Em primeiro lugar, importa referir que há dezenas, talvez centenas de
sindicatos. Muitos deles criados em gabinetes de ministros. A táctica é
antiga e convém a quem manda: dividir para reinar.
Continuar a ler.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e... a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, (...) privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos» José Saramago - Cadernos de Lanzarote
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terça-feira, junho 04, 2013
Partir a espinha
sexta-feira, abril 19, 2013
Ainda a UGT
Porque a boa educação e gratidão são coisas muito bonitas, aqui fica a reprodução do agradecimento ao dono.
Ricardo Salgado, que explicou a fuga ao fisco com um esquecimento. E, pior, a desculpa foi aceite.
Ricardo Salgado, que explicou a fuga ao fisco com um esquecimento. E, pior, a desculpa foi aceite.
segunda-feira, janeiro 21, 2013
Unicer - Democracia é um conceito estranho
A Unicer é uma das empresas líder em Portugal, exporta para vários mercados e tem tudo para continuar no bom caminho. No entanto, a entrada em vigor do novo código laboral, com a simpatia da UGT, colocou os trabalhadores em situação complicada.
2012
Em Agosto, aquando da entrada em vigor das alterações ao Código do Trabalho, a empresa preparava-se para adoptar os novos valores de remuneração do trabalho extraordinário. A Comissão de Trabalhadores tomou então a iniciativa de pedir à comissão intersindical que agendasse um plenário para discutir o assunto. Saiu o pedido de reunião urgente à administração da empresa para esse mesmo dia, onde ficou acordado que a Unicer pagaria o trabalho extraordinário pelo mesmo preço até ao fim do ano.
Negociação?
Nesse compromisso, a empresa garantia também que iniciaria em Setembro as negociações com os sindicatos com vista à renegociação do Acordo Colectivo de Trabalho, uma vez que os sindicatos pretendiam incluir pontos que menorizassem os efeitos das condições para despedimento com justa causa previstas no código do trabalho. Apesar disso, e dos vários contactos dos sindicatos, a administração nunca se mostrou disponível e só em Dezembro deu a conhecer que pretendia abordar alguns pontos. Assim, os sindicatos reuniram o plenário no início do ano e os trabalhadores decidiram aderir ao pré-aviso de greve decretado pela FESAHT.
Laboração contínua
Desde 3 de Janeiro que os trabalhadores estão em greve, não obstante as constantes pressões das chefias sobre os trabalhadores. Entretanto a empresa partiu de forma agressiva com a “proposta” para os trabalhadores em regime de laboração normal aderirem à laboração continua, ameaçando de que quem não aceitasse seria encostado a um canto.
Chantagem e ilegalidade
Há duas semanas, em reunião previamente marcada para negociação da tabela salarial para 2013, a empresa limitou-se a informar os sindicatos que suspendia todas as negociações enquanto vigorasse a greve ao trabalho extraordinário, questionando antecipadamente os trabalhadores quem iria fazer greve no fim-de-semana seguinte, tendo contratado trabalhadores precários a uma empresa de trabalho temporário para substituir os trabalhadores em greve.
Novo plenário
Realizou-se, então, um novo plenário, onde se condena a atitude da empresa em pressionar os trabalhadores para abandonarem a greve sob ameaça de não haver aumento salarial; a atitude dos responsáveis da empresa em interpelar antecipadamente os trabalhadores acerca da adesão à greve; a pressão no sentido de aderirem ao sistema de laboração contínua sob ameaça de colocação na prateleira. A mesma moção determina mandatar os sindicatos para que a suspensão da greve se verifique apenas se a empresa repuser os pagamentos do trabalho extraordinário nos moldes anteriores e mandata os sindicatos para que, numa situação de inexistência de atitude diferente por parte da empresa, adoptem medidas mais duras de luta que poderão passar pela greve às primeiras e ultimas horas dos turnos.
“Alô? É da administração”.
Na sexta-feira passada semana, assistiu-se a um episódio insólito, inédito e ilegal. Altos responsáveis da Unicer telefonaram para os trabalhadores que nem sequer se encontravam nas instalações da empresa dizendo-lhes para trabalharem no sábado seguinte.
O CEO (estrangeirismo para patrão/administrador) da Unicer é Pires de Lima, presidente do conselho nacional do CDS. CDS que, aproveito a oportunidade, tem procurado passar por entre os pingos de chuva neste Governo desastroso e desastrado que temos à frente do país. Pires de Lima, que anda tão preocupado com as fugas de informação no governo, devia preocupar-se mais com a empresa que gere. Por exemplo, o que já significa para a Unicer o custo com ex-SCUT e com as novas que por aí virão, pela mão do governo do qual o seu partido faz parte.
sexta-feira, novembro 09, 2012
Quem manda na UGT?
No dia 1 de Outubro, quando estava anunciada a mais que necessária Greve Geral da CGTP, o secretário geral da UGT, João Proença, foi bastante claro nas suas afirmações, que podem ser conferidas no vídeo abaixo. "Marcar greve geral está fora de questão e sobretudo aderir a uma greve da CGTP ou ir para a rua dizer não à troika quando nós precisamos da Troika".
Proença falava então no plural, vinculando assim a direcção da UGT a uma decisão que, pela forma como foi explicada pelo próprio, parecia colectiva, com um grande consenso dentro da organização.
