Ruy de Carvalho tem 86 anos e 70 de carreira, é um actor que aprendi a
admirar, fosse na televisão ou no teatro. A idade é, de facto um posto.
Eu acho que aos 86 anos, uma pessoa deve poder dizer o que lhe vai na
cabeça, mesmo sendo alguém de quem se espera tudo e mais alguma coisa.
Mesmo havendo o risco de desiludir admiradores, amigos. Caramba, 86 anos
têm de servir para alguma coisa.
Continuar a ler.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
Mostrar mensagens com a etiqueta cavaco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cavaco. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, maio 27, 2013
Ruy de Carvalho e o desabafo
quarta-feira, maio 08, 2013
Mais um empurrão!
segunda-feira, abril 08, 2013
À lei do chumbo, mas nas ruas
O chumbo do Tribunal Constitucional a apenas quatro das 12 normas suscitadas não é uma vitória para o povo nem para os trabalhadores em Portugal. Foi apenas 1/4 de vitória judicial do que milhares de pessoas que saíram à rua neste ano como no ano anterior querem que seja uma vitória política e colectiva; uma vitória da sobrevivência sobre a austeridade imposta pelo governo do PSD/CDS, com o PS da ruptura, mas não muito. Do PS que censura o governo mas que escreve à troika a sossegar as sanguessugas.
Esta é 1/4 de vitória da Constituição da República Portuguesa, mesmo depois de já ter sido martelada e desvirtuada. É por isso que é preciso defendê-la e, logo que seja possível, voltar a fazer com que esteja ainda mais ao serviço do povo e dos trabalhadores.
Os juízes do TC não são, de facto, politicamente pressionáveis, nem precisam de sê-lo. São escolhidos a dedo pelos partidos que nos governam há décadas, não em alternativa mas sim em alternância. Mas não são alheios ao poder da rua e das manifestações gigantescas a que temos assistido. Os juízes do TC sabem bem que, se fizessem a mesmo palhaçada que no ano passado, com a inconstitucionalidade objectiva de medidas a ser aceite não pelo que consta na CRP, mas sim pelo facto temporal, seriam alvo de contestação nas ruas, como são o governo e o Presidente da República.
Faz tanto sentido acreditar que a pressão popular, nas ruas, não foi tida em conta no chumbo parcial do TC às medidas suscitadas pelos partidos, Provedor de Justiça e Cavaco como acreditar que a demissão de Relvas não teve também o forte empurrão do povo.
A luta vai e tem de continuar até à demissão deste governo e a convocação de eleições. Este governo, que já é de iniciativa presidencial uma vez que mais ninguém o apoia, prepara, em jeito de desculpa pela decisão do TC, novos ataques à escola pública, à saúde e aos mais pobres dos pobres, através de novos cortes na Segurança Social.
O governo vai insistir na austeridade, nós temos de insistir, aumentar e intensificar a luta. O orçamento e o governo já são chumbados nas ruas. E vai levar chumbos até cair.
Notas sobre o TC:
Estudo diz que TC é politizado e partidarizado.
Quem são os juízes do TC:
São eleitos pela Assembleia da República, por maioria de dois terços. Outros são cooptados pelos restantes membros eleitos.
Joaquim Sousa Ribeiro: Proposto pelo PS e PSD
Maria Lúcia Amaral: Proposta pelo PSD
Vítor Gomes: Cooptado
Maria João Antunes: Cooptada
Carlos Cadilha: Proposto pelo PS
João Eduardo Esteves: Proposto pelo PSD
Ana Maria Martins: Proposta pelo PS
José da Cunha Barbosa: Proposto pelo PSD
Catarina Sarmento: Proposta pelo PS e PSD
Fátima Mata-Mouros: Proposta pelo CDS
Fernando Vaz Ventura: Proposto pelo PS
Maria José Rangel Mesquita: Proposta pelo PSD
Pedro Machete: Cooptado
Esta é 1/4 de vitória da Constituição da República Portuguesa, mesmo depois de já ter sido martelada e desvirtuada. É por isso que é preciso defendê-la e, logo que seja possível, voltar a fazer com que esteja ainda mais ao serviço do povo e dos trabalhadores.
