivo supremo de servir e não de ser servidos. Somos firmes nas nossas convicções e coerentes na nossa prática. Estes são dois dos atributos que fazem com que estejamos prontos para o trabalho com honestidade e competência.

É esta postura que faz com que sejamos abordados, quase diariamente, com cidadãos que nos colocam questões concretas, da sua rua, do seu bairro, de falta de iluminação pública, de cortes nas pensões, de aumentos de rendas.

Outros há que nos que procuram depois de não obterem respostas junto das entidades que deviam servir todos nós. E nós, com ou sem representatividade na juntas de freguesias, procuramos fazer o melhor que podemos e sabemos para dar resposta aos seus anseios e reivindicações.

Vamos para este novo processo eleitoral numa conjuntura extremamente complicada, com o acentuar da agressão ao povo português e à democracia de Abril. Um governo morto e enterrado que vai estrebuchando, à sombra de um Presidente da República inerte perante a catástrofe que se abate sobre o Povo que deveria representar.

Olhemos agora para a união de freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira e para implicações que o novo mapa autárquico terá na vida das populações.

Em Matosinhos, não há um pavilhão municipal que possa ser utilizado pelas colectividades da cidade, mas há em Leça da Palmeira, pelo que, legitimamente, as colectividades de Matosinhos quererão também usufruir dele. Em Leça da Palmeira, não há uma piscina municipal, mas há em Matosinhos, pelo que, na lógica da agregação defreguesias, passa a existir também em Leça da Palmeira.

A CDU não aceita estas situações e conta com a ajuda das populações para que continuemos a exigir tudo aquilo a que cada uma das antigas freguesias tem direito. Não abdicamos de lutar por condições dignas para as populações de Matosinhos e Leça da Palmeira. A diversidade e composição da lista da CDU é também um reflexo deste combate que daqui assumimos.

Com a CDU, estas situações serão revertidas. Temos como objectivo promover o desenvolvimento harmonioso das duas freguesias agora agregadas, respeitando especificidades, mas sem deixar que haja sobreposições. Mesmo dentro de cada uma das freguesias há diferenças de investimento e desenvolvimento que são, quanto a nós, inadmissíveis.

Não podemos continuar a apostar só nas linhas de praia, esquecendo o resto das freguesias. As zonas norte de Leça da Palmeira e Matosinhos estão ao abandono, sem vida, com estradas indignas, iluminação insuficiente, equipamentos insuficientes.

Apoiamos a atracção do sector do turismo para Matosinhos e Leça da Palmeira, mas é impossível fazê-lo sem que acautelemos, primeiro, as necessidades mais básicas de quem cá vive. Passear pelas ruas de Matosinhos e Leça da Palmeira, durante a noite, tornou-se numa penosa travessia por entre casas abandonadas e sem-abrigo a dormir nas suas entradas. Não é possível desenvolver Matosinhos e Leça da Palmeira desta forma. A CDU não defende uma freguesia para os postais turísticos e outra escondida pela vergonha da inércia dos responsáveis autárquicos.

Apoiamos o investimento feito nas zonas das praias, tendo em conta o seu potencial turístico, mas é necessário que seja um investimento responsável, sustentado, com equipamentos adequados para quem visita as nossas praias com fins recreativos e desportivos. Estes quase 40 anos de Partido Socialista transformaram uma “Terra de Horizonte e Mar” num local onde só se vê o horizonte depois de ultrapassado o betão e onde o mar passou a ser uma miragem quem dele precisa para viver.

Estamos conscientes dos desafios que teremos pela frente. Há erros do passado muito difíceis de reverter. Temos como exemplo a A4, que, num caso que se não é único, é pelo menos muito raro, termina numa das avenidas mais movimentadas de Matosinhos. Temos o exemplo da Rua Brito Capelo, outrora coração da cidade. Recordemos que a CDU sempre defendeu que, pelo menos naquela rua, o metro deveria ser subterrâneo, mas a possibilidade de ser a Metro do Porto a suportar os custos da requalificação da Brito Capelo falou mais alto. O metro passa agora por lá à superfície, quando era perfeitamente possível, até como atracção turística, manter o eléctrico a circular. Recordemos que, quando foi decidido retirar o eléctrico da Rua Brito Capelo, o argumento foi o de que era perigoso, por circular sem separação dos peões. Hoje, todos vemos como o metro circula.