Um mês e um dia depois, Proença vinha já afirmar que, afinal, vai aderir à Greve Geral, porque o seu sindicato, FESAP, decidiu aderir à greve geral. Talvez a FESAP se tenha sentido pressionada pela grandiosa manifestação da UGT no dia 26 de Outubro, que mobilizou
Curiosamente, hoje ficámos a saber que mais de metade dos 50 sindicatos afectos à UGT vai aderir à greve geral do dia 14 de Novembro. Recordemo-nos desta notícia. Vamos guardá-la bem para, mais tarde, o mesmo Proença não vir dizer que a CGTP mente quando diz que sindicatos afectos à UGT aderiram à greve.
Por fim, cabe então perguntar quem manda na UGT? O órgão executivo da UGT consiste apenas no João Proença? Felizmente, a ligação da UGT ao PS faz dela uma central democrática, de outra forma, teríamos o caldo entornado.
A greve geral é dos trabalhares e do povo, foi deles que partiu a exigência. Mas Proença não o sabe, porque deve andar entretido a coleccionar os elogios de Passos Coelho, Nuno Magalhães e do patrão dos patrões.
Dia 16, lá estaremos. Trabalhadores ao lado de trabalhadores. E tu, Proença?
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quinta-feira, outubro 04, 2012
Censura e Greve Geral - uma orgia em forma posta
Conta-se aqui que quando uma minhoca olha para um prato de esparguete pensa: "olha, uma orgia"!
O que sucedeu nos últimos dias foi mais ou menos uma orgia. CDS e PSD mais ou menos enrolados e o PS naquela situação confortável de "agarrem-se se não eu mato-os". Pelo meio, manifestações gigantescas, umas inorgânicas, outras convocadas pela CGTP. A segunda, levou a observações ao minuto e acompanhamento de tuiteiros de sofá que afirmavam que, segundo as imagens aéreas, a CGTP não tinha conseguido encher o Terreiro do Paço. Depois calaram-se, porque a realidade superou a ficção.
Entretanto, após a polémica da TSU, que o PS cavalgou para reclamar a vitória no recuo do governo - desvalorizando as acções de massas -; o PS voltou a ser igual a si próprio: o partido da rosa. De esquerda, só tem a mãozinha com que aparece nos boletins de voto.
Impressionante mesmo é a forma como, em duas semanas, a moção de censura que o PS colocou em cima da mesa deixou de fazer sentido, quando foram apresentadas outras duas, uma delas pelo PCP. Segundo o líder parlamentar Carlos Zorrinho, "as moções de censura só fazem sentido quando são para derrubar um governo". Portanto, Zorrinho acreditava mesmo que o CDS seria um partido com princípios e abdicaria dos lugares de governo. É enternecedor, mas também é de um a credulidade chocante vinda de alguém há tantos anos na vida política.
Para o PS, o roubo de um salário só seria mau se fosse conseguido através da TSU. Uma moção de censura contra o roubo de mais de um salário através do IRS, do IMI, ficará para "análise depois de aprovado o Orçamento de Estado de 2013", segundo a eurodeputada Edite Estrela.
Sintomático do limbo em que se encontra o PS foi a sua abstenção (violenta?) nas moções. Mais; o PS doeu-se mais pela apresentação das moções do que o próprio governo. Apesar disso, nas intervenções durante a manhã de hoje, a bancada do PS teceu duras críticas ao governo. Mas depois absteve-se.
Refira-se que no texto da moção do PCP, apenas há duas referências ao PS, que passo a transcrever:
"O Governo PSD/CDS intensificou - a partir da aplicação do pacto de agressão que constitui o memorando assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira - uma violenta ofensiva contra os trabalhadores, o povo e o País, que se prepara para acentuar na proposta de Orçamento do Estado para 2013."
(...)
Venham todos os trabalhadores,
temos uma boa notícia
Vou dizer-vos como o Sindicato
O que sucedeu nos últimos dias foi mais ou menos uma orgia. CDS e PSD mais ou menos enrolados e o PS naquela situação confortável de "agarrem-se se não eu mato-os". Pelo meio, manifestações gigantescas, umas inorgânicas, outras convocadas pela CGTP. A segunda, levou a observações ao minuto e acompanhamento de tuiteiros de sofá que afirmavam que, segundo as imagens aéreas, a CGTP não tinha conseguido encher o Terreiro do Paço. Depois calaram-se, porque a realidade superou a ficção.
Entretanto, após a polémica da TSU, que o PS cavalgou para reclamar a vitória no recuo do governo - desvalorizando as acções de massas -; o PS voltou a ser igual a si próprio: o partido da rosa. De esquerda, só tem a mãozinha com que aparece nos boletins de voto.
Impressionante mesmo é a forma como, em duas semanas, a moção de censura que o PS colocou em cima da mesa deixou de fazer sentido, quando foram apresentadas outras duas, uma delas pelo PCP. Segundo o líder parlamentar Carlos Zorrinho, "as moções de censura só fazem sentido quando são para derrubar um governo". Portanto, Zorrinho acreditava mesmo que o CDS seria um partido com princípios e abdicaria dos lugares de governo. É enternecedor, mas também é de um a credulidade chocante vinda de alguém há tantos anos na vida política.
Para o PS, o roubo de um salário só seria mau se fosse conseguido através da TSU. Uma moção de censura contra o roubo de mais de um salário através do IRS, do IMI, ficará para "análise depois de aprovado o Orçamento de Estado de 2013", segundo a eurodeputada Edite Estrela.
Sintomático do limbo em que se encontra o PS foi a sua abstenção (violenta?) nas moções. Mais; o PS doeu-se mais pela apresentação das moções do que o próprio governo. Apesar disso, nas intervenções durante a manhã de hoje, a bancada do PS teceu duras críticas ao governo. Mas depois absteve-se.