Os juízes do TC não são, de facto, politicamente pressionáveis, nem precisam de sê-lo. São escolhidos a dedo pelos partidos que nos governam há décadas, não em alternativa mas sim em alternância. Mas não são alheios ao poder da rua e das manifestações gigantescas a que temos assistido. Os juízes do TC sabem bem que, se fizessem a mesmo palhaçada que no ano passado, com a inconstitucionalidade objectiva de medidas a ser aceite não pelo que consta na CRP, mas sim pelo facto temporal, seriam alvo de contestação nas ruas, como são o governo e o Presidente da República.
Faz tanto sentido acreditar que a pressão popular, nas ruas, não foi tida em conta no chumbo parcial do TC às medidas suscitadas pelos partidos, Provedor de Justiça e Cavaco como acreditar que a demissão de Relvas não teve também o forte empurrão do povo.
A luta vai e tem de continuar até à demissão deste governo e a convocação de eleições. Este governo, que já é de iniciativa presidencial uma vez que mais ninguém o apoia, prepara, em jeito de desculpa pela decisão do TC, novos ataques à escola pública, à saúde e aos mais pobres dos pobres, através de novos cortes na Segurança Social.
O governo vai insistir na austeridade, nós temos de insistir, aumentar e intensificar a luta. O orçamento e o governo já são chumbados nas ruas. E vai levar chumbos até cair.
Notas sobre o TC:
Estudo diz que TC é politizado e partidarizado.
Quem são os juízes do TC:
São eleitos pela Assembleia da República, por maioria de dois terços. Outros são cooptados pelos restantes membros eleitos.
Joaquim Sousa Ribeiro: Proposto pelo PS e PSD
Maria Lúcia Amaral: Proposta pelo PSD
Vítor Gomes: Cooptado
Maria João Antunes: Cooptada
Carlos Cadilha: Proposto pelo PS
João Eduardo Esteves: Proposto pelo PSD
Ana Maria Martins: Proposta pelo PS
José da Cunha Barbosa: Proposto pelo PSD
Catarina Sarmento: Proposta pelo PS e PSD
Fátima Mata-Mouros: Proposta pelo CDS
Fernando Vaz Ventura: Proposto pelo PS
Maria José Rangel Mesquita: Proposta pelo PSD
Pedro Machete: Cooptado
Posto isto, estamos todos de acordo que o chumbo terá de continuar a sair das ruas, não estamos?
segunda-feira, março 04, 2013
O medo mudou de lado
Estive na manifestação de 2 de Março. Não contem, ao longo deste texto, com guerras de números. O que se sentiu na rua não é mensurável - e é isto que algumas pessoas parecem não perceber, ou não querem mesmo perceber.
No Porto, esta foi das maiores manifestações em que estive, juntamente com a anterior, convocada pela CGTP, em Fevereiro. Na primeira reunião do movimento Que Se Lixe a Troika, em que fui convidado a participar, em Lisboa, houve uma coisa que me impressionou: o medo. Toda a gente falava no medo que o povo tinha.
Era preciso vencer o medo. Não concordei com as análises, mas respeitei-as. Não acho que o povo estivesse com medo. Acho que o povo estava atordoado e intoxicado. Por aqueles que, mesmo antes da manif, anunciaram o seu fracasso. Que seria mais pequena, que não teria efeitos práticos. Que não teria efeitos políticos. Por aqueles que, diariamente, nas televisões, jornais e rádios dizem que a miséria é inevitável e que o único caminho para lá da miséria é mais miséria. Não é. Não pode ser.
