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sexta-feira, janeiro 25, 2013

Fome - estudo de época



Todos os anos, sazonalmente, surgem estudos de época que visam apenas legitimar ou, pelo menos, tirar o peso da consciência de determinados actos. Por exemplo, no Verão, surgem estudos que dizem que uma cerveja por dia faz bem à saúde e que nem sequer engorda. Lá mais para a Páscoa deverá sair outro a dizer que os doces beneficiam os dentes bonitos. Ninguém sabe quem encomenda estes estudos. Mas a impensa noticia-os como verdades.

Hoje, surgiu um novo estudo de época, bem mais grave do que todos os que visam acentuar o consumo deste ou daquele produto numa determinada época. Parece que a fome melhora a memória. Fome, que é uma coisa diferente de carências alimentares, segundo os mandamentos da Madre Jonet. O estudo foi feito em moscas. Moscas, sim, mas parece que pode aplicar-se a seres humanos e até será publicado na revista Science. Há um senão: têm de estar sem comer mais de 20 horas, ou o efeito é inverso.

Na prática, quem quiser ter uma memória melhor, deverá estar sem comer, pelo menos, 20 horas e 1 segundo. Este também é um estudo de época. Vivemos em tempos de fome e miséria, ainda que alguns teimem em dizer que é tudo normal, ou perguntem apenas "qual é a pressa"? Há cada vez mais fome e cada vez mais miséria, e a tendência é acentuar-se.

Novos pobres e novas formas de pobreza. Os pobres que precisam de dizer aos filhos para venderem as senhas de almoço para terem algum dinheiro e os pobres que precisam de comprá-las, porque por meia-dúzia de cêntimos não têm direito a apoios sociais. Depois deste estudo, fiquem descansadas as mais de 10.000 crianças que chegam à escola com fome, porque lhes beneficia a memória. Há aquele detalhe de poderem desmaiar, mas, pelo menos a história e geografia, terão boas notas. E saberão a tabuada. Não tarda, estarão a decorar as linhas férreas das ex-colónias.

Não vou ao extremo de dizer que este estudo serve para legitimar opções políticas. Tem pelo menos uma aplicação prática que poderá ser benéfica para todos. Ficar mais de 20 horas sem comer antes de votar. Vamos ver se ajuda mesmo a memória.

terça-feira, junho 02, 2009

As coisas são como são

O desemprego aumentou para 9,3 por cento nos países do euro, Portugal está nos 9,2. Atrás de Portugal só Hungria, Irlanda, Estónia, Eslováquia, Letónia, Lituânia e Espanha. Num ano - entre Abril de 2008 e Abril de 2009 -, a taxa de desemprego aumentou 1,7 por cento.
Em números líquidos, quantos faltam para os 150.000 empregos?

quarta-feira, março 04, 2009

Greve

Os trabalhadores do JN, DN, 24 Horas e O Jogo estão hoje em greve. As razão são conhecidas e, quem as quiser saber, pode procurar aqui mais para baixo neste humilde espaço.

Diz a imagem que a Controlinveste é uma marca que fica, e sê-lo-á, com certeza, para os 119 despedidos - eram 122, mas três foram reintegrados.

A 15 de Janeiro de 2009, surgia no site da Controlinveste o seguinte comunicado:

"A evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector impõem (...) É hoje impossível ignorar a profunda retracção dos mercados de media, que se tem vindo a agravarnos últimos meses, particularmente na área da imprensa, no quadro de uma crise global cujos efeitos directos e indirectos já atingem todos os sectores económicos".

A 29 de Fevereiro de 2009, no mesmo site, podem ler-se dados comparativos das vendas de jornais em 2007 e 2008. O título: "Jornais Controlinveste vendem mais".

Há aqui qualquer coisa que não bate certo, ou é só impressão minha?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Faz sentido?

Por norma, faço zapping radiofónico quando ando de automóvel, principalmente nos dias úteis. Entre a TSF, a Antena 1 e o RCP, vou ouvindo o que mais me interessa. No RCP, deparo, muitas vezes, com profundas as análises económicas do Camilo Lourenço.

O jornalista protagoniza o programa "Money Box", que, ao que me parece, vai sendo reeditado ao logo do dia. Não raraz vezes, o jornalista/comentador/especialista em assuntos económicos, utiliza o espaço para promover as virtudes do trabalho em call-centers e o cada vez maior grau de qualificação que é exigido para lá trabalhar como uma prova de como é bom trabalhar num call-center.

Ora, o recrutamento para trabalhar nos call-centers é, na sua esmagadora maioria, feito através de empresas de trabalho temporário, que cobram uma comissão por cada trabalhador que colocam. Há dias, ao final da tarde, Camilo Lourenço entrevistava uma senhora que destacava a enorme oportunidade de futuro que é trabalhar num call-center.