A CDU defende a atracção de novas empresas para a freguesia de Matosinhos-Leça, como forma de inverter o desastre que foi sendo fomentado por políticas europeias, nacionais e concelhias que resultaram no desmantelamento do aparelho produtivo. Leça e Matosinhos são o expoente máximo destas políticas. Substituir o trabalho pelo betão, fábricas ao abandono à espera que algum interesse imobiliário desperte para promover mais construção desenfreada.

Defendemos espaços verdes para Matosinhos e Leça da Palmeira, com a requalificação e ampliação do Parque de Real, bem como fazer renascer a Quinta da Conceição, que, há uns anos, acabou privatizada e está agora ao abandono. Vemos nestes dois locais espaços, por excelência, para a realização de actividades físicas ao ar livre, de convívios, de passeio. Locais aprazíveis onde possa usufruir-se de instalações sanitárias decentes. Com a CDU, estes espaços terão a atenção devida e não apenas de quatro em quatro anos, quando é preciso aparecer para cortar fitas.

Com a CDU em Matosinhos e Leça da Palmeira, a junta da união de freguesias terá um papel activo na defesa dos direitos das populações. Não seremos marionetas da Câmara Municipal, navegando ao sabor da vontade de interesses mais ou menos claros. Com a CDU, a junta de freguesia não pedirá o que quer que seja à Câmara: exigirá, porque é essa a nossa obrigação junto daqueles que nos elegeram. Exigir e fazer o melhor em prol da população e não de quaisquer outros interesses. E, quando assim não acontecer, é com a população que contamos para que, junto das entidades responsáveis, cumprir as reivindicações de todos nós.

Apelamos à população de Matosinhos e Leça da Palmeira que, nestas eleições, não volte a deixar-se enredar em jogos de bastidores, supostos arrufos de parceiros, que mais não querem do que um lugar à sombra do poder. A população caiu nesta armadilha nas últimas eleições autárquicas, acreditamos convictamente que, desta vez, a história será diferente.

Apelamos a que pensem no que têm sido estes quase 40 anos de mais do mesmo nas freguesias de Matosinhos e Leçada Palmeira.

No dia 29 de Setembro, como em todos os outros dias, podem contar com a CDU, com o nosso trabalho, honestidade e competência. Da nossa parte, contamos com todos.

Viva a CDU!

sexta-feira, maio 24, 2013

Vinha da Costa e a corrupção

Há oito dias, decorreu em Custóias – Matosinhos – um debate organizado pela Junta de Freguesia que pretendia debater o papel dos partidos na crise actual. O evento foi moderado pelo presidente da Junta organizadora e foram convidados membros de todos os partidos com assento parlamentar. Pelo PS esteve um jovem bastante confuso, cujo nome me escapa e que não conheço, pelo PSD esteve Vinha da Costa, pela CDU esteve José Pedro Rodrigues – ambos candidatos à Câmara de Matosinhos -, pelo Bloco disseram que estariam mas não estiveram e, no CDS, ninguém respondeu.

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segunda-feira, abril 01, 2013

Muito trabalho pela frente - Sondagem JN

O Jornal de Notícias publica hoje uma sondagem sobre as próximas Autárquicas em Matosinhos. Nós sabemos que, até Outubro, haverá sondagens para todos os gostos, muitas delas lançadas pelas próprias candidaturas. Recordemo-nos do sucedido em 2009, quando, na última semana de campanha, foi divulgada uma sondagem em que supostamente Narciso Miranda, a concorrer sem o PS, e Guilherme Pinto, o candidato oficial, estariam a disputar a presidência da Câmara por décimas, o que viria a demonstrar-se uma enorme mentira. Guilherme Pinto ganhou, sem grandes problemas, e aproveitou os vereadores eleitos pelo PSD, que tanto jeito lhe deram.


