quinta-feira, agosto 04, 2011

Alô Alô

Ontem, uma deputada do PSD ligou para o 112 para testar o tempo de atendimento do INEM. Como perceberá alguém com dois dedos de testa, uma chamada para o 112 não significa o accionamento do INEM, uma vez que o 112 atende também emergências relacionadas com crimes, devendo por isso ser encaminhadas para a força de segurança da área da ocorrência.

Há quem o defenda, como o José Manuel Fernandes, com o argumento de que um deputado deve poder fiscalizar um serviço. Pois que assim seja. Acabem-se com as auditorias e estudos que, de resto, todos sabemos como são feitos.

Voltemos à realidade e deixemos o mundo que só existe na cabeça do antigo director do Público e de outros elementos do PSD, melhor ou pior disfarçados. Fazer uma chamada falsa para o INEM é uma estupidez e uma irresponsabilidade.

Imaginemos, por exemplo, que um puto qualquer decide fazer uma chamada falsa. Se os pais souberem, deve receber um puxão de orelhas. Se o caso, por algum motivo, tornar-se mediático, passa a ser mais um símbolo da geração "dá-me o telemóvel já"! À deputada em causa, provavelmente, acontecerá coisa nenhuma. Mas só temos o que escolhemos.

Não, não é a questão mais grave do momento. Mas não deixa de ser um sintoma da imbecilidade que preenche as bancadas que suportam a maioria.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Terrorismo sem rosto, mas só às vezes

Os atentados terroristas de Oslo apanharam toda a gente de surpresa. Primeiro por ser num país que tomamos tantas vezes como exemplo de avanços civilizacionais, de educação, de formação cívica, depois por ter furado as primeiras teorias que surgiam nos media e nas redes sociais, que apontaram para terroristas islâmicos. 

No Twitter, uma conta associada à defesa cega dos crimes de Israel dizia ainda a quente, e cito de memória, que a Noruega dá apoio a grupos que atacam Israel e agora provava o seu próprio veneno. Afinal, o terrorista é anti-islão. Mas centremo-nos no preconceito, que começa aqui. Os terroristas islâmicos não têm rosto, nem família, nem amigos, nem uma infância difícil. São só terroristas islâmicos.

No entanto, este norueguês tem tudo isso. Na RTP, por exemplo, o terrorista de extrema-direita era tratado por “jovem norueguês” e não por terrorista. Até tem nome: chama-se Anders Breivik. E já se diz que é louco, como convém nestes casos.

Ao que parece, o terrorista tinha planos de ataque a uma série de países, e Portugal não escapava ao rol de nações inimigas, com mais de 11.000 alvos a abater. Também a refinaria de Leça da Palmeira era um alvo. Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, apressou-se a assegurar que foram tomadas todas as medidas de segurança necessárias. Um dia depois, os jornais divulgam que uma norma da PSP de Matosinhos, que engloba Leça da Palmeira, que espera há décadas por uma esquadra, indica que as viaturas policiais deverão realizar apenas 25 a 30km por turno, devendo o restante serviço realizar-se a pé.


Fiquemos, por isso, descansados. A PSP tem permissão para dar três voltas ao perímetro da refinaria e fazer o resto a pé. Esperemos que os eventuais terroristas tenham isso em consideração.

Publicado originalmente na edição de Agosto do Notícias de Matosinhos. 

quinta-feira, julho 14, 2011

A culpa é nossa

Diz que é moda malhar na Moody's. Não há dia que não surja um novo vídeo com lixo para a Moody's. Estamos confortavelmente indignados com a Moody's; até crashamos o site deles sem precisar de sair das cadeiras. Foi uma iniciativa inédita, ao que parece lançada por um assessor da TAP, cuja indignação é de classe. Não há notícia de ataques ao site da Groundforce quando foram despedidas centenas de trabalhadores.
Somos tão patriotas quando nos dizem que somos lixo. É aquele orgulho saloio, que surgiu de repente quando percebemos que uma agência faz aquilo que sempre fez: especula. E a gigantesca campanha mediática contra esta agência em particular foi tão bem alimentada, que até o jornal i lançou uma petição dizendo que "A Europa não é um lixo", apoiada pelos líderes da JS e JSD.
Enquanto estávamos entretidos com este circo, surgiam outras ideias mais ou menos pioneiras, como a criação de uma agência de rating europeia. Pessoalmente, acho brilhante. Criticamos as agências de rating dos EUA para criarmos uma europeia, para que possamos, em vez de trash, ser considerados rubish. Pessoalmente, agrada-me, é verdade, que tenho um fascínio pelo british english. Portanto, não se muda o sistema, não se combate a especulação. Não, o que é preciso é que sejamos considerados lixo por alguém que nos seja um bocadinho próximo.