Refira-se que no texto da moção do PCP, apenas há duas referências ao PS, que passo a transcrever:
"O Governo PSD/CDS intensificou - a partir da aplicação do pacto de agressão que constitui o memorando assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira - uma violenta ofensiva contra os trabalhadores, o povo e o País, que se prepara para acentuar na proposta de Orçamento do Estado para 2013."
(...)
"Os
36 anos de política de direita, aplicada por sucessivos Governos, mesmo depois
de prometerem mudanças que nunca fizeram, levaram o País à situação em que se
encontra. A aplicação do pacto de agressão - subscrito por PS, PSD e CDS com a
troica, com o apoio cúmplice do Presidente da República – é o cerne da política
do Governo. A rejeição do pacto de agressão, a derrota do Governo PSD/CDS são
indispensáveis para abrir caminho a uma verdadeira mudança de política, que não
se basta com a eliminação pontual de medidas ou com a alteração da forma como
são apresentadas ou aplicadas."
Não sei se o PS pretenderia colocar-se à margem do memorando. Mas foi assinado pelo partido, pelo que qualquer referência ao mesmo obrigaria à inscrição da sua sigla. Antes não fosse assim.
Surgiu pelo meio da confusão a reclamada e mais que justa greve geral da CGTP, à qual Proença e a sua central, UGT, disseram desde logo que não. O desemprego não lhe afecta a barriga, os baixos salários também não. O facto de os trabalhadores terem os seus rendimentos ao nível de 1999 não lhe faz confusão.
Já não espanta a mim, que vou a caminho das três décadas, deve espantar ainda menos os mais velhos e os mais atentos. Pode ser que volte a perder tempo com esta organização criminosa mais lá para a frente. Criminosa, sim, para com aqueles que tem o dever de defender.
Ficamos pois, com duas tarefas árduas, às quais já estamos habituados: combater a pressão dos patrões e a desinformação da UGT para que seja uma grande greve geral.
Uma palavra ainda para o CDS, que tenta a todo o custo passar por entre os pingos da chuva mas acabou com Paulo Portas encharcado, depois da intervenção de Honório Novo.
Nós estamos a fazer história. E voltaremos a fazê-la no dia 14 de Novembro.
E só há dois lados nesta barricada. "Se o governo não ouvir os trabalhadores a bem, irá ouvir os trabalhadores a mal".
O nosso pai era um sindicalista,
Um dia serei também.
Um dia serei também.
O patrão demitiu o meu pai,
O que vai a nossa família vai fazer?
O que vai a nossa família vai fazer?
Venham todos os trabalhadores,
temos uma boa notícia
Vou dizer-vos como o Sindicato
está aqui de pedra e cal.
Refrão:
De que lado estás?
De que lado estás?
O meu pai era mineiro
e eu filho de mineiro sou
e eu filho de mineiro sou
E estarei com o sindicato
até que todas as batalhas terminem.
até que todas as batalhas terminem.
Dizem que em Marlan não háneutralidade,
preferes ser um sindicalista,
ou um cão de fila para J.H Blair?
preferes ser um sindicalista,
ou um cão de fila para J.H Blair?
Trabalhadores, conseguem suportar isto?
Diz-me se serás um rato,
ou serás um homem?
Não creiam nos patrões,
Não ouçam as suas mentiras
Não ouçam as suas mentiras
Somos gente pobre,
não temos futuro
não temos futuro
se não nos organizamos.
quarta-feira, maio 02, 2012
Somos umas putas morais - vendemo-nos por 50% de desconto
Ontem, o Alexandre Soares dos Santos cagou numa das mais importantes datas da história da humanidade e descobriu-nos a careca. Somos mais desumanos do que pensamos.
Enquanto os media mainstream se debruçam nas questões legais, do dumping à concorrência desleal - já agora, com o pagamento de um dia e meio de trabalho a cada trabalhador, aliado ao desconto generalizado de 50 por cento na conta final, terá havido algum lucro para a empresa? - o que mais me preocupa é a moralidade de quem levou a cabo a iniciativa e de quem embarcou nela.
Já agora, os media que se fodam mais as "palavras de ordem de sempre", os "conceitos sempre repetidos" mais a conotação pejorativa que lhe dão. Se são as palavras de sempre é porque as reivindicações com décadas continuam a fazer cada vez mais sentido.
Já dizia um poeta brasileiro que "a necessidade é maior do que a moral" e o capital não perdoa. O capital faz-nos não só passar por necessidades como faz-nos acreditar que precisamos do que não precisamos. Ontem, uma parte da população precisou de tudo e mais alguma coisa. Duas conclusões:
Primeiro, o capital mata-nos à fome e oferece-nos depois comida* com 50 por cento de desconto como se fosse uma benesse, um favor que nos faz por enriquecermos o PIB, no caso o da Holanda, enquanto tem impostos reduzidos e paga miseravelmente aos trabalhadores. Basicamente, vende-nos o que produzimos quase de borla de forma a parecer barato - Portugal é um dos países da UE com os custos de trabalho mais baratos. Diz que é o mercado, mais a lei da oferta e da procura. Para mim é só selvagem. O que ontem aconteceu foi dar com uma mão o que têm tirado com as duas.
