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quarta-feira, dezembro 12, 2012

Soares no seu labirinto


Que me perdoe Gabo, que nem Soares é Bolívar, nem eu sou Gabo, mas o labirinto em que Mário Soares se move é digno de um romance. É um personagem dado a sentimentos extremos, de todos os quadrantes. Amado ou odiado. Dentro e fora dos vários PS, entre o que levantou Alegre e o que o apoiou com Sócrates. Soares tem debitado tudo o que lhe vem à cabeça seja na página cheia de caracteres que tem no DN, seja em entrevistas que, de vez em quando, vai dando por aí.

Nós temos esta coisa de condescender os mais velhos. Deve ser do fado. A culpa é do fado. "Abaixo o fado", já dizia Vasco Santana, n'A Canção de Lisboa. Nós temos, mas eu não gosto, nem condescendo. Soares tem demasiadas responsabilidades para que possa fazê-lo.

Ontem voltou a dar cartas numa entrevista à TVI24 e o que fica não é digno de quem foi Presidente da República durante dez anos, Primeiro-ministro e deputado no Parlamento Europeu, e, mais que isso, de alguém que terá combatido o fascismo de Salazar.

Dizer que "nem no tempo de Salazar viu tanta fome no país" é mentiroso. E perigoso. Não perigoso no sentido em que pode incendiar ainda mais os ânimos - para mim, o ponto de ruptura estará em 2013 -, mas no sentido de banalizar aquilo que foi o regime de Salazar. Soares acordou agora de um sono profundo da era Sócrates, em que os amanhãs cantavam e o país prosperava, mas isso não pode dar-lhe o direito de dizer tudo.

Não nos equivoquemos: eu tenho tanta simpatia por este governo como Mário Soares. É, de facto, um governo criminoso, económica e socialmente, a miséria é real e aprofunda-se diariamente. Hoje mesmo, com a indemnização por despedimento a baixar para 12 dias por ano de trabalho. Ou seja, quando se pretende baixar a despesa com as funções sociais do Estado, empurram-se as pessoas para essa dependência.

Soares não se lembra de não haver gente sem dinheiro para o pão no tempo de Salazar, como não se lembrará do que significou para o país a entrada na UE e o fim de tudo o que era produção nacional. Mais grave, Soares não se lembra de que era Primeiro-ministro nas duas anteriores intervenções do FMI em Portugal, em 1977 e 1983. Na altura, como hoje, o que existiu foram redução de salários, subida de impostos, cortes no subsídio de Natal, entre outras medidas que hoje já não nos parecem estranhas. O que foi a fome em todo o país e particularmente na península de Setúbal naqueles anos.

Soares faz agora o papel de Alegre com Sócrates. A diferença é que o PS não está no poder e não quer eleições, particularmente num ano como 2013. Não quer porque tem Seguro e Seguro não é visto como um líder, e António Costa, ao recandidatar-se a Lisboa, parece estar mais interessado em ser Presidente da República do que líder do PS para candidato a Primeiro-ministro; não quer porque é um ano de autárquicas e as lutas internas pelo poder em cada quintal vêm ao de cima.

Então, para que serve o palavreado de Soares se não é escutado dentro do seu próprio partido?

Se é certo que temos de olhar em frente, não podemos esquecer o que está para trás na história recente do país. E os vários PS, incluindo o de Soares, não estão isentos de culpas.

Soares está cansado e nós estamos cansados de Soares.

terça-feira, maio 04, 2010

Homens ao mar!

Ando um bocado farto de discursos. De Cavaco a Aguiar Branco, passando por Sócrates, Gama, profetas da desgraça e optimistas militantes. Não, a situação não está fácil, mas nunca esteve. Aliás, desafio alguém - vivo - a dizer-me quando é que estivemos bem, sem crise, fosse do défice, fosse internacional, fosse financeira ou económica.

A 25 de Abril, Cavaco, um dos mais proeminentes coveiros da nação, que só não mandou alcatroar o oceano Atlântico porque não teve fundos comunitários suficientes, decidiu virar-se para o mar. Logo ele. Ele que foi um dos maiores responsáveis pela destruição da indústria da pesca portuguesa e das outras que lhe estavam associadas. Segundo uma notícia do Público de 2009, a frota pesqueira reduziu-se 10% entre 1998 e 2008. Na mesma notícia pode ler-se que "uma das razões que contribuíram para o emagrecimento da frota nacional foi a consolidação das políticas de União Europeia voltadas para a preservação dos recursos marinhos - face aos riscos de extinção que pesam sobre muitas espécies. Um aumento da capacidade de extracção afecta o processo natural de renovação de stocks e, por isso, Bruxelas vem impondo, ano após ano, reduções significativas das capacidades de captura (os TAC ou quotas de pesca). Isto faz com que muitas embarcações fiquem sujeitas a limites de descarga de peixe, que tornam menos rentável a actividade, ou que a impedem mesmo, a partir do momento em que a quota anual se esgotou. Os empresários acabam por optar pelo abate da embarcação, que beneficia de atractivos apoios. A armação nacional foi também afectada pelo encerramento ou a diminuição do esforço de pesca permitido em muitos dos pesqueiros externos onde chegou a operar com evidente sucesso e importante retorno."