Vamos ser claros: o objectivo de qualquer candidatura é ganhar. A candidatura da CDU não foge à regra, é para ganhar. Quando ganha a CDU não ganha o candidato x ou y. Ganha o projecto colectivo que apresentamos, ganham as populações, ganham os concelhos. E é para isso que vamos trabalhar, seja para a eleições do executivo da câmara, seja para a Assembleia Municipal, seja nas freguesias. Se não o conseguirmos, aceitaremos democraticamente a confiança que as populações entenderem depositar em nós. E continuaremos a trabalhar com a mesma vontade.

Os números hoje apresentados demonstram que temos ainda muito trabalho pela frente, nomeadamente no que respeita ao contacto com indecisos, com supostos não votantes, com votantes tradicionais do PS, com os insatisfeitos com o PSD do concelho e na luta que teremos pela frente para acabar, de uma vez por todas, com a luta de poleiros entre os dois candidatos do PS (ou três?), que tanto prejudicaram e prejudicam o concelho. Sem quaisquer preconceitos.

Ao longo do último mandato foi reconhecida quase unanimemente a falta que fazem os vereadores da CDU no executivo. Por isso, trabalharemos para merecer a confiança da população, para demonstrar que não somos todos iguais.

A sondagem

Quanto à sondagem em si, estranho que a chamada principal seja para a liderança de um candidato que não o é. O que interessa na sondagem é o gráfico à esquerda, em baixo, com os candidatos apresentados. A menos que o JN saiba que Narciso é candidato mas não o noticie; que queira lançar Narciso como como candidato; ou que seja só para criar ainda mais ruído ao já insuportável que existe no concelho.

Uma nota ainda: é a primeira vez que vejo o candidato do PSD associado ao símbolo do partido pelo qual concorre.

quinta-feira, março 28, 2013

É tudo vergonha?

Não, não haverá aqui uma linha sobre a entrevista de ontem a um ex-Primeiro Ministro. Não a vi, não me apeteceu. A voz do personagem irrita-me tanto como a do Vítor Gaspar, com a diferença que o Vítor Gaspar eu tenho de ouvir, porque ainda é ministro.

É vergonha, sim. O PSD de Matosinhos tem vergonha do PSD. Eu também teria, se fosse do PSD. Por outro lado, não seria do PSD, se tivesse vergonha. Vamos andar com isto, sem
descambar para a filosofia.



O PSD de Matosinhos demarca-se visualmente do PSD. Percebe-se a jogada: tiram-se as setinhas e o partido das setinhas deixa de estar ligado a uma governação miserável do país, na linha da anterior. Mais: faz-se de conta que o Guilherme Aguiar, vereador da Câmara Municipal de Matosinhos, não foi eleito pelo PSD de Matosinhos e que não é militante do PSD.

Facebook do PSD de Matosinhos
Faz-se de conta que o PSD não esteve ao lado do executivo do PS na Câmara Municipal, com dois vereadores que andaram de braço-dado com Guilherme Pinto. Faz-se de conta que, depois de ter espalhado outdoors pela cidade contra a municipalização dos estádios do Leça e do Leixões mas aprovou, na Assembleia Municipal, a entrega de milhares de euros à SAD do Leixões. Euros que são de todos nós, dos contribuintes.

Arruada do PSD
Não há setinhas no PSD de Matosinhos. A tentativa de descolagem do actual candidato em relação ao PSD e ao governo pode ser muita coisa, mas não é honesta e mostra um partido com duas caras. Com duas caras, sim, como sucedeu na discussão em torno da redução das freguesias: num fim de tarde estava acordada com todos os partidos e um movimento uma moção contra a extinção de freguesias e, na noite seguinte, absteve-se.


Já na carta enviada há uns meses a todos os munícipes, Pedro Vinha da Costa, esqueceu-se do logótipo do PSD. A tentativa do PSD para branquear políticas e não só, só passará despercebida a quem anda mesmo muito desatento. Podem tirar o logo do PSD a uma candidatura, mas não conseguem tirar as nódoas de um partido que, na autarquia como no país, ajudou a dar grandes passos em frente. Rumo ao abismo.