Segundo, a data escolhida não é ingénua. Podemos todos relativizar, mas não é. É uma afronta a todos os trabalhadores e às suas lutas e fez com que fosse quase esquecida por uma parte da sociedade. Depois, abre o debate sobre o significado do 1.º de Maio, mesmo que muita gente não saiba qual é nem o que representou ao longo de décadas. Relativiza-se tudo, porque "se uns trabalham, outros também podem trabalhar", mesmo que se comparem hospitais e esquadras de polícia a supermercados, sem se perceber o ridículo da coisa. Eu acrescento, em adaptação livre do Saramago: relativizem a puta que vos pariu a todos.
Segundo, a data escolhida não é ingénua. Podemos todos relativizar, mas não é. É uma afronta a todos os trabalhadores e às suas lutas e fez com que fosse quase esquecida por uma parte da sociedade. Depois, abre o debate sobre o significado do 1.º de Maio, mesmo que muita gente não saiba qual é nem o que representou ao longo de décadas. Relativiza-se tudo, porque "se uns trabalham, outros também podem trabalhar", mesmo que se comparem hospitais e esquadras de polícia a supermercados, sem se perceber o ridículo da coisa. Eu acrescento, em adaptação livre do Saramago: relativizem a puta que vos pariu a todos.
A génese do 1.º de Maio tinha por princípio uma reivindicação clara: oito horas de descanso, oito horas de trabalho e oito horas de lazer. Os trabalhadores, massa insatisfeita, conquistaram mais e mais ao longo dos anos. O capital, com uma sociedade reduzida ao poder do consumo, retaliou. Estamos a viver um momento de viragem histórica. Seja para que lado for.
Por fim, uma palavra de solidariedade para com os trabalhadores das grandes superfícies que ontem foram coagidos a trabalhar, apesar do pré-aviso de greve e para aqueles que tiveram mesmo de aproveitar os descontos de ontem para terem um mês menos difícil. A necessidade foi, para alguns, maior que a moral.
*Por "comida" entendam-se produtos, só para não haver quem diga que não se passa fome em Portugal.
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quarta-feira, abril 04, 2012
Quando era dia até ser noite
Quando comecei a trabalhar ainda andava no secundário, no segundo 10.º ano que cumpriria, após um primeiro equívoco que me levou para as artes. Das artes, ficou só o artista, que as mãos teimavam em não obedecer aos olhos, quando a professora plantou aquele pimento em cima de uma mesa e disse: "Agora, desenhem". Nunca um pimento foi tão parecido com coisa nenhuma.
Trabalhar e estudar de dia obrigava-me a faltar às aulas, o que me valeu alguns dissabores com a professora de Português, que ainda hoje está para saber como tirei aquele 12 no teste sobre o Sermão de Santo António aos Peixes. E, verdade seja dita, eu também.
Como a maioria do pessoal da minha idade que residia em Leça norte, aquela zona meia perdida entre a Leça dos postais e Perafita, depois de um trabalho de que gostei muito numa empresa relacionada com a UEFA Champions League, tomei o gosto por ter o "meu" dinheiro e fui ganhar uns trocos para os transitários.
O cheiro a óleo e a escape dos empilhadores e dos camiões era tão característico que ainda hoje o conheço. Era divertido, na altura ainda bebia cerveja e isso ajudou à minha integração. Era eventual. Eventualmente, era chamado para trabalhar, às sextas-feiras.
A primeira sexta que trabalhei foi assustadora. Das 8 da manhã de sexta até às 7h30 de sábado. Achei bruto. E, uns meses mais tarde, o Rui, que levava muitos anos daquilo, disse-me: "Isto embrutece um gajo". E eu confirmo, qualquer um confirma. A grande ansiedade era saber quem ficava para a noite de sexta. O pessoal da casa era preferido, obviamente, depois sobravam os que eventualmente ficariam.
Tinha uma explicação. Na altura, o dia começava às 8 da manhã e acabava às 20. Tudo o que fosse para além disso era pago a 100% por hora. Apanhei a fase de transição, em que isso só passou a acontecer entre as 22 e as 6 da manhã. O sol passou a deitar-se mais tarde e a acordar mais cedo.
Mas continuávamos a trabalhar. Na madrugada, quando chegavam os camiões amarelos e azuis, o aspecto era desesperante. Era o algodão para carregar e os "cartões", vulgarmente conhecidos por caixas de papelão. A madrugada era bruta. Olhávamos para os contentores de 40 pés e não lhes víamos o fundo, também por culpa da luz amarela que iluminava um bocadinho o cais. Era desesperante. Os contentores não tinham fim e os camiões também não. Aguentava-se à base de umas cervejas e cigarros.
Valia pelas horas-extra, que ainda não tinham sido muito roubadas, como agora serão, com o aval da UGT e o patrocínio do PSD, CDS e PS, mais a sua abstenção violenta.
Era bruto, como as viagens para Amarante onde íamos montar uma máquina qualquer e carregar tábuas que nunca mais acabavam, numa Toyota Hiace de três lugares onde íamos cinco.
Era bruto como as idas ao Porto de Leixões, para descarregar e carregar contentores de uma ração qualquer que tinha que ser inspeccionada. Tantas vezes.
Para estes homens, os dias vão ficar mais compridos e mais caros, com as horas mais baratas. E com a luz do sol a prolongar-se noite dentro. Mas isso não há-de ser problema para quem nunca os viu nem os vê.
Trabalhar e estudar de dia obrigava-me a faltar às aulas, o que me valeu alguns dissabores com a professora de Português, que ainda hoje está para saber como tirei aquele 12 no teste sobre o Sermão de Santo António aos Peixes. E, verdade seja dita, eu também.