Houve gente que li nas redes sociais e blogues em tentativas desesperadas de menorizarem a dimensão da manifestação, que não foi apenas no Porto e em Lisboa. Foi em 40 cidades, portuguesas e não só. Não sei o que os move, e, sinceramente, não me interessa. Quero lá saber o que dizem. Que fiquem, juntamente com o especialista em multidões do Expresso, a contar quadradinhos. E juntem-lhe o jornalista do Público que fez a peça de ontem.
O que importa o que eles dizem? Zero. Quem lá esteve sabe bem o que foi. Uma Praça da Batalha à pinha, a abarrotar, com gente de todas as cores e idades. De vários partidos, incluindo militantes do PSD, de partido nenhum e outros que se estrearam numa manifestação.
O que nós vimos, pá, eles nunca verão. As lágrimas de emoção de ver a Praça da Liberdade, ao longe, já cheia, quando a cabeça da manifestação estava ainda longe. E a multidão nos passeios que se juntava e engrossava as fileiras.
Eles nunca verão os rostos de novos, velhos, empregados, desempregados, precários, pequenos empresários, pá. Aqueles rostos que espelhavam um misto de sentimento de que algo está a acontecer e de uma raiva contida, que ninguém sabe até quando durará. Porque não podemos engolir tudo; quando transborda vem cá para fora. E veio para a rua. E virá de novo.
Cada um de nós, que lá esteve, que viu e sentiu a Grândola como nenhuma daquela gente que vê tudo pelo filtro que vai directo dos olhos ao umbigo viu ou sente. E há umbigos maiores do que a manifestação de 2 de Março. E a Grândola, e os cravos, e a Grândola.
A Grândola, caramba, que cantámos três vezes, duas delas antes de chegar à Praça. A Grândola, caramba, que devíamos estar a celebrar e estamos, afinal, a defender. A Grândola, porra, que o Zeca nos deu para abrir caminho à liberdade, à educação, à igualdade, ao trabalho com direitos. A Grândola, caramba.
E a Grândola das 18h30, que o país cantou. Foi a Grândola mais bonita dos meus 30 anos de vida.
Os punhos, os cravos, a raiva que saía de cada verso, o braço dado com a pessoa do lado que nem se sabia quem era. As vozes já roucas, caramba, que a manifestação ia longa, mas era preciso que a Grândola se ouvisse em todo o país, porra. Novos e velhos, pá, com o peso da Grândola nos ombros, que quem a sente sabe o que pesa. A Grândola, caramba!
Menorizem, caramba. Desprezem, pá. A próxima será maior. E a seguinte e a outra. Porque vai cair. Este governo e a troika vão cair, porque caem eles ou caímos nós. E um povo que se deixa cair não é um povo, é uma massa que se deforma e deixa de ser aquilo que é. E nós somos o melhor povo do mundo, não somos? Somos, mas não da forma que eles querem.
Fazei tudo para nos afrontar ainda mais, que o vosso estrondo, quando vocês caírem, será maior, caramba, e cantaremos a Grândola bem alto, aos vossos ouvidos, que decorareis a letra a bem ou a mal. E o conteúdo. O conteúdo da Grândola, corja de lacaios. Esse, que nem sentis nem sabeis. Vai cair. Ides cair com estrondo, caramba, a bem ou a mal.
O que nós vimos, eles não verão.
Eles engolem em seco, sabem, mas não dizem: o medo mudou de lado.
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Agora a sério, feliz natal
As notícias de que os portugueses gastam milhares de milhões são cíclicas. Normalmente, aparecem por altura do Natal, juntamente com estudos que dizem que comer como se não houvesse amanhã não faz mal, o chocolate emagrece, o bolo-rei tem pouco açúcar e por aí fora.
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.
Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.
O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.
E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:
"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".
Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.
Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.
Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.
Feliz natal.
* tenho um leitor!