A nossa indignação é tão selectiva que até nos esquecemos, ou há quem nos queira fazer esquecer, o que diziam, até há umas semanas, gente do PS, PSD e CDS sobre as agências. Recordemos que a necessidade dos sucessivos PEC's era equilibrar as contas públicas para não assustar os mercados. A título de exemplo, o ministro Vespa, Pedro Mota Soares, dizia, a 13 de Julho de 2010, que "é um erro desconsiderar o que as agências nos vão dizendo". Menos de um ano depois, a 6 de Julho de 2011, o deputado do CDS, Nuno Magalhães, afirmava: As agências, sublinhou, "falharam" na notação que atribuíram "nas vésperas" da "crise internacional que começou nos Estados Unidos há cerca de três anos e meio".

Já pouca gente se lembra do FMI e do que significa a sua entrada para o país, a perda de soberania, a mesma que defendemos quando fomos considerados lixo. Por falar em FMI, que chegou à Grécia com tanto sucesso - Grécia: défice sobe 28% no primeiro semestre - a instituição segue à letra a ideia instituída de que os melhores gestores têm de ser melhor remunerados, aumentando o salário da nova presidente em 11% em relação ao que ganhava o inocente DSK. Mais quase meio milhão de dólares por ano, ou pentelhos, como diria Catroga.

Até Trichet passou de demónio a anjo, quando criticou a decisão da Moody's. No mesmo dia em que subiu as taxas de juro que farão aumentar as prestações dos créditos. Mas isso nem importa muito. Não podemos é ser lixo.

Vejamos que a crise é tão grande, que até os mais ricos estão mais ricos do que estavam em 2008, coitados. E aqui sim, a culpa é mesmo nossa. Para proteger esta gente de eventuais reacções populares que impliquem levantar as nádegas das cadeiras, hoje mesmo, Helena Matos, no Público, inicia o ataque aos sindicatos, realçando que Carvalho da Silva Está na CGTP desde 1986. Não lhe merece qualquer comentário que o poder económico - e cada vez mais por inerência, também o político - volte a estar nas mãos daqueles que, durante 48 anos e até 1974, exploraram milhões de portugueses. É a ofensiva de classe no seu esplendor. A culpa é nossa e é dos sindicatos. 

Enquanto a nossa indignação se vira para a Moody's, PSD e CDS, com uma ajudinha do PS, vão explicando a forma como vão roubar parte dos subsídio de Natal, sem mexer nas acções e nos juros. A riqueza financeira é então mais protegida do que a riqueza gerada pelo trabalho. Que se lixem as pessoas. O que é preciso é dar sinais aos mercados.

Felizmente, a icar já se pronunciou, dizendo que o corte no subsídio de Natal - note-se a ironia da coisa - é uma medida equilibrada.

E de quem é a culpa de tudo isto? É nossa. Que gastamos mais do que temos. Não é da desregulação do sistema financeiro, não é dos sucessivos retrocessos sociais que vivemos desde a Revolução de Abril. Não. É nossa. (E da Moody's).

terça-feira, julho 05, 2011

O puzzle*


Foi no dia 5 de Junho que o país deu uma volta tremenda de 360 graus, numa confusão de tonalidades que pouco ou nada há-de mudar no que está já traçado para nós por aquela gente estranha que veio de fora, sem rosto nem nome, que ficou célebre por um tal de “senhor olhos azuis”. Agora vem o puzzle que é a formação de um governo, que ninguém saberá muito bem para que serve, porque o programa a adoptar não será de qualquer um deles.

Mas nem só de puzzles políticos vive um leceiro. Temos também os puzzles que são as estradas do Concelho de Matosinhos, com um bocadinho de estrada à volta de cada buraco. Tenho para mim que, se juntarmos todos os pedacinhos de rua, havemos de conseguir uma estrada sem buracos fora da linha de mar. E uma é melhor que nada. Um bom exemplo é a Rua Óscar da Silva, uma das artérias que levava o Porto de Leixões até ao antigo terminal TIR. A grande surpresa, para alguns, é que esta rua não termina na rotunda ao cimo da Av. dr. Fernando Aroso. Continua mais para a norte e encontra-se com Perafita, numa zona que é um bocadinho de ninguém. Faz lembrar Gonçalves, também em Leça, por trás do renovado centro hípico, também numa fronteira, mas com Santa Cruz do Bispo.