Como a maioria do pessoal da minha idade que residia em Leça norte, aquela zona meia perdida entre a Leça dos postais e Perafita, depois de um trabalho de que gostei muito numa empresa relacionada com a UEFA Champions League, tomei o gosto por ter o "meu" dinheiro e fui ganhar uns trocos para os transitários.
O cheiro a óleo e a escape dos empilhadores e dos camiões era tão característico que ainda hoje o conheço. Era divertido, na altura ainda bebia cerveja e isso ajudou à minha integração. Era eventual. Eventualmente, era chamado para trabalhar, às sextas-feiras.
A primeira sexta que trabalhei foi assustadora. Das 8 da manhã de sexta até às 7h30 de sábado. Achei bruto. E, uns meses mais tarde, o Rui, que levava muitos anos daquilo, disse-me: "Isto embrutece um gajo". E eu confirmo, qualquer um confirma. A grande ansiedade era saber quem ficava para a noite de sexta. O pessoal da casa era preferido, obviamente, depois sobravam os que eventualmente ficariam.
Tinha uma explicação. Na altura, o dia começava às 8 da manhã e acabava às 20. Tudo o que fosse para além disso era pago a 100% por hora. Apanhei a fase de transição, em que isso só passou a acontecer entre as 22 e as 6 da manhã. O sol passou a deitar-se mais tarde e a acordar mais cedo.
Valia pelas horas-extra, que ainda não tinham sido muito roubadas, como agora serão, com o aval da UGT e o patrocínio do PSD, CDS e PS, mais a sua abstenção violenta.
Era bruto como as idas ao Porto de Leixões, para descarregar e carregar contentores de uma ração qualquer que tinha que ser inspeccionada. Tantas vezes.
Para estes homens, os dias vão ficar mais compridos e mais caros, com as horas mais baratas. E com a luz do sol a prolongar-se noite dentro. Mas isso não há-de ser problema para quem nunca os viu nem os vê.
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quarta-feira, janeiro 18, 2012
Filhos da puta
Boa noite. Já aqui escrevi que, para mim, o que a sul do Mondego é um "palavrão", a norte é uma interjeição. "Filhos da puta" foi o que me saiu ontem quando soube do acordo de amigos que o sindicato dos patrões, a UGT, assinou ontem com o governo e os outros sindicatos dos patrões, a CIP e os latifundiários, perdão, os representantes dos patrões dos agricultores, que latifundiário é coisa de comuna.
A UGT vendeu, mais uma vez, os direitos mais básicos dos trabalhadores. O direito ao descanso, à estabilidade laboral, à negociação colectiva, abriu porta à arbitrariedade dos patrões na decisão da vida de cada um de nós. Sim, patrões. Empregadores o caralho, é que são empregadores. São patrões, tanto como eu sou trabalhador e não sou colaborador.
Uma central que se afirma sindical e que assina um pré-aviso como o que podem ver no post abaixo, não pode refugiar-se no acordo com a troika, assinado pelo PS, PSD e CDS, que prometeu combater. Passos Coelho afirmou, na altura da assinatura, que tinham sido mais ambiciosos e ido mais além do que estava previsto no memorando. Filhos da puta.
Vários dos pontos assinados são quase inacreditáveis. Os bancos de horas aplicados aos trabalhadores agrícolas, que os levará a trabalhar de sol a sol, como há 100 anos. A sustentabilidade da Segurança Social, que nos obriga a trabalhar cada vez mais, mas que vai pagar parte do salário que cada trabalhador tem direito a receber. A redução dos dias de férias, de 25 para 22 dias, tirando as pontes que patrões entendam fazer. Aqui, convém lembrar que o aumento de 22 para 25 dias de férias surgiu precisamente porque os patrões não quiseram pagar prémios de assiduidade: quiseram "dar" os dias de férias. A abertura aos despedimentos arbitrários. A redução no pagamento das horas extraordinárias, enfim, tudo o que consta naquelas 52 páginas, tão filhas da puta.
Evidentemente, a luta sairá à rua e será mais contundente, cada vez mais contundente. Até ao derrube do último filho da puta que acha que fala em nome dos trabalhadores ao lado dos patrões.
Para o amigo Proença, as coisas não são más. Que pouca ou nenhuma vergonha este senhor tem na cara, já pouca gente teria dúvidas. Espanta-me, porém, que ainda haja sindicatos que fazem parte daquela espécie de associação de amigos.
Assim, lanço o humilde apelo aos trabalhadores dos seguintes sindicatos, para que tenham coragem e se desvinculem de quem não os defende e tinha obrigação de o fazer. Confiram a lista e façam a única coisa que é aceitável fazer: "partir a espinha à UGT".