Centrando-me no primeiro tema, seria interessante saber quanto é que os portugueses movimentam nos outros meses do ano; por outro lado, seria ainda mais curioso perceber quantas das pessoas não aproveitam o subsídio de natal - os que ainda o têm - para pagar contas que ficaram em atraso durante o resto do ano. De outro modo, tenho todo o direito e mais algum de achar que é uma notícia filha da puta, que visa atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo-os crer que os vizinhos não sofrem com a crise.
Por falar em crise, anda por aí um senhor famoso por causa do bolo-rei que se vangloria de ter concedido aos pensionistas o 14.º mês. Ora, convém dizer que faz tanto sentido dizer uma coisa destas, como dizer que foi Cavaco que permitiu o associativismo na PSP, por exemplo. Uma coisa como a outra não foram benesses, foram fruto de muitas e muitas lutas de milhares de trabalhadores que não se resignaram e fizeram valer a sua vontade.
O mesmo senhor, que afirma nada ter a ver com o BPN, ajudou o governo do PS a oferecer ao BPN mais do dobro do valor disponibilizado por Sócrates para combater a crise. Dos 2,2 mil milhões de euros disponibilizado, um terço foi para o sector bancário e o tremendo 1 por cento ficou para o apoio ao emprego. Portanto, quem criou a crise é ajudado; quem a paga, que se foda.
E quem a paga somos todos nós, incluindo aqueles a quem roubaram 15 euros no salário de Janeiro, incluindo estas trabalhadoras da Eurest, despedidas e/ou com processos disciplinares, por, imagine-se, levarem para casa restos de comida. Refira-se que a Eurest é propriedade do Compass Group, que apresentou, em 2010, os seguintes resultados:
"We have delivered another year of strong performance, despite the challenging economic conditions, with record operating profit of over £1 billion and a return to organic revenue growth. Our ongoing focus on operational efficiency has enabled us to both invest in future growth and deliver another increase in the margin of 40 basis points".
Percebe-se, portanto, que a Eurest não possa pagar aos seus empregados de forma a que não tenham de levar sobras para casa. Ou então são só uns filhos da puta.
Fiz questão* de escrever aqui, com as letras todas, o que me apeteceu, como também me apetece mandar para a grande puta que pariu os senhores, sejam eles quem forem, que decidiram censurar o Zeca, numa alegada homenagem, porque acham que "merda" é feio.
Posto isto, continuemos a luta, sem que tenhamos de chegar ao desespero.
Feliz natal.
* tenho um leitor!
tags e tal:
alegre,
cavaco,
crise,
economia,
filhos da puta,
ps,
psd,
relações laborais,
socrates
terça-feira, maio 04, 2010
Homens ao mar!
Ando um bocado farto de discursos. De Cavaco a Aguiar Branco, passando por Sócrates, Gama, profetas da desgraça e optimistas militantes. Não, a situação não está fácil, mas nunca esteve. Aliás, desafio alguém - vivo - a dizer-me quando é que estivemos bem, sem crise, fosse do défice, fosse internacional, fosse financeira ou económica.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."
Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.
Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."
Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.
As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.
quinta-feira, abril 15, 2010
Outra vez Alegre
Há por este humilde espaço uma série de posts sobre Manuel Alegre, escritos ao longo da penosa e eterna campanha presidencial em que o poeta decidiu lançar-se há uns anos. Não há muito mais que possa dizer, para além de reiterar que não votarei Alegre. Aliás, mais depressa votaria em Manuel João Vieira.
Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.
Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.
Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.
Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.
Por vários motivos. Alegre não quer ser o candidato do PS, quer ser candidato e pronto, levando como refém o partido em que milita há demasiados anos, para ser uma verdadeira alternativa. Se é um facto que a candidatura presidencial é unipessoal, Alegre não devia avançar sem, pelo menos, haver indícios de que havia consultado a sua "família", segundo o próprio.
Do outro lado, a direcção do Bloco que numa espécie de ejaculação precoce, em poucas horas decretou o apoio ao poeta. Agora, como já aqui foi referido mais abaixo, a posição pode resultar nas primeiras fissuras no imaculado Bloco, tendo em conta a simpatia que alguns sentem por Fernando Nobre. Pessoalmente, não acredito que o BE reveja a sua posição, mesmo à custa de uma Convenção Extraordinária, pelo que será curioso e digno de registo ver Alegre ao centro, com Louçã e Sócrates de braço dado.