Essa senhora é uma responsável pela Select, que é, julgo, a maior empresa de trabalho temporário em Portugal.

Por uma coincidência tremenda, o programa de Camilo Lourenço é patrocinado por esta mesma empresa. Como se diferencia, neste caso, a publicidade do jornalismo?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Serviço Público

Como o silêncio dos media formais - e, incompreensivelmente, da blogosfera mais visitada -, continua em relação aos despedimentos na Controlinveste, vale a pena ir visitando o espaço do Hélder Robalo para estar minimamente actualizado.

No dia daquela espécie de flash mob que decorreu no Porto, ouvi um trabalhador, que julgo ser gráfico, dizer qualquer coisa como:

"Com esta idade já é difícil encontrar trabalho, mais ainda quando o patrão que me despede é dono de 80 por cento do mercado".

E onde está a AdC? E a ERC?

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

O sol brilhará pra todos nós!

Sócrates anuncia linha de crédito para pagar painéis solares. Boa. Ficamos desempregados, mas com um painel solar. Como o vamos pagar? Logo se vê...

Só com a intervenção de Jerónimo de Sousa no debate quinzenal de hoje se começou a falar de Economia. Até então, o que decorreu foi um lavar de roupa suja lamentável.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Aaaaaahhhhh, então é isso!

«A maioria dos casos de novos pobres está associada a situações de divórcio»
Cavaco Silva


E despedimentos? E o desemprego já existente? E o trabalho precário? Nada? Ok...

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Quimonda

Há uns anos, a então Infineon, que funcionava em laboração contínua, obrigou os trabalhadores a assinarem um compromisso para passarem a trabalhar 12 horas diárias em vez das 8 previstas para os três turnos, uma vez que funciona em laboração contínua.

Quem não assinou, não renovou contrato.

A explicação era óbvia: Suprir gastos com os trabalhadores e diminuir as perdas de tempo de trabalho que existiam a cada mudança de turno. Tudo em nome da competitividade, claro.

A agora Quimonda ainda no mês passado era estruturante para a economia nacional. Por isso teve direito a uma ajuda de 100 milhões de euros do Estado português, mais algum do governo alemão e da empresa mãe Infineon.

Hoje, a empresa entrou em processo de falência.

Só pode ser brincadeira.

terça-feira, outubro 28, 2008

Aprender, aprender, aprender sempre!

*"O paradigma subjacente que, neste caso, insiste no conflito, no desequilíbrio e na descontinuidade, data igualmente de há uma centena de anos. Precisamente porque o conhecimento que ele produz constitui uma crítica total da sociedade existente, é natural que os beneficiários desta ordem social não o tenham aceite - em primeiro lugar as classes possidentes, que são também as detentoras do poder político. A economia marxista foi, portanto, rejeitada por todas as instituições estabelecidas da sociedade: os governos, as escolas, colégios e universidades. Em consequência, tornou-se a ciência social dos indivíduos e classes em revolta contra a ordem social estabelecida".

(...)

"A «investigação normalizada» no interior do quadro do paradigma marxiano tem sido, desde o início extremamente difícil de levar a cabo. Excluídos das universidades e dos institutos de investigação, os economistas marxistas não tiveram as facilidades, o tempo, o ambiente conveniente de que dispunham os outros investigadores. A maior parte deles teve de consagrar as suas vidas a outras tarefas , muitas vezes em sectores de actividade em sectores da actividade política que exigiam um trabalho esgotante e uma grande tensão nervosa. Em tais circunstâncias, , não é de espantar que tão poucas coisas tenham sido realizadas: pelo contrário, talvez se deva antes sublinhar o facto de tanto se ter concretizado nestas circunstâncias".

Paul M Sweezy

*"Para uma Crítica da Economia Política"
Publicações Escorpião - Cadernos o Homem e a Sociedade

Impresso em 16 de Março de 1973

segunda-feira, agosto 25, 2008

Notas soltas

  • Agora que aquilo no Cáucaso parece que está mais calmo, já posso dizer que o senhor Saakashvili tem a visão política e estratégica de uma alcaparra.
  • Agora percebi que o Kosovo da Geórgia não pode ser tão independente como a Ossétia do Sul da Sérvia.
  • Soube que a muda Manuela escreveu para criticar silêncios. Acho que, agora, o PSD tem, finalmente, uma líder credível para levar o partido de vez para o abismo. RIP.
  • Soube que para os números do desemprego não contam os 100.000 em formação profissional (mal) remunerada.