FEBASE - Federação do Sector Financeiro
FE - Federação dos Engenheiros
FETESE – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços
FNE - Federação Nacional da Educação
FNSTP - Federação Nacional Dos Sindicatos Dos Trabalhadores Portuários
FENSIQ – Confederação Nacional de Sindicatos de Quadros
ANTF - Associação Nacional dos Treinadores de Futebol
BANCA DOS CASINOS - Sindicato Profissionais de Banca dos Casinos
SBC - Sindicato dos Bancários do Centro
SBN - Sindicato dos Bancários do Norte
SBSI - Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas
SDPA - Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
SE - Sindicato dos Enfermeiros
SE - Sindicato dos Economistas
SEMM - Sindicato dos Engenheiros Marinha Mercante
SETAA - Sindicato da Agricultura, Alimentação e Florestas
SETACCOP - Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços Afins
SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculos
SINAFE - Sindicato Nacional Ferroviários do Movimento e Afins
SINAPE - Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação
SINCOMAR - Sindicato dos Capitães Oficiais da Marinha Mercante
SINDAV – Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Aeroportos e Aviação
SINDCES - Sindicato Democrático do Comércio, Escritórios e Serviços
SINDEFER – Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia
SINDEL - Sindicato Nacional da Indústria e da Energia
SINDEP - Sindicato Nacional e Democrático dos Professores
SINDEPESCAS - Sindicato Democrático das Pescas
SINDEQ - Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxteis e Indústrias Diversas
SINDESCOM - Sindicato dos Profissionais de Escritório, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos das Ilhas de S. Miguel e Santa Maria
SINDETELCO - Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Média
SINDITE - Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica
SINFA - Sindicato Nacional de Ferroviários e Afins
SINFESE - Sindicato Nacional dos Ferroviários Administrativos, Técnicos e de Serviços
SINTABA/AÇORES - Sindicato dos Trabalhadores Agro-Alimentares da Região Autónoma dos Açores
SINTAP - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos
SINTICAVS - Sindicato Nac. Trab. Ind. Cerâmicas, Cimento, Abrasivos, Vidro e Similares
SISEP - Sindicato dos Profissionais de Seguros de Portugal
SITEMA - Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronaves
SITEMAQ - Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra
SITESC - Sindicato dos Quadros, Técnicos Administrativos, Serviços e Novas Tecnologias
SITESE - Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços
SITRA - Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes
SMAV - Sindicato dos Meios Audiovisuais
SMMCMM - Sindicato da Mestrança e Marinhagem de Câmaras da Marinha Mercante
SNATTI - Sindicato Nacional das Actividades Turísticas Tradutores e Intérpretes
SNEET - Sindicato Nacional dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos
SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil
SOEMMM - Sindicato dos Oficiais e Engenheiros Maquinistas da Marinha Mercante
SPCL - Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas
SPZC - Sindicato dos Professores da Zona Centro
SPZN - Sindicato dos Professores da Zona Norte
SQAC - Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial
STAS - Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora
STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Público
STECAH - Sindicato dos Trabalhadores de Escritório e Comércio de Angra do Heroísmo
STVSIH - Sindicato dos Técnicos Vendas do Sul e Ilhas
UGT/PESCAS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector das Pescas

terça-feira, janeiro 17, 2012
UGT, Mário Crespo e Arménio Carlos
Parte 1: Arménio Carlos, da CGTP, dá uma tareia a Mário Crespo.
Aqui, o que a UGT assinou como pré-aviso da Greve Geral.
Comparar com o que esta central "sindical" assinou ontem:
1 - Indemnizações descem em Novembro
2 - Cortes alargados a casos de justa causa pelo trabalhador
3 - Fundo no final do ano
4 - Menos férias só a partir de 2013
5 - ‘Pontes' podem implicar fecho da empresa ou perda de salário
6 - Cortes nas horas extra
7 - Subsídio pode acumular com salário
8 - Subsídio para "recibos verdes" pode atrasar
Aqui, o que a UGT assinou como pré-aviso da Greve Geral.
Comparar com o que esta central "sindical" assinou ontem:
1 - Indemnizações descem em Novembro
2 - Cortes alargados a casos de justa causa pelo trabalhador
3 - Fundo no final do ano
4 - Menos férias só a partir de 2013
5 - ‘Pontes' podem implicar fecho da empresa ou perda de salário
6 - Cortes nas horas extra
7 - Subsídio pode acumular com salário
8 - Subsídio para "recibos verdes" pode atrasar
segunda-feira, maio 31, 2010
Da (in)acção e outras histórias
Confesso que não sei se estiveram 298.638 ou 307.672 pessoas na manif de sábado. Sei que foi uma mobilização impressionante de novos, menos novos, empregados, desempregados, funcionários públicos e do sector privado. Aliás, quando o desfile dos funcionários públicos terminou, vinham ainda muitos milhares de trabalhadores e desempregados do sector privado. Nas cores habituais destas andanças, destacavam-se um grupo de desempregadas de Paços de Ferreira, com bandeiras negras. Não, não tinham conta no Facebook nem faziam parte de qualquer causa criada para que possamos manter-nos de cu alapado sem a consciência pesada. Eram operárias da zona de Paços de Ferreira e, segundo as próprias, representavam a fome que por lá se sente.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
A UGT, por outro lado, não vê fome, nem motivos para manifestações. Tal como a ministra do Trabalho que, por coincidência, pertenceu às fileiras da UGT. João Proença, o suposto sindicalista que mais útil tem sido aos Governos de direita do PS, não alinha nestas coisas. É a voz do dono que fala mais alto que a voz dos trabalhadores que continuam a ser enganados por aquela gente.
Foi uma jornada de luta gigantesca, que nem radicais vazios, entre bloquistas - que seguiram à margem do desfile, para não variar - e anarquistas conseguiram transformar numa batalha que pudesse desviar as atenções do cerne da questão: A grande resposta do Povo às medidas de austeridade impostas por PS e PSD. A luta saiu à rua e há-de ter eco, mais cedo do que tarde.