Gonçalves não é bem um buraco, é uma nódoa que o poder local continua a ignorar, mas não totalmente. É uma zona sem passeios, com rua em paralelo, mas não toda. Eu explico: Há um espaço com direito a alcatrão e passeios, junto a uma superfície comercial, mas para lá chegar não há passeios; mais à frente, há uma rua que vai dar às traseiras do centro hípico que tem alcatrão mas também não tem passeios. Depois vamos de paralelo em paralelo até ao viaduto – em alcatrão – que liga às traseiras da Exponor e a uma das entradas da Quinta da Conceição – também sem passeios.

Leça é assim mesmo, um enorme puzzle que há anos tentam desmontar e descaracterizar.

*Publicado originalmente no jornal Notícias de Matosinhos.

quinta-feira, junho 30, 2011

Ó gente da minha terra! - Contra o encerramento dos CTT no Monte dos Burgos

Sei que o tempo não tem sido muito para passar por aqui, mas não podia deixar de partilhar e apelar à participação nas seguintes iniciativas contra o encerramento do posto do CTT do Monte dos Burgos.

·    Quinta-feira dia 30 Junho às 21h na Assembleia Municipal no edifício da Câmara de Matosinhos.

        ·      Sexta-feira dia 1 de Julho às 16h no protesto em frente à estação dos CTT de Monte dos Burgos.


Convém recordar, de acordo com uma notícia recente, que, segundo os dados da Direcção-geral do Tesouro e das Finanças, a aquisição mais cara foi nos CTT. Quando Estanislau Mata da Costa assumiu a liderança dos Correios trocou o BMW de serviço por um Mercedes S320 CDI. Este custava 84 mil euros, mas a retoma do BMW permitiu baixar o preço para 60 mil euros."

Eu vou estar lá.

sexta-feira, junho 03, 2011

Democracia à moda da CM de Matosinhos

A Câmara Municipal de Matosinhos já nos fez saber mais que uma vez que vale tudo em campanha eleitoral. Mas a fotografia que a seguir se apresenta constitui crime. Por uma vez, tenham vergonha!

segunda-feira, maio 30, 2011

Juntas de boys*

Portugal passará, ao que tudo indica, a ser gerido por uma comissão administrativa composta pela UE e FMI, apesar de irmos a eleições, que passam a ser uma espécie de adorno do sistema democrático. As medidas já foram decididas pelos futuros gestores do país, embora a grande maioria tenha de passar pela Assembleia da República, obrigando a que, mais uma vez, vejamos quem apoia a ingerência externa num país soberano.

Uma das medidas prevista no memorando que ninguém se lembrou de traduzir, à excepção do blogue “Aventar” (http://aventar.eu/), é a fusão e redução do número de freguesias e municípios. Vem, aliás, na linha do que já havia sido afirmado na AR pelo ministro Teixeira dos Santos, aquando da dotação orçamental para as freguesias, em que o mesmo afirmou que as juntas serviam para colocar boys dos partidos políticos. Com o pequeno detalhe de serem eleitos pelo povo.

Para o interior do país esta medida será gravíssima e terá como consequência um afastamento da população dos órgãos locais de decisão, proporcionando uma desertificação ainda maior das regiões mais deprimidas, sem a proximidade de quem tem por obrigação moral, mais não seja, defender os seus anseios e reivindicações.
Mas vamos fantasiar por uns minutos. E se houvesse em Matosinhos uma união de freguesias?

É que, apesar de o site da Câmara Municipal de Matosinhos não referir, por desconhecimento ou deliberadamente – qualquer dos motivos bastante grave –, Matosinhos foi elevada a cidade a 28 de Junho de 1984, através da lei n.º 10/84, com uma particularidade: passou a adoptar, oficialmente, a designação de cidade de Matosinhos – Leça da Palmeira.

E agora? Estarão os leceiros e matosinhenses dispostos a uma migração forçada de freguesia? E o que pensarão os boys – para usar palavras de Teixeira dos Santos – do poder local de ambas as freguesias?