Já o PCP anunciou que terá um candidato próprio, o que Alegre também desvalorizou, para dizer que "nunca a esquerda perdeu umas presidenciais por causa do PCP". Pois não. Mas não estamos na década de 80 e, se Soares enganou muita gente, Alegre não deixa margem para enganos. Foi conivente, durante décadas, com as políticas do PS, incluindo com o PS de Sócrates, para quem até pediu uma segunda maioria absoluta.
Num ponto estou de acordo com Alegre, nunca será o PCP a impedir uma vitória da esquerda. Mas para o PCP não impedir uma vitória da esquerda, era preciso que houvesse, numa hipotética segunda volta entre Alegre e Cavaco, algum candidato de esquerda.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Antes o bolo-rei!
Cavaco voltou ontem a demonstrar que pode ser muito bom em muita coisa, mas é um político desastrado. É um político que vive de silêncios e, quando fala, opta por dizer coisa nenhuma. Ou dizer um monte de coisas, baralhando "imeiles" pessoais com a segurança das comunicações da Presidência, acrescentando mais combustível a um incêndio que não dá mostras de abrandar.
Falou ao país não para explicar o que sucedeu, mas para dar a sua opinião pessoal sobre o que poderá ter acontecido.
Foi uma trapalhada que não devia ter acontecido. E, agora, aguarda-se que Cavaco diga o que não disse na comunicação aos jornalistas.
Ao acrescentar suspeição à suspeição, Cavaco entrou num conflito com o partido que governou até agora e que formará governo para os próximos 4(?) anos.
Post-it: Vai ser uma semana em grande para os politólogos, uns mais governólogos, outros mais presidenciólogos, mas será em grande para todos. E têm um ponto em comum: acham que somos todos analfabetos. Por mais que uma vez, comentadores afirmaram que "isto é claro para nós, que acompanhamos estas coisas e estamos informados, mas a generalidade das pessoas não percebe". Ora, posto isto, recomenda-se um mínimo de humildade: os comentadores perceberam exactamente o mesmo que o resto das pessoas; Cavaco não explicou coisa alguma.
Falou ao país não para explicar o que sucedeu, mas para dar a sua opinião pessoal sobre o que poderá ter acontecido.
Foi uma trapalhada que não devia ter acontecido. E, agora, aguarda-se que Cavaco diga o que não disse na comunicação aos jornalistas.
Ao acrescentar suspeição à suspeição, Cavaco entrou num conflito com o partido que governou até agora e que formará governo para os próximos 4(?) anos.
Post-it: Vai ser uma semana em grande para os politólogos, uns mais governólogos, outros mais presidenciólogos, mas será em grande para todos. E têm um ponto em comum: acham que somos todos analfabetos. Por mais que uma vez, comentadores afirmaram que "isto é claro para nós, que acompanhamos estas coisas e estamos informados, mas a generalidade das pessoas não percebe". Ora, posto isto, recomenda-se um mínimo de humildade: os comentadores perceberam exactamente o mesmo que o resto das pessoas; Cavaco não explicou coisa alguma.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Aaaaaahhhhh, então é isso!
«A maioria dos casos de novos pobres está associada a situações de divórcio»
E despedimentos? E o desemprego já existente? E o trabalho precário? Nada? Ok...
Cavaco Silva
E despedimentos? E o desemprego já existente? E o trabalho precário? Nada? Ok...
tags e tal:
cavaco,
desemprego
terça-feira, agosto 05, 2008
Cobradores do traque
É uma bela ideia mandar funcionários do fisco a casa das pessoas em pleno mês de Agosto. Tão oportuno como fazer uma comunicação ao país a 31 de Julho.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