Post it: Agora que foi oficializado o apoio do PS a Alegre, será curioso ver os radicais pequeno-burgueses que desfilaram na cauda de manif de sábado marcharem de braço dado com Alegre e Sócrates, rumo à presidência da República. As máscaras de quem padece da "doença infantil do comunismo" vai caindo aos poucos.
quinta-feira, março 04, 2010
Conversas por email
Toda a teoria económica fora do pensamento económico dominante se baseia em "ses". Não há forma de fugir a isso, porque não há forma de comprovar a teoria no contexto económico-social actual. Todas as tentativas de aplicar o pensamento económico marxista são sancionadas política e economicamente. E nem sequer a hipótese de pensar o marxismo é possibilitada nas mesmas circunstâncias que o pensamento dominante, como bem disse Paul Sweezy, já em 1973:
*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.
Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.
Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.
Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.
*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".
(...)
"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".
No caso dos salários da Função Pública, há que considerar vários factores - ressalvando sempre que os cálculos económicos baseados em médias não são fiáveis, na minha modesta opinião, pelo que o conceito estatístico fiável seria a moda - entre eles, por exemplo, o facto de o número de licenciados a trabalhar na FP ser superior em 75% em relação aos que trabalham no sector privado, como nota o Eugénio Rosa, proscrito, precisamente, pelo que escrevi no parágrafo anterior. No sector privado não, há por exemplo, juízes - ainda -, mas o salário destes entra, evidentemente, nas contas para a média da FP. Façamos as contas entre um juiz que ganhe 3.000 mensais e um auxiliar de acção educativa, que ganha na ordem dos 510 e obtemos um resultado falso, obviamente.
Claro que considero que deve ser o sector privado a subir salários e não a FP a descê-los. E é exequível. Claro que é exequível. Basta para isso que cada trabalhador receba a remuneração justa pelo valor que cria. Reconheço que seja complicado, porque o patrão prefere incluir mais um BMW nas despesas de representação ou análogas. Já agora, convenhamos ainda que as remunerações obtidas pelos patrões portugueses absurdamente elevadas, se atendermos às habilitações - facto - e às capacidades de liderança, inovação, perspectivas de novos investimentos e sensibilidade social - opinião.
Os enfermeiros não chegaram ao valor que reivindicavam aleatoriamente. Não acordaram um dia e pensaram que seria bom receber 1.250 euros. Fizeram-no porque é o valor que recebem os quadros superiores que entram na FP. Não é birra, é justiça.
Não, não é natural e muito menos é compreensível que numa altura em que é necessário estimular a economia, os salários não sejam aumentados, potenciando o consumo e, consequentemente, a receita do Estado através dos - muitos - impostos que cobra.
segunda-feira, maio 04, 2009
1.º de Maio - Lisboa - O sindicalismo independente e democrático da UGT III
Na noite de quarta-feira, uma brigada Brejnev* da UGT colocava pendões de apelo à participação nas comemorações do 1.º de Maio daquela central. Ao mesmo tempo, os sindicalistas independentes e democratas do PS retiravam a propaganda da CDU para as europeias.
O 5Dias aborda a questão e ilustra-a com fotos.

O mesmo sucede no site da CDU. E, entretanto, os pendões da CDU já foram recolocados.
*Brigadas Brejnev foi o nome escolhido para caracterizar os seus supostos agressores.
O 5Dias aborda a questão e ilustra-a com fotos.

O mesmo sucede no site da CDU. E, entretanto, os pendões da CDU já foram recolocados.
*Brigadas Brejnev foi o nome escolhido para caracterizar os seus supostos agressores.
tags e tal:
cdu,
olha tantas esquerdas,
pcp,
ps,
UGT
terça-feira, março 17, 2009
Sem noção do ridículo
Depois de acusar a CGTP de estar ao serviço do PCP e do BE, Sócrates elogiou a central sindical do PS e dos TSD.
Segundo o próprio, nunca foi insultado em manifestações da UGT - talvez porque a UGT não faz manifestações. O sindicalismo livre, independente e responsável da UGT, que convida o primeiro ministro para o congresso dos sindicalistas socialistas.
Segundo o próprio, nunca foi insultado em manifestações da UGT - talvez porque a UGT não faz manifestações. O sindicalismo livre, independente e responsável da UGT, que convida o primeiro ministro para o congresso dos sindicalistas socialistas.
segunda-feira, agosto 04, 2008
Eu andei por aí - Parte II
Coisas que aprendi durante esta pausa de Verão:
No dia 4 de Agosto, em pleno mês de férias, de turismo, de desenvolvimento da nossa grande actividade económica - dizem - a PSP do Porto tinha apenas duas brigadas (quatro elementos) da Divisão de Trânsito para tratar dos acidentes rodoviários. Aprendi da pior maneira possível, estive à espera de uma delas.
Cavaco falou ao país para dizer ao Governo que ele também manda.
Já rola por aí que os centros comerciais vão estar abertos 24 sobre 24h. Assim de repente, acho que já vi este filme. Os patrões depois recuam e, para demonstrar toda a sua humanidade, não querem abrir 24 horas por dia, mas sim apenas aos domingos. Já me lembro do filme, foi o que se passou com o despedimento sem justa causa do Código Laboral do Governo, da UGT e do patronato.
Há uma proposta lançada para a opinião pública que pretende permitir qualquer coisa como prisão preventiva em part-time. É avançado que, depois de ser condenado em primeira instância, quem está em prisão preventiva e optar por recorrer da pena, passe apenas as noites na cadeia. Ou seja, fica em prisão preventiva mas, depois de condenado, passa os dias em liberdade. Faz sentido, não faz?
O Daniel Oliveira deixou de defender o Bloco para defender o Sá Fernandes.
Já temos cartaz para a Festa do Avante!.