Falta a alegria laranja de outras campanhas, com a caravana de jovens arregimentados para aplaudir, como em 2009, quando andavam com Guilherme Aguiar ao colo. Falta também a vergonha de não ter vergonha de representarem aquilo que são: o PSD.

Um doce para quem encontrar o logótipo do PSD em acções de campanha realizadas até agora em Marosinhos.

segunda-feira, março 18, 2013

Entrevista do Candidato da CDU à CM Matosinhos

José Pedro Rodrigues, candidato da CDU à Câmara Municipal de Matosinhos, 
em entrevista ao JN.


José Pedro Rodrigues é o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos. Com a responsabilidade de substituir um peso pesado comunista. 

Presumindo que o objetivo é voltar a eleger um vereador, como é que um desconhecido se propõe substituir um deputado mediático como Honório Novo?

Pudemos contar com Honório Novo enquanto autarca e candidato durante 12 anos. O que coincidiu com o período em que assumi responsabilidades na Assembleia Municipal. Considerou-se que esta seria a solução indicada para encabeçar uma candidatura que proporcione uma alternativa. 


Honório Novo já não era capaz de proporcionar essa alternativa?

Certamente que seria capaz. Mas achou-se, nesta altura, que eu seria a pessoa indicada, com um compromisso baseado nos mesmos princípios de candidatos anteriores. 

Insisto, é um desconhecido para a esmagadora maioria dos matosinhenses. Isso não será um problema?

Assumindo que a população não me conheça tão bem, tentaremos provar com o nosso programa que têm razões mais que suficientes para confiarem na CDU e nos seus candidatos. 

Como sabe, os cidadãos mais do que em programas e listas, votam em pessoas, sobretudo nas autárquicas. 

A minha intervenção enquanto eleito em Matosinhos, vai para 12 anos – e não me sinto muito confortável a falar de mim -, não perdeu em termos de qualidade, capacidade e ativismo com nenhuma outra bancada. Quem vê caras não vê corações. Vamos tentar que esse eventual desconhecimento se transforme em confiança. 



Apesar do seu otimismo, os últimos resultados autárquicos da CDU jogam contra si: perderam cerca de metade dos votos. 

A disputa de poder entre Narciso Miranda e Guilherme Pinto acabou por transformar as eleições numa disputa emocional. Não era uma disputa de programas, nem de projetos ou ideias diferentes, era uma disputa de poder. 

Na apresentação da sua candidatura fez um apelo: “Não permitam que a decisão racional seja prejudicada pela disputa emocional”. Não está com isso a menorizar a capacidade dos eleitores?

Houve um discurso que chantageou os matosinhenses nas últimas eleições. A disputa de poder no PS foi degradando a vida política no concelho. O que se passou há quatro anos foi um combate político sem nível, degradante, insultuoso.

Mas nestas eleições vai acontecer exatamente a mesma coisa: duas candidaturas da área do PS. A escolha voltará a ser emocional?

Tendo percebido as consequências, esperamos que os matosinhenses possam perceber que a alternativa não está no PS oficial ou no PS independente. Este PS tem sido incapaz de fazer frente à tragédia social e económica de que o concelho sofre. Boa parte da sua intervenção aquando do lançamento da candidatura foi dedicada à situação política nacional. 


Vai fazer uma campanha centrada na crise a nível nacional, em vez de uma campanha centrada na autarquia?

Estas eleições enquadram-se nummomento muito complicado da vida do país. O problemapresente na cabeça das pessoas neste momento é chegar ao fim do mês. 

Mas vai orientar a sua campanha para a situação de crise a nível nacional ou para as questões particulares do município de Matosinhos? Não são abordagens iguais.

Mas são convergentes. Matosinhos era um dos concelhos mais industrializados do distrito do Porto. Gerou-se a ideia que Matosinhos era um concelho onde se habitava e onde se trabalhava no setor dos serviços e que as fábricas eram uma realidade do passado. Somos contra essa conceção. O país perdeu, entre 2006 e 2010, 24% das suas empresas transformadoras, Matosinhos perdeu 35%. 

Mas isso é da responsabilidade da autarquia ou tem a ver com a crise nacional?