*Artigo publicado no jornal Notícias de Matosinhos de Junho

segunda-feira, maio 23, 2011

EXCLUSIVO Um Tal de Blog

O Um Tal de Blog está em condições de confirmar a notícia avançada no fim-de-semana pelo Correio da Manhã, onde se lê que o PS paga apoio de imigrantes provenientes da Índia e Paquistão, trabalhadores nas lojas do Martim Moniz, Lisboa, e na construção civil.

O Um Tal de Blog encontrou imagens inéditas e exclusivas das excursões organizadas pelo aparelho partidário do Partido Socialista.


quarta-feira, maio 11, 2011

O que esperar das eleições

Vamos outra vez para eleições, no próximo dia 5 de Junho. Desta vez, estranhamente, as habituais notícias sobre o custo das eleições surgiram logo após a demissão do Governo. Mais importante que isso, seria perceber o custo que o resultado das eleições terá para o Povo português, as implicações, o seu impacto no quotidiano de cada um de nós.

Também há os que já pedem a permanência indefinida do FMI, por considerarem que a culpa é "dos partidos", sejam eles quais forem, num argumento à Carlos Coelho. Pessoalmente, não tendo vivido os 48 anos de ditadura fascista, guardo com orgulho o património de luta do Povo português e do PCP em particular, que permitiu a conquista da democracia. E é por isso que tenho esta mania teimosa de defender o meu direito a escolher quem me representa na Assembleia da República, mediante o conhecimento dos projectos de cada um. E é isso que deixa de acontecer quando o FMI entra num país.

O que esperar, por isso, das eleições de dia 5?

Do PS, PSD e CDS espera-se a derradeira traição às conquistas de Abril, o ajuste de contas que tanto querem fazer, agora a cobro do FMI. Com pequenas diferenças entre eles, escolhem o mesmo caminho do desastre que levou a Grécia ao estado em que está - e que hoje vive mais uma greve geral, demonstrando assim a vantagem da intervenção externa. Mas há outros paralelismos entre Portugal e a Grécia. Os dois países seguiram, desde 1997, políticas de combate ao défice para cumprir metas irreais, que foram sendo alteradas ao longo dos anos, sempre para servir os interesses e a ineficácia dos países do centro da Europa, que controla as directivas da UE. Uma vezes conseguiu-se, outras não, mas sempre às custas da mesma receita: mais sacrifícios para os trabalhadores. E importa esclarecer que os desempregados também são trabalhadores, ao contrário do que às vezes se pretende fazer passar.

Entre PS e PSD, à parte do desastre Catroga e da cambalhota de Nobre, há pouco que os distinga. Programas fictícios, porque o verdadeiro foi o assinado com o FMI, à boleia do CDS, que fugiu da fotografia para continuar a capitalizar os descontentes do PSD e do PS.

O Bloco de Esquerda continua perdido no seu labirinto: entre o apoio à intervenção da NATO e a presença na manifestação contra a cimeira em Lisboa; entre o apoio à intervenção externa na Grécia e ser contra a intervenção em Portugal; entre a moção de censura que não era boa ao domingo e passou a ser fundamental na quarta-feira; entre o apoio a um candidato presidencial do PS e a rutura com as políticas do PS; entre as diversas correntes que defendem tudo e outras o seu contrário.

No entanto, o que mais me deixa curioso em relação ao Bloco é no que diz respeito às reformas laborais. Que posição assumirá o Bloco quando verificarmos que parte das medidas propostas pelo FMI são, afinal, aquelas que o bloquista Chora, o sindicalista-modelo, "conquistou" na Autoeuropa? Haverá espaço para mais cambalhotas no Bloco?

Resta a CDU, a única opção coerente e credível para quem quer dar, de vez, a volta a isto. E cabe a todos nós, militantes e activistas, fazer a nossa parte. Esclarecer o que é deturpado, mostrar o que é omitido, abrir novos horizontes a quem os últimos 35 anos de PS, PSD e CDS roubaram a esperança e as perspectivas de futuro.

Mostrar, por fim, que há alternativas. Critiquem-nas, concordem, discordem, mas conheçam-nas primeiro.


terça-feira, maio 10, 2011

Há 90 anos

‎"Portugal é um país de imensas e variadas riquezas naturais, que criminosamente para aí estão completamente abandonadas por incúria e incompetência da maioria desses cretinos e esbanjadores que neste momento procuram caçar votos para esbanjar e delapidar o erário público".