Ora, se a notícia é verdadeira no que diz respeito aos incentivos ao abate, a que sociais-democratas, onde incluo socialistas e soaristas, sempre deram o seu aval, não é totalmente verdade que as políticas de preservação das espécies marinhas tenham estado na origem de quotas de pesca. Desde sempre que os pescadores fazem um período de pausa, chamado defeso. Antigamente, no final do Verão, salgavam-se as sardinhas para serem comidas durante o Inverno, que era quando não havia peixe ou quando não se podia ir ao mar, porque o mar tem destas coisas e nem sempre deixa que lá vão. O mesmo sucedia no final de Abril. Porque os pescadores são só pescadores, não são estúpidos, e não estão interessados em que se acabe o que lhes dá o pão.

Cavaco acordou, a 25 de Abril de 2010, para o mar. No entanto, já em 2002, numa edição da revista O Militante, podia ler-se que "(...) pela continuada falta de uma política para as pescas portuguesas, a pesca e os sectores que lhe estão associados, têm vindo a diminuir o seu peso relativo na economia nacional, sendo que, só na última década, a produção de pescado passou das 319.000 toneladas, em 1990, para as 150.000 toneladas, em 2000, a frota pesqueira passou de 16.000 embarcações, para 10.750 e o número de pescadores matriculados diminuiu, no mesmo período, de 41.000 para 25.000, ao mesmo tempo que a capacidade de produção da indústria conserveira se terá reduzido em mais de 60%, sendo ainda mais significativa a redução da actividade da indústria de construção naval."

Tudo isto tem um responsáveis, como há responsáveis para o estado a que chegou a pesca nacional, que obriga a que, tantas vezes imprudentemente, os homens saiam para o mar, porque a fome, às vezes, é maior que o medo. A fome. Assim, sem eufemismos, que tenho para mim que esta coisa dos eufemismos também é culpada pelo Estado a que chegámos.

As sucessivas crises têm rostos e têm culpados. Um deles é Cavaco. E chega de dizer que temos de fazer sacrifícios. Parafraseando Fernando Tordo: A crise é coisa demasiado cara para ser culpa dos pobres.

terça-feira, março 30, 2010

O estranho silêncio dos pecadores

Não faço generalizações, como acusa hoje o Ferreira Fernandes, no DN. Tudo bem, não me acusa directamente, que o senhor não me conhece, mas acusa um bocadinho.
O que (ainda?) choca na pedofilia na igreja católica é o papel que desempenha(?) como representante da moral, do apontamento dos erros dos outros, do perdão a troco de duas velas, da salvação. Sou orgulhosamente pecador e esclareço desde já que não procuro nem quero salvação. Até porque o meu Tio-João-Padre, jesuíta, há-de arranjar qualquer coisa quando chegar a altura.

A igreja é assassina hoje como foi no passado. Desaconselhar o uso do preservativo é criminoso, como é criminoso ver as mulheres como parideiras de potenciais crentes. E nem vale a pena lançar agora a discussão do celibato, porque não é o fim do celibato que acaba com a pedofilia.

Sobre este assunto, a "esquerda democrática e fracturante" no poder, junto com os seus acólitos da blogosfera, anda estranhamente sossegada. Um post aqui, outro acolá. Dos mesmos apaixonados pró-aborto e pró-casamento homossexual, que tanto ajudaram, e bem, nas duas causas. E nem o laico Mário Soares aborda claramente o assunto, também no DN de hoje.

A "esquerda" do PS português é um fenómeno. São os reflexos de terem transformado, há uns anos, casos semelhantes em luta política. Nesta matéria, como noutras, rabos de palha, pois claro, e todos sabemos quais os motivos.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Está tudo louco!

Soares e Alegre, dois putos nestas coisas da política, vêm afirmar a necessidade de repensar a Esquerda. Não é preciso muito, meus caros. Esquerda. Estão a ver? Esquerda...
Vamos lá então explicar: Esquerda é aquela coisa que é precisamente o contrário do partido que fundaram e do qual são militantes.


Post-it: Então não é que um dirigente de um partido de extrema-direita, nacionalista, anti-emigração, mais-ou-menos-anti-imigração e, por acaso, ex-emigrante, é líder de uma rede de emigração ilegal que recrutava trabalhadoras brasileiras especializadas na área do sexo?

segunda-feira, junho 16, 2008

breves

Não há tempo:

Para actualizar a lista ali ao lado;

Para perceber por que é que nos referendos sobre a UE, quando o voto é positivo é porque o Povo está informado e quer uma Europa forte; quando o voto é negativo é porque o povo é ignorante e quer castigar as políticas nacionais;

Para perceber o que estão aqueles quatro senhores a discutir no Prós & Prós;

Para perceber o que leva a RTP a ter um programa chamado "Conversas de Mário Soares";

Para perceber se a mesma RTP paga mais ao pessoal da Antena 1, que trabalha para a rádio Antena 1, para transmitirem o programa Antena Aberta na RTPN.