O encerramento de empresas mais acelerado em Matosinhos do que no país deve-se ao facto de não haver umapolítica que favoreça a implantação industrial. 

O PCP já acusou os responsáveis autárquicos de terem trocado fábricas por prédios, referindo-se a Matosinhos-Sul. Eu diria que a Câmara trocou barracões abandonados por prédios. 

A Câmara foi privilegiando, na suareorganização do território, um urbanismo à la carte, transformando as zonas mais apetecíveis em aglomerados habitacionais. 

Foi a Câmara que transformou ou foi a atividade económica que morreu, obrigando à reconversão? As câmaras não podem manter fábricas abertas à força.

Não atribuo à Câmara a responsabilidade pelo encerramento das conserveiras. Mas houve sempre uma pressa muito grande em transformar espaços vazios em zonas de especulação imobiliária. A opção foi sempre demolir e construir habitação.  




A Câmara privilegia os interesses dos promotores imobiliários e empreiteiros?

Esta Câmara privilegia um urbanismo descontrolado, com níveis de construção acima do que era razoável, sem ter a capacidade de terminar um PDM que agregasse as redes viárias, a malha industrial e os equipamentos estratégicos que existem no concelho. Matosinhos está no coração do Noroeste Peninsular e perdeu para a Galiza a primazia na implementação da plataforma logística intermodal.

A Galiza tem um Governo regional, Matosinhos é só um concelho.

Sendo só um concelho, tem o Aeroporto do Porto ao lado, tem o porto de Leixões, tem redes viárias que o ligam a todo o Norte e à Galiza e não foi capaz de aproveitar essas condições, porque não existe uma política de desenvolvimento industrial, não foi capaz de criar parques que pudessem fixar emprego ematividades industriais transformadoras. E as opções erradas refletem-se hoje no facto de Matosinhos ter um desemprego jovem que é o dobro da média nacional. Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2013, o desemprego jovem cresceu 26% no país, 27% no Norte, e 56% em Matosinhos. Há cada vez menos trabalho e essa escassez está a refletir-se no agravamento da situação social, com casos de fome e de miséria. 

A Câmara não tem preocupações sociais?

A Câmara investe em resolver as coisas a jusante. Enquanto o problema não for enfrentado a montante, enquanto não se criarem condições para recuperar o dinamismo industrial, estes problemas vão agravar-se. 

Está a defender que se desvie dinheiro do apoio social [a jusante] para o investimento [a montante]?

Não pode deixar de se prestar apoio social. Não é daí que o dinheiro deve ser desviado. Mas pode ser desviado de muitas outras coisas. 

Por exemplo?

A Câmara de Matosinhos gastou mais de meio milhão de euros em pareceres jurídicos externos e trabalhos de consultadoria externos. Em propaganda e publicidade gasta mais de um milhão de euros por ano. Foi apoiando esporadicamente uma ou outra empresa que se instalou em Matosinhos. Estamos a falar de muitos milhões de euros que a Câmara, ao longo dos anos, foi partilhando com algumas empresas.


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

PS - Agência de emprego

Na semana passada, o PS de Matosinhos voltou a ser notícia na comunicação social. Muito por culpa do candidato do PS à autarquia matosinhense, que diz que parece que disse uma coisa, mas não disse, mas afinal disse mesmo, como se vê no vídeo abaixo, disponibilizado pelo blog Aventar.





Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas.

Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso.

Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional".

Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o então ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundos nas lista do PS às Europeias de 2004.

Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis".

Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se:

"2. Delibere, desde já, em face das conclusões do presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas.

A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências.

E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente.

Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:


8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota, pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido.



"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota, o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos."

"(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil e injuriosa para Narciso Miranda." 

"
Do conteúdo revelador das declarações então prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a concelhia de Matosinhos do partido" 


"4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito comportamento impetuoso:"

"Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos, proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua exclusão do PS."