Partido Comunista Português, 1921.

Através do Bruno Carvalho, do 5dias.

terça-feira, abril 26, 2011

25 de Abril à moda de Leça

Há 37 anos e um dia, Portugal voltava a respirar. De forma confusa, ainda, cheia de soluços e com medos de 48 anos que não se ultrapassam em 48 horas.
Eu não era nascido há 37 anos, que os meus pais andavam ocupados a fazer outros filhos. Ou filhas, no caso. Foram três seguidas, as filhas. O resto prefiro não imaginar porque se aproxima de uma visão do inferno para um descrente.

No entanto, tive a sorte de crescer numa família que fez questão de ensinar-me o que foram o 24 e o 25 de Abril, numa perspectiva marcadamente ideológica. Não por uma questão de politização precoce, mas antes por uma perspectiva de classe da forma como o Povo sentia e vivia. Da classe do povo, dos explorados - palavra proibida, que é de comunista. E estou à vontade para falar. O meu pai ainda não era militante do PCP, embora já fizesse parte das listas da APU e da CDU para as Autárquicas; a minha mãe andava iludida com o PS do Soares. Passou-lhe, felizmente. Mas não me sai da memória ter ido festejar a vitória do Soares sobre o Freitas. E sim, era pequenino mas lembro-me bem disso.

Também não foi na escola que aprendi o que é o 25 de Abril, que a coisa é matéria non-grata. Ou antes, aprendi com alguns professores, mas à margem do que a escola "ensina". Professoras como Lurdes Castro, Ana Amaral, Luísa Félix e Maria Emília. Aprendi com elas, discordei, concordei, mas aprendi.

Ontem, na sessão solene comemorativa dos 37 anos do 25 de Abril, em Leça da Palmeira, a Junta não estava cheia, longe disso. Mas não só não estava cheia no espaço dedicado ao público como não estava nas cadeiras dos eleitos. Estavam todas vazias. Apenas cinco pessoas - o executivo. Nem PS, nem PSD-CDS, nem o movimento de Narciso Miranda, nem a eleita independente. Zero.

Não aprenderam coisa alguma, nem com a história, nem com a vida, nem com, mais não seja, o respeito para com aqueles que os elegeram. Sejam doutores, engenheiros, pedreiros, os representantes eleitos pelos leceiros não estiveram nas comemorações do 25 de Abril.

Afinal, é o povo que se divorcia de alguns políticos, ou são alguns políticos que se divorciam do povo?

terça-feira, abril 12, 2011

Pensar o futuro.

O domínio socrates2011.com foi registado em Fevereiro.

De acordo com o blog Snapshots, já em Fevereiro o PS se preparava para eleições antecipadas.

Cai por terra a teoria de que Sócrates não queria o FMI nem eleições antecipadas. Ou então é uma visão de futuro tremenda.

É penalty?*

Caiu o governo. Bem, dizer que caiu não será a expressão mais adequada. Na verdade, o governo não caiu; só aproveitou uma entrada de carrinho de Cavaco Silva no novo mandato como Presidente da República para se fazer ao penalty.

E Pedro Passos Coelho caiu como um pato, sedento que estava para avançar para eleições. Apontou para a marca dos 11 metros e disparou contra o PEC IV, depois de ter dado carta branca para os três anteriores, mais um Orçamento de Estado pelo meio.

Na verdade, não só não houve grande penalidade como Passos Coelho demonstrou ser o Olegário Benquerença da política. Sócrates sabe que o PSD, se ganhar as eleições, vai fazer um trabalho tão mau, ou pior, do que o PM demissionário vinha praticando. E isso dá a Sócrates uma almofada confortável para a campanha. Até porque Passos Coelho anunciou, logo após a demissão do PM, que aumentará o IVA.

A par disso, por coincidência, o Eurostat veio pedir informações ao muito nosso Instituto Nacional de Estatística sobre as contas do nosso défice, que, ao que parece, está um bocadinho acima do previsto, fruto da nacionalização dos prejuízos do BPN.

Felizmente, o mundo não é a preto e branco, ou a rosa e laranja, no caso. Há mais vida para além do que todos os dias nos apresentam como inevitável. E não, não são todos iguais. Mal estaríamos nós se, em 10.000.000 de habitantes, não houvesse diferenças. Saibamos nós distingui-las, para que percebamos que aquilo que temos em Portugal não são os políticos que merecemos; são antes os políticos que queremos, que escolhemos e que escolhemos não ser.