Depois d'O Comércio do Porto, é a vez d'O Primeiro de Janeiro passar por dias terríveis para quem lá trabalha - ou trabalhava. Hoje saiu para as bancas feito pela redacção d'O Norte Desportivo.
Relacionado com o parágrafo anterior, é uma pena que o blog do JPMeneses tenha fechado - espero eu que apenas para férias e vou enviar um mail a tratar disso -, gostava de saber o que tem a dizer sobre esta situação.
Os salários dos trabalhadores podem vir a ser pagos em géneros. Eu sugiro que também os membros do Governo passem a ser pagos em género. Ontem o jantar estava algo picante e, apesar das dores abdominais e do aroma, estou disponível para ceder todos os géneros, devidamente isolados por causa da ASAE, para pagar aos súbditos de Sócrates.
"Ópera para operários
Na Festa do Avante! deste ano haverá ópera. Será, de resto, a grande novidade da festa do jornal do PCP. No Palco 25 de Abril poderá deleitar-se com árias de ‘O Barbeiro de Sevilha’, de Rossini, ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, ‘Madame Butterfly’, de Puccini, e ‘Porgy and Bess’, do muito americano Gershwin. Para compensar estes desvios claramente burgueses deste Partido-Comunista-em-versão-São-Carlos, também haverá, claro... ‘A Internacional’."
O texto acima lê-se n'O Tempo das Cerejas, foi transcrito do Expresso. Para o imbecil que o escreveu, resta só dizer que, para já, os gostos musicais não pagam imposto, nem são propriedade de quem quer que seja; burguês, nobre, operário ou simplesmente estúpido. Ah! Já agora, a imbecilidade também não paga imposto. Nalguns casos, infelizmente.
Já temos Acordo Ortográfico e parece que vai mesmo para a frente. Sou frontalmente contra e a fúria deste Governo avança até ao ridículo de decretar a forma como escrevemos. Dizem que é importante por causa da projecção internacional do português. Já agora, alterem também a Lei da Rádio e universalizem o português. É que a lei considera os cantores brasileiros, que cantam no agora português universal, música estrangeira.
Amanhã há mais.
No dia 4 de Agosto, em pleno mês de férias, de turismo, de desenvolvimento da nossa grande actividade económica - dizem - a PSP do Porto tinha apenas duas brigadas (quatro elementos) da Divisão de Trânsito para tratar dos acidentes rodoviários. Aprendi da pior maneira possível, estive à espera de uma delas.
Cavaco falou ao país para dizer ao Governo que ele também manda.
Já rola por aí que os centros comerciais vão estar abertos 24 sobre 24h. Assim de repente, acho que já vi este filme. Os patrões depois recuam e, para demonstrar toda a sua humanidade, não querem abrir 24 horas por dia, mas sim apenas aos domingos. Já me lembro do filme, foi o que se passou com o despedimento sem justa causa do Código Laboral do Governo, da UGT e do patronato.
Há uma proposta lançada para a opinião pública que pretende permitir qualquer coisa como prisão preventiva em part-time. É avançado que, depois de ser condenado em primeira instância, quem está em prisão preventiva e optar por recorrer da pena, passe apenas as noites na cadeia. Ou seja, fica em prisão preventiva mas, depois de condenado, passa os dias em liberdade. Faz sentido, não faz?
O Daniel Oliveira deixou de defender o Bloco para defender o Sá Fernandes.
Já temos cartaz para a Festa do Avante!.
Depois d'O Comércio do Porto, é a vez d'O Primeiro de Janeiro passar por dias terríveis para quem lá trabalha - ou trabalhava. Hoje saiu para as bancas feito pela redacção d'O Norte Desportivo.
Relacionado com o parágrafo anterior, é uma pena que o blog do JPMeneses tenha fechado - espero eu que apenas para férias e vou enviar um mail a tratar disso -, gostava de saber o que tem a dizer sobre esta situação.
Os salários dos trabalhadores podem vir a ser pagos em géneros. Eu sugiro que também os membros do Governo passem a ser pagos em género. Ontem o jantar estava algo picante e, apesar das dores abdominais e do aroma, estou disponível para ceder todos os géneros, devidamente isolados por causa da ASAE, para pagar aos súbditos de Sócrates.
"Ópera para operários
Na Festa do Avante! deste ano haverá ópera. Será, de resto, a grande novidade da festa do jornal do PCP. No Palco 25 de Abril poderá deleitar-se com árias de ‘O Barbeiro de Sevilha’, de Rossini, ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, ‘Madame Butterfly’, de Puccini, e ‘Porgy and Bess’, do muito americano Gershwin. Para compensar estes desvios claramente burgueses deste Partido-Comunista-em-versão-São-Carlos, também haverá, claro... ‘A Internacional’."
O texto acima lê-se n'O Tempo das Cerejas, foi transcrito do Expresso. Para o imbecil que o escreveu, resta só dizer que, para já, os gostos musicais não pagam imposto, nem são propriedade de quem quer que seja; burguês, nobre, operário ou simplesmente estúpido. Ah! Já agora, a imbecilidade também não paga imposto. Nalguns casos, infelizmente.
Já temos Acordo Ortográfico e parece que vai mesmo para a frente. Sou frontalmente contra e a fúria deste Governo avança até ao ridículo de decretar a forma como escrevemos. Dizem que é importante por causa da projecção internacional do português. Já agora, alterem também a Lei da Rádio e universalizem o português. É que a lei considera os cantores brasileiros, que cantam no agora português universal, música estrangeira.
Amanhã há mais.
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Eu declaro morte ao sol,
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