O tempo passou e, desde então, muita coisa mudou:
  • Narciso Miranda foi expulso do PS após a candidatura "independente" à CM Matosinhos;
  • Guilherme Pinto é presidente da CM Matosinhos e, não sendo o candidato oficial do PS, se não avançar como "independente", tem à espera a cadeira que preferir, seja no Parlamento Europeu ou na Assembleia da República;
  • António Parada é o presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos desde 2005 e candidato do PS à CM Matosinhos;
  • Francisco Assis é deputado e foi líder parlamentar do PS na era Sócrates ;
  • Manuel Seabra foi chefe de gabinete de António Costa na CM Lisboa e é actualmente deputado na AR.
Com o previsível avanço de António Costa para a liderança do PS, mais cedo ou mais tarde, caso este ocorra antes das Autárquicas de Outubro, é previsível que as lutas internas se reacendam em vários concelhos do país, com especial relevo para Matosinhos.

Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, perdeu identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Novo vídeo - António Parada e a escolaridade obrigatória

Depois do que foi dito e escrito em vários blogues e, hoje, nas páginas do Correio da Manhã, cai por terra a teoria dos acólitos de António Parada - relembro, candidato do PS oficial à Câmara Municipal de Matosinhos e actual presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos - que dizia que foi tudo descontextualizado.

Surge agora um novo vídeo, de 13 de Maio de 2012, em S. Mamede de Infesta, onde, a partir dos 17 minutos, toda a sua opinião sobre a escolaridade obrigatória é novamente clarificada. Para quem tivesse dúvidas.

Relembremos: António Parada defende que há "doutores a mais" mas foi tirar uma licenciatura aos 45 anos, que concluiu em 2012. Confesso que me faltam palavras para descrever o ridículo da situação. Não se percebe para que foi fazê-lo, quando há falta de moços de trolha e  carpinteiros, e, segundo diz, médicos a mais.

E não esqueçamos: namorar, só a partir dos 18.

Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar.




Actualização da tarde

Conforme previsto, o vídeo desapareceu. O facto de ter escrito ali em cima "Fica o vídeo, antes que seja retirado do ar", não foi por acaso. O motivo que me levou a fazê-lo foi conhecer o proprietário da conta, que é apoiante de António Parada de uma das freguesias de Matosinhos.

Resta saber o seguinte: o Carlos Alberto tem vergonha do que defende o seu candidato ou não quer que se saiba o que ele defende?


II Actualização da tarde

Por coincidência, o vídeo voltou a estar disponível depois de, no Facebook, ter questionado o autor do mesmo sobre o facto de ele ter desaparecido.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Parada, o último doutor


Que o PS de Matosinhos está longe de ser flor que se cheire, todos sabemos. Que a decadência do concelho, a todos os níveis, é constante, também sabemos. Não vale a pena recordar as guerras internas: Manuel Seabra, Narciso Miranda, Guilherme Pinto, António Parada, Nuno Oliveira.

Desta vez, António Parada, um dos cabeças de lista de um dos PS de Matosinhos, tornou-se fenómeno de popularidade no Facebook, à semelhança do que já sucedera com Guilherme Aguiar - do PSD, que será candidato à CM de Gaia - mas por outros motivos. Guilherme Aguiar estava a jogar solitário durante uma Assembleia Municipal onde se discutia a extinção de freguesias.



Parada - actual presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos - estava num evento repleto de acéfalos e recebeu muitos aplausos por defender o "fim da escolaridade obrigatória". Mais: o candidato do acha que "os jovens devem ser apoiados pelo Estado, apoiar aqueles que têm aproveitamento. Aqueles que não têm, aos 14 anos é mandá-los trabalhar".

Esta postura medieval do candidato do PS (oficial) é ainda mais incompreensível quando o próprio concluiu a licenciatura... no ano passado. António Parada é agora doutor António Parada, licenciado em Relações Internacionais e Ciência Política pela Universidade Fernando Pessoa.


Não sei se Parada teme a concorrência laboral - tanto como a partidária -, numa altura em que o desemprego atinge níveis vergonhosos em Matosinhos, onde o PS reina desde sempre na nossa história democrática. Parada não quer mais doutores, a menos que seja o próprio.

Parece-me, é que está definida a linha política que este candidato assumirá no que respeita à educação.

Uma coisa é certa, António Parada é bastante eclético nas fotos que apresenta no seu site, e dá-se bem com uns... 


... e com outros.