*Publicado na edição de Abril do Notícias de Matosinhos

quinta-feira, abril 07, 2011

O meu reino por uma lata de sardinhas

No mesmo dia em que José Sócrates, "com seu ar grave e sério" - desculpa, Carlos Tê, merecias melhor - anunciou o que tinha desmentido há três dias, houve um episódio curioso, no Lidl que fica ao lado do bairro, ali para os lados de Leça.

Enquanto o Luís dizia de sua justiça sobre o melhor perfil de Sócrates, lá em casa comentava-se a situação do país, intervalada pelas tiradas da B. e do T., que ainda não percebem bem o que nos seduz nos noticiários e nas declarações do senhor que fala como se estivesse a dizer uma coisa que não lhe agrada.

Voltemos ao Lidl, que é mais barato e tem sempre promoções. Não, vamos antes ao FEEF, que mais não é do que o FMI e a UE juntos. Sócrates falou para desmentir o desmentido que o seu governo de gestão tinha feito durante a tarde a uma notícia do Financial Times. Portugal vai mesmo pedir "ajuda" externa. Mas foi a meio de uma semana difícil, compreende-se. Desde segunda-feira que os donos dos principais bancos, um a um, anunciaram que não emprestavam mais dinheiro ao Estado. O mesmo Estado que, não há muito tempo, havia criado um fundo para salvar o sistema bancário, mais a nacionalização dos prejuízos do BPN. Vem aí uma "ajuda" que exigirá cortes nos salários e possíveis supressões dos subsídios de férias e de Natal. São assim, as "ajudas" dos nossos irmãos europeus.

Horas antes. No Lidl. Uma senhora de idade, na casa dos 70, foi apanhada a roubar. Uma lata de sardinhas. O senhor segurança privado, orgulhoso, comentou com o senhor João: "Já a apanhámos". Não só a apanhou. Chamou a polícia. Sim, o segurança chamou a polícia por uma septuagenária ter roubado uma lata de sardinhas.

O senhor segurança há-de ter o que merece, agora, quando formos todos "ajudados". E quando ele próprio perceber no ridículo em que caiu - embora isso possa muito bem nunca acontecer.

quinta-feira, março 03, 2011

12 de Março - Eu vou!

Confesso que não tive de pensar muito para confirmar a minha presença no dia 12 de Março. Afinal, não é apenas uma data, um acontecimento. É a celebração da luta, de décadas de resistência e com os olhos postos no futuro.

No dia 12 de Março estarei ao lado daqueles que não se conformam, daqueles que, licenciados ou não, estão fartos do rumo que querem impor-nos, da fatalidade da precariedade, do desemprego, dos salários miseráveis e da desigualdades.

No dia 12 estarei ao lado de quem, como eu, luta todos os dias contra o estado a que isto chegou, assumindo os erros que cometemos e enfrentando todas as dificuldades com que nos deparamos.

Não tenho formação superior por opção própria. Toda a gente sabe que, nos dias de hoje, qualquer calhau com olhos arranja um canudo - que está longe de ser sinónimo de conhecimento. É também por aqueles que, como eu, ficaram de fora dos Deolindas de serviço e são escravos mesmo sem terem estudado que estarei mais uma vez em luta no dia 12 de Março.

É pelo exército de desempregados que no dia 12 estarei ao lado deles, mesmo que muitos deles não o reconheçam, nem hoje, nem quando chega a hora de decidirmos o nosso futuro. É uma manifestação a favor da política, da participação participação política de todos a favor de soluções concretas e objectivas.

Dia 12 de Março será mais uma tremenda acção de luta, de protesto e, acima de tudo, de esperança.

No dia 12 de Março estarei no Comício dos 90 anos do PCP.





quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Quanto vale o espaço mediático?

Vale tudo.

Francisco Louçã acaba de anunciar uma moção de censura, depois de o PCP ter dito que esta seria uma possibilidade.

No entanto, no dia 6 de Fevereiro: "Sabemos que no dia em que estamos a discutir não tem qualquer utilidade prática a apresentação de uma moção de censura", disse Louçã.

Moção de censura sem «utilidade prática»

Depois das Presidenciais, o BE perdeu o norte, a vergonha e os princípios.